61 anos depois. A mesma data. Em proporções muito menores (pela importância do jogo), a seleção do Uruguai conseguiu fazer história. Desta vez na Argentina. Eliminando os donos da casa de uma Copa América estranhamente incompreensível. Com atuação que teve raça, técnica e principalmente, impecável disposição tática.

Antes de mais nada, é preciso dizer que o Uruguai não é um time qualquer. Tem tradição e recupera seu prestígio de maneira vertical. Foi quarto colocado no último Mundial, voltou a levar um representante à final da Libertadores e teve campanhas destacadas também com as seleções de base. A Copa América é mais uma grande oportunidade para consagrar o trabalho seguro e competente de Oscar Tabarez no comando do time, favoritíssimo ao título após os resultados de domingo.
Em campo, Argentina e Uruguai fizeram um jogo tenso e repleto de emoção. Logo nos minutos iniciais, na óbvia bola aérea, Pérez abriu o placar. Gol que dava ao Uruguai a possibilidade de jogar como queria: fechado e saindo em velocidade pelos lados. O que os uruguaios não contavam é que Messi aproveitaria o enorme espaço que tinha para circular, assumiria o papel de protagonista e daria passe genial para Higuaín empatar ainda no início.
Messi deu mais um passe para gol argentino e assim como nas outras partidas, poderia ter ampliado seu número de assistências. Cansou de colocar Higuaín em condições de marcar. Circulou bem variando entre o lado direito e o centro do ataque e comandou a Argentina em sua melhor partida na competição. Pelo menos enquanto teve pernas.
A expulsão de Pérez, ainda no primeiro tempo, tardou mas veio. Depois de dezenas de faltas, o volante recebeu justamente o segundo amarelo. Tabárez foi corajoso e não tirou seus dois homens de frente do jogo. Sabia que eles podiam ser decisivos. Fechou Pereira e Gonzales para ajudar no meio-campo e manteve o time.
Com todo o segundo tempo com um jogador a mais, esperava-se que a Argentina ousasse mais. E embora tenha sido melhor, faltou volúpia e vontade de decidir. Messi seguia participando muito, mas faltava aproximação. Quando o 10 recebia a bola, não tinha com quem dialogar. Ao contrário da dupla uruguaia. Forlán e Suarez se entendiam bem e faziam que o Uruguai conseguisse levar perigo mesmo com um homem a menos.
Enquanto Muslera se consagrava com partida histórica (e rara, em sua carreira), o Uruguai seguia jogando. Poderia forçar mais o jogo na bola aérea, mas não abdicava do jogo e nem do ataque. E se viu aliviado após a (ao meu ver injusta) expulsão de Mascherano.
O jogo foi para uma prorrogação tensa, que teve bola na trave e grande tabela da dupla uruguaia que quase definiu o jogo na cabeçada de Forlán. No fim, foi para os penaltis. Pressionada e diante de um goleiro em noite inspirada, a Argentina acabou derrotada na cobrança de Tévez.
Sérgio Batista tem sua parcela de culpa. Apesar de ter feito uma partida correta, a Argentina não soube aproveitar o que tem de melhor: a qualidade ofensiva. Além de procurar um técnico capaz de dar padrão e organização ao time, permitindo que Messi jogue tudo que saiba, é preciso encontrar soluções para um sistema defensivo envelhecido e muito fraco. Dar espaço ao jovem Hugo Nervo na lateral direita, dar mais oportunidades para Emiliano Papa que fez ótima Libertadores pelo Vélez é necessário. É preciso ousar e renovar. Ou deixará um craque histórico como Messi longe de fazer história na seleção.
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Primeiro foi a Argentina. Goleada por 3 a 0 sobre um time fraco da Costa Rica. Mas com ótimo desempenho individual de Messi e um conjunto que parece mais perto do ideal. Classificou-se e ganhou moral.

Ontem foi a vez do Uruguai. Com menos brilho, mas com alternativas interessantes, bateu o México por 1 a 0 e assim como na noite anterior, merecia uma goleada.
No 4-4-2 devido à lesão de Cavani, o Uruguai fez uma partida correta. Apesar da exposição defensiva (muito pelo jogo ruim de Coates), o time mostrou velocidade pelos lados e embora não tenha acertado o pé, Forlán também fez ótima partida e chamou a atenção. Como Messi na noite anterior, assumiu o papel de protagonista e foi o melhor de seu time.
Argentina e Uruguai devem fazer uma grande partida. De rivalidade e de dois times ótimos ofensivamente e cheios de problemas atrás. Favorita por jogar em casa e por ter Messi, a Argentina se complica mais cedo do que o previsto na competição graças aos tropeços iniciais. O mesmo, acontece com o Uruguai, 4º colocado no último Mundial.
Hoje é a vez do Brasil. Mano acena com a entrada de Maicon no time. É boa opção e fará o time crescer defensivamente. Mas não acho que seja uma boa abrir mão da qualidade técnica de Daniel Alves. Robinho também pode voltar ao time, na vaga de Jádson, que entrou bem contra o Paraguai.
Mais do que vencer (como os principais rivais) e garantir uma obrigatória classificação, o Brasil precisa encontrar seu caminho. Jogar bem logo mais, é o primeiro passo na estrada para um time competitivo. Independente das peças. Independente do adversário.
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Mesmo jogando menos do que podia e decepcionando em alguns momentos, não restam dúvidas: ninguém jogou mais do que a Seleção Brasileira no Sul-Americano sub-20. Campanha fechada com chave de ouro. Goleada sobre o Uruguai, vaga no Mundial, nos Jogos Olímpicos e o título que fica em boas mãos.

No duelo derradeiro da competição, o Brasil encarou um Uruguai fechado e disposto a segurar o empate que lhe garantiria o título. Mais solto, provavelmente por estar muito perto da vaga nas Olimpíadas, o Brasil não teve dificuldades para superar a defesa adversária. Como nos melhores momentos no campeonato, na individualidade e no talento.
Com Oscar novamente muito tímido (para este que vos escreve, a grande decepção do time de Ney Franco), coube a Lucas juntar-se a Neymar novamente como principal jogador da equipe. E dos pés do meia do São Paulo saíram as principais jogadas do Brasil. Além de marcar três gols (um deles muito belo), participou de outros dois diretamente.
No fim, o acachapante placar de 6 a 0 fez justiça a um time que se mostrou muito superior não só ao Uruguai, vice-líder da competição, como a todos os outros adversários.
O Brasil de Ney Franco que decepcionou taticamente, mostrou bons talentos individuais. Como de costume, uma minoria vingará na seleção principal. Bruno Uvini, o zagueiro e capitão que se lesionou gravemente na reta final, pode virar. Casemiro mostrou evolução ao longo da competição e provavelmente será peça fundamental no São Paulo. Lucas, seguirá o mesmo caminho. E Neymar...bem, Neymar é um capítulo a parte. Já é realidade e provou isto com o recorde de gols brasileiros na competição.
Um pouco do desenho tático do duelo entre Alemanha e Uruguai já está no Quadro Negro do Marcação Cerrada.
Para entender a vitória dos alemães e mais do que isto, os motivos que levaram as duas seleções à ótima campanha na África do Sul,
é só clicar aqui.
Aproveite para acompanhar também a análise tática das outras seleções da Copa:
Não vale tanta coisa. O terceiro lugar de uma Copa do Mundo raramente é lembrado. De toda forma, Alemanha e Uruguai entraram em campo para se despedir da África do Sul e fizeram um grande jogo. O terceiro lugar ficou com os europeus, mas de fato, nenhum deles tem motivos para chorar.

A Alemanha fez uma grande Copa do Mundo. Poderia ter chegado ao título. Para muitos, inclusive para mim, foi a melhor seleção da Copa. De toda maneira, a ausência na decisão para uma seleção jovem e surpreendente não deve servir como motivo para frustação. Com a manutenção do trabalho e alguns pequenos ajustes, a Alemanha virá madura e muito forte ao Mundial de 2014.
Já o Uruguai, foi a grande surpresa da Copa. Não era uma seleção que imaginava-se entre as melhores. Foi bem, sai com um honroso quarto lugar. Como já havia escrito, recuperou a auto-estima e o respeito por uma camisa repleta de história. Teve Forlán, o craque do Mundial. Uma campanha fantástica.
O jogo foi interessante. Mudanças no placar (graças ao estilo mais aberto das equipes, numa partida que valhia pouco). O Uruguai teve tudo para conseguir um resultado melhor. Mas esbarrou em suas próprias limitações e nas falhas de Muslera. A Alemanha, sem alguns titulares e dando chance para quem não havia entrado em campo na Copa, fez mais uma boa partida. Destaque para Khedira, que ao lado de Schweinsteiger montou um meio-campo que provou que dois jogadores que sabem jogar e que ajudam na marcação, podem ser suficientes para um bom time.
No fim, a vitória da Alemanha foi justa. Pelo jogo em si. E principalmente pelo Mundial como um todo. Duas seleções que não tem motivos para chorar. Muito pelo contrário. A Copa foi uma demonstração de força, garra e bom futebol de ambos os lados.
Era um desafio quase perdido para qualquer treinador tirar a Holanda de seu tradicionalíssimo 4-3-3. Encantador, mas pouco efetivo quando o assunto era vencer. O povo holandês não aceitava qualquer mudança que deixasse a equipe menos brilhante e teatral.

Foi este desafio que o bom Bert Van Marwijk conseguiu enfrentar e vencer. Apoiou-se no esquema da moda o 4-2-3-1 para fazer da Holanda um time competente, coeso e vencedor. O show, fica em segundo plano. E vem, mais na individualidade de seus ótimos jogadores de frente. De efetivo, porém, um time sério onde todos marcam, se aproximam e jogam.
Foi assim que a Holanda chegou às semifinais da Copa. Com 24 jogos de invencibilidade. Venceu todos os jogos nas Eliminatórias. Tem 100% também no Mundial. Encantando em alguns momentos, não todos. Mas sabendo se fechar, fazer faltas e dar chutão quando o jogo pede.
Ontem foi assim contra o desfalcado, porém valente, Uruguai. O time holandês tinha muita dificuldade para ultrapassar a linha de quatro homens do meio-campo adversário, que marcava adiantado e dificultava as ações. Aliás, curiosa e corajosa a atitude de Tabárez, montando a equipe no 4-4-2 e não no 4-1-4-1 imaginado pela maioria.
O gol que abriria o adversário saiu da maneira mais difícil de imaginar possível. Gio Van Bronckhorst, o experiente e mediano lateral holandês acertou um chute de longa distância na gaveta de Muslera. Golaço!
Era previsível imaginar que os uruguaios se perderiam com o gol. Diferente do Brasil, porém, os sul-americanos se lançaram ao ataque com coragem e raça. Faltou ao time, porém, qualidade no meio para criar boas chances. O time tinha a bola, jogava no campo ofensivo, mas pouco ameaçava. Sem Luisito Suárez, um dos melhores atacantes da Copa, Forlán ficou muito à frente e faltou qualidade ao meio. Mas não faltou qualidade para o craque do time, que mais uma vez bateu no peito e resolveu sozinho. Forlán limpou a jogada e bateu de fora da área contando com a ajuda do goleiro holandês empatou o jogo.
Aí entrou novamente a Holanda paciente e mortal. O time não se assustou. Voltou a dominar o jogo e aos poucos pressionar o adversário. A entrada de Van der Vaart melhorou a saída de bola e aproximou os jogadores de ataque. Até que em duas jogadas, os dois craques do time decidiram. Primeiro Sneijder, candidatíssimo ao prêmio de melhor da Copa. Depois com Robben, de cabeça.
O 3 a 1 seria definitivo contra qualquer time, exceto contra os uruguaios. Que com Loco Abreu, insistiram até o último minuto e foram ainda premiados com o segundo gol. Resultado justo. E nenhum motivo para sair de cabeça baixa.
Chegar às semifinais além de inesperado foi ótimo para o Uruguai. Voltou a ter auto-estima. Ganhou novamente o respeito do adversário. E teve sua camisa celeste recuperando sua história.
Quanto à Holanda, eu lamento pelos que pedem show 90 minutos. A Holanda tem tudo que o futebol moderno exige. Seriedade, força tática e jogadores extraordinários. Volta à uma final de Copa com o pior time, mas com o que tem mais condições de vencer. Curioso, não? De toda forma, não será favorita independente do adversário. Só não espero que eles saibam disso e pensem que será tarefa fácil.
Um jogo de futebol não precisa de duas equipes excelentes para ser fantástico. Uma partida de futebol não precisa ser bem jogada durante todo o tempo para entrar para a história. Uruguai e Gana provaram que em segundos tudo pode mudar. E que mesmo quando falta qualidade, o futebol pode ser fascinante.

O comentário no twitter ao fim da partida e antes da disputa de penaltis era geral: o futebol é fascinante. A Copa do Mundo é incrível. Minutos antes, o Uruguai dava adeus à Copa. Seus jogadores lamentavam, já partiam para o vestiário. Um penalti mal batido por Gyan, mudou completamente a história.
Antes, Gana e Uruguai não fizeram uma grande partida. Os sul-americanos mudaram a forma de jogar que fazia da equipe uma das mais eficientes da Copa até então. O 4-4-1-1 deixou a equipe mais fraca ofensivamente e com menos poder de conclusão. Tanto é que mesmo com os africanos muito mal no jogo nos primeiros 30 minutos, a equipe não criou nada de real.
Aos poucos, os africanos cresceram no jogo e encontraram espaços. Adiantaram a marcação e criaram três boas chances de gol antes de abrirem o placar com Muntari, em falha de Muslera. Àquela altura, o Uruguai já havia perdido Lugano, machucado.
No segundo tempo, com Lodeiro no time, o Uruguai passou a jogar como antes. Com três homens na frente a equipe cresceu. Com menos de 10 minutos, Forlán já havia empatado em cobrança de falta que contou com a ajuda do ótimo Kingson.
Daí em diante, o jogo teve poucas emoções. Uruguai era melhor mas não conseguia criar lances de perigo. Gana preferia não se arriscar muito.
O jogo foi para a prorrogação e o panorama seguiu inalterado. Aos poucos, porém a situação física dos africanos passou a fazer a diferença. E olha que eles já vinham de outra prorrogação contra os Estados Unidos.
No último lance da prorrogação, quando a disputa de penaltis parecia certa, falta lateral para os africanos. No bate-rebate, Suárez tirou a bola de cima da linha duas vezes para evitar o gol da derrota. A primeira com os pés. A segunda com as mãos. Penalti para Gana. Suárez, um dos melhores centro-avantes da Copa, virara vilão. Não haveria tempo para mais nada.
Gyan, que marcou dois gols de penalti na Copa foi para a cobrança. E por ironia do destino, perdeu a única penalidade que não podia perder. O sonho das semifinais parou no travessão. Gyan virou vilão. E Suárez, que salvou a bola em cima da linha, virou herói em seu pior jogo na Copa até aqui.
Na disputa de penaltis, valeu o estado emocional dos uruguaios. 4 a 2, com direito a dois penaltis muito mal batidos pelos ganeses e defendidos por Muslera. E com a cavadinha do "louco" Abreu na última penalidade. A tradicionalíssima Celeste Olímpica finalmente está de volta. E a Holanda que se cuide. Esta camisa tem peso e parece ter a sorte ao seu lado.
Depois de ser um dos grandes times da primeira fase, o Uruguai seguiu sua ótima campanha na África do Sul. Bateu, com sofrimento desnecessário, a Coreia do Sul e chegou às quartas-de-final depois 40 anos. Mais do que isso, é favorito para conseguir uma das vagas da chave na semi, mostrando que a Celeste Olímpica está mesmo de volta.

A postura tática do Uruguai mudou um pouco no jogo de hoje. Forlán foi mais atacante do que meia, apesar de ter liberdade para recuar e buscar o jogo organizando a equipe. Para o time funcionar, Álvaro Pereira teve que ser mais volante. O time variava entre um 4-3-1-2 e o 4-3-3.
A Coreia do Sul manteve o 4-2-3-1. O craque do time, Park Ji Sung, porém, começou jogando pelo lado esquerdo. O time só fluiu bem quando o jogador passou para a meia central, recuando Chuyoung para o setor esquerdo.
Desde o início do jogo, o Uruguai teve o controle, apesar dos sustos iniciais. Os asiáticos tinham dificuldade na saída de bola e faziam seguidamente uso da ligação direta o que deixava os sul-americanos com o controle da bola e do jogo. A falha de Sungyong, aos 8 minutos, que resultou no gol do oportunista Suárez, deixou o jogo ainda mais à feição dos uruguaios.
Depois de jogar melhor na etapa inicial e de ter inclusive um penalti não marcado pela arbitragem, o Uruguai resolveu se defender. Recuou suas linhas e deu espaço para a Coreia, que voltou cheia de apetite ao segundo tempo. O time só foi se recuperar no jogo após a falha geral da defesa e do goleiro Muslera resultarem no primeiro gol sofrido pelo Uruguai na Copa.
Alguns minutos de pressão coreana e duas boas chances perdidas foram suficiente para o Uruguai voltar a assumir as rédeas. A entrada de Lodeiro acertou a marcação pelo lado esquerdo e o time cresceu. Até Suárez novamente, em bela finalização, dar números finais ao jogo.
A classificação fez justiça para o time que jogou melhor a maior parte do jogo. O Uruguai tem boa organização defensiva e muita qualidade técnica no ataque. É uma seleção forte, que conta com Forlán em grande fase, com Lugano experiente e controlado e com Pérez jogando como um leão no meio-campo. Chega como favorita às quartas de final e certamente dará muito trabalho para quem vier pela frente.
Houve quem acreditasse que México e Uruguai entrariam em campo para fazer o famoso "jogo de compadres", já que o empate classificava as duas equipes para as oitavas-de-final. Eu já havia previsto que teríamos um duelo de fato, principalmente pelo fato de o primeiro colocado muito provavelmente evitar o confronto com a Argentina. E também porque só uma improvável combinação de resultados eliminaria uma das equipes.

De fato, o que se viu em campo foram duas equipes buscando o resultado e jogando sério. O México resolveu apostar na experiência e no peso do experiente Blanco, que completava o 4-3-3 as vezes recuando para armar o time. Mas com ele e Franco, o setor ofensivo do México ficou lento, pesado e pouco produtivo.
Justamente contra um adversário que já havia se mostrado em apuros contra adversários mais velozes no ataque. O Uruguai voltou a atuar no 4-3-1-2, bem parecido com o da Seleção Brasileira. Cavani, em alguns momentos, abria pela direita do meio-campo, formando o 4-2-3-1 e deixando Suárez como centro-avante.
O primeiro tempo aberto e com chances para os dois lados, viu o Uruguai levemente superior. Até que Suárez abriu o marcador, nos minutos finais. Com o surpreendente resultado da África do Sul, que vencia por 2 a 0 e tinha um jogador a mais, era possível perceber o nervosismo aparecendo nos mexicanos que passaram a correr riscos.
Na etapa final, os dois times voltaram mais cuidadosos, apesar da mudança que deixou o México mais ofensivo. Barrera ganhou o posto de Guardado, recuando Giovanni do Santos para atuar como meia. Com a marcação adiantada, o Uruguai seguia melhor e chegou a pressionar os mexicanos. Lugano fazia partida perfeita defensivamente e ainda obrigava Perez a grandes defesas quando subia ao ataque.
A entrada de Chicarito Hernandez, que definitivamente não pode ser reserva deste time, no lugar do inoperante Blanco recolocou o México no jogo. E obrigou o Uruguai a se cuidar mais para garantir o resultado. A esta altura, o gol francês já dava tranquilidade para as duas equipes tocarem a bola e esperarem o jogo passar.
No fim, o resultado justo deixou as equipes em posições também justas no grupo. O Uruguai fez uma surpreendente primeira fase. Jogou bem, mostrou evolução, e pode assustar grandes adversários nesta Copa. Já o México, também tem time para fazer um bom papel. Mas precisa escalar melhor seus 11 iniciais. Difícil mesmo, vai ser ultrapassar a Argentina na próxima fase.
Maltrataram a Jabulani, não souberam lidar com a tecnologia, não tiveram muito tempo para treinar e saber o que fazer com a nova bola de futebol usada na Copa do Mundo, colocar a culpa na pobre bola pela falta de gols que houve de maneira tão intensa na primeira rodada da Copa pode parecer exagero, mas quando se vê isso acontecendo com unanimidade então deve haver algum fundo de verdade nessa questão tão peculiar, aliada ainda a altitude e ao frio sul-africano. Porém, aos poucos os jogadores devem se acostumar com ela, e isso os uruguaios já fizeram, e foi justamente contra os anfitriões. Sobrou tristeza para a África do Sul.

O dia era mais uma vez de festa. O povo sofrido do país que viveu tantos anos de racismo durante o apartheid sorri e festeja como sempre vem fazendo nas arquibancadas. Era feriado na África do Sul, dia de lembrar que completaram 34 anos dos protestos dos estudantes negros de Soweto. Era dia de lembrar de Hector Pieterson. Dia de dizer não à desigualdade social, e claro, é dia de jogar bola também. O empate na estreia foi lamentável, mas trouxe esperança. Eles só não queriam ver Diego Forlán compreender tão bem a Jabulani em um chute fantástico, que ainda desvia em Mokoena, e vai parar no fundo do gol de Khune.
O técnico Carlos Alberto Parreira jamais ganhou um jogo de Copa do Mundo sem que fosse treinador da Seleção Brasileira, e olha que com os Canarinhos chegou ao título em 1994, mas ao contrário de Guus Hiddink por exemplo, não consegue ter sucesso comandando outras Seleções pelo mundo. A África do Sul ainda lutou com grande apoio da torcida pelo empate, mas acabou mesmo vendo Forlán se tornar o artilheiro isolado da competição ao marcar mais um cobrando penalti. A África dol Sul se desanimou completamente, desistiu antes da hora, e ainda sofreu o terceiro gol na partida. Álvaro Pereira fechou o caixão. Eles conseguiram compreender a Jabulani finalmente.
Três Seleções marcaram dois gols e só uma delas sofreu um. A Alemanha foi a grande excessão marcando quatro mas de resto apenas vitórias simples, empate com apenas um gol de cada lado ou sem nenhum, o que é muito pior, como no caso do Uruguai que havia ficado no zero a zero contra a França. Mas desta vez, os uruguaios enfim pararam de maltratar a bola. A trataram com carinho e balançaram as redes. As chances de classificação são enormes para a Celeste Olímpica, mas quase nulas para os donos da casa, que poderiam até sonhar mais se não tivessem tomado tantos gols, algo que para o amante do bom futebol foi ótimo, eles querem que continue assim, e este resultado elástico pode ter sido o tão aguardado prenuncio de dias melhores na Copa.
Nota do blog: Fiquei triste com a derrota (esperada) da África do Sul. No bom jogo que abriu a segunda rodada, de fato, melhoraram as expectativas para jogos mais animados daqui em diante. Fica a tristeza pela eliminação dos donos da casa (pela primeira vez a equipe anfitriã não passará à segunda fase). Mas fica a alegria por perceber que as coisas tendem mesmo a melhorar no país.
Por Rafael Fajardo
O que se viu na Cidade do Cabo foi um jogo que nem de longe parecia uma partida de Copa do Mundo. Com três títulos mundiais em campo era de se esperar uma partida no mínimo agitada. Ao contrário disso, tivemos duas equipes completamente apagadas.

Inicialmente cotada por muitos como favorita, a Celeste Uruguaia começou com muitos erros de passe no meio de campo e com o atacante Forlán isolado no ataque. A França, que garantiu sua classificação no fim do segundo tempo contra a Irlanda usando "La main de Dieu" de Henry, tinha maior posse de bola mas parecia não ter vontade de vencer a partida, de ir pra cima dos uruguaios e fazer o gol.
Depois de um primeiro tempo morno, a expectativa era que as duas seleções voltassem a campo com uma postura diferente na etapa final. Porém, nada mudou. A marcação uruguaia era forte, as duas equipes continuavam errando passes demais e poucos chutes acertavam o gol. Responsável pela classificação da França, Henry, entrou em campo aos 26 minutos mas não conseguiu mudar o panorama do jogo. Entra então o botafoguense El Loco Abreu para tentar algo diferente, mas os planos da Celeste foram por água abaixo pouco depois. Lodeiro, que entrara há pouco, foi expulso ao receber o segundo cartão amarelo.
No entanto, o lance que mais chamou a atenção de todos, aconteceu faltando 5 minutos para o fim da partida. Cruzamento da direita na área do Uruguai, Henry domina a bola e chuta de canhota. A bola resvala no braço do zagueiro Victorino. Henry esboça uma reclamação mas se lembra de como a seleção dele se classificou e logo volta ao jogo.
Ao final da partida, duas seleções felizes com o resultado, reação muito diferente do jogo de abertura, que teve jogadores sul-africanos emocionados com o empate diante do México. Outro ponto importante a se destacar até aqui é a arbitragem, que foi perfeita nos dois jogos.
Enfim, o jogo não foi bom, duas equipes perdidas em campo sem saber o que fazer. Os amantes do futebol arte esperam que as coisas melhorem na África do Sul.
Reta final de Eliminatórias são sempre emocionantes. Algumas das principais seleções ainda correndo atrás de uma vaguinha no Mundial. França, Portugal e Argentina são alguns exemplos de quem ainda sofre para carimbar o passaporte para a África do Sul.

Muitas destas situações serão decididas hoje. A última rodada das eliminatórias mundo afora. Depois de hoje, ficarão os desesperados em busca de uma vaga na repescagem.
Mais tarde, o Brasil entrará em campo, para encerrar sua participação contra a Venezuela em Campo Grande. Jogo que não vale nada. Exceto para alguns jogadores que ainda pretendem confirmar seu espaço, como Lucas, Diego Souza, Alex e Diego Tardelli. Para o torcedor, só mais uma boa oportunidade de ver o bom time de Dunga em campo.
Os olhos, na América do Sul, estarão ligados mesmo é no confronto entre Uruguai e Argentina no histórico Estádio Centenário. O jogo que vale o alívio e uma vaga direta para o Mundial. Um confronto que já foi histórico e que hoje volta a ser o duelo mais importante do planeta, mesmo que por um dia apenas.
Quem vencer, está classificado para a África do Sul. Quem perder, depende de uma combinação de resultados para ir à repescagem. O Equador, que joga fora de casa contra o Chile, pode eliminar definitivamente o perdedor do confronto.
Por isso vale tanto. E por isso, muito brasileiro não perderá a oportunidade de secar nossos eternos rivais.
Não será meu caso. Assim como torço por França e Portugal na Europa, gostaria de ver a Argentina na Copa do Mundo. Não há graça em um campeonato com os melhores do mundo, sem os melhores do mundo. Não que os argentinos sejam os melhores. Mas estão entre os mais fortes. E são sempre candidatos ao título. Basta terem mais seriedade e contratarem um técnico de verdade depois deste susto. Já basta não termos Ibrahimovic no Mundial. Messi e Cristiano Ronaldo não podem ficar fora.
Que viva la fiesta. E que os Deuses da bola estejam lado a lado com os verdadeiros craques logo mais.
O estigma de não vencer o Uruguai há trinta e três anos por lá era cansativo. Pior que ele, só as lembranças do Maracanazzo, em 1950. Porém, nada disso foi capaz de esfriar os ânimos da Seleção Brasileira, que deu um verdadeiro passeio ontem em Montevidéu.

Não que o time tenha sido brilhante. Se a defesa do Brasil parece, à distância e nos números, extremamente eficiente, deve e muito agradecer à Júlio César. Que fase! O time, mesmo com dois volantes de muita pegada, deixa muitos espaços para o adversário. E construiu a goleada da forma como construiu, graças à sempre eficiente presença do goleiro.
No entanto, o time de Dunga soube se aproveitar das fraquezas do adversário. Sem Lugano na zaga e Cristian Rodríguez no meio, o Uruguai é um time fraco. Com dois ótimos atacantes, e só. O time parecia perdido com a bola nos pés e tinha poucas jogadas trabalhadas. Os melhores lances, foram nas bolas cruzadas, principalmente em escanteios (foram muitos).
No mais, o Brasil seguiu seu estilo de jogo. Pragmático, mas dando liberdade para os homens da frente decidirem. E nas poucas oportunidades que teve, o Brasil acabou nas redes. Daniel Alves, Juan, Luís Fabiano e Kaká, de penalti.
O Brasil está na Copa. Dunga será o técnico. Com certas coisas, teremos que nos conformar até lá.
Só espero que o Brasil não repita o desempenho das últimas rodadas. E consiga, pela primeira vez nas Eliminatórias, duas vitórias. O público brasileiro merece.