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A Copa do Mundo é nossa...

Hoje foi um dia importante para a Copa do Mundo de 2014. Que infelizmente, escancarou erros de planejamento e fatos que deixam óbvias estranhezas sobre algumas escolhas do governo e da organização do Mundial.

Sou a favor da Copa do Mundo no Brasil. Independente de qualquer coisa, ela fará bem à população. Vai gerar empregos, gerar dinheiro, gerar evolução. Deixará um legado muito mais importante do que os problemas. Mas os problemas não serão poucos.

O principal erro é o excesso de sedes, que ficou claro no anúncio da tabela hoje. 12 sedes é coisa demais para uma competição com 64 jogos. E este abuso (que se justifica pois: mais sedes = mais obras = mais possibilidade de fraudes, desvios, favorecimentos) gera algumas situações como:

- O Maracanã, principal estádio do Mundial, na melhor das hipóteses terá apenas um jogo do Brasil. A nossa seleção só jogará no centro da Copa se chegar à decisão.

- Porto Alegre, um dos centros mais importantes do futebol do Brasil, receberá apenas 5 jogos. O mais importante, nas OITAVAS DE FINAL.

- Alguns times terão que enfrentar verdadeira Via Crúcis pelo país. O F4, por exemplo, disputa a primeira partida em Curitiba, atravessa o país para jogar em Cuiabá e volta para encerrar a participação em Porto Alegre.

A diminuição de sedes, diminuiria os custos com construção de estádios, faria as seleções viajarem menos e faria grandes centros (e até centros menores) receberem mais jogos (mais importantes).

Cuiabá e Manaus vão ter estádios com custo de quase 150 milhões por jogo. Estádios que depois da Copa, dificilmente serão aproveitados para fazer valer o custo.

O enorme elefante branco da capital do país, que vai receber quartas de final e disputa de terceiro lugar, dificilmente terá "casa cheia" quando os times da cidade jogarem por lá.

Uma Copa com 8 sedes teria menos dinheiro público, menos problemas estruturais, mais jogos por estádio (para fazer valer o investimento) e os mesmos benefícios. Mas, é o Brasil, e a política ainda é mais importante.

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Libera geral

O atraso nas obras, a mania brasileira de deixar tudo para a última hora, nada disso é novidade na "organização" da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil. Surpreendente é a medida aprovada pela Câmara na última quarta-feira que cria regime diferenciado de contratações públicas para todas as licitações envolvendo as duas competições. Ou seja, liberou geral.

O aumento no preço inicial da maioria das obras nos estádios até aqui e o fato de cidades como Brasília estarem construindo imensos elefantes brancos, não é novidade. Surpreendente é o fato de diante dos nossos olhos, os governantes aprovarem um absurdo que permite sigilo em despesas públicas.

Neste caso, não são pequenas despesas. São gastos nas casas de bilhões.

Neste caso, e em todos os outros, por público leia-se o meu dinheiro, o seu dinheiro, o nosso dinheiro.

A Copa e as Olimpíadas no Brasil vão acontecer e eu não tenho dúvidas disto. Vão ser um sucesso, inclusive em termos de organização, e eu não tenho dúvidas disso. A participação da FIFA e do COI obriga que isto aconteça.

O problema é que neste caso, os fins não justificam os meios. E o que deveria servir para fazer o país crescer e evoluir, provavelmente servirá para enriquecer ainda mais os mesmos nomes de sempre.

Aqui não há time, religião e nem partido político. Somos todos brasileiros. E somos nós que vamos pagar a conta. E nela, a "gorjeta" será bem maior que os 10% tradicionais...

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A arte do enrolation

No mundo, poucos povos sabem enrolar os outros como os brasileiros. É quase sanguíneo. E não é A, B ou C. O famoso jeitinho brasileiro está presente em todos de alguma forma.

Nos próximos anos, COI e FIFA devem sentir na pele. Ou melhor, já estão sentindo. Tanto é que o secretário-geral da entidade máxima do futebol já cobrou que as cidades-sede agilizem o processo de preparação para o Mundial, em 2014. A grande preocupação de Jerome Valcke são as eleições que ainda estão por vir e até o carnaval.

A Copa de 2010 já vem aí. E o Brasil não deveria esperar seu fim para que comece a trabalhar de olho em 2014. Como já disse aqui no blog outras vezes, eventos deste porte podem ser ótimos para o país, desde que levados a sério.

O tempo urge, e basta uma pequena olhada na situação geral dos estádios e cidades brasileiras para ver que ainda temos muito trabalho pela frente.

Por isso, olho aberto e mãos à obra. Antes que a FIFA e o COI percebam com quem se meteram.

"Projeto" Morumbi

A entrevista causou polêmica. O secretário-geral da FIFA, Gérôme Valcke foi claro: criticou o andamento dos projetos em todas as cidades. E o mais importante, que o projeto do Morumbi não dará ao estádio condições de receber jogos da Copa.

Muita festa foi feita pelos governos estaduais quando do anuncio das sedes. Mas, de fato, ninguém se mexeu ainda.

Nada está definido e 2010 já vem aí. Faltam pouco mais de quatro anos e meio para a Copa.

São Paulo encontrará alternativas. É claro que haverá jogos da Copa do Mundo na maior cidade do país. Mas, é preciso sentar, conversar e resolver definitivamente qual idéia será abraçada. Se for o projeto do São Paulo e do Morumbi, que coloquem no papel, repensem e coloquem o quanto antes em ação.

Em Belo Horizonte, a situação também está parada. O projeto inicial previa gastos de 1 bilhão e meio de reais para o Mineirão. Claro que as estravagâncias já foram cortadas e aos poucos os custos caem. Mas, neste momento, não há também um projeto para o estádio. E nem um prazo definido para a situação ficar acertada.

O Brasil vai receber o evento mais importante de sua história e já começa a demonstrar seu despreparo total. E ainda queremos ver as Olimpíadas por aqui...

Sob suspeita

E por falar em Seleção e Copa do Mundo, o blog do Juca revela que o Ministério Público está de olho no contrato do amistoso entre Brasil e Portugal, realizado no fim do ano passado em Brasília. O valor total, R$9 milhões.

Para entender melhor o caso, basta dar uma lida por lá, onde tudo está bem explicado.

Resta aguardar a apuração dos fatos e, principalmente, a punição dos culpados caso aja. E pensar que rios de dinheiro público serão gastos na organização da Copa de 2014. E pensar que a organização do grandioso evento está nas mãos do mesmo que fraudam contratos de amistosos atualmente.

Ê Brasil...

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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