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Marcação Entrevista: Valdir Espinosa

Depois de um longo inverno (verão e início de primavera), o Marcação Entrevista está de volta. E desta vez, tive o prazer de conversar com uma figura muito importante do futebol brasileiro: Valdir Atahualpa Ramirez Espinosa.

Com mais de 30 anos de carreira, Valdir Espinosa já passou por diversos clubes do Brasil além de acumular passagens por Arábia Saudita, Paraguai e Japão. Campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes em 1983 com o Grêmio, ele passa por um momento de recomeço.

Nesta longa conversa com o Marcação Cerrada, ele falou sobre a carreira, sobre análise tática e sobre o momento dos técnicos brasileiros. Depois que quase dois anos, ele retomou a carreira neste ano mas acabou ficando pouco tempo no Duque de Caxias. Independente disto, garante: está pronto e disposto para retomar a carreira de vez. Com a disposição de um iniciante, aguarda uma oportunidade em uma grande equipe.

Marcação Cerrada – Em 2009 você chegou a anunciar o fim da carreira. O que te fez aceitar a proposta do Duque de Caxias?

Valdir Espinosa – No momento que eu dei aquela entrevista para um canal de televisão, ela estava dividida em duas partes. A primeira que eu ia parar e uma segunda que eu pensaria em continuar em outra função. Basicamente, eu estava parando porque a motivação tinha baixado bastante. Eu sempre cobro dos meus jogadores que eles tenham alegria no que estejam fazendo, e a minha alegria diminuiu. Então, se eu cobro deles aquilo que eu não tinha, não via condição de realizar o trabalho como deva ser realizado. Por isto eu dei uma parada. Aproveitei para dar uma descansada, olhar de fora. Olhando de fora, você vê muito melhor as coisas que estão acontecendo. Taticamente havia uma mesmice muito grande e isto me incomodava. Aos poucos comecei a me sentir motivado de novo, sentir esta alegria, quando veio o convite do Duque de Caxias. Muita gente estranhou, mas em função de uma amizade e também com vontade de me testar, resolvi aceitar. Você sair da Barra e ir até Caxias não é fácil. Despertava 5h30 da manhã, pegava um trânsito intenso, voltava num trânsito pior ainda e vi que estava com alegria de fazer, estava com disposição. Acabou que não houve acerto no trabalho em função de outras razões, mas este espaço de um mês foi muito importante para eu dizer que estou pronto para voltar.

MC – Então hoje você pensa em seguir a carreira, esperar por uma nova oportunidade?

VE – Com certeza. Sei que existe uma dificuldade, até porque muitas pessoas acham que eu parei. Mas eu estou pronto para voltar a assumir um clube de futebol.

MC – Depois que saiu do Duque já aconteceu alguma sondagem ou foi procurado por algum clube?

VE – Eu sempre digo uma coisa: é muito fácil dizer que foi procurado por 8 clubes, 4 seleções, mas não houve acerto. Muitas vezes eu nem sei se o convite existe mesmo, porque tem o empresário no meio. E você acaba não tendo a certeza se é uma proposta real. Hoje mesmo (ontem) eu tive uma sondagem de fora, mas até chegar ao ponto de falar diretamente com um clube ainda não aconteceu.

MC – E você acha que pode voltar a ter oportunidade em um grande clube do Brasil?

VE – O mercado existe para quem é competente. Aí é você acreditar no seu trabalho, na sua capacidade. Eu tenho história, tenho muitos títulos na minha carreira. Ganhei Mundial, Libertadores, Campeonato Carioca, conquistei o primeiro título internacional da história do Corinthians, o Ramón de Carranza. Além disso, já fiz um trabalho em quatro clubes para escapar do rebaixamento. Por tudo e principalmente pela minha vontade, acredito que pode pintar uma oportunidade sim.

MC – Hoje na Série A temos o Joel Santana e o Felipão praticamente com a mesma idade do senhor. O Antônio Lopes, com 70 anos, está no Atlético-PR. Até que ponto você acha que a idade pode ser um problema para o treinador?

VE – Pra tudo que você faz, se não tem saúde você sente dificuldade. Partindo do princípio que você tenha saúde, você tem que analisar é a alegria do trabalho. Você pode ter a idade que for, se você tem alegria e prazer naquilo que faz, independente da idade você vai realizar um bom trabalho. Eu tenho uma boa saúde e isto é o primeiro passo. E aquilo que eu tinha, que é a alegria no trabalho, eu voltei a ter. Você junta isto à experiência, àquilo que você aprendeu e isto faz com que você tenha uma capacidade maior de desenvolver os projetos.

MC – Falando um pouco da sua carreira. Qual você julga como o seu melhor trabalho?

VE – Eu tive a felicidade de ter alguns títulos e todos eles foram importantes. Claro que se você dimensionar, o Campeonato Mundial é um campeonato que todos querem e poucos têm. E para chegar a ele você tem que ter uma conquista de Libertadores e nós tivemos. Tivemos dois títulos no Paraguai, no Cerro Porteño, que é uma equipe de muita tradição, mas há muito tempo não conquistava. Tivemos o título no Botafogo, quebrando um jejum de 21 anos sem títulos. Todos eles têm uma história. O Grêmio foi um sonho conquistado. O Botafogo, um pesadelo que terminou. Cada um tem seus detalhes, mas nenhum foi o Espinosa sozinho que venceu. Houve também trabalhos para salvar de rebaixamento. Teve o Botafogo em 98, o Ceará que ia pra Série C, o Fortaleza em 2005, o Vasco em 2007. Tudo isto foi muito importante. Mais difícil, porque nestes momentos você chega em um dia e a equipe já joga no outro. São dificuldades diferentes.

MC – E de todos estes times que você treinou, qual foi o que mais te agradava ver jogar?

VE – O importante para que isto aconteça são as peças. Eu aprendi uma coisa no início da carreira que eu carrego sempre e passo adiante quando tenho a oportunidade. Quando eu encontrei o João Saldanha e pedi a ele que me desse um ensinamento para quem estava começando, ele me disse: “se tiver time bom, tu ataca. Se tiver time ruim, tu defende”. E eu nunca mais me esqueci daquilo, por mais que mude o futebol, surjam novas táticas. Mas eu tive a felicidade de trabalhar com grandes jogadores tanto no Grêmio, quanto no Botafogo, no Cerro Porteño. Com bons jogadores você tem mais condições de fazer um trabalho e de vê-lo dar resultado.

MC – E hoje, observando de fora, qual o time você gosta de assistir?

VE –Acho que o mundo inteiro se rende ao Barcelona. É a melhor equipe do futebol mundial. Tem jogo do Barcelona, eu estou na frente da televisão. E aí vem aquele detalhe: porque o Barcelona ataca? Porque tem time bom. Mas tem também o aspecto técnico. É um time que domina e toca enquanto outras dominam e correm, principalmente aqui no Brasil.

MC – E este modelo do Barcelona, é possível se aproximar dele mesmo com jogadores menos qualificados?

VE – Pode fazer sim. Claro que você não vai ter o Messi, porque não existem dois. O problema é que todo mundo quer que em um mês o time já jogue igual o Barcelona e isto é impossível. Se você quer o Barcelona, é preciso ir lá nas categorias de base e começar a trabalhar. Depois de quatro, cinco anos, estes jogadores vão estar subindo para o profissional e aí você começa a pensar em ter um Barcelona. Mas quem é que tem calma para isto?

MC – Por falar neste imediatismo, quem tem sofrido com isto é o Mano Menezes na seleção. Recentemente no seu blog, você apoiou a permanência dele, mas disse que ele precisava rever alguns conceitos. Qual a avaliação que você faz do início do trabalho no Mano e quais conceitos são estes que ele precisa mudar?

VE – Não sei se é o Mano que tem que mudar primeiro ou se somos nós, torcedores. A gente quer que aja uma reformulação, mas ao mesmo tempo não aceita que venha a derrota. Se tiver resultados negativos, troca-se o treinador. A Copa do Mundo já está batendo a porta. Ele ainda está analisando quais os veteranos que poderão dar retorno na Copa do Mundo, quais os jovens que não sentirão a camisa da seleção brasileira. Hoje, nós não temos certeza de nada. Até um momento atrás, o Ganso era a figura número um do futebol brasileiro, mas por problemas de lesão já ficou de lado. O Neymar é excepcional, tem tudo para ser um dos melhores jogadores do mundo, mas ainda não deu resposta com a camisa da seleção. Acho que nós temos que cobrar do Mano uma definição de equipe. Mas não cobrar o resultado, porque se cobrar o resultado ele vai jogar com três volantes, quatro volantes, para não perder o emprego. E eu acho que numa Copa do Mundo aqui no Brasil, ninguém vai aceitar a seleção jogando com três volantes.

MC – E você acha que o nível dos jogadores brasileiros hoje fica devendo tecnicamente a outros países da Europa e até mesmo aqui da América do Sul?

VE – Acho que individualmente a gente tem grandes jogadores surgindo. Lucas e Casemiro do São Paulo. O Neymar e o Ganso. O Thiago do Milan. São jogadores extraordinários. Mas são jogadores que você ainda não sabe que resposta eles vão dar jogando uma Copa do Mundo com a camisa da seleção brasileira. No meu entendimento, a grande diferença está no aspecto tático, pois o europeu é mais obediente. Criou-se este comodismo da cultura do futebol brasileiro, que é pegar a bola, sair correndo e driblando, se fizer o gol venceu. O Neymar, por maior qualidade técnica que tenha, tem que cumprir uma função tática, fechar espaço para o adversário não jogar. E isto tem que servir para todos. Nós temos que manter a criatividade, mas ter disposição tática de formação. Assim fomos em 70 e vencemos, assim fomos em 58, também quando perdemos em 82 que foi a melhor seleção. Tínhamos a qualidade técnica, mas tínhamos uma boa formação em campo.

MC – E você acha que esta falta de obediência tática acaba prejudicando os jogadores brasileiros quando eles vão jogar na Europa?

VE – É um dos motivos. É preciso também ter cabeça, porque lá você vai ser cobrado para cumprir uma função. Aqui se cobra muito pouco. O jogador vai pra lá, se não quer fazer a função vai pro banco. E se fizer beicinho, vai embora. Aqui, a culpa é do treinador. Por que os jogadores experientes como Ronaldo, Ronaldinho, falam que o Neymar tem que ir pra Europa? Ninguém quer ver o mal do Santos. Mas lá ele vai aprender, vai ser cobrado, será outro Neymar na Copa do Mundo. Aqui, principalmente para o craque, a cobrança é muito menor.

MC – Você já trabalhou como comentarista. De forma geral, você vê os comentaristas preparados para observar o jogo profundamente, principalmente na parte tática?

VE – Está mudando. Você já vê a diferença. Muitas vezes se comenta o resultado do jogo: quem ganhou fez certo, quem perdeu fez errado. É pouca análise em cima da distribuição tática. Mas já estou vendo melhorar, estou vendo alguns falando sobre este aspecto tático.Só que isto não muda de uma hora para a outra. Em relação ao que era há pouco tempo atrás, eu vejo uma mudança interessante, de se falar de tática, de se cobrar taticamente.

MC – E é uma função que te agrada, que você pensa em retomar um dia?

VE – Me agrada bastante. Eu adoro. Mas agora estou focado em voltar a treinar, com uma gana extraordinária. Eu quero fazer acontecer. Meu foco agora é só voltar a treinar, colocar idéias em prática e conquistar mais títulos.

MC – Você falou sobre a importância deste período que você ficou observando de fora, entre a saída do Fluminense e a chegada ao Duque. Você acha que seria importante para todos os técnicos este período de observação, de reciclagem?

VE – Depende de cada um. Eu entendo que muitas vezes de fora você tem uma visão mais ampla e passa a ter uma observação melhor. Assim, você pode ter um aprendizado maior. Em alguma oportunidade eu já saí de uma equipe e fui pra outra, vivi este momento. Mas confesso que para mim foi muito importante este afastamento, esta visão, porque deu pra aprender bastante.

MC – Para quem está de fora, a visão é que o mercado de técnicos no Brasil é muito restrito. Normalmente são os mesmos nomes circulando nos grandes clubes. Vocês também sentem esta dificuldade?

VE – A grande verdade é que hoje você depende do empresário. Não adianta só ter títulos. Os clubes dependem muito do empresário. Até pouco tempo, o clube tratava diretamente com o técnico. Hoje, tudo é através do empresário e ele já tem a sua carteira de treinadores. Se o clube vai trabalhar com um empresário e eu não estou na carteira dele, o meu nome está fora daquela oferta.

MC – Para fechar, o que você acha do nível dos treinadores no Brasil em comparação com o que tem observado na Europa?

VE – Acho que cada vez mais surgem bons treinadores. Entendo que eles poderiam fazer com que nós tivéssemos uma tradição tática melhor. Nós ficamos alguns anos jogando com quatro jogadores defensivos, dois volantes, dois meias, dois atacantes (4-2-2-2) e isto é muito ultrapassado. Até hoje algumas equipes jogam assim, porque nós ficamos muito tempo com medo de mudança. Quando se diz que a Copa do Mundo nos deu o sistema 4-2-3-1, é preciso observar um detalhe muito interessante. Estes dois homens do lado de campo que formam estes três do meio são atacantes. Então é um 4-3-3 quando ataca e um 4-2-3-1 quando defende. Nós olhamos e fomos copiar como? Estes dois homens pelo lado, colocamos homens de meio-campo e um atacante só na frente. A disposição é a mesma mas a interpretação não é correta. Na Seleção de Portugal, o Ronaldo jogava na esquerda e o Nani na direita, mas eles são atacantes. No Real Madrid também. Mas quando eles perdem a bola, recuam para marcar. No Brasil, muitas equipes jogam assim. Mas são homens de meio-campo, que chegam à frente. Por isto acho que ainda temos para acrescentar, temos para aprender. Independente de qualquer coisa é importante que se discuta.

MC – Você acha que falta um pouco mais de diálogo entre os treinadores brasileiros para discutir estas mudanças táticas?

VE – Existem vários encontros, que são importantes e são bons. Mas é sempre a mesma discussão e eu ainda não vi um que o pessoal sentasse para conversar. Por exemplo: o Leão, quando foi treinador da seleção eu estava no Fluminense. Ele reuniu os quatro treinadores cariocas num hotel, sentou e conversou. Perguntou como as equipes jogavam e passamos um bom tempo debatendo. Foi a primeira vez que eu vi isto e não sei se ele chegou a fazer em outros estados. Não adianta reunir para tomar cafezinho ou contar historinha. Precisamos discutir, ver o que está certo, o que está errado. Temos que brigar pra que isto mude, porque senão vai continuar assim. A partir daí, vão surgir idéias, fatos diferentes e fatalmente você vai ter um crescimento.

OBS: Aproveito a entrevista para recomendar o ótimo blog do treinador, com discussões interessantes sobre parte tática e trabalho dos técnicos. Quem quiser acompanhar as últimas notícias sobre o Valdir Espinosa, também deve segui-lo no Twitter.
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Marcação Entrevista: Lédio Carmona

O Marcação Cerrada sai do campo e vai para a cabine. A entrevista de hoje é com um dos comentaristas mais respeitados da televisão brasileira: Lédio Carmona, do SporTV.

Entre o trabalho, as corridas e claro, a novela, Lédio reservou um tempo para falar com exclusividade ao Marcação. Dono de um dos blogs esportivos mais acessados da rede (visita diária obrigatória e principal inspiração para este espaço), o carioca de Niterói falou sobre a carreira, redes sociais e claro, futebol.

Vejam:

Marcação Cerrada - Quando você decidiu que queria ser jornalista? Como foi o início da carreira?

Lédio Carmona - Na verdade, diz minha mãe que desde os 9 anos eu falei que ia ser jornalista esportivo. Comecei a acompanhar futebol em 74 e comecei a me encantar. Eu ouvia muito rádio, queria ser radialista. Comecei a me preparar. Lia a placar toda semana, não parava de ouvir rádio. Fui me interessando e ficando cada vez mais envolvido. Entrei na faculdade de jornalismo da PUC em 84 e continuava querendo ser radialista. Quando vi tinha arrumado um emprego no Jornal do Brasil, durante a copa de 86. Estavam lá João Saldanha, Sandro Moreira, Antônio Maria, muita gente boa. Aprendi muito lá. Fui pra Placar e quando eu achei que minha carreira era na mídia impressa, em 2000 fui convidado pela TV Globo. A vida foi mudando e quando eu vi, hoje sou comentarista do SporTV e estou feliz. Já até tentei não ser jornalista esportivo. Tentei ser assessor de imprensa mas não rolou. Eu gosto do que faço.

MC - Sente falta do dia-a-dia como repórter, da busca pela notícia?

LC - Eu não sinto muita falta de ficar correndo atrás da notícia não. Eu respeito cada um. Tem pessoas que tem a ânsia pela apuração e acho isso sensacional. Não é que eu tenha perdido. Eu já não sou viciado naquela coisa de ligar, apurar... Eu gosto de ser analista, de pesquisar, de buscar detalhes pra transmissão, acho que isso é muito legal. Confesso que eu não tenho muita paciência de ligar pra dirigente, pra treinador, ficar apurando. Tem pessoas que são completamente diferentes. São muito amigos meus, como o Paulo Vinicius Coelho (comentarista da ESPN), que é um cara que apura o tempo inteiro. Admiro ele, acho um cara espetacular. Já trabalhamos juntos, mas eu sempre fui um pouco diferente. Ele é muito apurador, ele é muito ansioso pela busca da informação. Eu sou um pouco mais light nesse caso. Eu gostaria de ter um pouco desse mosquitinho que move o PVC o tempo inteiro pela apuração. Mas eu sou feliz assim.

MC - E a transição até virar comentarista?

LC - A transição foi por acaso. Quando saí da Globo em 2000, era chefe de reportagem e pedi demissão porque estava um pouco cansado. Queria ter mais domingos de folga, mais tempo para a família. Fui trabalhar com minha esposa, numa assessoria de imprensa. Virei até assessor de imprensa do SporTV, mas não me adaptei muito, não curti. Como eu já estava dentro do SporTV, começaram a me convidar pra participar do Redação SporTV. E do Redação, comecei a comentar alguns jogos: campeonato francês, Libertadores... Quando vi, tinha virado comentarista. Fui ganhando espaço e estou lá, feliz. Gosto muito de fazer, gosto de ver futebol o tempo inteiro, conhecer novos times, acompanhar de perto, ir ao estádio. Pra mim está perfeito, estou gostando muito. Vejo meus amigos sempre que posso, amigos de outros estados, está muito legal. Gosto da minha vida como ela é hoje.

MC - Nos momentos de folga, procura relaxar ou assiste muitos jogos?

LC - A gente não folga muito não. Hoje é uma quinta-feira que teoricamente estou de folga (havia trabalhado em Fluminense x Argentino Jrs, no dia anterior). Mas tenho o blog para fazer, aproveitei pra fazer um monte de coisas: levar exame pra médico, já estou pesquisando para os jogos do fim-de-semana, você não pára totalmente. Amanhã estou de folga mas vou pesquisar o dia inteiro, tenho que escrever a coluna para o jornal Extra que sai no sábado... A gente não vai para a TV, mas tem que se preparar para os jogos do fim-de-semana. Eu levo muito tempo me preparando, pesquisando, fazendo súmula, levantando números. Esse início de temporada tem muita novidade. Folga mesmo só nas férias. Agora você não vai ao trabalho, mas trabalha o tempo inteiro. Eu pelo menos sou assim. E eu não consigo imaginar alguns amigos meus do SporTV e de outras televisões folgando. Existe essa necessidade de se informar, de estar por dentro de tudo. Não dá para desligar. Ainda mais com Iphone, com aparelho de celular que você fica conectado o dia inteiro. Eu estou no consultório médico, mas estou no twitter, apurando nos sites. Eu não paro nunca. Não consigo parar.

MC - Como surgiu a idéia do blog? Já acompanhava muitos blogs na época?

LC - Vou te confessar que eu não lia, não. Foi exatamente quando eu tinha deixado de ser assessor de imprensa, em 2005. Fui sair com uns amigos, num aniversário e minha esposa estava junto. Uma amiga dela, que trabalhava no Globo Online (Raquel) me convidou para ter um blog lá. Não sei exatamente qual foi o gancho. Blog não era uma coisa da moda no início de 2005. Estava doido pra voltar a trabalhar com futebol, meio carente... Comecei a fazer. Mas comecei a fazer, como tudo que eu faço, obsessivamente. Eu tinha tempo, não estava trabalhando em outro lugar. Então eu postava muito, respondia todo mundo, me envolvia muito nas discussões, conversava... fiz muito amigo em blog. Quando eu vi era um sucesso, tinha muito acesso. Foi bem natural. Não estabeleci nenhuma estratégia de ação para fazer o blog. Quando eu vi o Globo.com me convidou, fui para lá um pouco antes da Copa de 2006 e estou lá até hoje. Mas hoje já é diferente. Antes eu ligava muito para a audiência, queria saber quanto estava, se estava legal, número de comentários. Hoje não. Sou muito envolvido com meu trabalho na televisão. Eu mantenho, tenho minha política de colaboradores que me ajudam a manter o blog em dia, atualizado, mas eu meio que mudei a minha filosofia. Quando dá a gente faz, atualiza. Ele ainda tem uma boa audiência, mas não é tão estratosférica como era. Eu acho até que esta é uma tendência dos blogs, a audiência cair um pouco. Acho que tem outras ferramentas sociais, outros lugares para as pessoas debaterem. Isso vai se diluindo um pouco. Até o número de comentários hoje não é tão grande porque o cara lê o texto e vai comentar no Twitter, no F
acebook... Ainda acho uma ferramenta legal de interação. Podem até discordar de você, mas se for em alto nível acho que está valendo, acho que esta é a discussão. Eu sou meio viciado em blog. Não tanto quanto era. Já tentei parar de fazer, mas não consigo. Só remodelei minha forma de fazer. Acho que hoje consigo me adaptar bem. Hoje não sou um viciado como era, sou um viciado saudável.

MC - Além do blog, você é um grande usuário do Twitter. De que forma acha que ele acrescenta na sua carreira?

LC - O Twitter é uma coisa natural. Eu tenho muito seguidor no Twitter, mas não sei exatamente o motivo. Não sei se eu falo muita bobagem... Quando vi tinha muita gente. Também não estabeleci estratégia nenhuma para ter 125 mil seguidores. Eu até sigo umas pessoas que não são jornalistas e pessoas jurídicas. Algumas pedem, outras eu me identifico mais, não sendo jornalistas eu sigo também. Eu até sigo muita gente. Eu sigo meios de comunicação, clubes, jogadores... Apesar de brincar muito, convergir socialmente com as pessoas, eu uso o Twitter pra me informar, para pegar informação. Tava agora no consultório médico, mas estava lendo twitts, principalmente de veículos de comunicação. Você fica sabendo coisas do mundo inteiro. Se você clicar no link certo, até vai ler textos densos, de jornal. Basicamente, o que eu curto é que você faz boas amizades, assim como fez no blog, mas eu quero é informação e o Twitter me dá isto. É um veículo que você se diverte, agrega contato, conteúdo, você tem muita informação. Por isso que você acaba seguindo 1700 pessoas. Eu tento me informar através de 1700 fontes. Pode ser um exagero, mas eu sou naturalmente exagerado.

MC - Vamos mudar de assunto e falar de futebol. Qual é o time que mais te marcou até hoje?

LC - Vi o Milan do Gullit, vi o Manchester do início dos anos 90 com o Ferguson. Acho que a Inter do Mourinho foi um time sensacional. No Brasil teve o São Paulo do Telê, Flamengo do Zico, Palmeiras do Edmundo, Atlético do Reinaldo, o Inter do Falcão foi um belo time, o Grêmio de Ênio Andrade. Eu vi grandes times. Mas eu acho que a gente valoriza pouco a nossa época. Não só nós, formadores de opinião, mas torcedores em geral. Hoje em dia estamos em uma fase que podemos não ter um time empolgante assim no Brasil, mas o nosso futebol é até legal. Outro exemplo: o Barcelona do Messi é pouco valorizado por quem é apaixonado por futebol. Falo o Barcelona do Messi, do Xavi, do Iniesta, do Villa, Daniel Alves. É um dos melhores times da história. Sem comparar com A, B ou com C, mas se eu tivesse que falar os 5 melhores times da história, talvez colocasse ele na lista. Entre os 10, com certeza estaria. Acho que a gente tem que valorizar muito a chance de ver este time jogar. É sensacional. Uma forma lúdica, toque de bola. Então eu acho que eu vi grandes times mas hoje a gente vê um time que está aqui, vivo, que é o Barcelona e a gente valoriza pouco isto. Daqui a 20 anos, vou estar com os filhos do pequeno Bob, meus netos, e vou falar que vi o Barcelona jogar, fui ao Camp Nou, era um time sensacional, um dos maiores times de todos os tempos. A gente vai valorizar mais do que hoje. Mas já vi muitos times bons e acho que a gente vai ver muitos outros ainda.

MC - Por falar em valorizar o momento, como vê o retorno de jogadores consagrados como o Ronaldinho Gaúcho ao Brasil?

LC - Em termos de valorização do evento, do espetáculo do futebol brasileiro, é importante você trazer o Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo... Mas eu acho que a gente não pode se acomodar com isto. É um movimento importante, um investimento, tentar sair da mesmice, do marasmo. Acho legal isto. Acho que a gente tem que pensar também, que daqui a pouco temos que ter uma outra etapa. Talvez ir lá buscar um jogador de 25 anos, numa fase ainda mais profícua, que possa render ainda mais. Eu acho que esta é uma etapa importante. Os estádios esse ano devem encher mais, o público deve aparecer mais, está animado. O Rivaldo
no São Paulo está muito legal, Ronaldinho Gaúcho no Flamengo nem se fala. Acho que os times estão se reforçando, descobrindo o mercado argentino, sul-americano. Perto do que já tivemos, é muita coisa e já chama a atenção. O Brasil hoje já rivaliza com França e Portugal no mercado. Já temos condição de ir lá pegar um Liédson em Portugal, fazer um investimento. Acho que o Brasil ainda tem caixa para mais coisa, para ousar mais. Investir com responsabilidade fiscal, pensando bem. Pena que nem todos clubes grandes estão nesse pique, tem muito clube ainda em situação complicada. Mas o Brasil está se desenvolvendo em todas as áreas e o futebol é uma extensão disso, cresceu nos últimos anos. Podemos pensar ainda um pouco além disso. Não só em jogadores veteranos, dá pra pensar em algo mais. Tomara que sim.

MC - Dentro desta visão de reforços, quem fez as melhores contratações para esta temporada?

LC - Eu acho que o Santos está com um time muito forte. Depois que o Ganso voltar, o Neymar,
ele vai ficar com um time muito ajustado. Acho que o Flamengo tem condições, apesar de não ter a defesa pronta. A mesma coisa vale para o Fluminense. Acho que os times de Minas: o Cruzeiro continua com um bom elenco e o Atlético está mais encorpado este ano, com mais cara de time. Os gaúchos também...O Corinthians acho que ficou um pouco para trás neste início, o Vasco também. O Botafogo montou um time ainda melhor. Parece até uma tendência a ficar em cima do muro, mas você vê que quase todos os times estão evoluindo, conseguiram fazer um upgrade. O Coritiba manteve a base da Segunda Divisão, o Atlético está tentando se acertar. Mas se eu tivesse que falar um time neste início do ano eu diria o Santos, por mais que ele também esteja escorregando no Campeonato Paulista. Porque ele tem um equilíbrio maior entre defesa, meio-campo e ataque.

MC - Qual sua visão sobre os Campeonatos Estaduais e qual a solução para eles?

LC - Eu detesto Campeonato Estadual. Não tenho nenhum prazer em ver jogo de Campeonato Estadual. Comento porque sou profissional, meu canal transmite e eu faço com o maior carinho, como faço uma Taça Libertadores, me preparo do mesmo jeito. Mas eu acho o nível muito fraco, a motivação dos jogos muito devagar e mesmo alguns clássicos nem valem nada também. Me deprime um pouco quando vejo um clássico em São Paulo com pouca gente, um Gre-Nal em Porto Alegre com times reservas. Não consigo entender exatamente qual o espírito, que resgate da história é este. Não queria acabar com o Estadual. Queria fazer uma coisa menor, como os argentinos fazem: dois meses de pré-temporada, usa ali o Estadual, se elege o campeão no final, uma fórmula mais enxuta. Mas 20 times no Campeonato Paulista, 16 no Carioca, sei lá quantos no Gaúcho... É time demais, jogo demais. Enquanto isto você fica com o Campeonato Brasileiro apertado, Libertadores também toda acanhada, você não consegue fazer o calendário uniforme com a Europa. Mas respeito quem gosta, quem curte. Eu vejo qualquer jogo. Se estiver passando qualquer jogo de Campeonato Estadual eu vou ver, vou me informar, vou anotar, vou escrever. Mas não é a competição que me seduz. Eu vejo porque sou um viciado, mas não é o que eu gostaria de ver.

MC - E quais jogos mais te agradam? Mais te dão prazer em assistir?

LC - Eu gosto de tudo. Não é ficar em cima do muro. Eu gosto de jogos bem transmitidos. Por exemplo: eu adoraria ver o Campeonato Argentino que o SporTV transmite, mas me desagrada um pouco a transmissão. É muito ruim a geração de imagens lá da TV argentina. Isto atrapalha um pouco, mas vejo também. Depende do momento. Eu vejo tudo, desde que minha santa patroa permita quando eu estou de folga no fim-de-semana e o pequeno Bob também. Sempre que eu posso, eu vejo. Mas os que eu mais gosto de ver são os que eu trabalho. A concentração é maior, você está ali só pensando naquilo. Estes eu valorizo mais porque ali acaba unindo prazer com trabalho, com responsabilidade. Eu gosto de futebol de qualquer jeito. Se puder ter uma transmissão boa, melhor ainda.

MC - Só não pode ser no horário da novela...

LC - Eu sou noveleiro. Não vejo todas as novelas não, mas algumas eu vejo. Insensato Coração, eu estou vendo por vários motivos...

Marcação Entrevista: Gilberto Silva

Chegou fevereiro e com ele mais uma novidade do Marcação Cerrada para a temporada 2011. Terça-feira sim, terça-feira não, o blog vai trazer entrevistas com personalidades de alguma forma ligadas ao esporte. E não podíamos começar melhor. O entrevistado de hoje é Gilberto Silva.

O volante do Panathinaikos interrompeu a rotina na Grécia por alguns minutos para falar com exclusividade ao Marcação Cerrada. Mineiro de Lagoa da Prata, Gilberto falou sobre a carreira, o sucesso na Europa e na Seleção Brasileira (é o jogador de Minas Gerais que mais vezes vestiu a amarelinha). E aos 34 anos, revelou que o retorno ao Brasil não está distante.

Confiram:

Marcação Cerrada - Basta observar seu currículo para notar que sempre ficou muito tempo nos clubes por onde passou, criando raízes. Foi algo que aconteceu naturalmente ou uma escolha sua?

Gilberto Silva - Acho que aconteceu de uma forma natural, tranquila. Quando eu saí do Brasil, principalmente, foi quando passei mais tempo em um clube. Foram seis anos no Arsenal. Quando eu cheguei fiz um contrato de quatro anos e depois houve uma renovação. Aqui na Grécia, já é meu terceiro ano. É uma decisão que eu sempre procurei manter, mas tudo aconteceu de uma forma natural. Na verdade, nunca fui muito a favor de ficar saindo daqui para lá, carregando a casa nas costas. Gosto de permanecer muito tempo em cada clube para criar uma identificação.

MC - O que te levou a escolher jogar em um país onde a visibilidade não é tão grande como o grego?

GS - Depois de seis anos no Arsenal, não quis deixar o clube e ir para outra equipe da Inglaterra. Eu precisava sair do país depois deste período. Seria muito difícil, depois de tanto tempo. O Arsenal é uma equipe diferente, onde me identifiquei muito com o clube e o torcedor. Quando surgiu a oportunidade de vir para cá (Panathinaikos) eu tinha 31 anos e fiz um contrato de três anos. Isto foi um fator que pesou bastante na escolha. Ter segurança, um tempo maior de contrato. Mas o principal era estar em condições de continuar na seleção brasileira. Ainda tinha um ano de contrato no Arsenal, poderia cumpri-lo e aguardar o que viesse a acontecer depois. Mas na minha última temporada na Inglaterra (2007/2008) eu praticamente não joguei. Foi um período muito difícil para mim, inclusive na seleção, porque perdi muito da minha condição de jogo.

MC - E como foi a adaptação à Grécia?

GS - Foi super tranquilo, não houve dificuldade alguma, principalmente depois de seis anos na Inglaterra. A adaptação ao país, à cultura foi fácil, mesmo não falando grego. O fato de falar inglês ajudou bastante. Para mim foi muito mais fácil do que quando cheguei à Inglaterra.

MC - A sua primeira convocação para a seleção, em 2001 pegou muita gente de surpresa. E depois disso tudo aconteceu muito rápido, com você tornando-se titular do time pentacampeão (na Copa de 2002). Você esperava chegar tão rápido ao time?

GS - Não esperava, principalmente quando via os jogadores que ali estavam, todos consagrados e pelos quais eu tinha um enorme respeito. Tudo acontece a partir do momento que você tem oportunidade. As oportunidades apareceram para mim e eu fui abraçando tudo, não deixei escapar. Na seleção, as coisas acontecem desta forma: se você não aproveita a oportunidade ela pode passar e não voltar nunca mais. Eu procurei aproveitar tudo da melhor forma possível e o resultado não poderia ter sido melhor.

MC - Em nove anos, além de muitos recordes e o pentacampeonato com a seleção, você viveu momentos difíceis como as eliminações em 2006 e 2010. Qual foi o mais complicado?

GS - Sem dúvida, estes dois momentos são os mais dolorosos. Se você somar tudo isto, são oito anos de dedicação em busca de um objetivo maior que não foi alcançado. É muito tempo, muito sacrifício, muitas viagens e o sentimento de perda é algo muito duro, muito frustrante pra gente. Principalmente se tratando de seleção brasileira onde a cobrança é muito grande. As vezes, empatar não serve. Você precisa estar ganhando independente de quem foi o adversário, se o jogo foi difícil, da condição que a gente joga. Ninguém leva estas coisas em consideração. Você simplesmente tem que entrar em campo e ganhar, porque você é a seleção brasileira. Por tudo isto, estes foram os momentos mais dolorosos. Mas é importante saber que o trabalho foi feito da melhor forma possível, e se o resultado não aconteceu foi por algum detalhe, porque no dia a gente acabou não jogando o que precisava e errou em alguns detalhes.

MC - Como tem visto o início de trabalho do Mano Menezes na seleção?

GS - Vi poucos jogos até aqui, porque eles passam muito tarde. Acaba que vejo mais o que passa na imprensa, os comentários. É importante que ele tenha tranquilidade neste início. Na seleção, todo mundo quer o resultado de imediato e para que ele monte o time do jeito que tem que ser, com os jogadores que achar que tem que convocar é preciso conquistá-los. É importante que ele tenha estabilidade para fazer o trabalho dele. Começou bem e isto é importante no trabalho dele e da equipe também. Agora precisa dar sequência.

MC - Na última convocação o Mano convocou voltou a chamar alguns jogadores que estiveram no último Mundial e vinham ficando fora da relação. Você ainda pensa em voltar à seleção ou acha que seu ciclo chegou ao fim depois de 9 anos?

GS - Não penso que meu ciclo acabou na seleção brasileira. Enquanto eu estiver jogando futebol, bem fisicamente, em boas condições, não vou deixar de pensar na seleção brasileira. É o lugar que todo jogador quer estar e eu não sou diferente, mesmo depois de todos esses anos. Vou continuar trabalhando e se a oportunidade surgir, mesmo após esta renovação, tenho certeza que vou ter muito a contribuir com a seleção ainda.

MC - De seis em seis meses, aparecem especulações ligando você a algum time do Brasil. No ano passado, inclusive, chegou a ser noticiado um acerto seu com o Flamengo, em negócio que envolveria o Kléberson. Por que não deu certo?

GS - Realmente houve um contato com o Flamengo e eu cheguei a falar com o Zico, mas o Panathinaikos não liberou. Na visão deles eu era um jogador importante para as ambições do clube. Como ia disputar mais uma Champions League, não havia possibilidade de me liberar para outra equipe e o negócio acabou não dando certo. Nas últimas duas ou três semanas tenho visto muito estas especulações na imprensa. Mas não passam de boatos. Quando realmente acontecer alguma coisa, eu vou dar a notícia juntamente com minha assessoria. Acredito que pelo fato do Ronaldinho, Rivaldo, outros jogadores estarem voltando, a imprensa acabou colocando meu nome no meio, mas é só especulação.

MC - O seu contrato na Grécia chega ao fim no meio do ano. Acha que agora é hora de voltar ao Brasil?

GS - Tenho pensado muito em voltar. Eu ficaria muito feliz em ter a oportunidade de jogar novamente no meu país, disputar outro Campeonato Brasileiro, buscar mais conquistas. Ainda mais este ano, quando a competição está ficando ainda mais fortalecida, com muitos jogadores voltando. Além disso, depois de nove anos de europa, acho que já está na hora de voltar a ficar mais perto dos meus amigos, da minha família. Seria uma grande alegria para mim.

MC - E pela ligação, o Atlético-MG teria preferência neste possível retorno?

GS - Claro que é um clube pelo qual eu tenho um carinho enorme, até pela história que eu construí lá. Se tivesse a oportunidade de voltar a jogar no Atlético ficaria muito satisfeito. Mas é algo que não depende só de mim, depende de uma série de fatores. Se houver interesse do Atlético vou sentar com tranquilidade, conversar com o (Alexandre) Kalil e se for um negócio bom para todos os lados quem sabe aconteça. Não podemos esquecer que eu sou um jogador profissional e que tenho pessoas que dependem do meu trabalho, por isso vou analisar todas as propostas que tiver com carinho.

MC - Imagino que para um jogador de futebol, o fim da carreira deve ser o momento mais difícil. Aos 34 anos, você já faz planos para pendurar as chuteiras?

GS - Sem dúvida este é o momento mais difícil para todos os jogadores e eu já estou começando a conviver com este sentimento. Mas não fiz nenhum plano se vou jogar mais um ano, dois anos...Tenho a tranquilidade de ter boas condições físicas, nunca ter tido uma lesão mais grave e enquanto eu puder atuar de maneira que possa somar, buscar novas conquistas, o meu desejo é continuar em campo.

Quadro Negro

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O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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