É para tanto?

A pressão no Grêmio é demais. Até nos treinos a torcida tem cobrado a demissão de Silas do comando do time. Em campo, as coisas não parecem estar indo tão mal assim.

Tanto é que hoje o time voltou a erguer uma taça depois de 1029 dias. Com um lindo gol do criticadissimo Ferdinando, o Grêmio venceu a Taça Fernando Carvalho, o primeiro turno do Gaúchão. Assim, está garantido na final, desde que não vença também o segundo turno e conquiste o título antecipadamente.

Pouco vi do Grêmio até agora em 2010 para analisar como o time vem jogando. Fato é que a transformação pela qual passa o time, requer paciência do torcedor. Silas já se mostrou um grande treinador e vai precisar de tempo para montar o time.

Além disso, o excesso de lesões e de problemas atrapalharam demais o treinador. Souza e Lúcio fazem muita falta, o primeiro principalmente. Hoje, parece ter sido Borges o jogador que saiu machucado. A fase é complicada. E mesmo assim o time conseguiu um importante título. Que ele diminua a pressão e faça o torcedor entender que o caminho está apenas no começo.

Histórias repetidas

O futebol europeu é anos-luz mais interessante que o futebol brasileiro em termos técnicos. Fato e não há o que discutir. Mas por lá, as histórias andam bem repetitivas...

Na Espanha, ninguém segura o Barcelona. É líder com sobras de mais um Campeonato Espanhol, joga o futebol mais envolvente do planeta e encanta o mundo. O Real Madrid segue na cola. Mas como sempre, há pequenas crises envolvendo os merengues. Fora a boataria dos reforços. Sandro, Mata e Ribery foram os últimos nomes.

Na Itália, a Inter caminha para mais um título nacional. Não encanta, mas vence. E assim vai somando pontos no Campeonato Italiano com seu futebol correto. Pena que não funciona em termos continentais. O Milan também segue na cola. Segue jogando bem o time de Leonardo. Entra jogo e sai jogo, a história é a mesma: Ronaldinho brilha, Pato marca. Assim, os dois cavam seus lugares na lista de pedidos da torcida para o Mundial de 2010.

Na Inglaterra, o Chelsea lidera e segue jogando bem (apesar do tropeço neste fim-de-semana no duelo Terry x Bridge). Mas a história repetida por lá é "O show de Rooney". Para quem pensou que o Manchester tinha acabado após a saída de Cristiano Ronaldo, o atacante de 24 anos segue mostrando-se craque e decisivo. Este fim-de-semana, foi dele o gol que deu o tetracampeonato da Copa da Liga Inglesa aos Red Devils.

Com o pé direito

Não podia ter sido melhor a estréia de Fernandinho com a camisa do São Paulo. Não podia ter sido melhor para o São Paulo, o momento em que Fernandinho estréia bem com a camisa do clube.

Para muitos, inclusive para este que vos escreve, o São Paulo foi o time que melhor contratou para 2010. Apesar do excesso e de alguns jogadores de qualidade duvidosas, é incrível como o elenco são paulino foi fortalecido pela diretoria. Jogadores que estiveram entre os melhores no último Brasileirão chegaram para o time na temporada.

Entre eles, Fernandinho. Enquanto jogou, foi o melhor jogador do último Campeonato Brasileiro. Sua performance só foi piorada pois ficou sem contrato com o Barueri no meio do caminho. Acabou muito tempo sem jogar.

Até agora em 2010, o São Paulo não havia feito nenhuma grande partida. As atuações do time não justificam o investimento feito pela diretoria. Ricardo Gomes começa a sofrer pressão. E a sofrer com a sombra de Muricy Ramalho.

Mas hoje, ganhou um bom motivo para sorrir. Fernandinho e seus quatro gols em 45 minutos, na estréia contra o Monte Azul. A camisa não parece ter pesado. Personalidade ele já mostrou que tem. Futebol, não há dúvidas que ele vai mostrar.

O São Paulo agradece.

É apenas o começo

Não falta mais ninguém para estrear na Copa do Brasil. A competição está apenas no começo e já tem muita gente ficando pelo caminho. Entre os grandes favoritos ao título, poucos tiveram facilidades na primeira rodada. Tanto é que apenas cinco conseguiram se classificar sem a necessidade do jogo de volta.

A situação mais complicada é do Botafogo. Entre os grandes clubes, foi o único que perdeu a primeira partida. 1 a 0 para o São Raimundo. Não é de se esperar, porém, que o time consiga se classificar decidindo a vaga em casa. O Fluminense também não começou bem. Apenas empatou com o Confiança, por 1 a 1, com direito a penalti perdido por Fred.

Palmeiras, Vasco, Goiás e Santos começaram vencendo. Mas não conseguiram evitar a segunda partida. Desgaste desnecessário.

Entre os que conseguiram a classificação direto está o Grêmio, que fez 3 a 1 no Araguaia e evitou o segundo jogo. Importante prazo de descanso.

Mas ninguém fez a tarefa parecer tão fácil quanto o Atlético-MG. Em noite iluminada de Obina, autor de (acreditem) cinco gols, o Galo fez 7 a 0 no Juventus, do Acre e já se firmou na próxima fase. Para quem andava incomodado com o jejum de vitórias no Campeonato Mineiro, segue um bom estímulo para o restante da temporada.

Pouca análise de um verdadeiro duelo de Davi contra Golias. Deste resultado, fica apenas a certeza de que Obina aprontou mais uma das suas. Fosse no domingo, pediria um DVD completo de sua banda preferida no Fantástico. Uma pena que a sua regularidade não deixe que o torcedor do Atlético sonhe com outro show parecido nas próximas partidas.

Lúcio, o gigante

Antes de mais nada, vale a lembrança: há pouco mais de sete meses, após a Copa das Confederações, Lúcio chorava em campo com a camisa da Seleção Brasileira a marcar um dos gols na decisão. Motivos pessoais. Ali, ele já sabia que não fazia parte dos planos no Bayer de Munique comandado por Van Gaal.

Ontem, Lúcio deu mais uma amostra do grotesco erro cometido pelo técnico holandês. Mais uma vez foi brilhante em campo. No esperado confronto entre Mourinho e Ancelloti, entre Drogba e Eto'o, foi o zagueiro quem roubou a cena.

Não me lembro na minha vida de uma atuação tão impecável de um zagueiro. Lúcio não precisou fazer uma falta sequer. Não perdeu um lance. Soube rebater a bola para onde o nariz apontava quando foi preciso. E soube sair jogando e dar suas tradicionais arrancadas quando o adversário permitia. Uma partida impecável.

Em campo, a Inter venceu o primeiro duelo contra o Chelsea por 2 a 1. Resultado complicado, longe de dar tranquilidade aos italianos no jogo de volta. Até porque, foram os ingleses os melhores na partida de ontem.

No 4-3-3, o Chelsea foi quem teve as melhores oportunidades e mais volume de jogo. Não fosse a soberana atuação de Lúcio e um coeso sistema defensivo montado por Mourinho, a Inter poderia ter ficado em situação delicada. Sistema defensivo, diga-se de passagem excessivo, para quem jogava dentro de casa.

Porém, em lances isolados, os argentinos resolveram a parada para a Inter de Milão. Milito logo no início, e Cambiasso na etapa final fizeram os gols da vitória. Vitória que pode garantir os italianos na próxima fase. Desde que Lúcio consiga repetir, na Inglaterra, o que fez ontem no primeiro duelo do confronto.

Goleada que esconde a realidade

Foi dura a segunda partida do Cruzeiro na Copa Libertadores da América. Depois de estrear perdendo para o Vélez, o time mineiro precisava da vitória contra o Colo-Colo, do Chile, no Mineirão. Com apenas cinco minutos, parecia que ela viria com facilidade, já que Thiago Ribeiro aproveitou-se de boa trama pelo lado direito para abrir o placar logo de cara. Mas não foi bem assim.

Com Roger aparecendo como titular após a boa estréia no clássico, esperava-se um Cruzeiro criativo e com boa movimentação. Mas não foi o que se viu. Depois de marcar o primeiro gol, o time insistiu pouco nas jogadas em profundidade, pecou na movimentação principalmente no meio-campo e pouco incomodava o Colo-Colo. É verdade, porém, que os chilenos também não conseguiam jogar.

Com a lesão e a saída de Elicarlos, porém, o Cruzeiro perdeu a forte marcação que impunha aos chilenos. Sobrou espaços principalmente do lado direito, onde Eli fazia a cobertura para os avanços de Jonathan. Aos poucos, os visitantes passaram a gostar do jogo, ganharam o meio-campo e passaram a assustar. Até empatarem, em falha inaceitável do lateral direito cruzeirense.

Quando o jogo parecia se complicar de vez, o time chileno acabou perdendo o controle emocional e a partida. Abusando das faltas e principalmente das reclamações, o Colo-Colo acabou tendo dois jogadores expulsos, e experimentando o que já havia enfrentado o Cruzeiro, na primeira partida. A cada expulsão, um gol dos mineiros. Kléber de penalti, depois Pedro Ken. Kléber, em outro penalti, este duvidoso, ainda fechou a goleada.

Apesar do placar de 4 a 1 ter deixado a impressão de que foi uma vitória fácil, o Cruzeiro esteve longe de jogar bem no Mineirão. Porém, vale o resultado e os três pontos que são importantíssimos no "Grupo da Morte", já que o Vélez mantém 100% de aproveitamento. Há que se destacar também, que em 2 jogos foram 11 gols marcados pelo time celeste no Mineirão até aqui na competição. Números que impõe respeito e que certamente, assustarão os adversários que vierem ao Mineirão enfrentar o time mineiro.

2 > 6

Não há outra palavra para descrever a sinergia entre Joel Santana e o Campeonato Carioca senão mágica. A do último domingo, foi apenas mais uma na vitoriosa carreira do treinador. Que lavou a alma do Botafogo, que de desacreditado, é o primeiro garantido em mais uma final de Estadual. A quinta seguida. Se houver.

Antes de falar sobre o jogo, queria destacar que assisti o jogo, à convite do amigo Lucas Caram, junto à simpática torcida FogoHorizonte. Bar lotado (teve gente falando que tem mais botafoguense em BH do que no Rio) e festa bacana por mais um título.

Em campo, o Botafogo de Joel paralisou completamente o Vasco. Fez valer a mesma estratégia que havia levado o time à decisão. Muita marcação, impedindo o adversário de jogar. E um ataque que incomoda. Principalmente graças ao ótimo Caio, que mais uma vez mudou o jogo ao entrar na etapa final.

Depois de levar 6 a 0 do mesmo Vasco, na primeira fase, o Botafogo parecia acabado. Joel chegou, recuperou a auto-estima dos jogadores e na base do trabalho, como sempre fez, conseguiu levar o time a mais um título.

O Botafogo foi melhor durante quase todos os 90 minutos e poderia ter vencido com ainda mais facilidade. Não fosse a falta de qualidade técnica do muito esforçado Abreu. E não fosse o penalti não marcado por Marcelo de Lima Henrique no primeiro tempo.

No segundo tempo, com a entrada do veloz Caio em mexida corajosa de Joel, o Botafogo passou a conseguir chegar com mais rapidez ao gol e matou o jogo. Se não é um time brilhante (e está muito longe disto), o Botafogo contagia pela vontade. É um time que luta, que corre, que briga. E que parece reconhecer suas limitações. Por isso foi campeão. Um justo campeão. E por isso vai para mais uma final do Carioca. Nas últimas quatro, venceu apenas uma. Independente do resultado final, a sequência fica na história e mostra a evolução do time mesmo nas dificuldades.

Já o Vasco, deve levantar a cabeça e evitar que o bom trabalho realizado até aqui não seja apagado. Em uma partida, suas três principais peças individuais não funcionaram. Acontece. E é preciso atenção com a defesa. O goleiro falha demais, os laterais são fracos e os zagueiros...Estes aí nem o mágico Joel Santana é capaz de fazer jogar.

Um sincero pedido de desculpas

Foram 14 dias sem postar. Salvo engano, em quase 2 anos e meio de blog, nunca fiquei tanto tempo assim sem atualizar este espaço.

Por isso, perdi tanta coisa. Tanto assunto legal.

Não falei sobre a previsível queda do previsível Muricy no Palmeiras. Nem do início avassalador de Robinho no Santos. Não falei sobre a crise de Silas no Grêmio. Nem sobre a estréia complicada do Cruzeiro no "grupo da morte" da Libertadores.

E olha que o ano está apenas no começo.

Pela ausência peço desculpas a quem entra no Marcação Cerrada diariamente em busca de informações. Sei que fiquei devendo. Culpa de mudanças na vida pessoal, mudança de endereço que me deixou sem internet, carnaval, etc.

Espero que não volte a acontecer. E tenho certeza que os bons amigos que fiz graças a este espaço vão entender.

Vida que segue!

Não é hora de experimentar

Assisti com estranheza a reação da grande maioria com a convocação de Dunga para o amistoso da Seleção contra a Irlanda no dia 2 de março. Foi a última convocação do técnico antes da decisiva, para a Copa do Mundo. Entre os 22 convocados, poucas ou nenhuma novidade.



Mais uma vez Dunga optou pela manutenção da base. Não quer se comprometer. Afinal, são quase 4 anos de um trabalho que já pode ser considerado sólido. E de muito sucesso nos números. É natural que Dunga siga apostando naqueles que já demonstraram capacidade e lealdade sob seu comando.

É por isso, que Dunga mantém alguns nomes que seguem sendo criticados. Com algumas críticas, concordo plenamente. Com outras, nem tanto. Vejamos:

Doni foi novamente convocado para o gol. Uma lástima. O jogador é reserva de outro brasileiro em seu próprio clube. Vive um momento péssimo. A situação é ainda mais complicada se considerarmos a incrível safra de goleiros que temos no país. Victor, Fábio, Bruno, entre outros. Mas, Dunga mostra lealdade aos seus convocados. Para poder cobrar o mesmo deles depois.

Na zaga, justa e ótima a troca de Miranda por Thiago Silva. O zagueiro que vai muito bem no Milan é ótimo e tem que estar em todas as listas da Seleção. Principalmente já que Juan, que tem características parecidas com a dele, não é confiável fisicamente.

Na lateral esquerda as grandes surpresas. Dunga manteve Michel Bastos, que vem jogando como meia pela direita no Lyon. E convocou ainda Gilberto, que é meia no Cruzeiro. Duas apostas ótimas tecnicamente, mas de dois jogadores "desacostumados" com a posição. Vale lembrar que Gilberto tem a confiança de Dunga e foi titular da posição no início da carreira do treinador. Saiu pois ficou muito tempo sem jogar pelo Tottenham. É bom jogador e sabe fazer a função. Só não sei se tem físico para isso. Seria bom ter, além dele, alguém que vem jogando por ali, como Kléber do Internacional, que está reencontrando o bom futebol.

No meio-campo, as mesmas caras, com exceção de Kléberson, recuperado de lesão. É um jogador experiente, dedicado e que pode ser importante no grupo. Felipe Melo, em péssima fase na Juventus, está mantido e é justo que ele tenha mais uma oportunidade. Mas é preciso encontrar outras soluções para a posição. Lucas, que vem sendo titular absoluto no Liverpool, pode ser uma boa saída.

O nome mais questionado, porém, é o de Júlio Baptista. Outro reserva da Roma em péssima fase. Mas, como já disse aqui outras vezes: é um jogador que sempre correspondeu quando entrou em campo pela Seleção. Fez gols importantes, é versátil e já está no grupo. Acredito, porém, que vai acabar ficando fora da última convocação, para dar lugar à Ronaldinho. Dunga foi prudente em mantê-lo de fora. Assim, o meia continuará focado e concentrado no desejo de jogar pelo país. Afinal, Ronaldinho não precisa ser testado.

Por fim, no ataque, Robinho foi convocado novamente. Natural. Dunga confia e tem uma dívida de gratidão com o atleta. Ao seu lado, nomes inquestionáveis que fatalmente estarão na África do Sul.

Letra P. De paradinha

Ando um pouco sem tempo para o blog. Ossos do ofício. Por isso, ficou prejudicada a análise dos jogos do fim-de-semana nos Campeonatos Estaduais. Graças ao atraso, vou sair um pouco dos jogos em si, para tratar de outro tema.

No domingo, Robinho reestreou no futebol brasileiro. Em grande estilo. Fez de letra, o gol da vitória do Santos no clássico contra o São Paulo. Saiu melhor do que a encomenda.

Quando a tendência era que só se falasse na letra e na ótima volta de Robinho, outro assunto veio à tona devido ao jogo. O primeiro gol do Santos. De penalti, cobrado por Neymar.

A "paradaça", como foi apelidada a cobrança do jovem craque santista, foi o tema. Jornalistas e torcedores passaram a segunda-feira debatendo na TV, nos blogs, no Twitter. E as opiniões são as mais diversas possíveis.

Eu, confesso, que penso um pouco dos dois lados. Acho que todos ou quase todos tem razão em seus argumentos.

Lédio Carmona, por exemplo, disse em seu blog que é contra a paradinha. "A paradinha pode parecer uma forma de expressar a arte em campo, mas não passa de um escárnio contra o goleiro e contra o caráter competitivo de um jogo. Se é para mantê-la na regra, melhor evitar que o goleiro perca seu tempo...Fica mais democrático e consequentemente menos perverso e ditatorial com os arqueiros". Concordo que é uma humilhação para o goleiro, que cai sozinho e assiste o humilhante toque para o gol deitado.

Mas, preciso concordar também com os argumentos do também ótimo André Rocha em seu blog: "é dever lembrar que o penalti normalmente impede um gol ou uma jogada perigosa...impedir este artifício, como pretende fazer a sisuda FIFA, é beneficiar o infrator que não merece nenhuma vantagem ao prejudicar o espetáculo com a falta dentro da área." É impossível discordar.

No fim das contas, acho que todo artifício que for utilizado para facilitar a vida do cobrador do penalti, é justo, já que é uma falta grave e deve ser punida como tal. Com a "penalidade máxima", como o nome diz. Pobre do goleiro, que é o humilhado na jogada. Não é atoa, que a grama não nasce por ali...

PS: Duro é ver Rogério Ceni que é goleiro e já utilizou algumas vezes o artifício como batedor, reclamando da jogada. Ai, meu telhado de vidro.

Feliz aniversário e um brilhante futuro

Hoje é dia de Neymar. O jovem e ótimo atacante do Santos faz 18 anos. Isto mesmo. Só 18 anos. Tão pouca idade e tanto futebol.

Depois de um início tímido e pressionado, já que a expectativa que o cercava era muito grande, o garoto finalmente parece encontrar o seu verdadeiro futebol com a camisa alvinegra.

Ontem, contra o Santo André, Neymar foi o autor desta pintura:


Ainda deu o passe para o segundo gol, marcado pelo também ótimo companheiro Paulo Henrique Ganso.

Com a chegada de Robinho, deve crescer ainda mais a exposição e a pressão exercida sobre Neymar. Que já mostrou, no entanto, capacidade para desenvolver o que sabe.

Para muitos, ele é melhor do que Robinho. Para mim, ele tem tudo para ser melhor do que Robinho. E melhor do que muitos outros grandes craques do futebol brasileiro.

Neymar tem velocidade, dribles rápidos, é inteligente e está cada vez mais preciso nas finalizações.

Bem cuidada, a jóia da categoria de base do Santos pode tornar-se uma estrela da primeira linha do futebol mundial. E fazer lá fora o que Robinho nunca conseguiu fazer.

Criatividade e politicagem

Foi divulgada hoje a lista dos árbitros que vão apitar a Copa do Mundo, no meio deste ano. Mais uma vez um trio brasileiro foi selecionado. Os auxiliares serão Altemir Haussman e Roberto Braatz. O juiz? Carlos Eugênio Simon.

Envolvido em uma série de polêmicas nos últimos anos na arbitragem nacional, o árbitro mais uma vez prova seu prestígio junto à FIFA. Vai para o seu terceiro Mundial. Além disso, é sempre levado para outros torneios como Copa das Confederações, Mundial de Clubes, Copa América, etc.

Não há hoje no Brasil uma unanimidade como juiz. Mas há uma certeza de que Simon não é mais o árbitro confiável que foi um dia.

Soa estranho mais uma vez seu nome estar entre os selecionados.

É a criatividade da FIFA. E a força política do árbitro na CBF, que já foi denunciada outras vezes.

Além de Simon, o árbitro que validou o gol ilegal da França que levou os franceses para a Copa também está na lista.

E me perguntam porque eu já perdi as esperanças com a arbitragem...

Para não deixar dúvidas

O massacre imposto pelo Cruzeiro diante do fraquíssimo Real Potosí, da Bolívia na pré-Libertadores é sintomático. Primeiramente porque prova o quanto o principal jogador do time boliviano, o "ar rarefeito", faz falta em jogos no nível do mar. Segundo porque comprova a sede de vencer de um time que parece ter a Libertadores de 2009 ainda entalada na garganta.

A fraqueza do adversário impede qualquer análise mais detalhada do time do Cruzeiro. Foi um coletivo de luxo. Um verdadeiro treinamento. Aliás, só não pareceu um amistoso pois os bolivianos abriram a caixa de ferramentas desde o início da partida, contando com a conivência e a paciência do árbitro.

Enquanto eles batiam, o Cruzeiro jogava. E os gols saíam, em profusão. No primeiro tempo foram 4. Poderiam ter sido seis. Adilson ousou, escalando a equipe com três atacantes e Elicarlos postado na defesa na ausência de Gilberto. E funcionou, mesmo que o time tivesse muita dificuldade na saída de bola no princípio do jogo.

Na etapa final, o bizarro. Um jogador do Potosí conseguiu ser expulso aos 5 segundos de jogo (superando o ex-cruzeirense Zé Carlos, no último Brasileirão) e a tarefa ficou ainda mais fácil. O técnico cruzeirense prestigiou os quase 40 mil torcedores que compareceram ao Mineirão e deixou o time ainda mais ofensivo, colocando Guerrón no lugar de um dos volantes.

Com quatro homens na frente o Cruzeiro pressionou. Teve três gols anulados e pelo menos outras três oportunidades claras de gol. Até que a porteira voltou a abrir nos minutos finais. Bernardo, Eliandro e Guerrón deram números finais à histórica goleada: 7 a 0.

Parece conta de mentiroso. Mas é uma constatação de quem chega para brigar forte pelo título da Libertadores. Com um elenco amadurecido e mordido, com a permanência de Kléber e o reforço de Roger, é bom abrirem o olho com o Cruzeiro. Que aliás, cai no grupo da morte da primeira fase da competição.

Provavelmente, quem morrerão serão os adversários.

Quando o amor não resolve

O atual campeão brasileiro precisou de apenas 6 jogos para se classificar às semifinais na primeira fase do Campeonato Carioca. Apesar do desempenho parecer empolgante e de só agora o time ter deixado para trás os primeiros pontos na competição, a coisa não é bem assim.

Ontem, o Flamengo só empatou com o Olaria, por 3 a 3. Mais uma vez o Império do Amor, como o ataque formado por Adriano e Vágner Love tem sido chamado, funcionou. O imperador marcou uma vez. E Love fez dois gols, chegando à seis na competição.

Mas se ofensivamente o time empolga, a defesa está longe dos elogios. Foram oito gols sofridos nos últimos três jogos. 12 ao todo na competição. Média de dois tentos sofridos por jogo, contra adversários de nível técnico muito inferior (com exceção do Fluminense, derrotado por 5 a 3). Em seis jogos, foram ainda cinco penaltis cometidos. Sinais do mal posicionamento e do desempenho muito fraco.

São vários os fatores que implicam nos números tão ruins da defesa do Flamengo. O principal deles, é a saída do ótimo marcador Willians do meio-campo. A forma física ainda ruim dos laterais também contribui.

Números que preocupam, já que o time está há 20 dias da estréia na Copa Libertadores. É tempo suficiente para organizar a casa, pois nem sempre o amor será capaz de resolver a vida do rubro-negro.

Calor x Altitude

Claro que o tema é polêmico e complexo. E eu não vou ousar fazer uma comparação entre ambos aqui no blog. Antes de mais nada, vale ver a cena que gerou a idéia deste post:


Para quem ainda não tinha visto, este foi Batista, comentarista do SporTV, ontem, no jogo entre Grêmio e São Luiz. A partida, pelo Campeonato Gaúcho, viu a temperatura chegar próxima dos 39 graus, o que acabou fazendo com que Batista tivesse uma queda de pressão na cabine (onde a sensação térmica ultrapassava os 44 graus).

O assunto, foi amplamente comentado principalmente no Twitter. O primeiro a levantar a bola foi o comentarista da ESPN e editor da Trivela, Leonardo Bertozzi. Depois me lembrei que o jornalista Gustavo Poli, da Rede Globo, já havia escrito sobre o assunto em seu blog.

Nós brasileiros temos mania de reclamar dos jogos na altitude e no quanto são prejudiciais aos nossos times. Falamos até em riscos para a saúde dos atletas. Mas não reparamos o quanto são perigosos e complicados estes jogos no horário da tarde em pleno verão brasileiro.

De fato, são influências incomparáveis. Mas é desumano colocar os jogadores para correr embaixo de um sol desta magnitude. E com isto, pouca gente parece se preocupar.

Em tempo: não é justificativa, mas o Grêmio novamente foi mal e apenas empatou com o São Luiz por 1 a 1. Jogo fraco, sonolento, moroso. Nenhum time parecia muito disposto a enfrentar a forte temperatura. Apesar da liderança no Gaúcho, é preciso que o tricolor melhore seu jogo se quiser pensar em algo maior.

Linhas tortas

Ninguém apostava no Flamengo no meio de 2009. Uma contratação de um ex-jogador para pagar dívidas. Um acerto com um atacante que parecia muito pouco preocupado em jogar futebol. No fim, tudo deu certo e o time acabou campeão brasileiro.

Hora de colocar tudo no lugar e agir com a inteligência, certo? Errado. O ano passou e 2010 começou turbulento na Gávea.

Primeiro, a aposta no caro Vágner Love que pouco rendeu no Palmeiras. Agora, a primeira grande polêmica do ano: o caso Petkovic.

Aos 37 anos, poucos imaginavam que Pet seria solução para o Flamengo dentro de campo. E todos sempre souberam do temperamento difícil do sérvio fora dele. Se nas quatro linhas, até então, o desempenho era acima da média, fora dela, nem sempre foi assim.

O desgaste com o Marcos Brás que tem feito um trabalho interessante no Flamengo começou no fim do ano passado. E desandou no último domingo, quando o craque resolveu ir embora do Maracanã no intervalo do jogo contra o Fluminense, após ser substituído.

O problema não precisava tomar tamanha proporção. Mas não seria o Flamengo, se acontecesse assim. Pet foi irresponsável. E a história de "dei voltas na Tijuca esperando o fim do jogo" não colou. Mas ainda é importante demais dentro e fora de campo para o clube e a situação poderia ter sido contornada de maneira mais inteligente, com menos exposição.

Saldo: Petkovic fica desgastado com a diretoria. Marcos Brás ficará de olho no meia e não perderá a oportunidade de colocá-lo na linha. O jogador não será multado. E quando o calo apertar, voltará a campo no atual campeão nacional.

É o Flamengo, mais uma vez apostando em linhas tortas para seguir em frente. Pet e cia estão longe de deuses, para escreverem sempre as palavras certas no fim.

Outdoor ambulante

Surpreendeu a todos a entrada em campo do Palmeiras no clássico do último fim-de-semana contra o Corinthians. Não pelo time que entrava em campo. Não pela ausência de Diego Souza e de boas contratações que colocassem o time em condições de brigar em pé de igualdade com os rivais. Mas pelo azulado uniforme do técnico Muricy Ramalho.

O uniforme faz parte do acordo entre o Palmeiras e a Unimed Seguros, um dos braços da Unimed. Vai render ao Palmeiras 660 mil reais por um ano e não 1,5 milhões como vem sendo noticiado. Ninharia, se considerarmos que o treinador ficará com R$840 mil.

O projeto do departamento de marketing do clube paulista parece inovador. Mas tem tudo para fracassar. Primeiro pelos valores, que dificilmente vão ajudar o suficiente as combalidas finanças do clube. Segundo pois deixou o tricampeão brasileiro Muricy altamente constrangido. Por mais que ele receba uma parte maior do bolo. Por mais que ele saiba que o clube precisa de dinheiro para contratar os reforços que ele pede. Ficou claro que o técnico não estava à vontade fantasiado de outdoor.

Inovadora é mesmo a idéia da Unimed. Segundo o ótimo jornalista Erich Beting, a idéia da empresa é lançar planos exclusivos para os torcedores do Palmeiras e aumentar sua participação no concorrido mercado. Muito mais do que uma simples exposição da marca.

Resta saber porém, se o Palmeiras será capaz de levar a Unimed ao seu torcedor. Futebol é resultado. E com este time...

Perdas e danos

Não é de hoje que abre a janela de transferências e dois nomes são praticamente colocados para fora do São Paulo: Miranda e Hernanes. Dois ótimos jogadores, revelados pelo clube paulista e que estariam na mira dos grandes europeus. Porém, anos se passaram e nenhum negócio para os dois se concretizou.

Quando parecia porém que o São Paulo passaria ileso pela janela de transferências, a diretoria resolveu negociar um jogador no último dia do mercado. André Dias foi negociado com a Lázio, da Itália, por 6,5 milhões de reais.

Antes de criticar o baixíssimo valor da venda, vale lembrar que André ficaria sem contrato no fim do ano e poderia ir embora gratuitamente do clube. Além disso, o zagueiro está com 29 anos e não é mais nenhum garoto.

A perda maior porém, está dentro de campo. Nas últimas temporadas, André Dias tem sido sinônimo de bom futebol na defesa tricolor. Mais do que isso, é um dos grandes líderes do elenco são-paulino atualmente.

Prestes a iniciar mais uma Libertadores, a perda é muito grande para o São Paulo. Mas deve ajudar, porém, Ricardo Gomes a resolver o seu grande problema. Queria escalar o time no 4-4-2, mas tinha excesso de bons zagueiros. Uma parte está resolvida. Resta agora, encontrar um lateral direito. Tarefa bem mais difícil do que vender seu melhor zagueiro.

Como andar de bicicleta

Jogar futebol não se aprende. Quem sabe, sabe. E enquanto a parte física permitir, será sempre um bom jogador. Casos como estes não faltam, para provar que a máxima é verdadeira. Mais um, está sendo comprovado agora.

Depois de um ano e meio parado por conta de um doping no qual não teve participação, Dodô voltou a jogar este ano pelo Vasco. Os dois primeiros jogos deram uma impressão errada sobre o atleta. Faltava ritmo de jogo. O atacante parecia não acompanhar o jogo.

Veio o clássico contra o Botafogo e o primeiro show. Três gols contra o ex-clube, que não deu ao ídolo o tratamento necessário. Ali, o atacante parecia renascido.

Ontem, mais um espetáculo particular. Dodô marcou mais três, desta vez contra o Figueirense. Um de falta, um de cabeça e outro em impedimento. Já é o artilheiro do Campeonato Carioca, com seis gols.

E é assim, de três em três, que Dodô vai provando que jogar futebol é como andar de bicicleta. Quem sabe, não esquece. Sorte do Vasco, que apostou no talento do "artilheiro dos gols bonitos".

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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