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Boas-vindas melhor, impossível

O desafio de Vanderlei Luxemburgo no comando do Grêmio ganhou ontem a noite um início promissor. O técnico não teve influência direta, mas certamente viu e gostou da vitória e classificação do seu novo time para as semifinais do Taça Piratini (1º turno do Campeonato Gaúcho). O 2 a 1 sobre o Internacional no Beira-Rio foi justo e mostrou ao novo comandante um caminho para trilhar no tricolor gaúcho.

Na noite de ontem, méritos para Roger que disputou o segundo Gre-Nal como técnico interino e venceu pela segunda vez. A palestra antes do jogo, tão elogiada pelos atletas, certamente surtiu efeito. O Grêmio entrou mordido e mordendo. Se impôs e foi superior ao rival durante quase todo o confronto.

No mesmo 4-3-1-2 testado por Caio Júnior, a novidade no time foi a presença do estreante Souza no meio-campo. O volante mostrou desenvoltura para sair para o jogo no vértice direito do losango e contribuiu muito com a marcação adiantada e incansável imposta pelo time gremista desde o apito inicial. O Internacional, sufocado, foi obrigado a mudar o sistema recuando Oscar para tentar equilibrar a força no meio espelhando o esquema tático do adversário. Igualou nas peças mas em nenhum momento se aproximou na pegada.

Com Gilberto Silva dando segurança à zaga com o posicionamento sempre perfeito e o meio-campo marcando forte e conseguindo fazer a saída de bola, coube a Kléber assumir o seu papel de protagonismo. Participou ativamente do jogo abusando dos toques curtos pelo centro, usando a força quando preciso e aparecendo com certa liberdade quando deixava a área para agir por trás dos volantes colorados. Em uma dessas jogadas, buscou a bola e tabelou com Marco Antônio para receber na área e marcar o gol da vitória quando a partida estava morna e equilibrada no segundo tempo.

Antes, o Grêmio havia aberto o placar com Léo Gago em jogada de bola parada após falta sofrida por Kléber quando era muito superior na partida. Diminuiu o ritmo após o gol e permitiu ao Inter igualar o placar com o talento individual de seu time, se aproveitando ainda de rara falha na saída de bola, com passe errado de Fernando que terminou em gol de Leandro Damião.

O Grêmio consegue a volta por cima e abre caminho para Luxemburgo iniciar sua passagem pelo clube com uma conquista. O desafio dos dois é enorme, mas creio que será ótimo para ambos. O Grêmio merece pelos investimentos corajosos que fez, embora tenha sido precipitado novamente ao queimar um técnico pelo desempenho no estadual. Já Vanderlei Luxemburgo, precisa parar de desperdiçar seu talento e voltar a alçar vôos altos na carreira. No Grêmio ele encontra um time com a pegada tradicional gaúcha mas também com qualidade para decidir e brilhar.

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Soberano e peleador

Uma vitória importante em todos os aspectos. Que deixa o Grêmio com uma mão na taça do Campeonato Gaúcho. E que dá muita moral para o time na sequência da temporada, preparado para os grandes desafios que começam já na quarta-feira diante do Fluminense, agora de Muricy Ramalho. A desconfiança quanto ao trabalho do ótimo Silas ficou definitivamente para trás. E o peleador tricolor gaúcho caminha a passos largos para fazer bonito na temporada.

O que pareceu um equilibrado jogo no Beira-Rio, na verdade teve uma equipe soberana durante quase todos os 90 minutos. Mesmo nos momentos em que não foi perfeito, o Grêmio manteve o jogo sob domínio. Dava poucas oportunidades para que o Inter se aproximasse do gol. O Colorado só chegava nas boas jogadas de Walter, cada dia melhor. A movimentação do atacante é fundamental nas investidas ofensivas do time.

O primeiro tempo teve mais estudo e menos oportunidades. Na melhor delas, Borges caprichou tanto que acabou errando o gol. O Grêmio era seguro na defesa e ocupava bem os espaços no meio-campo. Parecia mais interessado no jogo e na vitória.

Que veio, com justiça, no segundo tempo. Primeiro com Rodrigo. Depois com Borges, ambos de cabeça. Antes disso, Jonas já havia acertado a trave duas vezes. Tudo isto mostra que a vitória gremista, em um jogo onde o empate poderia parecer justo, na verdade foi o melhor e mais merecido resultado.

O Inter já pode deixar o Campeonato Gaúcho para trás. Uma derrota num clássico é sempre complicada de ser esquecida. Mas o grande desafio Colorado é mesmo a Libertadores. Fossati precisa abrir o olho: com o time que tem em mãos, passar a temporada sem títulos seria inaceitável. É bom que ele consiga transformar logo o Inter em forte candidato.

Já o Grêmio, vê Silas cumprindo o que prometeu quando foi contratado: montar um time com a cara do tricolor. Uma equipe solidária, guerreira, que não se entrega. E que tem qualidade individual de sobra para fazer ainda mais bonito em 2010.

50 e quer mais

Um ano passou e o Rio Grande do Sul vê uma situação completamente invertida em seus dois maiores clubes.

Em 2009, o Grêmio disputava a Libertadores. Viveu a crise quando via o rival Inter atropelando no Gauchão e na Copa do Brasil. Acabou eliminado da principal competição do continente.

Em 2010 é a vez do Inter na Libertadores. E hora de o Grêmio curtir o momento e fazer a festa do seu torcedor.

Ontem, mais um resultado importante. Não foi brilhante, mas bateu o Esportivo por 2 a 0. Caminha a passos largos para conquistar o Campeonato Gaúcho sem precisar sequer da final. Mais do que isso, atingiu marcas de causar inveja em qualquer torcedor.

O triunfo de ontem foi o 13º seguido. Com a vitória, o time chegou a 50 jogos sem perder no Estádio Olímpico. Marca fenomenal. E que não deve ser batida tão cedo. Porque ali, a química do Grêmio é impressionante.

Silas, que teve o trabalho criticado no início, vai implantando seu esquema de jogo. E mesmo com muitos problemas de ordem médica, dá resultado. Em campo, derruba todas as críticas. E mostra que está no caminho certo.

Além do Gaúcho, o Grêmio é um dos fortes favoritos ao título na Copa do Brasil. E o principal trunfo para isto, é o Olímpico. Onde o time está imbatível há 50 jogos. E pretende ficar por ainda mais tempo.

Enquanto isto, o Inter chega ao sexto jogo sem vencer. Fossati não deve durar muito no cargo. O jogo de quarta-feira é fundamental para decidir o futuro do Internacional na temporada. Por isso, toda calma é pouca. E todo apoio é bem-vindo.

É para tanto?

A pressão no Grêmio é demais. Até nos treinos a torcida tem cobrado a demissão de Silas do comando do time. Em campo, as coisas não parecem estar indo tão mal assim.

Tanto é que hoje o time voltou a erguer uma taça depois de 1029 dias. Com um lindo gol do criticadissimo Ferdinando, o Grêmio venceu a Taça Fernando Carvalho, o primeiro turno do Gaúchão. Assim, está garantido na final, desde que não vença também o segundo turno e conquiste o título antecipadamente.

Pouco vi do Grêmio até agora em 2010 para analisar como o time vem jogando. Fato é que a transformação pela qual passa o time, requer paciência do torcedor. Silas já se mostrou um grande treinador e vai precisar de tempo para montar o time.

Além disso, o excesso de lesões e de problemas atrapalharam demais o treinador. Souza e Lúcio fazem muita falta, o primeiro principalmente. Hoje, parece ter sido Borges o jogador que saiu machucado. A fase é complicada. E mesmo assim o time conseguiu um importante título. Que ele diminua a pressão e faça o torcedor entender que o caminho está apenas no começo.

Calor x Altitude

Claro que o tema é polêmico e complexo. E eu não vou ousar fazer uma comparação entre ambos aqui no blog. Antes de mais nada, vale ver a cena que gerou a idéia deste post:


Para quem ainda não tinha visto, este foi Batista, comentarista do SporTV, ontem, no jogo entre Grêmio e São Luiz. A partida, pelo Campeonato Gaúcho, viu a temperatura chegar próxima dos 39 graus, o que acabou fazendo com que Batista tivesse uma queda de pressão na cabine (onde a sensação térmica ultrapassava os 44 graus).

O assunto, foi amplamente comentado principalmente no Twitter. O primeiro a levantar a bola foi o comentarista da ESPN e editor da Trivela, Leonardo Bertozzi. Depois me lembrei que o jornalista Gustavo Poli, da Rede Globo, já havia escrito sobre o assunto em seu blog.

Nós brasileiros temos mania de reclamar dos jogos na altitude e no quanto são prejudiciais aos nossos times. Falamos até em riscos para a saúde dos atletas. Mas não reparamos o quanto são perigosos e complicados estes jogos no horário da tarde em pleno verão brasileiro.

De fato, são influências incomparáveis. Mas é desumano colocar os jogadores para correr embaixo de um sol desta magnitude. E com isto, pouca gente parece se preocupar.

Em tempo: não é justificativa, mas o Grêmio novamente foi mal e apenas empatou com o São Luiz por 1 a 1. Jogo fraco, sonolento, moroso. Nenhum time parecia muito disposto a enfrentar a forte temperatura. Apesar da liderança no Gaúcho, é preciso que o tricolor melhore seu jogo se quiser pensar em algo maior.

Primeiros campeões

A temporada chega em momento de decisão. E já tem gente levantando os primeiros canecos.

- Um dos melhores times do país é disparado o melhor do Nordeste. O Sport conquistou o tetracampeonato pernambucano, sem perder uma partida sequer. Por lá, inclusive, não foram necessárias finais nos últimos 3 anos. Isto porque, mais uma vez, o Sport venceu turno e returno da competição.

Desta vez, o título veio com um empate sem gols com o Náutico. 0 a 0 que valeu a taça para o rubro-negro. Título que estava muito próximo. O Náutico precisava vencer o Sport quatro vezes seguidas para levantar a taça. Muito, para um time muito inferior.

E o Sport ganha força e tranquilidade. Poderá se concentrar 100% na Libertadores agora. A vaga na próxima fase está bem encaminhada. E o time pode continuar a surpreender. Certeza, no entanto, só uma. O grito "Cazá, cazá" ainda vai ecoar bastante em 2009.

- No Rio Grande do Sul há um belo time. O melhor do país. O desempenho do Inter na temporada é assustador. Assustador para os adversários. No Campeonato Gaúcho, o Colorado também não precisou de final para comemorar mais um título.

Na decisão do returno, mais um passeio. Sem demonstrar tanto esforço, o Inter massacrou o pobre Caxias. 8 a 1. 7 a 0 só no primeiro tempo. Mais um show do time comandado por Tite. O único que vale a pena ver jogar no momento no país. O Inter é um show a parte.

Invicto no Gaúcho, sobrou literalmente. Não deu a menor chance para o rival Grêmio e para nenhum dos outros concorrentes. Pelo contrário. Goleou um atrás do outro. Não atoa, é o meu favorito para levantar outro troféu ainda no primeiro semestre. Ninguém segura o Internacional.

Cumprindo tabela

Na reta final dos Campeonatos Estaduais, Rio Grande do Sul e Minas Gerais se caracterizam como os mais sem graça e previsíveis do país. Tantos jogos para tão pouca emoção.

No Beira-Rio, o rolo compressor colorado atropelou mais um. A vítima da vez foi o Ulbra, que foi goleado por 4 a 0. Impressionante como goleia o time do Inter. A cada semana, um novo time é massacrado pela equipe de Tite. Nos últimos 14 jogos, apenas 1 empate e 13 vitórias. Pelo menos 5 delas, com quatro ou mais gols de diferença. O Inter encanta. É o melhor time do país no momento.

E no ano do centenário, deve fazer a primeira grande comemoração futebolística na semana que vem. O confronto contra o Caxias, vai definir o segundo turno do Gaúchão. O Inter, que já venceu o primeiro, tem a faca e o queijo na mão para nem precisar de finalíssima para comemorar o 39º estadual. Todas os caminhos levam ao título para o Inter.

Em Minas, a coisa não será tão fácil assim para o Atlético-MG. Mas chegar à final, é fato confirmado desde a primeira fase da competição. Ontem, em mais uma partida que pouco valia e que todos sabiam o resultado, o Galo bateu o Rio Branco. 2 a 0. 10 jogos e 10 vitórias. Este é o retrospecto recente do time mineiro. É verdade que não jogou contra ninguém e que a última derrota foi justamente para o Cruzeiro. Mas há algum tempo, o Galo não demonstra tanta segurança em campo.

Ontem, começou a partida massacrando o adversário. Apenas Lopes destoava no meio-campo. Júnior e Carlos Alberto abriam espaços na defesa e o Rio Branco não conseguia sair jogando. Quando tentou se assanhar, o contra-ataque foi mortal. Diego Tardelli, pra variar, abriu o marcador. No segundo tempo o Rio Branco melhorou. Poderia ter empatado, mas faltou sorte. Que sobrou ao Atlético-MG, que marcou o segundo com Éder Luís e definiu de vez o confronto. No sábado os times voltam a se enfrentar, no Mineirão. Mas quem acredita que o Rio Branco fará três gols de diferença? Eu não.

Duplo presente

O Internacional comemorou o Centenário em grande estilo. Depois de uma festa maravilhosa, o time colocou a cereja sobre o bolo. Venceu mais uma vez o rival Grêmio, eliminou o tricolor do Campeonato Gaúcho e segue em busca de mais um título estadual.

Ontem, no Beira-Rio, o centésimo clássico no estádio entre os dois clubes. E o Inter, mais uma vez mostrou sua superioridade na temporada. Saiu atrás, com Tcheco, de penalti. Mas empatou pouco depois, com Andrezinho também de penalti. E virou, no fim, após jogada espetacular de D'Alessandro e gol do predestinado Índio.

Foi a terceira vitória do Inter sobre o Grêmio em 2009. A terceira pelo mesmo placar: 2 a 1. 11ª vitória seguida do Internacional em 2009. E ainda há quem duvide de Tite e sua turma.

Em alguns momentos da partida o Grêmio até foi melhor. Chegou a mandar duas bolas na trave. Mais uma vez, os gols perdidos prejudicaram, e muito, a sorte do tricolor. Já o Inter, fez valer sua melhor qualidade técnica. E principalmente, a capacidade individual de seus principais jogadores.

Para os gremistas, eliminados, pelo menos um "presente". Celso Roth não é mais técnico do clube gaúcho. Ficou difícil resistir à quatro derrotas seguidas para o maior rival. E não foi apenas isto que pesou. Uma série de fatores prejudicaram o treinador. Eu, sou contra a demissão. Os números de Roth são bons (78 jogos, 45 vitórias, 17 empates e 16 derrotas). E o trabalho é positivo, apesar da constante pressão que o técnico e o time vinham sofrendo.

O nome mais cotado é o de Renato Gaúcho, com Geninho correndo por fora. O primeiro, pode ser uma boa opção. Tem identificação forte com o clube e a torcida. E já tem experiência suficiente para levar o Grêmio à frente na Libertadores. Porém, a decisão precisa ser rápida. Ou pode ser tarde demais para lamentar o que ficou para trás.

A velha fórmula

Mais uma vez os gols perdidos deram as caras no jogo do Grêmio. O time desperdiçou diversas oportunidades, mas conseguiu vencer o fraco São Luiz, por 2 a 0, garantindo a classificação para as quartas-de-final do segundo turno. O Grêmio deve chegar, aos trancos e barrancos, à decisão. Mas acho difícil que tire o título antecipado do Inter.

Ontem, Celso Roth, sempre criticado mas que faz ótimo trabalho, colocou uma dupla estrangeira no ataque (Herrera e Maxi López). Deve ter percebido que o problema não era a nacionalidade, quando colocou Reinaldo e Jonas no segundo tempo. Reinaldo, inclusive, marcou o segundo gol. Makelele já havia marcado o primeiro. Diga-se de passagem, tem marcado muitos gols o volante ex-Palmeiras.

Mais uma vez o Grêmio jogou relativamente bem. E assim tem feito, apesar dos milhares de gols perdidos. Se Celso Roth não fizer graça mais uma vez na hora de decidir, alterando os titulares, o Grêmio tem tudo para ter mais uma boa temporada em 2009. Aos poucos, o time vai se encaixando. E quando acertar o pé, vai fazer bonito.

De virada. De goleada

Pelo Campeonato Paulista, o Palmeiras finalmente se garantiu matematicamente nas semifinais. Mas teve dificuldades para bater o Bragantino, dentro de casa. Os visitantes abriram o placar logo no início da partida. Mais uma falha do estabanado e fraco zagueiro Jéci, que mandou para as próprias redes. Mas Luxemburgo, deu de Luxemburgo. Mudou o time ainda no primeiro tempo, tirando o zagueiro e colocando o atacante e novo amuleto Ortigoza. Funcionou. Porque o Bragantino não conseguiu mudar sua marcação e acabou deixando muitos espaços na sua intermediária para Diego Souza e Cleiton Xavier. Assim, Ortigoza marcou duas vezes, uma em cada tempo e garantiu a virada. Diego Souza ainda foi expulso de maneira infantil e ficará fora do clássico contra o São Paulo, no fim-de-semana. O Palmeiras, apesar de não vir jogando bem tem tudo para se classificar na primeira posição. O próximo mês, promete emoções fortes para o torcedor alvi-verde.

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No Rio, também de virada, o Fluminense venceu o Friburguense, fora de casa, por 3 a 1. Sem Fred, o time tricolor teve dificuldades para encontrar seu bom futebol. Ziquinha, queria cruzar mas acabou abrindo o marcador. Aos poucos porém, o Fluminense cresceu no jogo. E Roger empatou a partida. Aliás, o Fluminense, hoje, tem um bom reserva para Fred. Apesar de muito criticado, Roger tem dado conta do recado. A situação do tricolor ficou ainda mais fácil depois que Wallace foi expulso (ainda na etapa inicial). Deu espaço para Conca, fazer uma pintura no segundo gol. E Thiago Neves fechar o placar, de penalti. O Fluminense segue invicto na Taça Rio. E tem tudo para brigar pelo título. Domingo tem o Botafogo. Impressionante como o trabalho de Parreira tem surtido efeito, principalmente porque recupera o futebol de alguns jogadores que não vinham rendendo, como Conca.

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Por Gérson Sicca

Sinceramente, não dá para ter o Gauchão como parâmetro pra nada. A diferença entre a dupla Gre-nal e os times do interior é absurda. Nesta terça-feira o Inter foi a Bento Gonçalves para treinar. Tocou a bola de pé em pé, geralmente de primeira, amassou o Esportivo e fez 6 gols sem maiores problemas. Poderia ter feito 10 se tivesse mais disposição. E levou 2, um por preguiça da defesa e outro porque em uma cobrança de falta a bola bateu na cabeça de Guiñazu e desviou de Lauro. O trio de volantes do Inter (Sandro, Magrão e Guiñazu) está acabando com os times do interior. Protegem a defesa e sempre saem tocando. Aí até eu jogaria de zagueiro no Inter. Além disso, Danilo Silva marca com eficiência na lateral-direita e apoia sempre com a cabeça erguida e com passes certeiros. Pela esquerda, Marcelo Cordeiro sobe seguro e acha espaços pelo lado esquerdo do ataque. Na frente, Taison até que não apareceu tanto, mas em três jogadas fez três gols. Já são 14 no gauchão. E Nilmar fez de tudo: três gols, passe de calcanhar para Taison em um gol, e de peito em outro. Em suma, o Gauchão é um treino para o Inter. Resta saber se a equipe mostrará esse futebol de encher os olhos contra adversários mais fortes. Por enquanto a marcação é excelente, o meio-campo joga demais e o ataque é mortal. Mas devemos dar um desconto para a diferença de preparo físico. Os jogadores dos times da capital correm muito mais do que os atletas dos times do interior. Isso é nítido.

Enquanto o Inter comemorava, o Gauchão acabou para o Brasil. Nesta terça o Brasil começou bem na defesa, parecendo que repetiria a boa atuação contra o Juventude. Só que o ataque não funcionava. Até saiu na frente, mas permitiu a virada. Rebaixado e sem nenhuma vitória na competição. O ano que começou trágico continua ruim. Agora vem a Série C, onde o Brasil pega um grupo difícil, com Marília, Caxias e Marcílio Dias, este outro rebaixado, só que no Catarinense.

Gaúchão de poucas surpresas


E o Gauchão segue firme e forte no returno, sem surpresas. Abaixo, breves comentários sobre três dos principais jogos da rodada no final de semana.

O fragilizado Novo Hamburgo, que não ganhou nenhum ponto no segundo turno, era presa fácil para o Inter, que aplicou 4 a 1 dentro do Beira-Rio. Para piorar, agora surgiu uma acusação de doping de um jogador do time do Vale dos Sinos. Parece que o Novo Hamburgo já cumpriu o objetivo de manter-se na série A e só vai esperar o campeonato acabar. Já o Inter mostrou ao seu torcedor algo que vinha faltando na equipe colorada: um centroavante matador, que sabe abrir espaços e segurar os zagueiros. Alecsandro, que vem esperando sua vez com tranquilidade, sem cobrar espaço no time, entrou no sábado, fez dois gols, deu passe para outro e mostrou inteligência de sobra pra jogar. Agora Tite terá um problema para definir o time titular. NIlmar, Taison e Alecsandro disputam duas posições. (Nota do autor do blog: será que não podem os três jogar juntos?)

Quando a maré é ruim nada ajuda. Pela primeira vez no campeonato o Brasil mostrou duas virtudes que estavam faltando, e muito ao time: a primeira, que teve condição física para correr até o último minuto do segundo tempo. E a segunda é que a defesa deixou de ser uma peneira. O ataque do Juventude teve dificuldades para jogar e o Brasil conseguiu organizar-se na marcação e sair para o ataque. No final boas chances foram perdidas e um pênalti não foi marcado, e o jogo acabou 0 a 0. Com isso, o Juventude segue na vice-liderança do grupo 1 e o xavante agoniza, preparando-se para as 3 últimas partidas na primeira divisão. Pena que o time custou a ajeitar-se minimamente. Tivesse jogado como jogou no sábado durante a maior parte dos jogos não estaria nessa situação triste.


O Grêmio mostrou no domingo que está pouco interessado no Gauchão, saiu perdendo com seus reservas em campo, mas buscou o empate, o suficiente para manter a primeira colocação no grupo 2, junto com o São José de Porto Alegre, o mesmo que levou 6 da equipe gremista no meio da semana. Mesmo desinteressado o Grêmio será o primeiro do grupo. Para mim o único time do interior que incomoda um pouco é o Ypiranga. O resto lutará pelas outras vagas. O ruim para o Grêmio é que tem 4 pontos a menos do que o Inter e um jogo a mais. Isso significa que decidirá o segundo turno no Beira-Rio, se tudo ocorrer dentro da lógica. Se vencer levanta a moral do time. Se perder começa de novo a novela Celso Roth.

Último invicto. Primeiro vexame

O Grêmio era "sensação" no Brasil. Terminou a primeira fase do Campeonato Gaúcho sem perder uma partida sequer. Foi o time no Brasil que ficou mais tempo imbatível, à frente do Tupi, em Minas Gerais. E provou o quão fraco é o Estadual do Sul.

A primeira derrota, foi semana passada, em Goiânia, para o Atlético. Uma prévia do que estava por vir. Semana calamitosa. Derrota para o freguês Juventude, no último fim-de-semana, decretou a eliminação do Gaúcho. Nova derrota para os goianos, ontem, nos penaltis (no tempo normal o Grêmio venceu por 2 a 1), decretou a eliminação na Copa do Brasil.

Agora, resta ao Grêmio juntar os cacos e refazer o planejamento, que já se mostrou errado. O time tem mais de 1 mês até a estréia no Campeonato Brasileiro. Tempo para uma nova "pré-temporada". E é preciso agir rápido na contratação de um novo treinador. Celso Roth não tem clima para permanecer.

A pergunta que fica é: não seria melhor com Wágner Mancini? A demissão do treinador, quando o time vinha de 6 jogos sem derrota, foi criticada aqui neste blog. Para quem não se lembra, segue o link.

E tem gente que ainda reclama...

Em São Paulo, alguns clássicos foram no interior. A torcida da capital reclamou o "desprestígio".

No Rio, os clássicos da primeira fase, tanto no turno quanto no returno, não valeram nada. Foram amistosos, com pouco público e pouco futebol.

Mas e no Rio Grande? Um viva para a Federação Gaúcha. O regulamento do Campeonato Estadual 2008, não projetou o grande clássico do estado. Resultado: GreNal, só no Brasileirão...

Gaúcho

Internacional x Caxias - Juventude x Inter-SM ou Sapucaiense

O Grêmio era o único time invicto no país até o início da semana. Era. Perdeu na Copa do Brasil, para o Atlético Goianiense, e agora precisa vencer o adversário, em casa, para se classificar. Perdeu para o Juventude, em pleno estádio Olímpico, e está fora das semifinais do Campeonato Gaúcho. Show de invenções do técnico Celso Roth, que resolveu escalar um time confuso. E só confundiu a si mesmo. Subiu no telhado. Bela partida do Juventude de Zetti, que mostra serviço. Transformou uma equipe perdida em um time competitivo para o estadual.

O Inter é favoritíssimo ao título. Tem jogado bem. O esquema da "Bergamota Mecânica", bela alusão feita pela revista Placar ao modo de jogar da equipe de Abel Braga, é surpreendente e interessante. Mas ainda tem seus problemas, e neles o time pode ser surpreendido. Um time que jogue com contra-ataques rápidos pode complicar a vida do favorito.

Na outra partida, o Juventude, que parecia perdido, tem tudo para chegar à decisão. A esperança é o artilheiro Mendes. São 12 gols no Gaúchão. Se a tradição do Juventude era entregar para o Grêmio e complicar o rival Colorado, fica a certeza de uma decisão muito complicada no Sul do país.

O que que o Inter tem?

Não dá trabalho prever que o Inter é um dos semifinalistas do Campeonato Gaúcho. A vitória por 4 a 1, fora de casa, contra o Canoas, deixou um time com um pé na próxima fase. E foi contundente. Alex, mais uma vez foi essencial, com 2 gols. Já são 9 na temporada.

É candidatíssimo ao título, apesar do bom momento vivido também pelo rival Grêmio. O impressionante é notar que o time não tem contado com bom momento dos dois jogadores que mais se espera. Fernandão não é o capitão do ano passado, e nem o artilheiro do ano retrasado. Está devendo. Nilmar continua sendo reforço apenas no Departamento Médico.

Com os dois jogando juntos, e em bom momento, o time do Inter pode ficar ainda melhor. Abel Braga deve vislumbrar mais uma ótima temporada no colorado gaúcho. É time para brigar pelo título do Brasileirão. Olho no Inter.

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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