Mesmo jogando menos do que podia e decepcionando em alguns momentos, não restam dúvidas: ninguém jogou mais do que a Seleção Brasileira no Sul-Americano sub-20. Campanha fechada com chave de ouro. Goleada sobre o Uruguai, vaga no Mundial, nos Jogos Olímpicos e o título que fica em boas mãos.

No duelo derradeiro da competição, o Brasil encarou um Uruguai fechado e disposto a segurar o empate que lhe garantiria o título. Mais solto, provavelmente por estar muito perto da vaga nas Olimpíadas, o Brasil não teve dificuldades para superar a defesa adversária. Como nos melhores momentos no campeonato, na individualidade e no talento.
Com Oscar novamente muito tímido (para este que vos escreve, a grande decepção do time de Ney Franco), coube a Lucas juntar-se a Neymar novamente como principal jogador da equipe. E dos pés do meia do São Paulo saíram as principais jogadas do Brasil. Além de marcar três gols (um deles muito belo), participou de outros dois diretamente.
No fim, o acachapante placar de 6 a 0 fez justiça a um time que se mostrou muito superior não só ao Uruguai, vice-líder da competição, como a todos os outros adversários.
O Brasil de Ney Franco que decepcionou taticamente, mostrou bons talentos individuais. Como de costume, uma minoria vingará na seleção principal. Bruno Uvini, o zagueiro e capitão que se lesionou gravemente na reta final, pode virar. Casemiro mostrou evolução ao longo da competição e provavelmente será peça fundamental no São Paulo. Lucas, seguirá o mesmo caminho. E Neymar...bem, Neymar é um capítulo a parte. Já é realidade e provou isto com o recorde de gols brasileiros na competição.
Sem o principal jogador (do time e da competição), sem a dupla de zaga titular e vindo de derrota para a Argentina, é difícil cobrar mais do que uma vitória da Seleção Brasileira Sub-20. Ela veio. 1 a 0 com pouco brilho sobre o Equador, resultado que deixou o time classificado para o Mundial da categoria no meio do ano e muito perto das Olimpíadas de 2012.

Com Diego Maurício na vaga de Neymar, o Brasil manteve a estrutura tática (4-2-3-1) e começou em ritmo alucinante. Nos primeiros 10 minutos teve duas boas chances de gol (com Lucas e Diego Maurício) e abriu o placar com Casemiro.
Daí em diante, salvo raros lapsos (principalmente de Lucas), o time foi inofensivo, lento e pouco preocupado em definir o jogo. E mais uma vez, correu riscos desnecessários, como no chute de Montaño, aos 34 da etapa final, defendido por Gabriel. O goleiro, aliás, fez sua partida mais segura na competição até aqui, e foi importante para garantir a vitória.
Apesar do desempenho decepcionante, principalmente no hexagonal final, o Brasil deve ficar com a vaga nas Olimpíadas. Só uma impensável combinação de resultados tira o time da competição, meta única antes do início do Sul-Americano. Uma vitória sobre o Uruguai, na rodada final, dará ainda ao time o título, coroando uma geração que tem qualidade, mas que jogou abaixo e à longo prazo, deve oferecer poucos nomes à seleção principal.
No principal clássico do torneio, a seleção brasileira sub-20 comandada por Ney Franco experimentou situações que ainda não havia vivido no Sul-Americano até aqui. Saiu atrás no placar pela primeira vez e viu também a primeira derrota na competição.

Mas nem só de novidades viveu o time canarinho na derrota por 2 a 1 para os argentinos. Assim como na estreia, diante do Paraguai, os jogadores do Brasil mostraram nervosismo excessivo. Desta vez, porém, Neymar não esteve tão inspirado como no primeiro jogo para resolver a partida.
Os primeiros 10 minutos de jogo foram decisivos e definiram os rumos do jogo. Primeiro, porque o Brasil perdeu o capitão e referência da defesa Bruno Uvini, machucado (o jogador quebrou a perna e já voltou ao Brasil para fazer cirurgia, ficando de fora do resto da competição). Pouco depois, Juan agrediu o atacante Funes Morí, sem razão e sem sentido dentro da área. Expulsão, penalti e gol da Argentina.
Com um a menos, e nervoso em campo, o Brasil demorou para se encontrar em campo. Neymar chamou a responsabilidade, mas pecava pelo excesso de individualismo, querendo provocar os argentinos e gerar cartões para o adversário. E neste aspecto, pecava o árbitro, que pouco fez para coibir o excesso de faltas no atacante brasileiro.
Aos poucos, porém, por ser melhor tecnicamente, o Brasil se encontrou no jogo e passou a jogar melhor. Principalmente com Danilo (que fez sua melhor partida na competição) pelo lado direito, o time de Ney Franco criava boas oportunidades, mas não conseguia concluir em gol. Pressionada, a Argentina parou de buscar o jogo. Tentava segurar a bola e catimbar a partida.
O gol de empate saiu apenas no início do segundo tempo. Willian José, que não vinha bem na partida, conseguiu achar espaço na entrada da área para soltar uma bomba indefensável.
O jogo voltou a ficar truncado e equilibrado, com poucas chances. Até que Iturbe, o melhor da partida, arrancou com a bola aproveitando erro de Casemiro e fez o segundo gol dos argentinos. Daí em diante, pressão desorganizada do Brasil com poucas chances de empatar novamente a partida (excessão feita a falta muito bem cobrada por Casemiro, que por capricho acertou o travessão).
O Brasil perde pela primeira vez no torneio num momento onde vencer daria tranquilidade e praticamente garantiria a classificação aos Jogos Olímpicos. Mas não há motivos para se desesperar. Aliás, o momento é de buscar controle emocional para um time que parece sofrer com o nervosismo em excesso e com a responsabilidade de ser de longe a melhor equipe do torneio.
A próxima partida, promete uma "novidade" que pode complicar ainda mais a vida do time: Neymar, suspenso, fica fora. Sem ele, o Brasil já venceu o Equador (1 a 0, na primeira fase, quando Ney Franco usou time praticamente reserva). Agora, porém, as circunstâncias serão outras e um vacilo poderá ser fatal.
Ney Franco fez o que lhe era conveniente. Já classificado para o hexagonal final, colocou os reservas em campo no encerramento da participação da seleção brasileira sub-20 na primeira fase do Sul-Americano. Forma de poupar os jogadores fisicamente e evitar lesões e suspensões para a fase decisiva.

Oportunidade de ouro para quem não vinha atuando mostrar potencial e lutar por um espaço entre os 11 titulares, certo? Errado. Em geral, o time foi sonolento e preguiçoso. A motivação que deveria existir para conquistar vaga na equipe não apareceu. Salvo, claro, raras exceções. Aleksander fez boas defesas, mostrando mais segurança do que Gabriel. Rafael Galhardo voltou a participar bem do jogo e é alternativa válida para o lugar do até aqui apagado Danilo. Fernando provavelmente ganhará o lugar de Zé Eduardo (minha maior decepção até aqui na competição), graças a mais uma ótima partida. E Oscar, que deu passe magistral para o gol, provou o quanto pode ser útil ao time.
Mudaram os jogadores, não mudou a estrutura. Postado novamente no 4-2-3-1, a seleção demorou para encaixar seu jogo. Mas foi se soltando e mostrou desprendimento tático maior do que o time titular. Por várias vezes, Oscar e Diego Maurício deixaram os lados do campo aparecendo pela faixa central e confundindo a marcação. Numa delas, o ex-meia do Inter deu lindo passe de calcanhar para Henrique abrir o placar.
Pouco depois, o juiz exagerou ao expulsar Cazares do Equador (mesmo árbitro que expulsou dois jogadores e Ney Franco na estreia do Brasil). O que abria espaço para uma goleada e uma atuação de gala, transformou o jogo em algo arrastado, chato e moroso. O Equador com 10 jogadores não conseguia ameaçar. E o Brasil parecia satisfeito com a vitória simples e a classificação em primeiro do grupo.
No fim, o Equador assustou e não fosse a pontaria ruim de Montaño, o resultado poderia ter sido novamente decepcionante.
O Brasil se classificou sem muitas dificuldades e sem jogar tudo que era esperado. A fase final reservará jogos certamente muito mais difíceis. O time de Ney Franco precisará de mais concentração, movimentação e poder de definição. Qualidade individual, já provou que tem. Faltam cinco jogos para garantir a permanência do sonho olímpico. E daqui em diante, é proibido vacilar.
O empate decepcionante, mas que garantiu a classificação da seleção brasileira sub-20 para o hexagonal final no Sul-Americano, veio em boa hora. Basta ver o que os próprios jogadores disseram ao fim dos 90 minutos, para perceber que é bem provável que uma lição importante tenha sido tirada da partida contra a esforçada Bolívia: a de que por melhor que um time seja, ele não ganhará a partida quando quiser.

Mais uma vez, o Brasil apresentou as mesmas falhas. Apesar de muito bem postado taticamente (o 4-2-3-1 de Ney Franco é claro e todos os jogadores mostram saber exatamente sua função em campo), o time voltou a pecar pela pouca mobilidade e troca de posições. Parece faltar liberdade, termo fundamental para o sucesso do "esquema da moda".
Neymar muito preso pelo lado esquerdo tornou-se presa fácil para a marcação forte dos bolivianos (também muito bem armados num 5-4-1 que variava para o 3-6-1). Henrique movimentou-se mais como meia pelo lado direito, mas fez poucas incursões em diagonal. Sobrou para Lucas toda a responsabilidade de armar o time.
Mesmo com tantos defeitos, o Brasil foi superior, porque é muito melhor tecnicamente do que todos os adversários da competição. Na individualidade, algumas jogadas foram criadas. Principalmente depois dos 30 minutos iniciais, quando Henrique e Neymar passaram a jogar mais em diagonal abrindo espaço para os volantes e laterais aproveitarem o corredor lateral. Foi assim que saiu o primeiro gol, de Henrique.
Na etapa final, talvez pelo calor, talvez pela vitória parcial, o time se acomodou. Indolente, se poupava de correr. Mesmo assim, criava, sempre na qualidade individual. A Bolívia parecia morta, e Ney Franco acreditou nisto, tirando Zé Eduardo para colocar Oscar, recuando Lucas. A marcação se foi e o time brasileiro ficou completamente exposto.
E enquanto os brasileiros desperdiçavam gols no ataque, a Bolívia empatou o jogo em escorregão do ótimo Bruno Uvini e gol de Rios. Quase virou em contra-ataque puxado por Torrico. Assustou. E espera-se, tenha deixado lições.
O Brasil tem um baita time. Tem um baita técnico. Teve tempo de sobra para treinar e parece ter organização tática suficiente para brilhar. Precisa se soltar mais. E assim, chegar com a facilidade esperada a uma das vagas para os Jogos Olímpicos.
Se alguém fora das fronteiras brasileiras teimava em não conhecer o talento de Neymar, certamente passou a noite/madrugada de ontem admirado com o talento do que há de melhor no futebol do país no momento. O jovem atacante brincou em campo, como sempre fez, e com atuação brilhante definiu a importante vitória do Brasil na estreia do Sul-Americano Sub-20: 4 a 2, com 4 gols de Neymar.

A participação de Neymar foi tão decisiva e interessante que ofuscou até mesmo a também ótima estreia do trio do São Paulo: o muito seguro Bruno Uvini na zaga, o forte e qualificado Casemiro no meio e o veloz e inteligente Lucas no meio-campo.
Mas nem tudo foram flores na estreia da equipe de Ney Franco. Nos 20 minutos iniciais, o Brasil sentiu dificuldades com a marcação adiantada do Paraguai, atenuando o nervosismo habitual do início de uma competição deste porte. Para conseguir algo mais do que as bolas longas dos zagueiros e laterais que raramente encontravam um disperso Henrique no ataque, o time precisava encurtar os espaços e movimentar-se para fugir da marcação e abrir espaço para quem vinha de trás.
Tudo começou a fluir quando Lucas e Oscar variavam entre o centro e o lado direito. Numa destas inversões, o meia do São Paulo confundiu a defesa e abriu o corredor para Casemiro, que carregou muito bem a bola até sofrer penalti. Batido por Neymar com a seriedade e a responsabilidade de quem mostra amadurecimento e está preparado para comandar o time.
Com o gol, o Brasil cresceu e se soltou no jogo. Passou a jogar mais pelo lado esquerdo, com Neymar (quase sempre com a aproximação de Lucas) e confundir a marcação de Cáceres e Pérez no setor. O segundo gol veio, novamente com Neymar, após jogada rápida pelo setor e dribles desconcertantes dentro da área.
Na etapa final, a tendência era de um jogo mais tranquilo. E seria, não fosse a tola expulsão do promissor Zé Eduardo, que cometeu duas faltas desnecessárias em menos de cinco minutos. O gol paraguaio, logo na sequência, dava contornos ainda mais dramáticos ao jogo.
Ney Franco reconstruiu o meio com a entrada de Fernando e fortaleceu o lado direito da defesa (por onde o Paraguai mais chegava) com a entrada de Galhardo - muito bem - no lugar de um Danilo desconcentrado.
Novamente organizado, coube ao time brasileiro observar Neymar resolver a parada. Primeiro em um gol de força, raça, vontade. Entrou com bola e tudo. Depois com um toque leve, sutil, que deixou o goleiro Ovando absolutamente sem reação. As várias facetas de um craque.
No fim, outra expulsão (do destemperado Henrique) e um gol do Paraguai que não tiram o brilho da estreia positiva e da partida de Neymar. Ele está muito acima dos outros da categoria.
É preciso atenção com a parte emocional do time. As expulsões desnecessárias (em que pese a atuação complicada da arbitragem) podem prejudicar o Brasil num momento decisivo. Mas o "simples" fato de ter o marrento, mas cada vez mais maduro Neymar no time, faz do time de Ney Franco o grande favorito no Sul-Americano. E mais do que isto: faz valer cada segundo de uma noite de sono perdida.