Fez-se a história

Antes de analisar a derrota e eliminação precoce do Internacional, o primeiro clube sul-americano que não disputará uma final de Mundial após ganhar a Libertadores, é preciso cuidado ao tratar o modesto Mazembe, do Congo.

Ao contrário do que muitos imaginam, os africanos não são mais os ultraofensivos do futebol moleque de 10 ou 15 anos atrás. Hoje, os principais jogadores do continent
e jogam na Europa, tem espírito tático e outras qualidades. E por consequência, seus times e jogadores que permanecem no país, também evoluíram.

Nada disto, no entanto, tira o amplo favoritismo que o Inter tinha antes do jogo. E que, para este que vos escreve, continua tendo mesmo após a derrota constrangedora. Se o Inter enfrentar o Mazembe dez vezes, com estes mesmos jogadores, normalmente ganhará seis, sete ou mais vezes. O que não quer dizer que ganhará sempre. E é isto que faz do futebol algo tão fascinante.

O início do jogo dava a impressão de que os gaúchos teriam facilidade. No 4-2-3-1 que encantou na reta final da Libertadores, o Colorado começou em cima e criando oportunidades. A marcação do time africano demorou a encaixar, mas o Inter não soube aproveitar, perdendo pelo menos três boas chances de gol.

Quando os africanos recuaram sua segunda linha de quatro homens e congestionaram o meio-campo, porém, o jogo se equilibrou. E o Inter, que começou bem, passou ao nervosismo rapidamente, exagerando nos erros. D'Alessandro sumiu. Sóbis mais uma vez provou ser incapaz de substituir Taison na função de homem de velocidade pelos lados. Alecsandro apareceu pouco.

A situação pioraria no segundo tempo, quando o Mazembe se soltou no jogo e passou a incomodar mais. Incomodar até abrir o placar, com o rápido Kabangu (que dominou a bola com tranquilidade na área enquanto os dois zagueiros do Inter assistiam) tornou o jogo num verdadeiro pesadelo para os brasileiros. O Inter martelava, tinha a bola, mas não tinha velocidade para surpreender e quando conseguia concluir bem esbarrava em tarde inspirada de Kidiaba.

Celso Roth mexeu no time mas com pouca ousadia, manteve a estrutura tática. Entraram os nomes certos, no lugar dos jogadores errados. O Inter podia ousar mais, num jogo tão decisivo, em desvantagem, contra um adversário tecnicamente mais fraco.

No fim, o castigo ainda veio com o segundo gol, marcado por Kaluyituka, que enterrou de vez o sonho do bi-mundial para o Internacional. E fez história para o simpático Mazembe, primeiro clube fora da Europa e América do Sul que disputará um título mundial. Aliás, como faz bem ao futebol a alegria dos africanos...

Para o Inter, fica um pesadelo que certamente vai demorar a passar. Velhos fantasmas devem aparecer no Beira-Rio e será preciso cabeça fria para espantá-los. Necessário, para que o time se mantenha no caminho de glórias e crescimento das últimas temporadas. Derrotas, por mais doídas que sejam, fazem partes de qualquer percurso. E precisam ser utilizadas para crescimento próprio.

O mesmo fica para Celso Roth, que certamente será crucificado novamente. Se o (ótimo) técnico foi fundamental na virada que permitiu ao Inter levantar o caneco da Libertadores, hoje foi um dos responsáveis (não o único) pelo fracasso, quando mexeu mal na equipe.

A história foi escrita hoje em Abu Dhabi. Um recado para quem acha que futebol se ganha antes de entrar em campo. Um recado para quem achava que a semifinal no Mundial de Clubes era mera formalidade...

2 comentários:

Braulio "xuBs" disse...

Celso Roth merece ! =)

Unknown disse...

Nem tudo certo, nem tudo errado né. Os erros e os acertos do Inter no Mundial da FIFA. http://j.mp/ef6FPq

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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