O fim do preconceito faz bem

Até bem pouco tempo, era raro ver jogadores sul-americanos atuando nos principais times do Brasil. Só se contratavam jogadores já experimentados nas grandes equipes do continente (e até mesmo na Europa) e mesmo, as contratações eram cercadas de desconfiança.

Hoje, o mercado brasileiro percebeu definitivamente que os nossos vizinhos podem ter peças de alto nível com concorrência menor e preço mais baixo do que aqui. Efeito das recentes contratações muito bem sucedidas, alavancadas definitivamente pelo desempenho acima da média da dupla Conca e Montillo no último Brasileirão.

Aliás, já na última competição nacional, é possível contar nos dedos os times que não tinham um estrangeiro em seu elenco.

Mesmo assim, ainda restam resquícios do preconceito de velhos tempos. Gente ultrapassada, que ainda não percebeu que ali, como aqui, também se fabricam grandes talentos. Neste caso, o ditado que diz que "a grama do vizinho é sempre mais verde que a nossa" não funciona.

Aconteceu mais uma vez hoje, pouco após o Flamengo anunciar o acerto com o meia Darío Bottinelli, do Atlas, que estava emprestado ao Universidad Católica. O meia esquerda, de passe refinado, ótimo nos chutes de longa distância e nas bolas paradas e que pode jogar mais recuado ajudando também na marcação, foi criticado provavelmente por quem nunca o viu entrar em campo.

Longe de mim pregar por aqui que o Flamengo acaba de colocar um novo craque em seu time. Mas Bottinelli pode ser extremamente útil e encontrar no Brasil, sucesso parecido ao de seus compatriotas Conca e Montillo, apesar de ter características diferentes. Como já disse, "El Pollo", é um meia mais recuado, que joga longe do gol, organizando mais a equipe e participando muito do jogo.

Como ele, há outras boas opções na Argentina, Chile e Uruguai. Basta força de vontade para procurar e disposição para investir. Os clubes brasileiros só tem a crescer com o fim de um preconceito que não leva a nada.

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Quadro Negro

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O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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