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No caminho certo

Até 2014, a Seleção Brasileira pode mudar muito. É possível que algum jogador que hoje nem seja conhecido pela grande maioria, esteja entre os titulares. É muito provável, porém, que alguns destaques do ótimo time Sub-20, estejam no grupo que vai disputar o próximo Mundial.

Hoje (ou ontem, como preferirem) o time de Ney Franco confirmou a vaga na decisão do Mundial da categoria. Pela segunda vez consecutiva, o Brasil chega à final da competição. Na última vez, derrota para Gana nos penaltis, de um time que tinha Ganso e Giuliano como principais jogadores.

Contra o México, o Brasil teve enormes dificuldades e fez um jogo parelho, decidido apenas nos minutos finais.

No primeiro tempo, o time de Ney Franco tinha a bola mas não conseguia ameaçar. Oscar seguia sendo a principal referência técnica, contando com o apoio sempre fundamental de Casemiro. Mas faltava movimentação incisiva e acerto no passe final. O México, retraído, tinha as melhores oportunidades e chegou a ter um gol bem anulado no último minuto da primeira etapa.

No segundo tempo, os adversários adiantaram a marcação e dificultaram o jogo do Brasil. Os problemas defensivos, principalmente na esquerda com Gabriel Silva eram claros. Ney Franco demorou a mexer e por pouco não colocou o resultado em risco. Não fosse mais uma ótima atuação de Gabriel, os mexicanos teriam aberto o placar com pelo menos duas ótimas chances.

Quando Ney Franco resolveu mexer, acertou em cheio e definiu o confronto. Alan entrou na lateral direita organizando o sistema defensivo e liberando Danilo. E Dudu entrou endiabrado mais uma vez pelo lado esquerdo, partindo para cima e incendiando o jogo. O Brasil cresceu e chegou ao gol com Henrique, que faz Mundial irrepreensível. Pouco depois, ampliou novamente com o atacante, artilheiro da competição com 5 gols ao lado do espanhol Vásquez.

Na final, o Brasil vai pegar Portugal. Que não levou um gol sequer até aqui. Ney Franco vai precisar de um time com boas alternativas ofensivas. Negueba e Dudu, mais velozes e que tem entrado bem, merecem uma oportunidade entre os titulares. Principalmente porque Coutinho, principalmente, não faz grande Mundial.

Independente do resultado final, é preciso ressaltar o trabalho que vem sendo feito nas categorias de base da seleção. Duas finais de Mundial seguidas não pode ser obra do acaso.

E apesar do momento negro do time principal, olhando para o futuro o Brasil pode encontrar o seu caminho certo para 2014.

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É preciso desapegar

O Barcelona joga o futebol mais agradável do planeta no 4-3-3. Com quase os mesmos jogadores, e algumas mudanças, a Espanha ganhou a Copa e tem a seleção mais forte do momento no 4-2-3-1. O que isto significa? Que não há fórmula do "futebol perfeito". É preciso adaptar sistema de jogo a jogadores disponíveis. Bem mais fácil do que o caminho inverso.

Quando chegou à Seleção Brasileira, Mano Menezes assumiu o 4-2-3-1 como seu sistema de jogo. Interessante, porém engessante. Ney Franco seguiu pelo mesmo caminho, possivelmente a pedido de Mano. Seleções principais e sub-20, sofrem muitas vezes com a falta de alternativas para um sistema que não pensa nos jogadores que tem à disposição.

Na segunda partida do Mundial Sub-20, hoje, Ney Franco fez duas mudanças no time. Alex Sandro assumiu seu posto de titular na lateral esquerda (machucando-se novamente logo no início e dando lugar outra vez a Gabriel Silva). Alan Patrick perdeu a vaga na equipe para a entrada de Henrique.

A equipe que se desenhava no 4-2-2-2 com William José e Henrique no ataque não aconteceu. Ney Franco manteve o 4-2-3-1, deslocando Wlliam para a meia direita.

Assim como em outras oportunidades, o time sentiu. Faltou movimentação, fluência, naturalidade. Embora fosse muito superior tecnicamente, o Brasil tinha dificuldades para furar o bloqueio da Áustria.

Quando Oscar saiu do gesso e se aproximou de Philippe Coutinho, a tabela rápida deixou Henrique na frente do gol para abrir o placar. Simples e explorando o que a equipe tem de melhor.

Henrique melhorou a movimentação ofensiva, se apresentando bem como único atacante. William José, porém, ficou escondido, aparecendo somente quando saía da meia direita e fazia o papel que sabe fazer: de centro-avante.

O segundo gol marcado por Philippe Coutinho logo no início da etapa final deu a tranquilidade que o time precisava para jogar melhor. O meia da Inter passou a se entender melhor com Oscar e o time a se soltar. Em jogada de Coutinho, o fundamental Casemiro apareceu a frente e deu ótimo passe para William José ampliar.

A vitória convincente anima e deve tirar a pressão que a equipe de Ney Franco vinha sofrendo. Porém, é preciso perceber que as peças do momento não facilitam para o 4-2-3-1. Se não quiser o 4-2-2-2, Ney Franco tem outras possibilidades. Um 4-3-2-1, com Galhardo na lateral direita e Danilo no meio deixando Henrique como atacante também pode ser alternativa interessante.

O importante é que é preciso desapegar de alguns conceitos para seguir em frente. A seleção sub-20 tem muita qualidade e pode fazer ainda mais na competição.

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Muito a melhorar

O Brasil estreou ontem a noite no Mundial Sub-20. Sem seus dois principais jogadores (Lucas e Neymar), Ney Franco teve tempo para preparar a equipe e ainda assim, tem ótimos valores no grupo. Danilo é titular absoluto do Santos e fez ótimo primeiro semestre. Casemiro também é peça fundamental do São Paulo. Oscar ganha cada vez mais importância nas escalações do Internacional. E Philippe Coutinho, embora não jogue com regularidade, pertence à Inter de Milão e isto diz muito.

Em campo, porém, o Brasil voltou a mostrar as mesmas dificuldades do Sul-Americano. Sem o brilho de Neymar, elas ficaram ainda mais evidentes. A articulação era problemática, com pouca movimentação no 4-2-3-1. Oscar ficou muito preso ao lado direito, Alan Patrick ao esquerdo. Casemiro tinha que sair para auxiliar e deixava enorme espaço atrás. William José sentiu dificuldades no posicionamento como único atacante.

Apesar disto, o início de jogo foi animador. O Brasil se aproveitou da pouca experiência e de um Egito que ainda se organizava em campo para adiantar a marcação e pressionar. Destacando-se nas cobranças de bola parada muito bem trabalhadas, insistiu até Danilo abrir o placar de cabeça.

Com o gol, o Brasil diminuiu o ritmo. O Egito passou a tentar jogar também e viu que era possível atacar. Sempre em velocidade, com passes verticais e ótimo aproveitamento, o adversário passou a incomodar. O Brasil não conseguia segurar a bola no campo ofensivo e foi pressionado até Gaber empatar o jogo, aos 25.

Assustado com o potencial do adversário, o Brasil passou a tentar acalmar o jogo. Esperava que o brilho individual resolvesse. Mas faltava Neymar. Os egípcios ameaçavam nos contra-ataques em uma defesa que ainda se mostra insegura.

Na etapa final, Ney Franco tentou criar um fato novo dando velocidade ao time com Negueba e Dudu. Embora atacasse mais e jogasse melhor, porém, foram poucas as oportunidades do Brasil que terminou o jogo recebendo merecida vaia.

A estreia decepcionante não pode desanimar a equipe. São bons valores e condições de brigar pelo título. Sem Neymar, porém, a equipe precisa funcionar melhor como time. Ney Franco teve tempo para isto, e seu trabalho precisa aparecer.

Ainda é cedo. Mas o Brasil tem muito a melhorar.

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Que não fiquem marcados pela derrota

A derrota é sempre triste. Quanto seu time é melhor, ela é lamentável. O Brasil desperdiçou ontem uma incrível chance de tornar-se penta campeão mundial também na categoria sub-20. Mas faltou poder de decisão. No tempo normal, na prorrogação, nos penaltis. Normal. São meninos. E por isso não podem ser sacrificados nem marcados por este tropeço. Temos ali uma ótima geração.

Assim como em outras partidas deste Mundial, a Seleção Brasileira foi superior ao adversário. E mais uma vez, enfrentamos uma equipe forte. Gana tem bons jogadores é um time muito forte e muito valente. Tanto que ficaram com apenas 10 jogadores ainda no primeiro tempo, e tiveram pernas para correr até o fim da prorrogação.

Durante os 90 minutos que tivemos um jogador a mais, fomos muito superiores. Afinal, o Brasil já era melhor 11 contra 11. Mas faltava poder de decisão. Ousadia. Aquele jogador que ia bater no peito e falar: "deixa comigo que eu resolvo". O time teve paciência e organização tática para rodar a bola e buscar espaços. Mas não conseguiu fazer o mais importante: gol.

Nos penaltis, nada de loteria. O Brasil ia bem nas cobranças. Rafael, como sempre na competição, não decepcionou, defendendo duas cobranças. Mas quando chegou a hora de "bater, fazer o gol e sair para o abraço", faltou o mesmo poder de decisão. O gol parecia ficar pequeno e ninguém foi capaz de perceber sequer que o goleiro de Gana saía nas cobranças horas antes do chute. Era só levantar a cabeça, e bater do outro lado. Assim, desperdiçamos três cobranas seguidas e aí, não há goleiro que aguente. Gana campeã mundial.

Normalmente, mesmo nas seleções campeãs mundiais, não se salvam mais do que 4 ou 5 jogadores. Quando eu digo salvar, falo daqueles que vão disputar vaga na seleção principal um dia. Todos deste elenco tem futebol para serem jogadores de sucesso. Mas vejo potencial especial em "apenas" cinco deles: Rafael, Rafael Tolói, Diogo, Souza e Giuliano. O último, apesar de ter decepcionado na final, foi o grande jogador do Brasil no torneio ao lado de Alex Teixeira, outro que se apagou na decisão.

Como já disse acima: a safra é boa. E não pode se deixar levar por este grande tropeço.

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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