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Quando os números mentem

Todo time sonha estar numa semifinal de Libertadores. O Internacional está lá. E no caminho, eliminou o atual campeão da competição. Mais do que isto, este ano o time perdeu "apenas" 9 vezes em 33 partidas. Três destas, só no Brasileirão, que ainda está na 4ª rodada. E é aí que os números não são tão claros assim.

Apesar de estar bem na Libertadores, chegando aos trancos e barrancos, o Inter é um dos piores do Brasileirão e perdeu o Estadual para o Grêmio. Motivos de sobra para desqualificar o trabalho de Jorge Fossati, que não suportou a pressão e caiu ontem, depois da virada para o Vasco.

O Inter tem um baita time. Mais do que isto, o elenco é espetacular e tem opções de sobra. Opções que Fossati não conseguiu aproveitar. Com tantos bons nomes na armação e no ataque, resolveu apostar sempre em uma postura pragmática e defensiva. Não deu liga. Não funcionou.

Se os números não são tão ruins assim, é claro para todos que o Inter podia muito mais. Poderia ter sido campeão gaúcho. Poderia estar entre os primeiros no Brasileirão. E poderia não ter passado tantos sustos na Libertadores.

A demissão foi justificável e feita na hora certa. Não dava para esperar mais. O novo treinador terá o período da Copa do Mundo para conhecer o elenco, preparar a equipe e encarar os desafios que vem pela frente na temporada.

Apesar da ausência de bons nomes no mercado, o tempo também poderá fazer a diretoria escolher o substituto com paciência e inteligência. Eu, sinceramente, não saberia indicar um bom nome para o Inter agora. No início do ano, elogiei a coragem da diretoria por ousar na escolha do técnico. Agora, terá que encontrar de novo uma solução criativa. Mas desta vez não dá para errar.

Tchau, Fossati

Por motivos óbvios não assisti ao jogo entre Banfield e Internacional. Tentei acompanhar os dois outros jogos da noite com afinco e três seria demais para este humilde blogueiro que vos escreve.

Sem ver a partida, porém, é fácil perceber que Fossati errou feio ao sacar Wálter do time. Se quisesse colocar mais um zagueiro, era correto tirar Alecsandro, apagado nas últimas partidas. O jovem tem sido, não de hoje, um dos mais incisivos e importantes jogadores do setor ofensivo colorado.

Vendo os melhores momentos da partida é fácil perceber que o domínio do Banfield não foi tão grande assim. E, principalmente, que Jorge Larrionda fez mais uma arbitragem lamentável e caseira. Expulsou mal Kléber, que não quis atingir o adversário. E legitimou um gol com dois impedimentos em sequência, em favor dos argentinos.

A situação do Inter é complicadissima. Precisa reverter vantagens de dois gols tanto no Campeonato Gaúcho quanto na Libertadores. Com o pragmático e confuso Fossati, eu não acredito. Já joguei a toalha. E acho que, com o elenco forte que tem, era momento para a diretoria Colorada agir. Depois de perdido o Gauchão no fim-de-semana, pode ser tarde demais.

Com a corda no pescoço

Internacional e São Paulo. Dois dos maiores clubes do país. Grandes campeões. Estrutura invejável. Os dois melhores elencos. Hoje, ambos entram em campo pela Copa Libertadores em situações semlhantes: com a corda no pescoço. Na verdade, não os clubes. Mas seus comandantes.

No Inter, Jorge Fossati corre sério risco. Ainda não conseguiu fazer o time jogar. Tem boas peças, mas tem usado esquemas defensivos demais e irritado a torcida. Assim, não vence há seis jogos. Está mal no Campenato Gaúcho e deve ficar fora, depois de anos, da decisão.

O adversário desta noite não é dos mais tradicionais, pelo contrário. Em condições normais, o Cerro do Uruguai não assustaria o Colorado. Mas hoje, tudo é possível. Ainda invicto, o Inter precisa da vitória. Não apenas para retomar a liderança do grupo e deixar bem encaminhada a classificação. Mas para dar tranquilidade e sequência ao trabalho de Fossati. E acalmar um pouco seus torcedores.

Bem longe, está o São Paulo. Longe fisicamente falando. O time entra em campo no México, para encarar o Monterrey, de Val Baiano. A situação na Libertadores, assim como no Inter, é tranquila. Uma vitória sobre os mexicanos praticamente garante a primeira posição do grupo ao São Paulo. E de quebra, elimina um dos adversários.

Mas a crise também ronda o tricolor paulista. Também por causa do desimportante Estadual. Derrotas para Corinthians, Santos e Palmeiras pesaram contra Ricardo Gomes. O ótimo elenco ainda não conseguiu convencer em 2010. O técnico parece ainda longe de encontrar a maneira ideal de escalar o time. Some-se à isto, um insatisfeito Cicinho reclamando publicamente.

Pronto. É assim que os times brasileiros entram em campo hoje na Libertadores. Na tabela, tudo parece indo bem. Em campo, nem tanto assim. A corda esta no pescoço dos treinadores. Resta a eles tentar a volta por cima.

Criatividade

Não há nada menos criativo do que os dirigentes brasileiros. A percepção clara desta afirmação chega facilmente aos olhos quando observamos a dança dos técnicos.

Neste fim-de-ano, por exemplo: o Grêmio contratou Silas, recém-saído do Avaí. O Atlético-MG, buscou Luxemburgo, que estava no Santos. E o time paulista pegou Dorival Júnior, que estava no Vasco. O Vasco deve fechar o ciclo com Celso Roth (ex-Atlético-MG) ou Wágner Mancini (ex-Vitória).

São sempre os mesmos nomes. O técnico que perde o emprego em um grande clube do país, não demora a encontrar uma nova oportunidade em outro time. São raras as caras novas. Raríssimas as apostas. E quando são feitas, normalmente a paciência é mínima.

Em meio a poucos nomes o Internacional parece ter achado uma excelente saída. Deve anunciar hoje a contratação de Jorge Fossati, que estava na LDU.

Seria uma ótima. O multi-campeão Fossati pode chegar ao "campeão de tudo" e montar um belo elenco. Dentro de suas características: futebol leve e ofensivo, que valoriza a posse de bola e que marca no campo de ataque.

A resistência no Brasil para técnicos estrangeiros ainda é grande. Mais do que dar uma tacada de mestre em um mercado complicado o Inter pode abrir um leque de opções gigante para o futuro.

Fossati, que foi goleiro no Brasil, pode virar técnico também por aqui. E pelo que já fez na carreira, tem tudo para brilhar.

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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