Sintonia. Esta era a palavra que traduzia o início de temporada do Leão da Ilha. Com bons reforços, o Sport viu em 2009 uma esperança de se igualar aos grandes clubes brasileiros. O trabalho de Nelsinho surtia efeito: depois de vencer a Copa do Brasil, o time queria fazer bonito na Libertadores.

A apreensão surgiu quando o clube caiu no "grupo da morte" do torneio mais difícil do continente. Foi pouco. O time goleava quem vinha pela frente no Pernambucano e conseguia somar pontos importantes na Libertadores, inclusive, vencendo o Palmeiras fora de casa.
Euforia total! Torcedores viajando para fora do país para acompanhar o clube do coração e um time que dava gosto de ver em campo.
Mas vieram as oitavas-de-final e a eliminação para o Palmeiras pesou. O clima de velório terminou com brigas no elenco.
E a diretoria agiu da maneira mais fácil: demitiu Nelstinho Baptista, o responsável pela montagem daquele bom grupo.
Daí em diante, todos conhecem a história. Jogadores importantes saíram, vários treinadores tentaram e o Sport, que começou 2009 cheio de esperanças, já assume o rebaixamento para a Série B em 2010.
Mais um clube brasileiro que não percebeu o óbvio. O trabalho de Nelsinho era ótimo e ele era o único que não podia deixar o clube naquele momento.
Pior para os torcedores do Leão. Que sonharam tão alto e agora vão acordar no inferno.
O Brasileirão começou diferente. Mas na terceira rodada, já tem time mudando de treinador. É pouco, já que a tradicional média é de um por rodada. Mas muita gente vai perder o emprego nas próximas semanas. Quer apostar?

Nelsinho Baptista perdeu a paciência e resolveu entregar o cargo no Sport. Não deixou muito explícitos os motivos de sua saída. Certamente, problemas internos. Não é possível saber, porém, se com a diretoria ou com jogadores. Infelizmente, há mais coisas estranhas no futebol do que julga nossa vã filosofia.
Na cola dele, também deve sair Paulo Baier. Bom jogador, que de fato não tem rendido. E que é colocado pela imprensa como causador da saída do técnico. Com isso sofrerá grande pressão. Nelsinho era querido pelos torcedores do rubro-negro.
E com razão. 1 ano e meio. Três títulos. Entre eles, a inédita Copa do Brasil. Nelsinho fez um ótimo trabalho. E o futuro do Sport, sem ele, é desanimador. O mundo do futebol dá voltas. Às vezes, rápidas demais.
E o segundo técnico a cair não deve demorar. O palpite da maioria é Carlos Alberto Parreira. A Unimed pressiona a diretoria do Flu para trocar de treinador. Querem Renato Gaúcho. Quanta criatividade!
Lá vem mais um Brasileirão. E uma brincadeira nada engraçada para a torcida do Fluminense.
A diretoria do Grêmio tentou esconder. Mas a primeira opção do clube era mesmo o técnico Nelsinho Baptista, que faz campanha impecável com o Sport na temporada. A primeira opção, e o primeiro não!

Nelsinho foi homem. Não abandonaria o Sport, depois de participar de todo o trabalho para levar o time aonde está. Teve palavra, independente do dinheiro do Grêmio ter chegado falando alto. O importante era cumprir o que havia sido apalavrado. O importante, é terminar o projeto que ele havia começado.
Sobrou ao Grêmio três opções. Geninho, Paulo Autuori e Renato Gaúcho. Nesta ordem de preferência para a diretoria. Que deve acabar mesmo ficando com Renato Gaúcho. Os outros dois estão empregados, são caros, e também não querem assumir o clube gaúcho agora. Pesa contra Renato a pouca experiência, principalmente na Libertadores (apesar do vice-campeonato no ano passado). Pesa a favor, o fato de ter identificação com a torcida e com o clube. Peso que deve dar à ele a vaga de técnico no Olímpico. Com boas chances de dar certo.
Quem você contrataria para técnico do Grêmio?
Depois de ser rebaixado como técnico do Corinthians no final do ano passado, era difícil imaginar que tão rapidamente Nelsinho daria a volta por cima.

Mas deu. Montando um time extremamente competitivo no nordeste brasileiro. Um Sport que não tem craques, mas que sabe o que quer e o que deve fazer.
Ontem, Nelsinho mais uma vez mostrou suas qualidades. Deu um banho tático em Mano Menezes.
Ao contrário do esperado, veio para o jogo com apenas 2 homens na frente. Decisão criticada por muitos. Era preciso vencer, mas não era preciso pressa. Nelsinho preferiu sentir como viria o Corinthians. Apesar do time menos ofensivo, não abdicou de atacar, e teve a posse da bola em grande parte do tempo. Além disso, colocou o jovem Diogo na lateral, sacando o importante Luisinho Netto. Perdia na bola parada, mas ganhava em velocidade e agressividade pelo lado direito, prendendo André Santos, uma das principais figuras do adversário.
Antes dos 30 minutos, Nelsinho teve visão. E foi ousado. O Corinthians não estava disposto a atacar. Assim, pode sacar um jogador do meio-campo e colocar Enílton no ataque. Abriu espaços e partiu para cima. Não demorou para saírem os dois gols.
Nelsinho Baptista. Agora, assim como o Sport, campeão do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.
Invés de assumir a culpa pela derrota do Vasco, Edmundo poderia ter feito o mais fácil. Assumido que não queria bater, que já tinha feito o seu papel, e que não queria correr o risco de passar por novo trauma.
Não o fez. E acabou chutando para fora mais uma chance de sair como herói vascaíno. Assim como fez na final do Mundial de Clubes.
Penaltis que também foram problema para ele no Palmeiras e no Cruzeiro.
A marca da cal não trás mesmo sorte ao Animal. Logo ele, impecável durante os 90 minutos. Autor de um gol salvador aos 45 da etapa final. Com certeza, Edmundo não merecia. Mas só dependia dele ter evitado.
O time pernambucano foi melhor em diversos momentos do jogo. Poderia ter resolvido na etapa inicial. Mas guardou a emoção para o fim. E o Sport bate mais um para chegar à decisão. Não é o favorito. Mas sem dúvida, é o mais merecedor. Já eliminou Inter, Palmeiras e Vasco. Três grandes favoritos. Derrubar mais um, pode não ser problema para o bom time de Nelsinho Baptista.
Logo ele, que terá pela frente o Corinthians. Time que no final do ano passado ele dirigia. E acabou rebaixado.
Quem sairá por cima?