Só ficou a tradição

Não vejo no mundo um espetáculo mais interessante para quem gosta de futebol do que o Superclássico argentino. River e Boca fazem um duelo cercado de tradição, rivalidade, história. São sempre jogos que ficam na memória. Que constróem ídolos que ficarão para sempre na memória dos torcedores.

Ontem, os dois entraram em campo para o 333º Superclássico. Não conheço a fundo a história dos dois para dizer que este foi no pior momento da história. Mas certamente, Boca e River vivem o pior momento dos últimos 20 anos.

Nem isto esvaziou o jogo. O Monumental estava absolutamente tomado, com mais de 50 mil pessoas. Que como de costume, cantaram e apoiaram seus times o jogo inteiro.

Dentro de campo, porém, as duas equipes não estiveram à altura do confronto. Desesperado com o risco (mais que iminente) do rebaixamento, o River Plate tomou as rédeas do jogo. Dominou o meio-campo e não deixou o Boca ter a bola. Encontrava espaços e chegava bem pelo lado esquerdo com o improvisado Pereyra e o jovem Lamela (o melhor em campo). Faltava capricho no último passe e presença de área para abrir o placar.

Com Riquelme visivelmente fora de forma, ritmo e condições, o Boca não conseguia segurar a bola. Sofria com a pouca mobilidade de seu meio-campo e com os seguidos erros do nervoso Giménez. Mouché, que entrou para dar movimentação ao ataque, se escondeu do jogo. E Palermo, isolado, não viu a cor da bola.

Assim se desenhou um jogo de um ataque pouco eficiente do River contra uma defesa perdida do Boca. Até que saiu o gol, em bola parada e cabeçada de Maidana (revelado pelo Boca). 1 a 0 que obrigou o time visitante a se lançar de maneira desordenada e pouco efetiva ao ataque e que fez o River recuar além da conta.

No fim, o 1 a 0 foi justo para quem buscou o jogo desde o início e martelou até que o gol saísse. A vitória é um alívio para o River que não vencia há sete jogos e não bateu o rival nos últimos três anos. Mas o alívio é parcial. Nem a vitória tirou a equipe da "zona de rebaixamento".

Quanto ao Boca, foi o fim da linha para Borghi, que pediu demissão ainda no vestiário. O multi-campeão dos anos 90 e início de 2000 ficou na lembrança. Com um elenco com tão poucas alternativas, apostando em veteranos sem condições físicas para ajudar, nenhum técnico salvará o time da pífea temporada.

Do Superclássico argentino, restou "só" a tradição.

2 comentários:

André Augusto disse...

Escrevi na mesma linha que vc. E ambos fora da Libertadores,d e novo.

Abs

Luiz Paulo Knop disse...

O pior nem é isso, é ver que não existe luz no fim do túnel para ambos os times... principalmente o River... sorte deles que a fórmula do rebaixamento na Argentina é pífia, caso contrário já estariam no fundo do poço...

http://esporteresenha.blogspot.com

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O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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