Separação

Dois anos de ótimos resultados. Desempenho acima do esperado. Controle total da situação. E uma separação, para 2010. Silas definiu que não permanecerá no Avaí no ano que vem. Segundo o treinador, em comum acordo com a diretoria. Ambos teriam percebido que o "ciclo" havia se encerrado.

Péssimo para o Avaí. Silas é ótimo treinador, conhece a estrutura do clube, as condições e era o nome capaz de fazer um time ainda melhor no ano que vem. A continuidade beneficiaria muito o clube avaiano que espera se firmar entre os grandes clubes do país. Aliás, continuidade é (quase) sempre benéfica, como falei no post sobre a renovação de Adilson com o Cruzeiro.

Para Silas, a notícia é boa. É chegada a hora de alçar vôos maiores. O técnico merece pelo que fez em Santa Catarina.

O Grêmio é uma possibilidade. E seria ótima para Silas. Mas o clube gaúcho parece mais interessado em Dorival Júnior.

De qualquer forma, fica a certeza de que Silas terá uma oportunidade em um grande time para se firmar, definitivamente, como um dos grandes técnicos da nova geração.

Mandos, desmandos, erros...

Mais uma do STJD. Ontem, em mais um julgamento envolvendo o líder do Brasileirão, São Paulo, duas reviravoltas em quatro chances.

A primeira com relação ao Morumbi. O time que perderia o mando de campo na última partida contra o Sport, conseguiu reverter a situação e poderá jogar em casa. Tudo por causa de uma invasão de campo onde o torcedor foi preso e identificado, como pede o Estatuto do Torcedor. Ou seja, uma decisão ridícula foi consertada.

A segunda, com relação a Jean. O jogador, que levou apenas cartão amarelo em um lance contra o Grêmio havia pego bizarro três jogos de suspensão. Ontem, a pena foi diminuída para um jogo, o que seria normal. O detalhe é: dois jogos já foram cumpridos pelo jogador. Quem paga a conta? Um absurdo.

Dagoberto e Borges seguiram com três jogos de suspensão e não vão enfrentar o Goiás no fim-de-semana. Continuo achando que a pena foi pesada para Dagoberto. E justa para Borges. Mas não há o que ser feito.

Num Brasileirão extremamente equilibrado e cheio de reviravoltas, apenas uma certeza fica a cada rodada. O STJD vai aparecer. E da pior maneira possível.

Sem ar

É natural do esporte. Uma hora, mesmo o melhor de todos, vai perder. E uma série de fatores podem levar a esta derrota.

O Fluminense, não é o melhor time de futebol. Mas vivia um momento mágico. 13 jogos sem perder. 7 vitórias consecutivas. Um time já morto no Brasileirão passou a jogar o melhor futebol do país quase que de um dia para a noite.

É claro que uma hora, a sequência vitoriosa chegaria ao fim. A pressão era demais. O time jogava sempre no seu limite. Uma pena que a derrota tenha sido tão dura.

Mais do que o 5 a 1 que praticamente elimina as chances do Flu de ser campeão da Copa Sul-Americana, perder para a mesma LDU que venceu a equipe na Libertadores do ano passado trás péssimas lembranças para jogadores e torcedores do tricolor carioca.

Ontem, o Fluminense foi massacrado. Perdeu por 5 a 1, e poderia ter perdido de muito mais. Faltou ar, mas não foi pela altitude, que não é lá tão decisiva no Equador.

Faltou ar porque mesmo saindo na frente logo aos 20 segundos, o Fluminense não conseguiu controlar o ímpeto do adversário em momento algum. A LDU veio pra cima, jogando com velocidade e muita qualidade. E não deu sequer uma chance para os cariocas, que passaram todo o jogo correndo atrás do adversário.

E aí, os gols foram saindo. 2 a 1 no primeiro tempo. 5 a 1 no final.

O Fluminense dá adeus ao título da Sul-Americana. Mas deve enxergar o lado positivo de toda esta história. Não pode deixar se abater depois de uma recuperação tão bonita como vinha conseguindo. O foco deve ser a permanência na Série A, que seria mais importante do que qualquer título da América do Sul. E é possível, se o time continuar jogando o que é capaz.

Por mais que seja muito ruim para os mais de 30 mil torcedores que já compraram ingressos para o segundo jogo da decisão, é hora de se preocupar apenas com o Brasileirão. Utilizar os reservas no jogo de volta para não correr riscos. E focar numa conquista que ainda é possível.

Antes que se diga qualquer outra coisa, vale lembrar que a LDU tem um baita time de futebol. Repleto de bons jogadores tecnicamente, muito bem armado taticamente e que sabe explorar sua força e as deficiências do adversário.

Desejo cumprido

Não foi um retorno brilhante. Esteve longe de ser uma partida memorável. Mas não podia passar sem o registro aqui no Marcação Cerrada.

Ontem, Romário entrou em campo novamente. Provavelmente, pela última vez (agora sim) na carreira.

Jogou 25 minutos com a camisa do América, no último jogo da segunda divisão do Campeonato Carioca. Pouco fez, mesmo que o campeão América tivesse dois jogadores a mais do que o modesto ArtSul e vencesse por 2 a 0. O mais perto que chegou de balançar as redes foi um distante chute por cobertura.

Não importa.

O objetivo de Romário não era fazer gols, ser brilhante como foi durante a carreira, dentro de campo.

Romário foi brilhante por cumprir uma promessa que fez ao seu pai, Seu Edevair, quando este ainda era vivo. Jogar uma partida oficial com a camisa do time do seu coração, o América.

Mais do que entrar em campo, Romário tem importante papel na reconstrução do histórico clube do Rio. Participa da montagem do elenco e, principalmente, na captação de recursos para o América voltar a ser um clube respeitável.

Mais um gol de placa do baixinho.

Destempero

Logo que Luís Gonzaga Belluzo assumiu o posto de presidente do Palmeiras, muito se falou sobre ele. Sempre muito bem. Primeiro, por ter tomado o posto de uma diretoria que comandava o clube há anos e não parecia muito preocupada com o futuro do alvi-verde. Segundo, por ser considerado um dirigente "diferenciado".

As notícias foram as melhores. Belluzzo rapidamente passou a ser respeitado por outros dirigentes. Deu aula no Clube dos 13. Palestra para a CBF e FIFA. Mostrou o quanto a administração dos clubes brasileiros estava atrasada e defasada.

Foi à programas de TV e era sempre recebido de maneira diferenciada. Afinal, era mesmo considerado um presidente diferente dos outros.

Mas, o mundo do futebol pregou em Belluzzo uma peça que prega em todos os descuidados que se envolvem com o meio.

Não há como negar. Qualquer pessoa que se envolve no meio do futebol, gosta do esporte. Todo mundo que gosta do esporte, tem um clube.

O de Belluzzo, obviamente é o Palmeiras. Mas, enquanto presidente do clube, ele deveria parar de agir como torcedor. Não foi o que fez. Nem quando reclamou publicamente de maneira infantil da arbitragem de Carlos Eugênio Simon. Nem quando estava em cima do palco da Mancha Verde gritando aos quatro ventos: "vamo matar os bambi".

É claro que ele dizia que o time ia matar o São Paulo no Brasileirão. Não era um incentivo à guerra de torcedores. Mas pegou mal. Porque acima de torcedor, Belluzzo é hoje presidente do Palmeiras.

Não vou julgar as atitudes de Belluzzo. Jornalistas, juízes, jogadores já foram traídas pela mesma armadilha. O futebol envolve paixão e é preciso muita serenidade para separar as coisas.

Serenidade que infelizmente Belluzzo não teve. Infelizmente para ele, que perde bastante do respeito que havia conquistado. Infelizmente para o futebol, que vê um homem que poderia ajudar muito na organização como um todo, acabar desta forma.

Quadro Negro - Barcelona

O incrível time de Josep Guardiola é a bola da vez no Quadro Negro do Marcação Cerrada.

Depois de mais uma incrível partida, mesmo desfalcada de dois dos seus principais jogadores, é hora de tentar entender os principais motivos que levam o Barcelona ao topo.

Para isto, é só clicar aqui.

E para você? Algum time joga mais que o Barcelona neste momento?

Os melhores

A CBF divulgou ontem a lista de concorrentes ao prêmio de melhores do Brasileirão 2009. Por ter sido feita há algumas semanas, a lista tem alguns "erros". Mas, claro que com 20 times participando e tantos jogadores envolvidos, é normal que alguém concorde ou discorde das indicações.

Confira os candidatos à cada posição. Na sequência, as mudanças que eu faria entre os melhores e o meu escolhido.

Goleiro: Bruno (Flamengo), Marcos (Palmeiras) e Victor (Grêmio) - Não acho justa a presença de Marcos. Fábio, do Cruzeiro ou Glédson, do Náutico, jogaram mais que ele. Fico com Bruno, decisivo no Flamengo.

Lateral Direito: Jonathan (Cruzeiro), Léo Moura (Flamengo) e Vítor (Goiás) - Faltaram bons nomes para a posição. Vítor está aí pelo que fez ano passado. Léo Moura teve uma fase péssima. Figueroa talvez fosse um bom nome. Fico com Jonathan.

Zagueiro pela direita: André Dias (São Paulo), Chicão (Corinthians) e Danilo (Palmeiras) - Manuel do Atlético-PR e Álvaro do Flamengo jogaram mais que Danilo e Chicão. Mas ninguém jogou mais que André Dias.

Zagueiro pela esquerda: Miranda (São Paulo), Réver (Grêmio) e Ronaldo Angelim (Flamengo) - Angelim foi outro que teve uma fase péssima durante a competição. Miranda foi o mais regular. Mas fico com Réver.

Lateral esquerdo: Armero (Palmeiras), Júlio César (Goiás) e Kléber (Internacional) - Márcio Careca não estar na lista é um absurdo. Diego Renan não estar na lista é injusto. Entre os três, fico com Júlio César.
Volante pela direita: Hernanes (São Paulo), Pierre (Palmeiras) e Willians (Flamengo) - Dos três, pra mim Pierre é o único volante. E por isso ficaria com meu voto. Menção honrosa para Jucilei e Márcio Araújo, que fizeram ótimas partidas durante o campeonato.

Volante pela esquerda: Guiñazu (Internacional), Maldonado (Flamengo) e Sandro (Internacional) - Sandro é o melhor dos três. Mas ele e Maldonado jogam mais pelo lado direito. Léo Gago e Richarlysson poderiam disputar esta posição.

Meia-direita: Cleiton Xavier (Palmeiras), Diego Souza (Palmeiras) e Souza (Grêmio) - Dois jogadores do Palmeiras na mesma posição soa estranho, mas é correto, neste caso. Cleiton Xavier foi ótimo mas ficou muito tempo machucado. Souza foi incrível. Mas pelo que fez no primeiro turno, Diego Souza merece o voto.

Meia-esquerda: Conca (Fluminense), Marcelinho Paraíba (Coritiba) e Petkovic (Flamengo) - Marcelinho Paraíba está no lugar errado. Deveria concorrer como "primeiro atacante". Conca jogou muito, mesmo quando o Flu estava mal. Mas é impossível não votar em Pet. Menção honrosa à Gilberto.

Primeiro atacante: Diego Tardelli (Atlético-MG), Fernandinho (Barueri) e Fred (Fluminense) - Diego Tardelli e Fred não são "primeiros atacantes". Marcelinho Paraíba sim. Iarley também. Com menção honrosa para Muriqui. Mas não há como não votar em Tardelli.

Segundo atacante: Adriano (Flamengo), Iarley (Goiás) e Ronaldo (Corinthians) - Adriano deverá ser o artilheiro e por isso é merecedor da vaga. Ronaldo foi muito bem, mas apenas quando esteve em campo. Menção honrosa para Val Baiano.

Treinador: Andrade (Flamengo), Silas (Avaí) e Celso Roth (Atlético-MG) - Silas foi o grande técnico do Brasileirão. Levou um time desacreditado a brigar próximo da Libertadores. Andrade também foi ótimo. Por mim, os dois poderiam levar o prêmio.

Revelação: Fernandinho (Barueri), Giuliano (Internacional) e Paulo Henrique (Santos) - Fernandinho foi a grande revelação, apesar de ter ficado muito tempo ausente. Todos foram muito bem. Menção honrosa para Diego Renan.

Árbitro: Héber Roberto Lopes, Leonardo Gaciba, Paulo César de Oliveira - Três péssimos. A arbitragem não merece prêmio neste Brasileirão. O melhor, Sandro Meira Ricci ficou fora da lista. Gaciba até perdeu o escudo FIFA no dia do anúncio. Lastimável.

Lembrando que a verdadeira seleção do Brasileirão é a Seleção Marcação Cerrada do Campeonato Brasileiro que vai para o terceiro ano contando com o voto dos leitores do blog. Assim que o campeonato terminar, começa a votação. Fiquem por dentro.

Nivelado sim. Por cima ou por baixo?

A discussão pegou ontem nos principais programas esportivos. O grande destaque foi a frase de PVC, no Linha de Passe da ESPN, ontem à noite, dizendo que o Campeonato Brasileiro só fica atrás da Premier League em termos de campeonatos nacionais mundo afora.

Desde então, os amigos Alexandre Massi e Carlos Pizzato travam uma verdadeira batalha no Twitter sobre a discussão.

Para este tipo de decisão, no entanto, é preciso certos conhecimentos.

Temos, na maioria dos campeonatos mundo afora, entre 18 e 22 times. Aqui no Brasil, temos o prazer de acompanhar, atualmente, todos os principais campeonatos da Europa. Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Rússia...

Porém, normalmente, o que chega para assistirmos, em termos de jogos, são os que envolvem as principais equipes. Os piores jogos, não passam para o Brasil, não são transmitidos pela televisão.

É claro que não tem como comparar os principais times europeus com os principais times brasileiros. A diferença é brutal e gritante. Mas, é impossível não notar que alguns times considerados médios em outros países, provavelmente passariam vergonha no atual Brasileirão.

Se não temos os grandes craques, temos por aqui ótimos jogadores. Fred, Adriano e Ronaldo jogariam em qualquer grande equipe da Europa. E eles são apenas alguns dos incontáveis exemplos deste Brasileirão.

Achar que temos um campeonato de nível técnico baixo, neste momento, é um erro. Temos um campeonato mais equilibrado do que todos os outros não porque o times são ruins. Mas porque eles se aproximam mais um do outro. A distância técnica entre São Paulo e Sport Recife, é muito menor do que a distância entre Real Madrid e Xérez, por exemplo.

Mas, achar o Campeonato fraco porque temos jogos ruins, como Náutico x Santo André, é desconsiderar por exemplo Livorno x Genoa, na última rodada do Campeonato Italiano.

Em termos gerais, acho que o Brasil hoje tem um ótimo campeonato. Em quase todos os sentidos. O nível técnico é aceitável, temos grandes jogos (seja pela emoção ou pela qualidade) em todas as rodadas, a competição é organizada (salvo o STJD e as arbitragens) e o público aumenta consideravelmente a cada temporada.

É preciso valorizar o que é nosso. Antes de olhar para o telhado do vizinho.

A continuidade é o segredo

Uma ótima notícia na tarde de ontem para os torcedores do Cruzeiro. Apesar da ótima proposta do Grêmio (que teria girado entre 220 e 300 mil reais por mês), Adilson Batista acertou a renovação de contrato com o clube mineiro até o fim do ano que vem.

Valores, obviamente não foram divulgados. Porém, o que mais pesou para a permanência de Adilson foi a família. Pela primeira vez, desde que iniciou a carreira de treinador, toda a família de Adilson virá acompanhá-lo. Pesou a ótima relação com o presidente celeste Zezé Perrella, no qual, inclusive, é sócio em uma fazenda.

Entre indas e vindas, o trabalho de Adilson Batista é praticamente irretocável no Cruzeiro. Em dois anos, venceu o Campeonato Mineiro com sobras, duas vezes. Chegou à final da Libertadores este ano, e ano passado foi eliminado pelo ótimo time do Boca nas quartas-de-final. No Campeonato Brasileiro, sempre brigou entre os primeiros colocados e este ano só não fez campanha melhor pois o time deixou de lado a competição em nome do título da Libertadores, que acabou não vindo.

Quem conhece de perto o trabalho de Adilson, no entanto, sabe o quanto ele é obcecado pelo que faz. É um viciado em futebol, no bom sentido da palavra. Estudioso. E que quer muito vencer na carreira, por isso evolui a cada semana. Ano que vem, tem tudo para colocar em seu currículo um grande título, que é o que lhe falta para entrar para o hall dos melhores treinadores do país.

Assim, Adilson permanece, ao lado de Mano Menezes, como os treinadores há mais tempo no cargo entre os grandes clubes do Brasil. Ambos vão, ano que vem, para o terceiro ano de trabalho.

Aos poucos, a cultura de manter o treinador por um bom tempo vai ficando nas grandes equipes. O grande problema, segue sendo o imediatismo pelos primeiros resultados. Quando eles vêm, a paciência cresce demais.

Cruzeiro e Corinthians são minhas duas grandes apostas para o ano que vem. E a permanência de seus comandantes por tanto tempo no cargo, são fundamentais para esta aposta.

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