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Na beira do caos

O balanço da 18ª rodada mostrou que os treinadores brasileiros estão, cada vez mais, próximos do caos. Só nesta segunda-feira, foram demitidos três técnicos: Ney Franco, no Botafogo; Renê Simões, no Coritiba; e Paulo César Carpegiani, no Vitória. Ao todo, agora, são 18 técnicos demitidos, em 18 rodadas do Brasileirão. Só oito times, tem o mesmo técnico desde o início. A lista deve cair para sete nos próximos minutos...

Antes de analisar a situação dos times, é importante notar, como venho dizendo seguidamente aqui no blog, a falta de criatividade dos cartolas brasileiros. 12 dos 20 times já trocaram de técnico. Mas dos 20 técnicos que começaram o Campeonato Brasileiro, 13 seguem trabalhando no Campeonato Brasileiro. O técnico que é demitido de um time hoje, pega o emprego de outro amanhã. E assim a roda segue.

A solução? Seria bancar para técnicos a mesma regra que para os jogadores. Comandou o time em mais de 7 partidas na Série A, não pode ir para outro. Assim, os times pensariam duas ou três vezes antes de demitir um treinador. E quando o fizessem, buscariam novas soluções, colocando gente nova no mercado.

Mas como duvido que isto aconteça, porque a classe dos "treinadores de ponta" é muito forte, vamos aos times que mudaram o comando desta vez.

O Botafogo cometeu um erro gravíssimo. Ney Franco era o menos culpado pelo momento do time. É ótimo treinador e fazia um trabalho que pode ser considerado bom, com o elenco que tinha em mãos. Vale lembrar que há algumas rodadas, o Botafogo conseguiu emplacar seis ou sete jogos sem perder. Mas é mais fácil demitir o técnico do que dispensar André Lima. Como se não bastasse estragar o seu campeonato, o Botafogo ainda pode destruir a competição para outro time. Estevam Soares, do Barueri, deve ser o novo técnico do Bota. Por isso, minha lista caiu para sete, no começo do texto. Uma pena para o pequeno time paulista, que fazia bela campanha e terá dificuldades imensas para achar outro treinador tão bom quanto no mercado.

Já o Coritiba, se deu bem. Mandou embora um Renê Simões que parecia não saber o que fazer. O time do Coxa é bom e não merece o lugar que ocupa no momento. Além disso, o time ganha um ótimo comandante para seu elenco. Ney Franco é agregador e sabe montar um time. Tem tudo para dar certo. E meu palpite é que ele ainda termina o campeonato à frente do Botafogo. Mas os cartolas são muito inteligentes, nem vão ligar...

Por fim, o Vitória foi outro que errou feio. Carpegiani tinha arrumado o time. Levou o Vitória à liderança em uma rodada e ao G-4 na maioria delas. E fazia um belo trabalho. Mas o elenco é fraco e faltam opções. Não é um time para ser campeão. Quando oscila pela primeira vez, o foice passou e levou a cabeça do bom treinador. Vágner Mancini é a única opção aceitável. Pelo menos, ele conhece grande parte do elenco e pode manter o bom nível do trabalho que vinha sendo realizado. Qualquer outra escolha será um erro fatal.

Novos ares

Renê Simões não é mais o técnico do Fluminense. Não resistiu à campanha irregular no início da temporada, e principalmente ao futebol ruim apresentado pela equipe nas partidas até aqui. Em nenhum jogo do ano, o Fluminense encantou, jogou bem, deu esperanças.

Apesar de um currículo humilde, com trabalhos interessantes mas poucas (ou nenhuma) conquista relevante, Renê é bom técnico. Precisa pensar porém, o que quer da carreira. Se quer continuar buscando trabalhos interessantes ou se quer de fato buscar títulos. Tem potencial para tal, mas não parece ter muito interesse.

Para o seu lugar, o Fluminense finalmente consegue convencer um grande treinador a voltar aos trabalhos. Carlos Alberto Parreira será o substituto. Treinador sério, competente e principalmente respeitadíssimo. Parreira terá um ótimo elenco nas mãos, apesar de algumas carências, que com certeza ele lutará para terminar. Tem tudo para fazer um trabalho brilhante à frente do Flu. E assim poderá, finalmente, apagar a péssima impressão que deixou após a Copa de 2006. Eu acredito.

E você, aprova a contratação de Parreira?

Crônica da demissão anunciada

O desânimo de técnico e jogadores do Fluminense após o melancólico empate contra o Goiás ontem, indicavam que algo ia acontecer. E como sempre, sobrou para o treinador. Cuca não é mais técnico do Fluminense.

Mais cedo, já havia dito que não achava que era o melhor momento para trocar o comandante. Há pouco tempo para as muitas mudanças que o tricolor necessita. E um novo técnico, só vai poder mudar alguma coisa na base da motivação. Até que o time anda precisando. Mas culpar Cuca por mais este fracasso, é complicado. Não foi ele que desperiçou chances sem goleiro, na cara do gol. Que deixou de passar a bola e preferiu chutar bizonhamente.

Errou o Fluminense, e errou Cuca. Que sai com o trabalho desgastado. Era um treinador top, no Botafogo. Fez uma avaliação ruim quando topou trabalhar no Santos. E uma ainda pior quando foi para o Fluminense. Agora, precisa de tempo. Para voltar a encontrar a paz. Não restam dúvidas sobre sua capacidade.

Já os cariocas, apostam em Renê Simões para salvar o time. É possível, mas não vai ser fácil. Pelo menos, a escolha condiz com o necessário. Renê, gosta de desafios e é bom motivador. Foi assim com a seleção feminina, com a Jamaica, e ano passado, com o Coritiba, na Série B. Ele não imaginava que pudesse voltar à disputar a competição tão cedo...

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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