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Até quando?

No mesmo dia em que o Botafogo anunciou que não aceitará o retorno de Jóbson, o Grêmio dispensou o meia Carlos Alberto, que estava emprestado pelo Vasco até o fim do ano. Dois jogadores problemáticos que não se cansam de jogar fora grandes oportunidades e desperdiçar o talento que tem.

A passagem de Carlos Alberto pelo Grêmio durou só três meses. Em campo, não rendeu absolutamente nada. Embora raramente tenha sido escalado em sua melhor posição (jogou como um dos vértices do losango no meio-campo ou atacante, raramente como armador), o jogador decepcionou tecnicamente no Olímpico. Tanto que já havia sido preterido ao banco de reservas e que Renato Gaúcho o colocou em campo apenas nos minutos finais da última partida na Libertadores, mesmo com o time precisando de um fato novo.

Fora de campo, Carlos Alberto voltou a se envolver em diversas confusões. Discutiu com jogadores do Inter, foi expulso de jogos importantes, ficou fora de treinamentos. O custo x benefício passou longe de valer a pena.

O Vasco, que já se acertou com Diego Souza e Bernardo (além de ter contratado Juninho Pernambucano para o segundo semestre) já avisou que não aceita o retorno do jogador, que precisará buscar outro clube para jogar.

A pergunta é: será que alguém ainda tem paciência para investir em Carlos Alberto? Você investiria? Eu não.

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A mesma praça, o mesmo banco...

Muda o nome do time, a história se repete. O que aconteceu ontem no Corinthians não é nenhuma novidade. Torcida Organizada que acha que é dona do clube. Dirigentes que permitem que elas achem tal coisa. E confusão armada. Não adianta jogar pedra e falar que só acontece no Corinthians. Só nos três anos de Marcação Cerrada, já aconteceu no Vasco, Palmeiras, Fluminense, Atlético-MG e Flamengo.

Pode ter acontecido em outros times. Talvez o assunto não tenha sido tratado dor aqui por cansaço do mesmo assunto. E por isso não vou dedicar muitas linhas ao caso do Corinthians.

Todos sabiam (desde sempre) do bom relacionamento entre Andrés Sanchez e Gaviões da Fiel. As regalias dadas pelo presidente à organizada garantiram a paz e o sucesso do projeto Série B. E desde então, time e torcida viviam uma lua de mel.

Mas estava na cara. Quando faltassem resultados, o amor acabaria. E quem dá a mão, fica sem ter como tirar o braço.

O excesso de espaço da Gaviões já havia sido pivô da saída de Adilson Batista, competentíssimo, do comando do time. Agora a pressão recai sobre jogadores. Alguns inclusive, citados literalmente pela torcida no protesto, como Souza, Moacir, Alessandro e Danilo.

Independente de os jogadores serem bons ou ruins, de o time estar bem ou mal, lugar de torcida é na arquibancada. Lá, eles tem todo o direito de protestarem da forma como quiserem. Qualquer atitude contrária é absurda, retrógada e imbecil.

Aí corre o risco de o Corinthians vencer o Guarani no fim-de-semana, e ainda haverá quem diga que foi graças à pressão da torcida...

Me poupe, presidente

Acordei hoje e como de costume dei uma passada na minha extensa lista de sites e blogs relacionados ao esporte. É uma mania de todos os dias, úteis, final de semana ou feriado. Num dos primeiros sites que abri fiquei estarrecido com a manchete que dava aspas ao presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil: "Não faz mal os jogadores tomarem um cacete na madrugada".

O presidente do Galo, que completou dez rodadas na zona de rebaixamento, se referia ao "Disque Denúncia" organizado pela maior torcida organizada do clube, que pede que torcedores que verem jogadores na "noite" informem para que aja retaliação.

Kalil é um grande torcedor do Atlético-MG. Não sei se é o maior, mas certamente há poucos mais apaixonados pelo clube que ele. Quando age como presidente, tem ações interessantes, como a manutenção de seus principais jogadores, a contratação de um técnico de ponta, o investimento na estrutura do clube, etc. O problema é quando deixa este seu lado torcedor aflorar.

Não é a primeira besteira imensa que Alexandre fala na sua vida como dirigente atleticano. Provavelmente não será a última. Mas esta, talvez, tenha sido a pior de todas elas. Como pode o presidente de uma instituição centenária incitar seus torcedores (fiéis apaixonados) a violentar o patrimônio que ele suou tanto para ajudar a construir? Sim, jogadores são patrimônios em um clube de futebol.

Um jogador espancado por torcedores não vai render mais. Inclusive, pode se machucar e ficar fora do time. Kalil não mediu palavras e abriu um leque incrível de opções para os torcedores. Os jogadores do Galo, tem motivos de sobra para temer agora muito mais do que o rebaixamento no Brasileirão.

Não acho que os jogadores de um time na zona de rebaixamento irão se expor em baladas. Mas pedir que os torcedores informassem ao presidente, para que ele afastasse do elenco, seria bem mais inteligente e sensato. Mas a sensatez, mais uma vez, passou longe de Alexandre Kalil.

Em briga de marido e mulher...

O Sindicato dos Jogadores resolveu meter a colher. E ordenou (isto mesmo) que o Corinthians voltasse a colocar o goleiro Felipe para treinar junto com o elenco principal.

Antes de entrar no mérito da discussão, vamos lembrar da história. Durante a Copa do Mundo, Felipe iludiu-se com uma possível proposta do Genoa, da Itália. Colocou o carro na frente dos bois e chegou a se despedir dos companheiros de clube. Os italianos desistiram do negócio e o goleiro ficou sem ambiente no Corinthians. A diretoria, inclusive, já havia contratado outro goleiro, o apenas regular Bobadilla.

Desde então, revoltados, Mano Menezes e Andrés Sanchez afirmaram que Felipe não jogaria mais pelo Corinthians. E treinaria na academia, separado do grupo, até que aparecesse alguma proposta.

Ontem, depois de seus empresários tentarem (em vão, claro) a recisão contratual com o Corinthians, o goleiro resolveu procurar o Sindicato dos Atletas, em São Paulo, que "ordenou" ao clube a reintegração do jogador.

De fato, é desnecessária a exposição humilhante que o goleiro vem passando. O Corinthians não precisa colocá-lo para jogar. Mas pode deixá-lo treinar com os preparadores de goleiros, pelo menos.

O melhor a ser feito agora é negociá-lo o mais rápido possível. A decepção é geral. Felipe achava que poderia ir para um grande clube europeu, e deve acabar indo para um clube de terceiro ou quarto escalão para poder jogar. O Corinthians achou que faria dinheiro com ele, mas acabará aceitando a primeira proposta que aparecer.

O fim ruim para os dois de um casamento repleto de ilusão. Ambos achavam que Felipe é bem melhor do que na verdade é. Um bom goleiro e nada mais. Sua saída conturbada pode fazer com que os dois evoluam e sigam em frente.

Até quando?

A cena é recorrente. Basta um time perder alguns jogos e pronto: lá estão as Torcidas Organizadas pressionando e cobrando. De uma maneira indevida e inaceitável.

Hoje foi a vez do Vasco. Depois de três rodadas e apenas um ponto conquistado, cerca de 30 torcedores se sentiram no direito de invadir o ambiente de trabalho dos jogadores com o dedo em riste e fazer ameaças aos atletas.

Não cabia aos jogadores vascaínos outra atitude senão fingir dar ouvidos aos boçais. Foram ao centro do campo e conversaram com eles por cerca de 30 minutos.

Sempre repeti aqui no blog (quando aconteceu com o Flamengo e com o Fluminense): é inaceitável alguém invadir o seu trabalho para te fazer qualquer tipo de cobrança em tom ameaçador. Independente do que tenha se passado com a equipe é preciso distanciamento e respeito. E não é na base das ameaças que os torcedores conseguirão uma reviravolta.

Quanto ao Vasco: de fato a fase do time é ruim. Mas Celso Roth está apenas começando seu trabalho. Precisará de mais três ou quatro rodadas para conhecer o elenco. O Vasco não vai brigar pelo título. Mas acredito que com mais alguns reforços pontuais e a sequência do trabalho, não envergonhará seu torcedor. Que até merecia...

PS: O pior da história ainda estava por vir. Segundo Dinamite, a reação dos torcedores é "normal". Caso perdido. Próximo!

Que sejam punidos. E que a vida siga

A notícia pegou todos de surpresa. Neymar, André, Ganso e Mádson foram punidos no Santos por chegarem atrasados na concentração para o jogo deste fim-de-semana. O clube informa que foram cerca de 4 horas de atraso. Os jogadores, afirmam que chegaram com pouco mais de uma hora de atraso.

Não importa. Todos eles foram punidos, ficarão fora da próxima partida e serão multados no fim do mês. Justo. E que com o erro eles aprendam. É importante a atitude de Dorival, mostrando para os garotos que eles são iguais a todos os outros e também precisam seguir regras.

Agora, não é necessário e nem prudente dizer que os jogadores são irresponsáveis, que o sucesso subiu a cabeça e que eles se perderam. Todo mundo erra e isto é normal. Não pode é tornar-se recorrente.

Outra coisa: muita gente questionou que eles foram punidos apenas porque era um jogo do Campeonato Brasileiro. Que se fizessem isto antes da final da Copa do Brasil não seriam impedidos de entrar em campo pelo treinador. Óbvio. Caso fizesse isto, Dorival puniria ao clube e não aos jogadores.

Pedra no assunto. E vamos jogar futebol!

1 ano é muito tempo?

Volte 365 dias no tempo. Talvez um pouco mais. Lembre-se do Palmeiras. De Keirrison, Marquinhos, Luxemburgo. Empolgante, classificado na Libertadores, nos penaltis e na raça em plena Ilha do Retiro. Time promissor e projeto atraente.

Agora veja o que é o Palmeiras hoje. Um time sem comando, sem investimento e sem jogadores. Perdeu a Libertadores. Perdeu o título Brasileiro e a vaga na competição continental. Os melhores jogadores do elenco brigaram para deixar o clube. 11º colocado no Campeonato Paulista. Eliminado pelo Atlético-GO na Copa do Brasil. Candidatíssimo ao rebaixamento no Brasileirão.

Nada disso aconteceu por acaso. O Palmeiras se perdeu porque não soube controlar a crise, que poderia ser menor. Fez seguidas apostas erradas. Continua sofrendo com os conflitos internos e com os problemas políticos. E chegou onde está.

Ontem, para piorar a situação, surgiu a notícia de que Robert e o técnico Antônio Carlos teriam trocado socos no ônibus que levava a delegação ao aeroporto. O treinador desmentiu e disse que houve "apenas" uma áspera discussão. Ninguém sabe o que de fato aconteceu.

O que todos sabem é que de maneira injustificável os jogadores foram liberados até 4h da manhã. E que mesmo assim, quatro deles (inclusive Robert) chegaram atrasados. Perda total de comando.

Antônio Carlos deverá ser demitido. Não há como sustentar o trabalho depois de tantos problemas.

Robert não deve jogar mais pelo clube. Depois de perder Vágner Love e Diego Souza, é apenas mais um útil jogador que vai embora. Não é craque, mas é importante, principalmente pois faltam opções para o ataque alvi-verde.

O clube precisa de reforços e de um bom treinador. Mas mais do que isto, precisa de paz.

O pior é que as maiores crises do Palmeiras, são criadas pelo próprio Palmeiras. E é isto que precisa ser repensado. Antes que seja tarde demais...

E a bagunça continua

A organização e o Flamengo pareciam perto de se encontrar. Quando chegou a hora, porém, de dar o passo final para tornar-se um clube com comando, seriedade e organização, o Flamengo se perdeu.

Não bastasse os seguidos episódios de Adriano, esquecidos dias depois, e o fato de o Imperador agora só jogar as partidas que quer (deixando, inclusive, o time em situação delicada na Libertadores), agora é a vez de ignorar uma briga entre dois jogadores do elenco.

Foi na derrota para o Universidad Católica, na última quarta-feira, que obriga o Flamengo a vencer o Caracas na última rodada para conseguir a vaga na próxima fase. No intervalo da partida, dois ídolos entraram em atrito. Bruno fez duras cobranças à Petkovic, insinuando que o sérvio estava fazendo corpo-mole. Teria chegado, inclusive, a dar um soco no peito do companheiro.

O clima de paz e harmonia que se desfez nesta temporada é o principal motivo para o Flameno não repetir as boas atuações de 2009. Já passou do momento, portanto, da diretoria puxar as rédeas e retomar o controle da situação.

Porém, assim como acontece sempre quando há algum tipo de polêmica no rubro-negro, a diretoria preferiu tapar o sol com a peneira. Disse que os jogadores conversaram, o problema foi resolvido e ninguém será punido.

É claro o desconforto de Petkovic no clube. É claro a insatisfação dos jogadores e do técnico com o sérvio.

Mas a diretoria prefere ignorar. Fazer o quê?

Quem tem fama...

A Itália é um exemplo nos dois sentidos para o mundo da bola. Um péssimo exemplo no que diz respeito à organização dos campeonatos, já que os problemas relacionados às equipes que disputam o Campeonato Italiano são recorrentes. Um ótimo exemplo no que diz respeito à punição dos culpados pelas mazelas do futebol no país.

Este fim-de-semana, mais um capítulo da briga: Federação x Casas de Apostas.

Não vi o 1 a 1 entre Chievo e Catania para ser mais preciso no post. Só o que sei é o que li a respeito. O Catania chegou ao empate na partida graças à um penalti no mínimo estranho sobre o ex-gremista Máxi López, aos 28 minutos do segundo tempo (este eu vi, e realmente foi bizarro). Depois disso, pelo que li, a preocupação com o jogo parecia ser a menor possível para os dois times.

Uma casa de apostas suspendeu as apostas na partida pelos excessos financeiros que apareceram. Muita gente apostou no empate. Um deles apostou 217 mil libras que o jogo ficaria 1 a 1.

Se fosse em outro lugar, poderia ser coincidência. Na Itália? Duvido.

Culpa da fama, que eles mesmo criaram. E agora precisam conviver. Conviver e punir.

Transparência e desinteresse

Há pouco tempo, fiz um post para falar sobre Marcos e o provável fim de carreira do goleiro palmeirense. O título dizia que ele não merecia passar pelo que vem passando: seguidos vexames e times abaixo do que ele e a torcida se acostumaram.

No mesmo texto, elogiei a autenticidade quase infantil do goleiro do Palmeiras. É raro ver jogadores como Marcos, não só no Brasil.

Um dos maiores ídolos do Palmeiras. O grande goleiro da história do clube. Que parece cada dia mais cansado com o que vê.

Do outro lado, a imagem da despreocupação. Diego Souza não é o mesmo de outrora. Em campo, não mostra a mesma raça. Fora dele, mostra desinteresse. Já está com a cabeça fora do Palmeiras desde o final do ano passado, quando ficou preocupado com a pressão da torcida pela perda da vaga na Libertadores. Mas a Traffic precisa fazer dinheiro com ele.

Por isso, Marcos mais uma vez perdeu a cabeça. Tentou chamar a atenção do meia duas vezes e não foi atendido. Antes de abandonar o treino gritou: "Vamos treinar nessa porra! Não estamos todos fudidos?".

Infelizmente, o apelo de Marcos não surtiu efeito. E ele, inconformado, deixou o treinamento alegando falsas dores.

Os conformados e desinteressados seguiram treinando. E deverão seguir vestindo a camisa palmeirense nos próximos jogos.

Pobre Marcos!

Re-adiado

Faltava bem pouco para completar a esculhambação na qual se transformou o Campeonato Mineiro de 2010. Em meio a um regulamento estranho, onde de 12 times se classificam 8 e dois são rebaixados, os jogos são fracos. O nível técnico e a presença do público são baixos. A arbitragem é uma vergonha.

Tudo ficou pior graças ao "Caso Wellington Paulista". O jogador, expulso na última partida do último campeonato entrou em campo na estréia este ano. O Cruzeiro se justificou numa decisão de um dos juízes do TJD, que trocou a suspensão pela doação de cestas básicas. Inicialmente o Cruzeiro perdeu os pontos. Depois, recuperou. Agora, o caso foi parar no STJD, com direito à muita reclamação do Atlético-MG. Não sou jurista e não conheço a lei. Na minha cabeça, porém, se o juiz liberou o jogador, liberado ele está. Se houve um erro, quem deve ser punido é o juiz e não o clube.

O Atlético-MG também reclama da arbitragem no clássico, vencido pelo Cruzeiro por 3 a 1. Aliás, Luxemburgo reclama da arbitragem após cada apito final até aqui na competição. Diz que os juizes resolveram controlar o jogo com excesso de cartões. O que não aconteceu no clássico mineiro, onde o árbitro deixou de expulsar Werley e Jonílson, do Atlético e Kléber, do Cruzeiro. Além disso, confirmou um gol ilegal do Galo e anulou outro, legítimo.

A última polêmica foi devido às chuvas. Atlético-MG e América de Teófilo Otoni jogavam no interior. O jogo estava 2 a 2 quando a chuva impedia a continuidade. O assunto já foi tratado aqui no blog. Os 25 minutos finais da partida estavam marcados para hoje. Não aconteceram graças à uma liminar conseguida pelo Galo no TJD.

A esculhambação total. As medidas da Federação Mineira de Futebol não valem nada. Está mais desprestigiada que técnico prestes a ser rebaixado. E assim, segue um campeonato onde a tendência é que Atlético e Cruzeiro cheguem à decisão. Novidade, só a diversidade de confusões. Viva os Estaduais!

Império da Confusão

A poucos meses da Copa do Mundo, o atacante Adriano se envolveu em mais uma confusão. Desta vez em um baile funk carioca, cercado de outros vários jogadores do Flamengo. Brigou com a ex-namorada e quase chegou às vias de fato depois de vê-la atirar pedras em seu carro e no de seus companheiros.

Depois do episódio, que certamente pararia na capa dos jornais, o mais certo seria Adriano voltar a treinar, jogar e marcar gols. Não há forma melhor de apagar as notícias negativas. Mas o Imperador tomou o caminho inverso. Mais uma vez se deixou abalar. E falou até em parar com o futebol novamente.

O Flamengo, demonstrando uma dependência e falta de profissionalismo incrível, mais uma vez fechou os olhos e ignorou a situação. Dispensou o jogador de treinos e jogos. Por isso, Adriano não esteve em campo ontem na fácil goleada por 4 a 0 sobre o Resende. E não estará na quarta-feira, em Caracas, pela Libertadores. Tudo isso como se não fosse um jogo importante.

Quando está em campo, Adriano é craque e decisivo. Sempre foi assim. O problema é que não dá para contar com o jogador. Nunca se sabe quando a mente do Imperador ficará abalada a ponto de não deixá-lo ir treinar ou entrar em campo.

Por enquanto os resultados são positivos. Mesmo com todos os problemas extra-campo, o Flamengo foi campeão do Brasileirão. Mas uma série de derrotas, pode acabar com a paciência que já passou dos limites.

Paciência que deve estar no fim também é a de Dunga. Certamente o treinador não está gostando nada do que está vendo. E Grafite, que entrou bem na única chance que teve, cresce em proporção geométrica na lista de possibilidades para um ataque que parecia definida para o Mundial.

PS: O que estava fazendo a Assessoria de Imprensa do Flamengo quando deixou Bruno e Andrade darem as declarações que deram a respeito do assunto? Lamentável!

Linhas tortas

Ninguém apostava no Flamengo no meio de 2009. Uma contratação de um ex-jogador para pagar dívidas. Um acerto com um atacante que parecia muito pouco preocupado em jogar futebol. No fim, tudo deu certo e o time acabou campeão brasileiro.

Hora de colocar tudo no lugar e agir com a inteligência, certo? Errado. O ano passou e 2010 começou turbulento na Gávea.

Primeiro, a aposta no caro Vágner Love que pouco rendeu no Palmeiras. Agora, a primeira grande polêmica do ano: o caso Petkovic.

Aos 37 anos, poucos imaginavam que Pet seria solução para o Flamengo dentro de campo. E todos sempre souberam do temperamento difícil do sérvio fora dele. Se nas quatro linhas, até então, o desempenho era acima da média, fora dela, nem sempre foi assim.

O desgaste com o Marcos Brás que tem feito um trabalho interessante no Flamengo começou no fim do ano passado. E desandou no último domingo, quando o craque resolveu ir embora do Maracanã no intervalo do jogo contra o Fluminense, após ser substituído.

O problema não precisava tomar tamanha proporção. Mas não seria o Flamengo, se acontecesse assim. Pet foi irresponsável. E a história de "dei voltas na Tijuca esperando o fim do jogo" não colou. Mas ainda é importante demais dentro e fora de campo para o clube e a situação poderia ter sido contornada de maneira mais inteligente, com menos exposição.

Saldo: Petkovic fica desgastado com a diretoria. Marcos Brás ficará de olho no meia e não perderá a oportunidade de colocá-lo na linha. O jogador não será multado. E quando o calo apertar, voltará a campo no atual campeão nacional.

É o Flamengo, mais uma vez apostando em linhas tortas para seguir em frente. Pet e cia estão longe de deuses, para escreverem sempre as palavras certas no fim.

O último que sair apaga a luz

Curioso é o momento em que tudo está acontecendo no São Paulo. Depois de anos investindo em jogadores de renome em fim de contrato, a diretoria planejava para as próximas duas temporadas, o lançamento de "garotos de ouro" vindos da base. As jóias que vinham sendo bem tratadas e preparadas há pelo menos três anos, finalmente ganhariam espaço no time.

Ricardo Gomes não gostou muito da idéia. Tanto é que fez a diretoria agir forte no mercado e contratar jogadores badalados mais uma vez. André Luís, Léo Lima, Fernandinho, Marcelinho Paraíba. Todos chegam ao São Paulo para jogar. Com tantas contratações, o máximo que os garotos conseguiriam seria fazer algumas partidas pelo Campeonato Paulista.

Parece não ter sido suficiente.

O primeiro foi Oscar. O meia, sempre tratado como uma das principais revelações do São Paulo, entrou na justiça contra o clube. Boatos davam conta de que a jogada havia sido orquestrada pelo rival Corinthians, que tinha interesse no jogador. O caso segue na justiça, e ainda não se sabe qual fim terá.

Depois veio Diogo. Lateral esquerdo da seleção brasileira sub-20. Para muitos, jogador com bola para já ser titular do tricolor paulista. Ele não quis saber. Tratou logo de pedir seu passe na justiça também.

Ontem, mais uma bomba. A terceira, em menos de um mês. Lucas Piazon, de apenas 15 anos. Contratou o mesmo advogado de Oscar e pretende também ser dono de seu passe. O garoto, frequente nas seleções de base, já teve sondagens do futebol do exterior.

Certamente, não são casos isolados. Os três, tem mais do que um advogado em comum. Provavelmente, a decisão final sobre o caso deve demorar, e pode travar a carreira dos jogadores. Certo é que o São Paulo precisa rever a estrutura de sua base. Hoje, são pelo menos 100 garotos no clube. E algo de podre está acontecendo por lá. Resta tomar conhecimento do que é.

Dirigentes do São Paulo estão desesperados. Querem saber o que se passa na base do clube. E com razão. Um clube que investe tanto na formação de novos valores não pode ficar de mãos abanando na hora que o "produto" pode dar algum tipo de retorno. Se for assim, o futebol brasileiro estará acabado.

Barbárie bem punida

A decisão que parece exagerada, para mim é justa. 30 jogos de punição e 610 mil reais de multa para o Coritiba, pelas lamentáveis cenas no Couto Pereira na última rodada do Brasileirão. Se a pena permanecer, o clube paranaense só poderá jogar em casa pelo Campeonato Estadual no ano que vem. Terá que buscar outro estádio para atuar na Copa do Brasil e na Série B.

Isto se a pena não mudar...O Coritiba já afirmou que entrará com recurso. O time sonha com a absolvição. É demais. Mas, fica aquela pulga atrás da orelha de que a pena vai cair após o pleno do STJD, provavelmente em janeiro.

A reação da torcida beirou o incontrolável. Não sei se havia polícia suficiente para aquela multidão no estádio. Mas acho muito pouco provável que se um número tão grande de torcedores em qualquer estádio do país resolver invadir o campo, não consiga.

Por isso, não acho o Coritiba tão culpado assim. Mas, infelizmente, o clube era o mandante, era o responsável pelo espetáculo e precisa ser punido. E de maneira exemplar, já que cenas como estas nunca haviam sido vistas no futebol brasileiro. E só com este tipo de punição, ela pode não voltar a acontecer.

Vale lembrar, no entanto, que o fechamento do Couto Pereira é simbólico. O Coritiba seguirá jogando, só que em outro estádio. Mais importante do que qualquer punição ao dono da casa, é preciso punir os baderneiros, os vandalos. Prender o máximo possível de torcedores. E que a punição e a pena para eles sejam tão exemplares quanto foram para o Coxa. E seja divulgada, para evitar que o amante do futebol seja obrigado a ver novamente cenas tão lamentáveis.

Inaceitável e vergonhoso

Restava apenas uma vaga. Três times já estavam rebaixados antes da última rodada do Brasileirão (Sport, Náutico e Santo André - o último ainda tinha míseras chances matemáticas). Três outros times lutavam para não ficar com a vaga restante: Botafogo, Coritiba e Fluminense. Quem vencesse, estava livre.

O Botafogo tinha pela frente o Palmeiras, lutando por título e por vaga na Libertadores, no Engenhão. Precisava vencer. Um empate serviria apenas se o Coritiba fosse derrotado.

Coritiba que encarava o Fluminense, no Couto Pereira.

No Rio, o Botafogo começou mal. Nervoso, dava campo ao Palmeiras, que dominava as ações, mas como de costume nas últimas partidas não conseguia chegar com qualidade ao gol adversário. Na etapa final, porém, o time se acertou. Mais leve, conseguia levar perigo ao Palmeiras até chegar aos gols. Um com Wellington. Outro com Jóbson. O gol do Palmeiras no fim, veio apenas para fazer sofrer ainda mais o já saturado torcedor do Bota. Mas no fim, veio a vitória e a permanência na Primeira Divisão.

Na outra partida, jogo tenso, brigado. Estádio lotado, em festa linda. O Fluminense, em ótima fase, saiu na frente com Marquinho. O Coritiba, desesperado, empatou o jogo. O resultado seria bom apenas se o Botafogo não vencesse o Palmeiras. Não foi o que aconteceu.

Resultado: o Coritiba foi o último rebaixado e vai jogar a Série B em 2010.

Depois do jogo, cenas lamentáveis. Inaceitáveis em um país que sediará Copa do Mundo e Jogos Olímpicos nos próximos anos. Torcedores do Coritiba, com uma facilidade impressionante, invadiram o gramado para bater em quem viesse pela frente. Jogadores do Coritiba, do Fluminense, torcedores, seguranças, policiais. A polícia paranaense, mostrou um despreparo incrível para a situação. Não tinha idéia do que fazer.

Mais de 10 minutos de vandalismo, violência desnecessária, descontrole. Mais de 20 feridos. Um policial desmaiado. Um torcedor com um tiro no crânio. Mais de 500 mil reais de prejuízo para os donos da casa.

O Coritiba fez uma campanha péssima. Muito abaixo do que poderia com o bom time que tem. Mas, quando precisaria do apoio para buscar mais um renascimento em sua história centenária, viu a torcida afundar o time de vez. O clube será punido. De preferência, algo exemplar. Defendo um ano fora de todas as competições da CBF. Duvido que dará em muita coisa.

Queria estar aqui falando da ótima rodada final e da acirradíssima disputa. Dos dois ótimos jogos do Botafogo em casa, contra São Paulo e Palmeiras, que decidiram a permanência do time. Da arrancada incrível do Fluminense, que tinha 99% de chances de cair e estará na Série A em 2010.

Mas, mais uma vez, perdi tempo e linha com boçais que só fazem destruir a imagem do campeonato mais incrível da história brasileira. Uma pena.

Que o Coritiba e sua torcida agonizem na Série B, para pagar pelas lamentáveis cenas que o Brasil foi obrigado a assistir.

Sem love, sem love...

O amor, definitivamente acabou no Palmeiras. Depois de ter cinco pontos de frente para o segundo colocado e estar perto do título brasileiro, o time alvi-verde desmoronou.

Derrotas dentro de campo. E tudo dando errado fora dele. Presidente falando mais do que devia. Jogadores brigando entre si. Ônibus apredejado. E agora, o último (pelo menos até agora) capítulo.

Aconteceu ontem à tarde, em uma agência bancária do Bradesco, ao lado do CT do Palmeiras.

Vágner Love ia ao banco antes do treino quando foi abordado por três "torcedores". Eles xingaram o atacante, impediram que ele abrisse a porta do carro e acabaram "caindo na porrada".

Seguranças do Palmeiras que já tinham sido chamados no início da confusão tentaram separar, assim como o goleiro Marcos. Os agressores fugiram, não sem antes ameaçar de morte o atacante do Palmeiras.

Com a ajuda da polícia, os três foram presos e vão responder pelos crimes de racismo e lesão corporal. Provavelmente, não vai dar em nada, como de costume.

Já aconteceu no Flamengo, no Corinthians, no Botafogo, no Fluminense. E não vai parar por aí. Enquanto os torcedores "organizados" tiverem o espaço que tem e a lei brasileira for frouxa como é, este tipo de situação continuará acontecendo.

Pior, mais uma vez, para o clube. Que já tem uma baita responsabilidade e um jogo difícil pela frente e agora entrará em campo ainda mais pressionado.

E mais: Vágner Love, que é bom jogador, tem motivos de sobra para não querer continuar no Palmeiras. Assim como outros bons jogadores, que podem escolher onde jogar.

Babaquice sem fim. Boçalidade total. Estava demorando para acontecer...Uma pena.

Destempero

Logo que Luís Gonzaga Belluzo assumiu o posto de presidente do Palmeiras, muito se falou sobre ele. Sempre muito bem. Primeiro, por ter tomado o posto de uma diretoria que comandava o clube há anos e não parecia muito preocupada com o futuro do alvi-verde. Segundo, por ser considerado um dirigente "diferenciado".

As notícias foram as melhores. Belluzzo rapidamente passou a ser respeitado por outros dirigentes. Deu aula no Clube dos 13. Palestra para a CBF e FIFA. Mostrou o quanto a administração dos clubes brasileiros estava atrasada e defasada.

Foi à programas de TV e era sempre recebido de maneira diferenciada. Afinal, era mesmo considerado um presidente diferente dos outros.

Mas, o mundo do futebol pregou em Belluzzo uma peça que prega em todos os descuidados que se envolvem com o meio.

Não há como negar. Qualquer pessoa que se envolve no meio do futebol, gosta do esporte. Todo mundo que gosta do esporte, tem um clube.

O de Belluzzo, obviamente é o Palmeiras. Mas, enquanto presidente do clube, ele deveria parar de agir como torcedor. Não foi o que fez. Nem quando reclamou publicamente de maneira infantil da arbitragem de Carlos Eugênio Simon. Nem quando estava em cima do palco da Mancha Verde gritando aos quatro ventos: "vamo matar os bambi".

É claro que ele dizia que o time ia matar o São Paulo no Brasileirão. Não era um incentivo à guerra de torcedores. Mas pegou mal. Porque acima de torcedor, Belluzzo é hoje presidente do Palmeiras.

Não vou julgar as atitudes de Belluzzo. Jornalistas, juízes, jogadores já foram traídas pela mesma armadilha. O futebol envolve paixão e é preciso muita serenidade para separar as coisas.

Serenidade que infelizmente Belluzzo não teve. Infelizmente para ele, que perde bastante do respeito que havia conquistado. Infelizmente para o futebol, que vê um homem que poderia ajudar muito na organização como um todo, acabar desta forma.

Nocaute

36 rounds. Foi a duração da luta para o Palmeiras. Ontem, no 36º assalto, contra o Grêmio o time beijou a lona. Perdeu por 2 a 0, e deu adeus à qualquer chance de ser campeão em 2009. Ainda que pareça improvável, o time pode buscar um último suspiro para ficar com a vaga na Libertadores do ano que vem. Mas vai precisar de muita força.

Não a força que mostraram Maurício e Obina, na saída para o vestiário, no intervalo da partida de ontem. O primeiro tempo acabou com o lance do primeiro gol do Grêmio, marcado por Rafael Marques. Os dois jogadores do Palmeiras discutiram e chegaram às vias de fato, ainda no gramado. Lamentável. Na volta para o segundo tempo, ambos foram expulsos do jogo, corretamente. Na volta para os vestiário, ambos foram expulsos do Palmeiras, corretamente.

Sobre o jogo: primeiro tempo equilibrado, muito disputado no meio-campo. As duas equipes não tinham qualidade para rodar a bola e deixar seus atacantes em boas condições. Com dois postes na frente, o Palmeiras nada criava, mais uma vez. Faltava mobilidade. O Grêmio tinha mobilidade com Douglas Costa, pelo lado esquerdo, mas pecava muito no último passe, que deixaria Máxi López em condições de finalizar. Quando tudo caminhava para um zero a zero, veio o primeiro golpe do Grêmio. Gol legal de Rafael Marques.

Na etapa final, com dois jogadores a menos, coube ao Palmeiras tentar lutar de alguma forma. Faltava força. Faltava gente. E ao Grêmio, faltava vontade para impor uma goleada. Só fez mais um gol, com Máxi López. E decretou o nocaute palmeirense no Olímpico.

Antes de falar do Palmeiras, vamos ao Grêmio: é uma pena este time não ter emplacado. Recheado de ótimos jogadores como Victor, Réver, Adílson, Douglas Costa e Máxi López, o tricolor gaúcho merecia mais neste Brasileirão. Mas vai ser apenas coadjuvante nesta reta final.

Quanto ao Palmeiras, a situação é muito delicada. Muricy definitivamente não consegue encontrar a forma de jogar da equipe. Não percebe erros na escalação. Não percebe que não dá para jogar com dois atacantes pesados na frente. Não percebe que Diego Souza precisa de mais liberdade. E não percebeu que a vaca estava indo para o brejo.

A decisão de afastar os dois brigões e correta e mostra que o time ainda quer manter a ordem. Mas erros de planejamento, lá atrás, deixam o Palmeiras em situação delicada. Hoje, é impossível acreditar que o time tenha força para conseguir uma vaga na Libertadores. Vale lembrar que na próxima rodada, o time tem pela frente um adversário direto, e muitos desfalques. Como disse no início do texto: será preciso muita força para se reerguer.

À justiça

Ainda repercute o bizarro erro de Elmo Rezende no jogo entre Palmeiras e Sport.

A situação é clara: o árbitro, mal posicionado, apitou impedimento precipitadamente quando a bola foi lançada para Danilo. A zaga do Sport parou. Depois de feito o gol, o juiz olhou para o bandeira, que nada havia marcado. Com medo de ter cometido um grave erro, cometeu um ainda maior. Deu o gol para festa dos palmeirenses e desespero dos jogadores do Sport.

O fato agora é: a discussão vai acabar na justiça. Uma pena para o futebol brasileiro. Uma pena por termos um campeonato tão bom, mas que sempre acaba em discussões "extra-bola".

É claro que Elmo cometeu um "erro de direito", pois desrespeitou as regras do jogo. Mas, a mudança na partida só vai ocorrer se o juiz admitir, o que é muito pouco provável.

O Sport deve ir ao STJD pedir à anulação do jogo. Que, aliás, só traria benefícios ao Palmeiras, que deixou para trás dois pontos. Mesmo depois do que fez no Palestra, é claro saber que será muito difícil o Sport conseguir resultado melhor do que um empate.

Mais do que isso, a diretoria do rubro-negro quer pedir na justiça a anulação do gol e que o resultado final fique 2 a 1. Bizarro.

Muita gente dizia que não duvidava de nada neste Brasileirão. Mas, com certeza, não contava com esta.

Quadro Negro

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O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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