A primeira derrota de Mano Menezes no comando da Seleção Brasileira veio para o pior adversário possível, mas no jogo mais passível de derrota até aqui. A Argentina foi o primeiro grande teste do novo comandante e o time acabou derrotado. Resultado que representa pouco, por ser um amistoso. E que pode ter vindo em boa hora, por uma série de motivos.

Antes de mais nada, é preciso dizer que o Brasil fez, dentro das possibilidades um bom jogo. Controlou a partida, teve maior posse de bola e jogou sutilmente melhor que o adversário durante os 90 minutos. Apesar da qualidade técnica visível de ambos os lados, Brasil e Argentina fizeram uma partida pouco agitada e de pouquíssimas emoções.
Mano optou por escalar o time no 4-3-1-2, com Ronaldinho centralizado na armação. A estratégia deixou o time leve e com boa movimentação pelos lados. Mas ressentia de presença de área, já que ninguém aparecia como surpresa no setor. O Brasil tinha a bola, rodava bem o jogo, mas quase não criava.
A Argentina, num 4-1-4-1 que dava muita liberdade para Pastore e Messi (os wingers), tinha menos a bola. Faltava adiantar suas linhas para pressionar a saída brasileira para tentar controlar melhor o jogo.
No segundo tempo, Mano até tentou melhorar o panorama. Mas foi pouco corajoso ao substituir Neymar por André (aliás, inconcebível a permanência de um Robinho abaixo da crítica até o fim do jogo). A saída de um dos volantes e o retorno ao 4-2-3-1 que funcionou bem nos primeiros jogos poderia ser uma aposta mais interessante.
No fim, quando o justo e o mais provável era o empate sem gols, Douglas perdeu bola no meio-campo e deu o contra-ataque que Messi precisava para marcar seu primeiro gol contra o Brasil e tirar os hermanos da fila de cinco anos sem vencer o clássico.
A derrota para a Argentina é sempre dolorida mas deixa lições importantes. A primeira, e principal ao meu ver, é que comandar a seleção brasileira não é tarefa tão fácil para Mano como parecia. É preciso pensar em passado, presente e futuro para enfrentar os adversários mais fortes. Nomes como Júlio César, Maicon, Lúcio e até Luís Fabiano podem ser importantes num processo de transição. E alguns, como André, ainda precisam amadurecer muito para merecer a oportunidade.



Um comentário:
Concordo em gênero, número e grau. O Brasil está carente de centroavantes, mas temos 1 que ainda pode dar um caldo na seleção que é Luís Fabiano. Hulk tá fazendo e acontecendo em Portugal, mas tenho um certo preconceito com quem se destaca em Portugal.
André pode vir a ser o centroavante do futuro, mas é no futuro e não no presente.
Douglas é um bom jogador de clube. E Robinho não dá mais, aliás, nunca deu.
Mas gostei de Ronaldinho. Não foi aquele super-craque do Barcelona, mas ainda tem espaço na seleção. Agora, a zaga com David Luís e Thiago Silva... Só não digo que tá fechada porque Lúcio e Juan são dois monstros quando estão com sangue no olho, mas a zaga atual tá bem servida com os dois jovens.
Não consigo mais ver um Brasil x Argentina com aquela rivalidade toda. Assisto prestando atenção muito mais no show de futebol que as duas seleções são capazes de dar, do que roendo as unhas em cada lance. Além disso, foi um amistoso, não valia nada a não ser a... Rivalidade! Mas o gol foi de um craque, o maior do mundo na atualidade e num erro, num detalhe. Resultado normal. Bom para fazer análises de como anda nossa seleção.
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