Ricardo Teixeira disse recentemente que não mandaria jogos da seleção para as praças onde a equipe foi vaiada pela torcida. Talvez, a Inglaterra seja uma ótima opção. Ali, o nosso time "estrangeiro" se sente em casa. E faz bonito. Assim como já havia feito com a Argentina, ontem foi a vez da Itália. E no maior clássico do futebol mundial, deu Brasil: 2 a 0.
Para os italianos, a derrota deve ter sido dura. Mais dura que o normal. Perderam para uma seleção brasileira praticamente italiana. Dos jogadores que começaram a partida, 6 jogadores atuam na Itália. É como imaginar uma Argentina composta por D'Alessandro, Guiñazu, Sorín, Herrera e sei lá mais quem, vencendo o Brasil.

Em campo, porém, o time de Dunga mostrou qualidade. Principalmente no primeiro tempo. Jogando contra uma Itália que tinha um rosto diferente. Era um time ofensivo, ao contrário das tradições. E a mudança não caiu bem. Principalmente porque faltaram jogadores para levar a bola para o ataque. Pirlo tinha que fazer praticamente sozinho. Elano e Robinho, principalmente, apertavam muito a saída de bola, e a Itália sentiu dificuldades. Por isso, na base do abafa, o Brasil foi perfeito. Porque não basta jogar quando tem a bola. É preciso atacar também sem ela. E foi isso que a seleção de Dunga fez.
Quando tinha a bola no entanto, o Brasil sabia ditar o ritmo. Às vezes, valorizava a posse com muita qualidade e viradas de jogo eficientes. Quando tinha a oportunidade, chegava com velocidade e toques rápidos, de primeira, e principalmente contando com grande movimentação, em especial de Elano.
Assim, o Brasil chegou ao primeiro gol, com Elano, que saiu da esquerda para a direita, buscou o espaço vazio e tabelou rápido com Robinho antes de ficar cara a cara com Buffon. Vale lembrar que logo no início, a Itália teve um gol de Grosso, mal anulado. Mas não foi um erro "grosseiro". O lançamento veio de longe, e era questão de centímetros.
Com o gol o Brasil se animou. E a Itália teve ainda mais dificuldade para jogar. Di Natale e Gilardino mal viam a cor da bola. Já Robinho, seguia mordendo. E numa bola roubada na entrada da área em vacilo de Pirlo, fez uma jogada magistral. Daquelas que só os craques são capazes de fazer. E Robinho é craque. Pena que não saiba administrar a carreira. 2 a 0.
No segundo tempo, porém, a seleção caiu. Primeiro porque a Itália colocou gente de mais qualidade para buscar a bola no meio-campo. E segundo porque não tinha fôlego para pressionar a saída de bola como no primeiro tempo. E a etapa final ficou fraca. Carente de emoções. Melhor para Júlio César, que pode mostrar mais uma vez sua ótima forma. Fez pelo menos duas defesas ótimas. Uma delas, um milagre.
Dunga também fez algumas experiências. Como Daniel Alves, mais uma vez como meia direita. Pode sim, ser uma opção interessante. Daniel tem qualidade para atuar como Dunga quer. Alguns jogadores, porém, mereciam ter tido mais tempo para jogar, casos de Alexandre Pato e Júlio Baptista, principalmente.
Em termos gerais, no entanto, o Brasil foi bem. Soube controlar a partida e venceu uma seleção muito forte com autoridade. Os números de Dunga (infelizmente) são incontestáveis. E a seleção sob seu comando, pela primeira vez vai bem em duas partidas seguidas. Sinal de amadurecimento? Espero que sim.
NOTAS INDIVIDUAIS:Júlio César - 8 - Quando foi exigido, na segunda etapa, mostrou toda a segurança que lhe é peculiar.
Maicon - 7 - Chega ao ataque com muita força. E é ótimo na marcação. Precisa melhorar o cruzamento.
Lúcio - 8 - A mesma segurança de sempre. É o melhor zagueiro do país.
Juan - 7 - Não deve durar muito na Seleção, infelizmente. Mas foi bem na partida. /
Thiago Silva - 6 - Mostrou qualidade, no pouco tempo que esteve em campo.
Marcelo - 7,5 - Mostrou qualidade e maturidade. Vai assumindo o posto de titular.
Gilberto Silva - 6 - Bem na marcação, não comprometeu. Mas convenhamos: o Brasil merece mais.
Felipe Melo - 7,5 - Estréia segura. Marcou forte e mostrou a qualidade já conhecida nos passes. Fez o básico e se deu bem. /
Josué - Sem nota - Não teve tempo para nada.
Elano - 8 - Muita movimentação. É um jogador com a cara do time de Dunga. Tem qualidade e sorte. /
Daniel Alves - 7 - Mostrou que tem potencial para jogar como meia.
Ronaldinho Gaúcho - 6,5 - Alguns passes interessantes. Outras gracinhas desnecessárias. Está longe do Ronaldinho que nos acostumamos a ver.
Robinho - 8,5 - Vontade de jogar pela seleção. Diferente do que vem acontecendo no City, Robinho mostrou muita disposição. E assim, ele é indomável. /
Júlio Baptista - Sem nota - Outro que demorou para entrar em campo.
Adriano - 6 - Muito isolado na frente teve poucas oportunidades. Faltou-lhe mobilidade em um time tão leve no ataque. / Pato - Sem nota - Infelizmente, entrou tarde demais.
Dunga - 7 - Escalou bem a equipe e mostra um esquema eficiente. Porém, demora demais para mexer e quando o faz é previsível. Não consegue mudar a cara do time durante um jogo.