13ª rodada. O que já teve de times mudando de técnico não está no gibi. Este é o Campeonato Brasileiro! Os anos passam, os times que mantém o técnico (salvo raras exceções) ficam sempre na parte de cima e os outros não notam. O imediatismo é a palavra de ordem. Por isso, muitas mudanças aconteceram no comando das equipes da Série A na última semana.

Começou com Ricardo Gomes, de saída do São Paulo, após a derrota na Libertadores. Já abordei a saída do treinador no sábado. Hoje falo da escolha da direção tricolor: Sérgio Baresi. Campeão da última Copa São Paulo, o técnico do júnior tem o que o time precisa. Conhece a base do clube, já se mostrou qualificado e é barato. De fato, o gigante paulista está precisando economizar, de olho na reforma milionária do Morumbi.
É preciso porém, ver se terão paciência com o trabalho de Sérgio. Será um período de transição muito importante. Com ele, a garotada da base finalmente deve ganhar oportunidades. Mas os resultados podem demorar para aparecer.
Outro grande que perdeu o técnico foi o Grêmio. Silas foi embora, depois de enfrentar grande pressão desde sua contratação. Para ganhar a torcida, a tendência é que a diretoria aja de acordo: Renato Gaúcho deve assinar hoje com o clube. Ídolo eterno dentro de campo, Renato terá um enorme desafio fora dele.
Acho uma boa contratação. Vai unir time e torcida. Tem identificação e conhece a história do clube. Apesar da carreira controversa como treinador, já mostrou qualidades no Fluminense. Tem uma nova e fundamental chance na carreira. Deve agarrar com unhas e dentes.
Outra mudança (esta causou muito estranhamento deste que vos escreve) foi no Vitória. Mesmo depois de levar o time à final da Copa do Brasil, o "interino" Ricardo Silva foi substituído. Decisão estranha. Mesmo sem ficar com o título, a chegada a decisão com um time que tinha poucas peças foi um belíssimo trabalho. Agora, que o time vai encorpar com a chegada de bons reforços, era o momento de dar tempo a ele.
Quem chega para seu lugar é Toninho Cecílio, do Grêmio Prudente. Quando foi contratado, fiz um post no blog criticando e desacreditando em suas qualidades. Me surpreendi e tenho que dar o braço a torcer. Toninho fazia um belo trabalho no jovem time paulista. Aliás, deixará uma lacuna difícil de ser preenchida num mercado escasso e caro. Fará muita falta ao Prudente, que terá um jogo fundamental esta semana contra o Atlético-MG pela Sul-Americana.
Por fim, mas não menos importante, quem também trocou de técnico foi o Ceará. Mesmo na terceira posição, o time demitiu Estevam Soares, que assumiu pouco antes da Copa do Mundo. Apesar da série negativa, o time se mantinha bem e poderia ter tido mais paciência. Aliás, todos sabiam que a tendência natural era a queda de rendimento do time que começou muito bem. Mário Sérgio foi contratado, e mesmo depois do bom trabalho no Inter ano passado, ainda não me pega.
A tendência natural é de novas demissões nas próximas rodadas. Portanto, se você é treinador: telefone ligado e carteira de trabalho na mão. Novas vagas não vão demorar a surgir.
A frase "o treinador x está prestigiado e será mantido" é emblemática. Significa que alguém está muito próximo de perder o emprego. Foi o que aconteceu ontem com o técnico do Botafogo, Estevam Soares.

É difícil manter um treinador que leva de 6 a 0 em um clássico. Mas a decisão do Botafogo, vista com calma, parece a mais errada possível.
E começou errada lá atrás, quando o time demitiu Ney Franco. Na época, eu defendi a permanência do treinador, que tinha montado o elenco e pelo menos conhecia as peças. Defendi também que foi um erro de Estevam Soares, trocar um trabalho que poderia render ótimos frutos no Barueri para assumir um time em risco no meio do Campeonato.
Capengando, o Botafogo de Estevam Soares conseguiu se salvar da degola na última rodada do Brasileirão, graças ao gol do dopado Jóbson. Ali, a diretoria deveria dar por terminado o trabalho de Estevam, que definitivamente não foi bem no clube.
Para este ano, o time se reforçou. Ao meu ver, melhorou em relação ao ano passado. Mas ainda está longe de poder brigar de igual para igual com os outros três times cariocas. E não é a mudança de técnico que vai modificar esta situação.
Joel Santana é o provável substituto. Uma boa escolha. Tem identificação com o clube e pode fazer um trabalho interessante. Pena que chega com três rodadas de atraso a um clube que me parece cada vez mais perdido no tempo.
PS: Com menos de um mês, Estevam Soares já é o segundo técnico da Série A demitido no Brasil. O primeiro foi Hélio dos Anjos, no Goiás. Segundo o jornalista Gustavo Poli, da Rede Globo, já são seis times com mudança de técnico até aqui no país.
Coritiba, 15º colocado. Cinco pontos acima da zona de rebaixamento. Duas vitórias e apenas uma derrota nos últimos cinco jogos.

Botafogo, 18º colocado. Afundado na zona de rebaixamento. Onze jogos sem vencer no Brasileirão.
E ainda há quem diga que Ney Franco era culpado da "má fase" do Botafogo. A diretoria acreditou, e nada é tão ruim que não possa piorar.
Com Estevam Soares, o Botafogo não encontrou seu caminho. Segue sendo um time lento, chato e que não demonstra vontade. Tem problemas nas mesmas posições: a lateral esquerda, a meia e o ataque. Mudou pouco em relação ao time do antigo treinador. E piorou consideravelmente sua condição na tabela. Com Ney Franco, o Botafogo não ia bem, mas permanecia fora da zona perigosa.
Enquanto isto, Ney Franco seguiu sua vida. Aceitou o interessante desafio do Coritiba. Um bom time, que não merecia a posição que estava. E ainda não merece. Mas que cresce à cada rodada. Que soma pontos e anima seu torcedor para as próximas rodadas.
Ney Franco é um bom treinador. E esta é apenas mais uma prova que a cultura de demitir o treinador nem sempre dá certo. E que está bem longe de ser a melhor opção sempre.
O Botafogo não brigaria pelo título se tivesse mantido Ney. Nem faria isto com treinador algum do mundo e este elenco. Mas poderia viver momentos mais tranquilos nas últimas rodadas do Brasileirão.
E Estevam Soares...de possível grande técnico da competição, colocou sua cabeça à prêmio e pode voltar a estaca zero. Errou na gestão da carreira. Mas também tem suas qualidades.
O balanço da 18ª rodada mostrou que os treinadores brasileiros estão, cada vez mais, próximos do caos. Só nesta segunda-feira, foram demitidos três técnicos: Ney Franco, no Botafogo; Renê Simões, no Coritiba; e Paulo César Carpegiani, no Vitória. Ao todo, agora, são 18 técnicos demitidos, em 18 rodadas do Brasileirão. Só oito times, tem o mesmo técnico desde o início. A lista deve cair para sete nos próximos minutos...

Antes de analisar a situação dos times, é importante notar, como venho dizendo seguidamente aqui no blog, a falta de criatividade dos cartolas brasileiros. 12 dos 20 times já trocaram de técnico. Mas dos 20 técnicos que começaram o Campeonato Brasileiro, 13 seguem trabalhando no Campeonato Brasileiro. O técnico que é demitido de um time hoje, pega o emprego de outro amanhã. E assim a roda segue.
A solução? Seria bancar para técnicos a mesma regra que para os jogadores. Comandou o time em mais de 7 partidas na Série A, não pode ir para outro. Assim, os times pensariam duas ou três vezes antes de demitir um treinador. E quando o fizessem, buscariam novas soluções, colocando gente nova no mercado.
Mas como duvido que isto aconteça, porque a classe dos "treinadores de ponta" é muito forte, vamos aos times que mudaram o comando desta vez.
O Botafogo cometeu um erro gravíssimo. Ney Franco era o menos culpado pelo momento do time. É ótimo treinador e fazia um trabalho que pode ser considerado bom, com o elenco que tinha em mãos. Vale lembrar que há algumas rodadas, o Botafogo conseguiu emplacar seis ou sete jogos sem perder. Mas é mais fácil demitir o técnico do que dispensar André Lima. Como se não bastasse estragar o seu campeonato, o Botafogo ainda pode destruir a competição para outro time. Estevam Soares, do Barueri, deve ser o novo técnico do Bota. Por isso, minha lista caiu para sete, no começo do texto. Uma pena para o pequeno time paulista, que fazia bela campanha e terá dificuldades imensas para achar outro treinador tão bom quanto no mercado.
Já o Coritiba, se deu bem. Mandou embora um Renê Simões que parecia não saber o que fazer. O time do Coxa é bom e não merece o lugar que ocupa no momento. Além disso, o time ganha um ótimo comandante para seu elenco. Ney Franco é agregador e sabe montar um time. Tem tudo para dar certo. E meu palpite é que ele ainda termina o campeonato à frente do Botafogo. Mas os cartolas são muito inteligentes, nem vão ligar...
Por fim, o Vitória foi outro que errou feio. Carpegiani tinha arrumado o time. Levou o Vitória à liderança em uma rodada e ao G-4 na maioria delas. E fazia um belo trabalho. Mas o elenco é fraco e faltam opções. Não é um time para ser campeão. Quando oscila pela primeira vez, o foice passou e levou a cabeça do bom treinador. Vágner Mancini é a única opção aceitável. Pelo menos, ele conhece grande parte do elenco e pode manter o bom nível do trabalho que vinha sendo realizado. Qualquer outra escolha será um erro fatal.