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Sem cobrança, sem resultado

Impossível colocar nas costas de Cuca qualquer carga de responsabilidade em mais uma derrota do Atlético-MG na temporada. Desta vez, 2 a 1 para o Botafogo, pela Copa Sul-Americana. O técnico deu o primeiro treino na terça e sequer teve tempo para alguma coisa antes de estrear.

O que se viu, porém, foi um time que já buscou algumas características de seu novo treinador, mas que manteve os mesmos erros. Diferente taticamente, idêntico tecnicamente. O principal (e óbvio) problema do Galo não é o treinador, mas sim a falta de qualidade e, principalmente, confiança.

Contra o Botafogo, Cuca escalou o time no 4-3-1-2. Com o que tem, é a melhor opção. Errou apenas por não colocar em campo Filipe Soutto e Guilherme, titulares indispensáveis para o crescimento da equipe.

Os cariocas pouparam três importantes jogadores (Cortês, Renato e Elkeson), mas mantiveram o padrão tático do 4-4-2 e mostraram que Caio Júnior ganhou mesmo um elenco fortalecido para trabalhar. A boa campanha não é obra do acaso.

O que se viu em campo foi um filme repetido. O Atlético errando muitos passes, deixando espaços de sobra e com os dois zagueiros (quase) sempre mal posicionados. No primeiro gol, Patric perdeu a bola, Leonardo Silva não saiu do chão e Réver perdido na área foi incapaz de cortar bola de Herrera que estufou as redes logo no início e aumentou a pressão.

O Atlético passou a errar mais. André batalhava na frente e fazia boa partida, mas não encontrava outro jogador na mesma sintonia. Dorival trocou o vaiado Patric por Wesley, melhorando o setor ofensivo e deixando mais gente próxima do ataque, mas abrindo enorme espaço por onde o Botafogo mais jogava. E no primeiro vacilo, Maicosuel entrou nas costas de Serginho em velocidade, Réver ficou vendido e o botafoguense ampliou.

Se apertasse, o Botafogo poderia aproveitar o momento absolutamente ruim do Galo para golear e decidir a vaga. Contente com o resultado, porém, pisou no freio. Os contra-ataques não sairam e o Galo passou a conseguir ter a bola no ataque. Até diminuir, com Richarlyon, no último lance do primeiro tempo.

Na etapa final, o Galo esboçou pressão, principalmente após a entrada de Berola que reoxigenou o setor ofensivo. Mas esbarrou em Jéferson e no nervosismo para não conseguir pelo menos o empate.

Ainda é cedo para dizer se Cuca vai "dar jeito" ou não no time atleticano. Fato é, que mais do que mudanças táticas ou de peças, o Galo precisa de confiança e treinos técnicos. No início de seu trabalho no Cruzeiro, Cuca privilegiou o sistema defensivo e venceu partidas em sequência pelo placar mínimo. Me parece o mais correto a ser feito neste momento no Atlético. O melhor ataque, é a defesa.

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Em busca de "algo mais"

Sai Cuca, entra Joel Santana. No Cruzeiro, não havia outro caminho senão a troca do treinador, que já era defendida neste espaço há algumas rodadas. O elenco é qualificado, o time é forte e os resultados não vieram. Era preciso agir para tentar que a equipe busque a reação o quanto antes.

Cuca fez um bom trabalho no Cruzeiro. Perdeu a chance de coroar sua passagem por Minas Gerais com títulos, para tirar alguns rótulos que o acompanham. Mas recuperou o time no último Campeonato Brasileiro e chegou perto do título. Fez ótima campanha na Libertadores. Ganhou o Campeonato Mineiro.

Porém, como em outros trabalhos, tudo ruiu. De repente e sem explicação clara. A eliminação na Libertadores pesou, mas o Cruzeiro tem elenco experiente o suficiente para passar por cima da derrota. Cuca ficou depressivo e o time também. Chato, modorrento, repetitivo. Quando o time precisava se reinventar, buscar nova motivação, Cuca não foi capaz de dar.

Assim como em outras oportunidades, Cuca deixa um time organizado e com potencial enorme de crescimento. Não por acaso, Flamengo e Fluminense foram campeões brasileiros logo após sua saída. Faltou a Cuca no Cruzeiro o "algo mais", como faltou em outras oportunidades.

Algo mais que pode vir com Joel Santana. Embora não seja o meu técnico preferido (inclusive entre os disponíveis no mercado), Joel é um boleiro que sabe lidar com os jogadores. Assim como Cuca, é cercado de pré-conceitos já arraigados em seu nome, mas tem uma ótima oportunidade na carreira.

Para quem se fez no Rio de Janeiro, encontrar no Cruzeiro a paz para trabalhar, um elenco qualifiado e estruturado e infra-estrutura de dar inveja, é tudo que Joel Santana sempre quis e sonhou.

A faca e o queijo mineiro estão nas mãos de Joel. O Cruzeiro, só precisa do "algo mais".

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Pontos perdidos

Não havia outro resultado para o duelo fraco entre América e Cruzeiro, senão o empate. E se tivesse um vencedor, seria o América, não o Cruzeiro que voltou a adiar a reação e vai deixando para trás pontos que deixam o time distante da briga.


O primeiro tempo foi fraco e de poucas chances de gol. Postado mais uma vez no 4-3-1-2, o Cruzeiro tinha a bola mas não conseguia fazer nada diferente. Tocava, sem propósito, à espera de alguma jogada individual. Os laterais apareciam pouco à frente, Montillo não tinha a mesma inspiração do início do ano e os atacantes estavam encaixotados pela defesa adversária. O Cruzeiro só conseguia algo diferente quando a bola passava por Fabrício. A dinâmica do volante, embora erre demais, é fundamental para um Cruzeiro de poucas "novidades".



E foi numa boa movimentação de Fabrício que surpreendeu a defesa do América, que Montillo encontrou o volante sozinho para abrir o placar. Uma das poucas boas jogadas do primeiro tempo. E uma vitória "justa" para quem tentou jogar mais, mesmo não conseguindo.



O América variou taticamente durante o jogo. Começou no 3-5-2, com Amaral ocupando a ala direita devido à suspensão de Marcos Rocha. Era um time que bloqueava o Cruzeiro mas que com 3 zagueiros e 3 volantes não conseguia sair. Rodriguinho ficava perdido no meio dos volantes cruzeirenses e o time só chegava quando Fábio Júnior circulava com inteligência entre os zagueiros e volantes celestes, levando algum perigo.



No fim da primeira etapa o América já passou ao 4-4-2. Otávio virou lateral direito e os três volantes davam mais suporte à Rodriguinho. No segundo tempo, com a marcação adiantada o time cresceu. Não que jogasse bem, envolvesse o Cruzeiro ou nada parecido. Mas assim como foi a Raposa no primeiro tempo, o Coelho tinha a bola no campo ofensivo embora sem qualidade para ameaçar.



O gol, surgiu em outro lance esporádico. Chute cruzado que atravessaria a área não fosse o desvio de cabeça de Fábio Júnior que surpreendeu Fábio.



Com o empate, Cuca repetiu a estratégia de sempre. Trocou um volante por Dudu. O time seguiu preso, sem movimentação, sem conseguir ameaçar. O América voltou a recuar, um pecado para quem poderia ter vencido o jogo. Mesmo assim, ainda teve a melhor oportunidade, em chute de longe de Leandro Ferreira que acertou a trave.



No fim, o empate foi o resultado mais justo para dois times que parecem presos por amarras das quais não conseguem se soltar.



A diretoria do Cruzeiro garante a permanência de Cuca. Não me parece o mais correto. O Cruzeiro vai deixando para trás pontos fundamentais. E o técnico segue sem mostrar que conseguiu superar a derrota na Libertadores. O Cruzeiro hoje, parece realmente o Barcelona das Américas. Aquele Barcelona, de Guayaquil...


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Antes que seja tarde

Contra um time totalmente reserva do Santos, não havia outro resultado aceitável para o Cruzeiro que não fosse a vitória. Embora o Santos seja candidato fortíssimo ao título brasileiro, isto se dá pelo time que tem. O elenco, em si, é muito jovem e tem poucas alternativas "prontas". Mas nem a soma de todos estes fatores foi suficiente para que o Cruzeiro conquistasse a primeira vitória no Campeonato Brasileiro.

O jogo foi o mesmo até a expulsão de Vinicius Simon, no início do segundo tempo. O Cruzeiro tinha a bola, controlava o jogo sem sustos, mas conseguia poucos lances de perigo. Novamente no 4-3-1-2, o Cruzeiro ganhou força no meio-campo e roubava bola com facilidade. Tinha dificuldades para criar porque Montillo não fazia boa partida e os laterais tinham que se preocupar com os meias abertos do 4-2-3-1 de Muricy. Principalmente Gilberto, que teve muito trabalho com o bom Tiago Alves. O desempenho abaixo do comum do Cruzeiro não era novidade. O belíssimo terceiro uniforme em homenagem ao Palestra Itália era o que mais chamava a atenção.

O Cruzeiro insistia mas pouco criava. Teve dezenas e dezenas de escanteio, todos muito mal batidos e que não levaram perigo algum. Só passou a ameaçar de verdade depois da já citada expulsão de Vinicius Simon, justíssima aliás. Dudu, que havia entrado ao pouco, deu movimentação ao time e a verticalidade que o Cruzeiro precisava, principalmente tendo um jogador a mais. A pressão foi concluída com penalti do jovem Walace em Anselmo Ramon, batido e convertido por Montillo.

Apesar da derrota, o Santos não ameaçava. O Cruzeiro poderia apertar e marcar mais uma ou duas vezes. Montillo, displiscente, perdeu grande chance dentro da área. Chegou a acertar a trave. Aos poucos, cansou e deu o jogo como definido. Para sorte do Santos. O aviso que era preciso atenção veio no gol anulado de Borges (em lance complicado, mas que parece não haver desvio). A equipe de Cuca seguiu indolente até que no último lance o Santos aproveitou a bola parada e Borges empatou o jogo.

É difícil falar em justiça no futebol. Mesmo cheio de reservas, o Santos correu atrás do empate com um jogador a menos. Suportou bem a pressão e ainda teve um gol mal anulado.

O Cruzeiro de Cuca, candidatíssimo ao título brasileiro, tem apenas 2 pontos em 4 jogos. A luz amarela já aparece pois é um time claramente mal treinado. Desde que Cuca assumiu, a equipe mineira brilhou quando seus melhores jogadores apareceram bem. Quando isto não acontece e o time depende de jogadas ensaiadas, de lances treinados, a equipe simplesmente não funciona.

A decisão de substituir é complicada pois faltam nomes qualificados no mercado. Fato é que se há um grande responsável pelo momento conturbado do Cruzeiro na temporada, ele se chama Cuca.

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Vergonha alheia ilimitada

Perder um técnico reclamando da estrutura do clube e dizendo entre várias outras coisas, que jogadores precisam dividir espaço com ratos no vestiário. Parece distante, coisa de time de várzea. Mas aconteceu no atual campeão brasileiro, com Muricy Ramalho.

Mas a série de vexames que parece não ter fim no Fluminense não para por aí. Campanha pífia e classificação quase impossível na Libertadores, derrotas para pequenos no Estadual.

Como se não bastasse, a saga do clube na busca pelo novo treinador é de envergonhar até mesmo quem pouco se importa com o clube carioca.

O primeiro a rejeitar o emprego foi Levir Culpi. Demonstrou interesse, mas declarou que não poderia sair do Japão no momento, em respeito ao seu clube e também ao povo do país que passa por momento delicado.

Depois veio Cuca. Demitido de maneira tosca pela diretoria do Flu após campanha de recuperação no Brasileirão de 2009 para abrir a vaga de Muricy Ramalho, preferiu permanecer no Cruzeiro onde tem estrutura e faz bela campanha na Libertadores.

Adilson Batista, desempregado, foi mais um a não aceitar proposta do tricolor. Pesou para o ex-treinador do Santos a situação complicada do time tanto na Libertadores quanto no Carioca. Adilson que teve passagens rápidas por Corinthians e Santos, gosta de trabalhos longos. E sabe que provavelmente entraria o Brasileirão já pressionado, principalmente com Abel Braga (o preferido da diretoria do Flu) finalmente disponível no mercado.

O golpe final foi ainda mais humilhante. O emergente Gilson Kleina, que faz ótima campanha com a Ponte Preta no Campeonato Paulista recebeu proposta. A assessoria do Flu (outra que recentemente esteve no centro das atenções) chegou a divulgar o acerto com o treinador. Que após reunião com a diretoria da Ponte, resolveu permanecer em Campinas.

Quatro nomes. Todos publicamente rejeitaram a proposta do Fluminense. A diretoria, perdida, ofereceu rios de dinheiro e atirou para todos os lados. Conseguiu desgastar ainda mais a imagem do clube, já prejudicada pelas declarações de Muricy Ramalho.

Sabe-se que Abel Braga tem interesse em treinar o Fluminense e que o clube deseja o treinador. Pesa contra o acordo, o fato de Abel só poder chegar em julho, já que cumprirá o contrato nos Emirados Árabes. E qualquer outro técnico que chegar ao Flu agora, caso não consiga a quase impossível recuperação na Libertadores, estará pressionado depois de apenas três meses no cargo. Por isso, a tendência é que o bom Enderson Moreira, contratado recentemente como auxiliar permanente, acabe permanecendo até a chegada de Abel. Até porque, esta parece a única opção para um clube queimado no mercado.

O mundo do futebol dá voltar. As vezes, rápidas demais. Aconteceu com o Fluminense, mas pode acontecer com vários outros. Falta de estrutura, planejamento e paciência não é coisa das Laranjeiras.

Que fique a lição.

PS: Muitos leitores provavelmente não conhecem a figura que aparece na imagem deste post. Este é Gilson Kleina, o técnico da Ponte Preta que não aceitou treinar o atual campeão nacional.

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Atacantes x Ofensividade

Nem sempre um maior número de atacantes indica um time mais ofensivo. Pode funcionar e render gols, na base do abafa principalmente, mas é pouco funcional. Não adianta encher a área adversária de jogadores se não consegue fazer a bola chegar até lá. Prova disto, foi o empate do Cruzeiro ontem contra o Tupi, por 0 a 0, quando o time da capital terminou o jogo com 4 atacantes e um meia em campo.

Com algumas mudanças no time (por suspensão, lesão ou escolha técnica), Cuca mandou o que tinha de melhor a campo em Juiz de Fora. Leandro Guerreiro foi terceiro zagueiro, raramente passando da intermediária, dando liberdade para Rômulo pela direita e Éverton pela esquerda. Montillo era outro com liberdade para se aproximar da nova dupla titular de ataque, com dois velocistas.

Também postado no 3-5-2, o Tupi dentro de suas limitações conseguiu equilibrar o jogo e fazer uma bela primeira etapa. O jogo foi franco e teve boas oportunidades. O Cruzeiro, sempre com Rômulo pela direita ou com Wallyson pela esquerda (quando este invertia o posicionamento com Thiago Ribeiro e confundia a marcação adversária). Já o Tupi, chegava quase sempre com Michel, nas costas de Éverton, provando que o problema da marcação ruim pelo lado esquerdo da defesa do Cruzeiro não está em Diego Renan, e sim no sistema. Se pela direita Marquinhos Paraná trabalhava como cão-de-guarda do ala, pelo lado oposto Gil era obrigado a deixar a área (completamente perdido) e deixar um buraco no meio da defesa.

Com os times achando espaços, os goleiros brilharam. Fábio apareceu com perfeição duas vezes (numa delas em chute cara a cara de Michel). Rodrigo fez pelo menos três grandes defesas (apesar de quase ter se atrapalhado e marcado contra em cruzamento de Wallyson). E a noite era mesmo do goleiro do Tupi, que ainda viu Montillo acertar o travessão em mais um penalti tosco marcado pela arbitragem mineira.

Na etapa final, incomodado com a falta de gols, Cuca resolveu encher o time de atacantes. No intervalo, trocou Montillo (machucado) por André Dias. Depois, tirou o ala Rômulo para a entrada do meia-atacante Dudu. Já no fim do jogo, substituiu Marquinhos Paraná por outro centro-avante (Farías).

Mexidas que não aumentaram o poder de fogo da equipe, pelo contrário. No primeiro tempo, com menos atacantes e mais organização, o Cruzeiro criou mais e foi mais perigoso. Na etapa final, cheio de atacantes, o time pouco incomodou Rodrigo, que só trabalhou após bate-rebate dentro da área ainda no início do segundo tempo.

Pelas característica do time e de seus jogadores, o Cruzeiro será ofensivo mesmo com três volantes (como foi na etapa inicial). O excesso de atacantes pode funcionar em ocasiões esporádicas, mas não pode ser regra e Cuca precisa entender isto para criar outras alternativas quando o gol não sair.

À altura do jogo

O momento mais bacana do futebol é o do gol. E por isto, nada mais justo que ele não aparecesse no duelo entre Tolima e Cruzeiro. O zero a zero foi mais que um retrato da partida. Foi o resultado justo para um jogo com pouquíssimas emoções.

Cuca manteve o Cruzeiro com a formação que havia conquistado duas goleadas em dois jogos até aqui na Libertadores. O 4-2-2-2 desta vez, porém, teve mudança de postura, fundamental para o resultado. Apesar de uma escalação aparentemente ofensiva, o Cruzeiro pecou (principalmente no primeiro tempo) pelo excesso de cautela. Pablo foi quase um zagueiro pelo lado direito, raramente passou do meio-campo. Marquinhos Paraná era líbero, jogando entre os dois zagueiros. Henrique raramente apareceu no ataque como vinha fazendo.

Desta forma, sobrava para os quatro homens de frente a missão de levar o Cruzeiro ao ataque. Mas com Montillo e Roger pouco inspirados e Wallyson muito bem marcado, o time mineiro foi anulado. Wellington Paulista nem precisou de muita marcação. Fez mais uma partida abaixo da crítica. Como pivô, no ataque, não consegue segurar uma bola sequer e raramente consegue bons passes de primeira.

Sem posse de bola, o Cruzeiro correu atrás do Tolima. E não teve muitas dificuldades para marcar o pouco inspirado time colombiano. Com o gramado horrível como agravante, o jogo foi chato e sem emoção.

O panorama mudou um pouco no segundo tempo. Marrugo e Santoya descobriram o enorme buraco que havia nas costas de Diego Renan (já que Marquinhos Paraná centralizava e deixava o jogador, limitado na defesa, sozinho na marcação). Por ali, o Tolima conseguia criar alguma coisa, enquanto o Cruzeiro seguia sem ter posse de bola.

Cuca tentou dar velocidade ao Cruzeiro com Thiago Ribeiro e Dudu. Não mudou quase nada e não melhorou nem um pouco. O técnico ainda foi o último a perceber a avenida pelo lado esquerdo. Só colocou Leandro Guerreiro em campo depois do penalti feito por Pablo em Medina, que bateu e Fábio defendeu. Para a sorte do técnico, embaixo das traves do Cruzeiro há um goleiro enorme e que parece melhor a cada dia.

O jogo decepcionante tecnicamente, acaba trazendo bons frutos ao Cruzeiro. Com 7 pontos em três jogos, o time tem a classificação encaminhada na Libertadores. Mas a partida serviu para mostrar o que venho dizendo desde o primeiro jogo na competição: o time de Cuca vive de lampejos de seus craques (Montillo e Roger) e da ótima fase de Wallyson, mas é desorganizado taticamente e mostra poucas alternativas. Para chegar longe, vai precisar de mais. E tem potencial para isto.

Prato frio e saboroso

Bastava sentir o clima na Arena do Jacaré pouco antes de o jogo começar para saber que para o cruzeirense havia um desejo enorme de vingança sobre o Estudiantes. A sofrida derrota da final da Libertadores de 2009 só se tornaria página virada com uma boa vitória sobre os argentinos. Na estreia dos times em 2011, a desejada vitória veio. Com placar acima de qualquer expectativa e atuação irretocável.

Cuca surpreendeu na escalação. Sacou Diego Renan, Leandro Guerreiro e Thiago Ribeiro do time, colocando Roger, Marquinhos Paraná e Wallyson. Ousada e arriscada, a escalação tinha cara de desespero. O Cruzeiro certamente teria qualidade com a bola nos pés, mas poderia sofrer defensivamente.

Poderia, não fosse o gol de Wallyson antes do primeiro minuto da partida. O atacante mostrou estrela e contou com a sorte, em chute prensado que encobriu o goleiro Orión. 1 a 0 e um jogo totalmente diferente.

O Estudiantes rapidamente avançou suas linhas. Ré, o zagueiro pela esquerda, virou lateral e liberou Nelson Benítez para jogar no campo ofensivo. O meia Enzo Pérez tornou-se praticamente atacante. Os argentinos foram para cima e tiveram o controle da partida durante alguns momentos.

Aos poucos, a salada tática do Cruzeiro encontrou seus espaços e se organizou melhor. No 4-2-3-1, Wallyson fazia papel fundamental: com a bola, abria em velocidade e complicava a vida de Ré; sem ela, era quase lateral direito, liberando Pablo para ser o homem da sobra. Mais organizado, o Cruzeiro deu liberdade para Montillo que decidiu o jogo ainda no primeiro tempo. Primeiro com roubada de bola e passe para Roger, no mano a mano com Verón (sacrificado pelo esquema e tendo que recuar demais para auxiliar Braña na marcação), marcar o segundo. Depois, em jogada muito bem trabalhada pela esquerda, driblando o goleiro e marcando o terceiro.

O 3 a 0 no intervalo era melhor do que qualquer sonho para o torcedor do Cruzeiro. Muito ofensivo, o Estudiantes tentava atacar mas sentia a falta do bom passe de Verón (como dito acima, muito sacrificado). Faltava aos argentinos a compactação e o jogo de posse de bola da época de Sabella.

Na etapa final, o Cruzeiro se fechou de vez. Pablo virou zagueiro pela direita e Wallyson se fixou como lateral num 3-6-1 que fechava bem o meio. Esquema perfeito para definir o jogo nos contra-ataques. Assim saíram os dois gols que fecharam a goleada, primeiro com Montillo de fora da área e depois com Wallyson. 5 a 0. Um massacre histórico e para lavar a alma.

Estrear vencendo é ótimo e importante. Para quem vinha de derrota no clássico estadual, enfrentando um adversário que estava entalado, nem se fala. O Cruzeiro funcionou e teve atuação irretocável por dois motivos: se entregou e batalhou por cada centímetro do gramado. Além disso, teve atuações individuais praticamente irretocáveis (Pablo, Victorino, Paraná, Henrique, Roger, Wallyson e Montillo estiveram muito bem). A Libertadores está apenas começando. Manter o alto nível será preciso. Se organizar melhor, fundamental. Nem sempre, a individualidade resolverá.

Mas o Cruzeiro tem todo o direito de preocupar-se com isto depois. Agora é hora de saborear o frio prato da vingança. Preparado ontem com grande colaboração do Mestre Cuca.

A diferença vem de fora

É um dos clichês mais básicos dos "pontos corridos": vencer em casa é obrigação, vencer fora de casa faz a diferença. E é esta diferença que separa Fluminense e Corinthians na ponta da tabela do Brasileirão. Enquanto o Flu venceu o Goiás ontem por 3 a 0 no Serra Dourada e chegou aos 17 pontos conquistados longe do Rio de Janeiro, o Corinthians perdeu mais uma e tem apenas 7 (com dois jogos a menos como visitante).

O Parque do Sabiá recebeu um ótimo público e viu os melhores 15 minutos iniciais do Campeonato até aqui. O Cruzeiro começou a partida disposto a abafar. Levou perigo em velocidade pela esquerda e faria o gol com Wellington Paulista se a zaga não cortasse. Abriu o placar pouco depois, com o argentino Montillo. Logo depois o Corinthians partiu para a resposta e teve um penalti (bem marcado) a seu favor. Bruno César bateu muito mal e Fábio defendeu (a quarta defesa em cinco penaltis no ano). Foi um belo início de jogo.

Daí em diante, o ritmo foi caindo aos poucos. O Cruzeiro, num 3-6-1 que sacrificava Wellington Paulista pela meia esquerda e deixava Robert completamente isolado na frente, se preocupava apenas em defender e não tinha velocidade para ligar os contra-ataques. O Corinthians tinha a bola (teve mais de 60% de posse durante todo o jogo) mas não conseguia fugir da ótima blitz imposta pelos mineiros na entrada da área.

Assim o jogo era disputado, bom tecnicamente, mas não tinha oportunidades de gol. O que apenas piorou na etapa final, quando o Corinthians cansou de tentar em vão e o Cruzeiro ficou mais do que satisfeito com o 1 a 0. Resultado final em Ipatinga.

Adilson Batista não encontrou "sua cria" em Minas Gerais. O Cruzeiro de Cuca já não tem quase nada do Cruzeiro de Adilson. Seis dos titulares ontem quase não jogavam ou nem estavam no elenco com o ex-técnico. Ainda que Cuca não tenha ainda um estilo de time definido, já tem sua filosofia imposta aos jogadores. É um time que tem potencial para crescer, se souber de suas limitações. Com o elenco completo, pode até brigar pelo título.

Já o Corinthians, aos poucos também deixa de ser o "do Mano" para tornar-se o time de Batista. Meio-campo leve, envolvente, rápido e que valoriza a posse de bola. Faltou porém uma alternativa já que os volantes (Elias e Jucilei) ontem não conseguiram penetrar em velocidade para surpreender a defesa mineira. Os paulistas brigarão pelo título. Mas vão precisar fazer longe do Pacaembu a diferença para chegar à taça.

A chance que Cuca pediu a Deus

Técnicos evoluem, amadurecem. Na verdade, é assim com todo profissional. Cuca é um deles. Sempre fez trabalhos dignos, interessantes. A maioria, porém, teve curto prazo de validade. Aos poucos, o técnico parecia se perder em decisões, brigava com o elenco e nada mais dava certo até a queda.

A exceção, foi seu último trabalho no Fluminense. Conseguiu o improvável, um verdadeiro milagre, salvando o time do rebaixamento. Por pouco, não conquistou a Copa Sul-Americana. Fazia um início de temporada mediano, sofrendo com baixas no elenco, quando foi demitido injustamente pela diretoria. Diga-se de passagem, foi a primeira demissão injusta na carreira de Cuca. Ele tinha o controle da situação. Das outras vezes, de fato, estava perdido.

Cuca sempre foi bom. E amadureceu. Me parece pronto para grandes desafios e, principalmente, para conquistar títulos importantes. A chance de treinar o Cruzeiro, que está sempre brigando por títulos, tem estrutura e gosta de apostar na continuidade, parece ter caído do céu. Mas pode ter vindo na hora errada para o técnico. Questão de perfil. Confuso? Explico abaixo.

A principal característica de Cuca é a calma. Nunca foi um técnico que se impôs. Nem com o elenco, muito menos com a diretoria. Basta ver o que aconteceu no Flu após sua saída. O projeto do CT está andando e reforços chegaram rapidamente graças às exigências de Muricy Ramalho.

O Cruzeiro vive um turbilhão. A crise política que o clube enfrenta é enorme e a pressão também. Foi esta pressão, que colocou o ótimo Adilson Batista para fora do clube. Está certo que o boa-praça Cuca vai agradar mais à imprensa mineira, responsável direta pela saída do último treinador. Mas sem pulso firme, é possível que as coisas não caminhem como deveriam no time celeste.

Se a diretoria não esperar atitude e pressão do técnico para buscar os reforços que o elenco precisa, pode dar certo. Se Cuca resolver seguir a linha "bonzinho" e tentar fazer milagre com o que tem, pode jogar fora a grande chance de sua carreira. Ele tem a faca na mão, mas precisa exigir um bom queijo para mostrar todo o seu potencial.

E a culpa era dele?

O começo de Muricy no Fluminense não foi nada animador. Mesmo no Maracanã e com um jogador a mais em grande parte do segundo tempo, o time foi derrotado pelo Grêmio e praticamente deu adeus à Copa do Brasil. Talvez o Flu não vencesse, pois o time gremista é muito melhor, mas com Cuca no comando a história poderia ser diferente.

Não que a culpa seja do novo treinador. Muricy tem competência para fazer um bom trabalho no Flu, desde que nas condições citadas em outro post. O fato é que trocar de técnico tão perto de um jogo decisivo foi um tiro no pé. A prova foi o resultado da partida.

O Fluminense começou a perder o jogo ainda no vestiário. O time que já não tinha Conca e Alan, machucados, perdeu Fred (por 20 dias). Desfalcado, o Flu até começou bem e saiu na frente. Mas rapidamente caiu diante da qualidade muito superior do time gaúcho.

O Grêmio que já havia feito um belo resultado contra o Inter no fim-de-semana, conseguiu mais uma vitória baseada na boa fase de Douglas e Jonas. Encaminhou muito bem a classificação para as semifinais da Copa do Brasil. E mais do que nunca, se afirma como candidatíssimo ao título ao lado do Santos.

Já o Fluminense, tem muito trabalho pela frente. É bom esquecer a Copa do Brasil e se concentrar num difícil Brasileiro. Outro milagre como ano passado, será tarefa quase impossível. Portanto, é bom jogar bola desde o início. E para isso, é preciso muito trabalho e alguns reforços.

Eles precisam um do outro?

O Fluminense já sabia o que queria quando demitiu Cuca, há uma semana: Muricy Ramalho. Era mais um sonho de consumo do "Real Madrid brasileiro". A Unimed, como sempre, bancou. E o sonho se tornou rapidamente realidade nas Laranjeiras. Já falei aqui no blog, quando da demissão de Cuca, que era contra a mudança. Mas, pensando friamente, Muricy e Fluminense podem fazer muito bem um ao outro, se souberem abrir mão de certas coisas.

O principal beneficiado pode ser o Fluminense. Muricy aprendeu em sua vitoriosa carreira a ser exigente. E hoje, pode ser assim. Certamente, vai querer muito mais do que contratações que o elenco do tricolor precisa. Vai exigir ótima estrutura de trabalho. Sendo assim, a tendência é que o Flu, finalmente, comece a se organizar como clube. É necessário. E antes tarde, do que nunca. Uma pena que não tenham dado para Cuca, por exemplo, esta mesma estrutura.

Quanto à Muricy, é a oportunidade de respirar novos ares e dar a volta por cima depois do trabalho ruim no Palmeiras. O Rio de Janeiro e seu astral elevado podem fazer bem à Muricy. E com o bom time que tem em mãos o competente treinador pode voltar a erguer troféus, o que acostumou-se a fazer ao longo da carreira.

É um casamento que pode dar certo. Se Muricy tiver a paciência que muito lhe faltou. E se o Fluminense passar a levar o futebol a sério, o que sempre lhe faltou.

Literalmente de pé

Cuca é um baita treinador. Sempre foi. Mas escolhas erradas e problemas de relacionamento (principalmente) não fizeram sua carreira decolar como ele merecia. Foi assim no Botafogo, no Flamengo e anteriormente no mesmo Fluminense.

Desta vez, porém, o técnico mostrou-se amadurecido. Fez um trabalho ótimo no Flu. Acabou despedido injustamente. Se antes, os próprios jogadores faziam força para que ele caísse, desta vez foi diferente. Saiu de pé, e aplaudido pelos jogadores em seu último ato nas Laranjeiras.

Quando assumiu o Fluminense, matemáticos cravavam 99% de chances de rebaixamento para o time carioca. Cuca foi homem para aceitar o trabalho meses depois de ser humilhado pela mesma agremiação. E fez (muito bem) seu trabalho. Contrariou todas as hipóteses e fez o clube conseguir a salvação.

46 jogos, 28 vitórias, apenas seis derrotas. Conseguiu salvar um time morto no Brasileirão. Levou o mesmo time à final da Copa Sul-Americana. Caminha com tranquilidade para chegar às quartas-de-final da Copa do Brasil. Mas foi despedido por não ter chegado às finais do "importantíssimo" Campeonato Carioca.

O "Real Madrid Brasileiro" resolveu apostar na grife mais uma vez. Colocará no comando de um elenco mediano e sem a menor estrutura de trabalho, o multicampeão Muricy Ramalho. Que funciona, desde que aja condições extremamentes favoráveis para o seu trabalho, o que não é o caso.

Vale lembrar ainda, mais uma vez, que os jogadores se despediram de Cuca com aplausos. Eles queriam demais a permanência do treinador. E podem não receber tão bem assim o novo comandante.

Decisão errada, na hora errada. Ingratidão total. E o Fluminense provavelmente, acaba de jogar fora sua temporada 2010.

Eles merecem

Não me canso de elogiar a reação do Fluminense. Que tem dois personagens fantásticos, que merecem todo o respeito e mais do que isso, o reconhecimento pelo que estão fazendo pelo Flu.

Ontem, mais uma vitória. A quinta consecutiva. 1 a 0 sobre o Cerro Porteño, no Paraguai. 1 a 0 que poderia facilmente ser aumentado para 2, 3, 4. Se não fosse mais uma péssima arbitragem de Hector Baldassi. Este aí é ladrão velho.

Não vi o jogo inteiro. Acompanhei algumas partes, e sempre vi o Fluminense melhor na partida. Pelo que vi de melhores momentos e comentários depois do jogo, a superioridade foi grande.

Uma pena que não foi possível matar logo a semifinal para que o time se preocupasse apenas com o Brasileirão.

Mas, voltando aos heróis.

Cuca merece ser lembrado. Estava desacreditado na carreira e assumiu um desafio complicadissimo. Vai dando a volta por cima. Suas mudanças na equipe surtiram efeito e ele é muito responsável por isto. Deixou o time mais leve, mais veloz. Soube usar o que tinha de melhor no elenco. E o resultado se dá na campanha.

O outro é Fred. Chegou no início do ano como um dos melhores atacantes do Brasil. Ganhou fama de "chinelinho" pelas seguidas lesões. Mas marcou 9 gols nos últimos 9 jogos. É decisivo. E mais do que isto, comanda esta garotada como um verdadeiro guerreiro, disposto a lutar até a última gota de sangue.

O Fluminense é contagiante. E eu confesso: vou torcer para se salvarem. Eles merecem.

Terminar o ano na Série A, com o título da Sul-Americana seria épico. E o já sofrido torcedor tricolor merece. Cuca e Fred então, nem se fala.

Jogando a toalha

Há um ano, o Fluminense vivia uma turbulência. Havia perdido a Libertadores e não conseguia se encontrar no Brasileirão. Correndo risco de rebaixamento, resolveu tomar uma decisão: demitir Renato Gaúcho e contratar, horas depois, Cuca. O treinador, mal completou o primeiro mês no clube, e foi demitido, com 2 vitórias, 5 empates e 2 derrotas. Problemas de relacionamento com os jogadores. Diretoria fazendo sérias críticas à postura do técnico.

Hoje, um ano depois, o Fluminense mais uma vez está na pior. Este ano, a situação é ainda mais complicada. O elenco é pior. E os pontos são mais escassos. Renato Gaúcho dava sinais de desânimo no comando. E o que a diretoria faz? Demite o treinador e contrata Cuca.

Quanta criatividade! Quanta serenidade para tomar decisões!

E a sequência de decisões erradas não deixa dúvidas: o Fluminense vai disputar a Série B em 2010.

Do jeito que andam as coisas eu não duvido que Cuca nem permaneça no clube até o fim do ano. O Fluminense virou uma esculhambação total!

Errou o Fluminense e errou Cuca. Mais uma vez, ele toma decisões erradas em sua carreira e por isso não decola. Com tempo e paciência Cuca é um bom treinador e pode surtir efeito. Mas convenhamos: está longe do perfil motivador que o Fluminense precisava. Aliás, nem motivador servia.

O Flu precisa mesmo é de um milagreiro...

Só muda o técnico

A roda-viva dos treinadores continua. Confesso que já perdi as contas, mas vou voltar à fazê-las e divulgar aqui no blog. O número de técnicos demitidos no Brasileirão é, mais uma vez, assustador.

A bola da vez é Cuca, no Flamengo. Crônica da demissão anunciada. Estava na cara que Cuca não iria durar no comando do rubro-negro carioca.

Inclusive, deveria ter pedido demissão antes. Bom treinador que é, não precisava passar pelo que passou. Problemas com Juan, Adriano fazendo o que quer...e Cuca aceitou tudo isto, calado. Até o dia em que foi mandado embora.

Estou quase me convencendo de que o Flamengo não tem jeito. Entra ano, sai ano, e nada muda no clube. Ou melhor, muda o técnico, quase sempre. É muita politicagem, muita gente querendo aparecer e pouca seriedade no comando de um dos mais importantes clubes do futebol brasileiro.

Wágner Mancini vem aí. E vai precisar de sorte. A caixinha de surpresas chamada Flamengo pode querer mudar à qualquer momento. E vão mudar o técnico, como sempre.

Dentro, ótimo. Fora...

Depois de ter salvado o MCerradaFC na última rodada e de seguir como principal jogador do Flamengo nas duas últimas temporadas, Juan voltou a mostrar seu lado negativo. Fora de campo, o lateral é um problema.

Ontem, discutiu com Cuca, que daria (e deu) treino em dois períodos na Gávea. Fez birra e saiu de campo. Voltou 20 minutos depois, ao lado de Adriano, sabendo que se não voltasse, estaria fora do jogo contra o Internacional.

O Flamengo está próximo do jogo mais importante da temporada até aqui. A Copa do Brasil, é uma chance de ouro para o Fla. Daria tranquilidade para um trabalho mais sereno no Brasileirão.

Mas Juan parece não se importar com nada que não seja ele mesmo.

Cuca fez o certo. Não criou polêmica. Foi astuto e direto. Se treina, joga, porque é o melhor do time. Agora, se não quer treinar, não vai jogar. Seria péssimo para o Flamengo. E também para a carreira de Juan.

E assim o barril de pólvora vai seguindo em frente. Resta saber até quando, sem estourar...

E olha que Adriano ainda nem estreou.

Em boas mãos

O Flamengo escolheu Cuca como novo treinador. Escolha acertada. Cuca era o que de melhor havia no mercado para o rubro-negro carioca. Treinador fantástico, que ficou marcado pela "falta de títulos". Até hoje, não venceu nenhum na curta carreira.

Mas vencer é questão de tempo para Cuca. Ousado, inteligente, baita treinador. Moderno. Que precisa trabalhar um pouco o seu psicológico, para poder cuidar também do psicológico do time.

Cuca, que foi mal na primeira passagem pelo Flamengo, em 2005, tem tudo para dar a volta por cima. O elenco tem qualidades, e ele sabe formar grandes times como poucos.

Os quatro grandes do Rio, prometem para o ano que vem. Pelo menos no que depender do comando técnico. Não restam dúvidas de que não havia opção melhor para nenhum deles, para começar 2009.

A cadeira sem dono - No Brasil e na Europa

E o futebol europeu também dá das suas. Mas, com razão. Quatro dias antes do maior clássico do futebol espanhol, contra o Barcelona, o Real Madrid demitiu o técnico alemão Bernd Schuster. Apenas quinto colocado, nove pontos atrás do rival, o Real teve um motivo extra para demitir o treinador. Schuster teria dado uma entrevista dizendo que era impossível o time vencer o clássico. Se não aguenta pra que veio? Juande Ramos, multi-campeão da Copa da UEFA, e demitido no início da temporada pelo Tottenham, é o novo responsável pelo time merengue.

No Brasil, quem fica sem técnico é o Atlético-MG. Marcelo Oliveira, fez um trabalho razoável, mas atingiu seu objetivo. Porém, o novo presidente Alexandre Kalil quer um técnico de peso, mais atuante, capaz de controlar melhor o futebol do clube. Celso Roth era o preferido, mas o presidente já soube da proposta gremista para manter o treinador. Nomes pipocam à todo instante: Levir e Leão são os preferidos da torcida. Dorival Júnior andou cotado. O técnico atleticano pode mesmo vir do Japão. Mas não é Levir...

Já o Vasco, ganhou concorrentes na disputa por Dorival Júnior, que estava praticamente acertado. Além do Atlético-MG, que sondou o treinador, o Santos também parece interessado. A diretoria santista ainda não confia em Márcio Fernandes. Mas no fim das contas, Dorival deve mesmo ir para o time carioca. Por falar em carioca, Cuca, o último bom treinador livre no mercado, deve parar no Flamengo, apesar dos muitos problemas que terá para resolver por lá. Carlos Alberto Parreira não tem interesse em voltar a ser técnico agora. O que diminui muito as opções do rubro-negro no mercado.

Crônica da demissão anunciada

O desânimo de técnico e jogadores do Fluminense após o melancólico empate contra o Goiás ontem, indicavam que algo ia acontecer. E como sempre, sobrou para o treinador. Cuca não é mais técnico do Fluminense.

Mais cedo, já havia dito que não achava que era o melhor momento para trocar o comandante. Há pouco tempo para as muitas mudanças que o tricolor necessita. E um novo técnico, só vai poder mudar alguma coisa na base da motivação. Até que o time anda precisando. Mas culpar Cuca por mais este fracasso, é complicado. Não foi ele que desperiçou chances sem goleiro, na cara do gol. Que deixou de passar a bola e preferiu chutar bizonhamente.

Errou o Fluminense, e errou Cuca. Que sai com o trabalho desgastado. Era um treinador top, no Botafogo. Fez uma avaliação ruim quando topou trabalhar no Santos. E uma ainda pior quando foi para o Fluminense. Agora, precisa de tempo. Para voltar a encontrar a paz. Não restam dúvidas sobre sua capacidade.

Já os cariocas, apostam em Renê Simões para salvar o time. É possível, mas não vai ser fácil. Pelo menos, a escolha condiz com o necessário. Renê, gosta de desafios e é bom motivador. Foi assim com a seleção feminina, com a Jamaica, e ano passado, com o Coritiba, na Série B. Ele não imaginava que pudesse voltar à disputar a competição tão cedo...

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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