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Não foi suficiente

Por motivos óbvios, não assisti o jogo entre Costa do Mafim e Coreia do Norte. Vi pouco mais do que os melhores momentos. Por isto, o post ficará comprometido. Na verdade, este vai mais para constar, já que falamos por aqui de todos os jogos da Copa até então.

Com uma missão (quase) impossível pela frente, os africanos fizeram o que tinham que fazer. Atacaram, criaram oportunidades, e golearam a frágil e já desmotivada Coreia. Ao todo, foram 28 chutes a gol. 60% da posse de bola. Domínio total e absoluto.

No fim, conseguiram um 3 a 0 que serviu para a equipe sair de cabeça erguida, mas que não conseguiu se classificar à próxima fase. De toda forma, é um país que vem crescendo aos poucos e que certamente chegará ainda mais forte em Copas futuras.

A Coreia começou bem contra o Brasil e obviamente caiu de rendimento quando o calo apertou. Era de se imaginar que a equipe seria eliminada com três derrotas. Para muitos, a Costa do Marfim decepcionou. Drogba em plenas condições fez muita falta. A tabela também foi extremamente prejudicial aos Elefantes, pois enfrentaram a "carta-branca" do grupo quando praticamente não tinham chances. Acontece. Que tenham mais sorte na próxima Copa.

Vencendo, convencendo e espantando fantasmas

Se o Brasil precisava vencer jogando bem um forte adversário para mostrar para todos que é mesmo o principal candidato ao título mundial, não precisa mais. Não quero dizer aqui que o time foi perfeito e fez uma atuação fantástica contra a Costa do Marfim. De forma alguma. Mas mais uma vez, Dunga e sua equipe provaram que estão prontos para todo e qualquer desafio que pintar pela frente.

Os primeiros 24 minutos mostraram equipes reduzindo espaços, muitos passes errados e nenhuma chance real de gol. A Costa do Marfim adiantou suas linhas e dificultava a saída de bola brasileira, que fica lenta e previsível nos pés de Gilberto Silva e Felipe Melo. Até que o primeiro fantasma foi exorcizado com a jogada de Robinho, Kaká e Luís Fabiano, que resultou na bomba do atacante do Sevilla que estufou as redes de Barry. Um gol com raiva. Um gol de alívio. E uma mostra de que quem duvidava que faltava ao Brasil qualidade individual para definir um jogo complicado estava profundamente enganado.

Enquanto os brasileiros se soltavam e Kaká passava a encontrar seu espaço no campo, os marfinenses se assustaram. Sabiam que furar a zaga mais eficiente do planeta seria difícil. Ainda mais com Drogba isolado na frente e com Dindane não conseguindo aproveitar a fraqueza no setor esquerdo da defesa brasileira.

A volta para o segundo tempo e o gol espetacular de Luís Fabiano (apesar da ajuda do braço direito) afundaram de vez as chances da Costa do Marfim. Que passou a usar de sua exuberante força física para abusar das faltas sem advertências por parte de uma arbitragem ruim. Elano, um dos melhores em campo, ainda fez o terceiro após jogada de Kaká (que nesta altura, havia trocado de posição com Robinho em campo). 3 a 0. Uma goleada incontestável.

Outra vez, a zaga cochilou no fim e Drogba diminuiu. Sem sustos. E não me parece motivo para se assustar. De fato, a defesa brasileira só deu espaços na África do Sul quando as partidas estavam, de fato, definidas.

No fim, a expulsão de Kaká obrigará Dunga a testar a equipe sem seu principal jogador. O que, certamente, vem em ótima hora, já que não há obrigação diante de Portugal.

O Brasil mostrou o equilíbrio defensivo de sempre e mais uma vez deu provas da qualidade de seus jogadores de frente. Felipe Melo fez ótima partida (apesar de alguns ranzinzas da imprensa preferirem não dar o braço a torcer). Kaká errou muito, mas buscou o jogo e foi decisivo em duas jogadas. Luís Fabiano reencontrou o gol e provou que dá para confiar nele (mais uma vez).

Resta saber em qual lugar nos classificaremos. Acredito que seremos os primeiros. Apesar da espantosa goleada de Portugal (da qual falarei no próximo post), não acho que a pátria-mãe tenha futebol para nos bater. E só quem quer procurar pelo em ovo de toda maneira, não percebe que o Brasil está no rumo de uma bela campanha (lembrando sempre que uma derrota incomum em um jogo mata-mata, sempre pode acontecer).

Não vou entrar no assunto Dunga x Imprensa. Não há santos na história. Dunga errou feio e precisa se portar como alguém que ocupa um cargo tão importante. Este tipo de ação é inaceitável. Mas a imprensa (e aqui a generalização é péssima e injusta da minha parte) também precisa tratá-lo com mais respeito e profissionalismo. É muito fácil se colocar como o mocinho quando se tem espaço de sobra para atacar pelas costas do outro.

Quadro Negro - Costa do Marfim

O próximo adversário do Brasil já está no Quadro Negro do Marcação Cerrada. A análise do time da Costa do Marfim que estreou contra Portugal é a bola da vez.

Ainda sem Drogba, a equipe mostrou potencial para crescer ainda mais quando o craque estiver em campo. E pode ameaçar, até mesmo, a classificação brasileira.

Para ver como estão jogando nosso próximo adversário, é só clicar aqui.

Confira também a análise tática de outros times da Copa:

- França

Espelho tático e poucas emoções

Costa do Marfim e Portugal era o jogo mais esperado da rodada 1 da Copa do Mundo. E dentro da expectativa, fizeram um grande jogo. Porém, o espelho tático das equipes, acabou transformando o jogo em um duelo tático e de poucas oportunidades de gol.

A falta de oportunidades de gol tem também outro motivo: as duas seleções sabiam que uma derrota na estréia deixaria o time em situação delicada na sequência do grupo mais difícil do Mundial. Por isso, as precauções defensivas eram preferenciais em relação ao ataque.

Taticamente, uma equipe era espelho da outra. As duas equipes jogavam com uma linha de quatro na defesa e com três homens na frente. Ou seja: os laterais marcavam os atacantes abertos pelos lados, um zagueiro pegava o centro-avante e o outro sobrava. No meio-campo, mais espelho: enquanto Portugal tinha dois volantes e um "meia", a Costa do Marfim tinha um volante e dois "armadores".

Mesmo sem Drogba em grande parte do confronto, a Costa do Marfim foi superior. Gervinho, que fez temporada brilhante no Lille, mostrou que é capaz de substituí-lo. A entrada de seu principal atacante, porém, deu ainda mais força aos africanos, que chegaram a sufocar nos minutos finais.

Portugal tem uma boa seleção. Mas com Deco em baixa na carreira e sem Nani, o time depende demais das investidas de Cristiano Ronaldo. Se ele estiver disposto a decidir, pode colocar os portugueses na próxima fase.

Mas como o saldo de gols pode definir a classificação, apostaria na Costa do Marfim e de seu ataque em boa fase, para chegar na segunda (ou primeira) posição.

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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