Para o torcedor do Vasco, muito pouco. Depois da Copa do Mundo (e consequentemente da chegada de PC Gusmão) o time não perdeu mais. Desde a derrota por 4 a 0 para o Santos, ainda antes do Mundial, foram 14 jogos com cinco vitórias e nove empates. Isto mesmo, nove empates!

O excesso de jogos em igualdade irritou de vez ontem o vascaíno, que vaiou e reclamou da equipe após mais um empate em casa (desta vez contra o Avaí, em crise, com um jogador a menos). O quinto, nos últimos seis jogos.
Os números podem parecer ótimos, mas não são. Nos 14 jogos de invencibilidade, o Vasco fez 24 pontos. Se tivesse vencido oito e perdido seis, marcaria os mesmos 24 pontos. Ou seja, o desempenho não é tão bom assim.
Tanto é que o time ocupa apenas a 10ª posição. É apenas o sexto melhor time "pós-Copa". Fica mais distante do G-4 a cada rodada e parece mesmo fadado a brigar no meio da tabela. Não acredito que o Vasco vá acabar brigando contra o rebaixamento. Mas podia fazer mais, lutar mais.
Vale notar que PC Gusmão também está invicto. Ele, porém, durante o campeonato inteiro. Não perdeu antes da Copa, como técnico do Ceará. Não perdeu depois, como técnico do Vasco. Em que pesem os problemas de contusão que o técnico está enfrentando (que não são poucos e atacaram seus principais jogadores), PC me parece mais preocupado em aumentar o seu "recorde pessoal" do que levar o time carioca a algum lugar.
É bom o técnico abrir o olho. Ou pode ser o primeiro técnico demitido invicto neste Brasileirão.
Não restam dúvidas quanto ao talento e à qualidade de Neymar. É um jogador extraordinário, fora-de-série, que ainda tem muito a evoluir e tudo para se tornar um dos melhores do planeta. O que pode não acontecer, se não for tomada uma atitude severa agora.

Parece exagero, mas não é, quando Renê Simões (sereno como é) fala que estamos prestes a criar um monstro. E no "estamos" eu incluo torcedores, jornalistas, técnicos e jogadores. Por ser tão bom dentro de campo, acostumamos-nos a ficar despreocupado com o que Neymar faz fora dele. Ou o que faz dentro dele, sem a bola.
A discussão estúpida com Dorival Júnior, as reboladas e o bico ao fim do jogo precisam ser a gota d'água. Para o bem do Santos, do futebol e principalmente de Neymar.
O problema de ontem foi bem diferente do que teve Ganso com o treinador na final do Campeonato Paulista. Ganso não faltou com respeito com o técnico e com o grupo. Apenas indicou que para ele, o melhor caminho naquele momento era outro.
Aliás, Ganso faz muita falta a Neymar. Não só pela qualidade dentro de campo. Mas com ele, os holofotes se dividem e a pressão sobre o ainda garoto atacante é menor. Sendo o único foco que sobrou dos "Meninos da Vila", Neymar se deslumbrou, principalmente após a proposta do Chelsea. Achou que pode fazer tudo sozinho e pior: fazer o que quiser.
Pelo que conheço de Dorival Júnior, ele deve tomar uma atitude. O ideal seria afastar Neymar por um tempo, para que ele coloque a cabeça no lugar. E sem ele, com o foco novamente na equipe do Santos, talvez ele perceba que é só mais um. Um muito especial. Mas apenas mais um.
Mais uma derrota e a agonia do Atlético-MG no Brasileirão continua. Ontem, o time sofreu com aquele velho ditado: "pau que dá em Chico, dá em Francisco". Depois de vencer o Grêmio Prudente com um gol de Obina aos 42 do segundo tempo no fim-de-semana, foi derrotado pelo Atlético-PR por 2 a 1 ontem, levando o último tento aos 43 da etapa final.

Não assisti a partida e por isso não farei nenhuma análise do confronto. Pelo que vi, li e ouvi, a vitória dos paranaenses foi justa, pelo excesso de oportunidades que tiveram durante a partida.
O fato levantado será outro, para uma análise importante da situação do time mineiro.
É impressionante a quantidade de problemas físicos existentes no elenco atleticano. Jogo após jogo, algum jogador deixa a equipe com lesão muscular. Neto Berola, que está no clube há cinco meses, não consegue fazer uma partida completa. Isto sem falar no grande número de jogadores visivelmente fora da forma física ideal.
Já que Kalil dá sinais de que manterá mesmo Luxemburgo no comando da equipe mesmo com a campanha pífea até aqui, é preciso fazer cobranças sérias. E a primeira delas, deveria recair sobre Antônio Mello, que deve explicações.
Se Luxemburgo não consegue repetir a equipe e não consegue escalar o seu "time ideal", muito disto passa pelo trabalho do preparador físico do Galo. A hora de rever o tal projeto já passou faz tempo. Mas ainda há tempo para mudança de filosofia. Caso contrário, a Série B parece mesmo ser o caminho mais provável para o Atlético-MG.
Só um time conseguiu vencer cinco jogos seguidos no Brasileirão 2010. O mesmo time que venceu seis e empatou uma nos últimos sete jogos. E não por acaso, tirou 11, dos 12 pontos que tinha de desvantagem para o líder Fluminense. Um ponto atrás dos primeiros colocados, o Cruzeiro prova que entrou de vez na disputa pelo título.

Contra o Guarani, Cuca novamente sofreu com os desfalques. Não teve Fábio, os dois laterais titulares, Marquinhos Paraná e perdeu Wellington Paulista antes dos 10 minutos. No 4-2-2-2, com Éverton auxiliando Montillo na armação, o Cruzeiro apostava na intensa movimentação e na manutenção da posse de bola para vencer o jogo.
Postado num defensivo, mas perigoso 3-6-1, o Guarani isolava Mazola mas dava bastante liberdade para seus alas chegarem em velocidade ao ataque. Só que não conseguia segurar o futebol vistoso e inteligente do adversário. O Cruzeiro jogava com facilidade. Teve mais de 65% da posse de bola e chegava com qualidade e facilidade ao gol. Não demorou para os gols saírem, primeiro com Rômulo, depois com Wallyson.
A expulsão (justa, ao meu ver) de Mazolla no fim do primeiro tempo encaminhou uma goleada e um show ainda maior no segundo tempo. Cuca mexeu pensando em segurar jogadores que estavam pendurados. De fato, parecia fácil, mas os gols perdidos principalmente por Wallyson complicaram o jogo.
Foram 10 minutos de cochilo do Cruzeiro para o Guarani dominar o meio-campo e dar o susto. Dois gols seguidos e um empate heróico com um jogador a menos. Mas não demorou e o Cruzeiro marcou mais duas vezes (Fabinho e Farías) antes de se dar ao luxo de perder pelo menos mais três ótimas chances de gol.
O futebol vistoso e a quinta vitória consecutiva empolgam. O Cruzeiro não tem o melhor time e nem o melhor elenco. Mas tem o grupo mais homogêneo do Brasileirão. Os reservas estão à altura dos titulares e Cuca tem opções de sobra para montar seu time mesmo em meio à tantos desfalques. Se o vacilo pode ser fatal em outras partidas, fica o alento pela consciência e pela qualidade apresentados diante de mais um adversário.
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Permito-me dizer que desde 2003 o Brasil não tem um campeonato tão equilibrado. Tão cheio de altos e baixos. Igualdade, mostrada nos placares. Dos 10 jogos da 22ª rodada, cinco terminaram empatados.

No sábado, o Avaí perdeu a invencibilidade de 11 jogos. Foi derrotado pelo Coritiba, por 2 a 0 no Couto Pereira. Resultado que não preocupa o ainda sexto colocado da competição. O objetivo dos avaianos na competição está muito perto de ser conquistado. Já o Coritiba, começa a emplacar com o ótimo Ney Franco. O time já é 15º e completo, deve subir na tabela. Mas o técnico não servia para o Botafogo...
Que repetiu o empate do último fim-de-semana. 3 a 3. Desta vez em casa, contra o Grêmio. Não deixou, porém, de ter a influência da arbitragem. Rodrigo Martins Cintra é o nome da "fera". Deu um gol para o Grêmio depois de a bola sair pela linha de fundo e sonegou um penalti claríssimo de Adilson, para o Botafogo. Sobre o jogo: resultado ruim para os dois, mas esperado. Foi o duelo do time que não consegue vencer em casa contra o time que não consegue vencer fora de casa. Não podia ser diferente.
No jogo mais esperado da rodada, São Paulo e Palmeiras não saíram do zero. Apesar do placar, o jogo foi interessante, emocionante e muito bem disputado. As duas equipes mostraram força, principalmente na marcação, mas os atacantes não conseguiram bater os bons goleiros. O resultado deixa as duas equipes praticamente na mesma situação. E o Palmeiras, vê o Inter bem perto, pelo retrovisor. Aliás, Vágner Love, que já estava de trancinhas verdes na arquibancada, vai fazer muito bem ao alvi-verde.
Em outra decisão, o Inter finalmente mostrou a que veio. Goleou o Goiás por 4 a 0, contando com uma mãozinha da arbitragem, só para não perder o costume (falarei mais sobre arbitragem amanhã). Destaque para mais uma ótima revelação do Colorado: Marquinhos. Com um jogador a menos desde os 13 minutos (Fernandão foi expulso injustamente), o Goiás não teve como segurar a força do Inter. Destaque também para Kléber, que finalmente voltou a jogar bem. O Inter volta a encostar. E tem um ótimo time. É candidatíssimo ao título!
Se na parte de cima tudo parece indefinido, na parte de baixo a coisas vão ficando claras. No Mineirão, o Sport seguiu mostrando evolução. Merecia vencer o Atlético-MG. Mas foi castigado com o gol de Renan Oliveira. 1 a 1. Ruim para os dois times. O Sport porque segue longe de sair do Z-4, apesar da melhora em seu futebol dar algum ânimo. E o Atlético-MG, porque segue sem vencer há seis jogos e o título que a torcida chegou a sonhar, vai ficar apenas no sonho.
Se as coisas andam ruins para o Sport, pior estão para o Fluminense. Mais uma derrota. Desta vez para o Santos, por 2 a 0, na Vila Belmiro. O Fluminense é o time que mais perdeu, que tem menos pontos, que menos ganhou, que menos marcou gols. O pior time do Brasil. Oito pontos separam a equipe do último time que não seria rebaixado, hoje. O Flu, estará na Série B em 2010.
Tudo terminou como começou na rodada de ontem, do Brasileirão: empatado.

Em jogo atrasado da 16ª rodada, Santos e Inter fizeram uma partida louca, cheia de mudanças e muito interessante na Vila Belmiro. Noite dos artilheiros. E placar final: 3 a 3. Kléber Pereira marcou duas vezes para o Santos. Alecsandro fez os três para o Colorado.
Apesar de tudo, o empate não foi bom para os donos da casa, que seguem longe do G-4. Enquanto não começar a vencer os jogos dentro de casa, o time de Luxemburgo seguirá fora da briga. Já o Inter, somou mais um ponto e figura entre os melhores. Uma vitória no jogo atrasado contra o Atlético-MG, pode significar o simbólico título do primeiro turno, apesar de manter o time atrás do Palmeiras. Confuso, não? Coisas do calendário brasileiro.
No outro jogo, este sim pela 22ª rodada, Barueri e Corinthians empataram por 2 a 2. Mais uma arbitragem confusa e estranha em jogo do Corinthians. O juiz mais uma vez foi péssimo, errou para os dois lados, distribui cartões de todo jeito, e acabou marcando mais um penalti inexistente à favor do time da capital. Aliás, belo uniforme do Corinthians, apesar de com certeza, lutar mais uma vez contra alguns torcedores.
Com o resultado, os dois times seguem na briga por uma vaga no G-4. Ruim para ambos. Para o Barueri, pois o time vai precisar de fôlego e força para conquistar uma vaga na Libertadores. Para o Corinthians, porque o Brasileirão só serve para ele se for pelo título. Ficar entre os quatro primeiros não fará a menor diferença.