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Vale Ouro

No caso, a medalha de ouro. E o troféu de campeão da UEFA Euro 2008. E vale ouro para quem gosta de futebol. Espanha e Alemanha chegam com justiça à final. Jogaram um bom futebol, bateram adversários fortes, venceram jogos difíceis. E aqui estão, lutando frente à frente, dois times ótimos, porém muito diferentes.

A Espanha joga um futebol mais gostoso de ver. É um time leve, solto. Uma equipe de toque de bola, que chega com muita qualidade ao ataque. Não deverá contar com David Villa, artilheiro da copa. Não fez falta contra a Rússia, mas pode fazer hoje. É um atacante decisivo. Se Fábregas o substituir como fez na última partida, o peso da falta será menor.

O time espanhol tem peças muito importantes no meio. A dupla do Barcelona, Xavi e Iniesta, é responsável por fazer um combate importante no meio-campo, e fazer a bola chegar com velocidade ao ataque. Outro jogador fundamental (que tem até sido confundidos por alguns como craques) é o brasileiro naturalizado Marcos Senna. O volante é um verdadeiro cão de guarda. E não erra passes, o que facilita o jogo espanhol. O ponto fraco é o miolo de zaga, e os laterais que ainda não jogaram bem na competição.

Já o time da Alemanha, aposta na tradição. Além da tradição de levantar troféus (é o único time tri-campeão da Euro) a de times pragmáticos que sabem o que fazer e que erram pouco. Desta vez, o time tem um aperitivo à mais. Ótimos jogadores, capazes de decidir, como há muito tempo não se via. Schweinsteiger tem jogado o fino da bola. Podolski também é baita jogador. Klose, sempre está no lugar certo na hora certa.

A equipe alemã tem como ponto forte o fato de errar pouco. Por isso, é um time difícil de ser batido. Mas tem uma das defesas mais fracas dos últimos anos. Os bons zagueiros, não convencem, parecem muito desentrosados. Os laterais, se são ótimos com a bola nos pés, ofensivamente, também tem tomado muitas bolas nas costas e dribles fáceis. Mas é um time que faz poucas bolas, e que tem um jogo veloz, muito perigoso. O meio-campo erra poucos passes e faz a bola chegar rapidamente aos atacantes, que são ótimos. Ballack, vem aparecendo pouco, mas é o termômetro do time. Dita o ritmo. Faz a bola rodar. É craque!

Vai ser um grande jogo. Tudo pode acontecer. Aposto na Alemanha, pelo fato de ser um time tão "certo". E além disso, tradição pesa em decisões. E o time alemão é convidado à isto. Mas a Espanha não tem o time bobo de outrora e está muito disposto à surpreender.

Do próprio veneno

Muito pode ser dito da sensacional semifinal da Euro 2008.

A primeira, e ao meu ver, mais importante, é que aos poucos o futebol volta a ter graça. Um campeonato recheado de ótimos jogos. Se não vai na técnica, sobra na emoção. Times que jogam com vontade de vencer, que lutam o tempo todo.

A segunda, é que a Turquia merecia. Foi guerreira. Jogou melhor durante os 90 minutos, superando todos os desfalques. Pressionou a Alemanha, teve bola na trave, mostrou raça e vontade de vencer, além do que era esperado. Mas teve no gol um Rüstü, que falha em excesso e não inspira confiança alguma.

A terceira é que a Alemanha mostrou sua força. É um bom time. Que não tem muitos craques, mas que é recheado de ótimos jogadores. E tem um Schweinsteiger, que parecia estar guardando muito tempo o futebol para estas partidas decisivas. Joga fácil. A Alemanha, que pareceu acuada durante os 90 minutos, principalmente devido à péssima atuação do miolo de zaga e do lateral esquerdo Lahm, conseguiu fazer com a Turquia o que a Turquia fez durante toda a Euro. Definir no final. Por incrível que pareça, com gol do péssimo Lahm. Belíssimo por sinal.

Um jogo emocionante, terminado em 3 a 2. Se não foi o mais justo dos resultados, ficou de ótimo tamanho. Para a Alemanha, que tem time e tradição para estar na decisão. E para a Turquia, que já havia chegado mais longe do que podia imaginar.

A quarta, e última coisa, foi o vexame mundial pela qual a organização do evento passou. Não sei até onde vai a responsabilidade da organização do evento na geração de imagens, mas de toda forma, não há chuva neste mundo que sirva como desculpa para tamanho problema. Deixar de mostrar os últimos minutos do jogo, os mais importantes, onde tudo aconteceu (3 gols na reta final), além de vexame foi um erro impagável. Logo a Euro, que vai batendo recordes de audiência. Uma pena. Que não se repita hoje, quando a chuva castiga Viena.

Hoje, inclusive, a expectativa é de mais um jogo sensacional. Dois times tecnicamente fantásticos. E que merecem estar na final. Páreo duro. Apostaria na Rússia, mais pela fama de amarelar da Fúria. Mas não duvidem que os espanhóis podem chegar.

Surpreendente

A classificação da Alemanha sobre Portugal não foi surpreendente. O futebol apresentado pela seleção alemã, sim. E lá estão eles mais uma vez. Com o peso da camisa, em mais uma semifinal. Independente do adversário, favoritíssima à chegar a decisão. Em busca do 4º título da Euro. A mesma Alemanha que é a única a levantar o caneco 3 vezes.

No jogo de ontem, a Alemanha foi soberana enquanto quis. Jogou com velocidade, pelos lados do campo. Marcou sob pressão. Tudo que o Brasil não consegue fazer. E que Portugal não conseguiu evitar, com uma saída de bola muito lenta.

Assim, não foi difícil abrir 2 a 0. O primeiro, em jogada espetacular pelo lado esquerdo, com cruzamento na medida para Schweinsteiger, que ganhou na velocidade do apenas mediano Paulo Ferreira. O meia alemão, inclusive, vinha devendo na Euro. Não deve mais. Pagou com juros. Foi o melhor em campo.

Foi dele também a cobrança de falta que resultou no segundo gol. Klose, sempre ele. Nos momentos mais importantes. 2 a 0.

Portugal parecia morto, quando lançamento para Cristiano Ronaldo, resultou no primeiro gol. A esta altura, a Alemanha se defendia demais. O craque (que jogou pouco, é verdade, mas continua craque) bateu mal, mas o goleiro rebateu nos pés de Nuno Gomes, que marcou.

Na etapa final a esquadra portuguesa melhorou o passe, com a entrada de Raul Meirelles. Mas o time pecava por jogar demais pelo meio e chutar de muito longe, normalmente sem nenhuma direção. Assim, a Alemanha levava o jogo, sob controle. E ainda ampliou. Outra cobrança de falta, o decisivo Ballack, sempre no lugar certo, fez falta não marcada pela arbitragem em Paulo Ferreira e marcou, contando com ajuda também de Ricardo, que saiu mal.

Portugal melhorou. Passou a jogar pelas pontas, principalmente com Nani, que entrou bem no jogo. É um jogador que arrisca, sem medo de errar. Assim, em uma jogada dele, pelo lado direito, Portugal diminuiu, com Helder Postiga. A pressão nos minutos finais, não rendeu boas chances.

Felipão se despede de Portugal. Trabalho brilhante. Colocou a seleção num patamar antes inimaginável. A derrota foi justa. Apesar de ter jogadores mais técnicos, faltou força e poder de decisão aos portugueses. A Alemanha chegou. E pode chegar mais longe. Tem time para isto. Tem gente que decide. E todos os outros, sabem o que fazer com (e sem) a bola.

Coisa parecida, a Itália pode fazer com a Espanha no sábado. É esperar para ver.

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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