Escrevi na semana passada que seria curioso ver a postura da Suíça precisando atacar e vencer uma seleção inferior. Além de curioso, deu calo nas vistas. Sem saber o que fazer com a bola nos pés e precisando marcar dois gols para se classificar, a melhor defesa da Copa não saiu de um 0 a 0 contra a fraca Honduras.

Foi um dos piores jogos da Copa. Poucas chances de gol, equipes fracas tecnicamente e pouca empolgação. Olha que ambas poderiam se classificar com um resultado positivo (Honduras com uma goleada, dependeria ainda de vitória do Chile).
No fim das contas, a aparência foi de que as duas equipes estavam satisfeitas com o que conseguiram até ali e não lutaram para chegar mais longe.
Honduras conseguiu uma classificação histórica e importante. É um país pequeno, cheio de problemas e chegar ao Mundial foi um bom presente. O "ponto de consolação" serve para deixar ainda mais animado o país.
Já a Suíça, bateu o recorde defensivo que pertencia à Itália e derrotou uma das principais favoritas ao título. Estava, de fato, de ótimo tamanho, para um time que sabe como poucos se defender, mas que depende de golpes de sorte para atacar.
Bom para o futebol, que terá um ousado Chile nas semifinais. E claro, a Espanha. Seria uma pena a Fúria ficar de fora da festa.
O sistema defensivo mais eficiente da Copa está no Quadro Negro do Marcação Cerrada. Basta observar o espelho tático do time suíço para entender o segredo para tão poucos gols sofridos na África do Sul.
Aproveite para conferir também a análise de outros times da Copa no Quadro Negro do Marcação:
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Chile
No confronto entre a mais espetacular defesa da Copa e o time mais ofensivo até aqui, o Chile levou a melhor e bateu a Suiça pelo placar mínimo, disparando na liderança do grupo H. Depois de 4 jogos sem sofrer gols em Copa do Mundo, os suíços finalmente viram sua meta ser batida, com o gol de González.

Em campo, o Chile voltou a atuar no ultraofensivo 3-4-3. Além dos três zagueiros, apenas Carmona fazia o balanço defensivo, permitindo que os dois alas se juntassem a Matías Fernandez no apoio aos três homens de frente. Com Suazo de volta ao time, deixando Valdívia no banco, o time ganhou uma referência importante dentro da área.
E tentou martelar. Enquanto a Suíça se defendia com 9 jogadores, deixando apenas Frei e Nkufo à frente, o Chile buscava alguma coisa. Mas claro que não seria tarefa fácil ultrapassar e bem armada defesa adversária.
A expulsão de Behrami, ainda no primeiro tempo, complicaria ainda mais a vida dos europeus. Além de abrir espaços no lado esquerdo da defesa, obrigou o técnico Ottmar Hitzfeld a sacar Frei e tentar a recomposição do meio-campo.
Já Bielsa, colocou Valdívia para explorar o lado esquerdo do ataque e o ofensivo González (que acabaria marcando o gol) no lugar de Vidal. A pressão que fez com que a Suiça desse apenas um chute a gol contra 7 dos chilenos surtiu efeito e a vitória veio. E mesmo pelo placar mínimo, deve ser comemorada.
O resultado, no entanto, gera uma situação inédita e engraçada para a rodada final. A Suiça, acostumada a se defender, precisará atacar Honduras se quiser a classificação. E o Chile, atual líder, e altamente ofensivo, precisará saber se defender diante de uma Espanha superior tecnicamente. O interessante confronto pode resultar em fatos inesperados. Não será surpresa se o Chile for derrotado, mas a Suiça não tiver força ofensiva para bater Honduras, por exemplo. Aliás, se apegar a isto, é a melhor solução para os chilenos neste momento.
Antes de mais nada: sou contra todos aqueles que vibraram com a derrota da Espanha. Sou absolutamente contra todos que taxaram a equipe de "amarelona" pela derrota de hoje. E terminantemente contra aqueles que fadaram a seleção ao fracasso na África do Sul graças à estréia de hoje.

Agora vamos aos fatos: A Espanha entrou em campo para enfrentar uma Suiça tradicionalmente defensiva. Que armava uma verdadeira blitz na entrada de sua área e não dava espaços para os espanhóis trabalharem. Não é atoa, que não sofrem gols há sete jogos em Copas do Mundo. É preciso reconhecer os méritos de uma equipe que soube de sua inferioridade e fez o único jogo que lhe daria alguma chance de vitória.
Graças ao melhor time e à capacidade técnica infinitamente superior, a Espanha dominou amplamente a partida. Teve 63% de posse de bola e finalizou 3 vezes mais do que o adversário. Acertou a trave, o travessão e contou com boas defesas do goleiro. Mas a bola não entrou.
Já a Suiça, foi ao ataque poucas vezes. Em uma delas, bola espirrada, bate rebate, e gol de Gélson Fernandes. 1 a 0 que abalou os espanhóis e animou quem saiu na frente. Que por pouco não se animou além da conta abrindo espaços na defesa.
A Espanha seguiu pressionando, a entrada de Fernando Torres surtiu efeito, mas o empate não veio. E a estréia do maior favorito no Mundial, acabou com derrota.
Aliás, a Espanha precisa rever um conceito básico. O time não funciona e não vai funcionar no 4-2-3-1, como pretende Del Bosque e como foi escalada no início hoje. O motivo é simples. Xavi, o meia central, volta muito para receber a bola e joga longe do gol. É característica. Assim, o centro-avante acaba ficando muito isolado. Com Fernando Torres, Villa ganha alguém para tabelar. Como os dois sabem abrir espaços e jogar sem a bola, a Espanha fica forte demais.
Hoje, inclusive, acho que a melhor alternativa era usar o 4-4-2 em linha, já que a Suíça deixava muito espaço na entrada da área. Assim, o time conseguiria fazer a virada de jogo de forma mais veloz, tentando surpreender.
A derrota da Espanha pode complicar a classificação do melhor time do planeta. Com a vitória no primeiro jogo, a Suíça deve acreditar na classificação e jogar mais aberta contra seus próximos adversários. Também deve vencer Honduras. Assim, é bem provável que a vaga seja decidida no saldo de gols. E é aí que eu acredito na equipe mais capaz de criar algo diferente na África do Sul.
De toda maneira, é importante que aqueles que estão torcendo contra saibam de uma coisa. Quem perdeu hoje, não foi a Espanha. Foi o futebol.