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Seis meses de atraso, nenhuma surpresa

Maior que a surpresa pela contratação do técnico Emerson Leão pelo São Paulo no ano passado, foi a escolha por sua permanência em 2012. O comandante que chegou com o objetivo de levar o clube à Libertadores, não cumpriu a meta e decepcionou. Mas ganhou uma ótima chance de renovar um elenco que precisava de um choque.

Veio o ano novo e com ele vieram reforços. Muitos. Acompanhados de dispensas. Da permanência de Lucas e de um Luís Fabiano melhor fisicamente. Tudo que o São Paulo precisava para voltar a ser forte e competitivo. Tudo, menos um técnico.

Leão não conseguiu transformar um elenco interessante em um time. Em nenhum momento. Sempre que enfrentou adversários fortes, nunca convenceu. O São Paulo é desorganizado e pobre. Perdeu o Paulista e está fora da Copa do Brasil. Perdeu jogos. Perdeu tempo.

Mais preocupante é que o discurso de Juvenal Juvêncio é pobre e vazio. Diz que a culpa pela demissão é exclusivamente do técnico, que teve trabalho "regular". Mas ele demorou oito meses para fazer esta avaliação.

Ontem o amigo e competente Marcelo Bechler falou sobre a crise de nomes no Brasil e o crescimento de bons nomes na argentina. Assim como na Argentina, Chile e Uruguai tem produzido novos e bons técnicos. O "país do futebol" também poderia ter caras novas cheias de futuro, se houvesse espaço. Não há. Nem para novatos, nem para estrangeiros.

Mais uma vez o São Paulo deve apostar em "grife" e mesmice. Nenhuma surpresa. Uma pena!

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Falta a Adilson o que falta ao futebol brasileiro: continuidade

Eis que bastou a segunda rodada para rolar a primeira cabeça no Campeonato Brasileiro. Foi a de Adilson Batista, que curiosamente recusou proposta do Cruzeiro 15 dias atrás alegando estar começando o trabalho no Atlético-GO. A diretoria não ficou comovida. Dois empates em dois jogos e o técnico foi demitido nesta terça-feira.

Foi o quinto clube de Adilson, pouco menos de dois anos depois de deixar o Cruzeiro onde fez trabalho sólido por duas temporadas e meia. Não curiosamente, também foi o quinto treinador a deixar o Atlético-GO, no mesmo período.

Falta ao Adilson o que falta ao Atlético-GO. E em geral, ao futebol brasileiro. Continuidade. Não se implanta uma linha de trabalho em alguns meses. Não se consegue formar um time em dez jogos. É preciso paciência, tempo e o mais importante: convicção.

No Brasil, não se contrata técnico por convicção. Se contrata pois há um lugar vago que precisa ser preenchido. Raramente, demite-se o treinador porque há outro com perfil melhor disponível. Falta resultado, o técnico cai, e contrata-se outro qualquer. Sem ter certeza de que aquele nome é o mais correto para formar o time que deseja, os dirigentes não pensam duas vezes antes de trocar. Adilson não é a primeira vítima da falta de convicção. E não será a última.

O mais curioso, é que mais uma vez Adilson deixa um time com o rótulo de retranqueiro. O gosto do treinador por volantes, deixa o preconceito aflorado. Os números, provam o contrário. Em 10 jogos no Dragão, foram cinco vitórias, quatro empates e só uma derrota. Vinte e quatro gols marcados, oito sofridos. Embora goste de volantes, Adilson sempre fez times ofensivos que pecavam na defesa. Mas os rótulos no Brasil não costumam se afastar de nome algum.

Adilson é um grande treinador. É sério, competente, trabalhador. Não costuma escalar ninguém para agradar torcida, imprensa, diretoria. Tem a convicção que falta aos times que o contratam. No caso dele, as vezes até demais.

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O nome certo na hora certa

Maio de 2012 e os cinco primeiros meses do ano foram perdidos para o Cruzeiro. Não avaliou seu elenco como deveria, não aproveitou nenhum jogador da base, não tem um time, não tem uma cara. Ontem, passou a ter pelo menos um bom comandante. Celso Roth é o homem certo, no lugar certo.

O gaúcho não tem uma carreira recheada de títulos, mas tem no currículo raros trabalhos ruins. Subvalorizado desde sempre por "culpa" de sua qualidade. Roth costumeiramente fez times medianos jogarem com segurança e qualidade. Que iludiram mas não conquistaram. E ele sempre foi cobrado pelo que o time pareceu ser, nunca pelo que de fato era.

O Cruzeiro precisa de um rumo. Precisa de comando. Celso Roth além de times seguros, costuma deixar pavimentado o caminho por onde passa. Foi ele quem lançou Robinho e Diego no Santos, em 2002. Foi ele quem começou a montar a base do Internacional multi-campeão dos anos 2000. Foi ele o responsável pelas duas melhores campanhas do Atlético Mineiro nos pontos corridos.

Para dar condições à Roth de fazer um grande trabalho, o Cruzeiro precisa de reforços. Roth sabe que a condição financeira não é boa e foi ela quem afastou o retorno de Adilson Batista ao clube. Mais uma vez, o gaúcho precisará fazer mágica. Quem sabe, uma boa oportunidade para concretizar mais um trabalho bem sucedido depois de alguns meses de "férias".

Celso Roth precisa do Cruzeiro, que tem por tradição dar tempo aos seus comandantes. E o Cruzeiro ainda mais de um treinador sério e competente. Como ele é.

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Só não viu quem não quis

Cinco derrotas, cinco empates e só três vitórias. Este era o desempenho de Vágner Mancini no comando do Cruzeiro no fim de 2011. O balanço já era negativo e com ele o time não deu nenhum passo de evolução, salvando-se do rebaixamento apenas na rodada final. Graças à atípica goleada sobre o rival, foi mantido. Só não viu quem não quis.

Dos 14 reforços contratados no início da temporada, só um vingou. O comum Marcelo Oliveira, liberado pelo Atlético-Pr, rebaixado à Série B. Do time de campanha ruim no último Brasileirão saíram os bons volantes Fabrício e Marquinhos Paraná. O Cruzeiro caminhou para trás. Só não viu quem não quis.

Wellington Paulista, artilheiro do Campeonato Mineiro, nunca foi solução para o ataque. Ele e Anselmo Ramón, sequer, formam a melhor dupla possível para o setor. Resultados e atuações no Campeonato Mineiro serviram para avaliação quando não deveriam. Só não viu quem não quis.

O Cruzeiro jogou só uma vez contra um adversário da Série A em 2012. Seis vezes contra times que vão disputar a Série B. Venceu duas, empatou uma, perdeu quatro. Mas acreditou numa evolução inexistente e em resultados ilusórios no Campeonato Mineiro. Só não viu quem não quis.

Nas últimas sete vezes que tinha entrado em campo, o Cruzeiro saiu atrás no placar. Hoje, não sofrer um gol contra o Atlético-PR era fundamental para tentar a classificação. Mas era inimaginável, diante dos imensos espaços dados no meio-campo desde o ano passado e das avenidas disponíveis nas laterais. Guerrón viu. Aproveitou para descer por ali e fazer o primeiro gol e dar o passe para o segundo. Só não viu quem não quis.

A diretoria do Cruzeiro não viu. Ou fingiu que não viu. Cinco meses se passaram e a única coisa que a equipe fez foi perder tempo. Eliminado da Copa do Brasil e do Mineiro, precisará se remontar faltando 10 dias para o Campeonato Brasileiro. Não dá pra dizer que foi uma surpresa. Só não viu quem não quis.

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Caminhos distintos, passado inesquecível

Guardiola confirmou hoje sua saída do Barcelona. Deixa o clube após quatro temporadas e 13 conquistas em 18 competições disputadas. Pode fechar com chave de ouro se vencer a Copa do Rei, onde jogará a final contra o Atlético de Bilbao. O provável título, será o 14º da carreira do treinador na Catalunha. Vencedor e histórico.

O treinador foi responsável por montar o melhor time que já vi jogar. Responsável assim como um elenco maravilhoso que tinha à disposição. Responsável assim como uma filosofia que vem desde as categorias de base preparando jogadores para executar com perfeição o tal "estilo de jogo" proposto. O mérito de Guardiola na montagem deste time espetacular é inegável. A responsabilidade, não é única.

Vai Guardiola, fica Tito Villanova. O auxiliar assumirá o time com a difícil missão de manter o padrão de qualidade. Mas a escolha é correta, como foi quando escolheram o antigo camisa 4. Villanova conhece a filosofia, conhece o clube, respeitará a tradição. Tem mais condições do que um "forasteiro" de realizar a continuidade. E fica como uma espécie de homenagem a tudo que Guardiola fez pelo clube.

Já a vida de Guardiola, não será tão fácil. Embora tenha mostrado capacidade muito acima do comum, não encontrará em outro clube ou seleção, a mesma filosofia imposta de tal maneira que qualquer jogador consiga assimilar. O desafio será enorme. E a possibilidade de montar outro time brilhante como foi este Barcelona de 2008 para cá, pequena.

O Barcelona é enorme e continuará sendo. Embora certamente algumas coisas mudem com a mudança de técnico, a filosofia do clube está mais arraigada do que nunca e não será deixada de lado.

Guardiola é um técnico histórico e continuará sendo. Mesmo que não faça nunca mais um time que jogue como o "seu" Barcelona, o mundo do futebol tem muito a agradecer a ele pelas demonstrações que sua equipe deu.

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"Aposta" e futurologia

A reflexão partiu de Juca Kfouri nesta segunda-feira, no Linha de Passe da ESPN: "o que seria de Mano Menezes se o Grêmio tivesse perdido a Batalha dos Aflitos para o Náutico?". A resposta provável é que o técnico seria demitido e teria que recomeçar a carreira em um Caxias ou XV de Novembro.

O Grêmio venceu e Mano Menezes pode dar sequência ao trabalho no tricolor gaúcho. A aposta vingou, conquistando o vice da Libertadores. Depois, um trabalho sólido no Corinthians com títulos marcantes até a chegada (rápida) à Seleção Brasileira.

A trajetória de Mano Menezes poderia ser totalmente diferente por um jogo. É inimaginável que não fosse aquele histórico 1 a 0 sobre o Náutico em 26 de novembro de 2005, o treinador da seleção brasileira estaria onde está.

Mano Menezes é um caso raro de aposta que deu certo. Justamente porque é um caso raro de "aposta" no cargo de técnico dos grandes clubes do país.

Dos 19 técnicos contratados por clubes da Série A (o Náutico ainda não contratou o substituto de Waldemar Lemos), apenas oito tem menos de 50 anos. O mais jovem é Gilson Kleina, de 44 anos, aposta que deu certo na Ponte porque teve tempo para trabalhar num time de menor pressão.

O São Paulo recentemente ficou sem treinador e resolveu apostar em Émerson Leão, de 62 anos, encostado na carreira depois de tanto tempo. O Flamengo procurou Joel Santana (63 anos) no Bahia após a saída de Luxemburgo. A rotatividade de técnicos, em sua maioria, ultrapassados não permite a entrada de novos nomes no mercado. Falta coragem, falta tato, falta paciência.

Apenas para servir de comparação, o Barcelona, melhor time do mundo, tem em Guardiola um técnico criado no clube e destacado aos 41 anos.

Os nomes são os mesmos e quando as raras chances aparecem para os jovens, as cobranças são imensamente maiores. Um treinador sem experiência, provavelmente teria sido demitido do Flamengo após o "vexame" na Libertadores. O mesmo serve para a desclassificação do São Paulo, de Leão, para a competição continental no último Brasileirão.

Abrir o espaço para "novatos" sem que eles dependam de uma Batalha dos Aflitos para dar sequência ao trabalho é caminho fundamental para o Brasil encontrar novos nomes para um mercado escasso. E principalmente, para novas ideias permitirem aos clubes brasileiros exibirem-se no mesmo nível tático até mesmo de rivais continentais como Vélez e Universidad do Chile.

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As mudanças que provam que nada mudou

Esperei até hoje para postar sobre a classificação do Flamengo na Libertadores. Como esperado, passou pelo Potosí sem muitos sustos, embora tenha se exposto além da conta ao não forçar para definir o jogo no primeiro tempo. Mais uma vez a equipe mostrou suas limitações, não encantou e viveu dos cada vez mais raros lampejos de Ronaldinho Gaúcho (nesta quarta, auxiliado por ótima partida de Léo Moura). A grande novidade no dia da confirmação da vaga, porém, aconteceu fora de campo.

O Globoesporte.com antecipou que o Flamengo demitiria Luxemburgo logo após o jogo e já tinha acertado o retorno de Joel Santana antes mesmo da partida. A presidente do Flamengo Patrícia Amorim negou. Luxemburgo em entrevista coletiva depois do jogo disse que não sabia de nada. Joel comandou normalmente o Bahia e disse que não havia nada.

Hoje o desenrolar da história. Patrícia Amorim confirmou a demissão de Luxemburgo e de quase todo o departamento de futebol do clube, mas se disse surpresa com a história (!) e voltou a afirmar que a decisão de mandar o treinador embora só veio hoje. Negou ainda que já tivesse contatado Joel Santana. Ao mesmo tempo que dava ela dava coletiva, no entanto, o treinador pediu demissão do Bahia. Deve ser coisa de sexto sentido...

Joel Santana chegará amanhã ao Flamengo em momento conturbado. Pode (e deve) melhorar o clima no vestiário mas não tem o costume de trabalhar com jovens jogadores (que são o que o Fla tem de melhor no momento) e assim como Luxemburgo deve sentir falta de material humano. Pode dar certo embora pareça para mim uma aposta sem muito sentido.

Luxemburgo deixa de vez o hall de treinadores de ponta do país. Seguidos trabalhos sem sucesso deixam desvalorizado de vez um técnico que se perdeu completamente na carreira quando quis controlar demais e passou a participar de menos. É hora de repensar a carreira e os métodos para não se deixar fritar novamente como aconteceu no rubro-negro. Seu currículo não precisa disto.

Por fim, quem se saiu pior na história foi Patrícia Amorim. Perdeu o comando do clube, cedeu às pressões e não conseguiu ir bem em nenhum dos problemas que teve este ano. Perdeu Thiago Neves, perdeu o treinador que bancava, perdeu Alex Silva, vê Deivid na justiça e ainda não resolveu a questão dos salários de Ronaldinho. Ainda terá que se virar para pagar a multa de Luxemburgo, que especula-se seja de 4 milhões de reais. O Flamengo que sempre foi uma bomba prestes a explodir, não para de colocar pólvora ao seu redor.

O Flamengo que mudou tudo hoje deu provas claras de que nada mudou no futebol brasileiro. Patrícia que disse chegar com nova mentalidade está tão perdida como outros dirigentes do país. Não mostra palavra, convicção, responsabilidade, planejamento. Joel Santana, pai da ética, se acertou com um clube que tinha treinador embora vá encher a boca para falar que não.

Infelizmente, a irresponsabilidade e falta de ética de quem trabalha com futebol no país cresce na mesma medida que as rendas de TV, patrocínios e etc.

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O técnico dos clichês

O São Paulo pegou a todos de surpresa hoje ao anunciar a contratação de Émerson Leão como treinador até o fim do ano (com contrato prorrogável para 2012). Surpresa pelo nome que andava ausente do mercado e vinha sendo pouco lembrado recentemente. Muito embora coubesse perfeitamente no discurso e no desejo da diretoria do São Paulo quando optou por demitir Adilson Batista: alguém experiente, capaz de assumir o controle do grupo e controlar o vestiário complicado do Tricolor.

Veio Émerson Leão e não demorou para imprensa e torcedores soltarem uma infinidade de clichês (bons e ruins) que sempre acompanharam a carreira do treinador: "é técnico de tiro curto", "linha dura", "está ultrapassado", "vai bater de frente com os medalhões", "não gosta de gringos".

Não gosto de Émerson Leão. Como técnico e como pessoa. Nos tempos de repórter e produtor, já tive atritos com a pouca "boa vontade" do técnico no trato com a imprensa. Leão não faz questão de agradar e isto não é um problema. Mas ele também não faz questão de ser educado, e isto é o mínimo que pode se esperar de alguém.

Antes de me apoiar nos clichês e nos meus "prés-conceitos" sobre o trabalho de Émerson Leão no São Paulo, prefiro aguardar.

Primeiro porque considero o time do São Paulo ótimo. E segundo porque respeito o passado de Leão como treinador.

O São Paulo aposte em alguns clichês positivos. Aposta no passado do técnico. E sabe que fez uma aposta de risco, mas nesta altura, tem pouco a perder.

Não acreditava que veria novamente Leão comandando um grande clube. A grande chance que ele precisava, apareceu. O treinador teve tempo para se reciclar, para observar que o mundo do futebol mudou muito nos últimos anos e que ele vai precisar de mais do que pulso firme para se impor novamente.

Bater de frente não é o caminho. Abandonar antigos clichês e recomeçar com uma nova cabeça é o caminho para o novo treinador do tricolor. Não desejo boa sorte, mas com boa vontade e consciência, acho que pode dar certo.

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Quando a gira girou

Ainda não chegamos à metade do Campeonato Brasileiro. Metade dos times, porém, já trocou de técnico. Alguns, mais de uma vez. Espanta o número, que segue alto. Espanta a falta de criatividade dos clubes brasileiros.

Na verdade, 9 dos 20 times trocaram de técnico até aqui. O Fluminense começou com Enderson Moreira mas já tinha acerto com Abel Braga, que antes de assumir ainda mandou o auxiliar Leomir de Souza para comandar a equipe em uma rodadam, por isto está fora da contagem.

América e Grêmio foram os únicos a ter três técnicos até aqui. São Paulo e Atlético-PR também foram comandados por três nomes diferentes, porém considerando-se técnicos interinos.

Por falar em "interinos", Omar Loss vai durando no Internacional. Mas deve abrir espaço em breve para a chegada de Paulo Autuori. Caro e sem bons trabalhos recentes no futebol brasileiro. Porém, o Colorado parece ter cansado de esperar Dorival Júnior e quando o ex-técnico do Atlético-MG finalmente ficou disponível o acerto com outro nome já era questão de tempo.

Ao todo, já são 34 técnicos. Sendo que dos 20 que começaram, 12 continuam. Cuca saiu do Cruzeiro e foi para o Atlético-MG. Adilson Batista começou no Atlético-PR e está no São Paulo. Renato Gaúcho que iniciou a temporada no Grêmio, faz campanha de recuperação no Atlético-PR.

Dorival Júnior, PC Gusmão, Falcão e Carpegiani não devem demorar a reaparecer em algum clube por aí.

Fato é que dos 10 primeiros colocados, só dois trocaram de técnico. É difícil avaliar se "Tostines é mais fresquinho porque vende mais, ou se vende mais porque é mais fresquinho".

Mas num mercado pobre de opções, com clubes sem criatividade e, principalmente, coragem para apostar em novidades, trocar de técnico não anda sendo bom negócio. Basta ver que os que estão desde o início (como Tite, Felipão, Luxemburgo, Marcelo Oliveira e cia) estão mais firmes do que quem chegou no meio da festa (como Julinho Camargo, Antônio Lopes e Joel Santana que anda pressionado no Cruzeiro).

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Cedo ou tarde demais?

1º de julho de 2011. Foi a data que "desisti" de Dorival Júnior no Atlético. Após a goleada sofrida para o Internacional, postei falando que a demissão do treinador era necessária e que cada dia a mais com o treinador, seria um dia a menos para o Galo no Campeonato Brasileiro.

38 dias depois, a diretoria do Atlético-MG chegou à mesma conclusão. Foram 9 jogos e apenas 7 pontos conquistados neste período. Ou seja: 38 dias perdidos.

Contra o Figueirense, no capítulo final da história de Dorival Júnior no Atético-MG, erros recorrentes. Um time perdido e com muitas dificuldades no 3-5-2. Que errava passes em excesso na saída de bola e mostrava insegurança na defesa. Levou 2 a 0 no primeiro tempo, e não ameaçou o gol do adversário. Sem posse de bola, sem articulação, sem futebol.

No intervalo, Dorival Júnior ousou ao fazer três mexidas. Ao meu ver, errou em todas. O time ficou ainda mais exposto e seguiu sem articulação com três volantes no meio. Berola entrou para colocar velocidade contra um adversário fechado. E Guilherme, inexplicavelmente seguiu no banco.

O azar do técnico ainda foi enorme porque logo no primeiro lance da etapa final, Dudu Cearense marcou gol de cabeça mas se machucou no lance. Tentou seguir em campo, mas não conseguiu, deixando o Galo com um jogador a menos. Um Atlético incapaz de agredir e um Figueirense mais disposto a garantir o resultado do que a definir logo o confronto.

Dorival Júnior não deixou de ser um grande treinador. O trabalho ruim no Galo é daqueles casos difíceis de explicar no futebol. Assim como acontece no Cruzeiro, o time não é tão bom como se pensava, mas não é tão ruim quanto parece no momento.

Com outro técnico, há 40 dias, o Galo poderia brigar por alguma coisa no Campeonato Brasileiro. Mais uma vez, assume de vez o papel de brigar contra o rebaixamento. Precisa acertar na escolha do treinador (e Cuca não me parece, nem de longe, o melhor nome no mercado escasso).

O tempo de esperar e, principalmente, de errar, já passou para Alexandre Kalil.

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Quando tudo pede um pouco mais de calma

Para quem não sabe, o Marcação Cerrada tem um Bolão do Campeonato Brasileiro. Recentemente, todos os participantes tiveram que apostar nos times que acham que vão ser campeão, que vão se classificar para a Libertadores, que serão rebaixados. Apesar da posição ridícula na classificação, também participei. E esperei até o último instante para apostar no Corinthians como campeão.

Esperei porque acreditava no Internacional. Acreditava. Mesmo crendo que o Corinthians abriu vantagem importante na disputa, coloquei o Inter como um dos classificados à Libertadores. Hoje, é difícil dizer o que acontecerá com o Colorado. Tudo porque uma bomba estorou no Beira-Rio. E deixou muitos feridos.

Contra o São Paulo, o Internacional foi amplamente dominado mesmo jogando em casa. Foi goleado por 3 a 0. A terceira derrota seguida. Antes, fez um ótimo jogo, fora de casa, contra o Corinthians e acabou derrotado num 1 a 0 que poderia acontecer para qualquer lado. Contra o tricolor, Falcão teve cinco desfalques (Juan, Tinga, Andrezinho, Oscar e Zé Roberto). Não há reposição à altura. E o técnico já havia alertado para isto.

Nesta segunda, o presidente do Inter, Giovanni Luigi causou um terremoto no clube. Demitiu o vice-presidente de futebol, Roberto Siegmann e também o treinador, Falcão. Se isolou e escancarou os problemas de relacionamento no clube. Foi corajoso e irresponsável.

Falcão não era o único culpado pelos últimos resultados ruins. Vinha conseguindo implantar uma filosofia bonita e interessante no Colorado. Demandaria tempo. E necessitava de reforços. Mas com ele, a tendência era o time se acertar. As vitórias acachapantes sobre Atlético-MG, América e Figueirense eram a tendência. O vexame para o São Paulo, a exceção.

Isolado, Giovanni Luigi não pode errar. Controlar o vestiário do Inter, com Bolívar, D'Alessandro e Lauro não é fácil. Falcão vinha trabalhando bem. Dunga também é ídolo do clube e é o nome mais cotado. Me parece o único capaz. Mas andou rejeitando muitas propostas e não sei se assumiria o Colorado neste momento de crise.

O momento pedia calma e paciência. O Inter não teve. Luigi assumiu uma perigosa responsabilidade. E ao meu ver, jogou para o alto, as enormes chances de boa campanha que havia no clube gaúcho.

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Perdem todos

O empate entre Grêmio e Avaí pode ser considerado ruim para os dois times. Para o Grêmio pois empatou em casa contra o ex-lanterna e pior time do Campeonato até aqui. Dois pontos desperdiçados. Para o Avaí, pois vencia por 2 a 0 e estava muito próximo da primeira vitória e levou o gol de empate nos minutos finais.

Não vi o jogo, de arbitragem confusa, por isto não me apegarei ao confronto em si. O fato é que após o jogo Renato Gaúcho pediu demissão do Grêmio (ainda não confirmado oficialmente pelo clube, mas já exposto pelo seu empresário no Twitter). Decisão que, assim como o resultado da partida, é ruim para os dois lados.

É fato que Renato Gaúcho não conseguiu dar ao Grêmio a cara que queria em 2011. Chegou ano passado e rapidamente começou campanha de recuperação ancorada em um 4-3-1-2 absolutamente funcional. Deu certo e levou o time gaúcho à Libertadores.

Em 2011 não foi assim. Renato seguiu preso ao esquema, sem perceber a profunda mudança pela qual o elenco passou. Não conseguiu adaptar o novo time ao velho esquema e quando tentou se adaptar ao novo time não se encontrou.

Independente disto, Renato não é o culpado pelo momento ruim do time gaúcho. Faltam peças importantes para entrar no elenco, sejam jogadores recém-contratados (Miralles e Gilberto Silva, por exemplo) ou que estavam machucados e estão voltando agora (como Leandro e André Lima). A tendência natural é de crescimento, qualquer que seja o treinador.

Renato Gaúcho deixa para trás um trabalho sólido, em um clube onde é muito respeitado. Anteontem, falava-se em fazer dele o "Ferguson do Grêmio". Faltou paciência para o treinador, que se viu como responsável pelo momento ruim de um clube que ele gosta e respeita. Na busca por um novo clube, certamente não terá o mesmo respaldo de diretoria e torcida. E pode retomar o momento de altos e baixos que vivia antes de voltar ao clube gaúcho.

Quanto ao Grêmio, terá que se virar para as opções escassas do mercado. Apostar no vice-campeão da Libertadores, Aguirre, é um risco. O sistema defensivo do treinador dificilmente seria bem aceito por aqui, embora seja tão funcional quanto o de Muricy Ramalho, por exemplo. Celso Roth é sair de um técnico adorado e idolatrado pela torcida para o completo oposto. Adilson e Cuca com imagem arranhada e momento onde o ideal é se desligar e se reciclar, também geram insegurança.

Não restam dúvidas: a saída de Renato Gaúcho, hoje, não é boa para ninguém.

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Em busca de "algo mais"

Sai Cuca, entra Joel Santana. No Cruzeiro, não havia outro caminho senão a troca do treinador, que já era defendida neste espaço há algumas rodadas. O elenco é qualificado, o time é forte e os resultados não vieram. Era preciso agir para tentar que a equipe busque a reação o quanto antes.

Cuca fez um bom trabalho no Cruzeiro. Perdeu a chance de coroar sua passagem por Minas Gerais com títulos, para tirar alguns rótulos que o acompanham. Mas recuperou o time no último Campeonato Brasileiro e chegou perto do título. Fez ótima campanha na Libertadores. Ganhou o Campeonato Mineiro.

Porém, como em outros trabalhos, tudo ruiu. De repente e sem explicação clara. A eliminação na Libertadores pesou, mas o Cruzeiro tem elenco experiente o suficiente para passar por cima da derrota. Cuca ficou depressivo e o time também. Chato, modorrento, repetitivo. Quando o time precisava se reinventar, buscar nova motivação, Cuca não foi capaz de dar.

Assim como em outras oportunidades, Cuca deixa um time organizado e com potencial enorme de crescimento. Não por acaso, Flamengo e Fluminense foram campeões brasileiros logo após sua saída. Faltou a Cuca no Cruzeiro o "algo mais", como faltou em outras oportunidades.

Algo mais que pode vir com Joel Santana. Embora não seja o meu técnico preferido (inclusive entre os disponíveis no mercado), Joel é um boleiro que sabe lidar com os jogadores. Assim como Cuca, é cercado de pré-conceitos já arraigados em seu nome, mas tem uma ótima oportunidade na carreira.

Para quem se fez no Rio de Janeiro, encontrar no Cruzeiro a paz para trabalhar, um elenco qualifiado e estruturado e infra-estrutura de dar inveja, é tudo que Joel Santana sempre quis e sonhou.

A faca e o queijo mineiro estão nas mãos de Joel. O Cruzeiro, só precisa do "algo mais".

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Alta rotação e o fim da linha para Carpegiani

Se há um time "sem freio" no futebol brasileiro não é o Flamengo, nem o Coritiba, nem o Ceará. É (ou era) o São Paulo, de Paulo César Carpegiani. Ontem, mais uma vez, o time teve a alta rotação que o caracterizou na temporada. Novamente, não atingiu seu objetivo. Derrotado por 3 a 1 pelo Avaí, deu adeus à Copa do Brasil.

O jogo que se desenhava era de um Avaí que precisava buscar o jogo e que tentaria bater o adversário na raça, com o apoio de sua torcida. Com jogadores experientes que tem, cabia ao São Paulo tentar controlar o jogo e acalmar os ânimos. Com Lucas de volta ao meio-campo, não conseguiu.

O jogo foi bom. Bom para assistir. Bom para o Avaí. O jogo de ataques rápidos, onde nenhum dos times tinha a posse da bola, interessava ao mais fraco e a quem precisava surpreender. Os dois times tentavam chegar nas bolas esticadas pelos lados e por ali saíram os gols. Casemiro abriu o placar para o São Paulo, que mesmo com a vantagem ampliada, não diminuiu o ritmo. O Avaí virou rapidamente com William e Bruno. Alcançou o resultado que lhe interessava no início do segundo tempo, com Marquinhos Gabriel (único a marcar com os pés, mas também após bola alçada na área).

A necessidade de marcar passou para o São Paulo. Lucas já cansado e voltando de contusão, sumiu. Dagoberto, perdido entre os zagueiros também. Marlos entrou mal. O São Paulo precisava ter paciência com a bola, inteligência para tentar algo diferente. Mais uma vez, não conseguiu.

O Avaí mais uma vez consegue uma classificação para muitos improvável, dentro de casa. Também na Ressacada, decidirá uma vaga na decisão contra o Vasco. O trabalho de Silas mais uma vez surte efeito na Ilha. E é difícil imaginar até onde o Leão pode chegar.

Trabalho que não surtiu efeito foi o de Carpegiani no São Paulo. Embora ainda não oficialmente demitido, a diretoria já fala na busca de um novo técnico. Apesar de ter deixado definitivamente o "Muricybol" para trás, e de jogar futebol agradável, o São Paulo não teve alternativas e não atingiu os objetivos. Vida de time grande é assim.

O São Paulo é vencedor por natureza. Precisa de um técnico assim. No mercado hoje, não encontro nenhum. Dorival Júnior não vai sair do Atlético. Cuca definitivamente não tem o perfil campeão que o clube procura. Dunga é uma incógnita. Juvenal precisará ser criativo. E o São Paulo, se reinventar. Talvez em rotação um pouco menor.

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Só o tempo dirá

Sou contra a demissão de Celso Roth no Internacional. Aliás, se fosse para fritar o técnico, o correto era ter feito após o Mundial, onde o clima parecia insustentável. Manter o treinador e demiti-lo prestes a entrar em momento decisivo da temporada não me parece a decisão mais segura e planejada.

Mas já está feito. O preconceito venceu Roth mais uma vez. E o técnico, campeão da última Libertadores, terá que buscar outro trabalho para tentar provar novamente suas qualidades.

Já o Inter agiu rápido (provavelmente antes de confirmar a demissão, inclusive). Apresentou ontem o seu novo técnico: Paulo Roberto Falcão.

Falcão deixa o cargo de comentarista da TV Globo para trabalhar novamente como técnico após anos. Sabe muito de futebol mas nunca aconteceu como treinador. É uma incógnita na função, depois de anos afastado. Começou bem no discurso, falando o que o torcedor quer ouvir: futebol alegre, ofensivo. Resta saber se funcionará na prática.

Semelhante ao rival, o Colorado apostou em seu maior ídolo para comandar o time. Fora de campo, no marketing, tem tudo para funcionar (e faz parte do projeto da diretoria de chegar aos 200 mil sócios). Dentro de campo, só o tempo dirá.

Eu apostaria em Dunga, que tem um trabalho recente importante na seleção brasileira e também tem identificação com o clube.

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Santa ingratidão

Colocar fim na sina de perder decisões para o Flamengo. Tirar o Botafogo da fila de títulos estaduais. Recolocar o alvinegro carioca na briga de elite no futebol nacional, sendo considerado inclusive candidato a uma vaga na Libertadores. Tudo isto com um time repleto de limitações.

Nem tudo isto bastou para Joel Santana seguir tranquilo no seu ótimo trabalho no comando do time da Estrela Solitária. E hoje, cansado das críticas, Joel deu por encerrada sua passagem no Botafogo.

Foram 14 meses de um trabalho positivo. Joel é competente, vitorioso, trabalhador e fala a língua dos jogadores. Mas é simples, não faz marketing. Talvez por isto, muita gente ainda tenha tantos preconceitos com o técnico.

Longe de mim dizer que Joel Santana fez um trabalho perfeito no Botafogo e é o melhor técnico do planeta e o mais injustiçado do Brasil. Este ano, inclusive, pecou demais por ter deixado de lado a ousadia, marca do time do ano passado que chegou a jogar com cinco atacantes em alguns momentos.

Mas "seu Natalino" já conhecia o elenco, se dava bem com a diretoria, tinha (ou parecia ter) identificação com a torcida e com o clube. Faltou gratidão, respeito e principalmente sabedoria.

Agora, o Botafogo vai ao escasso mercado atrás de um treinador. Adilson Batista é o melhor disponível, mas já mostrou interesse em voltar ao exterior para não se queimar por aqui. Qualquer outro nome, será retrocesso para um clube que vinha em crescimento desde que Joel assumiu, 14 meses atrás.

Em tempo: Joel Santana é falado no Fluminense, mas acho pouco provável que acerte por lá, pelos motivos citados no post abaixo. Seria um bom nome para o Flu.

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Vergonha alheia ilimitada

Perder um técnico reclamando da estrutura do clube e dizendo entre várias outras coisas, que jogadores precisam dividir espaço com ratos no vestiário. Parece distante, coisa de time de várzea. Mas aconteceu no atual campeão brasileiro, com Muricy Ramalho.

Mas a série de vexames que parece não ter fim no Fluminense não para por aí. Campanha pífia e classificação quase impossível na Libertadores, derrotas para pequenos no Estadual.

Como se não bastasse, a saga do clube na busca pelo novo treinador é de envergonhar até mesmo quem pouco se importa com o clube carioca.

O primeiro a rejeitar o emprego foi Levir Culpi. Demonstrou interesse, mas declarou que não poderia sair do Japão no momento, em respeito ao seu clube e também ao povo do país que passa por momento delicado.

Depois veio Cuca. Demitido de maneira tosca pela diretoria do Flu após campanha de recuperação no Brasileirão de 2009 para abrir a vaga de Muricy Ramalho, preferiu permanecer no Cruzeiro onde tem estrutura e faz bela campanha na Libertadores.

Adilson Batista, desempregado, foi mais um a não aceitar proposta do tricolor. Pesou para o ex-treinador do Santos a situação complicada do time tanto na Libertadores quanto no Carioca. Adilson que teve passagens rápidas por Corinthians e Santos, gosta de trabalhos longos. E sabe que provavelmente entraria o Brasileirão já pressionado, principalmente com Abel Braga (o preferido da diretoria do Flu) finalmente disponível no mercado.

O golpe final foi ainda mais humilhante. O emergente Gilson Kleina, que faz ótima campanha com a Ponte Preta no Campeonato Paulista recebeu proposta. A assessoria do Flu (outra que recentemente esteve no centro das atenções) chegou a divulgar o acerto com o treinador. Que após reunião com a diretoria da Ponte, resolveu permanecer em Campinas.

Quatro nomes. Todos publicamente rejeitaram a proposta do Fluminense. A diretoria, perdida, ofereceu rios de dinheiro e atirou para todos os lados. Conseguiu desgastar ainda mais a imagem do clube, já prejudicada pelas declarações de Muricy Ramalho.

Sabe-se que Abel Braga tem interesse em treinar o Fluminense e que o clube deseja o treinador. Pesa contra o acordo, o fato de Abel só poder chegar em julho, já que cumprirá o contrato nos Emirados Árabes. E qualquer outro técnico que chegar ao Flu agora, caso não consiga a quase impossível recuperação na Libertadores, estará pressionado depois de apenas três meses no cargo. Por isso, a tendência é que o bom Enderson Moreira, contratado recentemente como auxiliar permanente, acabe permanecendo até a chegada de Abel. Até porque, esta parece a única opção para um clube queimado no mercado.

O mundo do futebol dá voltar. As vezes, rápidas demais. Aconteceu com o Fluminense, mas pode acontecer com vários outros. Falta de estrutura, planejamento e paciência não é coisa das Laranjeiras.

Que fique a lição.

PS: Muitos leitores provavelmente não conhecem a figura que aparece na imagem deste post. Este é Gilson Kleina, o técnico da Ponte Preta que não aceitou treinar o atual campeão nacional.

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O estranho mundo de Muricy Ramalho

A vida do técnico campeão brasileiro 4 vezes nos últimos cinco anos é cercada de mistérios. Como pode um treinador deixar de lado o grande sonho da carreira, de comandar o Brasil numa Copa por aqui, para manter um compromisso e 10 meses depois romper o contrato pela "falta de estrutura" que ele já conhecia quando assumiu o clube?

Perguntas sem resposta, histórias do futebol. A estranha saída de Muricy Ramalho do Fluminense parece não fazer sentido algum e as desculpas definitivamente não se encaixam. Vão passar os anos e só quem saberá o que realmente aconteceu é o treinador.

Certamente, a desculpa alegada pode ter pesado, mas não foi o que levou Muricy a deixar o tricolor carioca. Mesmo sem estrutura, ele foi campeão brasileiro em 2010 e não apareceu na época para reclamar de coisa alguma.

O desgaste de Muricy no Fluminense era evidente. Passou pelas mudanças na assessoria de imprensa, que não agradaram ao técnico. Também pela saída iminente de Alcides Antunes, amigo pessoal do treinador, confirmada enfim no sábado.

Mais do que isto, porém, Muricy tinha dificuldades para encontrar alternativas em campo. Time eliminado na semifinal da Taça Guanabara, em situação praticamente irreversível na Libertadores...

A carreira de Muricy Ramalho é praticamente inquestionável. Os títulos estão aí para combater qualquer coisa que se fale contra o treinador. Em outras oportunidades, já declarei neste espaço que não sou fã do estilo do técnico, pelo contrário. Mas fica claro que nesta saída, perdem os dois.

O Fluminense fica sem técnico em momento determinante na temporada. A decisão do Carioca está próxima e a missão na Libertadores é ingrata. O mercado é escasso. O novo presidente Peter Siemsen precisará de ousadia e criatividade para encontrar um bom nome. E precisa agir rápido o que complica a situação.

Pressa que não faz parte do cotidiano de Muricy. Certamente, seguirá sua vida com um ótimo contrato em um grande clube. Santos e Inter aparecem como principais candidatos. É um técnico competente e trabalhador. Como de costume, diz que pretende ficar 30 dias descansando. Me parece receio em assumir um Santos que também está em situação difícil na Libertadores e corre o risco de acabar eliminado.

No fundo, espero mesmo que o acerto entre o técnico e o Santos não aconteça. O time mais lúdico do país tem potencial para mais. E não combina em nada com o trabalho do multi-campeão.

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Onde foi parar a paciência?

Dois meses de planejamento. Ótimas contratações e promessa de um time forte. Apenas 11 jogos, uma derrota, e o trabalho foi dado como finalizado. A passagem de Adilson Batista pelo Santos durou muito menos do que se imaginava. E muito menos do que deveria.

Os motivos que levaram à demissão de Adilson nos Santos são os mesmos que o fizeram viver em constante pressão nas passagens por Cruzeiro e Corinthians. Estudioso, trabalhador e sério, o técnico tem suas convicções e não se afeta por pressões externas. Abraça suas certezas e é capaz de morrer com elas. E acabou "morrendo", mais uma vez.

Empates contra Deportivo Táchira e São Bernardo e a derrota para o Corinthians acabaram com a curta paciência da torcida santista. A diretoria, não deu respaldo, e preferiu transferir toda a responsabilidade para o técnico. Alivia a pressão agora, mas não pensa no futuro que está por vir.

Fica, de fato, a impressão de que o time poderia ter jogado mais. Com um ótimo time à disposição, Adilson conseguiu apenas cinco vitórias em 11 jogos. Mas ainda não tinha o time pronto. Jonathan praticamente não jogou, assim como Arouca. Charles e Ganso ainda se recuperam de problemas físicos. Com eles, o time ganharia corpo. E tinha tudo para encaixar.

O Santos erra por não ter paciência. E mais do que isto, por não ter um plano. Depois de perder o ótimo Dorival Júnior em uma crise que poderia ser resolvida, dispensa Adilson sem que aja no mercado opções viáveis. Os investimentos foram ótimos e deixaram o time em condições de brigar pelo título da Libertadores. Cortar o planejamento no meio, não me parece uma opção sensata.

Adilson Batista para mim está entre os três melhores técnicos do Brasil. Mas o desgaste na carreira nos últimos 12 meses é evidente. É hora de colocar a cabeça no lugar e repensar algumas questões. Deixar um pouco a "teimosia" de lado, pode permitir que ele consiga novamente mostrar como são corretas suas convicções. No impaciente mundo do futebol, é preciso ser um pouco mais maleável. Infelizmente, esta é a realidade.

O peso da obrigação

Já falei outras vezes. Nos Campeonatos Estaduais é assim: os clubes grandes são os menos interessados, mas o que tem a obrigação de vencer. Questão de tamanho, de hierarquia. Perder, deixa todos com o pé atrás. E a crise mais perto. Foi o que aconteceu ontem com Fluminense e Internacional.

Os gaúchos abriram mão do Gaúcho por vários motivos. O mundial fez os jogadores entrarem de férias mais tarde. E a prioridade (outra questão de hierarquia) é a Libertadores. Por isso, Enderson Moreira comandou o Inter B na competição. Ontem, depois de empate com o Cruzeiro-POA, nas quartas-de-final da Taça Piratini (primeiro turno do campeonato) o time foi derrotado nos penaltis. Eliminação precoce e princípio de crise.

Enderson Moreira foi demitido. Jogadores do Inter B, devem ser dispensados. A pressão sobre o time principal (que disputará o restante da competição) cresce bastante. O desespero só não é maior pois obviamente que com os titulares o Inter tem toda condição de fazer um belo papel. Mas fato é que, para quem tem a Libertadores para se preocupar, o aumento da pressão pode ser prejudicial.

O mesmo acontece com o Fluminense. Ontem, o tricolor foi eliminado nas semifinais da Taça Guanabara (também nos penaltis, também depois de empate por 2 a 2) pelo organizado Boavista. Muricy sonhava vencer o primeiro turno do Estadual para poder focar somente no difícil grupo da Libertadores (vale lembrar que o time já tropeçou na estreia). Não conseguiu e a pressão por resultados vai crescer daqui em diante.

Fluminense que tem em 2011 os gols de Rafael Moura que Washington não fez em 2010. Mas tem problemas defensivos que não tinha. E ainda não tem o Conca versão 2010. Após a cirurgia e a impensável sequência de jogos enfrentada pelo argentino no ano passado, é preciso cuidados especiais com o meia este ano. Ou ele pode fazer ainda mais falta no futuro.

A panela de pressão está no fogo. Mas há quem goste dos Estaduais. Para eles, deve fazer bem.

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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