A graça dos pontos corridos é o prêmio à regularidade. A graça dos mata-matas, é o fato de cada segundo ser decisivo e cada vacilo ser fatal.

O Botafogo se desligou totalmente do Campeonato Brasileiro, levando um time misto para a partida decisiva na Colômbia contra o Santa Fé, pela Sul-Americana. Demorou oito minutos para se ligar na "nova" competição. Quando se deu conta, já perdia por 2 a 0 e na altitude dependia de no mínimo um empate para conseguir a vaga.
O Botafogo acordou e melhorou. Passou a controlar a partida e com Elkeson participando bem do jogo, criou chances até para empatar o jogo na etapa inicial. Mas viu Caio errar além da conta e desperdiçá-las. O castigo veio no fim do primeiro tempo, em contra-ataque rápido e gol contra de Léo, muito mal na partida.
Com o 3 a 0, o Botafogo voltou para o segundo tempo praticamente eliminado. Experiente, o Santa Fé fez o melhor possível. Tocou a bola com tranquilidade, colocando o adversário para correr e se desgastar na altitude enquanto a torcida em festa gritava olé. A tranquilidade dos colombianos abriu espaços na defesa do Botafogo, claramente desgastado. Rodas aproveitou para dar drible seco em Gustavo na entrada da área e finalizar no angulo. Golaço e goleada sacramentada.
A festa ficou completa quando um vira-lata invadiu o campo e demorou pelo menos 5 minutos para resolver, por conta própria, deixar o gramado e voltar para a arquibancada. Cena pastelão, com mais de 10 funcionários do estádio correndo atrás do cão.
No fim, com o resultado mais do que definido, Alexandre Oliveira arrancou em contra-ataque e fez seu primeiro e, provavelmente, último gol pelo Botafogo. O de honra.
O Botafogo tem chances de ser campeão brasileiro. Mais chances ainda de conseguir uma vaga na Libertadores. Levando a Sul-Americana a sério, no mínimo, dobraria suas chances. Mas, assim como outros clubes brasileiros, estranhamente não levou a competição a sério.
E assim, a Copa Sul-Americana continua não tendo a menor graça para o Brasil. Um desperdício.
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Nenhum time brasileiro que escalar toda a equipe reserva, terá força e efetividade para jogar em alto nível. O Botafogo não é a exceção. Positiva, nem negativa. E ontem, deixou claro contra o pobre Santa Fé, a diferença entre um bom elenco e um bom time reserva.

Contra os colombianos do Santa Fé no primeiro jogo das oitavas de final da Copa Sul-Americana, Caio Júnior mandou a campo apenas dois titulares: o zagueiro Antônio Carlos e o atacante Loco Abreu. Um time totalmente modificado que nivelou por baixo o duelo pouco inspirado no Engenhão.
O Santa Fé usou a experiência para tentar controlar o jogo. Não é um time forte tecnicamente, mas tem algumas boas peças e cancha para disputar o torneio. Destaque para o experiente meia-atacante Galván, de 39 anos, por onde passam todas as jogadas ofensivas. Foi dele o passe para o ofensivo lateral Bernal (que fez o que quis nas costas de Márcio Azevedo na etapa inicial) entrar sozinho na área e deixar o gol vazio para Omar Pérez logo no início do jogo.
O gol aumentou o nervosismo dos reservas do Botafogo e a pequena presente contribuiu com a pressão pegando no pé de alguns jogadores e pedindo ironicamente substituições. O Botafogo encontrava enormes dificuldades, errando demais. Márcio Azevedo foi o pior em campo, Somália fez partida abaixo da crítica e até o bom Felipe Menezes irritou os botafoguenses.
Na etapa final, com a entrada de Elkeson, o time cresceu. Controlou a ansiedade e o jogo. Criou chances e poderia ter virado. Mas conseguiu apenas o empate, com gol do arisco Caio (que tem talento e merece mais tempo de jogo).
O empate não elimina o Botafogo da competição. Mas deixa uma lição. Que é injusto avaliar os reservas jogando com os reservas. O nível, obviamente, cai muito. Até Loco Abreu fez partida muito ruim ontem. Jogando entre os titulares, Márcio Azevedo, Somália, Felipe Menezes, Caio e muitos outros podem ser úteis ao Botafogo. Poupando apenas três ou quatro titulares por vez, Caio Júnior pode manter o Botafogo em alto nível e quem sabe conquistar a vaga na Libertadores pelo caminho mais curto.
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Este é um dos jargões mais verdadeiros que conheço sobre futebol. Não se faz um bom time sem um bom goleiro. E longe de mim dizer que o Atlético-MG tem hoje um grande time (principalmente após o jogo de ontem). Mas se o torcedor do Galo tem esperanças hoje, de ver o time bem ainda este ano, muito disto passa pela segurança e pelas boas atuações do garoto Renan Ribeiro.

É preciso relativizar a atuação e o jogo de ontem contra o colombiano Santa Fé. Depois de fazer 2 a 0 (e desperdiçar um caminhão de gols) na primeira partida, Dorival optou - de forma certeira - por manter os titulares treinando em BH para o clássico contra o Cruzeiro e mandou a Bogotá um time quase totalmente reserva (além de Renan Ribeiro, Alê e Fernandinho vêm sendo titulares do time principal).
Sem treino, com alguns jogadores fora de ritmo e encarando a altitude, não dava para esperar muita coisa do time atleticano. A decepção ficou por conta do fraquíssimo Santa Fé, que lidera o Campeonato Colombiano. Apesar de jogar de maneira ofensiva, o time não tinha qualidade no meio e atacantes afobados, que chutavam de qualquer maneira para o gol.
Por isso, em alguns momentos parecia jogo de várzea. Os erros de passe saíam um atrás do outro. O Galo tinha campo, mas não conseguia contra-atacar porque Alê e Méndez não acertavam passes de 10 metros. O Santa Fé tinha a bola, mas não tinha condições técnicas para fazer muita coisa com ela.
No fim, no meio de um festival de finalizações toscas, uma bola indefensável e várias boas defesas de Renan Ribeiro, que garantiram o 1 a 0 para os donos da casa e a classificação do Galo para a próxima fase.
Pensar em vencer a Copa Sul-Americana hoje é utópico para um time que ainda precisa de muito para se acertar. Mas um bom início para ter um fim de ano feliz, o Atlético-MG já tem. E seu nome é Renan Ribeiro.
Vencer é sempre bom. Essencialmente importante quando se está mal psicologicamente, pressiondo por uma sequência ruim de resultados. Por isso, é inegável que a vitória de ontem é importante para o Atlético-MG. Dá moral e ânimo, que serão essenciais para brigar por algo maior e muito mais difícil do que bater o fraco Santa Fé da Colômbia: deixar a zona de rebaixamento.

Não dá para avaliar a atuação do Galo contra um adversário que não tem a mesma condição técnica. Os donos da casa foram superiores durante toda a partida (exceto pelos 10 primeiros minutos do segundo tempo), perderam alguns gols por falta de confiança e perderam uma boa chance de conseguir uma goleada que daria tranquilidade para o jogo da volta, fora de casa.
De toda forma, ficam algumas boas situações para animar o torcedor atleticano para a sequência da temporada. Aos poucos o time vai encorpando. Mesmo que lentamente, o ranso da época de Luxemburgo parece vai ficando para trás. Diego Souza (finalmente escalado em sua posição) começa a render mais e ajudar o time. Obina reencontrou o gol. Renan Ribeiro se firmou definitivamente como um seguro titular na contestada baliza. E o Departamento Médico aos poucos deve esvaziar-se.
Nada disso adiantará, porém, se o time não conseguir a permanência na Série A. Que passa, diretamente, por uma vitória convincente contra o adversário direto que vive o pior momento ao lado do Grêmio Prudente. A final do Galo é domingo, contra o Avaí.