Depois de enfrentar um Egito que jogou e deixou jogar, o Brasil precisava de um desafio diferente nos Jogos Olímpicos. Teve contra a Bielorrússia, semifinalista do último europeu sub-21 e que tem time alto, forte e de boa qualidade técnica. Jogo difícil e que serviu para mostrar o amadurecimento do time de Mano Menezes, cada vez mais forte na briga pelo ouro.
A proposta da Bielorrússia era clara. Marcar forte, da intermediária para trás. Valorizar a posse e sair em blocos para tentar surpreender. Foi o que conseguiram logo no início de jogo, após troca de passes inteligente que encontrou o brasileiro naturalizado Renan Bressan livre porque Rafael não fechou a marcação. Vantagem no placar e possibilidade ainda maior de se fechar.
Num 5-3-1-1 que isolava Kornilenko à frente, os europeus se fecharam em 10 metros de campo. Duas linhas compactas que negavam espaços ao Brasil. Mesmo sem o mesmo brilho da estreia, o quarteto ofensivo (desta vez com Pato na vaga de Damião) soube procurar os espaços com paciência. Troca de passes de um lado para outro e a jogada diferente de Neymar para achar Alexandre em condições de empatar de cabeça.
O empate não mudou o panorama do jogo que tinha o Brasil atacando com seus quatro homens de frente, os dois laterais e Sandro mas criando pouco. Quem mais buscava o jogo era Hulk, em tarde pouco inspirada e carente de companhia pelo lado direito. Jogo que só mudaria na etapa final.
E mudou porque Neymar resolveu jogar. Chamou a responsabilidade e deixou o lado esquerdo do campo. Se movimentando mais, o atacante do Santos encontrou espaços para desarticular um pouco o bem montado time bielorrusso. Na primeira falta que sofreu na entrada da área, Hulk acertou a barreira. Na segunda, ele mesmo cobrou com perfeição. A vantagem deu tempo para o Brasil trabalhar a bola sem pressa e achar espaços com Neymar. Já no fim, uma arrancada fenomenal terminou com passe para Oscar definir o marcador.
A vitória mostra maturidade de um time que teve que reverter uma situação adversa difícil. Um adversário forte, fechado e com vantagem no placar é um teste importante. O Brasil não teve brilho coletivo mas soube controlar o jogo, não se desorganizar e vencer. E mostrou Neymar. Se assumir o protagonismo que dele se espera, o jovem pode levar o time ao ouro. Não é responsabilidade só dele, como não deveria ser no Santos. Mas é um alento e uma arma fundamental, que pode e fará toda a diferença.
No primeiro duelo na semifinal brasileira da Libertadores, o Corinthians levou a melhor. Simplesmente porque parece pronto para superar qualquer obstáculo. É um time pronto, preparado para todos os desafios. Diferente do Santos, ainda muito dependente do brilho de Neymar que ontem não apareceu.
Com Elano mais uma vez aparecendo pouco e com Ganso voltando de lesão, o meio-campo santista foi engolido no início do jogo. Intensidade de um Corinthians que marcava forte mas que não se negava ao jogo. Saía com inteligência, explorando os espaços na defesa santista e era melhor. Paulinho, o melhor em campo, era a válvula de escape de um time que não tem seus homens de frente em grande fase.
Em uma escapada do volante, que deveria ser seguido por Ganso mas não foi, Henrique deslocado para a lateral direita saiu para dar o bote e deixou Émerson sozinho. Golaço que fazia justiça para o time mais organizado em campo.
Antes e depois do gol, a estratégia do Santos era a mesma. Bola em Neymar, que circulava pelo campo para fugir da marcação e embora recebesse com algum espaço muitas vezes, não teve noite inspirada. O time de Muricy não ameaçava e voltou com Borges na vaga de Elano no segundo tempo. Com Alan Kardec pela direita como em outras oportunidades, o time poderia envolver e criar. Mas a única alternativa na etapa final, contra um adversário ainda mais fechado, foi alçar bolas na área. Sem sucesso.
O Corinthians não tem nenhum grande craque, mas tem um time coeso, competitivo e principalmente maduro. Não dá pinta que deixará escapar a vaga no Pacaembu. Tite atinge o auge de seu trabalho com uma equipe que erra cada vez menos. E se as poucas ideias do Santos não forem compensados com muitas ideias de Neymar, é difícil imaginar que a vantagem será revertida na partida da semana que vem.
O Santos entrou em campo classificado e em ritmo de festa contra o The Strongest. É preciso lembrar disto assim como é preciso avaliar o quão abaixo tecnicamente está o time boliviano em relação ao de Muricy Ramalho.
Embora estivesse até os 40 minutos do segundo tempo há um gol da classificação, o The Strongest em nenhum momento ameaçou o Santos. Porque sabia que não tinha condições de encarar o adversário. Respeitou um time que não respeitou a importância do jogo.
O Santos teve a bola e controlou o jogo. Aos poucos, vai se acostumando a ser um time mais paciente. Mas é pouco criativo. Se Neymar ou Ganso não tiram algo de diferente da cartola, o jogo fica modorrento, chato. O Santos toca, toca, mas não produz.
Produção ofensiva que melhora com Alan Kardec, autor do primeiro gol. Presença de área, boa movimentação e participação intensa fazem o atacante merecer mais espaço no time de Muricy. Pode ser uma alternativa diferente de jogar.
Por sorte, Neymar está sempre tirando algo da cartola. Ganso ainda não encontrou a regularidade do companheiro embora quando brilhe faça do time santista ainda mais espetacular.
Sorte do Santos, sorte do Internacional. Num grupo onde deveriam sobrar tecnicamente, nenhum dos dois sobrou (apesar da ótima campanha, em números, do Peixe). Os desafios que estão por vir serão ainda maiores e eles vão precisar de mais.
A quarta-feira foi um prato cheio para fãs de futebol. Show do Barcelona de Messi. Show do Santos de Neymar. Um prato cheio também para bate-bocas intermináveis, comparações sem sentido e perda de tempo.
O camisa 10 do Barcelona deu mais uma demonstração de sua genialidade. Fantástico, marcou cinco dos sete gols do Barcelona sobre o Bayern Leverkusen no 7 a 1 que classificou o time para as quartas de final da Champions League. Não foi em campeonato estadual muito menos contra um time fraco (embora há de se destacar a atuação abaixo da crítica do sistema defensivo alemão).
O argentino que não se cansa de bater recordes foi o primeiro a cinco gols em uma única partida na fase "moderna" da Champions. Chegou a 228 gols com a camisa do Barcelona, apenas 7 a menos que César Rodriguez, maior artilheiro do clube na "era profissional". Já são 49 gols na história da Champions, apenas 12 a menos que Raul o maior artilheiro da competição. Nesta temporada, 48 gols em 42 jogos. Na principal competição do continente, 12 em 7 partidas. Números de um monstro.
Mais tarde foi a vez de Neymar. Na Vila Belmiro, deu mais uma demonstração de sua qualidade e maturidade. Comandou o Santos na importante vitória sobre o Internacional por 3 a 1, marcando os três gols. Um de penalti e duas pinturas. O segundo, principalmente, quando arrancou ainda no campo defensivo por 65 metros até estufar as redes de Muriel. Aos 20 anos, Neymar já é protagonista no futebol sul-americano e principal nome da seleção de Mano Menezes.
Terminam os jogos e começam as chatas comparações. Messi, Pelé, Maradona, Neymar. Todas sem sentido, afinal é impossível medir com clareza qual o maior. Injusto comparar Pelé com Messi porque jogaram em épocas muito diferentes. Assim como comparar Neymar com Messi, pois o craque do Santos ainda está um estágio abaixo do rival em termos de maturidade e tempo de jogo.
A besteira em compará-los é tão grande quanto a de querer diminuí-los. Não querer enxergar que Messi é um jogador sem igual e que Neymar é um atacante extraordinário é tapar os olhos para o óbvio.
O meu conselho? Comparem menos e aproveitem mais. Poder acompanhar Messi e Neymar é um privilégio.
E os 11 titulares da Seleção Marcação Cerrada do Campeonato Brasileiro 2011 estão escalados. Pela primeira vez o ataque tem um "bi-campeão".
Neymar brilhou com a camisa do Santos. Não jogou todos os jogos mas brindou o público com jogadas e gols espetaculares. Se mantém no time depois de ser um dos melhores atacantes em 2010. E parece disposto a ter vida longa na Seleção do Marcação.
Fred também brilhou. Carregou nas costas o Fluminense na parte mais importante do Campeonato e arrecadou votos deixando até o artilheiro Borges para trás.
Quem foram os dois melhores atacantes do Campeonato Brasileiro?
Borges (Santos)
12,50% (4 votos)
Deivid (Flamengo)
3,13% (1 voto)
Fred (Fluminense)
18,75% (6 votos)
Júlio César (Figueirense)
6,25% (2 votos)
Leandro Damião (Internacional)
9,38% (3 votos)
Liédson (Corinthians)
9,38% (3 votos)
Loco Abreu (Botafogo)
3,13% (1 voto)
Neymar (Santos)
21,88% (7 votos)
Ronaldinho Gaúcho (Flamengo)
9,38% (3 votos)
William (Avaí)
6,25% (2 votos)
Total: 32 votos
Estes são os 11 escolhidos para a Seleção Marcação Cerrada do Campeonato Brasileiro de 2011:
O ataque é a posição com maior rotatividade na Seleção Marcação Cerrada. Ainda não há um "bi-campeão". Entre os que já apareceram, a maioria não disputou o Campeonato Brasileiro de 2011. Mas Borges, Keirrison, Adriano e Neymar tiveram a chance de serem os primeiros a aparecerem pela segunda vez.
Confira quem acabou indicado e vote:
Borges (Santos) - O faro de gol de sempre. Foi artilheiro da competição. Em 2008, esteve na Seleção jogando pelo São Paulo.
Deivid (Flamengo) - Muito questionado, venceu a desconfiança com gols. Fez 15 e foi o terceiro artilheiro da competição.
Fred (Fluminense) - Cresceu na reta final marcando gols decisivos para o Fluminense. Foi vice-artilheiro do Campeonato.
Júlio César (Figueirense) - Grata surpresa ofensiva do Brasileirão. O atacante mostrou qualidade e fez gols fundamentais na boa campanha do Figueira.
Leandro Damião (Internacional) - Uma pena a grave lesão em seu melhor momento no ano. Mas fez golaço e esteve perto de se firmar no time de Mano Menezes.
Liédson (Corinthians) - Atrapalhado pela forma física, não conseguiu render mais. Mas fez 12 gols, boa parte deles decisivos para o título do Corinthians.
Loco Abreu (Botafogo) - Experiente e decisivo. Marcou gols importantes, deu declarações importantes e mais uma vez foi o principal nome do Botafogo.
Neymar (Santos) - Jogou menos, mas jogou muito. Golaços, dribles fantásticos, jogadas decisivas. O astro do Santos torna-se cada vez mais do mundo. Estava na Seleção 2010.
Ronaldinho Gaúcho (Flamengo) - Decisivo para o Flamengo com gols e passes. Caiu na reta final, mas teve bom retorno ao futebol brasileiro.
William (Avaí) - O único que se salvou na desastrosa campanha do Avaí. Fez 14 gols e conseguiu chamar alguma atenção no time que acabou rebaixado.
Se Muricy não poupar, Neymar pode ser a surpresa da reta final do prêmio Destaque do Brasileirão. Destaque da vitória do Santos sobre o Vasco ele encosta nos líderes Diego Souza e Montillo. E foi o primeiro a brilhar em duas rodadas consecutivas. Veja:
Bernardo (Vasco) - 1ª rodada Leonardo Silva (Atlético-MG) - 2ª rodada Anderson Aquino (Coritiba) - 3ª rodada William (Corinthians) - 4ª rodada Rogério Ceni (São Paulo) - 5ª rodada Liédson (Corinthians) - 6ª e 22ª rodadas Oscar (Internacional) - 7ª rodada Montillo (Cruzeiro) - 8ª, 16ª e 19ª rodadas Marcelo Grohe (Grêmio) - 9ª rodada Paulinho (Corinthians) - 10ª rodada Diego Souza (Vasco) - 11ª, 24ª e 26ª rodadas Ronaldinho Gaúcho (Flamengo) - 12ª rodada Dedé (Vasco) - 13ª rodada Dagoberto (São Paulo) - 14ª rodada Cícero (São Paulo) - 15ª rodada Émerson (Corinthians) - 17ª rodada Leandro Damião (Internacional) - 18ª e 23ª rodadas Borges (Santos) - 20ª rodada André Lima (Grêmio) - 21ª rodada Fernando Prass (Vasco) - 25ª rodada Fernando Henrique (Ceará) - 27ª rodada Bottinelli (Flamengo) - 28ª rodada Élton (Vasco) - 29ª rodada Fred (Fluminense) - 30ª rodada Wellington Nem (Figueirense) - 31ª rodada Neymar (Santos) - 32ª e 33ª rodadas
Quem foi o destaque da 33ª rodada do Brasileirão?
Thiago Neves (Flamengo)
18,18%
Neymar (Santos)
45,45%
Deco (Fluminense)
36,36%
Vamos agora eleger o melhor da 34ª. Veja os candidatos:
Luis Fabiano (São Paulo) - Desencantou e marcou os dois gols na vitória do Tricolor sobre o Avaí por 2 a 0.
Bruno Aguiar (Santos) - O zagueiro teve atuação destacada marcando duas vezes na vitória dos reservas do Santos por 3 a 2 sobre o Ceará.
Dedé (Vasco) - Cada dia melhor, voltou a balançar as redes desta vez contra o Botafogo. Grande atuação também na defesa. Foi destaque na 13ª rodada.
Basta abrir um site esportivo de qualquer canto do mundo para notar o que representa o anúncio de que Neymar vai ficar no Santos até 2014. O craque santista rapidamente virou capa de centenas de portais, com destaque inclusive no site da FIFA.
Antes de mais nada, é preciso exaltar o Santos e seu presidente, Luís Alvaro. Conseguir manter um jogador do calibre de Neymar por aqui é uma novidade que pode mudar o panorama do futebol brasileiro nos próximos anos. Atrai ainda mais atenção internacional e tem tudo para mostrar aos garotos que nem sempre ir para o exterior é o melhor caminho, principalmente antes de sequer se firmar por aqui. Ótimo para o Santos, ótimo para o futebol (e para o torcedor) brasileiro.
Mas nem só de "exclamação" vive o fico de Neymar. A questão deixa algumas dúvidas.
A primeira delas é quanto à evolução de Neymar. Apesar de já estar entre os 23 melhores jogadores do mundo (além de o mais jovem é o único que não joga no futebol europeu), sabe-se que o garoto desta vez é apenas "mais um". Seria histórico para ele, conseguir vencer o prêmio aqui no Brasil, mas a dificuldade é ainda maior. Porque vai depender de ótimas atuações e também de conquistas importantes (Libertadores, Brasileiro, Mundial).
Além disso, Neymar é hoje o principal nome da seleção para 2014. A experiência de atuar na Europa antes disso, daria "peso" e "cancha" para o jogador. Provavelmente faria bem para ele. Certamente faria bem para a seleção.
A última grande interrogação é sobre a participação do Banco do Brasil no negócio. Banco público é feito de dinheiro público. E eu acho que no Brasil há coisas mais importantes para serem resolvidas do que a permanência ou não de um jogador. Mas como a questão é nebulosa, fica apenas a interrogação. As coisas poderiam, e deveriam, ser mais claras.
É impossível saber se Neymar se jogar na Europa faria bem ao seu futebol (embora os indícios deixem claras as impressões de que não seria diferente). É certo que a jóia pode brilhar cada vez mais no Brasil.
Em 2014, Neymar terá entre 22 e 23 anos. Tempo mais que suficiente para ter feito história por aqui, ter reconhecimento mundial e construir uma carreira longa e de sucesso no futebol europeu. E por isto, mais do que a exclamação, o fico de Neymar merece muitos aplausos.
Ele resolveu decidir na reta final a favor do Santos. Neymar brilhou na goleada do Santos sobre o Atlético-PR marcando 4 gols e só agora entra na lista de destaques da competição. Veja:
Bernardo (Vasco) - 1ª rodada Leonardo Silva (Atlético-MG) - 2ª rodada Anderson Aquino (Coritiba) - 3ª rodada William (Corinthians) - 4ª rodada Rogério Ceni (São Paulo) - 5ª rodada Liédson (Corinthians) - 6ª e 22ª rodadas Oscar (Internacional) - 7ª rodada Montillo (Cruzeiro) - 8ª, 16ª e 19ª rodadas Marcelo Grohe (Grêmio) - 9ª rodada Paulinho (Corinthians) - 10ª rodada Diego Souza (Vasco) - 11ª, 24ª e 26ª rodadas Ronaldinho Gaúcho (Flamengo) - 12ª rodada Dedé (Vasco) - 13ª rodada Dagoberto (São Paulo) - 14ª rodada Cícero (São Paulo) - 15ª rodada Émerson (Corinthians) - 17ª rodada Leandro Damião (Internacional) - 18ª e 23ª rodadas Borges (Santos) - 20ª rodada André Lima (Grêmio) - 21ª rodada Fernando Prass (Vasco) - 25ª rodada Fernando Henrique (Ceará) - 27ª rodada Bottinelli (Flamengo) - 28ª rodada Élton (Vasco) - 29ª rodada Fred (Fluminense) - 30ª rodada Wellington Nem (Figueirense) - 31ª rodada Neymar (Santos) - 32ª rodada
Quem foi o destaque da 32ª rodada do Brasileirão?
Neymar (Santos)
55,56%
Rafael Sóbis (Fluminense)
16,67%
André Lima (Grêmio)
27,78%
Vamos agora votar no destaque da 33ª rodada. Veja os candidatos:
Thiago Neves (Flamengo) - Fez três gols na goleada do Flamengo sobre o Cruzeiro por 5 a 1.
Neymar (Santos) - Mais uma grande atuação. Fez um gol e deu passe para outro na vitória por 2 a 0 sobre o Vasco. Foi destaque da 32ª rodada.
Deco (Fluminense) - Duas assistências perfeitas e grande atuação na vitória do Fluminense sobre o Inter por 2 a 0.
Messi pulverizou nesta semana mais um recorde pelo Barcelona. Com os três marcados sobre o modesto Viktoria Plzen, alcançou 202 em partidas oficiais pelo clube espanhol em 286 partidas. Já é, aos 24 anos, o segundo maior artilheiro do clube atrás apenas de César Rodriguez que marcou 235 (Paulino Alcantara fez 357 em partidas não-oficiais). Ganhou 5 títulos espanhois, 1 Copa do Rey, 5 Supercopas da Espanha, 3 Champions Leagues, 1 Mundial de Clubes e outros incontáveis títulos. Foi eleito o melhor jogador do mundo e caminha a passos largos para ganhar pela terceira vez consecutiva (será o primeiro na história).
Messi tem 281 gols na carreira. Considerando a média (incrível) de 54 gols das últimas três temporadas, precisaria de mais 13 temporadas no mesmo nível para chegar aos 1.000. Pouco provável. No futebol competitivo atual (embora o Barcelona muitas vezes faça parecer que não é), Messi se destaca com sobras. E se não consegue carregar a Argentina nas costas, a culpa é da Argentina e o azar também.
O fato é que Messi encanta. O repertório parece não ter fim, as mágicas também não. Ainda tem tempo, capacidade e cabeça, para conquistar mais. E vai.
Cristiano Ronaldo também aproveitou a semana para bater uma marca importante. Com os dois tentos sobre o Lyon, chegou a 100 com a camisa do Real Madrid. Em impressionantes 105 jogos. Embora ainda esteja muito atrás da artilharia máxima do clube (323 gols em 16 temporadas), tem uma média impressionante de gols. Se mantiver, precisará de nada menos do que 4 anos mais de Real Madrid para superar a liderança.
Cristiano Ronaldo é marrento. Gosta do marketing, gosta de aparecer nas câmeras, é metrosexual. Mas dentro de campo é um monstro, completo. Tem força, velocidade, técnica e é cada dia mais letal dentro da área. Só não foi eleito o melhor do mundo porque teve o azar de viver em tempos de Lionel Messi.
O último atacante a atingir feito importante nesta semana foi Neymar. Aos 19 anos, está entre os 23 selecionados para concorrer ao prêmio de melhor jogador do mundo. Será uma surpresa enorme se ficar entre os três, mas tem motivos de sobras para comemorar. Primeiro porque é o único da lista que não atua no futebol europeu. Segundo, pois ainda está dando os primeiros (e fantásticos) passos no futebol.
Neymar começou a carreira cedo, mas ainda está no início dela. Ganhou títulos paulistas, foi protagonista na Libertadores. "Sofre" com o assédio europeu mas ainda queima lenha no Brasil. Já é o principal nome na seleção de Mano, já é o melhor jogador brasileiro em atividade e já carrega a responsabilidade de comandar o país que vai disputar a próxima Copa do Mundo em casa.
O atacante do Santos ainda é um garoto. Mas amadurece a passos largos e aumenta o repertório a cada semana. De gols, de jogadas, de encantamento. Em breve, provavelmente será testado na Europa e provará que tem potencial para conquistar ainda mais. Pode, no futuro, brigar com Messi e Cristiano Ronaldo pelo posto de melhor do planeta embora hoje, por tudo, ainda esteja abaixo.
Você pode gostar mais ou menos de algum deles. Você pode não gostar de nenhum.
Mas os números estão aí. E são impressionantes! Sorte de quem pode acompanhar de perto três jogadores extraordinários, em estágios e situações diferentes que ainda parecem ter espaço para mais.
Wellington Nem permitiu ao Figueirense sonhar com uma vaga na Libertadores. A grande atuação diante do Palmeiras (com um gol e uma assistência) lhe rendeu vaga na lista de Destaques do Brasileirão. Veja:
Bernardo (Vasco) - 1ª rodada Leonardo Silva (Atlético-MG) - 2ª rodada Anderson Aquino (Coritiba) - 3ª rodada William (Corinthians) - 4ª rodada Rogério Ceni (São Paulo) - 5ª rodada Liédson (Corinthians) - 6ª e 22ª rodadas Oscar (Internacional) - 7ª rodada Montillo (Cruzeiro) - 8ª, 16ª e 19ª rodadas Marcelo Grohe (Grêmio) - 9ª rodada Paulinho (Corinthians) - 10ª rodada Diego Souza (Vasco) - 11ª, 24ª e 26ª rodadas Ronaldinho Gaúcho (Flamengo) - 12ª rodada Dedé (Vasco) - 13ª rodada Dagoberto (São Paulo) - 14ª rodada Cícero (São Paulo) - 15ª rodada Émerson (Corinthians) - 17ª rodada Leandro Damião (Internacional) - 18ª e 23ª rodadas Borges (Santos) - 20ª rodada André Lima (Grêmio) - 21ª rodada Fernando Prass (Vasco) - 25ª rodada Fernando Henrique (Ceará) - 27ª rodada Bottinelli (Flamengo) - 28ª rodada Élton (Vasco) - 29ª rodada Fred (Fluminense) - 30ª rodada Wellington Nem (Figueirense) - 31ª rodada
Quem foi o destaque da 31ª rodada do Brasileirão?
Wellington Nem (Figueirense)
44,44%
Diego Souza (Vasco)
33,33%
Anselmo Ramon (Cruzeiro)
22,22%
Hora de escolher o destaque da 32ª rodada. Veja e vote:
Neymar (Santos) - Marcou quatro gols, teve outros dois anulados e deu um show na goleada do Santos por 4 a 1 sobre o Atlético-PR.
Rafael Sóbis (Fluminense) - Fez os dois gols da virada do Flu sobre o Ceará por 2 a 1, que manteve o time sonhando com o título.
André Lima (Grêmio) - Fundamental com dois gols na virada do Grêmio sobre o Flamengo por 4 a 2. Foi destaque na 21ª rodada.
Não dá para achar um vexame a derrota do Botafogo para o bom time do Santos na Vila Belmiro por 2 a 0. Toda vez que quer jogar e leva uma partida a sério, o time paulista é favorito a vencer. Porque tem bola, tem Borges e tem Neymar.
O questionável é a postura. O Botafogo hoje jogou uma decisão, que poderia levá-lo à liderança isolada do Campeonato Brasileiro. Não entrou em campo como tal. Quando acordou para o que se passava no gramado da Vila Belmiro já perdia por 2 a 0, com 28 minutos.
Primeiro, Neymar fez um carnaval e um golaço. De craque que é. Depois, Borges completou para as redes o seu 22º gol em 28 jogos pelo Peixe. O Grêmio, para o qual o atacante não servia, fez 34 em 30 jogos e tem o segundo pior ataque do Brasileirão.
Com 2 a 0 no placar, o Santos diminuiu o ritmo. E perdeu Borges, machucado. O Botafogo, trocou o perdido Bruno Tiago por Léo e equilibrou o jogo. Tentou pressionar, mas não conseguiu somar pontos na Vila.
Jogos como este, mostram como o Santos perde o Brasileirão. Poderia brigar pelo título, mas não o faz porque em raros jogos entrou querendo a vitória mais do que o adversário. Além de perder a disputa, Muricy perdeu a chance de preparar o time para o Barcelona e de poupar seus principais jogadores (Borges hoje sentiu o desgaste, outros que jogaram muito na temporada não devem demorar a sentir). Ou seja, perdeu tempo.
Já o Botafogo, perdeu pontos que seriam fundamentais na briga pelo título. O espírito precisa ser revisto. Se não encarar os jogos daqui em diante como decisões que são, o alvinegro pode perder uma grande chance de levantar um troféu. Tem time, tem elenco e tem trabalhado para merecê-lo. Mas a reta final será cruel.
Confesso que desliguei a televisão para aproveitar meu sábado aos 48 minutos do segundo tempo no Raulino de Oliveira. Me permiti relaxar achando que o resultado estava definido. Pelo rádio, fiquei sabendo alguns minutos depois, que o Fluminense conseguiu mais uma vitória épica. 3 a 2 justo em um grande jogo, onde venceu quem se interessou mais pelo resultado.
Por já ter "cumprido seu papel" na temporada e estar longe do título, é agradável ver o Santos. Principalmente por ter em seu time um jogador que se preocupa muito pouco com o que já passou e não se cansa de querer provar. Neymar é diferente. É interessado, se dedica, não tem a frescura do excesso de jogos. Joga e encanta.
E empurra o Santos, que começou melhor. Chegando com facilidade ao gol de Cavalieri, principalmente pela esquerda. Criou ótimas oportunidades e desperdiçou gols. E justamente quando o Fluminense crescia no jogo, abriu o placar com Neymar. O Flu já acertara a marcação e jogava no campo ofensivo. Marquinho e Fred se movimentavam bem pelo meio, incomodando a defesa santista e levando perigo. Tabela entre os dois no fim da etapa inicial, deu números justos ao placar.
Na volta para o intervalo, o jogo empolgante ficou no vestiário. O ritmo caiu graças ao gramado pesado. O Santos não parecia incomodado com isto e se acomodou no jogo. Enquanto o Fluminense fazia sua decisão, ainda esbarrando em suas deficiências. Mas tanto batalhou até que Rafael Sóbis acertou chutaço da entrada da área. Com o 2 a 1, o time ganhou a tranquilidade que precisava para trabalhar a bola e seguir sem riscos. Já que o Santos seguia sem demonstrar preocupação.
A tranquilidade que sobrava ao Flu, porém, faltou para Digão. Que exagerou na força contra o estreante Rentería e levou o cartão vermelho. Que obrigava o Santos a jogar novamente. O visitante o fez, até que o interessante reforço chamado Rentería empatou novamente o jogo.
O fim é o que eu já disse. Não vi, mas o Fluminense conquistou a vitória com Márcio Rosário de cabeça. Que permite ao time ainda sonhar com o título, apesar de estar longe de encantar. Do outro lado, o Santos encanta, mas não se permite subir na tabela pela falta de interesse. Que sobrou do outro lado. O justo vencedor!
Ele vinha ficando no banco de reservas. Recuperou o lugar no time e já foi o Destaque da Rodada. Com dois gols sobre o seu ex-time, Diego Souza agora é o segundo jogador do Vasco na lista. Veja:
Vamos agora ao destaque da 12ª rodada. Veja os concorrentes e vote:
Lucas (São Paulo) - Uma grande atuação diante do Coritiba. E um gol de encher os olhos, por cobertura na vitória do São Paulo por 4 a 3.
Neymar (Santos) - É a primeira vez que um jogador que perdeu o jogo aparece como candidato. Neymar fez de tudo na Vila: dribles gol(aços) e assistência.
Ronaldinho (Flamengo) - Só não fez chover na Vila Belmiro. Grandes jogadas e três gols, decisivos na virada histórica do Flamengo sobre o Santos.
Quem acompanha o blog e meu Twitter, sabe das minhas milhões de ressalvas aos trabalhos de Muricy Ramalho. Vitorioso, o atual técnico do Santos sempre priorizou o futebol de resultado. Obteve resultados inegáveis. Jamais encantou.
Se gosta de futebol (e eu acredito que goste), Muricy Ramalho saiu satisfeito da Vila Belmiro ontem à noite. Mesmo com a derrota para o Flamengo, que deixa o Santos, com muitos jogos atrasados, longe de brigar por alguma coisa no Campeonato Brasileiro.
O 5 a 4 para o Flamengo foi o melhor jogo do ano no Brasil. Talvez, o melhor dos últimos anos. Eletrizante, empolgante, mágico. Teve grandes lances, grandes jogadores e gols. Muitos gols!
Desde os primeiros minutos, quando saiu na frente, o Santos deixou a impressão que jogaria e deixaria jogar. Quando Borges abriu o placar após bela jogada coletiva, o Flamengo já havia perdido duas boas chances. Deivid perdeu gol incrível antes de Deivid ampliar antes de jogada genial de Neymar. O Flamengo criava e não fazia. O Santos criava e ampliava. Neymar, em lance de cinema, ampliou o marcador.
O placar indicava um massacre. O jogo, indicava equilíbrio. Ainda no primeiro tempo, Elano bateu penalti de maneira tosca (terminando com defesa e embaixadinhas de Felipe) e o Flamengo marcou três vezes. Empate sensacional por 3 a 3.
No segundo tempo, embora o número de gols tenha caído, o jogo seguiu ótimo. Neymar e Ronaldinho comandavam suas equipes com atuações individuais acima da média. Neymar marcou outro belo gol. Ronaldinho foi a rede duas vezes (uma delas em cobrança de falta magistral e nada inédita).
No fim, o Flamengo conseguiu vitória espetacular por 5 a 4, seguiu na luta pelo título e deu enorme demonstração de força. Luxemburgo faz trabalho sólido e altamente positivo, mesmo com várias carências no elenco. É o único invicto no Brasileirão e só tem uma derrota na temporada.
Voltando ao Santos, ficou claro que havia supervalorização dos jogadores de defesa graças ao ótimo sistema defensivo. O primeiro semestre acima da média de Adriano, escondeu que os zagueiros são lentos e os laterais marcam mal. Sem eles, o Santos fica exposto além da conta e escancara seus problemas individuais.
Apesar disto, foi um time bom de ver. E que esteve muito perto da vitória. O Santos que joga e deixa jogar não tem nada da cara de Muricy Ramalho. E isto é ótimo!
Muricy tem a chance de sua carreira. Já mostrou que sabe vencer. Com um time espetacular em mãos, pode aprender a ganhar jogando um futebol atraente e coletivo. Que esta derrota, não mude os rumos da equipe santista. Agarrando esta chance, Muricy se tornará, de longe, o melhor técnico do país. E eu torço por ele. E pelo futebol. E pelo espetacular Santos.
Antes dos inacreditáveis quatro penaltis batidos de forma bizonha pela Seleção Brasileira diante do Paraguai, houve bom futebol em La Plata. Um time organizado, consistente, que dominou amplamente o adversário e empilhou chances perdidas. Teve mais posse de bola e controlou o jogo (16 finalizações contra apenas 4 do adversário, uma delas no gol).
Taticamente o Brasil fez sua melhor partida na Copa América. E perdeu. Como disse Mano Menezes, não adianta jogar melhor e não marcar gols. O Brasil não fez. Porque como em toda a competição, faltou o brilho individual que tanto se esperava principalmente da dupla Ganso e Neymar que não fizeram mais do que uma Copa América regular.
Contra um Paraguai que vai avançando sem vencer uma partida se quer, o Brasil fez o que dele se esperava. Teve apoio dos laterais, posse de bola qualificada e chances de gol. Pecava no último passe. Mas não dava chances ao adversário. A defesa voltou a mostrar a segurança de outras partidas. Méritos do Brasil, mas também demérito do adversário, que fez partida ruim em todos os aspectos.
Veio a prorrogação e o ritmo do jogo caiu porque obviamente não valia a pena se expor. Mano ainda favoreceu os paraguaios ao tirar Ganso, que mesmo mal na partida, podia decidir com um passe magistral como fez nos outros jogos. O Brasil não ameaçou mais e o jogo foi para os penaltis.
O que se viu daí em diante foi um show de horrores certamente já conhecido por todos. Quatro penaltis muito mal batidos. A inaceitável desculpa do gramado. E uma eliminação dolorida e histórica. Em oitavo, o Brasil fez sua pior participação na Copa América em todos os tempos.
Ainda é cedo para questionar ou pedir a cabeça de Mano Menezes apesar do resultado. As principais esperanças do nosso futuro são garotos jovens e que podiam sentir a primeira competição oficial com a amarelinha como sentiram. O caminho a ser percorrido é longo e o desenvolvimento será paulatino. A geração é boa e já comprovou isto em seus clubes. Além disso, porém, é preciso que Mano deixe de lado algumas convicções e, principalmente, algumas teimosias bobas com Marcelo, Hernanes e Hulk. Eles poderiam ajudar. Assim como outros.
O futebol é assim. Com a Argentina, acharíamos graça. Com o Brasil, a tendência é jogar tudo por terra. As feridas ficam. O aprendizado também precisa ficar.
Teve tudo que uma final de Libertadores pede: emoção, disputa, lances ríspidos, discussão, briga. Mas teve também futebol. Bem jogado e qualificado de um Santos que não parece ter limites para parar. O glorioso alvinegro praiano soube jogar quando foi preciso, tendo a cara leve dos "meninos da Vila" e soube ser pragmático como reza a cartilha de seu treinador quando era o momento. Resultado: venceu o Peñarol e conquistou o tri-campeonato da Libertadores.
Com Ganso no time titular, o Santos ganhou o toque qualificado que faltou na primeira partida. Era o arco perfeito para acionar Neymar, a flecha decisiva durante a competição. Com ele, o Santos tomou a rédea do jogo desde o início e não deu brechas para o adversário. Muito disto graças a mais uma partida incansável e impecável de Adriano, destacado para marcar o melhor jogador do Peñarol e que engoliu Martinuccio mais uma vez.
Sem permitir que Martinuccio jogasse, o Santos não permitiu que o adversário jogasse. O Santos perdeu um jogador, o Peñarol parecia ter perdido onze.
No primeiro tempo, o domínio foi claro e absoluto embora o Santos não conseguisse levar perigo ao gol de Sosa. Faltava capricho no último passe e movimentação mais efetiva de Neymar à frente. Nas duas vezes que o atacante saiu da marcação forte imposta pelo lateral direito Gonzales, Ganso o achou com belos passes, faltando detalhes para o gol.
O primeiro tempo passou com apenas uma chance clara de gol para o Santos. Mas veio o segundo tempo e logo Arouca saiu do meio-campo para aproveitar espaço deixado pela defesa uruguaia, desmontar o sistema adversário e deixar Neymar sozinho para abrir o placar. Gol que dava tranquilidade. Gol de quem tinha que ser.
O gol desnorteou o Peñarol. Pela primeira vez na Libertadores, o time uruguaio ficou desorganizado em campo. Sem Martinuccio, faltava o toque que levaria o time ao ataque. E no desespero, todos queriam atacar. O espaço finalmente apareceu para o Santos, que só não matou o jogo porque Zé Eduardo voltou a viver noite para lá de infeliz. Quando a bola não passou pelos pés do atacante, Danilo fez jogada individual e bateu firme marcando o segundo gol do Peixe.
Com o 2 a 0, o Peñarol mostrou o nervosismo. Abusava das chegadas violentas e passou a tentar intimidar o time santista, principalmente Neymar e o nervoso Zé Love. O gol uruguaio saiu por acaso, em falha de marcação de Alex Sandro que acabara de entrar e infelicidade de Durval (que marcou seu segundo gol contra em finais de Libertadores).
O gol deu o toque de drama que faltava ao jogo nos minutos finais. Muito embora o Santos sempre tenha parecido mais perto do terceiro gol do que o Peñarol do empate. O descuido e a bobeira da defesa santista, não custou mais do que alguns minutos de tensão ao Santos. Que vibrou com justiça após o apito final.
É inegável o mérito de Muricy Ramalho na conquista do Santos. Soube acertar o sistema defensivo do time porque sabia que na frente, havia quem resolvesse. Não é o estilo que mais me agrada e tenho ressalvas com o trabalho do técnico que são sempre repetidas aqui. Mas não há como negar que Muricy é um vencedor, que trabalha simplesmente para vencer.
O Santos tri-campeão da Libertadores tem uma geração pronta para marcar época. Venceu a Copa do Brasil ano passado e a Libertadores este ano. Poderia ter ganhado o último Campeonato Brasileiro assim como é favoritíssimo neste, desde que mantenha seus principais jogadores e que não se preocupe apenas com o Mundial.
Ganso e Neymar vão ganhar o mundo. Antes, ganharam o Brasil e a América. Eles fazem bem ao Santos e ao futebol brasileiro. E são o símbolo de um time que amadureceu e que definitivamente não tem limites para crescer.
O jogo tinha todos os ingredientes para dificultar a análise do desempenho brasileiro. Primeiro porque a Romênia trouxe ao Brasil uma seleção sem seus nomes mais importantes, que já não são tão bons assim. Segundo, pois o evento da noite era a despedida do Ronaldo e era impossível separar os 15 minutos de festa do restante do jogo.
O Brasil até começou bem, aproveitando-se da fraqueza do adversário que só levou perigo em falta de muito longe que acertou o travessão. O time de Mano tinha os laterais jogando no campo ofensivo, Elias com muita liberdade e Jádson, o melhor em campo, se aproximando do trio de atacantes. Apesar da boa movimentação faltava capricho no último passe que só saiu certo quando a boa trama de Jádson e Neymar deixou o gol vazio para um ansioso Fred balançar as redes, cavar seu lugar na Copa América e homenagear Ronaldo.
O camisa 9, absolutamente acima do peso, entrou em campo aos 30 minutos e o jogo mudou. Todos na seleção queriam procurar Ronaldo, para dar-lhe a oportunidade de marcar. Todos na Romênia não pareciam dispostos a evitar, dando imenso espaço para o centro-avante. Todos, menos o goleiro Tatarusanu. Com duas boas defesas, estragou a festa e impediu o último gol do Fenômeno que ainda perdeu outra boa chance.
No segundo tempo a festa havia acabado e a motivação para o jogo também. O time brasileiro voltou sonolento e pouco inspirado. Teve a bola mas não ameaçou. Deu espaços perigosos que deixaram para os romenos a impressão de que o empate era possível. As substituições de Mano não funcionaram e mais uma vez o time deixou o campo sob vaias.
A decepção pelo desempenho bate de frente com a sensação de um time organizado, que sabe onde quer chegar. O problema é que o tempo nunca foi parceiro do técnico da seleção. É bom que Mano saiba que na Copa América os resultados vão influenciar, e muito, na sequência do trabalho. Por isto, algumas escolhas como a ausência de Marcelo e Hernanes são injustificáveis. É hora de jogar bem e vencer.
O amistoso contra a Holanda jamais valeria para vingar ou descontar a derrota na última Copa do Mundo. Mas tinha importância, pelo fato de marcar a oportunidade de Mano Menezes escalar a seleção brasileira contra um adversário qualificado e tradicional às vésperas da Copa América.
Ainda sem contar com Ganso, Mano e sua seleção tiveram dificuldades muito parecidas com a que Muricy Ramalho vem tendo no Peixe. Mais uma prova de que os jovens santistas formam a base da reconstrução e do futuro do Brasil visando 2014.
Pela primeira vez no 4-3-3, de fato, Mano esperava que Elano pudesse ser seu articulador. E assim como no Santos, faltou o passe diferenciado e um jogador capa de girar e trabalhar a bola no campo ofensivo. O time dependia da velocidade e do drible para surpreender e chegar ao ataque, tudo que passou longe no chato primeiro tempo que só valeu por duas boas tramas da Holanda que deixaram Affelay em condições de marcar e confirmaram a qualidade acima da média de Júlio César.
As vaias no intervalo e a reorganização do time mudaram o panorama do jogo nos 20 minutos iniciais do segundo tempo. Neymar e Robinho se aproximaram e participaram mais do jogo, com o santista tornando-se o protagonista da partida. E assim como no time de Muricy, ele fez a diferença com o Brasil empilhando uma sequência de gols perdidos.
As chances desperdiçadas desanimaram a seleção que voltou a diminuir o ritmo até a expulsão de Ramires, pouco depois de Mano tentar reoxigenar seu time com as entradas de Sandro, Elias, Lucas e Damião. Daí até o fim do jogo, o que se viu foi a mesma coisa que na etapa inicial: nada.
No Santos, Muricy é obrigado a usar Elano como meia devido à falta de experiência de Alan Patrick para assumir a função em jogos tão decisivos. No Brasil, Mano precisa e pode encontrar alternativas. Thiago Neves, ainda que com características diferentes, me parece o jogador mais parecido com Ganso no elenco atual. E com ele, o time pode ganhar o toque de bola e o controle da posse que necessita para funcionar melhor.
A Copa América já bate a porta e será o primeiro grande desafio de Mano na seleção. Na competição, o time será testado e cobrado, de fato. E precisará encontrar alternativas que para um clube não são tão fáceis, mas que para o Brasil precisam acontecer.
O time encantador, leve com seu DNA ofensivo ficou no passado. Com Muricy Ramalho, o Santos se tornou pragmático e ótimo na defesa (embora ainda erre muito nas bolas paradas). Se tornou, mais do que nunca, o Santos de Neymar. E por ele, o time ainda vale a pena.
Ainda sem Ganso, Muricy não fez o básico escalando Alan Patrick. Com Pará na lateral direita e Danilo novamente no meio-campo, fez de Elano o homem de ligação do 4-3-1-2 santista. Não funcionou. Elano não tem as características necessárias para ser o "10". Participou pouco do jogo e não deu ao time a fluência necessária.
Assim, mais uma vez o Santos foi o time de Neymar. Só chegou quando a bola passou pelo camisa 11. Invariavelmente, dos pés do atacante saem boas jogadas. Se o restante do time chegasse perto de seu ritmo e nível de acerto, o resultado poderia ser outro. Zé Eduardo fez mais uma partida ruim e passou longe do gol. Alan Patrick também perdeu ótima chance, no último minuto da partida. Gol que daria tranquilidade ao time para o jogo de volta no Paraguai.
Gol que Edu Dracena não perdeu aos 44 minutos do primeiro tempo. De cabeça, o zagueiro completou para as redes mais uma das incontáveis ótimas jogadas de Neymar. 1 a 0 injusto àquela altura e que ficaria ainda mais quando minutos depois Rafael conseguiu salvar cabeçada a queima-roupa dentro da área.
O Cerro Porteño tem seus méritos. Não se apequenou jogando fora de casa contra um adversário tecnicamente mais forte. Tentou jogar com marcação adiantada e manteve a posse de bola no campo ofensivo. Poderia ser ainda mais perigoso se tivesse apostado no jovem Iturbe, no segundo tempo. Lamenta o fato de não ter feito gol no Pacaembu, pois teve oportunidades para tal. Mas leva para o Paraguai uma vantagem reversível.
O Santos não jogou bem. Brilha com Neymar, não empolga no restante. Falta criatividade, leveza. Hoje, é ainda mais favorito que ontem para chegar à decisão da Libertadores. É um time que sofre poucos gols e que tem em Neymar a certeza de que em algum momento, sairá alguma boa jogada. São indiscutíveis os méritos de Muricy que vai levando o Santos à final. Mas é uma pena que o time não possa ter liberdade para jogar mais.
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