Acompanhei um pouco das estreias brasileiras na Copa Sul-Americana. Vi Grêmio e Coritiba se enfrentarem em partida ruim graças à um gramado impraticável por causa da chuva. Vi o primeiro tempo pouco emocionante de Atlético-GO e Figueirense, com mais um penalti inventado pela arbitragem brasileira. Vi o segundo tempo da vitória do Palmeiras e a boa atuação de Barcos.
Um detalhe, no entanto, me chamou mais a atenção que os jogos em si. Aos poucos, a Sul-Americana vai sendo levada mais a sério pelos brasileiros. E é ótima notícia.
Todos os times entraram com força máxima ou o mais próximo possível dela. Poucos jogadores poupados, o que faz parte e é saudável. É importante perceber que a competição pode ser importante e a tendência é que ela ganhe cada vez mais espaço. Afinal, além de ser um título internacional, conquistar a Sul-Americana vale vaga na Libertadores e participação na Recopa e Copa Suruga.
A competição ainda não empolga a torcida. Exceção feita ao jogo na Bahia, os estádios ficaram vazios e os jogos atraíram pouco público. Talvez o excesso de vagas para o país fazem parecer que a competição vale menos. Com poucos classificados, chegar à Sul-Americana poderia se tornar um prêmio e obrigaria os clubes a valorizarem a participação. A solução pode ser o fim da "fase nacional".
De toda forma, é bom ver que aos poucos os clubes vão se adaptando aos calendários e planejando melhor a temporada. Mesmo com as bizarrices de campeonatos estaduais e jogos em sequência. Valorizar a Sul-Americana é bom para todos. Para os clubes e até para o Brasileirão, que ganha ainda mais emoção na disputa.
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Não é só uma questão do futebol. No Brasil, a cultura é de não se valorizar o quase. Somente quando o "quase" vem de dentro. Enchemos a boca para elogiar o bom trabalho recente da Universidad do Chile, que chegou às quartas-de-final da Sul-Americana em 2009 e na semifinal da Libertadores em 2010. Mas certamente, aparecerá quem vá criticar a decisão do Vasco de querer tudo caso termine sem conquistar nada.

A derrota e eliminação na semifinal da Sul-Americana para o ótimo (sim, ótimo) time chileno que passou com extrema facilidade pelo Flamengo é dolorida, mas não pode ser tratada como anormal.
Além de desgastado pela maratona não só de jogos, mas de jogos decisivos, ficou claro que o Vasco sentiu. E era algo possível de prever e que, inclusive, o blog já havia antecipado em posts anteriores. O time das viradas improváveis e das goleadas históricas na Colina, ficou pelo caminho na Sul-Americana, mas caiu em pé.
Fez um bom jogo, equilibrado e resolvido nos detalhes contra La U. O time do bom técnico argentino Jorge Sampaoli é compacto, veloz e com boas referências técnicas como o bom atacante Eduardo Vargas. O trabalho do argentino é louvável e enche os olhos mas não é o único motivo do sucesso dos chilenos. A filosofia recente do clube tem encontrado bons nomes para suprir a ausência dos que saem para jogarem em mercados mais ricos.
Fica para o Vasco a minha torcida pela conquista do título do Campeonato Brasileiro. Nada contra o Corinthians e os corinthianos e nem contra o Flamengo. É simplesmente uma questão de merecimento para um ano fantástico dos cariocas. Que merecem fechar com chave de ouro a brilhante temporada.
Mas fica um pedido a todos: valorizem o Vasco, mesmo que fique no "quase". A dor é grande, mas os ensinamentos que ficam para os clubes que vencem a Copa do Brasil e não levam o resto do ano a sério, pode ser de grande valhia.
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É preciso relativizar a classificação e a goleada do Vasco sobre o Aurora, da Bolívia, que confirmou a ótima temporada do time vascaíno em 2011. O 8 a 3 foi construído com competência em um jogo que começou muito interessante mas que no fim tornou-se um treino de pouco luxo com cara de "casados x solteiros".

Se a goleada robusta sobre o fraco time boliviano não serve para confirmar a qualidade do elenco vascaíno (que jogou com apenas quatro titulares hoje), serviu para algo que me parece mais importante no momento.
Alecsandro não marcava há meses. Começou o jogo com um gol (bem anulado). Quando o Vasco vencia por 1 a 0, perdeu um gol feito e no contra-ataque, saiu o primeiro gol do Aurora. Vaias, xingamentos e pedidos por Elton. Alecsandro teve nova chance, fez tudo certo mas o zagueiro (na verdade o centro-avante) tirou em cima da linha. Logo na sequência, escanteio e cabeçada no travessão...de Alecsandro. O gol parecia impossível, mas nestas voltas que a bola dá, o bom e eficiente atacante vascaíno balançou as redes duas vezes (ambas de cabeça) ainda antes fim da primeira etapa.
Veio o segundo tempo e o Vasco logo chegou ao placar que lhe interessava. Passe de Alecsandro para Leandro marcar pela primeira vez com a camisa do Vasco. Um jogador que foi dado como dispensável, que se dedicou sempre que entrou, e que ainda pode ajudar.
O marco para o fim da organização no jogo foi o quinto gol, em penalti cobrado por Juninho. Daí em diante as duas equipes se desorganizaram, frequentemente se desligaram na defesa, e os gols saíram por atacado. Bernardo, Douglas e Allan marcaram para o Vasco.
O Aurora não tem um bom time e o Vasco fez por merecer a classificação. Tem uma chave teoricamente mais fácil na Sul-Americana, mas roda o elenco e ganha ainda mais moral para o Campeonato Brasileiro.
Mais importante do que seguir em frente este jogo serviu para o Vasco recuperar alguns jogadores que vinham sendo sub-aproveitados no elenco. Douglas não é um grande zagueiro, mas ganha moral caso seja necessário utilizá-lo nas ausências de Dedé. Allan a mesma coisa. Leandro é o jogador mais parecido com Éder Luís no elenco e pode ganhar mais tempo de jogo. E Alecsandro, o qual sempre achei ótimo centro-avante, reencontra a paz com a torcida e o caminho do gol em momento que pode ser fundamental.
O Vasco deve seguir sério na Sul-Americana. Pode continuar rodando o elenco com inteligência e seguir em frente. O Universitário tem mais tradição do que o Aurora mas não é um bicho de sete cabeças.
Levando o que vier pela frente com seriedade, o Vasco se torna um candidato cada vez mais sério a encerrar uma brilhante temporada com chave(s) de ouro.
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A graça dos pontos corridos é o prêmio à regularidade. A graça dos mata-matas, é o fato de cada segundo ser decisivo e cada vacilo ser fatal.

O Botafogo se desligou totalmente do Campeonato Brasileiro, levando um time misto para a partida decisiva na Colômbia contra o Santa Fé, pela Sul-Americana. Demorou oito minutos para se ligar na "nova" competição. Quando se deu conta, já perdia por 2 a 0 e na altitude dependia de no mínimo um empate para conseguir a vaga.
O Botafogo acordou e melhorou. Passou a controlar a partida e com Elkeson participando bem do jogo, criou chances até para empatar o jogo na etapa inicial. Mas viu Caio errar além da conta e desperdiçá-las. O castigo veio no fim do primeiro tempo, em contra-ataque rápido e gol contra de Léo, muito mal na partida.
Com o 3 a 0, o Botafogo voltou para o segundo tempo praticamente eliminado. Experiente, o Santa Fé fez o melhor possível. Tocou a bola com tranquilidade, colocando o adversário para correr e se desgastar na altitude enquanto a torcida em festa gritava olé. A tranquilidade dos colombianos abriu espaços na defesa do Botafogo, claramente desgastado. Rodas aproveitou para dar drible seco em Gustavo na entrada da área e finalizar no angulo. Golaço e goleada sacramentada.
A festa ficou completa quando um vira-lata invadiu o campo e demorou pelo menos 5 minutos para resolver, por conta própria, deixar o gramado e voltar para a arquibancada. Cena pastelão, com mais de 10 funcionários do estádio correndo atrás do cão.
No fim, com o resultado mais do que definido, Alexandre Oliveira arrancou em contra-ataque e fez seu primeiro e, provavelmente, último gol pelo Botafogo. O de honra.
O Botafogo tem chances de ser campeão brasileiro. Mais chances ainda de conseguir uma vaga na Libertadores. Levando a Sul-Americana a sério, no mínimo, dobraria suas chances. Mas, assim como outros clubes brasileiros, estranhamente não levou a competição a sério.
E assim, a Copa Sul-Americana continua não tendo a menor graça para o Brasil. Um desperdício.
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Piadas infames à parte, o que se viu no Engenhão foi mesmo um grande chocolate. Do início ao fim do jogo, o ótimo time da Universidad de Chile controlou a partida, criou oportunidades e dominou amplamente um Flamengo totalmente batido.
Ignorando o fato de jogar fora de casa, La U se postou num ofensivo e interessante 4-3-3 com os bons Vargas, Castro e Lorenzetti na frente. Destaque para o primeiro, autor de dois gols e com ótima presença de área. E para o último, gerador de piadas, que se movimenta com inteligência e pelo qual passam todas as jogadas do time chileno.
Marcando no campo de ataque, jogando com intensidade, a Universidad ganhou o jogo. O Flamengo não tinha qualidade para sair jogando, errando demais, e voltou a mostrar a lentidão excessiva nos contra-ataques. Os visitantes fizeram 1 a 0, 2 a 0, tiveram um gol mal anulado, perderam outros, fizeram três a zero. Ainda saíram do primeiro tempo com um jogador a mais graças à tola expulsão de Aírton, que mais uma vez exagerou na truculência. Na etapa final, mesmo perdendo Castro (ao meu ver, exageradamente expulso), perdeu outras muitas oportunidades por preciosismo, perdeu um penalti (que ao meu ver a bola entrou) e fez o quarto.
A classificação para as quartas de final está definida. Provavelmente com um time cheio de reservas, o Flamengo tem enormes chances de ser goleado novamente no Chile.
Independente da falta de interesse que o Flamengo demonstrou com a competição, é preciso observar o óbvio. Mesmo interessado ao máximo no Brasileirão, o Flamengo já tem mostrado problemas defensivos, dificuldade na saída de bola e nenhuma velocidade ofensiva. O que a Universidad fez foi apenas escancarar estes erros.
Se quiser brigar pelo título nacional é bom que o Flamengo faça o que não fez hoje no Engenhão: leve a sério o que aconteceu dentro de campo. Os erros repetidos hoje precisam ser corrigidos também quando o time jogar "para valer".
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Nenhum time brasileiro que escalar toda a equipe reserva, terá força e efetividade para jogar em alto nível. O Botafogo não é a exceção. Positiva, nem negativa. E ontem, deixou claro contra o pobre Santa Fé, a diferença entre um bom elenco e um bom time reserva.

Contra os colombianos do Santa Fé no primeiro jogo das oitavas de final da Copa Sul-Americana, Caio Júnior mandou a campo apenas dois titulares: o zagueiro Antônio Carlos e o atacante Loco Abreu. Um time totalmente modificado que nivelou por baixo o duelo pouco inspirado no Engenhão.
O Santa Fé usou a experiência para tentar controlar o jogo. Não é um time forte tecnicamente, mas tem algumas boas peças e cancha para disputar o torneio. Destaque para o experiente meia-atacante Galván, de 39 anos, por onde passam todas as jogadas ofensivas. Foi dele o passe para o ofensivo lateral Bernal (que fez o que quis nas costas de Márcio Azevedo na etapa inicial) entrar sozinho na área e deixar o gol vazio para Omar Pérez logo no início do jogo.
O gol aumentou o nervosismo dos reservas do Botafogo e a pequena presente contribuiu com a pressão pegando no pé de alguns jogadores e pedindo ironicamente substituições. O Botafogo encontrava enormes dificuldades, errando demais. Márcio Azevedo foi o pior em campo, Somália fez partida abaixo da crítica e até o bom Felipe Menezes irritou os botafoguenses.
Na etapa final, com a entrada de Elkeson, o time cresceu. Controlou a ansiedade e o jogo. Criou chances e poderia ter virado. Mas conseguiu apenas o empate, com gol do arisco Caio (que tem talento e merece mais tempo de jogo).
O empate não elimina o Botafogo da competição. Mas deixa uma lição. Que é injusto avaliar os reservas jogando com os reservas. O nível, obviamente, cai muito. Até Loco Abreu fez partida muito ruim ontem. Jogando entre os titulares, Márcio Azevedo, Somália, Felipe Menezes, Caio e muitos outros podem ser úteis ao Botafogo. Poupando apenas três ou quatro titulares por vez, Caio Júnior pode manter o Botafogo em alto nível e quem sabe conquistar a vaga na Libertadores pelo caminho mais curto.
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Se acostumar a vencer é saudável. Fazer com que conquistas virem uma rotina faz bem. E neste caso, as glórias parecem atrair ainda mais glórias. Fatos que fazem do Internacional mais uma vez campeão. O segundo título da Recopa, fazem o Inter cada vez mais internacional.

Depois de perder a primeira partida, na Argentina, por 2 a 1, o Inter precisava ser agressivo no jogo da volta, no Beira-Rio. Diante de quase 40 mil pessoas e de mais uma participação destacável da torcida, o time tentou fazer o que devia.
Dorival armou o time no 4-2-2-2 que ele tentou, mas não conseguiu encaixar no Atlético-MG. O Inter começou bem, com D'Alessandro se movimentando bem e Elton se revezando nas subidas ao ataque com Guiñazu. Apesar do início melhor, o Colorado deixava muitos espaços na entrada da área, expondo seus zagueiros.
No 4-4-2 com duas linhas e um time fechado, o Independiente evitava fazer o mesmo. Expor sua dupla de zaga, lenta, pesada e constrangedora, comandada por Gabi Milito, dispensado pelo Barcelona após Guardiola preferir apostar em Busquets, Abidal, Mascherano e muitos outros na posição.
Faltava ao Inter explorar o ponto fraco do adversário. E aí entrava Leandro Damião. Em fase extraordinária, o atacante passou a receber as bolas e disputar com Milito. Ganhou todas. Em duas delas, foi às redes. No primeiro lance, com direito a caneta e finalização de matador. No segundo, com trombada e presença de área.
O resultado do primeiro tempo foi justo, e obrigava o Independiente a atacar mais na etapa final. Foi o que aconteceu. Os argentinos se soltaram pelo lado esquerdo, obrigando Élton a sair para o lado e deixar o tal buraco na entrada da área. Assim, em bola da esquerda para o centro, saiu o gol que levaria o jogo para a prorrogação.
Decisão que era, o jogo ganhou ares de tensão. O Inter tinha mais a bola, mas seguia levando sustos na defesa. A pressão aumentava o nervosismo do time. As mexidas de Dorival, para reoxigenar o ataque não funcionavam principalmente porque Jô entrou muito mal, em outra sintonia. Mas curiosamente, quando o atacante errou bizonhamento o domínio da bola, o goleiro argentino perdeu o tempo da bola e acabou cometendo penalti. Que Kléber bateu para definir o título do Inter.
Vencer é sempre bom. E o Inter sabe valorizar suas conquistas. Outros times brasileiros já ganharam a Recopa e não a trataram com importância. Impecável no marketing, o Inter faz o título parecer fundamental. Sai fortalecido mais uma vez e cheio de moral para o clássico contra o Grêmio, domingo.
Cada vez mais internacional, o Internacional é exemplo a ser seguido. Dentro e fora de campo.
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Bastava olhar o momento dos times, as escalações e principalmente, o retrospecto recente para encarar o Botafogo como favorito óbvio à classificação na Sul-Americana. Principalmente após a vitória por 2 a 1 no primeiro jogo, em Ipatinga, que deu a Caio Júnior o direito de poupar titulares importantes como o meia Renato na segunda partida.

Em campo, no entanto, não se viu a superioridade esperada do Botafogo. Pelo contrário. Com marcação adiantada desde os instantes iniciais, o Atlético-MG teve mais a bola e controlou a partida durante os 90 minutos. Domínio absoluto, mas pouquíssimo efetivo.
Cuca voltou a apostar no 4-2-3-1 contra o Botafogo, mas teve que mudar muito o time em relação à última partida. Algumas mexidas por opção, outras por necessidade. Fato é que o time começou mostrando apetite no meio-campo e não deixava o Botafogo passar do meio-campo.
Embora tenha mantido a estrutura tática do time (também no 4-2-3-1), o Botafogo sentia falta de Renato. Os meias muito afastados dos volantes não recebiam o passe qualificado do jogador, fundamental na saída de bola do time de Caio Júnior. E a bola não chegava.
Apesar da superioridade, o Atlético chegava pouco. Mesmo com a mudança (graças a mais uma contusão de Dudu Cearense) para o 4-1-3-2 ainda mais ofensivo, o time tinha dificuldades na articulação. Richarlyson errava muito pelo lado esquerdo, Caio aparecia pouco e Guilherme se omitia entre os zagueiros, participando pouco.
O jogo praticamente sem finalizações só esquentou nos minutos finais da etapa inicial. Primeiro em cobrança de falta de Elkeson que Renan Ribeiro salvou. Logo depois, em penalti mal marcado de Leonardo Silva em Elkeson (falta fora da área) que Herrera bateu para abrir o placar.
No segundo tempo, o panorama seguiu o mesmo. O Atlético tinha a bola (embora com Elkeson mais participativo o Botafogo parecesse capaz de definir em contra-ataque) mas não conseguia exigir boas defesas de Jéferson. Nem as mexidas de Cuca deram o ânimo que o time precisava para tentar a classificação.
O Botafogo está classificado. Não foi bem, claramente sem encontrar motivação na partida. Segue forte no Brasileiro e tem boas chances de fazer bonito na Sul-Americana.
Quanto ao Galo, melhorou. Mas a passos muito lentos para quem vive a situação delicada atual. Cuca tem 5 jogos e 5 derrotas no comando do clube. E um "divisor de águas", no domingo, contra o Cruzeiro. Para sair da situação e vencer, o time vai precisar de mais criatividade e qualificação ofensiva.
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Impossível colocar nas costas de Cuca qualquer carga de responsabilidade em mais uma derrota do Atlético-MG na temporada. Desta vez, 2 a 1 para o Botafogo, pela Copa Sul-Americana. O técnico deu o primeiro treino na terça e sequer teve tempo para alguma coisa antes de estrear.

O que se viu, porém, foi um time que já buscou algumas características de seu novo treinador, mas que manteve os mesmos erros. Diferente taticamente, idêntico tecnicamente. O principal (e óbvio) problema do Galo não é o treinador, mas sim a falta de qualidade e, principalmente, confiança.
Contra o Botafogo, Cuca escalou o time no 4-3-1-2. Com o que tem, é a melhor opção. Errou apenas por não colocar em campo Filipe Soutto e Guilherme, titulares indispensáveis para o crescimento da equipe.
Os cariocas pouparam três importantes jogadores (Cortês, Renato e Elkeson), mas mantiveram o padrão tático do 4-4-2 e mostraram que Caio Júnior ganhou mesmo um elenco fortalecido para trabalhar. A boa campanha não é obra do acaso.
O que se viu em campo foi um filme repetido. O Atlético errando muitos passes, deixando espaços de sobra e com os dois zagueiros (quase) sempre mal posicionados. No primeiro gol, Patric perdeu a bola, Leonardo Silva não saiu do chão e Réver perdido na área foi incapaz de cortar bola de Herrera que estufou as redes logo no início e aumentou a pressão.
O Atlético passou a errar mais. André batalhava na frente e fazia boa partida, mas não encontrava outro jogador na mesma sintonia. Dorival trocou o vaiado Patric por Wesley, melhorando o setor ofensivo e deixando mais gente próxima do ataque, mas abrindo enorme espaço por onde o Botafogo mais jogava. E no primeiro vacilo, Maicosuel entrou nas costas de Serginho em velocidade, Réver ficou vendido e o botafoguense ampliou.
Se apertasse, o Botafogo poderia aproveitar o momento absolutamente ruim do Galo para golear e decidir a vaga. Contente com o resultado, porém, pisou no freio. Os contra-ataques não sairam e o Galo passou a conseguir ter a bola no ataque. Até diminuir, com Richarlyon, no último lance do primeiro tempo.
Na etapa final, o Galo esboçou pressão, principalmente após a entrada de Berola que reoxigenou o setor ofensivo. Mas esbarrou em Jéferson e no nervosismo para não conseguir pelo menos o empate.
Ainda é cedo para dizer se Cuca vai "dar jeito" ou não no time atleticano. Fato é, que mais do que mudanças táticas ou de peças, o Galo precisa de confiança e treinos técnicos. No início de seu trabalho no Cruzeiro, Cuca privilegiou o sistema defensivo e venceu partidas em sequência pelo placar mínimo. Me parece o mais correto a ser feito neste momento no Atlético. O melhor ataque, é a defesa.
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O Goiás deveria ter entrado em campo para salvar o ano na final da Sul-Americana. Uma vaga na Libertadores de 2011, garantiria investimentos que deixariam o time já favoritíssimo na Série B do ano que vem. O que se viu nos primeiros minutos porém, foi um time assustado, acuado, aceitando a pressão de um Independiente tradicional mas pouco qualificado que também surpreendeu por chegar à decisão.

Os brasileiros só acordaram após o gol marcado por Velázques, aos 16 minutos. E empataram logo na sequência com o incrível Rafael Moura, que assumiu a responsabilidade e carregou o time nas costas para se consagrar artilheiro da competição.
Daí em diante, o Goiás foi quase sempre superior na partida. Mas errou em lances capitais, na indecisa marcação sobre Parra, que marcou dois gols estranhos que deixaram o confronto igual.
Assim como na partida do Serra Dourada, mais do que tecnicamente, o Goiás superou o adversário fisicamente. Com 15 minutos da etapa final, os argentinos estavam pregados. E novamente, os goianos não conseguiram retratar em gols a superioridade. Rafael Moura perdeu algumas boas oportunidades. Já na prorrogação, Rafael Tolói acertou a trave. Azar? Talvez.
E o jogo acabou decidido nos penaltis. Os argentinos, frios e copeiros, acertaram as cinco cobranças. Felipe, símbolo dos piores momentos do Goiás na temporada, acertou a trave.
Independiente novamente no topo da América. O maior campeão da Libertadores estará de volta ano que vem. Assim como o Grêmio, outro tradicional sul-americano que garantiu ontem definitivamente sua vaga no principal torneio do continente.
Ao Goiás, cabe colocar a cabeça no lugar. E voltar ao trilho natural. O lugar do esmeraldino é na elite do futebol nacional.
No primeiro jogo da semifinal da Copa Sul-Americana, Goiás e Palmeiras não empolgaram. Pelo contrário. O jogo foi fraco, truncado e de poucas chances. Mesmo em casa, o Goiás preferiu apostar nos contra-ataques. O Palmeiras não quis se expor. E o excesso de faltas no meio-campo impedia que o que acontecia em campo pudesse ser chamado de futebol.

O jogo só não terminou em um zero a zero modorrento porque o Palmeiras tem um jogador especial: Marcos Assunção. Foi dele (em mais um belo chute de fora da área) o único gol do jogo, que deixa o Palmeiras muito perto de mais uma decisão internacional sob comando de Felipão.
O Palmeiras foi o mesmo time das últimas partidas. Muita vontade, muito suor, pouco futebol. Kléber luta mas produz pouco. Lincoln, assim como Valdívia, sofre com os problemas físicos. Mas a manutenção do bom futebol de Marcos Assunção é um alívio. É a salvação.
Dos últimos 20 gols marcados pelo Palmeiras, Marcos Assunção marcou 6. E deu passe para outra meia-dúzia. 12 gols com participação do volante artilheiro. Assunção marcou um tento em cada uma das fases da Sul-Americana. Fundamental para levar o Palmeiras até a semifinal (e quem sabe até a decisão). Sem ele no Brasileirão, a equipe poderia ainda estar sofrendo com a ameaça do rebaixamento.
Quanto ao Goiás, jogará suas últimas fichas do ano em São Paulo. Praticamente rebaixado no Brasileiro, o time voltou a sofrer quando teve a obrigação de atacar. Rafael Moura é bom, e quase tão importante para o time quanto Assunção. Mas não vai resolver sempre.
Se o confronto feio e equilibrado parece estar perto de definido, deve-se a ele e seus chutes implacáveis: Marcos Salvação Assunção.
Vencer é sempre muito bom. Quando a moral está baixa então, nem se fala. Por isso, considero acertada a decisão do Avaí de mandar a campo o time principal na Sul-Americana. O momento não é de descanso ou de treino. É de vencer e ganhar moral. E certamente, o time sai fortalecido para voltar ao Brasileirão depois da virada de ontem sobre o Emelec.

Mas não foi fácil e teve cara de drama. Principalmente quando Rojas abriu o placar logo aos dois minutos. A impressão neste momento era que o Avaí era incapaz de vencer qualquer adversário, fosse ele quem fosse.
Aos poucos porém, os donos da casa com o apoio da torcida, percebeu que não era bem assim. O Emelec passou a fazer cera antes dos 15 minutos iniciais e o Avaí resolveu jogar. Percebeu que era melhor e buscou o jogo. O crescimento veio devagar, mas chegou.
E quando chegou ao seu topo, no início do segundo tempo, foi avassalador. Três gols em oito minutos: Roberto, Eltinho e Émerson. A virada e o resultado que o time precisava para se classificar. Foi a vez do fraco Emelec tentar sair para o jogo (sem nenhuma organização) e do Avaí, mesmo nervoso se defender.
No fim, a classificação dá moral ao grupo. E recupera um pouco a confiança da torcida. Que aliás, será fundamental para o time na reta final. O Avaí, sempre temido dentro de casa, tinha perdido o respeito dos adversários.
Somar pontos no Brasileirão é fundamental e não pode tardar. Mas vencer, independente de qual competição seja, já é um alento para uma equipe que parecia ter perdido o gosto pela vitória.
Não foi só o Atlético-MG que garantiu a classificação para a próxima fase da Copa Sul-Americana. Os outros dois brasileiros que entraram em campo ontem, também conseguiram se firmar na próxima fase. Falta apenas o Avaí, que joga hoje, para definir o 100% do Brasil nas oitavas da competição.

A tarefa mais difícil foi a do Goiás. O time começou bem contra o tradicional (mas fraco) Peñarol. Suportou a pressão dos minutos iniciais e conseguia sair com qualidade para os contra-ataques. Abriu o placar em golaço do injustiçado Rafael Moura (que fez o gol e saiu vaiado de campo na primeira partida) e parecia ter a classificação muito bem encaminhada.
Mas em jogos internacionais, contra adversários de peso, é proibido vacilar. Bastou o recuo excessivo no fim do primeiro tempo para a pressão dos uruguaios e a virada ainda nos primeiros 45 minutos. Com Éverton Santos no segundo tempo, Jorginho pretendia aumentar a velocidade e segurar a bola no campo ofensivo. Não adiantou pois o atacante foi expulso (exageradamente) minutos depois de entrar em campo.
A pressão do Peñarol (que precisava de mais um gol) crescia a cada instante até que Carlos Alberto aproveitou sua velocidade para empatar o jogo. A classificação estava bem encaminhada. Mas não impedia que o time levasse um sufoco (e mais um gol) nos minutos finais. Classificação importante para o Goiás, que cresce com Jorginho no comando. Mas que, assim como o Atlético-MG, deveria preocupar-se mais com o Brasileirão.
No outro jogo, o Palmeiras não teve dificuldades para vencer o Universitário de Sucre por 3 a 1. Já havia vencido o primeiro jogo por 1 a 0 e se classificou com facilidade. Só assisti ao segundo tempo do jogo em Barueri, quando o destino das equipes já estava selado.
Vale constar, porém, que o time de Felipão vai se encaixando aos poucos. Apenas uma derrota nos últimos 10 jogos e o crescimento de jogadores importantes, como Marcos Assunção (que desta vez não marcou de falta), Valdívia e Kléber. Sem falar no cada dia melhor, lateral Gabriel Silva.
Diferentemente dos outros concorrentes, para o Palmeiras a Sul-Americana vale muito. Com uma situação tranquila (mas até certo ponto distante da disputa) no Brasileirão, o caminho para a Libertadores pode ser mais tranquilo para o alvi-verde na competição internacional. Qualidade para isto o time já provou que tem. E apesar de estar na chave mais difícil, com a experiência de Felipão, tem tudo para comemorar no fim do ano.
Este é um dos jargões mais verdadeiros que conheço sobre futebol. Não se faz um bom time sem um bom goleiro. E longe de mim dizer que o Atlético-MG tem hoje um grande time (principalmente após o jogo de ontem). Mas se o torcedor do Galo tem esperanças hoje, de ver o time bem ainda este ano, muito disto passa pela segurança e pelas boas atuações do garoto Renan Ribeiro.

É preciso relativizar a atuação e o jogo de ontem contra o colombiano Santa Fé. Depois de fazer 2 a 0 (e desperdiçar um caminhão de gols) na primeira partida, Dorival optou - de forma certeira - por manter os titulares treinando em BH para o clássico contra o Cruzeiro e mandou a Bogotá um time quase totalmente reserva (além de Renan Ribeiro, Alê e Fernandinho vêm sendo titulares do time principal).
Sem treino, com alguns jogadores fora de ritmo e encarando a altitude, não dava para esperar muita coisa do time atleticano. A decepção ficou por conta do fraquíssimo Santa Fé, que lidera o Campeonato Colombiano. Apesar de jogar de maneira ofensiva, o time não tinha qualidade no meio e atacantes afobados, que chutavam de qualquer maneira para o gol.
Por isso, em alguns momentos parecia jogo de várzea. Os erros de passe saíam um atrás do outro. O Galo tinha campo, mas não conseguia contra-atacar porque Alê e Méndez não acertavam passes de 10 metros. O Santa Fé tinha a bola, mas não tinha condições técnicas para fazer muita coisa com ela.
No fim, no meio de um festival de finalizações toscas, uma bola indefensável e várias boas defesas de Renan Ribeiro, que garantiram o 1 a 0 para os donos da casa e a classificação do Galo para a próxima fase.
Pensar em vencer a Copa Sul-Americana hoje é utópico para um time que ainda precisa de muito para se acertar. Mas um bom início para ter um fim de ano feliz, o Atlético-MG já tem. E seu nome é Renan Ribeiro.
Vencer é sempre bom. Essencialmente importante quando se está mal psicologicamente, pressiondo por uma sequência ruim de resultados. Por isso, é inegável que a vitória de ontem é importante para o Atlético-MG. Dá moral e ânimo, que serão essenciais para brigar por algo maior e muito mais difícil do que bater o fraco Santa Fé da Colômbia: deixar a zona de rebaixamento.

Não dá para avaliar a atuação do Galo contra um adversário que não tem a mesma condição técnica. Os donos da casa foram superiores durante toda a partida (exceto pelos 10 primeiros minutos do segundo tempo), perderam alguns gols por falta de confiança e perderam uma boa chance de conseguir uma goleada que daria tranquilidade para o jogo da volta, fora de casa.
De toda forma, ficam algumas boas situações para animar o torcedor atleticano para a sequência da temporada. Aos poucos o time vai encorpando. Mesmo que lentamente, o ranso da época de Luxemburgo parece vai ficando para trás. Diego Souza (finalmente escalado em sua posição) começa a render mais e ajudar o time. Obina reencontrou o gol. Renan Ribeiro se firmou definitivamente como um seguro titular na contestada baliza. E o Departamento Médico aos poucos deve esvaziar-se.
Nada disso adiantará, porém, se o time não conseguir a permanência na Série A. Que passa, diretamente, por uma vitória convincente contra o adversário direto que vive o pior momento ao lado do Grêmio Prudente. A final do Galo é domingo, contra o Avaí.
Pretendia fazer dois posts separados sobre os assuntos. Afinal, eles mereciam. Mas como passei a manhã sem internet, resolvi uni-los em um só. Afinal, falam mais ou menos sobre a mesma coisa. Ídolos. Aqueles do passado (que também são do presente) e que se eternizam. E aqueles, candidatos, que precisam de espaço e de escolhas certas para de fato, tornarem-se.

O primeiro caso é o de Marcos. O goleiro completou ontem 500 jogos com a camisa do Palmeiras. Marca de dar inveja aos jogadores que trocam de clube duas vezes por ano nos tempo modernos. Marcos é uma raridade e um baita exemplo. Um jogador líder, sem papas na língua e sem discursos prontos. Imprevisível, na acepção da palavra.
Marcos ganhou muita coisa na carreira. Foi titular e decisivo na seleção brasileira, campeã mundial em 2002. E mesmo quando estava no auge da carreira, resolveu ficar no Palmeiras e disputar com o clube a Série B. E mesmo depois de tanta história, ainda sofre nas derrotas e comemora as vitórias como um garoto.
Foi assim ontem. Nada mais justo do que uma vitória épica quando o jogador completava os 500 jogos. Uma improvável virada sobre o Vitória, na Sul-Americana. Depois de perder o primeiro jogo por 2 a 0, e cheio de desfalques, o time conseguiu o 3 a 0 com o último gol saindo no finalzinho da partida. Não entrarei em detalhes do jogo pois, a esta altura, todos já assistiram os gols e leram bastante a respeito.

Quem também deu um largo passo para entrar no hall dos ídolos ontem foi Neymar. O garoto rejeitou a proposta milionária do Chelsea e disse que ficará no Santos. Uma escolha precisa e perfeita. Neymar ainda é muito jovem, tem muito a evoluir por aqui e tempo de sobra para ganhar dinheiro no exterior.
O Santos investiu pesado para manter um jogador. Dá uma clara demonstração de que está disposto a mudar muitas coisas no futebol brasileiro. Aliás, Luís Álvaro Oliveira vai fazendo um trabalho digno de livro no clube paulista.
Antes de mais nada, quero deixar claro que, do ponto de vista do clube, acho a decisão extremamente perigosa. Não são raros os casos de jogadores que não foram vendidos no auge e depois renderam pouco ou nenhum dinheiro para o clube. Neymar pode ser mais um, por mais que hoje pareça improvável.
De toda forma, a notícia é ótima para o futebol brasileiro que ganha a qualidade de um "quase-ídolo" que tem tudo para se eternizar nos próximos anos.
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As derrotas de Santos e Grêmio, ontem, pela Sul-Americana escancararam o enorme trabalho que terão pela frente o técnico dos dois times. O primeiro, pela transformação que passará. O segundo, pela mudança de técnico e pelo momento extremamente conturbado.

Renato Gaúcho mal chegou à Porto Alegre e já fez seu primeiro jogo como novo comandante do Grêmio. Derrota por 2 a 0 para o Goiás, num jogo bem fraco tecnicamente. Depois de começar melhor e abrir o placar, os goianos poderiam ter matado o jogo. Erraram demais no ataque e não aproveitaram os enormes espaços que o Grêmio deixava, principalmente no lado esquerdo. Na etapa final, na base do abafa, os donos da casa tentaram o empate que levaria o jogo para os penaltis. Conseguiram, com André Lima. Gol muito mal anulado por Paulo César Oliveira (que cada vez mais parece um grande pára-raio de confusões). O desânimo após o tento anulado foi geral e o Goiás ainda acabou marcando o segundo e matando de vez o jogo.
O Grêmio vive um momento conturbadíssimo. Que fica ainda pior quando comparado com o Inter, no G-4 do Brasileirão, finalista da Libertadores e classificado para o Mundial. Renato Gaúcho vai ter muito trabalho. O time é ótimo, mas vive um momento técnico ruim e parece extremamente desmotivado. Um choque de ânimo é necessário e urgente. Quanto ao Goiás, classificado, é melhor não se iludir. O time é fraco e vai sofrer no Brasileirão. Porém, a classificação em outro campeonato fará bem.
No outro jogo, o Santos acabou derrotado (também em casa) pelo Avaí por 3 a 1. No primeiro jogo após a final da Copa do Brasil, o time já não contou com Robinho e André. Ganso e Neymar ainda ficaram no banco, graças à seleção. Bom para Dorival Júnior ver o que vem pela frente. A tendência é que Neymar acabe mesmo indo para o Chelsea (infelizmente, pois ainda é cedo, e o jogador não tem perfil para jogar na Inglaterra). Wesley também não deve ficar. O time fantástico do primeiro semestre deverá ser desmontado. É a realidade do Brasil, por pior que seja.
O Santos tem algumas boas peças e trouxe o bom Keirrison. Mas para quem se acostumou com shows no primeiro semestre, Dorival terá uma baita dor de cabeça para manter o altíssimo nível. Diferente do Avaí: sério, bem treinado e mais uma vez disposto a fazer campanhas sem sustos.
Tentar justificar uma campanha abaixo da crítica depois de tantos investimentos pela sorte (ou falta dela) é no mínimo duvidar da inteligência do torcedor. Sorte ou azar fazem parte do jogo, mas não influem no resultado de um campeonato inteiro. Mas, se a tal manteiga que caía para sempre para baixo era o motivo dos resultados ruins no Brasileirão, dá para "culpar" o pão pela classificação do Atlético-MG na Copa Sul-Americana.

Contra o Grêmio Prudente, mais uma vez o Galo fez um jogo ruim. Com muitos desfalques, mas pegando um adversário desmotivado pela saída do treinador horas antes do confronto, esperava-se um Atlético incisivo em busca da vitória. O time escalado por Luxemburgo, porém, não colaborou.
Outra vez, Diego Souza foi deslocado para o ataque onde já provou que não rende. O esquema com três zagueiros também voltou a funcionar mal, principalmente devido ao baixo rendimento dos dois alas (especialmente Fernandinho). A situação ficava ainda pior porque Ricardinho fazia partida apagada e Serginho errava passes seguidos.
Com três homens no ataque, o Prudente tentava anular a sobra atleticana e surpreender no contra-ataque. Mas a ligação do meio-campo não funcionava, dificultando a chegada com velocidade ao gol dos donos da casa.
O jogo fraco, com poucas oportunidades, melhorou quando Neto Berola entrou no lugar de Jairo Campos. Recuando Diego Souza e abrindo um atacante de velocidade pelos lados, o Galo ganhou uma opção melhor. Aliás, é injustificável neste momento, Berola ficar no banco.
A pressão que os mineiros fizeram (principalmente no segundo tempo) surtia pouco efeito principalmente pela pouca criatividade no meio. Diego Souza é um jogador de força e técnica, mas não de passes brilhantes. Ricardinho, o homem que poderia fazer algo diferente, estava mal no jogo. Cabia apenas a Berola tentar alguma coisa.
E em uma jogada iniciada por ele pelo lado direito, saiu o gol de Ricardinho aos 47 minutos, evitando a disputa de penaltis. Sinal de sorte? Sinal de novos tempos? Pode ser.
Mais importante do que brilhar, era vencer. A temporada do Atlético estava em jogo ontem. O sonho de vencer a Sul-Americana e conquistar a vaga na Libertadores manterá o time motivado e aceso. Mas é necessário saber que a sorte não pode decidir o futuro de um time tão caro. A hora de jogar o mínimo já passou há pelo menos quinze dias.
O Palmeiras de Felipão perdeu mais uma. Na verdade, foi apenas a segunda derrota após a chegada do treinador. Mas após sete jogos, o alviverde segue sem vencer sob a batuta do novo comandante. Bom para o Vitória, que esqueceu de vez o vice da Copa do Brasil abrindo uma margem interessante para buscar a classificação na Copa Sul-Americana.

Num gramado que não suporta o excesso de jogos pelo qual está passando na temporada, a qualidade técnica do jogo ficou comprometida. Ainda mais quando se olha para o time do Palmeiras. Felipão apostou no 4-4-2 com quatro volantes no meio-campo. Sem Lincoln e Kléber, e com Valdívia ainda distante de estrear, não dava para esperar muita coisa do Palmeiras.
O 2 a 0 acabou sendo um resultado justo. E ótimo para os baianos, que estrearam o surpreendente Toninho Cecílio. O eterno Ramón fez o primeiro, de falta. Neto Coruja marcou o segundo no fim da partida. Uma boa vantagem para um time que com os reforços que ainda vão entrar, vai encorpar e ganhar força. Bem trabalhado, pode fazer uma temporada 2010 muito acima das expectativas.
Já o Palmeiras, precisa se acertar logo. Felipão precisa de um tempo que ele não tem. Os reforços ainda vão entrar na equipe, mas já tinham que estar entrosados e prontos. O elenco é fraco. O desafio de Scolari certamente é muito maior do que ele imaginava. E as vitórias, não podem demorar (mais) a aparecer.
Começou ontem para os brasileiros a Copa Sul-Americana. O novo caminho mais curto para a Copa Libertadores. A promessa da Conmebol de dar uma vaga ao campeão do torneio na competição mais importante do continente valorizou bastante a disputa. Tanto é que Grêmio Prudente e Atlético-MG, entraram em campo ontem com o que tinham de melhor.

Por isso, o jogo começou agitado. Nos primeiros 15 minutos, os mineiros conseguiam chegar com facilidade ao ataque, principalmente nas investidas de Daniel Carvalho. Aos poucos, porém, os donos da casa encaixaram a marcação no meio-campo e passaram a ter a bola. O Galo errava passes demais e não conseguia dar sequência as jogadas. Diego Souza, de volta ao meio-campo, pouco aparecia. Diego Tardelli só pegava na bola quando voltava para buscar o jogo, mas errava demais.
No 4-4-2, o time mineiro voltou a dar muitos espaços na defesa. Os lentos zagueiros sofriam com as enfiadas de bola para Wanderley e Wesley. Como não conseguia sair jogando, o Atlético-MG sofria com a pressão do Prudente. Não fosse o pouco capricho nas finalizações e a ótima atuação de Fábio Costa, os paulistas poderiam ter aberto boa vantagem.
Acertada a marcação na etapa final, e principalmente, melhorando o passe na saída de bola, o Atlético equilibrou o jogo, que perdeu em emoção. Depois de um primeiro tempo movimentado, o jogo ficou marcado por muita disputa na zona central e poucas chances de gol. No fim, o 0 a 0 acabou sendo um resultado justo e deixa a vaga para ser decidida na semana que vem, no Ipatingão.
O Galo é favorito, mas precisa jogar mais. Aliás, o time dá sinais que ainda vai demorar para se encaixar. O ataque marcou apenas um gol nos últimos 497 minutos. Não balança as redes a 353 minutos. Além disso, o mais lúcido em campo ontem (Daniel Carvalho) acabou saindo lesionado e preocupa assim como a situação da equipe como um todo.
Quanto ao Grêmio Prudente, tem um time muito bem montado. Toninho Cecílio me surpreende positivamente como técnico. Mas a equipe depende de atuações melhores de Deyvid Sacconni e Wanderley, os jogadores que podem decidir, para chegar aos bons resultados.