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Pra comemorar e lamentar

Durou pouco o tempo para lamentar a prata nos Jogos Olímpicos. Com reforços importantes e sem Marcelo, o Brasil voltou à campo para enfrentar a Suécia em amistoso comemorativo neste domingo. Venceu com autoridade e voltou a mostrar padrão de jogo contra um adversário desfalcado e pobre tecnicamente.

Daniel Alves, David Luiz, Paulinho e Ramires entraram para fortalecer o time principal, que manteve Gabriel no gol e teve Alex Sandro na lateral esquerda. Com Neymar novamente livre para circular pelo campo, atuando mais centralizado, o time de Mano variou entre o 4-2-3-1 e o 4-4-2 em linha, com Oscar na esquerda e Ramires pela direita. Funcionou. Posse de bola, boas jogadas e goleada construída já no fim do jogo com Alexandre Pato no comando do ataque.

O Brasil segue mostrando que já tem uma base para trabalhar. O time não deve mudar muito nos próximos anos. Tem um esquema, uma proposta e um time. Precisa trabalhar mais em cima disto e não recomeçar o trabalho. A grande dificuldade, porém, será a falta de jogos competitivos. Sem disputar as Eliminatórias, o Brasil perde a referência de análise quando enfrenta adversários menos interessados em amistosos. Encontrar uma solução para isto será fundamental para a CBF e para Mano Menezes montar um time forte.

A lamentar ainda mais a postura do time ao não querer jogar com a bonita camisa comemorativa feita pela CBF em homenagem ao mundial de 1958. Ajuda a deixar uma geração cada vez menos identificada com o torcedor ainda mais distante justamente quando deveriam fazer o contrário, pensando na Copa de 2014.

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Brasil mostra amadurecimento. E Neymar.

Depois de enfrentar um Egito que jogou e deixou jogar, o Brasil precisava de um desafio diferente nos Jogos Olímpicos. Teve contra a Bielorrússia, semifinalista do último europeu sub-21 e que tem time alto, forte e de boa qualidade técnica. Jogo difícil e que serviu para mostrar o amadurecimento do time de Mano Menezes, cada vez mais forte na briga pelo ouro.

A proposta da Bielorrússia era clara. Marcar forte, da intermediária para trás. Valorizar a posse e sair em blocos para tentar surpreender. Foi o que conseguiram logo no início de jogo, após troca de passes inteligente que encontrou o brasileiro naturalizado Renan Bressan livre porque Rafael não fechou a marcação. Vantagem no placar e possibilidade ainda maior de se fechar.

Num 5-3-1-1 que isolava Kornilenko à frente, os europeus se fecharam em 10 metros de campo. Duas linhas compactas que negavam espaços ao Brasil. Mesmo sem o mesmo brilho da estreia, o quarteto ofensivo (desta vez com Pato na vaga de Damião) soube procurar os espaços com paciência. Troca de passes de um lado para outro e a jogada diferente de Neymar para achar Alexandre em condições de empatar de cabeça.

O empate não mudou o panorama do jogo que tinha o Brasil atacando com seus quatro homens de frente, os dois laterais e Sandro mas criando pouco. Quem mais buscava o jogo era Hulk, em tarde pouco inspirada e carente de companhia pelo lado direito. Jogo que só mudaria na etapa final.

E mudou porque Neymar resolveu jogar. Chamou a responsabilidade e deixou o lado esquerdo do campo. Se movimentando mais, o atacante do Santos encontrou espaços para desarticular um pouco o bem montado time bielorrusso. Na primeira falta que sofreu na entrada da área, Hulk acertou a barreira. Na segunda, ele mesmo cobrou com perfeição. A vantagem deu tempo para o Brasil trabalhar a bola sem pressa e achar espaços com Neymar. Já no fim, uma arrancada fenomenal terminou com passe para Oscar definir o marcador.

A vitória mostra maturidade de um time que teve que reverter uma situação adversa difícil. Um adversário forte, fechado e com vantagem no placar é um teste importante. O Brasil não teve brilho coletivo mas soube controlar o jogo, não se desorganizar e vencer. E mostrou Neymar. Se assumir o protagonismo que dele se espera, o jovem pode levar o time ao ouro. Não é responsabilidade só dele, como não deveria ser no Santos. Mas é um alento e uma arma fundamental, que pode e fará toda a diferença.

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Brasil mostra potencial e aprende lições

A pressão pela conquista do ouro ganhou tons de apreensão antes da estreia nos Jogos Olímpicos. "Culpa" da derrota da favorita Espanha, do tropeço do bom time do México e da dificuldade do Uruguai que venceu de virada. Contra o tecnicamente bom time do Egito, semifinalista do último Mundial Sub-20, o Brasil deu pinta de que ia golear. Mas o time desconcentrado no segundo tempo mostrou que em torneio curto pode ser fatal e deixou lições importantes.

Nos primeiros 45 minutos, o time de Mano Menezes foi praticamente impecável ofensivamente. No 4-2-3-1, Oscar ocupava o lado direito, Hulk o esquerdo e Neymar armava por dentro para participar mais do jogo. Mas a movimentação e o jogo vertical confundiram a defesa do Egito, que tentou jogar de igual para igual e deixou espaços convidativos.

Oscar apareceu por dentro e abriu o corredor para Rafael abrir o placar. Depois, de novo por dentro, Oscar recebeu lançamento longo e aproveitou o vacilo do goleiro para tocar para Leandro Damião fazer o segundo. E quando Neymar carregou a bola por dentro, a movimentação de Leandro Damião puxou a marcação para permitir a troca de passes com Hulk que terminou com gol de cabeça do atacante santista. Goleada por 3 a 0 e "dever cumprido".

No segundo tempo, o time do Brasil pisou no freio. Neymar ficou mais preso ao lado esquerdo, aparecendo menos. Oscar também se moveu menos. E o Egito aproveitou para ameaçar, principalmente após a entrada de Salah. Com a insegurança de Juan e Neto, o time de Mano Menezes viveu momentos difíceis. Sofreu dois gols, embora em nenhum momento deixou parecer que sofreria o empate.

Com uma defesa com tantos problemas, o Brasil não pode vacilar. O passado prova que a concentração precisa estar no limite para não fazer feio nos Jogos Olímpicos. Mesmo quando foi quase perfeito no primeiro tempo, o time pareceu não jogar o seu máximo. Se atingir o ápice no momento certo, é impossível não imaginar que a seleção brigará pela medalha inédita em Londres.

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Brasil chega forte às Olimpíadas

Mano Menezes divulgou hoje os 18 jogadores convocados para os Jogos Olímpicos. Dada a difícil montagem de um plantel recheado de opções com a pouca quantidade de atletas, Mano Menezes apostou em algumas convicções e terá que contar com a condição física de todos. Pesou para não incluir David Luiz ou Dedé, por exemplo.

Thiago Silva, Marcelo e Hulk serão os três jogadores acima dos 23 anos no plantel. A fase decadente de Júlio César serviu para reforçar a confiança em Rafael já que não há unanimidade na posição no país. Marcelo chega graças à falta de opções no setor. E Hulk surpreende na reta final mas conquista uma vaga merecida. Com ele, o time ganha em poder ofensivo e força física.

Os setores que mais preocupam são zaga e volantes. No primeiro, Thiago Silva terá que se desdobrar para compensar a pouca qualidade de Juan ou Bruno Uvini. Sandro pode acabar sendo deslocado para a posição, mas deixaria Rômulo como único volante de ofício entre os convocados. Danilo e Oscar podem ser opções por ali, com boa saída de bola mas menor poder de marcação.

A solução poderia ser convocar apenas três laterais. Danilo, Marcelo e Rafael, que já jogou nos dois lados pelo Manchester. Assim, Mano abriria mais uma vaga para convocar Casemiro (ou Fernando) para o grupo.

De toda forma, ao lado da Espanha, o Brasil me parece o grande favorito nos jogos. O Uruguai, com ataque forte, corre por fora, mas pode ter problemas defensivos com jogadores de pouca rodagem internacional no setor.

Confira a lista de Mano:

Goleiros - Rafael Cabral (Santos) e Neto (Fiorentina)
Laterais - Alex Sandro (Porto), Marcelo (Real Madrid), Rafael (Manchester United) e Danilo (Porto)
Zagueiros - Thiago Silva (Milan), Bruno Uvini (São Paulo) e Juan (Inter de Milão)
Volantes - Sandro (Tottenham) e Rômulo (Spartak de Moscou)
Meias - Paulo Henrique Ganso (Santos), Oscar (Internacional) e Lucas (São Paulo)
Atacantes - Neymar (Santos), Leandro Damião (Internacional), Alexandre Pato (Milan) e Hulk (Porto)


Ficam de sobreaviso: o goleiro Gabriel (Milan), o zagueiro Marquinhos (Corinthians), o volante Casemiro (São Paulo) e o meia-atacante Giuliano (Dnipro).

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No caminho certo

Demorou, mas na hora certa Mano Menezes parece ter acertado a mão. Contra os Estados Unidos, a seleção brasileira conseguiu engatar dois bons jogos seguidos pela primeira vez sob o comando do treinador. Desempenho absolutamente considerável e que dá alento para um time que vai disputar as Olimpíadas em poucas semanas.

Contra o time americano, o Brasil manteve o 4-2-3-1 com marcação alta que surpreendeu contra a Dinamarca. Mais uma vez Oscar fez a diferença participando ativamente da partida, com e sem a bola. Desta vez, o time teve ainda o brilho de Neymar. O camisa 11 fez o time jogar mais pelo lado esquerdo e fez crescer o desempenho de Marcelo (com um gol e uma linda assistência). No entanto, Hulk acabou ficando isolado do lado oposto e só apareceu na partida quando se movimentou para a esquerda deixando o outro lado absolutamente vazio.

Apesar do 4 a 1 com autoridade, os Estados Unidos conseguiram mostrar melhor que a Dinamarca que o time ainda tem defeitos para corrigir na defesa. Os dois laterais dão muitos espaços e Juan, sem ritmo de jogo, não é confiável para o setor. A solução talvez seja apostar em dois zagueiros acima dos 23 anos (Dedé ou David Luiz ao lado de Thiago Silva).

O importante é que Mano vai encontrando não apenas os melhores nomes para o time como uma forma correta de jogar. A filosofia, que era apenas filosofia até então, vai virando prática. E o Brasil cresce jogando bem contra adversários fortes. Já encontrou um caminho, queiram os críticos perceber ou não. Afinal, é mais difícil notar a evolução do que taxar qualquer adversário vencido como ruim.

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Quando o resultado é o que importa

Basta observar pequenos detalhes para perceber a importância que a vitória nos amistosos tem para o técnico da seleção brasileira. Seja pela comemoração efusiva por um gol contra aos 44 minutos do segundo tempo que garantiu um resultado (injusto). Seja por uma substituição faltando 30 segundos do fim de uma partida que não vale nada. Seja pela falta de testes e insistência com nomes que provavelmente não estarão "disponíveis" em 2014. Nos amistosos da seleção de Mano Menezes, não importa o adversário e nem a qualidade do jogo. O que vale é vencer.

Contra a Bósnia, o Brasil perdeu uma boa chance de se preparar. Se não é um adversário do primeiro escalão, o rival de ontem tem força, alguns jogadores de altíssimo nível (Misimovic, Pjanic e Dzeko, principalmente) e boas chances de estar na próxima Copa do Mundo. Seria um bom teste. Mais uma vez, foi uma grande perda de tempo.

Mano Menezes insiste com escolhas estranhas. Júlio César é mantido no gol mesmo vivendo uma fase não tão boa (embora tenha crescido de produção na Inter). David Luiz, em momento terrível no Chelsea, idem. Pode-se dizer o mesmo de Sandro, que segue perdendo espaço no bom time do Tottenham. Hernanes, um dos melhores jogadores do Campeonato Italiano, joga fora de sua posição na equipe de Mano Menezes. Isto sem falar no capítulo à parte chamado Ronaldinho Gaúcho.

Mano Menezes já tem 18 meses de trabalho. Venceu alguns jogos que não valhiam nada. Perdeu outros. Foi eliminado da Copa América. Ainda não conseguiu fazer a equipe jogar de maneira vistosa e não dá pinta de evolução. Não montou um time Olímpico e nem mostrou que está se preparando para a próxima Copa.

Diego Alves, Dedé, Felipe Mello, Ganso, Oscar e cia pedem passagem. Preocupado apenas em vencer para se manter no cargo, Mano Menezes não dá. Perde o tempo dele, perde o tempo da seleção e faz quem para pra assistir seu time perder tempo também.

O relógio da vida, porém, não para Mano Menezes. O tempo urge.

PS: Impressiona que em 1 ano e meio de trabalho Mano Menezes não tenha testado outro esquema em alternativa ao 4-2-3-1 (que às vezes parece um 4-3-3 mas que cada vez mais tem a cara do time de Dunga, com o meia pela direita atuando quase como mais um volante). A diferença para o time do antecessor era que aquele tinha uma proposta bem definida, era bem treinado e tinha a bola parada como arma fortíssima.

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Apenas uma pergunta

Gostaria de participar da coletiva de Mano Menezes após a magra e sonolenta vitória contra a Costa Rica por 1 a 0 ontem a noite. Mais um amistoso pobre, que não acrescentou nada e que não serviu para conclusão alguma. A pergunta é: qual o objetivo atual de Mano no comando da seleção?

Independente da resposta, Mano se perde. Me parece querer abraçar o mundo, com vários objetivos, e não consegue evoluir em nenhum deles.

Se o objetivo da seleção é vencer, jogar o mais forte possível, está errado. Não faz sentido poupar jogadores como Daniel Alves e Marcelo. Nem contar com jogadores como Fred, que pouco tem resolvido no Fluminense. Tão pouco, deixar de fora jogadores como Anderson, que faz ótimo início de temporada no Manchester.

Se o objetivo é pensar para 2014, o erro é ainda maior. Júlio César, Ronaldinho Gaúcho e Fred (de novo) já estão na curva descendente da carreira. E sinceramente, não vejo chances para que eles estejam atuando ainda em alto nível até 2014. A mesma reposta ficaria negativa se o treinador estiver pensando na formação do time olímpico.

Mano paga caro por não ter uma base para evoluir. A Espanha, melhor time do mundo, pôde aproveitar o modelo e grande parte dos jogadores do Barcelona. A Alemanha, segundo melhor na minha opinião, pegou a base de Dortmund e Bayern de Munique, que jogam de maneira parecida. No Brasil, é impossível fazê-lo. O Santos, poderia servir como base com Danilo, Arouca, Elano, Ganso, Neymar e Borges. Mas além da impossibilidade de convocar muitos jogadores do mesmo time, a falta de competitividade do Santos (que brinca no Brasileirão) prejudica.

Mano precisa escolher um objetivo. E focar nele para buscar evolução na linha de trabalho.

O que eu faria? Colocaria como objetivo a Olimpíadas de 2012. Utilizaria apenas jogadores que poderão jogar em Londres sempre com o acréscimo de três ou quatro jogadores acima da idade. Mano poderia montar um time forte para ganhar o ouro olímpico, observar garotos que podem estar no auge em 2014 e seguiria aproveitando jogadores mais experientes (fazendo um rodízio). Independente de ser a melhor ou pior, é uma linha de trabalho.

Qual a sua, Mano?

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Proposta e vitória

Mano chegou e citou a Espanha como modelo a ser seguido. Marcação no campo ofensivo, posse de bola. Hoje, contra a Argentina, a proposta foi outra. Que lembrou, aliás, o time de Dunga tão criticado.

Não foi um jogo vistoso. O primeiro tempo foi tão sonolento como a primeira partida na Argentina. E na etapa final, a emoção cresceu após o gol de Lucas que desanimou a Argentina e a obrigou a dar mais espaços.

O Brasil, no 4-2-3-1 com Lucas e Neymar pelos lados, jogou quando teve espaços para contra-atacar. No mano-a-mano, pelos lados, é mortal. Tem velocidade, qualidade, poder de definição. Quando precisa trabalhar a bola, faltam alternativas.

Fechada e organizada num 3-5-2 que liberava Montillo para circular atrás dos dois volantes do Brasil, a Argentina tinha dificuldades para trabalhar a bola. Os três volantes no meio-campo não tem bom passe e os laterais além de noite pouco inspirada tinham de se preocupar mais com a marcação. Como Viatri foi mal e não conseguiu dominar uma bola sequer, a bola batia e voltava sem oferecer perigo algum.

Para sair o gol, era preciso um erro ou muito espaço. E a Argentina ofereceu a chance que o Brasil aproveitou no melhor estilo "Dunga". Passes rápidos de Rômulo para Danilo e dele para Lucas que arrancou até estufar as redes. Com mais espaços, o time se soltou e Cortês em boa arrancada achou Diego Souza que achou Neymar. Toques rápidos e outro gol.

O Brasil do segundo tempo não tem a cara que Mano quer. Mas tem a melhor cara para o momento. O problema é que não dá para jogar sempre no contra-ataque, principalmente em uma seleção tão respeitada. Jogar rápido e se impor no drible vertical é um caminho. E uma ótima alternativa para um time que pode ganhar Kaká em evolução, outro meia mais de imposição física que cerebral.

Não era a proposta, mas trouxe a vitória. E pode ser um caminho a ser melhor observado. Assim como os amistosos contra a Argentina serviu para observar o seguro Jéfferson, o interessante Cortês, o eficiente Rômulo e o fundamental Lucas.

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Ganhar e, principalmente, jogar

O retorno da extinta Copa Rocca, agora sob novo nome, poderia ser extremamente útil no trabalho da Seleção. Seria uma oportunidade para testar jogadores diferentes, dar cancha para jovens que começam a buscar espaço na equipe e dar sequência ao trabalho para 2014. Mano disse em entrevista antes do jogo que não era partida para jogar, e sim para ganhar. Não fez nem um, muito menos o outro. E acabou não aproveitando absolutamente nada em mais um amistoso.

Não estou de acordo com os que acham que os amistosos são apenas para testes. Principalmente porque, como não vai disputar as Eliminatórias, o Brasil precisa levar todas as partidas à sério. E vencer adversários fortes é fundamental. Mas, em um jogo apenas com jogadores locais, contra uma Argentina desfigurada, a hora era de aproveitar a oportunidade.

Mano começou mal na escalação. Kléber, aos 31 anos, e com rendimento apenas regular no Inter foi titular. Réver, que só agora começa a recuperar seu futebol no Atlético-MG também. Isto sem falar na inexplicável opção por Renato Abreu no meio-campo.

O jogo começou com o Brasil no 4-3-3 europeu (três volantes e três atacantes). Voltou a sentir falta de articulação. Neymar e Ronaldinho eram obrigados a recuar muito para buscar o jogo. Além de ficarem longe da área de decisão, deixaram Leandro Damião isolado.

A Argentina, no 3-5-2, tinha o objetivo claro de fechar os lados do campo. Aos poucos, percebeu os espaços, ganhou o meio-campo e dominou o jogo. Era um time mais fraco tecnicamente, mas uma equipe muito bem organizada pelo ótimo Alejandro Sabella. E mostrou alguns bons nomes como Martinez, Fernandez e principalmente Canteros. Boseli, no pouco tempo que esteve em campo, também foi bem, levando constante vantagem sobre a dupla de zaga do Brasil que batia cabeça.

O Brasil não jogou. Jovens como Mário Fernandes, Cortês, Casemiro, Lucas e Oscar que poderiam ser testados não entraram em campo ou jogaram pouco tempo. A noite só não foi absolutamente perdida porque em lance isolado, Leandro Damião fez jogada individual: chaleira no lado do campo, em direção ao gol, e finalização por cobertura que bateu na trave.

Mano segue colocando o emprego à frente do desenvolvimento. O trabalho não ganha força e a pressão cresce. A impressão que fica é que o processo é irreversível: a cada partida Mano fica mais pressionado, pensa mais nos resultados e o time piora.

A hora de ganhar já chegou. Mas a hora de jogar não deveria ter passado em momento algum.

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Tudo tem dois lados

É preciso cuidado para avaliar a nada surpreendente vitória da Alemanha por 3 a 2 sobre a Seleção Brasileira na tarde de hoje. Uma das grandes sensações do último Mundial, a Alemanha apresentou um time jovem que ainda tem muito a evoluir até atingir seu ápice. E que ainda ganhou outros jovens promissores, como o ótimo Gotze.

Se o placar final não assusta, a inferioridade do time de Mano Menezes em grande parte do confronto é preocupante.

Quando Mano estava indisponível, Mano falava que ele era indispensável em seu esquema. Hoje, abriu mão do meia que não vem jogando bem para reforçar a marcação com Fernandinho. No 4-2-2-2, o Brasil tinha dois meias (Robinho e Fernandinho) mais preocupados em destruir do que construir. O objetivo era claro: roubar a bola e sair em velocidade, pelos lados, para tentar surpreender.

Depois de 15 minutos de sufoco absoluto, sem passar do meio-campo, o Brasil se acalmou e entrou no jogo. Encaixou muito bem a marcação e embora não conseguisse segurar a bola, não levava sustos.

Com posse de bola qualificada e atuação destacada do ótimo Schweinsteinger, a Alemanha tentou abrir espaços o tempo inteiro e aproveitou as melhores oportunidades que teve. O Brasil conseguiu chegar apenas em um lance perdido por Pato no início da etapa inicial, em um penalti duvidoso (assim como o penal para os alemães) e em jogada individual de Neymar com passe de Ganso.

O resultado foi justo e como já disse, não é assustador. Hoje, a Alemanha além de ter um elenco mais completo, tem um time pronto. Que joga junto há algum tempo e que parece evoluir cada vez mais, capaz de atingir seu auge em 2014.

Mano precisa esquecer conceitos e diminuir a politicagem. É hora de repensar. A tal reformulação e, principalmente, a nova dinâmica de jogo não funcionou. Precisamos reconhecer que não temos mais a melhor seleção do planeta e isto é um primeiro passo importante. Mas com organização e aproveitando o que temos de melhor, podemos encarar de igual para igual qualquer grande time do planeta.

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Falta tudo

Mais uma atuação decepcionante. Mais um empate. O Brasil tem tudo (inclusive a obrigação) para se classificar para a próxima fase da Copa América com regulamento esdrúxulo onde é preciso se esforçar muito para ficar fora. Mas decepciona (muito) tatica e individualmente até aqui na primeira competição oficial da era Mano Menezes.

A opção surpreendente de Mano Menezes por Jádson na vaga de Robinho causou estranhamento. Para todos, a tendência era a entrada de Lucas ou, na pior das hipóteses, de Elano. Preconceito dos que gostam de rótulos e que acreditam que só os que jogam nos grandes centros podem jogar na seleção. E que para julgar um jogador, sequer procuram vê-lo jogar.

Para a sorte de Mano, Jádson entrou bem na partida (apesar do claro nervosismo) e foi importante para auxiliar na articulação ao lado de Ganso, mantido o 4-2-3-1 que o técnico não parece disposto a desfazer. Num primeiro tempo fraco de opções, saíram dos pés do meia do Shaktar as duas melhors jogadas do Brasil: um passe preciso para Pato sair na cara do gol e um belo chute de fora da área que abriu o marcador.

O Brasil seguia com dificuldades pois Ganso ainda não encontrou seu espaço e seu melhor futebol. Neymar também sente o peso da competição (natural pela idade) e peca pelo individualismo e vontade de brilhar logo.

Além de dificuldades individuais, o Brasil tem problemas táticos. Falta mobilidade. Faltam soluções. Jádson foi o único dos três meias a buscar troca de posição. Os volantes ajudam pouco os laterais na marcação e a defesa acaba exposta. Fato que contribuiu, inclusive, para a partida ruim de Daniel Alves, que assim como Messi, não consegue fazer na seleção metade do que faz no Barcelona, embora muitos prefiram julgá-los individualmente do que perceber a importância do que está ao redor deles para o desempenho extraordinário.

No intervalo, Jádson saiu para evitar a expulsão (já tinha cartão amarelo e merecia outro pouco antes de abrir o placar) e Elano entrou disperso pela meia direita. O Paraguai cresceu e puxou contra-ataque com o ótimo Estigarribia que Santa Cruz aproveitou para empatar. Os paraguaios, com bons valores e muita organização, já mereciam o resultado. Mais uma vez, o Brasil sentiu e pouco depois veio a virada. Neymar perdeu gol feito após passe genial de Ganso e no ataque seguinte Daniel Alves falhou bizonhamente perdendo a bola na área para Santa Cruz que deixou Valdes sozinho.

O Paraguai se fechou reoxigenando o meio e abrindo mão do ataque. Mano mexeu, mas o time continuou sem articulação e com imensas dificuldades. O nervosismo prejudicava ainda mais. No fim, mais por sorte que por merecimento, Ganso deu passe brilhante que Fred, mesmo mal, aproveitou para mostrar mais uma vez a estrela que o acompanhou durante toda a carreira.

O Brasil ainda tem um jogo na primeira fase para tentar provar evolução e para crescer. Como disse acima, a classificação deve chegar. Mas é hora de achar soluções. Táticas e individuais para um time que parece longe de se acertar.

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Novas opções

Depois da decepcionante estreia da seleção argentina, o Brasil repetiu a dose em uma Copa América pouquíssimo empolgante até aqui (apenas 3 gols em 4 jogos). O empate sem gols contra a Venezuela escancarou um problema que já vinha sendo demonstrado nos últimos meses na seleção: a falta de alternativas do time de Mano Menezes.

Nos últimos amistosos, com resultados e jogos ruins, o time mostrou claramente sentir falta de Ganso, então machucado. Ontem, voltou a sentir falta do armador, mesmo com ele em campo. E num dia com o meia pouco inspirado, o time não funcionou.

Mano Menezes voltou a escalar o Brasil no 4-2-3-1. Os primeiros minutos animadores, com jogadas verticais e marcação adiantada, rapidamente deram lugar a um time previsível e que pouco incomodava. Ganso ficou muito preso na faixa central, não conseguiu dialogar com os volantes nem com Pato e acabou encaixotado pela marcação dos volantes venezuelanos. Neymar ficou muito preso pela faixa esquerda do campo, sem as perigosas entradas em diagonal e trocando pouco de posição com Robinho. Que tentou buscar o jogo também pelo lado esquerdo, mas acabou errando além da conta e isolando Daniel Alves.

A atuação estática seguiu durante o restante do primeiro tempo e também na etapa final. E quando esperava-se que Mano tivesse notado que o jogo não fluia e alterasse a equipe, o treinador errou na avaliação. Colocou Fred em campo passando Pato para o lado direito (depois substituindo o atacante por Lucas), quando o atacante do Milan fazia boa partida e só não aparecia porque a bola não chegava até ele. Manteve Ganso, jogando mal, em campo e manteve o time no 4-2-3-1 que não funcionou.

Ainda é cedo para cobranças exageradas e para pedir a cabeça de Mano Menezes. Muito embora ele esteja entre os técnicos que teve mais amistosos e mais tempo de treinamento nas últimas décadas. A cobrança não é em cima de resultados, e sim de futebol. O jogo fluente, leve e com "a cara do Brasil" prometido e demonstrado na estreia contra os Estados Unidos não voltou a aparecer. E é hora de buscar novas alternativas. O 4-2-3-1 não é o único modelo de futebol leve e atraente e talvez seja a hora de Mano se desligar do seu sistema preferido.

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O tempo acabou

O jogo tinha todos os ingredientes para dificultar a análise do desempenho brasileiro. Primeiro porque a Romênia trouxe ao Brasil uma seleção sem seus nomes mais importantes, que já não são tão bons assim. Segundo, pois o evento da noite era a despedida do Ronaldo e era impossível separar os 15 minutos de festa do restante do jogo.

O Brasil até começou bem, aproveitando-se da fraqueza do adversário que só levou perigo em falta de muito longe que acertou o travessão. O time de Mano tinha os laterais jogando no campo ofensivo, Elias com muita liberdade e Jádson, o melhor em campo, se aproximando do trio de atacantes. Apesar da boa movimentação faltava capricho no último passe que só saiu certo quando a boa trama de Jádson e Neymar deixou o gol vazio para um ansioso Fred balançar as redes, cavar seu lugar na Copa América e homenagear Ronaldo.

O camisa 9, absolutamente acima do peso, entrou em campo aos 30 minutos e o jogo mudou. Todos na seleção queriam procurar Ronaldo, para dar-lhe a oportunidade de marcar. Todos na Romênia não pareciam dispostos a evitar, dando imenso espaço para o centro-avante. Todos, menos o goleiro Tatarusanu. Com duas boas defesas, estragou a festa e impediu o último gol do Fenômeno que ainda perdeu outra boa chance.

No segundo tempo a festa havia acabado e a motivação para o jogo também. O time brasileiro voltou sonolento e pouco inspirado. Teve a bola mas não ameaçou. Deu espaços perigosos que deixaram para os romenos a impressão de que o empate era possível. As substituições de Mano não funcionaram e mais uma vez o time deixou o campo sob vaias.

A decepção pelo desempenho bate de frente com a sensação de um time organizado, que sabe onde quer chegar. O problema é que o tempo nunca foi parceiro do técnico da seleção. É bom que Mano saiba que na Copa América os resultados vão influenciar, e muito, na sequência do trabalho. Por isto, algumas escolhas como a ausência de Marcelo e Hernanes são injustificáveis. É hora de jogar bem e vencer.

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Problemas "santistas"

O amistoso contra a Holanda jamais valeria para vingar ou descontar a derrota na última Copa do Mundo. Mas tinha importância, pelo fato de marcar a oportunidade de Mano Menezes escalar a seleção brasileira contra um adversário qualificado e tradicional às vésperas da Copa América.

Ainda sem contar com Ganso, Mano e sua seleção tiveram dificuldades muito parecidas com a que Muricy Ramalho vem tendo no Peixe. Mais uma prova de que os jovens santistas formam a base da reconstrução e do futuro do Brasil visando 2014.

Pela primeira vez no 4-3-3, de fato, Mano esperava que Elano pudesse ser seu articulador. E assim como no Santos, faltou o passe diferenciado e um jogador capa de girar e trabalhar a bola no campo ofensivo. O time dependia da velocidade e do drible para surpreender e chegar ao ataque, tudo que passou longe no chato primeiro tempo que só valeu por duas boas tramas da Holanda que deixaram Affelay em condições de marcar e confirmaram a qualidade acima da média de Júlio César.

As vaias no intervalo e a reorganização do time mudaram o panorama do jogo nos 20 minutos iniciais do segundo tempo. Neymar e Robinho se aproximaram e participaram mais do jogo, com o santista tornando-se o protagonista da partida. E assim como no time de Muricy, ele fez a diferença com o Brasil empilhando uma sequência de gols perdidos.

As chances desperdiçadas desanimaram a seleção que voltou a diminuir o ritmo até a expulsão de Ramires, pouco depois de Mano tentar reoxigenar seu time com as entradas de Sandro, Elias, Lucas e Damião. Daí até o fim do jogo, o que se viu foi a mesma coisa que na etapa inicial: nada.

No Santos, Muricy é obrigado a usar Elano como meia devido à falta de experiência de Alan Patrick para assumir a função em jogos tão decisivos. No Brasil, Mano precisa e pode encontrar alternativas. Thiago Neves, ainda que com características diferentes, me parece o jogador mais parecido com Ganso no elenco atual. E com ele, o time pode ganhar o toque de bola e o controle da posse que necessita para funcionar melhor.

A Copa América já bate a porta e será o primeiro grande desafio de Mano na seleção. Na competição, o time será testado e cobrado, de fato. E precisará encontrar alternativas que para um clube não são tão fáceis, mas que para o Brasil precisam acontecer.

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Política e exagerada

Mano Menezes divulgou hoje a lista para os amistosos com Holanda e Romênia (despedida de Ronaldo), em junho. 28 convocados, de onde sairão também os 22 selecionados para a Copa América, em julho. Única exceção poderá ser feita caso Ganso se recupere de contusão antes do prazo pré-determinado.

Como de costume, Mano muda poucos nomes. A lista é política e não tem grandes novidades.

Fábio, goleiro do Cruzeiro, foi chamado pelo treinador. Há pelo menos quatro anos é regular e está entre os melhores do país. A convocação é justa e corrige erro histórico, mas dificilmente Fábio entrará em campo. Convocação que serviu para diminuir a pressão em torno do nome do goleiro mas que para Fábio não valerá nada, principalmente porque quatro goleiros foram convocados.

Thiago Neves também é novidade. Me parece um nome justo e que tem tudo para ficar. Fez ótimo semestre com o Flamengo, carregando o time nas costas quando Ronaldinho ainda não mostra brilho.

O último novo nome foi o de Fred, atacante do Fluminense. Embora ache que ele é o melhor do país na posição e que tem tudo para ser o dono da nove nos próximos anos, a presença de Fred é injustificável no momento. Pouco jogou em 2011 e ainda luta contra as seguidas lesões. Este chamado, certamente, não foi conquistado pelo que ele fez.

Entre as ausências a que mais chama a atenção é a de Marcelo. Fica claro que há um problema entre jogador e técnico. O que não justifica que ele fique fora. Técnica e taticamente, Marcelo é de longe o melhor lateral esquerdo do Brasil. Foi protagonista no Real Madrid e não pode ficar fora da seleção.

Me chama a atenção ainda a ausência de Hernanes e Hulk, que pelo que fizeram na temporada européia mereciam fazer parte do grupo. Hernanes caiu no conceito de Mano por causa da expulsão contra a França. Hulk ainda sofre com o preconceito diante de seu nome.

A lista não é ruim. O trabalho segue firme, com boa continuidade. Mano tem um time forte em mãos que deve crescer com o amadurecimento de Neymar. Resta corrigir algumas injustiças e principalmente, deixar de lado política e picuinhas para chamar aqueles que merecem pelo que fazem dentro de campo.

Confira a lista completa aqui.

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Como tudo deve ser

Nenhuma renovação, por mais necessária que seja, se dá do dia para a noite com eficácia. E Mano Menezes parece ter percebido isto, depois de dois resultados negativos que começaram a colocar pressão sobre seu trabalho e antes do primeiro grande desafio no comando da seleção brasileira.

O 2 a 0 sobre a Escócia não foi grandioso. Esteve longe de ser um espetáculo capaz de encher os olhos. Mas dá um pouco mais de tranquilidade para o treinador e indica um caminho para a transição que fará bem tanto ao time quanto aos jovens que estão chegando agora ao elenco canarinho.

Antes de mais nada, é preciso lembrar que a Escócia, apesar da carência técnica não é uma baba como alguns quiseram colocar. É um time organizado taticamente e forte na defesa, que recentemente deu muito trabalho à atual campeã do mundo, Espanha (3 a 2, com gol da vitória marcado por David Villa nos minutos finais).

Na teoria, Mano Menezes desejava manter o 4-2-3-1, base de seu trabalho até aqui. No entanto, em campo, o que se viu foi um time organizado numa espécie de 4-3-2-1, graças ao confuso posicionamento do tímido Jádson e ao avanço da dupla de volantes que não tinha a quem marcar no meio-campo, alinhando com Elano na linha inicial.

O Brasil conseguia ter a bola e fazia um jogo de grande movimentação, principalmente devido à liberdade já citada para Lucas Leiva e Ramires. Faltava, no entanto, brilho e capricho no toque final. O time criava boas jogadas, envolvia o adversário, mas não conseguia finalizar. Talvez por isto, em alguns momentos tenha ficado refém das bolas alçadas para Leandro Damião, estreante que mostrou presença de área e que pode ser útil tanto nas Olimpíadas quanto num futuro breve no time principal.

O tal "lance diferente" só aconteceu quando a bola caiu nos pés de Neymar. Mesmo bem marcada, a jóia santista conseguiu achar espaço saindo da faixa esquerda em diagonal abrindo espaço para as subidas de André Santos e Ramires. Assim, fez o primeiro em toque de quem sabe, e sofreu o penalti convertido por ele mesmo.

De bom ainda, a entrada de Lucas (do São Paulo), que mesmo atuando pouco tempo mostrou desenvoltura e qualidade para atuar tanto com velocidade pelos lados quanto como articulador central apesar da característica de carregar em excesso a bola.

A Copa América será o primeiro torneio de Mano. A primeira obrigação em dar respostas. E por isto, é bom contar com a experiência de jogadores como Júlio César, Maicon, Lúcio, Elano entre outros, inicialmente deixados de lado na tal "renovação" mas que aos poucos vão recuperando espaço. Num time onde o único grande protagonista é um ainda garoto, é bom contar com a experiência de quem pode conduzir o time ao caminho da tranquilidade.

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Curto e longo prazo. Os acertos de Mano Menezes

Talvez tenham sido os últimos resultados, decepcionantes. Talvez fosse mesmo questão de tempo. Certo é que Mano Menezes fez a convocação com mais mudanças até aqui desde que assumiu a seleção. E observando o momento dos jogadores e a ausência por questões óbvias e físicas de outros, as escolhas de Mano fazem muito sentido e apontam para um caminho muito interessante.

A começar pelo retorno de jogadores importantes. O que comprova que o trabalho de Dunga não foi tão ruim como alguns teimam em querer mostrar. E que a reformulação não pode e não deve ser total e de forma repentina. Júlio César já havia reassumido o posto que lhe é de direito. Maicon e Lúcio, apesar da idade avançada, ainda podem ser muito úteis, inclusive passando experiência para os mais jovens. Hoje, não dá para abrir mão de jogadores deste nível. A volta de Elano também é justa. Desde que voltou ao Brasil, o meia tem sido um dos destaques do Santos. É outro que agrega experiência e qualidade além de ser ótimo para o grupo.

Quanto às novidades, também ótimas. Henrique é ótimo volante e já fazia por merecer oportunidade. É o maior ladrão de bolas do futebol brasileiro e tem qualidade técnica para sair jogando, como deseja Mano. Lucas é um meia raro, e apesar de ainda não estar maduro o suficiente para ser titular do time principal, deve permanecer no grupo, ganhando experiência. Já Jonas, merece pelo que fez ano passado. Ainda que persista o preconceito quanto ao jogador, o atacante já mostrou que pode ser opção interessante para Mano.

A maior surpresa no entanto é a ausência de Robinho. Titular absoluto e capitão de Mano desde que o técnico assumiu o time, o jogador foi "poupado" desta vez. Ainda que não seja titular absoluto do Milan em todas as partidas, tem sido peça fundamental do time italiano e certamente, será importante também na seleção.

Mano reforça o time para impedir que seu trabalho comece a ser questionado. É prudente e inteligente. E já se mostra preocupado com um time capaz de vencer a Copa América.

Outra situação que fica perceptível na convocação, é que Mano já se prepara para buscar uma alternativa ao 4-2-3-1. Com os convocados desta vez, é possível imaginar boas opções para um 4-2-2-2 ou 4-3-1-2, ambos com times muito fortes.

Por fim, a eterna polêmica do goleiro Fábio, mais uma vez ignorado na lista. Victor é o goleiro que Mano pretende preparar para 2014 e só isto deve bastar para que Mano o mantenha na lista. E apesar do enorme preconceito, Jéfferson tem feito partidas incríveis e quem critica sua convocação certamente não tem visto o Botafogo jogar.

Fábio é ótimo. Do mesmo nível ou melhor que os dois reservas. Mas aos 30 anos, não teria espaço para jogar. Júlio César é inquestionável. Ser convocado apenas para dar satisfação, para fazer parte do grupo, acrescentaria muito pouco ao goleiro. E também ao trabalho de Mano. Por isto, e apenas por isto, a ausência me parece fazer sentido.

38 minutos de teste. 52 de fantasmas

Antes de a bola rolar em Saint Denis o que chamava a atenção não era o futebol. Eram as novas camisas de Brasil e França. Um açoite. Um desrespeito. Ambas de um mal gosto tremendo (principalmente a brasileira).

Mas foi só o jogo começar para os uniformes ficarem em segundo plano, deixando a atenção para o que realmente importava: Brasil e França, em processo de renovação, e com um teste importante e altamente útil pela frente.

Mano Menezes alterou a maneira de jogar do Brasil, muito pelas peças que tinha à disposição para o confronto. Elias alternava o papel de segundo volante com o de meia. Robinho foi mais atacante, próximo de Pato. Assim, o time variava entre o 4-1-3-2 e o 4-2-3-1 tradicional da maioria das partidas até aqui.

E apesar de alguma dificuldade de entrosamento, o Brasil era superior à França. Marcação adiantada, bom toque de bola e movimentação interessante. Faltava capricho no último passe e na conclusão.

Foram 38 minutos de um bom teste, que deixou boa impressão da seleção brasileira apesar do 0 a 0. Só 38. Hernanes errou, em lance muito distante de suas características. Não combina com o "Profeta" o chute estilo Anderson Silva que acertou o peito de Benzema, causando o justíssimo cartão vermelho.

Daí em diante, não houve teste. Afinal, não há como experimentar um time com 10 jogadores. Só coube ao Brasil recuar as linhas e se defender. A França se soltou no jogo e achou espaços, principalmente pelo lado direito onde Ménez e Gourcuff se aproveitavam do pouco poder de marcação de André Santos. Por ali saiu o gol, marcado por Benzema. Que ainda perdeu outros dois no segundo tempo, atrapalhado pelo seguro retorno de Júlio César ao gol do Brasil. Até o fim do jogo, ficou o fantasma da "freguesia" para os franceses, exceto em um lance ofensivo, desperdiçado por Hulk.

Ficam boas impressões. Elias jogou muito bem enquanto o Brasil teve 11 jogadores. David Luiz e Thiago Silva formam uma das melhores duplas de zaga do planeta (se não a melhor). Júlio César ainda merece vida longa debaixo das traves.

Experimentar um período sem jogos "oficiais" será uma novidade difícil para os brasileiros. A avaliação do time fica comprometida. Mas é preciso seguir enfrentando adversários fortes e tradicionais sempre que possíveis. E que isto não mine o trabalho de Mano Menezes. Caso contrário, enfrentaremos adversários fracos e chegaremos à 2014 sem o real conhecimento do nosso "poder de fogo".

É preciso saber perder

A primeira derrota de Mano Menezes no comando da Seleção Brasileira veio para o pior adversário possível, mas no jogo mais passível de derrota até aqui. A Argentina foi o primeiro grande teste do novo comandante e o time acabou derrotado. Resultado que representa pouco, por ser um amistoso. E que pode ter vindo em boa hora, por uma série de motivos.

Antes de mais nada, é preciso dizer que o Brasil fez, dentro das possibilidades um bom jogo. Controlou a partida, teve maior posse de bola e jogou sutilmente melhor que o adversário durante os 90 minutos. Apesar da qualidade técnica visível de ambos os lados, Brasil e Argentina fizeram uma partida pouco agitada e de pouquíssimas emoções.

Mano optou por escalar o time no 4-3-1-2, com Ronaldinho centralizado na armação. A estratégia deixou o time leve e com boa movimentação pelos lados. Mas ressentia de presença de área, já que ninguém aparecia como surpresa no setor. O Brasil tinha a bola, rodava bem o jogo, mas quase não criava.

A Argentina, num 4-1-4-1 que dava muita liberdade para Pastore e Messi (os wingers), tinha menos a bola. Faltava adiantar suas linhas para pressionar a saída brasileira para tentar controlar melhor o jogo.

No segundo tempo, Mano até tentou melhorar o panorama. Mas foi pouco corajoso ao substituir Neymar por André (aliás, inconcebível a permanência de um Robinho abaixo da crítica até o fim do jogo). A saída de um dos volantes e o retorno ao 4-2-3-1 que funcionou bem nos primeiros jogos poderia ser uma aposta mais interessante.

No fim, quando o justo e o mais provável era o empate sem gols, Douglas perdeu bola no meio-campo e deu o contra-ataque que Messi precisava para marcar seu primeiro gol contra o Brasil e tirar os hermanos da fila de cinco anos sem vencer o clássico.

A derrota para a Argentina é sempre dolorida mas deixa lições importantes. A primeira, e principal ao meu ver, é que comandar a seleção brasileira não é tarefa tão fácil para Mano como parecia. É preciso pensar em passado, presente e futuro para enfrentar os adversários mais fortes. Nomes como Júlio César, Maicon, Lúcio e até Luís Fabiano podem ser importantes num processo de transição. E alguns, como André, ainda precisam amadurecer muito para merecer a oportunidade.

Falta foco

Mano Menezes convocou hoje a Seleção Brasileira para o jogo mais importante desde sua chegada. Mesmo que o jogo contra a Argentina seja apenas um amistoso, a rivalidade com os hermanos servem para dar um toque especial à qualquer partida (em qualquer esporte) entre os dois países.

Por isso, eu esperava algumas mudanças significativas em relação às últimas listas, para jogos com importância menor. E após os 23 selecionados por Mano para este amistoso, ficou uma dúvida: qual o foco da atual seleção?

Mano me parece querer abraçar o mundo neste momento. Impossível. Ele não monta a seleção mais forte possível. Deixa fora alguns jogadores que não vão chegar até 2014 mas que vivem o auge das carreiras neste momento. Inclui alguns jogadores que podem ser solução em 2014 mas que não seriam "convocáveis" agora. Convoca alguns jogadores pela "idade olímpica". E outros que não tem condições de ir às Olimpíadas.

Vamos à lista de Mano, com minhas considerações por posição:

Goleiros: Victor (Grêmio), Jéfferson (Botafogo) e Neto (Atlético-PR)
Acho uma besteira levar três goleiros para um amistoso. Não consigo entender a ausência de Júlio César. E nem a convocação de Jéfferson, que já voltou a ter atuações "apenas" normais no Botafogo.

Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Rafael (Manchester United), André Santos (Fenerbahçe) e Adriano (Barcelona)
Pela direita, perfeito. O melhor lateral do momento e uma ótima aposta para o futuro. Na esquerda, difícil entender a ausência de Marcelo e a opção por Adriano, que têm jogado pouco no Barça.

Zagueiros: Thiago Silva (Milan), David Luiz (Benfica), Alex (Chelsea) e Réver (Atlético-MG)
Para mim, são os quatro melhores no momento. Ainda que Alex Silva já comece a merecer uma vaga entre os selecionáveis e que ainda veja espaço para Lúcio na seleção (principalmente para a Copa América no ano que vem).

Volantes: Lucas (Liverpool), Ramires (Chelsea), Sandro (Tottenham) e Jucilei (Corinthians)
Gosto dos nomes. Nesta posição, Mano têm acertado. Eu preferia Wesley à Jucilei, mas acho justa a convocação do corinthiano, que Mano conhece bem.

Meias: Philippe Coutinho (Inter de Milão), Douglas (Grêmio), Ronaldinho Gaúcho (Milan) e Elias (Corinthians)
Não acho que Ronaldinho mereça estar entre os convocados. Fez alguns bons jogos mas não dá sequência no Milan e ao meu ver seu tempo na seleção já passou. Preferia a manutenção de Carlos Eduardo (mesmo que ele tenha optado por se esconder na Rússia). Senti falta de Hernanes, que como meia, faz início de temporada espetacular na Lázio. Mas gosto da inclusão de Douglas (já defendida aqui). Para mim, é o melhor jogador para substituir Ganso pelas características.

Atacantes: Alexandre Pato (Milan), Neymar (Santos), Robinho (Milan) e André (Dynamo de Kiev)
A lista só de atacantes não é perfeita pela inclusão de André que quase não tem jogado no Dynamo e ainda me parece "verde" para a seleção. Nomes como Nilmar e Hulk, que fazem ótimo início de temporada, poderiam ganhar uma oportunidade. Ou até mesmo Jonas, que vive grande momento no Grêmio e é artilheiro do Brasileirão. Perfeita a volta de Neymar. Não havia porque castigá-lo mais.

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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