Bastava pegar a tabela das oitavas-de-final da Copa do Mundo para fazer a previsão: Paraguai e Japão fariam o jogo menos empolgante desta fase. Em campo, as equipes confirmaram as expectativas. Fizeram um jogo fraco, pouco empolgante e que só podia mesmo ser decidido nos penaltis, depois do enfadonho 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação.

Em campo, as duas equipes mostraram desde o início a maior preocupação defensiva e o medo de errar. O Paraguai, aliás, sacou um atacante do 4-3-3 que vinha funcionando bem até aqui no Mundial, para reforçar o meio-campo.
E assim, a partida teve poucas oportunidades de gol, erros de passe em profusão e jogadas toscas. Faz parte. Isto também é futebol. E não quer dizer que as equipes sejam ruins. Basta ver o show da seleção japonesa contra a Dinamarca.
A ambas porém, faltava experiência. Japão e Paraguai nunca haviam chegado ás quartas-de-final. A responsabilidade pesou e as equipes tiveram medo. Simples.
No fim, a bola no travessão de Komano, foi o único penalti errado entre os 8 batidos. Suficientes para o Paraguai fazer 5 a 3 e comemorar a classificação. Justo, para um time que mesmo jogando mal, procurou um pouco mais o gol. Suficiente para fazer história. Este já é o melhor Paraguai da história.
Deu gosto ver o time japonês diante da impotente Dinamarca. Com um time bem postado taticamente (como é característica dos asiáticos) mas com ótima fluência ofensiva graças às grandes atuações de Endo, Matsui e principalmente, Honda, o time encantou, envolveu e fez a melhor atuação coletiva da Copa do Mundo até aqui.

Como os dinamarqueses precisavam do resultado e já entraram em campo com uma postura mais ousada, foi fácil para o Japão tomar conta do meio-campo. Com toques rápidos e muita movimentação, o time encontrava facilidade para ficar próximo ao gol. E criava boas chances.
A Dinamarca no início também levava algum perigo, apesar de ter anulada sua principal peça: as subidas de Rommehdal pelo lado direito. O primeiro gol japonês em cobrança estranha de falta de Honda e falha do bom goleiro Sorensen, porém, deixou o jogo definitivamente ao feitio do time nipônico.
Não demorou para Endo, em outra bela cobrança de falta (aliás, como fazem gols de bola parada os asiáticos hein?! Não é coincidência) aumentar o placar e praticamente decretar o fim do adversário.
No segundo tempo, apesar do cansaço de alguns jogadores e de ter deixado Honda como meia pelo lado direito e mais longe do gol, o Japão seguiu melhor. E encantava. O gol em penalti inexistente marcado pelo péssimo Tommasson não mudou o jogo. Que ganhou o prêmio final com o lindo drible de Honda sobre Rommehdal e um passe de jogador diferenciado para deixar Okazaki com o gol vazio e definir o resultado.
O Japão chega à segunda fase mostrando evolução e disposto a oferecer riscos aos adversários. Não será presa fácil para o Paraguai, como poderia-se imaginar. Principalmente se o ótimo Honda seguir jogando o que vem jogando. Para mim, é um dos três melhores jogadores da Copa até aqui.
20 jogos de invencibilidade. Não é atoa que, ao lado da Espanha, a Holanda é um dos times mais esperados desta Copa. Acostumados a jogar um futebol ofensivo, sempre com três atacantes, a equipe é sinônimo de bom futebol. Até agora na África do Sul, porém, não foi bem assim.

Depois de uma estréia com pouco brilho diante da Dinamarca, a Holanda voltou a encontrar muitas dificuldades diante de um bem organizado time japonês. O 4-1-4-1 armado pelos nipônicos anulou completamente a equipe holandesa, que novamente encontrou dificuldade para penetrar na defesa adversária.
Ao meu ver, o técnico voltou a errar na escalação. Van der Vaart não funciona como meia pelo lado esquerdo. Sua troca de posição com Sneidjer em parte do jogo, é um erro ainda maior. Vaart rende menos que Sneidjer pelo meio e o craque da Inter não funciona aberto pelos lados.
O problema poderia ser corrigido com a entrada do regular Elia, que definiu o jogo de estréia mas que não é nenhuma sumidade como jogador.
De toda forma, é preciso destacar o sistema defensivo japonês. O brasileiro naturalizado Túlio Tanaka joga demais! Nakazawa, seu companheiro de defesa também é bom jogador. Com uma equipe bem organizada à frente, o Japão deixou ótima impressão.
O único gol do jogo saiu em bola que sobrou na entrada da área. E Sneidjer conseguiu acertar um belo chute para colocar os holandeses na frente e na liderança do grupo.
A Holanda vai se classificar. E com a classificação, o time ganha como bônus o retorno de Robben, que certamente fará toda a diferença. O Japão, que sonhava chegar à semifinal, pode até se classificar. Não irá tão longe. Mas dá claros sinais de evolução que podem fazer diferença nas Copas futuras.
A tradicional organização tática japonesa é o destaque no Quadro Negro do Marcação Cerrada.
Uma análise da estréia de Japão na Copa, contra Camarões. E uma quase aposta: os japoneses podem surpreender a todos e chegar à segunda fase da Copa.
Veja também a análise de outras seleções do Mundial:
Outra partida terminada em 1x0 na Copa do Mundo. Acredito, fruto do excesso de cuidado que as equipes estão tendo no início da competição. Faz sentido lembrar que uma derrota na estréia deixa a seleção sob pressão e talvez esta seja a explicação para as precauções defensivas.

O novo placar mínimo foi construído por uma organizada seleção japonesa diante de um time de Camarões repleto de problemas a serem resolvidos. Caso contrário, são enormes as chances de os africanos abandonarem a Copa sem somar um ponto sequer.
O jogo começou equilibrado. Foi mais uma partida truncada com as duas equipes deixando poucos espaços. A diferença estava no principal jogador de cada equipe. Enquanto Honda, do CSKA, jogava perto do gol camaronês, Eto'o voltava demais para buscar a bola e jogava perto da faixa lateral, muitas vezes mais como marcador do lateral adversário.
Num jogo de poucas oportunidades, venceu quem se aproveitou melhor. Dos 5 chutes do Japão à meta de Souleymanou, um estufou as redes. Justamente de Honda. Não é coincidência.
Na etapa final, o Japão jogou para garantir o resultado. Aos poucos, foi aumentando os espaços para o adversário. A entrada de Geremi melhorou muito a movimentação de Camarões. Que por pouco não conseguiu empatar: primeiro em bomba de Mbia de fora da área que pegou no travessão; depois com Webo, que obrigou Kawashima a fazer grande defesa.
O resultado justo, coloca o Japão na briga pela segunda vaga do grupo. E deixa Camarões em situação delicada. Eto'o vai precisar jogar mais e, principalmente, ficar mais perto do gol, para o time conseguir alguma coisa.