O time encantador, leve com seu DNA ofensivo ficou no passado. Com Muricy Ramalho, o Santos se tornou pragmático e ótimo na defesa (embora ainda erre muito nas bolas paradas). Se tornou, mais do que nunca, o Santos de Neymar. E por ele, o time ainda vale a pena.

Ainda sem Ganso, Muricy não fez o básico escalando Alan Patrick. Com Pará na lateral direita e Danilo novamente no meio-campo, fez de Elano o homem de ligação do 4-3-1-2 santista. Não funcionou. Elano não tem as características necessárias para ser o "10". Participou pouco do jogo e não deu ao time a fluência necessária.
Assim, mais uma vez o Santos foi o time de Neymar. Só chegou quando a bola passou pelo camisa 11. Invariavelmente, dos pés do atacante saem boas jogadas. Se o restante do time chegasse perto de seu ritmo e nível de acerto, o resultado poderia ser outro. Zé Eduardo fez mais uma partida ruim e passou longe do gol. Alan Patrick também perdeu ótima chance, no último minuto da partida. Gol que daria tranquilidade ao time para o jogo de volta no Paraguai.
Gol que Edu Dracena não perdeu aos 44 minutos do primeiro tempo. De cabeça, o zagueiro completou para as redes mais uma das incontáveis ótimas jogadas de Neymar. 1 a 0 injusto àquela altura e que ficaria ainda mais quando minutos depois Rafael conseguiu salvar cabeçada a queima-roupa dentro da área.
O Cerro Porteño tem seus méritos. Não se apequenou jogando fora de casa contra um adversário tecnicamente mais forte. Tentou jogar com marcação adiantada e manteve a posse de bola no campo ofensivo. Poderia ser ainda mais perigoso se tivesse apostado no jovem Iturbe, no segundo tempo. Lamenta o fato de não ter feito gol no Pacaembu, pois teve oportunidades para tal. Mas leva para o Paraguai uma vantagem reversível.
O Santos não jogou bem. Brilha com Neymar, não empolga no restante. Falta criatividade, leveza. Hoje, é ainda mais favorito que ontem para chegar à decisão da Libertadores. É um time que sofre poucos gols e que tem em Neymar a certeza de que em algum momento, sairá alguma boa jogada. São indiscutíveis os méritos de Muricy que vai levando o Santos à final. Mas é uma pena que o time não possa ter liberdade para jogar mais.
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Quando a fase é boa, tudo conspira a favor. No caso da classificação do Fluminense para a final da Sul-Americana, ontem, batendo o Cerro Porteño por 2 a 1 de forma épica, pode-se dizer que quase tudo conspirou a favor.

Primeiro vamos ao jogo: mais uma vez com o Maracanã lotado o Fluminense começou o jogo nervoso. As coisas pioraram quando os paraguaios abriram o placar logo no início. O 1 a 0, levaria o jogo para os penaltis.
O jogo do Fluminense demorou a encaixar, mesmo que o time tivesse o controle e não deixasse os paraguaios assustarem.
Aos poucos, as coisas melhoraram e o jogo dos cariocas começou a fluir. Fred passou a participar mais. E o time cresceu. Era melhor e merecia um resultado melhor. Que veio com o gol de Gum, no finalzinho. O zagueiro, com a cabeça enfaixada e o supercílio sangrando, fez explodir o Maracanã. A classificação estava muito perto do Flu. E na base da raça.
As coisas ficariam ainda melhores quando Allan aproveitou o posicionamento bizarro do goleiro, no meio-campo, para driblá-lo e marcar o gol da virada, no último lance do jogo. Mais uma vitória do Fluminense. E uma festa maravilhosa no Maracanã.
Não vou comentar sobre as atitudes do time perdedor após o jogo. Não merecem esse ibope. Partiram para a agressão mostrando que não são esportistas. Não é atoa que a torcida fez o papelão no jogo de ida, jogando pedra nos jogadores do Flu. Coisa de espírito.
O Fluminense venceu mais uma e segue numa fase e num momento incrível. A união time/torcida é tão bacana que muita gente, como eu, passou a torcer pro Flu nesta reta final. Ontem, até um torcedor com a camisa do Botafogo foi visto comemorando no Maracanã, em meio aos tricolores. Um momento indescritível e que deve ser aproveitado. E que pode ser fechado com chave de ouro, com a salvação no Brasileirão e o título na Sul-Americana.
Só que nem tudo são flores. O time começa a sentir o desgaste do excesso de jogos, sempre sob pressão enorme. Digão não joga mais este ano, com um dedo do pé quebrado. E Maicon, um dos melhores do time, teve um estiramento preocupante e pode também desfalcar o Flu nesta reta final. Ambos farão muita falta caso fiquem mesmo fora de combate.
Não me canso de elogiar a reação do Fluminense. Que tem dois personagens fantásticos, que merecem todo o respeito e mais do que isso, o reconhecimento pelo que estão fazendo pelo Flu.

Ontem, mais uma vitória. A quinta consecutiva. 1 a 0 sobre o Cerro Porteño, no Paraguai. 1 a 0 que poderia facilmente ser aumentado para 2, 3, 4. Se não fosse mais uma péssima arbitragem de Hector Baldassi. Este aí é ladrão velho.
Não vi o jogo inteiro. Acompanhei algumas partes, e sempre vi o Fluminense melhor na partida. Pelo que vi de melhores momentos e comentários depois do jogo, a superioridade foi grande.
Uma pena que não foi possível matar logo a semifinal para que o time se preocupasse apenas com o Brasileirão.
Mas, voltando aos heróis.
Cuca merece ser lembrado. Estava desacreditado na carreira e assumiu um desafio complicadissimo. Vai dando a volta por cima. Suas mudanças na equipe surtiram efeito e ele é muito responsável por isto. Deixou o time mais leve, mais veloz. Soube usar o que tinha de melhor no elenco. E o resultado se dá na campanha.
O outro é Fred. Chegou no início do ano como um dos melhores atacantes do Brasil. Ganhou fama de "chinelinho" pelas seguidas lesões. Mas marcou 9 gols nos últimos 9 jogos. É decisivo. E mais do que isto, comanda esta garotada como um verdadeiro guerreiro, disposto a lutar até a última gota de sangue.
O Fluminense é contagiante. E eu confesso: vou torcer para se salvarem. Eles merecem.
Terminar o ano na Série A, com o título da Sul-Americana seria épico. E o já sofrido torcedor tricolor merece. Cuca e Fred então, nem se fala.