Ainda era uma criança quando acordava cedo para assistir as corridas de Fórmula 1. Às vezes, nem entendia o que estava acontecendo. Mas a emoção a cada vitória de Senna me fascinava.
Com o tempo, perdi um pouco deste fascínio. O maior piloto de todos os tempos morreu e ficou um buraco na categoria. Cada corrida parecia mais sem graça do que a outra. Até o dia 2 de novembro de 2008, quando o automobilismo renasceu para o torcedor brasileiro. Não é exagero. Rubinho nunca foi um ídolo, apesar de ser um piloto regular. Faltava alguém capaz de verdade, de empolgar a todos.
Durante toda a temporada da F1, acompanhei o que pude. Vi o máximo de corridas. Mas confesso que me encantava mais o estilo ofensivo de Hamilton. Por isso, neste domingo, os sentimentos foram tão complicados. Por um lado, achava justo que Hamilton vencesse. É um rapaz que busca a vitória à todo instante. Que chega a ser irresponsável. E isto que é legal! Mas como seria bacana voltar a ver um brasileiro no topo do pódium e no topo do mundo da F1. Resolvi torcer para Massa.Uma corrida impecável. Sem erros. E que caminhava bem até a curva final, quando os pneus secos de Timo Glock não resistiram à forte chuva que caía em Interlagos e ele teve que ceder. Ceder seu lugar para Hamilton. Lugar que garantia o título ao inglês. Que tirava a alegria dos brasileiros em cada canto de Interlagos.
Não conheço a história da categoria para garantir. Mas acho muito pouco provável algum campeonato ter sido decidido de maneira mais emocionante. Foi incrível. Foi assunto, como há algum tempo não era.
E o Brasil, aprendeu a se orgulhar de um guerreiro vice-campeão. Novidade das grandes por aqui. Com sua garra e humildade, Felipe conquistou o povo brasileiro. Que hoje sabe, que tem um piloto por aqui, que é Massa.


