O apelido "Imortal" não veio por acaso. E tem tudo a ver com o Grêmio. Nos tempos de Silas, muita gente chegou a dar os gaúchos como candidatos ao rebaixamento. Aqui neste espaço, sempre foi defendido que o time cresceria, pois tinha qualidade para tal.

E quando o Grêmio consegue unir garra, determinação e bom futebol, a torcida joga junto. Comandados por seu maior ídolo, a sinergia é perfeita! E foi isto que fez do tricolor o melhor time do returno até aqui e agora definitivamente, postulante a uma vaga na Libertadores (e porque não, ao título).
Contra o líder, em casa, era natural uma partida difícil e equilibrada. Grêmio e Cruzeiro vivem seus melhores momentos na temporada. São os dois melhores times do Brasileirão neste momento. E fizeram um jogo interessante, brigado, disputado até o fim. Melhor para os gaúchos, que venceram para entrar de vez na briga.
O primeiro tempo foi dos donos da casa. O Grêmio tomava iniciativa e o Cruzeiro fechado tinha dificuldades para sair. Mas conseguia se defender bem (principalmente graças à segurança de Fábio e mais uma atuação segura de Léo). E tem em Montillo um diferencial enorme, capaz de fazer algo diferente em uma jogada. Foi assim que saiu o gol dos mineiros. O empate, nos acréscimos, foi justo pelo que foi o primeiro tempo, e veio em jogada genial de Douglas, cada vez melhor (e para mim, substituto ideal de Ganso na seleção).
No segundo tempo, o Cruzeiro se acertou em campo. Principalmente após a entrada de Gilberto, que deu mais qualidade ao lado esquerdo e dividiu a responsabilidade de armar com Montillo. Com os mineiros melhores, o gol saiu com Wellington Paulista e foi muito mal anulado pela arbitragem. Lance que mudou o jogo, definido com Jonas (artilheiro disparado do campeonato) batendo duas vezes penalti bobo cometido por Thiago Ribeiro.
O Grêmio vence um adversário forte, direto e que vive um grande momento. Dá seguidas demonstrações de força no momento certo. E entra na briga disposto a surpreender. A chegada pode ser confirmada no próximo fim-de-semana. Vencer o clássico dará ao Grêmio o combustível necessário para as rodadas restantes.
Quanto ao Cruzeiro, segue na liderança e dos males o menor. Talvez tenha sido este o seu jogo mais complicado na tabela dentre os restantes. É um time maduro e preparado para ser campeão. Provou isto tendo frieza e sabendo decidir mesmo quando não foi brilhante diante de um adversário forte. É outro que passará por um clássico no fim-de-semana. Mais do que empurrar o rival para a degola, o Cruzeiro desta vez sonha em levantar a taça novamente.
Não vi o 0 a 0 entre Guarani e Corinthians. Sem detalhes sobre o jogo, postarei para falar apenas sobre um assunto específico. E que aliás, já foi tratado aqui no blog, neste mesmo Brasileirão. Na época, o Cruzeiro havia sido prejudicado contra o Botafogo, mas na rodada seguinte foi ajudado. Pontos perdidos e ganhos na sequência. No final, a balança acaba zerando (ou ficando próxima do zero).

Ontem foi a vez do Corinthians. Empatou sem gols contra o Guarani, graças aos erros da arbitragem. Dois gols mal anulados, ambos marcados por Ronaldo. No primeiro, alguns ainda alegam que a bola bateu na mão do atacante. Discordo.
O Timão foi prejudicado. E quem acreditava que o time seria beneficiado por ser seu centenário e por ser forte politicamente, tem motivos de sobra para perceber que isto é besteira. Os erros são muitos e acontecem contra todos, simplesmente porque a arbitragem não tem qualidade. Os juizes são fracos, não mal-intencionados.
E olha que estamos falando de gols de Ronaldo, contra o Guarani...
No fim das contas, fica o alívio por um simples motivo: o Brasileirão será decidido dentro de campo.
Para quem vislumbra a salvação, vencer um adversário direto (em crise) dentro de casa é obrigação de vitória. Era o que precisava e mais do que isto, o que fez o Atlético-MG diante do Avaí em Sete Lagoas. 2 a 0 que por pouco não deixaram o time, finalmente, fora da zona de rebaixamento.

Não havia outro plano, não havia outra possibilidade. Era o jogo do Galo no ataque, tomando a iniciativa e buscando a pressão. E do Avaí fechado, se defendendo, e tentando acertar algum contra-ataque que deixasse ainda mais inseguro os mineiros.
E os visitantes não podem reclamar da falta de oportunidades. Roberto, depois de driblar o goleiro, perdeu o gol que poderia transformar a história do jogo e aumentar consideravelmente o desespero e o nervosismo dos mineiros.
O gol de Rafael Cruz, após belo passe de Neto Berola que acabara de entrar dando movimentação e velocidade a um ataque que pouco conseguia agredir a forte marcação catarinense tranquilizou o jogo. A iniciativa precisava ser agora do Avaí, que não tinha qualidade e não parecia preparado para tal desafio.
Veio o segundo gol do Galo, com Berola, e poderiam ter vindo outros, desperdiçados. O Avaí não ameaçou. E acabou perdendo mais uma.
A salvação parece mais palpável a cada rodada para o Galo. Três vitórias nos últimos quatro jogos comprovam a ascenção. É importante destacar também a quantidade de adversários que vivem momento terrível na disputa contra a queda, como o Avaí. A evolução na tabela e na quantidade de pontos é óbvia. Dentro de campo, será testada de fato na próxima rodada, no clássico contra o Cruzeiro.
Em um Campeonato onde todos vacilam mais do que deviam e que os primeiros colocados parecem fazer de tudo para não ficar com o título, dois visitantes começam a ganhar espaço: Flamengo e Cruzeiro, dois fenômenos no returno, continuam famintos por pontos e podem ser as grandes surpresas da reta final da competição.

No Parque Antártica, o Flamengo de Petkovic não tomou conhecimento do Palmeiras. Venceu e convenceu mais um time da parte de cima da tabela. Com uma marcação muito encaixada e com Pet mais uma vez em tarde inspirada, o time dominou a partida e mereceu a vitória. Que coloca o Flamengo muito perto do G-4. E mais: permite ao time ainda sonhar com o título. O motivo é claro. Basta ver a campanha do returno e o quanto Andrade acertou o time. Não é fácil. Mas o Flamengo mantém um nível excelente a várias rodadas e por isso pode acreditar.
Já o Cruzeiro, teve muitas dificuldades, mas mesmo desfalcado de jogadores importantes bateu o Botafogo por 1 a 0. Gol de Thiago Ribeiro e destaque para a atuação impecável de Cláudio Caçapa, o velho zagueiro que voltou ao Brasil. Aliás, impressionante a "zica" que persegue os jogadores do Cruzeiro, mesmo na boa fase. Leonardo Silva, Fabrício, Gilberto e Wellington Paulista não jogaram ontem por lesão. E Soares deixou o campo "semi-acordado", está bem, mas fraturou a mão e deve ficar 30 dias fora. O Cruzeiro sonha com a Libertadores e tem um ponto para facilitar a ida. Entre os sete candidatos, é o que tem a tabela mais fácil pela frente.
No sábado, um dos resultados mais "surpreendentes" da rodada. Pouca gente apostava, mas o Galo de Celso Roth aprontou mais uma. Desta vez, venceu o São Paulo, no Morumbi, por 1 a 0. Gol de Tardelli com um minuto de jogo. Jogo fraco tecnicamente. Muito corrido e muito pegado. Mas com pouca qualidade. O Atlético-MG não conseguiu encaixar bem os contra-ataques. E o São Paulo parecia um amontoado de jogadores, sem a menor capacidade de criar algo diferente. Os dois podem sonhar com o título, mas precisam de uma boa sequência, sem tropeços, para chegar lá.
Outro time que tinha tudo para brigar pelo título mas que parece disposto a ficar fora é o Internacional. Ontem apenas empatou com o Fluminense, no Maracanã, por 2 a 2. Mais uma vez, os rivais tropeçaram e o Inter também. Assim como o Fluminense, que não pode perder pontos dentro de casa. Agora, em 8 jogos, serão necessárias 7 vitórias para o time fugir da degola. Impossível. O Flu já caiu. E se o Inter não mudar algo logo, também pode ficar chupando dedo no fim do Brasileirão, "apenas" com a vaga na Sul-Americana.