Se acostumar a vencer é saudável. Fazer com que conquistas virem uma rotina faz bem. E neste caso, as glórias parecem atrair ainda mais glórias. Fatos que fazem do Internacional mais uma vez campeão. O segundo título da Recopa, fazem o Inter cada vez mais internacional.

Depois de perder a primeira partida, na Argentina, por 2 a 1, o Inter precisava ser agressivo no jogo da volta, no Beira-Rio. Diante de quase 40 mil pessoas e de mais uma participação destacável da torcida, o time tentou fazer o que devia.
Dorival armou o time no 4-2-2-2 que ele tentou, mas não conseguiu encaixar no Atlético-MG. O Inter começou bem, com D'Alessandro se movimentando bem e Elton se revezando nas subidas ao ataque com Guiñazu. Apesar do início melhor, o Colorado deixava muitos espaços na entrada da área, expondo seus zagueiros.
No 4-4-2 com duas linhas e um time fechado, o Independiente evitava fazer o mesmo. Expor sua dupla de zaga, lenta, pesada e constrangedora, comandada por Gabi Milito, dispensado pelo Barcelona após Guardiola preferir apostar em Busquets, Abidal, Mascherano e muitos outros na posição.
Faltava ao Inter explorar o ponto fraco do adversário. E aí entrava Leandro Damião. Em fase extraordinária, o atacante passou a receber as bolas e disputar com Milito. Ganhou todas. Em duas delas, foi às redes. No primeiro lance, com direito a caneta e finalização de matador. No segundo, com trombada e presença de área.
O resultado do primeiro tempo foi justo, e obrigava o Independiente a atacar mais na etapa final. Foi o que aconteceu. Os argentinos se soltaram pelo lado esquerdo, obrigando Élton a sair para o lado e deixar o tal buraco na entrada da área. Assim, em bola da esquerda para o centro, saiu o gol que levaria o jogo para a prorrogação.
Decisão que era, o jogo ganhou ares de tensão. O Inter tinha mais a bola, mas seguia levando sustos na defesa. A pressão aumentava o nervosismo do time. As mexidas de Dorival, para reoxigenar o ataque não funcionavam principalmente porque Jô entrou muito mal, em outra sintonia. Mas curiosamente, quando o atacante errou bizonhamento o domínio da bola, o goleiro argentino perdeu o tempo da bola e acabou cometendo penalti. Que Kléber bateu para definir o título do Inter.
Vencer é sempre bom. E o Inter sabe valorizar suas conquistas. Outros times brasileiros já ganharam a Recopa e não a trataram com importância. Impecável no marketing, o Inter faz o título parecer fundamental. Sai fortalecido mais uma vez e cheio de moral para o clássico contra o Grêmio, domingo.
Cada vez mais internacional, o Internacional é exemplo a ser seguido. Dentro e fora de campo.
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Desde que fez o primeiro gol da decisão, em São Januário, o Vasco armou a proposta que manteve até o fim da Copa do Brasil. Marcação forte no meio e time jogando nos contra-ataques. Ainda no primeiro jogo, ficou visível que faltava algo. No segundo, não. Éder Luís foi a "flecha" que o Vasco precisava, decisivo na conquista vascaína.

Antes de mais nada, é preciso dizer duas coisas sobre a partida em Curitiba. A primeira, que foi digna de mais uma grande decisão da Copa do Brasil. Jogo aberto, com todos os ingredientes e dramático até o último minuto. O Coxa engrandeceu demais o título vascaíno. A segunda, é ressaltar a importância de Ricardo Gomes. No início do ano, após campanha bizarra na Taça Guanabara, não havia quem apostasse um real no Vasco. Reconstruído e campeão.
É fato que o Coritiba sentiu os desfalques. Com Anderson Aquino suspenso e Marcos Aurélio ainda sem as condições para suportar 90 minutos, Marcelo Oliveira se viu obrigado a desmontar o esquema que funcionou tão bem até aqui. No 4-3-2-1 "árvore de natal", o time começou com marcação adiantada tentando pressionar o adversário. Levou perigo em falta bem cobrada por Jonas e crescia no jogo. Mas bastou um descuido...
E Diego Souza foi o arco que lançou a flecha Éder Luís. O atacante disparou em velocidade e teve paciência para encontrar Alecsandro no momento certo. Sozinho, o iluminado atacante abriu o placar para o Vasco.
Demorou até que o Coritiba conseguisse se recompor do golpe. Aos poucos, o time voltou ao jogo, mas não conseguia ameaçar o adversário. Marcelo Oliveira, fez o que podia fazer. Colocou Leonardo em campo para tentar abafar o adversário. Sabia da importância de no mínimo empatar na etapa inicial. Pouco depois, antes mesmo da substituição surtir algum efeito, Bill empatou em falha da defesa do Vasco.
O roteiro sairia melhor que a encomenda. Davi, engolindo o perdido Eduardo Costa, aproveitou rebote de Fernando Prass e inaceitavelmente sozinho dentro da área fez o segundo dos donos da casa no último lance do primeiro tempo. O caldeirão formado pela torcida do Coritiba no Couto Pereira era daqueles de arrepiar qualquer um.
O segundo tempo começou com mais discussão do que futebol. Sálvio Espíndola, apaziguador em excesso, esteve perto de perder o comando do jogo. Que esfriou depois que Éder Luís, de novo, achou espaço da entrada da área e acertou uma flechada que Édson Bastos aceitou. Apesar do efeito, gol inaceitável. E que deixou o Vasco perto demais do título.
Embora novamente abatido pelo gol sofrido, o Coritiba seguiu mais organizado. Era um time que sabia o que queria e que só desfez sua organização nos minutos finais, já na base do desespero. O Vasco, errava demais na defesa. Dedé era mais emoção do que razão. Anderson Martins marcava de longe. Eduardo Costa não conseguia acompanhar ninguém.
E o Coxa pressionou, com raça incansável, até William marcar um golaço da entrada da área e deixar o jogo absolutamente aberto mais uma vez. Seguiu pressionando e teve lance duvidoso de Dedé sobre Leonardo (ao meu ver, penalti). Tentou até o último minuto, com Édson Bastos e cia na área vascaína. Mas não conseguiu o gol que lhe daria o título.
Não há motivos para tristeza no Coxa branca. Apenas para frustação. A belíssima campanha eleva o time ao lugar que merece. A reconstrução foi rápida e o trabalho precisa seguir para que o time siga brigando entre os mais importantes times do país.
O Vasco é o merecido campeão. Correu riscos desnecessários, mas fez grande jogo. Impossível dizer que o time voltou a ser grande. Nunca deixou de ser. Aliás, é preciso citar o crescimento do futebol carioca. De 2006 para cá, são 3 Copas do Brasil e 2 Campeonatos Brasileiros. Mesmo sem a estrutura ideal, mesmo desorganizados, mesmo dados como acabados. Porque são gigantes os clubes do Rio e isto faz toda a diferença.
Título justo e importante para o sensacional Roberto Dinamite.
Título justo e importante para o sereno Ricardo Gomes.
Título justo e importante para a "flecha" decisiva, Éder Luís.
Título do gigante Vasco da Gama.
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A dinâmica interessante do futebol fez da partida final do Campeonato Mineiro um jogo de prognóstico impossível. A decisão de ficar "em cima do muro" mostrou-se certeira no jogo que deu o título ao Cruzeiro, com gols marcados no fim da partida.

Durante praticamente todos os 90 minutos na Arena do Jacaré, o panorama foi o mesmo dos minutos finais da primeira partida decisiva: o Cruzeiro tentava atacar, não com a mesma desenvoltura de outras partidas. O Galo se defendia e esperava a chance para definir o jogo. E a chance veio, já no meio do segundo tempo quando Magno Alves saiu na cara do gol e hesitou à frente de Fábio. Naquele momento, o gol alvinegro seria fatal.
Antes disso, o Cruzeiro já martelava. Mas insistia nas bolas aéreas, que facilitavam para Leonardo Silva, e sentia falta de presença na área. O Cruzeiro tinha a bola porque melhorou a marcação em relação ao primeiro jogo. Leandro Guerreiro foi muito bem à frente da defesa. Marquinhos Paraná deu segurança ao lado direito, principalmente enquanto Mancini esteve em campo. Gil fez partida perfeita, ganhando na raça e no posicionamento a maioria das bolas.
O Atlético tinha a proposta do contra-ataque mas faltava o arco. A flecha, Magno Alves, só recebeu uma vez em condições de marcar (lance já citado). A proposta de fechar o time funcionou e deu ao adversário poucas chances de marcar. Mas embora Giovanni seja ótimo jogador e tenha futuro grandioso pela frente, não tem a bola longa que o time precisava para surpreender o Cruzeiro.
O jogo equilibrado só foi decidido quando Walyson (um dos piores em campo) mostrou estrela mais uma vez e acertou o canto de Renan Ribeiro. Àquela altura, os garotos de Dorival Júnior acusaram o golpe e já não restavam tempo nem alternativas para reverter a vitória cruzeirense. Pouco depois, Gilberto ainda deu o golpe de misericórdia, gol de quem provou novamente em campo sua qualidade.
Embora fique o sentimento de tristeza pela perda de um título que esteve tão perto, o Galo tem motivos para manter a cabeça erguida. Há um mês era inimaginável que o time pudesse bater de frente com seu principal rival como fez. Talvez por isto, tenha perdido a oportunidade de atacar o adversário e definir o confronto quando era mais forte tática e psicologicamente. Se precisa de mais para poder de fato brigar pelo título ou pelas primeiras posições no Brasileiro, fica o alento pela garotada que segurou a barra e deu padrão à equipe em momento de turbulência. O trabalho de recuperação de Dorival junto aos jovens é inquestionável.
O Cruzeiro comemora o título com gosto amargo. Sabe que poderia mais no semestre, especificamente na Libertadores. A dinâmica do futebol, citada no início do texto, faria do time que encantou o país um time esquecido e sem valor caso perdesse a decisão. Natural. Assim como é natural que o campeão mineiro entre com a base mantida, como forte candidato em mais um Brasileirão.
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Ainda não pude ver o Coritiba em campo nenhuma vez em 2011. Uma pena. Pelos números, assistir o Coxa deve ser uma oportunidade irresistível e que deixa lembranças. Nada mais justo, para um time de campanha irretocável do que comemorar.

Mesmo sem ter visto o time jogar, não é difícil afirmar que o bicampeonato estadual antecipado é mais do que justo. Afinal, foram 19 vitórias e 2 empates nos 21 jogos até aqui. Aproveitamento de quase 95%. No segundo turno, foram 10 jogos e 10 vitórias. A última, um incontestável 3 a 0 no maior rival (Atlético-PR) em plena Arena da Baixada.
Falta ainda uma rodada no Campeonato Estadual. Antes, o time vai confirmar a vaga nas quartas-de-final da Copa do Brasil (goleou o Caxias por 4 a 0 no primeiro jogo e dificilmente terá a vantagem revertida). Depois, o time parece não ter limites para sonhar.
Marcelo Oliveira aproveita bem o ótimo trabalho iniciado por Ney Franco. Foi indicado pelo ex-técnico do Coritiba e retribuiu a confiança vencendo a desconfiança da torcida. Faz ótimo trabalho com um elenco que não tem estrela alguma. Mas tem bons jovens valores e jogadores identificados com a história do clube como Tcheco e Marcos Aurélio.
Não acho que o Coritiba seja "o melhor time do país" embora tenha os melhores números. Não acho que o Coritiba seja o favorito ao título da Copa do Brasil muito menos do Campeonato Brasileiro. Mas é impossível não exaltar a campanha histórica do início de 2011.
Uma hora, a primeira derrota do ano virá. Para quem já sofreu com a queda para a Série B em 2009, não me parece um trauma insuperável. O Coritiba finalmente tem todo o direito de voltar a sonhar. E deve pensar grande, como é.
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O Goiás deveria ter entrado em campo para salvar o ano na final da Sul-Americana. Uma vaga na Libertadores de 2011, garantiria investimentos que deixariam o time já favoritíssimo na Série B do ano que vem. O que se viu nos primeiros minutos porém, foi um time assustado, acuado, aceitando a pressão de um Independiente tradicional mas pouco qualificado que também surpreendeu por chegar à decisão.

Os brasileiros só acordaram após o gol marcado por Velázques, aos 16 minutos. E empataram logo na sequência com o incrível Rafael Moura, que assumiu a responsabilidade e carregou o time nas costas para se consagrar artilheiro da competição.
Daí em diante, o Goiás foi quase sempre superior na partida. Mas errou em lances capitais, na indecisa marcação sobre Parra, que marcou dois gols estranhos que deixaram o confronto igual.
Assim como na partida do Serra Dourada, mais do que tecnicamente, o Goiás superou o adversário fisicamente. Com 15 minutos da etapa final, os argentinos estavam pregados. E novamente, os goianos não conseguiram retratar em gols a superioridade. Rafael Moura perdeu algumas boas oportunidades. Já na prorrogação, Rafael Tolói acertou a trave. Azar? Talvez.
E o jogo acabou decidido nos penaltis. Os argentinos, frios e copeiros, acertaram as cinco cobranças. Felipe, símbolo dos piores momentos do Goiás na temporada, acertou a trave.
Independiente novamente no topo da América. O maior campeão da Libertadores estará de volta ano que vem. Assim como o Grêmio, outro tradicional sul-americano que garantiu ontem definitivamente sua vaga no principal torneio do continente.
Ao Goiás, cabe colocar a cabeça no lugar. E voltar ao trilho natural. O lugar do esmeraldino é na elite do futebol nacional.
O final do Campeonato Brasileiro de 2010 veio com uma sensação estranha. Pela primeira vez desde que me entendo por gente (ou que me entendo como amante do futebol) não acompanhei nada. Estava dentro do avião, curtindo meus últimos momentos de férias (que inclusive fizeram este blog ficar sem texto algum por 15 dias) quando os clubes decidiam título, Libertadores e rebaixamento.

Por isso, a análise sobre o título do Flu veio tarde (dois dias depois) e virá com menos análise do que o comum.
Mas claro que o Marcação Cerrada não deixaria um fato tão importante passar em branco. Ou melhor, vai passar em branco. Mas branco, verde e grená.
Demorou 26 anos a agonia tricolor. Que tantas vezes bateu na trave. O grito "campeão" que ficou preso após a sofrida final da Libertadores contra a LDU só pôde ser liberado no último domingo. O sofrimento dos "99%" de chances do rebaixamento em 2009, ficou para trás com o alívio do título em 2010.
O Fluminense é mais um justo campeão brasileiro nos pontos corridos. Afinal, não dá para declarar injusto que o campeão seja o time que teve a melhor defesa, o maior saldo de gols, o terceiro melhor ataque e o maior número de vitórias após 38 rodadas.
Flu que sofreu com a difícil adaptação de contratações que vieram para resolver como Belletti e Conca. Que sofreu com o excesso de lesões e as longas ausências de Diguinho, Fred e Émerson. Mas que soube se reinventar, reencontrar as vestimentas de guerreiros usadas nas rodadas finais do último Brasileirão e buscar o título.
Mais um tricolor campeão nas mãos de Muricy Ramalho. Tetra-campeão brasileiro. Quatro primeiros lugares e um segundo nos últimos seis campeonatos. Um vencedor, que independente dos métodos (que não agradam a este que vos escreve) combate com títulos qualquer possível crítica quanto ao seu trabalho.
Demorou, mas o Fluminense reencontrou o lugar cimeiro do pódium. E dali, não parece disposto a sair tão cedo.
O hino do Internacional de Porto Alegre ficou pequeno para tantas glórias. O time deixou de ser "apenas" orgulho nacional há pelo menos cinco anos. As fronteiras do Brasil ficaram pequenas para o Colorado. Assim como o Beira-Rio deve ficar em breve, para abrigar tantas conquistas. Esta é a história do Inter, cada vez mais campeão, cada vez mais eternizando ídolos.

Não há como falar das conquistas coloradas sem lembrar da história recente. No final da década de 90, o Inter vivia um momento terrível. Enfrentava sérias dificuldades financeiras enquanto via o rival Grêmio acumular troféus. O fundo do poço veio em 2002, quando o time só se safou do rebaixamento graças ao gol do primeiro ídolo eterno da história recente: Mahicon Librelato. O jogador, que morreria 11 dias depois num acidente de carro, marcou o tento salvador na última rodada do Brasileirão contra o Paysandu.
De lá para cá, o Internacional se reinventou. Passou por ótimas administrações e pelas mãos de Fernando Carvalho. Criou o programa de sócio-torcedor e foi abraçado definitivamente pelo seu torcedor, tornando o clube viável. Hoje, com mais de 100 mil sócios, o time tem quase 40 milhões de reais anuais vindos do projeto.
Por isso, as conquistas não demoraram para aparecer. Um vice-campeonato brasileiro em 2005. A Libertadores e o Mundial em 2006. A Recopa em 2007. A Sul-Americana em 2008. E outra Libertadores, em 2010.
O Inter de empatia impressionante entre time e torcida. Que joga com a camisa, com a qualidade dos pés e também com o coração. Coração. Que fez Renan, Fabiano Eller, Bolívar, Tinga e Rafael Sóbis quererem "voltar para casa" depois de se aventurarem no exterior. Que segurou Guiñazu no início da temporada. Que fez Sandro não tirar o pé de uma dividida sequer mesmo vendido antecipadamente para o Tottenham da Inglaterra. E não duvidem que ele certamente vai querer voltar um dia.
O Inter que aposta em jovens. Que contrata pensando no futuro quando trás para Porto Alegre Nei e Giuliano. Que coloca Taison para jogar uma decisão. Que aposta em Leandro Damião para decidir o jogo mais importante do ano.
O Inter que foi corajoso para demitir um técnico que levou o time às semifinais da Libertadores. E para apostar em um contestado Celso Roth, que merecia mais do que ninguém este título para colocar sua carreira (ótima, mas pouco vitoriosa) onde é justo.
Não vou falar muito sobre o jogo de ontem para o texto não ficar grande demais. O Chivas foi um adversário duro. Guerreiro, as vezes até demais. Jogou tudo que pôde, mas de fato, não tinha time para encarar o Internacional. Depois de virar o primeiro tempo vencendo em um jogo fraco, levou a virada pois viu os donos da casa adiantarem a marcação e passarem a controlar o jogo.
O Internacional é o mais justo campeão da Copa Libertadores da América. E podem ter certeza, que as glórias não vão parar por aí. A América também já se tornou pequena.
O Campeonato Espanhol é a competição onde há maior discrepância entre os times. Barcelona e Real Madrid estão anos-luz a frente de todos seus concorrentes. A distância de 25 pontos que separou o segundo do terceiro colocado não é simples coincidência.

O que parece sintoma de um campeonato ruim, acaba tornando-se completamente o contrário. Assistir os jogos de Barcelona e Real Madrid no Campeonato Espanhol é bom demais. Por que? Os dois sabem da diferença que há entre ambos e os outros times. Sabem que perder pontos pode ser fatal. E por isso fazem cada jogo virar uma verdadeira decisão.
Hoje, Barcelona e Real Madrid chegaram praticamente empatados na última rodada. O Real Madrid não fez sua parte e apenas empatou com o Málaga por 1 a 1. O Barcelona goleou. Fez 4 a 0 fora o baile no Valladolid e confirmou mais um título.
Justo, diga-se de passagem. O Barcelona só perdeu uma vez na temporada. Terminou o ano invicto em casa. Venceu os dois clássicos diante do Real Madrid. Fez 99 pontos (um recorde) e 98 gols. Não havia um campeão mais justo que o Barça na competição, sem desmerecer o Real Madrid.
O show de hoje foi fechado com chave de ouro. Messi marcou os dois últimos gols da goleada. O primeiro, com o gol vazio. Um segundo, com o jeito Messi de jogar, driblando em velocidade e fuzilando com precisão. 34 gols em 38 jogos no Campeonato Espanhol. Outro recorde de um time que não se cansa de quebrar barreiras.
Assim como faz craques em casa, o Barcelona ainda produziu um baita vencedor para comandar este elenco. Guardiola é sensacional! Ao lado de Mourinho, o grande técnico do planeta. Enquanto o português é mais tático, mais motivação; Guardiola é coração, é técnica, é extrair individualmente o melhor de cada jogador em nome do grupo.
E por isto o Barcelona encanta. E por isto o Barcelona vence. Campeão Espanhol pela 20ª vez. Um exemplo!
Foi mais difícil do que se imaginava. A tarefa parecia simples: bater o Siena e comemorar o pentacampeonato italiano. Não foi, por uma série de fatores. Mas no fim, a Inter de Milão fez justiça e comemorou mais um Scudetto em sua galeria (voltando a deixar o Milan para trás no número de conquistas) e ganha ainda mais moral para a final da Champions League, na próxima semana.

A Inter começou o jogo nervosa. Era melhor na partida, mas não conseguia pressionar. Nervosismo que parecia crescer à medida que saíam os gols da Roma em Verona. Ao fim de 45 minutos, os resultados davam o título aos romanistas.
Veio o segundo tempo e a partida começou parecida. A Inter tinha mais a posse de bola, tentava atacar mas nas boas chances que criava esbarrava em atuação incrível de Curci. Mas aos 12 minutos, Milito fez o que mais havia feito até aqui na temporada: decidiu. Marcou o único gol do jogo e garantiu o título pela quinta vez consecutiva. Ali, o Siena já havia provado não ter forças para reagir e causar surpresas.
A Inter, que chegou a abrir 18 pontos na frente e relaxou quando não deveria, fez por merecer o título. Liderou quase de ponta a ponta. Foi a melhor equipe. Conquista o Campeonato Italiano e a Copa da Itália. Vai, na semana que vem, buscar igualar o Barcelona da última temporada, conquistando a Tríplice Coroa. É favorita diante do Bayern, mas terá um duelo difícilimo pela frente.
Não há como não destacar José Mourinho. 47 anos. Seis títulos nacionais. Vai em busca da segunda Champions da recente e promissora carreira. É um vencedor. É o grande técnico do planeta. E provavelmente, tentará seguir sua rotina vencedora no Real Madrid na próxima temporada. O primeiro grande título no Santiago Bernabeu pode vir ainda com a camisa da Inter. Mas se o negócio se concretizar, fica a percepção de que poderá ser o primeiro de muitos.
Eletrizante, emocionante, de tirar o fôlego. A final do Campeonato Paulista de 2010, sem dúvidas, valeu o ingresso. E por pouco, não teve um fim que não poderia ser chamado de injusto, mas seria angustiante para aqueles que como eu, amam o futebol.

O Santos encantou. Foi brilhante e ganhou a torcida de todo o país na competição. Mas na final, foi pior do que o Santo André nos dois jogos. Foi superior apenas na etapa final do primeiro jogo, quando fez o resultado que lhe garantiu o título ontem.
A partida deste domingo, porém, foi incrível. Cheia de reviravoltas e com todos os ingredientes de uma grande decisão. Casa cheia, dois grandes times, jogo equilibrado e aberto até o último instante.
O Santo André mais uma vez começou avassalador. Abriu o placar com Nunes logo aos 30 segundos. Mais uma vez, o Santos meio perdido, não jogava bem. Mas na individualidade do seu fantástico ataque, conseguia o resultado que lhe interessava. Incrível passe de Robinho, mais incrível ainda a frieza e a qualidade na finalização de Neymar para o Santos empatar. O Santo André voltou a frente aos 20 minutos. Mas em outro ataque isolado, Ganso deu um passe no mínimo espetacular para Neymar marcar mais um. Ali, surgia o nome do jogo. O destaque da conquista: Paulo Henrique Ganso. Deixemos para depois...
O jogo esquentou e ficou aberto de vez quando os jogadores resolveram aumentar os espaços. Léo e Nunes foram expulsos depois de uma discussão idiota. Marquinhos também recebeu o cartão vermelho pouco depois, por entrada ainda mais idiota. Não seria a jogada mais idiota da noite. Ali, o Santo André ficava com um homem a mais. E o Santos com apenas 9 em campo. O terceiro gol dos visitantes, ainda no primeiro tempo, colocou ainda mais fogo na etapa final.
O Santo André precisava de mais um gol e tinha um homem a mais e 45 minutos pela frente. Tentou atacar de todas as formas. O Santos se segurava como podia. E mais uma vez na individualidade de seus jogadores levava perigo. Ganso passou a ser decisivo. Sozinho no ataque, prendia a bola, driblava, ditava o ritmo do jogo. Assumiu a responsabilidade de comandar a equipe e de ser o solista de uma orquestra desfalcada.
A imagem que deixou claro que ali havia um jogador pronto, maduro, aconteceu aos 36 minutos. Pouco antes dela, Roberto Brum que tinha acabado de entrar, deu um carrinho por trás e foi expulso, deixando o Santos com dois jogadores a menos. Ali, ele ganhou o troféu de imbecil do dia. Tosco.
Dorival Júnior precisava se fechar. Eram 10 minutos para segurar o adversário com dois jogadores a menos. E pensou em tirar Ganso, que parecia cansado. O jogador então olhou para o técnico e disse que não sairia do jogo. Não por insubordinação ou desrespeito. Mas porque ele sentia o calor do jogo e sabia que não havia no gramado ninguém mais importante que ele para aquela conquista.
Nos 10 minutos seguintes, o Santo André tentava atacar enquanto Paulo Henrique segurava a bola no campo de ataque do Santos sozinho. A angustiante bola na trave aos 44 minutos quase levou o troféu para um improvável campeão. Mas o mundo do futebol não seria justo se não fizesse o número 17 do Santos levantar a taça no fim da tarde.
Os Meninos da Vila superaram a pressão e foram campeões mesmo sem jogar bem na decisão. Que não percam o encanto e nem a forma de jogar. Que Dorival volte a escalar a equipe com três atacantes, de maneira corajosa. O futebol merece que este time conquiste muito mais! E depois de duas derrotas consecutivas, é melhor abrir o olho para o duelo de quarta-feira contra o Atlético-MG pela Copa do Brasil.
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Antes de começar o Campeonato Carioca de 2010, ninguém (mesmo os torcedores do Botafogo) confiavam muito que o Botafogo pudesse ser campeão. Era e continua sendo inegável, que o elenco do Botafogo é o mais fraco entre os quatro grandes do Rio. A teoria ficava ainda mais fácil de ser defendida na terceira rodada, quando o clube ficou em frangalhos após a derrota por 6 a 0 para o Vasco.

Mas em um Campeonato cheio de adversários abaixo da crítica e de tiro curto, não é elenco que chega ao título. É alma, coração. E o Botafogo fez isto quando tomou a decisão mais acertada do futebol brasileiro até aqui em 2010: contratar Joel Santana.
Se o papai não é um treinador brilhante, e nunca foi, tem uma estrela incrível. E um astral que poucos técnicos brasileiros tem. Num mundo cheio de marra e de "complicações" a simplicidade de Joel era tudo que o Botafogo precisava para chegar ao título estadual.
Título incontestável, que veio com uma vitória sobre o rival Flamengo ontem que deixa muitos problemas do alvi-negro para trás. Acabou a onda de se apequenar diante do Fla. Acabou a história de vice. O Botafogo grandioso e glorioso finalmente está de volta.
Ontem, uma vitória com a cara do que fez o Botafogo na competição. Sofrida, mas com muita luta e eficiência. Eficiência que começa lá atrás com o decisivo Jéfferson. E que termina lá na frente, com uma dupla de ataque que está longe de ser ótima tecnicamente. Mas que fez o Botafogo deixar para trás a cara apática que tinha nos tempos de Juninho, Lucio Flávio e cia.
O título estadual é justo e vale muito a festa do torcedor botafoguense. Só não pode apagar e fazer com que o time se esqueça do que vem pela frente. É preciso reforçar e muito o elenco para o Brasileirão. Só coração não vai ganhar uma competição longa e de nível técnico muito mais apurado.
Mas fica a certeza de que o clube está no caminho certo. E de que a alma vencedora e o fato de ter finalmente perdido o medo de perder, podem levar o Botafogo de volta ao posto que merece no futebol nacional.
Quem viu as imagens de guerra civil no Couto Pereira no fim do ano passado não imaginava que o Coritiba pudesse se reerguer tão rapidamente. Se o título estadual é apenas o primeiro passo de uma caminhada complicadíssima que está por vir na Série B, é uma conquista merecida para o torcedor de bem, aquele que sofreu e que sabe a história gloriosa e de respeito do Coxa.

Não vi nenhuma partida do Campeonato Paranaense. Não vi a vitória decisiva do Coritiba sobre o rival Atlético-PR por 2 a 0, que deu o título antecipado ao clube. Tudo o que sei da competição, foi o que li, principalmente nos últimos tempos. Por isso, não vou me ater aos detalhes do que aconteceu por lá, muito menos a análises táticas.
De toda forma, deixo aqui meus parabéns aos torcedores do Coritiba. E mais do que isso, à diretoria do alvi-verde paranaense. Num momento de profunda crise, enfrentando a ira da torcida como poucas vezes viu-se no país, os mandatários souberam ter cabeça fria para organizar novamente as coisas e manter uma linha de trabalho que provou-se, pode funcionar.
Parabéns a Ney Franco, que foi corajoso para continuar no clube e conseguiu montar uma equipe vencedora. Que tinha gana de vencer para tentar compensar de alguma forma, o que fez o torcedor passar na última temporada.
Que as coisas continuem caminhando. O Coritiba faz falta entre os grandes. E certamente, estará de volta mais rápido do que imaginávamos.
Era o único título que faltava à galera de um multi-campeão. E por pouco, o time que passou 2009 encantando os amantes do futebol em torno do planeta, não deixou para trás a conquista que faltava para coroar uma temporada perfeita. Mas um time que parece ter nascido para o sucesso não deixaria escapar a glória de ser campeão do mundo pela primeira vez. E assim fez o Barcelona!

A partida final, contra o bravo Estudiantes, não foi perfeita taticamente. Mas foi uma partida intensa. Equilibrada, interessante, lutada, cheia de variações. Foram poucos os chutes à gol. Mas não faltou emoção. Não faltou suor. Não faltou nada.
O Barcelona sentiu a pressão de ter que vencer a partida. Sabia que era melhor que o adversário argentino. Mais uma vez, a defesa falhou e Boselli, impedido, marcou para o Estudiantes. Pouco antes, Xavi sofreu penalti claro, na única chegada perigosa do Barça na etapa inicial. O time argentino congestionava a entrada da área e marcava muito bem Xavi e Messi, os principais articuladores do Barça. Mais uma vez, Henry ficou preso demais do lado esquerdo. E sobrou a responsabilidade para Ibrahimovic, já que Iniesta não estava em campo.
No segundo tempo, Pep Guardiola abriu seu time. Colocou Pedro Rodríguez do lado esquerdo, deixando a equipe praticamente num 4-2-4. Enquanto isto, o Estudiantes se fechou demais. Recuou Clemente Rodríguez para a lateral e transformou Cellay em mais um zagueiro. Deixou Boselli sozinho no ataque. E até conseguia segurar o adversário.
Mas ainda restavam 45 minutos. Era tempo demais. O valente Estudiantes colocou o coração na ponta da chuteira e fez o que pôde. Mas, no fim do jogo, sucumbiu a pressão e viu o sempre iluminado Pedro empatar o jogo e levar o jogo para a prorrogação.
Ali o Estudiantes já não tinha mais pernas para lutar. E nem jogadores de ataque para buscar o gol do título. Teve que seguir se defendendo, tentando levar o jogo para os penaltis. Mas o capítulo final de uma linda história catalã em 2009 não poderia ser escrito sem o dedo de seu mais genial escritor. Messi, com o coração, fez o gol do título. Do justo título de campeão mundial do Barcelona.
Um time de estrelas. Na grande maioria, formadas em casa. Com identificação. Que conhecem a história e a tradição do Barcelona. E que se emocionaram por fazer parte dela. Agora, mais do que nunca.
Barcelona, o justíssimo melhor time do mundo. Campeão de tudo!
Depois de muita polêmica durante a semana, sobre times que poderiam "entregar" a partida para os seus adversários, o Fluminense deu mais uma lição. Voltou a desafiar o impossível no Maracanã, bateu na trave mais uma vez contra a LDU, mas deixou orgulhosos os mais de 65 mil torcedores que vibraram e sofreram junto com um "time de guerreiros".

O que era difícil poderia ficar ainda pior se Carlos Amarilla tivesse expulsado Gum aos 20 segundos de jogo pela falta desnecessária que fez. Mas o árbitro pegou leve e o cartão amarelo ficou de ótimo tamanho. Melhor ainda ficaria quando Diguinho abriu o placar logo aos 14 minutos de jogo.
Só quando De La Cruz foi expulso, aos 17 minutos, em falta semelhante à Gum, a LDU entendeu o que estava acontecendo. Com a entrada de Larrea, os equatorianos finalmente conseguiram acertar a marcação de um surpreendente Flu, que entrou em campo com três homens no ataque e apenas um zagueiro.
Com um homem a mais, o jogo virou ataque contra defesa. O Fluminense tinha a bola e pegava todos os rebotes. Não tinha a quem marcar em seu campo de defesa. Mas faltava um jogador com toque rápido para achar espaços na defesa adversária. Conca é homem de condução de bola. Diguinho tentou fazer este papel, colocou a cara no jogo, mas erra passes demais.
O segundo gol, porém, saiu aos 42 minutos do segundo tempo, com Fred. Intervalo de jogo e o Flu já tinha cumprido metade da missão. Faltavam 45 minutos e dois gols. Para um Fluminense que tinha um homem a mais em campo.
A animação era tanta que o time nem desceu para o vestiário. Queria sentir o clima da torcida, que acabou esfriando com o intervalo.
Na volta para o segundo tempo, o jogo mudou pouco. O Fluminense não conseguia virar a bola com velocidade e tinha dificuldades para achar espaços. Acabava ficando apenas com cruzamentos da intermediária que facilitavam e muito a vida dos defensores. Mas o sonho que era possível tornou-se palpável aos 27 minutos, com o gol de Gum de cabeça. O predestinado zagueiro fazendo mais um gol fundamental para o time carioca.
O momento era de dar um verdadeiro sufoco nos equatorianos e partir para o abafa decisivo, mas o time que jogava no seu limite acabou perdendo um jogador fundamental. Fred, o mais experiente do grupo, foi o primeiro a perder a cabeça. Um lance bobo, de falta lateral, e o atacante do Fluminense, herói até então da recuperação, tornou-se vilão ao exceder-se na reclamação à Amarilla e ser expulso.
A ducha de água fria naquele momento mostrava que o título, tão próximo, não viria para o Fluminense. Mesmo com a expulsão de Campos, logo depois, já não havia mais forças para os cariocas marcarem o último gol que precisava. Deixou mais uma vez o título para a LDU, em pleno Maracanã.
Mas, dessa vez, o time saiu de cabeça erguida. Aplaudido. Reconhecido como guerreiro que vem sendo desde outubro. Mostrou-se mais do que preparado para a última e mais importante batalha. Domingo, em Curitiba, o time joga a vida na Série A do Brasileirão. Ali sim, uma derrota significará a perda da guerra.
Com os nervos no limite, com o coração na ponta da chuteira, com a pressão excessiva por resultados, o inesquecível time de guerreiros do Fluminense está preparado para o ato final em 2009. Um roteiro de dar inveja em Holywood.
Confesso: não vi o jogo, nem os melhores lances, nem os gols da conquista do Inter. Mas deixo aqui meu registro à mais um título do Colorado. Desta vez, campeão da Copa Suruga, disputada entre o campeão da Sul-Americana e do Campeonato Japonês.

O time brasileiro bateu o Oita Trinita, por 2 a 1. Gols de Andrezinho e Alecsandro.
Tá bom. Bacana o título. É sempre bom vencer.
Mas não vamos enganar o torcedor.
O torneio é só um caça-níquel. Não vale nada. E nunca vai valer. Fernando Carvalho não vai conseguir empurrar essa goela abaixo.
Que o Inter volte revigorado do Japão, com reforços na bagagem e volte a brigar na parte de cima da tabela do Brasileirão.
Antes de mais nada, merecidíssimo o título do Estudiantes na noite de ontem, no Mineirão. Os argentinos, como de costume, foram mais valentes, mais frios, mais decisivos. E por isso, seguem nos superando quando o assunto é Libertadores.

Ontem, não foi o Mineirão que se coloriu de azul e branco. Foi a cidade de Belo Horizonte. O clima era de euforia e satisfação por voltar a receber uma decisão deste porte. Dentro do estádio, festa belíssima dos torcedores do Cruzeiro, que compareceram em peso, marcando o recorde de público da Libertadores'09, com quase 65 mil torcedores.
Porém, dentro de campo, o grande jogo que se esperava, não aconteceu. Desde o início, via-se um Cruzeiro nervoso, com seus dois homens de ligação em noite infeliz. Kléber, muito bem marcado, sofria com o excesso de faltas sofridas. Enquanto isto, o Estudiantes tinha paciência com a bola nos pés, e muita força quando não a tinha. Matava as jogadas à todo instante contando com a conivência e a péssima arbitragem de Carlos Chandía.
Depois de um primeiro tempo moroso e de pouquíssimas oportunidades, o caminho começava a ficar claro aos 7 minutos da etapa final. Henrique arriscou de fora da área e contou com desvio da zaga para fazer o primeiro gol do Cruzeiro. Ali, parecia impossível tirar o título da raposa. Que pareceu crescer no jogo, disposta a matar o adversário. Aliás, foram um dos poucos momentos de domínio brasileiro na partida.
Só se esqueceram da frieza e das qualidades do time argentino. Que em veloz contra-ataque, empatou a partida, nas costas de Gérson Magrão. Diferentemente dos argentinos, o Cruzeiro se abateu. A torcida se assustou também, e pela primeira vez no jogo, se calou. Do outro lado, o Estudiantes ganhou moral e resolver decidir o jogo. E foi na bola parada de Verón, o comandante e melhor em campo, que o time resolveu a partida, com Boselli (artilheiro da competição).
2 a 1, e festa argentina no Mineirão. O Estudiantes é tetra-campeão da principal competição do continente. Título justíssimo. Depois do início complicado, Alejandro Sabella teve o time nas mãos e soube organizar a equipe, que não perdeu mais, rumo à conquista.
Na decisão, o Cruzeiro não foi bem. Não conseguiu controlar o jogo e tão pouco colocar a bola no chão e ditar seu ritmo na partida. O que não pode, é colocar por terra o trabalho que vem sendo realizado pela raposa. Adilson Batista e seus comandados tem tudo para dar a volta por cima e fazerem um ótimo Brasileirão se não se abaterem com esta derrota.
Quanto ao campeão, é bom o time do Estudiantes. Mereceu a vitória porque teve força, tranquilidade, soube anular as principais jogadas do adversário e teve frieza para decidir na hora certa. Verón, o comandante da equipe, volta 30 anos depois, para fazer o que seu pai já havia feito: levar o Estudiantes ao topo da América.
Era a cereja no bolo. Depois de seis meses praticamente brilhantes, faltava um título de grande expressão para o torcedor corinthiano poder gritar definitivamente que "o coringão voltou".

Série B, Campeonato Paulista e agora Copa do Brasil. Três títulos, em sete meses. Terceiro título da Copa, pelo Corinthians. Justíssimo. E conquistado dentro de campo.
Precisando vencer por 3 gols de diferença, Tite errou ao apostar em Glaydson. Andrezinho daria dor de cabeça ao Corinthians. Que sabia, desde o início, que um gol a seu favor definia a parada em Porto Alegre. E por isso, não se intimidou. Segurou o Inter nos primeiros 15 minutos e resolveu jogar também. E logo, resolveu o jogo. Primeiro com Jorge Henrique (1,68m), de cabeça. Depois, com André Santos, o melhor em campo.
Atordoado, o Inter se perdeu de vez. De vez, porque o time já entrou nervoso demais, se preocupando demais com a arbitragem. O "dossiê", com certeza não funcionou. Principalmente, porque Ricardo Marques Ribeiro foi muito bem. Sabia que era um jogo nervoso e controlou como pôde. Não influenciou em nada o resultado.
Enquanto o Internacional, atônito, reclamava do juiz, o Corinthians jogava. E não fez o terceiro, com Ronaldo, por capricho do atacante, cara a cara com Lauro. Fim de primeiro tempo, e a Copa do Brasil 2009 já estava decidida.
No intervalo, Tite tentou consertar o erro. Colocou Alecsandro na vaga do perdido Glaydson. O Corinthians, apenas se defendia, esperando o fim do jogo. E acabou sofrendo dois gols, ambos com Alecsandro. Faltando 15 minutos, o Inter precisava de mais três gols. Era praticamente impossível. Mas sonhar, seria possível, se D'Alessandro (que já mostrava vontade de ser expulso desde o primeiro tempo) não aprontasse uma confusão e fosse colocado para fora. Além de tudo, fez papel de ridículo, tentando levar Willian do Corinthians com ele. Enquanto ele corria atrás do zagueiro, o corinthiano estampava um sarcástico e humilhante sorriso de campeão. Não cairia jamais no destempero do argentino.
Depois, Elias, Mano e Tite acabaram expulsos também. Magrão quis aparecer, quis ser "mais homem" que Elias. E não houve mais futebol. 2 a 2. E um título justíssimo para o Corinthians.
O Inter tem um ótimo time. Mas falta um algo a mais. Que pode vir, com outro treinador, mais experiente e "linha dura". O Inter precisa de Muricy. E Muricy precisa do Inter. Os dois, juntos, tem tudo para fazer uma brilhante campanha no Brasileirão, e no mínimo, conquistar a vaga na Libertadores perdida ontem.
Já o Corinthians, chega ao título para coroar um trabalho brilhante. Que começou ano passado e gradualmente foi chegando ao estágio atual. Um time maduro, sereno, competente. Que sabe o que quer. E que com certeza, vai querer mais. Quem sabe a Libertadores, no ano do Centenário.
A temporada chega em momento de decisão. E já tem gente levantando os primeiros canecos.

- Um dos melhores times do país é disparado o melhor do Nordeste. O Sport conquistou o tetracampeonato pernambucano, sem perder uma partida sequer. Por lá, inclusive, não foram necessárias finais nos últimos 3 anos. Isto porque, mais uma vez, o Sport venceu turno e returno da competição.
Desta vez, o título veio com um empate sem gols com o Náutico. 0 a 0 que valeu a taça para o rubro-negro. Título que estava muito próximo. O Náutico precisava vencer o Sport quatro vezes seguidas para levantar a taça. Muito, para um time muito inferior.
E o Sport ganha força e tranquilidade. Poderá se concentrar 100% na Libertadores agora. A vaga na próxima fase está bem encaminhada. E o time pode continuar a surpreender. Certeza, no entanto, só uma. O grito "Cazá, cazá" ainda vai ecoar bastante em 2009.

- No Rio Grande do Sul há um belo time. O melhor do país. O desempenho do Inter na temporada é assustador. Assustador para os adversários. No Campeonato Gaúcho, o Colorado também não precisou de final para comemorar mais um título.
Na decisão do returno, mais um passeio. Sem demonstrar tanto esforço, o Inter massacrou o pobre Caxias. 8 a 1. 7 a 0 só no primeiro tempo. Mais um show do time comandado por Tite. O único que vale a pena ver jogar no momento no país. O Inter é um show a parte.
Invicto no Gaúcho, sobrou literalmente. Não deu a menor chance para o rival Grêmio e para nenhum dos outros concorrentes. Pelo contrário. Goleou um atrás do outro. Não atoa, é o meu favorito para levantar outro troféu ainda no primeiro semestre. Ninguém segura o Internacional.
Chegou a hora. O Brasileirão será decidido neste domingo. Duas horas de pura emoção. De querer saber quanto estão os jogos dos rivais. De se preocupar a cada ataque sofrido pelo seu time. De ficar com coração na mão.
E muita coisa ainda resta para se decidir. O título. Duas vagas na Libertadores. E duas vagas que ninguém quer: na Segunda Divisão.
E você, leitor do Marcação Cerrada, como acredita que ficará o Brasileirão 2008?
Minha bola de cristal anda meio furada, mas deixo meus palpites. O São Paulo é campeão. Com apenas um ponto de vantagem. Palmeiras em terceiro e Cruzeiro em quarto, garantem as últimas vagas na Libertadores. Para a Segunda Divisão, um gigante cairá pela primeira vez. O Vasco vence, mas é rebaixado junto com o Náutico.
Façam suas apostas...
Um ciclo fechado. O Internacional, é mais Internacional do que nunca. Ao lado do Boca Júniors, tornou-se ontem o segundo clube sul-americano a ter todos os títulos internacionais à disposição (Libertadores, Recopa, Mundial e Sul-Americana).
E o título acabou muito valorizado. Principalmente pelo adversário. O Estudiantes foi cascudo. Deu trabalho. E chegou a vencer a partida. Mas não porque o Internacional entrou de salto alto ou achou que já tinha ganhado. O jogo foi parelho, equilibrado. E os gaúchos em nenhum momento ficaram desligados.
No primeiro tempo, inclusive, o Inter foi melhor. Marcava bem no campo de ataque e levava mais perigo. Tinha o controle do jogo, mas o gol não saía. O primeiro lance polêmico, foi em bola cruzada por Bolívar, que o zagueiro do Estudiantes cortou com a mão. Eu não daria penalti. Mas a torcida colorada reclama bastante. Pouco depois, o juiz "compensou" com a ajuda do bandeira, anulando gol legítimo dos argentinos.
Na etapa final, o Estudiantes cresceu, principalmente porque apertou a marcação. Passou a tomar mais bolas e controlar o jogo. O Inter, acuado, passou a fazer muitas faltas. Próximas à área. Erro cruel. Assim, saiu o gol do Estudiantes, em bobeada da defesa colorada. O jogo ganhou tons dramáticos. A gigante torcida do Inter silenciou. E o time se perdeu por alguns minutos. Mas o jogo permaneceu com o mesmo placar que terminou na Argentina.

Na prorrogação, um momento foi crucial. A saída de Verón, exausto. Ali, o Internacional retomou o controle do jogo. Principalmente com D'Alessandro, fantástico e incansável e Taison, que conseguia na velocidade abrir espaços importantes. Até que num escanteio, uma defesa fantástica do goleiro Andújar na cabeçada de Danny Morais. Gustavo Nery tentou, mas chutou em cima do goleiro. E na terceira tentativa, Nilmar colocou para as redes. Gol do título. Gol Internacional.
Pelo que jogou ontem, o Estudiantes poderia ter vencido. Mas o título foi justo. Não só pelo que jogou ontem o Internacional. Foi um time gigante durante a competição. Que soube valorizar a Sul-Americana e mostrou força. E que agora já pode pensar no ano que vem, ano do centenário. E pelo que tem mostrado, a torcida pode sim, criar boas expectativas para 2009.
Parabéns aos colorados por mais um título.