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Recordista incomparável

Não perderei uma linha neste post comparando Messi com Pelé, Maradona, Ronaldo ou qualquer outro jogador de futebol que seja. No dia em que fuzilou mais um recorde, o argentino só merece ser exaltado.

Com os três gols marcados hoje sobre o Granada, Messi chegou ao 234 em 314 jogos com a camisa do Barcelona (superando Cézar Rodriguez, que marcou 232 vezes entre 1939 e 1955). Nenhum outro jogador na história fez tanto gols com a gloriosa camisa catalã em partidas oficiais. Um recorde incrível para um jogador que tem apenas 24 anos.

Messi não é o maior artilheiro absoluto da história do Barcelona por um mero detalhe. Paulino Alcantara fez 369 em 357 partidas oficiais e também amistosas. Os 135 gols que separam Messi do novo alvo, porém, não parecem distantes. Basta observar que com os três gols de hoje, o atacante também quebrou o seu recorde pessoal: na temporada atual, chegou aos 54 tentos (um a mais que em 2010-2011.

É o artilheiro do Campeonato Espanhol, o recordista de gols em uma mesma partida na Champions League, o maior artilheiro do Barcelona em jogos oficiais. Os números de Messi são tão impressionantes quanto seu repertório de gols. Perna esquerda, perna direita, cabeça, peito, mão. Driblando o goleiro, aproveitando o rebote, de fora da área ou por cobertura, quase uma especialidade.

Ver Messi é um privilégio. Assim como foi para quem assistiu Pelé, Maradona e tantos outros.

Ao invés de compará-lo, é melhor exaltá-lo e aproveitar esta chance tremenda que a vida nos dá. Presenciar os recordes que Messi quebra é participar, de alguma forma, da história. E o incomparável Messi deixa a cada partida a impressão de que muito mais está por vir.

Entre as muitas coisas que tenho motivos para agradecer, uma delas é a oportunidade de ver Lionel Messi reescrever a história do futebol com seus pés.

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Menos comparação, mais exaltação

A quarta-feira foi um prato cheio para fãs de futebol. Show do Barcelona de Messi. Show do Santos de Neymar. Um prato cheio também para bate-bocas intermináveis, comparações sem sentido e perda de tempo.

O camisa 10 do Barcelona deu mais uma demonstração de sua genialidade. Fantástico, marcou cinco dos sete gols do Barcelona sobre o Bayern Leverkusen no 7 a 1 que classificou o time para as quartas de final da Champions League. Não foi em campeonato estadual muito menos contra um time fraco (embora há de se destacar a atuação abaixo da crítica do sistema defensivo alemão).

O argentino que não se cansa de bater recordes foi o primeiro a cinco gols em uma única partida na fase "moderna" da Champions. Chegou a 228 gols com a camisa do Barcelona, apenas 7 a menos que César Rodriguez, maior artilheiro do clube na "era profissional". Já são 49 gols na história da Champions, apenas 12 a menos que Raul o maior artilheiro da competição. Nesta temporada, 48 gols em 42 jogos. Na principal competição do continente, 12 em 7 partidas. Números de um monstro.

Mais tarde foi a vez de Neymar. Na Vila Belmiro, deu mais uma demonstração de sua qualidade e maturidade. Comandou o Santos na importante vitória sobre o Internacional por 3 a 1, marcando os três gols. Um de penalti e duas pinturas. O segundo, principalmente, quando arrancou ainda no campo defensivo por 65 metros até estufar as redes de Muriel. Aos 20 anos, Neymar já é protagonista no futebol sul-americano e principal nome da seleção de Mano Menezes.

Terminam os jogos e começam as chatas comparações. Messi, Pelé, Maradona, Neymar. Todas sem sentido, afinal é impossível medir com clareza qual o maior. Injusto comparar Pelé com Messi porque jogaram em épocas muito diferentes. Assim como comparar Neymar com Messi, pois o craque do Santos ainda está um estágio abaixo do rival em termos de maturidade e tempo de jogo.

A besteira em compará-los é tão grande quanto a de querer diminuí-los. Não querer enxergar que Messi é um jogador sem igual e que Neymar é um atacante extraordinário é tapar os olhos para o óbvio.

O meu conselho? Comparem menos e aproveitem mais. Poder acompanhar Messi e Neymar é um privilégio.





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O pior tipo de cego e os melhores jogadores do mundo

Messi pulverizou nesta semana mais um recorde pelo Barcelona. Com os três marcados sobre o modesto Viktoria Plzen, alcançou 202 em partidas oficiais pelo clube espanhol em 286 partidas. Já é, aos 24 anos, o segundo maior artilheiro do clube atrás apenas de César Rodriguez que marcou 235 (Paulino Alcantara fez 357 em partidas não-oficiais). Ganhou 5 títulos espanhois, 1 Copa do Rey, 5 Supercopas da Espanha, 3 Champions Leagues, 1 Mundial de Clubes e outros incontáveis títulos. Foi eleito o melhor jogador do mundo e caminha a passos largos para ganhar pela terceira vez consecutiva (será o primeiro na história).

Messi tem 281 gols na carreira. Considerando a média (incrível) de 54 gols das últimas três temporadas, precisaria de mais 13 temporadas no mesmo nível para chegar aos 1.000. Pouco provável. No futebol competitivo atual (embora o Barcelona muitas vezes faça parecer que não é), Messi se destaca com sobras. E se não consegue carregar a Argentina nas costas, a culpa é da Argentina e o azar também.

O fato é que Messi encanta. O repertório parece não ter fim, as mágicas também não. Ainda tem tempo, capacidade e cabeça, para conquistar mais. E vai.

Cristiano Ronaldo também aproveitou a semana para bater uma marca importante. Com os dois tentos sobre o Lyon, chegou a 100 com a camisa do Real Madrid. Em impressionantes 105 jogos. Embora ainda esteja muito atrás da artilharia máxima do clube (323 gols em 16 temporadas), tem uma média impressionante de gols. Se mantiver, precisará de nada menos do que 4 anos mais de Real Madrid para superar a liderança.

Cristiano Ronaldo é marrento. Gosta do marketing, gosta de aparecer nas câmeras, é metrosexual. Mas dentro de campo é um monstro, completo. Tem força, velocidade, técnica e é cada dia mais letal dentro da área. Só não foi eleito o melhor do mundo porque teve o azar de viver em tempos de Lionel Messi.

O último atacante a atingir feito importante nesta semana foi Neymar. Aos 19 anos, está entre os 23 selecionados para concorrer ao prêmio de melhor jogador do mundo. Será uma surpresa enorme se ficar entre os três, mas tem motivos de sobras para comemorar. Primeiro porque é o único da lista que não atua no futebol europeu. Segundo, pois ainda está dando os primeiros (e fantásticos) passos no futebol.

Neymar começou a carreira cedo, mas ainda está no início dela. Ganhou títulos paulistas, foi protagonista na Libertadores. "Sofre" com o assédio europeu mas ainda queima lenha no Brasil. Já é o principal nome na seleção de Mano, já é o melhor jogador brasileiro em atividade e já carrega a responsabilidade de comandar o país que vai disputar a próxima Copa do Mundo em casa.

O atacante do Santos ainda é um garoto. Mas amadurece a passos largos e aumenta o repertório a cada semana. De gols, de jogadas, de encantamento. Em breve, provavelmente será testado na Europa e provará que tem potencial para conquistar ainda mais. Pode, no futuro, brigar com Messi e Cristiano Ronaldo pelo posto de melhor do planeta embora hoje, por tudo, ainda esteja abaixo.

Você pode gostar mais ou menos de algum deles. Você pode não gostar de nenhum.

Mas os números estão aí. E são impressionantes! Sorte de quem pode acompanhar de perto três jogadores extraordinários, em estágios e situações diferentes que ainda parecem ter espaço para mais.

O pior cego, é aquele que não quer ver.

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Sem limite para a história

Infelizmente, só pude ver um dos quatro tempos da decisão da Supercopa da Espanha. O primeiro ótimo aperitivo da temporada europeia. E a primeira demonstração do que está por vir no futebol espanhol. Apesar da polarização e do distanciamento cada vez maior de Real Madrid e Barcelona em relação aos outros, é bom ficar de olho no país atual campeão mundial.

Como vi apenas uma pequena parte da equilibradíssima decisão, não vou me ater a análises da partida. Mas sim, do impressionante Barcelona.

Não fosse o Barcelona, o Real Madrid provavelmente estaria escrevendo histórias. Tem um técnico vencedor e um elenco absolutamente qualificado. Que tem todos os requisitos para brigar e ganhar qualquer título no planeta. Se não tivesse um adversário ainda mais impressionante pela frente.

O Barcelona não tem limite para fazer história. Já se igualou ao total de títulos do Real Madrid em termos gerais. Xavi já é o jogador com mais conquistas na história do clube. Guardiola já é o treinador mais vitorioso, mesmo estando no comando da equipe há "apenas" três temporadas. E Messi...

O atacante não precisa provar mais nada. Mas tem até aqui, dois jogos na temporada. Certamente, contra o adversário mais difícil. Pela qualidade do técnico, elenco e rivalidade. Marcou três gols e deu duas assistências. Foi decisivo já no primeiro título do Barcelona na temporada.

Barcelona e Real Madrid fazem muito mais do que um jogo de futebol. Tem rivalidade, questões políticas e muito dinheiro além de futebol muito bem jogado. E para azar do Real, que não vence o rival há 11 jogos (excluindo-se a prorrogação da última Copa do Rey - dado do competente amigo Marcelo Bechler), há um Barcelona no caminho. Um Barcelona que parece sem limites para fazer história.

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Elefantazzo

61 anos depois. A mesma data. Em proporções muito menores (pela importância do jogo), a seleção do Uruguai conseguiu fazer história. Desta vez na Argentina. Eliminando os donos da casa de uma Copa América estranhamente incompreensível. Com atuação que teve raça, técnica e principalmente, impecável disposição tática.

Antes de mais nada, é preciso dizer que o Uruguai não é um time qualquer. Tem tradição e recupera seu prestígio de maneira vertical. Foi quarto colocado no último Mundial, voltou a levar um representante à final da Libertadores e teve campanhas destacadas também com as seleções de base. A Copa América é mais uma grande oportunidade para consagrar o trabalho seguro e competente de Oscar Tabarez no comando do time, favoritíssimo ao título após os resultados de domingo.

Em campo, Argentina e Uruguai fizeram um jogo tenso e repleto de emoção. Logo nos minutos iniciais, na óbvia bola aérea, Pérez abriu o placar. Gol que dava ao Uruguai a possibilidade de jogar como queria: fechado e saindo em velocidade pelos lados. O que os uruguaios não contavam é que Messi aproveitaria o enorme espaço que tinha para circular, assumiria o papel de protagonista e daria passe genial para Higuaín empatar ainda no início.

Messi deu mais um passe para gol argentino e assim como nas outras partidas, poderia ter ampliado seu número de assistências. Cansou de colocar Higuaín em condições de marcar. Circulou bem variando entre o lado direito e o centro do ataque e comandou a Argentina em sua melhor partida na competição. Pelo menos enquanto teve pernas.

A expulsão de Pérez, ainda no primeiro tempo, tardou mas veio. Depois de dezenas de faltas, o volante recebeu justamente o segundo amarelo. Tabárez foi corajoso e não tirou seus dois homens de frente do jogo. Sabia que eles podiam ser decisivos. Fechou Pereira e Gonzales para ajudar no meio-campo e manteve o time.

Com todo o segundo tempo com um jogador a mais, esperava-se que a Argentina ousasse mais. E embora tenha sido melhor, faltou volúpia e vontade de decidir. Messi seguia participando muito, mas faltava aproximação. Quando o 10 recebia a bola, não tinha com quem dialogar. Ao contrário da dupla uruguaia. Forlán e Suarez se entendiam bem e faziam que o Uruguai conseguisse levar perigo mesmo com um homem a menos.

Enquanto Muslera se consagrava com partida histórica (e rara, em sua carreira), o Uruguai seguia jogando. Poderia forçar mais o jogo na bola aérea, mas não abdicava do jogo e nem do ataque. E se viu aliviado após a (ao meu ver injusta) expulsão de Mascherano.

O jogo foi para uma prorrogação tensa, que teve bola na trave e grande tabela da dupla uruguaia que quase definiu o jogo na cabeçada de Forlán. No fim, foi para os penaltis. Pressionada e diante de um goleiro em noite inspirada, a Argentina acabou derrotada na cobrança de Tévez.

Sérgio Batista tem sua parcela de culpa. Apesar de ter feito uma partida correta, a Argentina não soube aproveitar o que tem de melhor: a qualidade ofensiva. Além de procurar um técnico capaz de dar padrão e organização ao time, permitindo que Messi jogue tudo que saiba, é preciso encontrar soluções para um sistema defensivo envelhecido e muito fraco. Dar espaço ao jovem Hugo Nervo na lateral direita, dar mais oportunidades para Emiliano Papa que fez ótima Libertadores pelo Vélez é necessário. É preciso ousar e renovar. Ou deixará um craque histórico como Messi longe de fazer história na seleção.

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A paz que eu preciso

Dois jogos e dois empates com futebol abaixo da crítica. Ameaça de eliminação e muita pressão. Não havia hora melhor para a Argentina enfrentar um time sub-23 da pouco tradicional Costa Rica na Copa América. A goleada por 3 a 0 não prova que a equipe de Batista está pronta para os desafios maiores. Mas dá moral a um grupo qualificado e que tem condições de crescer na competição.

A Argentina veio mudada. Com Di Maria, Aguero e Higuain, Messi ganhou leveza e qualidade ao seu lado. O time melhorou a movimentação e se aproveitou de um adversário que não tem forças para atacar.

O que ficou claro na etapa inicial foi o nervosismo da pressionada equipe. Messi participava muito do jogo (e com muita qualidade). Colocou algumas vezes os companheiros à frente do gol. Mas a bola teimava em não entrar até que Aguero aproveitou rebote em chute de Gago e abriu o placar aos 45 minutos.

A acuada Costa Rica sabia que o sonho havia acabado ali. No segundo tempo, a Argentina foi ainda mais leve e melhorou na partida. Messi passou a jogar ainda mais. Cansou de colocar os companheiros na cara do gol. Aguero e Di Maria aproveitaram e ampliaram o placar. Higuain e Lavezzi se cansaram de perder.

Messi encerrou o jogo com quase 70 passes e apenas três erros. Deu duas assistências e não fosse a fase ruim dos atacantes argentinos, sairia de campo com seis. Apesar da pouca qualidade do adversário, a atuação foi digna do que é Messi e do que ainda pode ser. Para isto, não precisa morar na Argentina, nem cantar o hino.

Com Messi se encontrando e a Argentina com menos pressão a tendência é crescimento. Batista parece também se afastar de seus conceitos iniciais e se aproximar da equipe ideal. Ainda não dá para dizer que o time baterá de frente contra os grandes adversários (e tendência é encarar o Uruguai já na próxima fase). Mas a paz é o primeiro e fundamental passo para que o time possa alcançar as expectativas e lutar pelo título da Copa América.

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Indiscutível campeão

Prometo tentar evitar adjetivos para o Barcelona de Guardiola no texto a seguir. Afinal, não existem adjetivos para qualificar o time que coroou mais uma temporada brilhante com uma conquista irretocável e indiscutível. Também porque, todos os adjetivos que se aproximam do time catalão certamente já foram gastos em textos antes e depois da vitória por 3 a 1 sobre o Manchester United que definiu o campeão da Champions League.

Os ingleses fizeram o que podiam. Ferguson manteve o 4-4-1-1 dos melhores momentos na temporada. E começou bem, com marcação adiantada e pressão no campo de defesa do Barcelona. Os 10 primeiros minutos foram de superioridade do Manchester. Só.

Afinal, só uma equipe consegue jogar com as linhas adiantadas pressionando o adversário durante os 90 minutos. E esta equipe é o Barcelona. Que aos poucos se acertou no jogo e exerceu o "irritante" jogo de paciência e posse de bola. Não são simples passes para o lado. É posse de bola efetiva, com troca de posições em busca de um espaço.

Espaço que estava fácil graças ao meio-campo pouco combativo do United. Giggs, ótimo na Champions, destaque nas assistências, não conseguia acompanhar o ritmo do Barcelona. Carrick tinha dificuldades com Iniesta e os meias abertos (principalmente Valência) eram obrigados a fechar para auxiliar na marcação. Assim, abriam espaços dos lados para os laterais do Barcelona (principalmente Daniel Alves). Isto sem falar no buraco entre as linhas de defesa e meio-campo que Messi aproveitava com a genialidade costumeira.

Pedro abriu o placar quando o Barcelona já era infinitamente superior. O Manchester não conseguia ameaçar e sofria, embora tenha achado o empate em passe de Giggs (ligeiramente impedido) para Rooney. E segurou o empate no primeiro tempo.

Mas não conseguiu segurar o adversário na etapa final. Messi em chute mortal da entrada da área igualou o recorde de Nilsterooy na Champions de 2002 (12 gols, média de um por jogo) e chegou a 53 na temporada. Números de um gênio que não deixa motivos para ficar fora da lista de gênios. Messi já é um deles.

Villa em finalização perfeita da entrada da área ainda ampliou a vantagem quando o Manchester já tentava de maneira desordenada agredir o adversário. Gol de quem soube se encaixar no estilo de um time irretocável.

O Barcelona é campeão da Champions pela quarta vez. Bateu o Arsenal (o adversário com o estilo de jogo mais próximo), o Real Madrid (o adversário mais forte) e o Manchester United (o adversário mais experiente e organizado). Irretocável. Indiscutível.

Aos 25 anos, nunca vi nada parecido com o Barcelona de Guardiola. Na organização, na intensidade, na qualidade. Sorte a minha. E de quem mais pode ver este time fazer história. História que ainda parece longe do fim.

PS: Cena inesquecível a da foto acima. Abidal levantando a taça de campeão europeu depois de jogar por 90 minutos. Tudo isto, pouco mais de 30 dias depois de retirar um tumor do fígado. Deste Barcelona inesquecível, sem dúvidas ele foi o grande vencedor.

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Venceu o melhor

O esperadíssimo Rally dos Clássicos na Espanha chegou ao fim. E embora tenha deixado margens para reclamações e polêmicas, provou a superioridade do Barcelona, grande vencedor do confronto. Ao meu ver, resultados bons para todos: o Real venceu a Copa do Rei e não passou vergonha diante de um time que se aproxima da perfeição técnica e tática.

O último dos quatro jogos foi o melhor. Não pelas chances de gol, raras. Mas pelo futebol em si. Ainda que a violência, as disputas ríspidas e o exagero tenha aparecido como nos outros jogos, aflorando a rivalidade, as duas equipes quiseram jogar desta vez.

Barcelona e Real Madrid já se conheciam sem entrar em campo. Após quatro jogos, ficou evidente o quanto era difícil surpreender o adversário.

Obrigado a vencer e sem Pepe e Sergio Ramos, Mourinho soltou seu time. Kaká ganhou a vaga de Ozil (claramente mal fisicamente e abaixo dos outros jogadores em campo) e Higuaín a de Pepe, com o 4-2-3-1 da histórica goleada por 5 a 0 retornando. A estratégia era tentar roubar a bola no campo de ataque e ganhar velocidade com o trio de meias.

O Barcelona teve o retorno de Iniesta e manteve o padrão de sempre. 64% de posse de bola, trocas de passes incansáveis que devem ser absolutamente irritantes para o adversário. Pela ausência de Pepe, logo a frente da defesa, Messi teve mais espaço desta vez circulando nas costas dos volantes. O argentino foi o principal jogador do primeiro tempo (principalmente na blitz catalã após os 30 minutos iniciais que parou nas mãos de Casillas) e só caiu na etapa final quando o Real abusou das faltas. Só no argentino, foram 11. O Barcelona, no jogo, fez 9 faltas.

Depois de suportar a pressão inicial (e ir para o intervalo sem dar um chute a gol sequer), o Real voltou melhor no segundo tempo. Veio o polêmico gol anulado de Higuaín (há o toque de Cristiano Ronaldo em Mascherano, sem intenção alguma) e logo na sequência o gol de Pedro em mais um passe de cinema de Iniesta.

O time de Mourinho, como em todos os outros três jogos, foi valente. Buscou o empate com Marcelo e teve chances para virar embora tenha ficado na roda em diversos momentos para um adversário sensacional. Em alguns momentos, abusou da violência (Ricardo Carvalho poderia ter sido expulso ainda no primeiro tempo, Adebayor exagerou das faltas quando entrou). Mas mostrou garra e futebol.

O Barcelona está na final. É óbvio favorito, muito provavelmente contra o Manchester United. O que não quer dizer que vencerá, muito menos que será fácil. Mas é um time brilhante, encantador e que provou (mais uma vez) diante do fortíssimo Real suas qualidades.

Que o Real não encare a derrota como vexame. Não foi. O time de Mourinho enfrentou quatro vezes os melhores do planeta. Perdeu uma, venceu outra. Sofreu apenas quatro gols. Desempenho que faz desnecessário tanto chororô.

PS: Justa e maravilhosa a homenagem do Barcelona, torcedores e jogadores a Abidal. Pouco mais de 30 dias depois de vencer um tumor no fígado, o francês entrou em campo nos minutos finais da partida e foi aplaudidíssimo e festejado. Show de bola!

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Crônica de um jogão perdido

Este texto poderia (e deveria) ser apenas mais um apenas sobre futebol. Não é, graças à vida dura de quem só pode acompanhar os jogos da Champions durante o expediente. Caso deste, que vos escreve e que ontem sofreu graças ao terceiro e penúltimo superclássico da série entre Real Madri e Barcelona.

Para quem trabalha em horário comercial com algo não ligado a futebol, a tensão começa no início do dia. O desejo de acelerar o serviço para que nada seja capaz de atrapalhar na hora do jogo.

Quando a bola começou a rolar na Espanha, estava terminando as últimas coisas urgentes. O resto, poderia esperar, afinal era Champions League, era Real x Barça. Assim o fiz.

E pude ver o Real Madrid mais uma vez muito fechado. Mourinho voltou a apostar na marcação forte, principalmente na intermediária, onde flui o jogo catalão. Cristiano Ronaldo mais uma vez parecia ser o único a querer atacar, embora também ajudasse na marcação. Era um time abnegado para defender e pouco ousado para atacar. Em determinado momento, chegou a ter menos de 16% da posse de bola.

O Barcelona tentava superar os importantes desfalques (principalmente o de Iniesta) jogando como sempre. Apesar de mais cuidadoso do que em outras partidas e com suas linhas não tão avançadas como de costume, fazia o jogo de posse de bola e paciência de sempre. Messi, seguido de perto por Pepe e sempre com um zagueiro na sobra não encontrava espaços. E o jogo, apesar de controlado, estava travado.

Equilíbrio enorme de dois times que se conhecem melhor a cada minuto. O jogo foi de poucas chances de gol e truncado em excesso. As jogadas truculentas foram mais presentes do que as belas. As discussões apareceram mais do que os dribles.

Veio o intervalo e fui correndo lanchar e tentar resolver mais algumas coisas do trabalho. Acabei perdendo a confusão que acabou com a expulsão do goleiro reserva do Barcelona, Pinto. Lamentável e coisa que não acontece só no Brasil.

O segundo tempo chegou e o panorama era o mesmo. Equipes pressionando a arbitragem, discussões, entradas duras, pouco futebol. Tudo mudaria quando Pepe usou força desproporcional (para o jogo e tradicional para ele) e derrubou Daniel Alves. O lateral valorizou, o time inteiro do Barcelona pressionou e o luso-brasileiro acabou expulso para revolta de Mourinho. Apesar de achar o lance forte e a expulsão justa, não acho que o árbitro tomaria a decisão não fosse os apelos dos jogadores do Barça.

Neste momento, pensei: "que sorte a minha poder assistir o jogo! Agora sim, teremos futebol". Afinal, com um jogador a mais os espaços que o Barcelona precisavam iriam aparecer. Eis que o telefone toca. Uma voz desconhecida informa que o motoqueiro da empresa acabara de sofrer um acidente. A vida, neste caso, foi mais importante que o jogo e tive que ir.

Não pude ver o show particular de Messi, autor dos dois gols que decidiram o jogo e praticamente definiram a vaga. O Barcelona soube se aproveitar do fato de ter um homem a mais e resolveu o jogo graças ao melhor jogador do planeta.

Muitos falam que o jogo foi ruim e decepcionante. Antes de serem os dois melhores times do planeta, Barcelona e Real Madrid são rivais em campo e fora dele e o jogo valia vaga na decisão do campeonato mais importante do continente. Não dá para esperar sempre o jogo leve e lúdico. As vezes, é preciso brigar.

Ainda falta um jogo. Não dá para duvidar do Real, de Mourinho, de Cristiano Ronaldo. Mas o dilema é enorme: o jogo defensivo que funcionou nas últimas 2 partidas e meia (até Pepe ser expulso) não será suficiente para reverter o placar. O jogo ofensivo, pode gerar outra goleada como no duelo do turno do Campeonato Espanhol. Mourinho sabe disto. Sabe que a melhor forma de atacar o Barça é se defender. Por isto, a classificação está tão perto da Catalunha.

Definição mesmo, porém, só semana que vem. Espero eu, que desta vez sem acidentes.

PS: O motoqueiro recebeu alta do hospital hoje pela manhã e passa bem.

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Round 1 a 1.

Foi apenas o primeiro dos quatro duelos que Barcelona e Real Madrid vão ter nos próximos dias. O que valia menos (já que mesmo se vencesse, o Real ainda continuaria apenas com chances remotas no Campeonato Espanhol). Mas já tivemos um bom aperitivo do que pode acontecer nas próximas semanas quando os dois melhores times do planeta medirão forças pela Copa do Rei e Champions League.

Mourinho e Guardiola mandaram a campo o que tinham de melhor. Sabiam que precisavam de força máxima e que o primeiro jogo poderia definir o rumo das partidas seguintes de maneira indireta.

O Barcelona manteve o 4-3-3 que encanta o planeta há três temporadas. Puyol voltou ao time e foi fundamental enquanto esteve em campo para comandar o sistema defensivo. Novamente a equipe catalã apostou no jogo ofensivo e de paciência com a posse de bola (alcançado incríveis 83% de posse de bola em determinado momento do jogo).

Mourinho mudou a estratégia e a formação para tentar surpreender (e impedir o jogo eficiente do rival). Adiantou Pepe para jogar como primeiro volante, fazendo o primeiro cerco à Messi, com Albiol na zaga. E adiantou Alonso e Khedira para bater de frente com Iniesta e Xavi. A estratégia era marcar forte o Barcelona, mantendo a intensidade ofensiva com Cristiano Ronaldo e Dí Maria invertidos (com o argentino correndo atrás de Daniel Alves e Cristiano Ronaldo com mais liberdade).

O jogo foi equilibrado e muito bem disputado. O Real Madrid diminuía os espaços e não se viu um passeio como nos 5 a 0 do primeiro turno. Muito pelo contrário. O Barcelona também teve que se cuidar na defesa e não conseguia sair para o jogo com a mesma desenvoltura de outras partidas. Pepe fez ótima partida (apesar dos exageros na violência em alguns lances) e conseguiu marcar Messi da melhor forma possível.

Partida tão disputada, com times tão qualificados, só poderia ter sido decidida em detalhes ou falhas individuais. Foi o que aconteceu quando Albiol se atrapalhou e fez penalti claro em Villa. Expulsão e gol de Messi (o primeiro sobre times comandados por José Mourinho).

Com um jogador a mais e vantagem no placar, o Barcelona poderia ter matado o jogo. Mas tocou a bola em excesso, em alguns momentos de forma indolente. Perdeu a chance de matar o jogo e viu Mourinho armar o bote para pressionar o adversário mesmo com um a menos. De forma desordenada, o Real tentava surpreender, embora Adebayor tenha entrado muito mal no jogo. Até que a arbitragem deu penalti de Daniel Alves em Marcelo (duvidoso e absolutamente discutível) para que Cristiano Ronaldo empatasse no fim (primeiro gol do português sobre o Barcelona).

1 a 1 justo. Um bom começo e uma prévia interessante do que está por vir. Que serviu para o Barcelona garantir de vez o título espanhol. E serviu para o Real Madrid ver que é possível bater o grande rival com marcação forte e um pouco mais de capricho ofensivo.

Foi apenas o primeiro round. De um confronto que encantará e surpreenderá ainda mais.

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Simples assim

O prêmio de melhor jogador do mundo, foi para o melhor jogador do mundo. A eleição realizada agora em conjunto pela Fifa e a France Football, consagrou pela segunda vez consecutiva o argentino Lionel Messi como o melhor jogador do planeta.

O extra-terrestre Messi não se cansa de acumular prêmios históricos. É o primeiro da história que, em ano de Copa do Mundo, vence a Bola de Ouro sem ter sido campeão mundial. E de fato, ele não precisa de títulos para ser o melhor.

Mesmo que os ganhe, e não são poucos. Se em 2010 o Barcelona não ganhou tudo como no ano anterior, certamente não foi por culpa do craque argentino. Foram 60 gols em 64 partidas (58 gols em 54 jogos pelo Barça) ao longo da temporada. Média de quem não é deste planeta. E muitos shows individuais. Como a atuação perfeita e inesquecível diante do Arsenal na Champions League, quando marcou os quatro gols na inapelável goleada por 4 a 1.

Contrariando a tradição e o esperado, a Fifa fez o simples. Deu ao melhor jogador deste e de qualquer outro planeta, o troféu que lhe é "de direito". Sorte do Barcelona, da Argentina e de todos os amantes do futebol. Certamente, os feitos de Lionel Messi não vão parar por aqui.

Nota do blog: Escrevi quando da divulgação dos indicados, que votaria em Sneijder. Apesar de achar Messi infinitamente superior, acho que o holandês foi mais bem-sucedido e mais importante para seu time na temporada. Escrevi ainda que achava que Iniesta ficaria com o prêmio, pelo título mundial e pelo gol decisivo. Errei os dois. Mas fiquei feliz com a escolha e assino embaixo do prêmio.

É preciso saber perder

A primeira derrota de Mano Menezes no comando da Seleção Brasileira veio para o pior adversário possível, mas no jogo mais passível de derrota até aqui. A Argentina foi o primeiro grande teste do novo comandante e o time acabou derrotado. Resultado que representa pouco, por ser um amistoso. E que pode ter vindo em boa hora, por uma série de motivos.

Antes de mais nada, é preciso dizer que o Brasil fez, dentro das possibilidades um bom jogo. Controlou a partida, teve maior posse de bola e jogou sutilmente melhor que o adversário durante os 90 minutos. Apesar da qualidade técnica visível de ambos os lados, Brasil e Argentina fizeram uma partida pouco agitada e de pouquíssimas emoções.

Mano optou por escalar o time no 4-3-1-2, com Ronaldinho centralizado na armação. A estratégia deixou o time leve e com boa movimentação pelos lados. Mas ressentia de presença de área, já que ninguém aparecia como surpresa no setor. O Brasil tinha a bola, rodava bem o jogo, mas quase não criava.

A Argentina, num 4-1-4-1 que dava muita liberdade para Pastore e Messi (os wingers), tinha menos a bola. Faltava adiantar suas linhas para pressionar a saída brasileira para tentar controlar melhor o jogo.

No segundo tempo, Mano até tentou melhorar o panorama. Mas foi pouco corajoso ao substituir Neymar por André (aliás, inconcebível a permanência de um Robinho abaixo da crítica até o fim do jogo). A saída de um dos volantes e o retorno ao 4-2-3-1 que funcionou bem nos primeiros jogos poderia ser uma aposta mais interessante.

No fim, quando o justo e o mais provável era o empate sem gols, Douglas perdeu bola no meio-campo e deu o contra-ataque que Messi precisava para marcar seu primeiro gol contra o Brasil e tirar os hermanos da fila de cinco anos sem vencer o clássico.

A derrota para a Argentina é sempre dolorida mas deixa lições importantes. A primeira, e principal ao meu ver, é que comandar a seleção brasileira não é tarefa tão fácil para Mano como parecia. É preciso pensar em passado, presente e futuro para enfrentar os adversários mais fortes. Nomes como Júlio César, Maicon, Lúcio e até Luís Fabiano podem ser importantes num processo de transição. E alguns, como André, ainda precisam amadurecer muito para merecer a oportunidade.

Quem é o melhor?

Saiu hoje a esperada lista com os indicados ao prêmio de melhor jogador do mundo, pela FIFA. Como normalmente acontece em anos de Copa do Mundo, o desempenho no Mundial é preponderante para aparecer entre os melhores. 23 jogadores estão no páreo, e o vencedor será divulgado apenas em janeiro do ano que vem.

A Espanha, campeã mundial, aparece com mais indicados, sete ao todo. A grande surpresa, no entanto, é o ganês Asamoah Gyan, que fez temporada não mais do que regular, mas se destacou na Copa do Mundo. Provas do quanto o evento na África do Sul fez diferença nas escolhas.

Entre os clubes, o Barcelona é o destaque com seis jogadores entre os candidatos (meio time). Não é por acaso, até porque o time além de ótimo como equipe, era a base da seleção campeã mundial. O Bayern de Munique, base da seleção alemã, aparece com cinco indicações. A mega-campeã Inter e o milionário Real tiveram quatro jogadores.

O prêmio para mim, deveria ficar com Sneijder, da Inter de Milão. Fez uma grande Copa do Mundo e foi fundamental na tríplice coroa conquistada pelo seu time. Acho que só Messi fez temporada parecida com o holandês. No entanto, pelo título (e gol decisivo), apostaria em Iniesta como o vencedor deste ano. Não me surpreenderia.

Confira a lista completa:

Júlio César (BRA) – goleiro – Internazionale
Maicon (BRA) – lateral – Internazionale
Daniel Alves (BRA) – lateral – Barcelona
Xavi (ESP) – meia - Barcelona
David Villa (ESP) – atacante – Barcelona
Xabi Alonso (ESP) – meia – Real Madrid
Iker Casillas (ESP) – goleiro – Real Madrid
Carles Puyol (ESP) – zagueiro – Barcelona
Andres Iniesta (ESP) – meia – Barcelona
Cesc Fabregas (ESP) – meia – Arsenal
Cristiano Ronaldo (POR) – atacante – Real Madrid
Diego Forlán (URU) – atacante – Villarreal
Wesley Sneijder (HOL) – meia – Internazionale
Arjen Robben (HOL) – atacante – Bayern de Munique
Lionel Messi (ARG) – atacante – Barcelona
Miroslav Klose (ALE) – atacante – Bayern de Munique
Philipp Lahm (ALE) – lateral – Bayern de Munique
Thomas Müller (ALE) – atacante – Bayern de Munique
Mesut Özil (ALE) – meia – Real Madrid
Bastian Schweinsteiger (ALE) – meia – Bayern de Munique
Didier Drogba (CMA) – atacante – Chelsea
Asamoah Gyan (GAN) – atacante – Sunderland
Samuel Eto’o (CAM) – atacante - Internazionale

O show é garantido

No futebol atual, não há nada melhor do que ver o Barcelona em campo. Um verdadeiro espetáculo. Um tapa na cara de quem fala que para vencer, no futebol "moderno", é preciso jogar feio. Os espanhóis quebram todos os paradigmas e não por acaso, criaram uma forma de vencer e encantar que se mostra cada vez mais efetiva.

É fato que nem sempre os resultados acontecem. Por isso, o time acabou derrotado pela retranca bem armada pela Inter na última Champions. E foi derrotado, em casa, pelo modesto Hércules na última rodada do Campeonato Espanhol (com quatro titulares no banco de reservas).

Ontem, o time poderia ter perdido. Afinal, era infinitamente superior, tinha mais de 70% da posse de bola, parecia perto do gol, quando Govou marcou o surpreendente gol do Panathinaikos. Mas, como de costume, o Barcelona não se assustou e não mudou seu estilo de jogar. Seguiu marcando no campo de ataque e tocando a bola com paciência em busca do melhor espaço.

E como se fosse a coisa mais simples do mundo, os gols vão saindo. Um atrás do outro. Cada um mais bonito que o outro. Messi duas vezes, Villa, Pedro e Daniel Alves. 5 a 1, fora o baile. Os gregos ficaram na roda como outros já ficaram e como muita gente certamente ficará.

Além da base da Espanha, campeã do mundo, o Barcelona tem um "plus" de encher os olhos. Messi é extraordinário. Ontem, seu show teve vários capítulos. Além dos dois gols, acertou duas bolas na trave, sofreu (e perdeu) um penalti, driblou, colocou seus companheiros na cara do gol. Um repertório de tirar o fôlego e encher os olhos.

Para o encantador Barcelona, tudo parece fácil. O passe, a movimentação. É de uma simplicidade ímpar e de uma beleza rara. Não é exagero colocá-los mais uma vez, como favoritos à todos os títulos da temporada. Podem não vencer, já que futebol não é uma ciência exata. Mas o show, este sim, é garantido!

Não havia destino melhor

O Campeonato Espanhol é a competição onde há maior discrepância entre os times. Barcelona e Real Madrid estão anos-luz a frente de todos seus concorrentes. A distância de 25 pontos que separou o segundo do terceiro colocado não é simples coincidência.

O que parece sintoma de um campeonato ruim, acaba tornando-se completamente o contrário. Assistir os jogos de Barcelona e Real Madrid no Campeonato Espanhol é bom demais. Por que? Os dois sabem da diferença que há entre ambos e os outros times. Sabem que perder pontos pode ser fatal. E por isso fazem cada jogo virar uma verdadeira decisão.

Hoje, Barcelona e Real Madrid chegaram praticamente empatados na última rodada. O Real Madrid não fez sua parte e apenas empatou com o Málaga por 1 a 1. O Barcelona goleou. Fez 4 a 0 fora o baile no Valladolid e confirmou mais um título.

Justo, diga-se de passagem. O Barcelona só perdeu uma vez na temporada. Terminou o ano invicto em casa. Venceu os dois clássicos diante do Real Madrid. Fez 99 pontos (um recorde) e 98 gols. Não havia um campeão mais justo que o Barça na competição, sem desmerecer o Real Madrid.

O show de hoje foi fechado com chave de ouro. Messi marcou os dois últimos gols da goleada. O primeiro, com o gol vazio. Um segundo, com o jeito Messi de jogar, driblando em velocidade e fuzilando com precisão. 34 gols em 38 jogos no Campeonato Espanhol. Outro recorde de um time que não se cansa de quebrar barreiras.

Assim como faz craques em casa, o Barcelona ainda produziu um baita vencedor para comandar este elenco. Guardiola é sensacional! Ao lado de Mourinho, o grande técnico do planeta. Enquanto o português é mais tático, mais motivação; Guardiola é coração, é técnica, é extrair individualmente o melhor de cada jogador em nome do grupo.

E por isto o Barcelona encanta. E por isto o Barcelona vence. Campeão Espanhol pela 20ª vez. Um exemplo!

Cansei

Este post é um desabafo. Sincero e verdadeiro. Nas últimas semanas seguidamente tentei qualificar o Barcelona e seu principal jogador. Aliás, é complicado chamar Messi de "principal jogador do Barcelona". Ele é, de longe, o melhor jogador do planeta. De todos os planetas. Um verdadeiro extra-terrestre.

Hoje, não vou buscar adjetivos. Nem vou me prender ao espetáculo de Messi e cia na goleada de 4 a 1 do Barcelona sobre o ótimo Arsenal, que, de fato, não tinha como se proteger, ainda mais com tantos desfalques. Por isso, vou me aprofundar em duas questões.

A primeira, é Messi. Discordo até mesmo do próprio jogador. Lionel não precisa ganhar uma Copa do Mundo para se considerar gênio. Na verdade, não precisa de mais nada. É genial e está no hall dos grandes jogadores da história do futebol.

Pela cabeça no lugar e por ter atingido o status que atingiu tão novo, tem tudo para ser inclusive considerado melhor do que Maradona um dia. Ainda não é, mas tem potencial.

O segundo ponto a ser destacado é o conjunto do Barcelona. Hoje foram cinco titulares fora da equipe. Meio time! Ninguém notou a ausência dos titulares mais uma vez. Um elenco enxuto, mas muito qualificado e principalmente, muito bem trabalhado por Guardiola. O técnico do Barça sabe o que fazer. Entende muito do riscado.

Uma pena o bom, jovem e leve Arsenal ter encontrado outro time com características semelhantes mas no momento vários andares acima. Merecia ir mais longe. Mas, certamente, não tem motivos para se sentir humilhado com a goleada de hoje.

O Barcelona é fenomenal. E Messi, indescritível.

E eu? Não vou ficar procurando adjetivos para descrevê-lo. Aproveitarei o tempo para aproveitar a chance de ver Messi jogar. É um privilégio enorme desta geração e deve ser encarado como tal.

Será simples coincidência?

Neste fim-de-semana assisti mais um show de Messi. Parece repetitivo e chato ficar procurando palavras para descrever o monstro do Barcelona. E é. Afinal, uma hora faltam adjetivos.

A última vítima foi o Zaragoza. 4 a 2 para o melhor time do planeta. Uma festa particular do argentino. Marcou três vezes. E quando o adversário parecia incomodar marcando dois gols, ele sofreu o penalti e se deu ao luxo de deixar a cobrança para Ibrahimovic fechar o marcador.

O repertório segue grande e crescendo. Faz gol de cabeça, faz gol de fora da área, faz gol depois de driblar vários adversários. Vendo Messi jogar, o futebol parece muito mais fácil do que é.

Através do Twitter, porém, me veio algo que eu não havia pensado.

O Barcelona não é o grande campeão europeu apesar de ser um dos maiores clubes do planeta. Não é o maior vencedor da Champions League nem do Campeonato Espanhol. Mas, é recorrente, um dos times que mais jogam bonito e empolgam no planeta.

Prova disto: o prêmio FIFA de melhor jogador do planeta. Inaugurado em 1991, ou seja, foram 19 edições até aqui. Delas, o Barcelona é o maior vencedor: seis vezes. Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho duas vezes e o próprio Messi, ano passado.

Real Madrid e Juventus, quatro vezes cada, também se destacam na lista.

Mas ninguém teve mais vezes o craque do ano que o Barcelona.

Vale lembrar que nos anos de Copa do Mundo, o Barcelona venceu apenas uma vez: Romário em 1994. Neste ano, o desempenho nos clubes pouco importa. Normalmente é o melhor da Copa o eleito melhor do mundo no fim do ano.

2010 é ano de Mundial. E Messi é o principal protagonista de uma Argentina cercada de incertezas. Eu não duvidaria dele.

De que planeta ele veio?

O título do post vem dos comentários de um dos maiores e mais antigos fãs de Lionel Messi que eu conheço: o mais argentino dos brasileiros, Filipe Araújo. E mais uma vez é falando de Messi que se define mais um show do Barcelona na Champions League. A vítima da vez foi o Stuttgart.

Guardiola que não tinha Xavi optou ainda por colocar Ibrahimovic no banco. Reflexos da boa atuação de Henry contra o Valência e das últimas apagadas atuações do monstro sueco, que ainda não parece ter se encaixado muito bem à forma de jogar do Barça.

Forma de jogar que também vem sendo alterada aos poucos. Em detalhes, nunca na essência. Messi tem atuado mais pelo meio. Hora como atacante, hora como meia. Por isso a opção por Henry, que tem mais mobilidade. Por vezes, o francês jogou na ponta esquerda, onde gosta. Mas quando era necessário, aparecia entre os zagueiros para abrir espaços para Messi.

De resto, tudo igual. Futebol envolvente, toques rápidos, muita movimentação. E gols. Muitos gols. 4 ao todo. O primeiro de Messi, uma pintura. Depois de Pedro, em passe magistral de Messi para Touré. O terceiro e mais bonito, de Messi outra vez. E Bojan fechou a conta.

O pobre Stuttgart que até deu trabalho na Alemanha não foi mais do que um espectador. Assistiu a classificação do avassalador Barcelona. E sabe que não tinha chance alguma contra os espanhóis.

Cada vez mais o Barcelona parece decidido a disputar o título em Madrid. E o atual campeão é favoritíssimo e não tinha como ser diferente. Resta saber em quem o sorteio pregará uma peça agora.

Pobre daquele que tiver que enfrentar o Barcelona de Messi.

Cumprindo tabela

Bacana mais uma festa da FIFA para premiar os melhores do mundo no ano de 2009. Só que os resultados, todo mundo conhecia. Estava na cara que não seria diferente...

Marta foi eleita a melhor jogadora do planeta. Pela quarta vez consecutiva. E o recorde deve continuar.

Marta parece de outro planeta. É o Pelé de cabelos longos. Está anos-luz à frente das concorrentes. Até mesmo de Cristiane, outra baita jogadora que sempre está entre as melhores.

Mas Marta nasceu para jogar futebol. Desfila nos gramados como se fosse uma passarela. Dá espetáculo como se fosse uma artista. E é. Uma verdadeira artista da bola.

Se ela fosse homem...

Provavelmente seria como Messi. O gênio argentino de chuteiras. Que aos 22 anos já é campeão de tudo. Recordista de prêmios. E melhor do mundo pela primeira vez.

Primeira de muitas. Messi é encantador. Dribla, corre, marca gols. Não há no mundo ninguém melhor que ele em 2009.

Os prêmios ficaram em ótimas mãos. Sem dúvidas.

PS: Sem dúvidas para mim. Nem para você. Alguns não queriam Messi como o melhor do mundo. Entre eles, o técnico da Seleção Brasileira, Dunga, que votou em Fernando Torres, Lampard e Drogba. Nem para o capitão Lúcio, que escolheu Drogba, Eto'o e Ibrahimovic. Eu devo estar ficando louco...

Festa para os melhores

A FIFA divulgou a lista com os 23 jogadores candidatos à melhor do mundo em 2009. Destaque para a presença de Cristiano Ronaldo, que lutará pelo bi-campeonato.

Quem também merece destaque é o time do Barcelona. Dos 23, seis saíram do clube espanhol, que fez uma temporada brilhante. Por isso, conseguiu quase 1/3 dos indicados.

Três brasileiros aparecem na lista: Luís Fabiano, Diego e Kaká. Senti falta de Júlio César, que merecia mais do que Buffon aparecer por ali.

A Espanha, com seis indicados é o país com mais jogadores, seguidos da Inglaterra, com 4.

Se tudo acontecer dentro do previsto, Kaká, Cristiano Ronaldo e Messi estarão entre os cinco finalistas. E o último, será o vencedor.

Confira a lista completa e diga quem são os seus cinco preferidos para ir para a "final":

Andrés Iniesta (Barcelona/Espanha)
Carles Puyol (Barcelona/Espanha)
Cristiano Ronaldo (Real Madrid/Portugal)
David Villa (Valencia/Espanha)
Didier Drogba (Chelsea/Costa do Marfim)
Diego (Juventus/Brasil)
Fernando Torres (Liverpool/Espanha)
Frank Lampard (Chelsea/Inglaterra)
Franck Ribéry (Bayern Munique/França)
Gianluigi Buffon (Juventus/Itália)
Iker Casillas (Real Madrid/Espanha)
John Terry (Chelsea/Inglaterra)
Kaká (Real Madrid/Brasil)
Lionel Messi (Barcelona/Argentina)
Luís Fabiano (Sevilla/Brasil)
Michael Ballack (Chelsea/Alemanha)
Michael Essien (Chelsea/Gana)
Samuel Eto'o (Internazionale/Camarões)
Steven Gerrard (Liverpool/Inglaterra)
Thierry Henry (Barcelona/França)
Zlatan Ibrahimovic (Barcelona/Suécia)
Wayne Rooney (Manchester United/Inglaterra)
Xavi (Barcelona/Espanha)

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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