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Futebol brasileiro tem mais uma lição

No futebol e na grande maioria dos esportes há duas maneiras de vencer. Uma delas é com organização, planejamento, estratégia. A outra, contando com brilho individual. O "país do futebol" se acostumou a ter sempre um grande craque, os melhores jogadores do planeta, sempre prontos para decidir uma partida. Foi ótimo para ganhar títulos e conquistar. Foi péssimo para avançar em outros aspectos.

Enquanto o resto do mundo tratava de procurar formas de se organizar e jogar de maneira coletiva para vencer, o Brasil conquistava com brilho individual. Ficamos para trás no momento em que os nossos jogadores deixaram de ser os melhores (o que não quer dizer que são ruins). Poucas vezes tivemos o "melhor time". Quase sempre tivemos os "melhores jogadores".

O México trabalhou esta lição. Se planejou para vencer os Jogos Olímpicos lá atrás, quando abriu mão da Copa América e mandou um time forte para o Pan-Americano. Teve organização em campo para adiantar a marcação quando necessário e pressionar a saída de bola, dificultando o jogo do Brasil. Teve humildade para se defender, fazer faltas, dar chutão. Para trocar o seu melhor jogador, machucado, por um volante para fechar o lado esquerdo forte do Brasil. Teve um time, extremamente competitivo, como exige o futebol atual.

O Brasil não foi péssimo como se pinta pela derrota. Teve um jogo apagado, muito por méritos dos mexicanos. Oscar e Neymar, de quem mais se esperava, apareceram poucos. É uma geração ainda pouco testada, pouco preparada como time. O planejamento ineficaz com os "olímpicos" não permitiu a Mano perceber que não dava para confiar em Juan, que Sandro não vivia bom momento, que os goleiros reservas precisavam de ritmo. Eles foram convocados na véspera e jogaram melhor quando houve brilho individual, que não apareceu na decisão.

Interromper o trabalho de Mano Menezes neste momento seria apostar mais uma vez que o Brasil tem os melhores jogadores, que o técnico é o único e principal culpado e que qualquer outro ganharia o ouro. Seria deixar de lado um trabalho de dois anos que já deu ao treinador testes interessantes e a possibilidade de ter algumas convicções. Nossa base para 2014, com ou sem Mano Menezes, deve fugir pouco desta de Londres. Que pelo menos, ela fique na mão de quem já iniciou o processo para transformá-la em um time. Não se faz do dia para a noite.

A prata deixa um gosto amargo mais uma vez para o torcedor brasileiro. Mas deixa também uma lição que já deveria ter sido aprendida.

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Brasil chega forte às Olimpíadas

Mano Menezes divulgou hoje os 18 jogadores convocados para os Jogos Olímpicos. Dada a difícil montagem de um plantel recheado de opções com a pouca quantidade de atletas, Mano Menezes apostou em algumas convicções e terá que contar com a condição física de todos. Pesou para não incluir David Luiz ou Dedé, por exemplo.

Thiago Silva, Marcelo e Hulk serão os três jogadores acima dos 23 anos no plantel. A fase decadente de Júlio César serviu para reforçar a confiança em Rafael já que não há unanimidade na posição no país. Marcelo chega graças à falta de opções no setor. E Hulk surpreende na reta final mas conquista uma vaga merecida. Com ele, o time ganha em poder ofensivo e força física.

Os setores que mais preocupam são zaga e volantes. No primeiro, Thiago Silva terá que se desdobrar para compensar a pouca qualidade de Juan ou Bruno Uvini. Sandro pode acabar sendo deslocado para a posição, mas deixaria Rômulo como único volante de ofício entre os convocados. Danilo e Oscar podem ser opções por ali, com boa saída de bola mas menor poder de marcação.

A solução poderia ser convocar apenas três laterais. Danilo, Marcelo e Rafael, que já jogou nos dois lados pelo Manchester. Assim, Mano abriria mais uma vaga para convocar Casemiro (ou Fernando) para o grupo.

De toda forma, ao lado da Espanha, o Brasil me parece o grande favorito nos jogos. O Uruguai, com ataque forte, corre por fora, mas pode ter problemas defensivos com jogadores de pouca rodagem internacional no setor.

Confira a lista de Mano:

Goleiros - Rafael Cabral (Santos) e Neto (Fiorentina)
Laterais - Alex Sandro (Porto), Marcelo (Real Madrid), Rafael (Manchester United) e Danilo (Porto)
Zagueiros - Thiago Silva (Milan), Bruno Uvini (São Paulo) e Juan (Inter de Milão)
Volantes - Sandro (Tottenham) e Rômulo (Spartak de Moscou)
Meias - Paulo Henrique Ganso (Santos), Oscar (Internacional) e Lucas (São Paulo)
Atacantes - Neymar (Santos), Leandro Damião (Internacional), Alexandre Pato (Milan) e Hulk (Porto)


Ficam de sobreaviso: o goleiro Gabriel (Milan), o zagueiro Marquinhos (Corinthians), o volante Casemiro (São Paulo) e o meia-atacante Giuliano (Dnipro).

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"Aposta" e futurologia

A reflexão partiu de Juca Kfouri nesta segunda-feira, no Linha de Passe da ESPN: "o que seria de Mano Menezes se o Grêmio tivesse perdido a Batalha dos Aflitos para o Náutico?". A resposta provável é que o técnico seria demitido e teria que recomeçar a carreira em um Caxias ou XV de Novembro.

O Grêmio venceu e Mano Menezes pode dar sequência ao trabalho no tricolor gaúcho. A aposta vingou, conquistando o vice da Libertadores. Depois, um trabalho sólido no Corinthians com títulos marcantes até a chegada (rápida) à Seleção Brasileira.

A trajetória de Mano Menezes poderia ser totalmente diferente por um jogo. É inimaginável que não fosse aquele histórico 1 a 0 sobre o Náutico em 26 de novembro de 2005, o treinador da seleção brasileira estaria onde está.

Mano Menezes é um caso raro de aposta que deu certo. Justamente porque é um caso raro de "aposta" no cargo de técnico dos grandes clubes do país.

Dos 19 técnicos contratados por clubes da Série A (o Náutico ainda não contratou o substituto de Waldemar Lemos), apenas oito tem menos de 50 anos. O mais jovem é Gilson Kleina, de 44 anos, aposta que deu certo na Ponte porque teve tempo para trabalhar num time de menor pressão.

O São Paulo recentemente ficou sem treinador e resolveu apostar em Émerson Leão, de 62 anos, encostado na carreira depois de tanto tempo. O Flamengo procurou Joel Santana (63 anos) no Bahia após a saída de Luxemburgo. A rotatividade de técnicos, em sua maioria, ultrapassados não permite a entrada de novos nomes no mercado. Falta coragem, falta tato, falta paciência.

Apenas para servir de comparação, o Barcelona, melhor time do mundo, tem em Guardiola um técnico criado no clube e destacado aos 41 anos.

Os nomes são os mesmos e quando as raras chances aparecem para os jovens, as cobranças são imensamente maiores. Um treinador sem experiência, provavelmente teria sido demitido do Flamengo após o "vexame" na Libertadores. O mesmo serve para a desclassificação do São Paulo, de Leão, para a competição continental no último Brasileirão.

Abrir o espaço para "novatos" sem que eles dependam de uma Batalha dos Aflitos para dar sequência ao trabalho é caminho fundamental para o Brasil encontrar novos nomes para um mercado escasso. E principalmente, para novas ideias permitirem aos clubes brasileiros exibirem-se no mesmo nível tático até mesmo de rivais continentais como Vélez e Universidad do Chile.

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Quando o resultado é o que importa

Basta observar pequenos detalhes para perceber a importância que a vitória nos amistosos tem para o técnico da seleção brasileira. Seja pela comemoração efusiva por um gol contra aos 44 minutos do segundo tempo que garantiu um resultado (injusto). Seja por uma substituição faltando 30 segundos do fim de uma partida que não vale nada. Seja pela falta de testes e insistência com nomes que provavelmente não estarão "disponíveis" em 2014. Nos amistosos da seleção de Mano Menezes, não importa o adversário e nem a qualidade do jogo. O que vale é vencer.

Contra a Bósnia, o Brasil perdeu uma boa chance de se preparar. Se não é um adversário do primeiro escalão, o rival de ontem tem força, alguns jogadores de altíssimo nível (Misimovic, Pjanic e Dzeko, principalmente) e boas chances de estar na próxima Copa do Mundo. Seria um bom teste. Mais uma vez, foi uma grande perda de tempo.

Mano Menezes insiste com escolhas estranhas. Júlio César é mantido no gol mesmo vivendo uma fase não tão boa (embora tenha crescido de produção na Inter). David Luiz, em momento terrível no Chelsea, idem. Pode-se dizer o mesmo de Sandro, que segue perdendo espaço no bom time do Tottenham. Hernanes, um dos melhores jogadores do Campeonato Italiano, joga fora de sua posição na equipe de Mano Menezes. Isto sem falar no capítulo à parte chamado Ronaldinho Gaúcho.

Mano Menezes já tem 18 meses de trabalho. Venceu alguns jogos que não valhiam nada. Perdeu outros. Foi eliminado da Copa América. Ainda não conseguiu fazer a equipe jogar de maneira vistosa e não dá pinta de evolução. Não montou um time Olímpico e nem mostrou que está se preparando para a próxima Copa.

Diego Alves, Dedé, Felipe Mello, Ganso, Oscar e cia pedem passagem. Preocupado apenas em vencer para se manter no cargo, Mano Menezes não dá. Perde o tempo dele, perde o tempo da seleção e faz quem para pra assistir seu time perder tempo também.

O relógio da vida, porém, não para Mano Menezes. O tempo urge.

PS: Impressiona que em 1 ano e meio de trabalho Mano Menezes não tenha testado outro esquema em alternativa ao 4-2-3-1 (que às vezes parece um 4-3-3 mas que cada vez mais tem a cara do time de Dunga, com o meia pela direita atuando quase como mais um volante). A diferença para o time do antecessor era que aquele tinha uma proposta bem definida, era bem treinado e tinha a bola parada como arma fortíssima.

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Apenas uma pergunta

Gostaria de participar da coletiva de Mano Menezes após a magra e sonolenta vitória contra a Costa Rica por 1 a 0 ontem a noite. Mais um amistoso pobre, que não acrescentou nada e que não serviu para conclusão alguma. A pergunta é: qual o objetivo atual de Mano no comando da seleção?

Independente da resposta, Mano se perde. Me parece querer abraçar o mundo, com vários objetivos, e não consegue evoluir em nenhum deles.

Se o objetivo da seleção é vencer, jogar o mais forte possível, está errado. Não faz sentido poupar jogadores como Daniel Alves e Marcelo. Nem contar com jogadores como Fred, que pouco tem resolvido no Fluminense. Tão pouco, deixar de fora jogadores como Anderson, que faz ótimo início de temporada no Manchester.

Se o objetivo é pensar para 2014, o erro é ainda maior. Júlio César, Ronaldinho Gaúcho e Fred (de novo) já estão na curva descendente da carreira. E sinceramente, não vejo chances para que eles estejam atuando ainda em alto nível até 2014. A mesma reposta ficaria negativa se o treinador estiver pensando na formação do time olímpico.

Mano paga caro por não ter uma base para evoluir. A Espanha, melhor time do mundo, pôde aproveitar o modelo e grande parte dos jogadores do Barcelona. A Alemanha, segundo melhor na minha opinião, pegou a base de Dortmund e Bayern de Munique, que jogam de maneira parecida. No Brasil, é impossível fazê-lo. O Santos, poderia servir como base com Danilo, Arouca, Elano, Ganso, Neymar e Borges. Mas além da impossibilidade de convocar muitos jogadores do mesmo time, a falta de competitividade do Santos (que brinca no Brasileirão) prejudica.

Mano precisa escolher um objetivo. E focar nele para buscar evolução na linha de trabalho.

O que eu faria? Colocaria como objetivo a Olimpíadas de 2012. Utilizaria apenas jogadores que poderão jogar em Londres sempre com o acréscimo de três ou quatro jogadores acima da idade. Mano poderia montar um time forte para ganhar o ouro olímpico, observar garotos que podem estar no auge em 2014 e seguiria aproveitando jogadores mais experientes (fazendo um rodízio). Independente de ser a melhor ou pior, é uma linha de trabalho.

Qual a sua, Mano?

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Ganhar e, principalmente, jogar

O retorno da extinta Copa Rocca, agora sob novo nome, poderia ser extremamente útil no trabalho da Seleção. Seria uma oportunidade para testar jogadores diferentes, dar cancha para jovens que começam a buscar espaço na equipe e dar sequência ao trabalho para 2014. Mano disse em entrevista antes do jogo que não era partida para jogar, e sim para ganhar. Não fez nem um, muito menos o outro. E acabou não aproveitando absolutamente nada em mais um amistoso.

Não estou de acordo com os que acham que os amistosos são apenas para testes. Principalmente porque, como não vai disputar as Eliminatórias, o Brasil precisa levar todas as partidas à sério. E vencer adversários fortes é fundamental. Mas, em um jogo apenas com jogadores locais, contra uma Argentina desfigurada, a hora era de aproveitar a oportunidade.

Mano começou mal na escalação. Kléber, aos 31 anos, e com rendimento apenas regular no Inter foi titular. Réver, que só agora começa a recuperar seu futebol no Atlético-MG também. Isto sem falar na inexplicável opção por Renato Abreu no meio-campo.

O jogo começou com o Brasil no 4-3-3 europeu (três volantes e três atacantes). Voltou a sentir falta de articulação. Neymar e Ronaldinho eram obrigados a recuar muito para buscar o jogo. Além de ficarem longe da área de decisão, deixaram Leandro Damião isolado.

A Argentina, no 3-5-2, tinha o objetivo claro de fechar os lados do campo. Aos poucos, percebeu os espaços, ganhou o meio-campo e dominou o jogo. Era um time mais fraco tecnicamente, mas uma equipe muito bem organizada pelo ótimo Alejandro Sabella. E mostrou alguns bons nomes como Martinez, Fernandez e principalmente Canteros. Boseli, no pouco tempo que esteve em campo, também foi bem, levando constante vantagem sobre a dupla de zaga do Brasil que batia cabeça.

O Brasil não jogou. Jovens como Mário Fernandes, Cortês, Casemiro, Lucas e Oscar que poderiam ser testados não entraram em campo ou jogaram pouco tempo. A noite só não foi absolutamente perdida porque em lance isolado, Leandro Damião fez jogada individual: chaleira no lado do campo, em direção ao gol, e finalização por cobertura que bateu na trave.

Mano segue colocando o emprego à frente do desenvolvimento. O trabalho não ganha força e a pressão cresce. A impressão que fica é que o processo é irreversível: a cada partida Mano fica mais pressionado, pensa mais nos resultados e o time piora.

A hora de ganhar já chegou. Mas a hora de jogar não deveria ter passado em momento algum.

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Tudo tem dois lados

É preciso cuidado para avaliar a nada surpreendente vitória da Alemanha por 3 a 2 sobre a Seleção Brasileira na tarde de hoje. Uma das grandes sensações do último Mundial, a Alemanha apresentou um time jovem que ainda tem muito a evoluir até atingir seu ápice. E que ainda ganhou outros jovens promissores, como o ótimo Gotze.

Se o placar final não assusta, a inferioridade do time de Mano Menezes em grande parte do confronto é preocupante.

Quando Mano estava indisponível, Mano falava que ele era indispensável em seu esquema. Hoje, abriu mão do meia que não vem jogando bem para reforçar a marcação com Fernandinho. No 4-2-2-2, o Brasil tinha dois meias (Robinho e Fernandinho) mais preocupados em destruir do que construir. O objetivo era claro: roubar a bola e sair em velocidade, pelos lados, para tentar surpreender.

Depois de 15 minutos de sufoco absoluto, sem passar do meio-campo, o Brasil se acalmou e entrou no jogo. Encaixou muito bem a marcação e embora não conseguisse segurar a bola, não levava sustos.

Com posse de bola qualificada e atuação destacada do ótimo Schweinsteinger, a Alemanha tentou abrir espaços o tempo inteiro e aproveitou as melhores oportunidades que teve. O Brasil conseguiu chegar apenas em um lance perdido por Pato no início da etapa inicial, em um penalti duvidoso (assim como o penal para os alemães) e em jogada individual de Neymar com passe de Ganso.

O resultado foi justo e como já disse, não é assustador. Hoje, a Alemanha além de ter um elenco mais completo, tem um time pronto. Que joga junto há algum tempo e que parece evoluir cada vez mais, capaz de atingir seu auge em 2014.

Mano precisa esquecer conceitos e diminuir a politicagem. É hora de repensar. A tal reformulação e, principalmente, a nova dinâmica de jogo não funcionou. Precisamos reconhecer que não temos mais a melhor seleção do planeta e isto é um primeiro passo importante. Mas com organização e aproveitando o que temos de melhor, podemos encarar de igual para igual qualquer grande time do planeta.

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É preciso desapegar

O Barcelona joga o futebol mais agradável do planeta no 4-3-3. Com quase os mesmos jogadores, e algumas mudanças, a Espanha ganhou a Copa e tem a seleção mais forte do momento no 4-2-3-1. O que isto significa? Que não há fórmula do "futebol perfeito". É preciso adaptar sistema de jogo a jogadores disponíveis. Bem mais fácil do que o caminho inverso.

Quando chegou à Seleção Brasileira, Mano Menezes assumiu o 4-2-3-1 como seu sistema de jogo. Interessante, porém engessante. Ney Franco seguiu pelo mesmo caminho, possivelmente a pedido de Mano. Seleções principais e sub-20, sofrem muitas vezes com a falta de alternativas para um sistema que não pensa nos jogadores que tem à disposição.

Na segunda partida do Mundial Sub-20, hoje, Ney Franco fez duas mudanças no time. Alex Sandro assumiu seu posto de titular na lateral esquerda (machucando-se novamente logo no início e dando lugar outra vez a Gabriel Silva). Alan Patrick perdeu a vaga na equipe para a entrada de Henrique.

A equipe que se desenhava no 4-2-2-2 com William José e Henrique no ataque não aconteceu. Ney Franco manteve o 4-2-3-1, deslocando Wlliam para a meia direita.

Assim como em outras oportunidades, o time sentiu. Faltou movimentação, fluência, naturalidade. Embora fosse muito superior tecnicamente, o Brasil tinha dificuldades para furar o bloqueio da Áustria.

Quando Oscar saiu do gesso e se aproximou de Philippe Coutinho, a tabela rápida deixou Henrique na frente do gol para abrir o placar. Simples e explorando o que a equipe tem de melhor.

Henrique melhorou a movimentação ofensiva, se apresentando bem como único atacante. William José, porém, ficou escondido, aparecendo somente quando saía da meia direita e fazia o papel que sabe fazer: de centro-avante.

O segundo gol marcado por Philippe Coutinho logo no início da etapa final deu a tranquilidade que o time precisava para jogar melhor. O meia da Inter passou a se entender melhor com Oscar e o time a se soltar. Em jogada de Coutinho, o fundamental Casemiro apareceu a frente e deu ótimo passe para William José ampliar.

A vitória convincente anima e deve tirar a pressão que a equipe de Ney Franco vinha sofrendo. Porém, é preciso perceber que as peças do momento não facilitam para o 4-2-3-1. Se não quiser o 4-2-2-2, Ney Franco tem outras possibilidades. Um 4-3-2-1, com Galhardo na lateral direita e Danilo no meio deixando Henrique como atacante também pode ser alternativa interessante.

O importante é que é preciso desapegar de alguns conceitos para seguir em frente. A seleção sub-20 tem muita qualidade e pode fazer ainda mais na competição.

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O melhor jogo, o pior resultado

Antes dos inacreditáveis quatro penaltis batidos de forma bizonha pela Seleção Brasileira diante do Paraguai, houve bom futebol em La Plata. Um time organizado, consistente, que dominou amplamente o adversário e empilhou chances perdidas. Teve mais posse de bola e controlou o jogo (16 finalizações contra apenas 4 do adversário, uma delas no gol).

Taticamente o Brasil fez sua melhor partida na Copa América. E perdeu. Como disse Mano Menezes, não adianta jogar melhor e não marcar gols. O Brasil não fez. Porque como em toda a competição, faltou o brilho individual que tanto se esperava principalmente da dupla Ganso e Neymar que não fizeram mais do que uma Copa América regular.

Contra um Paraguai que vai avançando sem vencer uma partida se quer, o Brasil fez o que dele se esperava. Teve apoio dos laterais, posse de bola qualificada e chances de gol. Pecava no último passe. Mas não dava chances ao adversário. A defesa voltou a mostrar a segurança de outras partidas. Méritos do Brasil, mas também demérito do adversário, que fez partida ruim em todos os aspectos.

Veio a prorrogação e o ritmo do jogo caiu porque obviamente não valia a pena se expor. Mano ainda favoreceu os paraguaios ao tirar Ganso, que mesmo mal na partida, podia decidir com um passe magistral como fez nos outros jogos. O Brasil não ameaçou mais e o jogo foi para os penaltis.

O que se viu daí em diante foi um show de horrores certamente já conhecido por todos. Quatro penaltis muito mal batidos. A inaceitável desculpa do gramado. E uma eliminação dolorida e histórica. Em oitavo, o Brasil fez sua pior participação na Copa América em todos os tempos.

Ainda é cedo para questionar ou pedir a cabeça de Mano Menezes apesar do resultado. As principais esperanças do nosso futuro são garotos jovens e que podiam sentir a primeira competição oficial com a amarelinha como sentiram. O caminho a ser percorrido é longo e o desenvolvimento será paulatino. A geração é boa e já comprovou isto em seus clubes. Além disso, porém, é preciso que Mano deixe de lado algumas convicções e, principalmente, algumas teimosias bobas com Marcelo, Hernanes e Hulk. Eles poderiam ajudar. Assim como outros.

O futebol é assim. Com a Argentina, acharíamos graça. Com o Brasil, a tendência é jogar tudo por terra. As feridas ficam. O aprendizado também precisa ficar.

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O acerto da lateral e a lenta evolução

O discurso neste espaço era: mais do que se classificar é preciso jogar bem e encontrar o caminho. A seleção de Mano teve imensas dificuldades, sofreu de maneira desnecessária, mas se classificou (e na liderança do grupo). Se não encantou, aos trancos e barrancos parece estar mais perto de se encontrar. Embora ainda falte um longo caminho.

Mano Menezes voltou a modificar o time. Como esperado, colocou Maicon na vaga de Daniel Alves. Embora eu tenha afirmado que não abriria mão de Daniel neste momento (nem que fosse para jogar como meia direita), é inegável o acerto de Mano. Maicon foi o melhor jogador do Brasil na partida e dificilmente sairá novamente da equipe.

Funcionalmente, o time foi melhor. Robinho e Neymar se movimentaram um pouco mais e abriram o corredor para os laterais. Principalmente Robinho pela direita. Sem fazer grande partida, o atacante do Milan foi fundamental nos espaços que Maicon teve para apoiar. E o fez muito bem, dentro de suas características: força física e chegada a linha de fundo.

Curiosamente, o primeiro gol saiu em lance isolado, com André Santos cruzando e Pato aproveitando. Mas falhas da defesa, e principalmente de Júlio César, teimaram em dificultar as coisas para o Brasil. Que no fim, graças também ao preparo físico ruim do time equatoriano, conseguiu alcançar o resultado que lhe servia.

Cobra-se de Messi, uma atuação de Barcelona. O mesmo acontece com Daniel Alves, Ganso, Neymar e cia. É preciso perceber, porém, que o conjunto facilita a individualidade. Quando a Argentina jogou parecido com um time de futebol, Messi encantou. Nos melhores momentos do Brasil, Ganso deu passes perfeitos e Neymar e Pato fizeram gols. O time fez o simples, para que os astros brilhassem.

Contra o Paraguai, o Brasil é favorito por tudo. Pela classificação, pela história, pelas peças. Mas as dificuldades tendem a crescer. O time perdeu a segurança defensiva que marcou o início do trabalho de Mano (Thiago Silva e Lúcio são caricaturas graças ao pouco combate dos atacantes, que sobrecarregam a dupla de volantes) e ainda não se encontrou ofensivamente.

Mais leve com a vitória e os gols, o Brasil pode (e deve melhorar). A questão a saber é o quão demorada será a melhora daqui em diante. No ritmo que está, a seleção chegará ao fim da Copa América sem chegar no estágio que poderia (e deveria).

PS: O mais correto agora é manter o time. Dar entrosamento para se aproximar do ideal. Inclusive no gol. Júlio César falhou de novo, não vive ótimo momento, mas entre os disponíveis para Mano, é a melhor opção disparada.

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Novas opções

Depois da decepcionante estreia da seleção argentina, o Brasil repetiu a dose em uma Copa América pouquíssimo empolgante até aqui (apenas 3 gols em 4 jogos). O empate sem gols contra a Venezuela escancarou um problema que já vinha sendo demonstrado nos últimos meses na seleção: a falta de alternativas do time de Mano Menezes.

Nos últimos amistosos, com resultados e jogos ruins, o time mostrou claramente sentir falta de Ganso, então machucado. Ontem, voltou a sentir falta do armador, mesmo com ele em campo. E num dia com o meia pouco inspirado, o time não funcionou.

Mano Menezes voltou a escalar o Brasil no 4-2-3-1. Os primeiros minutos animadores, com jogadas verticais e marcação adiantada, rapidamente deram lugar a um time previsível e que pouco incomodava. Ganso ficou muito preso na faixa central, não conseguiu dialogar com os volantes nem com Pato e acabou encaixotado pela marcação dos volantes venezuelanos. Neymar ficou muito preso pela faixa esquerda do campo, sem as perigosas entradas em diagonal e trocando pouco de posição com Robinho. Que tentou buscar o jogo também pelo lado esquerdo, mas acabou errando além da conta e isolando Daniel Alves.

A atuação estática seguiu durante o restante do primeiro tempo e também na etapa final. E quando esperava-se que Mano tivesse notado que o jogo não fluia e alterasse a equipe, o treinador errou na avaliação. Colocou Fred em campo passando Pato para o lado direito (depois substituindo o atacante por Lucas), quando o atacante do Milan fazia boa partida e só não aparecia porque a bola não chegava até ele. Manteve Ganso, jogando mal, em campo e manteve o time no 4-2-3-1 que não funcionou.

Ainda é cedo para cobranças exageradas e para pedir a cabeça de Mano Menezes. Muito embora ele esteja entre os técnicos que teve mais amistosos e mais tempo de treinamento nas últimas décadas. A cobrança não é em cima de resultados, e sim de futebol. O jogo fluente, leve e com "a cara do Brasil" prometido e demonstrado na estreia contra os Estados Unidos não voltou a aparecer. E é hora de buscar novas alternativas. O 4-2-3-1 não é o único modelo de futebol leve e atraente e talvez seja a hora de Mano se desligar do seu sistema preferido.

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O tempo acabou

O jogo tinha todos os ingredientes para dificultar a análise do desempenho brasileiro. Primeiro porque a Romênia trouxe ao Brasil uma seleção sem seus nomes mais importantes, que já não são tão bons assim. Segundo, pois o evento da noite era a despedida do Ronaldo e era impossível separar os 15 minutos de festa do restante do jogo.

O Brasil até começou bem, aproveitando-se da fraqueza do adversário que só levou perigo em falta de muito longe que acertou o travessão. O time de Mano tinha os laterais jogando no campo ofensivo, Elias com muita liberdade e Jádson, o melhor em campo, se aproximando do trio de atacantes. Apesar da boa movimentação faltava capricho no último passe que só saiu certo quando a boa trama de Jádson e Neymar deixou o gol vazio para um ansioso Fred balançar as redes, cavar seu lugar na Copa América e homenagear Ronaldo.

O camisa 9, absolutamente acima do peso, entrou em campo aos 30 minutos e o jogo mudou. Todos na seleção queriam procurar Ronaldo, para dar-lhe a oportunidade de marcar. Todos na Romênia não pareciam dispostos a evitar, dando imenso espaço para o centro-avante. Todos, menos o goleiro Tatarusanu. Com duas boas defesas, estragou a festa e impediu o último gol do Fenômeno que ainda perdeu outra boa chance.

No segundo tempo a festa havia acabado e a motivação para o jogo também. O time brasileiro voltou sonolento e pouco inspirado. Teve a bola mas não ameaçou. Deu espaços perigosos que deixaram para os romenos a impressão de que o empate era possível. As substituições de Mano não funcionaram e mais uma vez o time deixou o campo sob vaias.

A decepção pelo desempenho bate de frente com a sensação de um time organizado, que sabe onde quer chegar. O problema é que o tempo nunca foi parceiro do técnico da seleção. É bom que Mano saiba que na Copa América os resultados vão influenciar, e muito, na sequência do trabalho. Por isto, algumas escolhas como a ausência de Marcelo e Hernanes são injustificáveis. É hora de jogar bem e vencer.

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Problemas "santistas"

O amistoso contra a Holanda jamais valeria para vingar ou descontar a derrota na última Copa do Mundo. Mas tinha importância, pelo fato de marcar a oportunidade de Mano Menezes escalar a seleção brasileira contra um adversário qualificado e tradicional às vésperas da Copa América.

Ainda sem contar com Ganso, Mano e sua seleção tiveram dificuldades muito parecidas com a que Muricy Ramalho vem tendo no Peixe. Mais uma prova de que os jovens santistas formam a base da reconstrução e do futuro do Brasil visando 2014.

Pela primeira vez no 4-3-3, de fato, Mano esperava que Elano pudesse ser seu articulador. E assim como no Santos, faltou o passe diferenciado e um jogador capa de girar e trabalhar a bola no campo ofensivo. O time dependia da velocidade e do drible para surpreender e chegar ao ataque, tudo que passou longe no chato primeiro tempo que só valeu por duas boas tramas da Holanda que deixaram Affelay em condições de marcar e confirmaram a qualidade acima da média de Júlio César.

As vaias no intervalo e a reorganização do time mudaram o panorama do jogo nos 20 minutos iniciais do segundo tempo. Neymar e Robinho se aproximaram e participaram mais do jogo, com o santista tornando-se o protagonista da partida. E assim como no time de Muricy, ele fez a diferença com o Brasil empilhando uma sequência de gols perdidos.

As chances desperdiçadas desanimaram a seleção que voltou a diminuir o ritmo até a expulsão de Ramires, pouco depois de Mano tentar reoxigenar seu time com as entradas de Sandro, Elias, Lucas e Damião. Daí até o fim do jogo, o que se viu foi a mesma coisa que na etapa inicial: nada.

No Santos, Muricy é obrigado a usar Elano como meia devido à falta de experiência de Alan Patrick para assumir a função em jogos tão decisivos. No Brasil, Mano precisa e pode encontrar alternativas. Thiago Neves, ainda que com características diferentes, me parece o jogador mais parecido com Ganso no elenco atual. E com ele, o time pode ganhar o toque de bola e o controle da posse que necessita para funcionar melhor.

A Copa América já bate a porta e será o primeiro grande desafio de Mano na seleção. Na competição, o time será testado e cobrado, de fato. E precisará encontrar alternativas que para um clube não são tão fáceis, mas que para o Brasil precisam acontecer.

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Política e exagerada

Mano Menezes divulgou hoje a lista para os amistosos com Holanda e Romênia (despedida de Ronaldo), em junho. 28 convocados, de onde sairão também os 22 selecionados para a Copa América, em julho. Única exceção poderá ser feita caso Ganso se recupere de contusão antes do prazo pré-determinado.

Como de costume, Mano muda poucos nomes. A lista é política e não tem grandes novidades.

Fábio, goleiro do Cruzeiro, foi chamado pelo treinador. Há pelo menos quatro anos é regular e está entre os melhores do país. A convocação é justa e corrige erro histórico, mas dificilmente Fábio entrará em campo. Convocação que serviu para diminuir a pressão em torno do nome do goleiro mas que para Fábio não valerá nada, principalmente porque quatro goleiros foram convocados.

Thiago Neves também é novidade. Me parece um nome justo e que tem tudo para ficar. Fez ótimo semestre com o Flamengo, carregando o time nas costas quando Ronaldinho ainda não mostra brilho.

O último novo nome foi o de Fred, atacante do Fluminense. Embora ache que ele é o melhor do país na posição e que tem tudo para ser o dono da nove nos próximos anos, a presença de Fred é injustificável no momento. Pouco jogou em 2011 e ainda luta contra as seguidas lesões. Este chamado, certamente, não foi conquistado pelo que ele fez.

Entre as ausências a que mais chama a atenção é a de Marcelo. Fica claro que há um problema entre jogador e técnico. O que não justifica que ele fique fora. Técnica e taticamente, Marcelo é de longe o melhor lateral esquerdo do Brasil. Foi protagonista no Real Madrid e não pode ficar fora da seleção.

Me chama a atenção ainda a ausência de Hernanes e Hulk, que pelo que fizeram na temporada européia mereciam fazer parte do grupo. Hernanes caiu no conceito de Mano por causa da expulsão contra a França. Hulk ainda sofre com o preconceito diante de seu nome.

A lista não é ruim. O trabalho segue firme, com boa continuidade. Mano tem um time forte em mãos que deve crescer com o amadurecimento de Neymar. Resta corrigir algumas injustiças e principalmente, deixar de lado política e picuinhas para chamar aqueles que merecem pelo que fazem dentro de campo.

Confira a lista completa aqui.

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Como tudo deve ser

Nenhuma renovação, por mais necessária que seja, se dá do dia para a noite com eficácia. E Mano Menezes parece ter percebido isto, depois de dois resultados negativos que começaram a colocar pressão sobre seu trabalho e antes do primeiro grande desafio no comando da seleção brasileira.

O 2 a 0 sobre a Escócia não foi grandioso. Esteve longe de ser um espetáculo capaz de encher os olhos. Mas dá um pouco mais de tranquilidade para o treinador e indica um caminho para a transição que fará bem tanto ao time quanto aos jovens que estão chegando agora ao elenco canarinho.

Antes de mais nada, é preciso lembrar que a Escócia, apesar da carência técnica não é uma baba como alguns quiseram colocar. É um time organizado taticamente e forte na defesa, que recentemente deu muito trabalho à atual campeã do mundo, Espanha (3 a 2, com gol da vitória marcado por David Villa nos minutos finais).

Na teoria, Mano Menezes desejava manter o 4-2-3-1, base de seu trabalho até aqui. No entanto, em campo, o que se viu foi um time organizado numa espécie de 4-3-2-1, graças ao confuso posicionamento do tímido Jádson e ao avanço da dupla de volantes que não tinha a quem marcar no meio-campo, alinhando com Elano na linha inicial.

O Brasil conseguia ter a bola e fazia um jogo de grande movimentação, principalmente devido à liberdade já citada para Lucas Leiva e Ramires. Faltava, no entanto, brilho e capricho no toque final. O time criava boas jogadas, envolvia o adversário, mas não conseguia finalizar. Talvez por isto, em alguns momentos tenha ficado refém das bolas alçadas para Leandro Damião, estreante que mostrou presença de área e que pode ser útil tanto nas Olimpíadas quanto num futuro breve no time principal.

O tal "lance diferente" só aconteceu quando a bola caiu nos pés de Neymar. Mesmo bem marcada, a jóia santista conseguiu achar espaço saindo da faixa esquerda em diagonal abrindo espaço para as subidas de André Santos e Ramires. Assim, fez o primeiro em toque de quem sabe, e sofreu o penalti convertido por ele mesmo.

De bom ainda, a entrada de Lucas (do São Paulo), que mesmo atuando pouco tempo mostrou desenvoltura e qualidade para atuar tanto com velocidade pelos lados quanto como articulador central apesar da característica de carregar em excesso a bola.

A Copa América será o primeiro torneio de Mano. A primeira obrigação em dar respostas. E por isto, é bom contar com a experiência de jogadores como Júlio César, Maicon, Lúcio, Elano entre outros, inicialmente deixados de lado na tal "renovação" mas que aos poucos vão recuperando espaço. Num time onde o único grande protagonista é um ainda garoto, é bom contar com a experiência de quem pode conduzir o time ao caminho da tranquilidade.

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Curto e longo prazo. Os acertos de Mano Menezes

Talvez tenham sido os últimos resultados, decepcionantes. Talvez fosse mesmo questão de tempo. Certo é que Mano Menezes fez a convocação com mais mudanças até aqui desde que assumiu a seleção. E observando o momento dos jogadores e a ausência por questões óbvias e físicas de outros, as escolhas de Mano fazem muito sentido e apontam para um caminho muito interessante.

A começar pelo retorno de jogadores importantes. O que comprova que o trabalho de Dunga não foi tão ruim como alguns teimam em querer mostrar. E que a reformulação não pode e não deve ser total e de forma repentina. Júlio César já havia reassumido o posto que lhe é de direito. Maicon e Lúcio, apesar da idade avançada, ainda podem ser muito úteis, inclusive passando experiência para os mais jovens. Hoje, não dá para abrir mão de jogadores deste nível. A volta de Elano também é justa. Desde que voltou ao Brasil, o meia tem sido um dos destaques do Santos. É outro que agrega experiência e qualidade além de ser ótimo para o grupo.

Quanto às novidades, também ótimas. Henrique é ótimo volante e já fazia por merecer oportunidade. É o maior ladrão de bolas do futebol brasileiro e tem qualidade técnica para sair jogando, como deseja Mano. Lucas é um meia raro, e apesar de ainda não estar maduro o suficiente para ser titular do time principal, deve permanecer no grupo, ganhando experiência. Já Jonas, merece pelo que fez ano passado. Ainda que persista o preconceito quanto ao jogador, o atacante já mostrou que pode ser opção interessante para Mano.

A maior surpresa no entanto é a ausência de Robinho. Titular absoluto e capitão de Mano desde que o técnico assumiu o time, o jogador foi "poupado" desta vez. Ainda que não seja titular absoluto do Milan em todas as partidas, tem sido peça fundamental do time italiano e certamente, será importante também na seleção.

Mano reforça o time para impedir que seu trabalho comece a ser questionado. É prudente e inteligente. E já se mostra preocupado com um time capaz de vencer a Copa América.

Outra situação que fica perceptível na convocação, é que Mano já se prepara para buscar uma alternativa ao 4-2-3-1. Com os convocados desta vez, é possível imaginar boas opções para um 4-2-2-2 ou 4-3-1-2, ambos com times muito fortes.

Por fim, a eterna polêmica do goleiro Fábio, mais uma vez ignorado na lista. Victor é o goleiro que Mano pretende preparar para 2014 e só isto deve bastar para que Mano o mantenha na lista. E apesar do enorme preconceito, Jéfferson tem feito partidas incríveis e quem critica sua convocação certamente não tem visto o Botafogo jogar.

Fábio é ótimo. Do mesmo nível ou melhor que os dois reservas. Mas aos 30 anos, não teria espaço para jogar. Júlio César é inquestionável. Ser convocado apenas para dar satisfação, para fazer parte do grupo, acrescentaria muito pouco ao goleiro. E também ao trabalho de Mano. Por isto, e apenas por isto, a ausência me parece fazer sentido.

É preciso saber perder

A primeira derrota de Mano Menezes no comando da Seleção Brasileira veio para o pior adversário possível, mas no jogo mais passível de derrota até aqui. A Argentina foi o primeiro grande teste do novo comandante e o time acabou derrotado. Resultado que representa pouco, por ser um amistoso. E que pode ter vindo em boa hora, por uma série de motivos.

Antes de mais nada, é preciso dizer que o Brasil fez, dentro das possibilidades um bom jogo. Controlou a partida, teve maior posse de bola e jogou sutilmente melhor que o adversário durante os 90 minutos. Apesar da qualidade técnica visível de ambos os lados, Brasil e Argentina fizeram uma partida pouco agitada e de pouquíssimas emoções.

Mano optou por escalar o time no 4-3-1-2, com Ronaldinho centralizado na armação. A estratégia deixou o time leve e com boa movimentação pelos lados. Mas ressentia de presença de área, já que ninguém aparecia como surpresa no setor. O Brasil tinha a bola, rodava bem o jogo, mas quase não criava.

A Argentina, num 4-1-4-1 que dava muita liberdade para Pastore e Messi (os wingers), tinha menos a bola. Faltava adiantar suas linhas para pressionar a saída brasileira para tentar controlar melhor o jogo.

No segundo tempo, Mano até tentou melhorar o panorama. Mas foi pouco corajoso ao substituir Neymar por André (aliás, inconcebível a permanência de um Robinho abaixo da crítica até o fim do jogo). A saída de um dos volantes e o retorno ao 4-2-3-1 que funcionou bem nos primeiros jogos poderia ser uma aposta mais interessante.

No fim, quando o justo e o mais provável era o empate sem gols, Douglas perdeu bola no meio-campo e deu o contra-ataque que Messi precisava para marcar seu primeiro gol contra o Brasil e tirar os hermanos da fila de cinco anos sem vencer o clássico.

A derrota para a Argentina é sempre dolorida mas deixa lições importantes. A primeira, e principal ao meu ver, é que comandar a seleção brasileira não é tarefa tão fácil para Mano como parecia. É preciso pensar em passado, presente e futuro para enfrentar os adversários mais fortes. Nomes como Júlio César, Maicon, Lúcio e até Luís Fabiano podem ser importantes num processo de transição. E alguns, como André, ainda precisam amadurecer muito para merecer a oportunidade.

Falta foco

Mano Menezes convocou hoje a Seleção Brasileira para o jogo mais importante desde sua chegada. Mesmo que o jogo contra a Argentina seja apenas um amistoso, a rivalidade com os hermanos servem para dar um toque especial à qualquer partida (em qualquer esporte) entre os dois países.

Por isso, eu esperava algumas mudanças significativas em relação às últimas listas, para jogos com importância menor. E após os 23 selecionados por Mano para este amistoso, ficou uma dúvida: qual o foco da atual seleção?

Mano me parece querer abraçar o mundo neste momento. Impossível. Ele não monta a seleção mais forte possível. Deixa fora alguns jogadores que não vão chegar até 2014 mas que vivem o auge das carreiras neste momento. Inclui alguns jogadores que podem ser solução em 2014 mas que não seriam "convocáveis" agora. Convoca alguns jogadores pela "idade olímpica". E outros que não tem condições de ir às Olimpíadas.

Vamos à lista de Mano, com minhas considerações por posição:

Goleiros: Victor (Grêmio), Jéfferson (Botafogo) e Neto (Atlético-PR)
Acho uma besteira levar três goleiros para um amistoso. Não consigo entender a ausência de Júlio César. E nem a convocação de Jéfferson, que já voltou a ter atuações "apenas" normais no Botafogo.

Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Rafael (Manchester United), André Santos (Fenerbahçe) e Adriano (Barcelona)
Pela direita, perfeito. O melhor lateral do momento e uma ótima aposta para o futuro. Na esquerda, difícil entender a ausência de Marcelo e a opção por Adriano, que têm jogado pouco no Barça.

Zagueiros: Thiago Silva (Milan), David Luiz (Benfica), Alex (Chelsea) e Réver (Atlético-MG)
Para mim, são os quatro melhores no momento. Ainda que Alex Silva já comece a merecer uma vaga entre os selecionáveis e que ainda veja espaço para Lúcio na seleção (principalmente para a Copa América no ano que vem).

Volantes: Lucas (Liverpool), Ramires (Chelsea), Sandro (Tottenham) e Jucilei (Corinthians)
Gosto dos nomes. Nesta posição, Mano têm acertado. Eu preferia Wesley à Jucilei, mas acho justa a convocação do corinthiano, que Mano conhece bem.

Meias: Philippe Coutinho (Inter de Milão), Douglas (Grêmio), Ronaldinho Gaúcho (Milan) e Elias (Corinthians)
Não acho que Ronaldinho mereça estar entre os convocados. Fez alguns bons jogos mas não dá sequência no Milan e ao meu ver seu tempo na seleção já passou. Preferia a manutenção de Carlos Eduardo (mesmo que ele tenha optado por se esconder na Rússia). Senti falta de Hernanes, que como meia, faz início de temporada espetacular na Lázio. Mas gosto da inclusão de Douglas (já defendida aqui). Para mim, é o melhor jogador para substituir Ganso pelas características.

Atacantes: Alexandre Pato (Milan), Neymar (Santos), Robinho (Milan) e André (Dynamo de Kiev)
A lista só de atacantes não é perfeita pela inclusão de André que quase não tem jogado no Dynamo e ainda me parece "verde" para a seleção. Nomes como Nilmar e Hulk, que fazem ótimo início de temporada, poderiam ganhar uma oportunidade. Ou até mesmo Jonas, que vive grande momento no Grêmio e é artilheiro do Brasileirão. Perfeita a volta de Neymar. Não havia porque castigá-lo mais.

Teste fácil, sem esforço

A promessa inicial era que a seleção jogaria apenas contra adversários qualificados. Depois de se reunir sem ter contra quem jogar na última data-Fifa, a CBF optou por aceitar jogar contra a fraca seleção do Irã. E apesar do jogo ruim, pouco movimentado, valeu mais um teste para a nova seleção de Mano que venceu sem dificuldades.

Aproveitando o calor de 35 graus, a seleção do Irã começou o jogo apertando a saída de bola e dificultando o jogo para o Brasil. Mano manteve o 4-2-3-1 com quase as mesmas peças da estreia contra os Estados Unidos (mudou a dupla do Santos - Ganso por lesão, Neymar por indisciplina). Como a bola não chegava nos meias, a equipe ficou sufocada, sofrendo inclusive um gol, muito mal anulado pela arbitragem.

Não demorou 10 minutos porém, para o time se acertar. Robinho se movimentava muito, saindo da meia direita e abria espaço para as subidas de Daniel Alves. Ali saíam as melhores jogadas do Brasil. Principalmente porque André Santos estava preso e Coutinho não fazia boa partida. Carlos Eduardo, centralizado na meia, não repetiu o desempenho de Ganso e também participou pouco do jogo.

Num dos poucos lances de perigo da etapa inicial, Daniel Alves marcou em cobrança de falta perfeita quase do meio-campo. Pato ainda perdeu uma chance sem goleiro. E foi só num primeiro tempo enfadonho.

Com Elias no time na vaga de Coutinho, o Brasil melhorou no segundo tempo. O meia do Corinthians entrou afim do jogo, e se movimentando bem pelo lado esquerdo ajudou o ex-companheiro André Santos a crescer na partida. Com as entradas de Sandro, Giuliano e Nilmar, o Brasil passou ao 4-2-2-2 e se soltou um pouco mais no jogo. As jogadas fluiam com facilidade, sem esforço. Veio o segundo gol com Pato, depois de perder outras duas oportunidades claras. E no fim, o terceiro com Nilmar.

O time ganha entrosamento e já tem uma cara. A base de Mano foi rapidamente formada. Obviamente, sofrerá alterações ao longo dos quatro anos que separam o Brasil do Mundial. Mas não serão atropeladas como em outros tempos. Temos um time bom e qualificado. À espera de testes de verdade.

A franqueza que os garotos precisavam

Depois de muito mistério, longas negociações, muitas possibilidades, a CBF anunciou o seu novo "coordenador da base", que será responsável por gerir e observar as seleções de base e também treinar o time sub-20 (que será responsável por levar o Brasil às Olimpíadas). E o escolhido foi Ney Franco, técnico do Coritiba, que assumirá após o fim do ano.

Ney Franco é um grande treinador. Competente, sereno, sério e muito profissional. Fez trabalhos muito interessantes na carreira, principalmente quando apostou em jovens. Aprendeu na base do Cruzeiro a selecionar bons garotos. Manteve o trabalho no Ipatinga, com resultado brilhante. E daí em diante, colecionou campanhas de bom nível.

Este ano, mostrou hombridade ao permanecer no Coritiba após o rebaixamento. E está no caminho certo para trazer o time de volta à Série A. Um caso raro e muito interessante.

Ney será braço direito de Mano. Futuramente, o esquerdo também. A renovação tão prometida pela CBF e pelo novo técnico passará diretamente pelas mãos de Ney Franco.

Que tem competência para o posto e sabe o que fazer. A CBF mais uma vez, parece ter acertado na mosca. Sorte dos novos talentos do país. Com Ney Franco, fica a certeza que eles serão reconhecidos e bem trabalhados.

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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