O Brasileirão chegou à 16ª rodada. 42% da competição já se passou. E tem gente cochilando até agora. Quando acordarem, o pesadelo pode sair bem pior do que a encomenda. E pode ser tarde demais para tentar mudar o que já aconteceu.

O Atlético-MG é o principal exemplo. Foi um dos times que mais investiu para o Brasileirão. É vice-lanterna com apenas 14 pontos em 16 jogos. Menos de 30% de aproveitamento. Menos de um ponto por jogo em média. É o terceiro pior time da competição. A título de comparação: em 2005, quando foi rebaixado, tinha 12 pontos na 16ª rodada. Apenas dois a menos.
Ontem mais um jogo ruim diante do Flamengo. 0 a 0 de poucas oportunidades e péssimo para ambos os times. O que se vê no discurso dos atleticanos porém, é preocupante. Luxemburgo garante que o time ainda vai encaixar. Jogadores dizem que o time foi bem e que está em crescimento. O torcedor do Galo só espera que este crescimento não comece a virar pontos na tabela tarde demais.
Assim como o Grêmio. Nesta rodada mais uma derrota: 2 a 1 em casa para o Santos. Renato Gaúcho tem um trabalho duríssimo pela frente. O time tem apenas 15 pontos e potencial para muito mais. Em 2004, contra foi rebaixado, o time tinha os mesmos 15 pontos nas 16 primeiras rodadas.
O problema no Olímpico é que Renato acabou de chegar. Diz que o time tinha muitos problemas e precisará de tempo para resolver. De fato, faz sentido imaginar que o novo técnico demande algum tempo para encaixar seu trabalho. O problema, é que tempo parece ser coisa que o Grêmio não tem. Não dá para esperar.
Situação semelhante após a 16ª rodada vivem ainda São Paulo e Palmeiras. O tricolor é só o 15º. A Libertadores começa a tornar-se um sonho distante. E depois de oito participações seguidas, seria péssimo. A indefinição quanto ao treinador e alguns problemas no elenco agravam a situação do São Paulo (outro que empatou em 0 a 0 na rodada, em jogo péssimo contra o Vasco).
Quem fez mais feio na rodada foi mesmo o Palmeiras, 13º colocado. Investimento pesado em Felipão, Valdívia e Kléber não foram suficientes para evitar um vexatório 3 a 0 para o ex-lanterna Atlético-GO justamente no dia do aniversário de 96 anos do clube. Mesmo que Valdívia ainda esteja sem ritmo e que Kléber não tenha jogado o placar é injustificável.
O Campeonato vai chegando à metade. E quem não acordar logo, corre um sério risco de ficar preso em um pesadelo que durará pelo menos 365 dias.
É um dos clichês mais básicos dos "pontos corridos": vencer em casa é obrigação, vencer fora de casa faz a diferença. E é esta diferença que separa Fluminense e Corinthians na ponta da tabela do Brasileirão. Enquanto o Flu venceu o Goiás ontem por 3 a 0 no Serra Dourada e chegou aos 17 pontos conquistados longe do Rio de Janeiro, o Corinthians perdeu mais uma e tem apenas 7 (com dois jogos a menos como visitante).

O Parque do Sabiá recebeu um ótimo público e viu os melhores 15 minutos iniciais do Campeonato até aqui. O Cruzeiro começou a partida disposto a abafar. Levou perigo em velocidade pela esquerda e faria o gol com Wellington Paulista se a zaga não cortasse. Abriu o placar pouco depois, com o argentino Montillo. Logo depois o Corinthians partiu para a resposta e teve um penalti (bem marcado) a seu favor. Bruno César bateu muito mal e Fábio defendeu (a quarta defesa em cinco penaltis no ano). Foi um belo início de jogo.
Daí em diante, o ritmo foi caindo aos poucos. O Cruzeiro, num 3-6-1 que sacrificava Wellington Paulista pela meia esquerda e deixava Robert completamente isolado na frente, se preocupava apenas em defender e não tinha velocidade para ligar os contra-ataques. O Corinthians tinha a bola (teve mais de 60% de posse durante todo o jogo) mas não conseguia fugir da ótima blitz imposta pelos mineiros na entrada da área.
Assim o jogo era disputado, bom tecnicamente, mas não tinha oportunidades de gol. O que apenas piorou na etapa final, quando o Corinthians cansou de tentar em vão e o Cruzeiro ficou mais do que satisfeito com o 1 a 0. Resultado final em Ipatinga.
Adilson Batista não encontrou "sua cria" em Minas Gerais. O Cruzeiro de Cuca já não tem quase nada do Cruzeiro de Adilson. Seis dos titulares ontem quase não jogavam ou nem estavam no elenco com o ex-técnico. Ainda que Cuca não tenha ainda um estilo de time definido, já tem sua filosofia imposta aos jogadores. É um time que tem potencial para crescer, se souber de suas limitações. Com o elenco completo, pode até brigar pelo título.
Já o Corinthians, aos poucos também deixa de ser o "do Mano" para tornar-se o time de Batista. Meio-campo leve, envolvente, rápido e que valoriza a posse de bola. Faltou porém uma alternativa já que os volantes (Elias e Jucilei) ontem não conseguiram penetrar em velocidade para surpreender a defesa mineira. Os paulistas brigarão pelo título. Mas vão precisar fazer longe do Pacaembu a diferença para chegar à taça.
Acabou a moleza. O Campeonato Brasileiro entrará a partir de hoje em sua fase "maluca". Ninguém terá descanso superior a 4 dias nos próximos dois meses e meio. Serão 14 rodadas sem intervalo, duas vezes por semana.
Dizem que é agora que o campeonato se decide. Não é totalmente verdade. Mas também está longe de ser uma mentira. Afinal, todos os pontos (da primeira, da 15ª ou da 38ª rodada) valem o mesmo tanto. Porém, este é o período da competição onde é necessário ter elenco e planejamento.
Quem já tem o time pronto sai em vantagem. A tendência natural, é que Corinthians e Fluminense (os dois melhores até aqui) aumentem a distância para os demais. Afinal, não haverá tempo para acertos. Por isso, Grêmio e Atlético-MG não podiam esperar tanto para reagir. A "fase aguda" deve dificultar ainda mais a vida dos dois, atolados na zona do rebaixamento.
É uma pena (para o nível da competição) que o nosso calendário ainda seja tão desorganizado e apertado. A sequência desgastante de jogos e viagens com pouco tempo para recuperar jogadores fisica e clinicamente é prejudicial tecnicamente. Mas para quem gosta de acompanhar, vem aí uma verdadeira overdose de futebol. A hora de separar os verdadeiramente bons. E onde os fracos não terão vez.
Tudo terminou como começou na rodada de ontem, do Brasileirão: empatado.

Em jogo atrasado da 16ª rodada, Santos e Inter fizeram uma partida louca, cheia de mudanças e muito interessante na Vila Belmiro. Noite dos artilheiros. E placar final: 3 a 3. Kléber Pereira marcou duas vezes para o Santos. Alecsandro fez os três para o Colorado.
Apesar de tudo, o empate não foi bom para os donos da casa, que seguem longe do G-4. Enquanto não começar a vencer os jogos dentro de casa, o time de Luxemburgo seguirá fora da briga. Já o Inter, somou mais um ponto e figura entre os melhores. Uma vitória no jogo atrasado contra o Atlético-MG, pode significar o simbólico título do primeiro turno, apesar de manter o time atrás do Palmeiras. Confuso, não? Coisas do calendário brasileiro.
No outro jogo, este sim pela 22ª rodada, Barueri e Corinthians empataram por 2 a 2. Mais uma arbitragem confusa e estranha em jogo do Corinthians. O juiz mais uma vez foi péssimo, errou para os dois lados, distribui cartões de todo jeito, e acabou marcando mais um penalti inexistente à favor do time da capital. Aliás, belo uniforme do Corinthians, apesar de com certeza, lutar mais uma vez contra alguns torcedores.
Com o resultado, os dois times seguem na briga por uma vaga no G-4. Ruim para ambos. Para o Barueri, pois o time vai precisar de fôlego e força para conquistar uma vaga na Libertadores. Para o Corinthians, porque o Brasileirão só serve para ele se for pelo título. Ficar entre os quatro primeiros não fará a menor diferença.
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A antepenúltima rodada do turno consagrou o líder. O Palmeiras segue na ponta do Brasileirão, e prova, a cada rodada, que será difícil tirá-los de lá. Mas o comandante alvi-verde, com certeza sabe da força de um time que cresce à cada jogo e já se aproxima das primeiras posições. O São Paulo venceu mais uma e já é o oitavo.

Mesmo jogando na Bahia, o São Paulo contou com mais uma boa atuação de Dagoberto para vencer o Vitória por 1 a 0. Resultado difícil e importante. O Vitória em queda, agora, tem o mesmo número de pontos que o São Paulo, que se aproxima do G-4 com bons resultados seguidos. O time tricolor começa a pegar o jeito Ricardo Gomes de jogar. E funciona.
No sábado, o Palmeiras não foi brilhante. Pelo contrário, fez um jogo pra lá de ruim contra o Sport, na Ilha do Retiro. Mas ficou com um jogador a mais e conseguiu a vitória por 1 a 0 graças à um gol contra. Quando a fase é boa, tudo dá certo. Mas Muricy, que colocou pela primeira vez o time com 3 zagueiros, deve repensar. O Palmeiras é bom quando joga solto. Se quiser jogar no estilo do treinador, terá muitas dificuldades.
Quem também conseguiu uma vitória importante foi o Atlético-PR. Jogando em casa, o time reencontrou a vitória depois de vários jogos. E contra um concorrente direto. Com o 1 a 0, o time empurrou o Fluminense para a lanterna da competição. Flu, que não vence há 11 jogos e preocupa demais. Depois de voltar a jogar bem e perder, ontem foi péssimo novamente. Será muito difícil se salvar da série B desta forma.
Outro concorrente forte à queda conseguiu um bom resultado. O ex-lanterna Náutico empatou com o Flamengo, por 1 a 1, no Maracanã. Destaque para a mudança de comportamento no Fla de um jogo para outro. E para as vaias da torcida para Leonardo Moura, que não merecia pelo tanto que correu. O desabafo sincero do jogador, foi justo, naquele momento. Mas o Flamengo, com Andrade agora efetivado (precipitação total), precisa manter a calma e seguir em busca de bons resultados para se manter na parte de cima da tabela. Tem time para isto.