A equipe lusa que ficou pelo caminho na África do Sul já está no Quadro Negro do Marcação Cerrada.
Por lá, tentamos entender o que fez desta equipe um fracasso ofensivo e uma defesa tão espetacular.
Aproveite para ver também a análise de outras seleções da Copa:
Faltam 7 jogos. A Copa do Mundo chega à sua fase mais interessante. E fica mais perto do fim. Nas oitavas-de-final, oito jogos e muita emoção. Partidas incríveis como a vitória da Alemanha e da Espanha. Jogos enfadonhos, como a classificação paraguaia nos penaltis contra o Japão.
As oitavas-de-final serviram para fortalecer a idéia da Copa América na África do Sul. "Nunca antes na história das Copas", quatro sul-americanos chegaram às quartas-de-final. E como eles não se enfrentam na fase que está por vir, podemos ter, de fato, quatro sul-americanos brigando pelo título nas semifinais. É possível, mas pouco provável.
Se na primeira fase meus palpites não foram bons, compensei nesta etapa. Dois oito jogos, acertei o vencedor de sete. Só a classificação de Gana sobre os Estados Unidos ficaram fora da minha previsão.
Alemanha e Espanha voltaram a encantar. A Argentina conseguiu mais uma vitória sem sustos. O Brasil voltou a se impor. A Holanda mostrou sua capacidade de atacar e defender com segurança. E assim, chegamos às quartas-de-final.
Hora de apostar mais uma vez. Para mim, Uruguai, Brasil, Alemanha e Espanha estarão nas semifinais. Aguardemos.
Por fim, aí vai a minha seleção da Copa até aqui, alterada após mais uma fase:
Eduardo (Portugal), Lahm (Alemanha), Lúcio (Brasil), Tanaka (Japão) e Coentrão (Portugal); Pérez (Uruguai), Schweinsteiger (Alemanha) e Ozil (Alemanha); Messi (Argentina), Forlán (Uruguai) e Villa (Espanha).
Vendo comentários no Twitter, em blogs e nos programas televisivos, me fiz a pergunta: o que será que a Espanha ainda precisa provar nesta Copa do Mundo? Os clichês de que a Fúria "amarela" na hora de decidir tomam conta da maioria das cabeças que parecem preferir não enxergar o óbvio. A Espanha é a melhor equipe da África do Sul.

E vale dizer que a equipe ainda tem problemas. Iniesta está claramente fora de ritmo, após as lesões que o atormentaram no fim da temporada. Se estivesse inteiro, o jogador daria outra dinâmica para a equipe. Assim como Fernando Torres, que não fez uma boa temporada e tem problemas físicos e técnicos.
De toda forma, a Espanha passa poucos sustos. Fez quatro boas partidas até aqui. Vale a lembrança de que mesmo quando foi derrotada pela Suíça na estréia, por 1 a 0, foi infinitamente superior.
Ontem, mais uma boa partida dos espanhóis contra Portugal. Os portugueses voltaram a atuar fechados na defesa, apostando em uma equipe que não levava gols há oito jogos e não perdia desde o amistoso contra o Brasil. O grande pecado de Carlos Queiroz, foi deixar seu único jogador capaz de decidir e de fazer algo diferente, cheio de obrigações táticas. Cristiano Ronaldo ficou longe do gol, principalmente porque tinha que acompanhar as descidas de Capdevilla.
Apesar disso, com seu ótimo aproveitamento defensivo, Portugal criava as melhores chances na etapa inicial. A Espanha novamente tinha posse de bola total, controlava o jogo, mas era pouco incisiva. Xavi foi mais um "terceiro volante" do que o meia central no 4-2-3-1 e Torres ficou muito sozinho à frente.
No segundo tempo, porém, a Espanha tentou mais o jogo enquanto Portugal preferiu se fechar. E quando se joga contra um adversário tão forte, uma hora a jogada encaixa. Passe de Iniesta para Xavi que de calcanhar colocou Villa na frente do gol. Impedido, é verdade. Mas Villa fez o quarto gol dele na Copa, o quinto da Espanha. Se não é o melhor jogador do Mundial, é de longe o mais decisivo e o mais importante.
Portugal poderia ameaçar mais. A pressão foi freada pelas mexidas pouco ousadas de Carlos Queiroz e também pela expulsão de Ricardo Costa (confesso que até agora não vi agressão alguma no lance). E foi Llorente quem esteve perto de ampliar o placar, não fosse mais uma atuação fantástica de Eduardo.
Aliás, no time de Cristiano Ronaldo, foi o sistema defensivo que se sobressaiu. E sai da Copa com apenas um tento sofrido. Eduardo brilhou. Fábio Coentrão é a grande revelação do Mundial até aqui.
Mas quem segue em frente é a Espanha. Que pode não ganhar, pois futebol não é ciência exata. Mas que mesmo com problemas, é a equipe que joga o melhor futebol. E é a mais segura entre todas as candidatas ao título (que não são poucas). Para mim, os espanhóis não precisam mais provar coisa alguma.
Bastava pegar a tabela das oitavas-de-final da Copa do Mundo para fazer a previsão: Paraguai e Japão fariam o jogo menos empolgante desta fase. Em campo, as equipes confirmaram as expectativas. Fizeram um jogo fraco, pouco empolgante e que só podia mesmo ser decidido nos penaltis, depois do enfadonho 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação.

Em campo, as duas equipes mostraram desde o início a maior preocupação defensiva e o medo de errar. O Paraguai, aliás, sacou um atacante do 4-3-3 que vinha funcionando bem até aqui no Mundial, para reforçar o meio-campo.
E assim, a partida teve poucas oportunidades de gol, erros de passe em profusão e jogadas toscas. Faz parte. Isto também é futebol. E não quer dizer que as equipes sejam ruins. Basta ver o show da seleção japonesa contra a Dinamarca.
A ambas porém, faltava experiência. Japão e Paraguai nunca haviam chegado ás quartas-de-final. A responsabilidade pesou e as equipes tiveram medo. Simples.
No fim, a bola no travessão de Komano, foi o único penalti errado entre os 8 batidos. Suficientes para o Paraguai fazer 5 a 3 e comemorar a classificação. Justo, para um time que mesmo jogando mal, procurou um pouco mais o gol. Suficiente para fazer história. Este já é o melhor Paraguai da história.
Só uma lesão tiraria Felipe Melo do time titular de Dunga. Afinal, além de confiar plenamente no volante, o treinador não parece muito disposto a "dar o braço a torcer". As lesões de Felipe e Elano, "obrigaram" Dunga a escalar o meio-campo que para muitos é o ideal para a Seleção Brasileira: Gilberto Silva, Ramires, Daniel Alves e Kaká.

Assim, o Brasil voltou a atuar no 4-4-2 em losango. Ganhou equilíbrio, poder de marcação e velocidade na saída de bola. O poder de marcação eu explico: é claro que Felipe Melo é mais marcador do que Ramires. Mas o posicionamento do jogador do Benfica, auxiliando Michel Bastos, foi fundamental inclusive na subida de produção do lateral esquerdo.
Diferente do que muitos imaginavam e provavelmente o que era mais óbvio, o Chile não partiu de maneira desordenada para cima do Brasil. O ofensivo 3-4-3 deu lugar a um também ousado e diferente 3-3-3-1. Uma linha de três zagueiros, os dois alas e um volante, três meias e apenas Suazo à frente. Ofensivo, porém cuidadoso.
Com a marcação adiantada como é de costume nos times de Bielsa, os chilenos começaram dificultando muito as ações brasileiras. O time afunilava demais o jogo. Maicon subia pouco, preocupado com Mark González. Daniel Alves procurava mais o meio do que o lado. Ramires também. E assim, o Brasil perdia a bola com facilidade na intermediária adversária.
O gol de Juan, em uma das jogadas mais fortes da Seleção (que ainda não havia funcionado na África), mudou completamente o jogo. O Chile, com uma defesa praticamente reserva, passou a dar muitos espaços. O Brasil passou a ter tudo para matar o jogo no contra-ataque. E para isto, contava com mais uma atuação perfeita de Lúcio, ajudado ainda pela subida de produção de Juan.
Ainda no primeiro tempo, o contra-ataque mortal praticamente definiu o jogo. O trio ofensivo voltou a dialogar e aí fica difícil segurar. Robinho para Kaká, Kaká para Luís Fabiano, goleiro no chão e gol do Brasil. 2 a 0 antes do intervalo.
Na etapa final, o Chile se abriu de vez. Com um pouco mais de calma, o Brasil poderia ter feito muitos gols. Marcou mais um, em ótima jogada de Ramires que terminou com o primeiro gol de Robinho na África. Robinho que jogou melhor, como atacante de fato, e não como meia-esquerda no 4-2-3-1. Teve liberdade para flutuar e confundiu a marcação.
No fim, Dunga ainda teve tempo para colocar Kléberson e Gilberto em campo, para não dizerem que eles foram ao Mundial a passeio.
O 3 a 0 com poucos sustos, mostrou que o Chile e seus problemas defensivos (que já são muitos com todos os titulares) não foram páreos para o Brasil. E que o time, jogando de forma mais equilibrada como hoje, passa menos sustos.
Pena porém que o destino jogou contra justamente no complicado duelo das quartas-de-final. Ramires suspenso deve modificar a maneira de jogar da seleção. O importante agora, é torcer para o retorno de Felipe Melo. Sem Ramires, a ausência do volante poderá ser fatal.
A Holanda chegou à África do Sul como uma das favoritas. Assim como a Espanha, tinha que lutar contra o estigma de jogar bem, encantar mas nunca levar o troféu. Este ano, porém, a equipe conseguiu manter a tradição do jogo aberto e envolvente, mas passou a ter mais cuidados defensivos e saber "jogar feio" quando é necessário. Por isso, chegou com o triunfo de ontem aos 23 jogos sem perder.

Até então, porém, a equipe não encantou. O futebol pragmático e pouco vistoso aguardava pela entrada de Robben no time. O principal jogador holandês tinha jogado apenas 18 minutos no último jogo na primeira fase.
De fato, com ele em campo, a Holanda cresceu. O 4-2-3-1, passou a funcionar melhor, com Sneijder mais solto e mais responsabilidade. Com Robben prendendo a marcação e entrando com eficiência em diagonal. E com Kuyt alternando-se pela esquerda e no comando do ataque.
E numa jogada daquelas que todo mundo sabe o que vai acontecer, mas que os zagueiros não conseguem marcar, Robben cortou para a perna esquerda em diagonal e abriu o placar em chute de fora da área. A Holanda já era melhor no jogo.
Aliás, a Eslováquia pecou por deixar Hamsik, seu principal jogador, muito longe do gol. Jogando como meia, ele foi o principal responsável da histórica vitória sobre a Itália. Mesmo perdendo, a Eslováquia parecia satisfeita por ter chegado onde chegou em sua primeira participação em Copas. Não ousou, não tentou coisa diferente. A Holanda tinha controle do jogo e dominava amplamente o meio-campo.
No segundo tempo a Holanda percebendo a aceitação do adversário, acomodou. Passou a dar espaços demais. O suficiente para Vittek e Stoch perderem gols teoricamente fáceis. Ali, a Eslováquia poderia ter complicado um jogo que parecia ganho.
O susto caiu bem para a Holanda. Com Elia em campo, o time voltou a buscar o jogo veloz. E matou a partida em vacilo da defesa adversária e passe perfeito de Kuyt para Sneijder. 2 a 0 e partida definida.
No último lance, Vittek de penalti marcou o de honra da Eslováquia (o quarto dele na Copa, artilheiro ao lado de Higuaín). Que de fato, fez uma campanha honrosa. E interessante.
A Holanda será a próxima adversária do Brasil. Um confronto cercado de tradição e história. Um confronto imperdível. E se Robben é preocupação extra para a fraca marcação de Michel Bastos, é importante lembrar que o velho Bronckhorst também não é nenhuma sumidade na marcação no lado esquerdo holandês. Ali, podemos achar o nosso caminho.
O bom e jovem time mexicano está no Quadro Negro do Marcação Cerrada.
Por lá, você pode conferir o time que entrou em campo hoje, contra a Argentina. Finalmente, Aguirre pareceu ter encontrado sua "formação ideal". Pena que a equipe tenha se despedido.
Aproveite para ver a análise de outros times da Copa:
Depois da mão de Maradona ajudar a Argentina numa Copa do Mundo, hoje foi a vez da bandeira ser decisiva. Se o placar de 3 a 1 parece deixar incontestável a vitória dos hermanos, é preciso dizer que o primeiro gol, absolutamente irregular, foi marcado quando o México era melhor na partida.

A Argentina voltou a entrar em campo no 4-4-2 em losango. Máxi Rodrigues ganhou a posição de Verón, por ter mais dinâmica e mais pulmão. Tévez jogou bem perto de Higuaín na frente. E Messi, atuou solto como sempre.
Já o México, finalmente colocou em campo Chicarito Hernandez e Bautista na frente. O 4-4-2 tradicional, parecia um 4-2-3-1 em determinados momentos, com Bautista recompondo o meio-campo e marcando Mascherano quando preciso.
O jogo equilibrado, tinha o México um pouco melhor por impedir que a bola chegasse com facilidade para Messi e Tévez no campo de ataque. Apesar de Giovanni dos Santos mais uma vez pecar por prender a bola demais, o time tinha no lado esquerdo ampla vantagem sobre a defesa argentina, com Guardado e Salcido. Já havia colocado uma bola no travessão.
Aí entrou a arbitragem, decisiva sim. Tévez, impedido, sem nenhum jogador adversário à sua frente (nem o goleiro), marcou após passe de Messi. O erro, mostrado para todos (inclusive jogadores e árbitros) no telão, descontrolou os mexicanos. O italiano Roberto Rosseti não podia voltar atrás, já que a FIFA não permite o uso de equipamentos, infelizmente.
Daí em diante, argentinos passaram a comandar e controlar o jogo, aproveitando-se dos espaços deixados pelos mexicanos. Di María entrou de vez no jogo. Tévez não parava um segundo de correr. E as coisas ficariam ainda mais fáceis quando Osório errou feio e entregou a bola para Higuaín marcar o segundo com facilidade.
Na etapa final, o México tentou alterar o ritmo do jogo, mas o terceiro gol argentino, marcado por Tévez em bomba de fora da área, definiu de vez a classificação. A Argentina abdicou do ataque e o México tentou jogar de forma desordenada. Se quisesse, os sul-americanos teriam goleado. Mas não o fizeram e ainda viram Demichelis falhar mais uma vez, para Hernandez marcar o de honra.
No fim, o 3 a 1 classifica a Argentina para fazer um confronto que promete muito contra a Inglaterra. O México fez uma bela Copa. E certamente, daria muito mais trabalho não fosse o erro da arbitragem, que se não foi decisivo, serviu para deixar o jogo "fácil" para a Argentina.
Argentina que mais uma vez brilhou pelo talento individual. Falta jogo de grupo, armação tática e jogadas envolventes. A Alemanha será um teste sagrado para ver até onde Messi, Tévez e sua turma podem definir jogando "cada um por si e todos pela Argentina".
Os erros do English Team culminaram na eliminação da equipe ainda nas oitavas-de-final diante de uma competentíssima equipe alemã.
Como jogou a Inglaterra na Copa do Mundo, e a minha "sugestão tática" tardia demais, estão no Quadro Negro do Marcação Cerrada.
Aproveite para acompanhar também a análise de outros times da Copa:
Imprevisível. É o adjetivo que pode qualificar a partida no Free State Stadium entre Inglaterra e Alemanha pelas oitavas de final, a melhor da Copa do Mundo até aqui. Não somente pela partida em si, mas pelos elementos que a envolveram. Em dado momento, parecia que os ingleses que eram o segundo elenco mais jovem da Copa e os alemães, um dos mais experientes.

Capello manteve a formação que conseguiu a classificação diante dos eslovenos, na última rodada do Grupo C. Inclusive com o ineficaz Milner e a linha de quatro homens no meio-campo. Novamente, os dois meias habilidosos da Inglaterra – Lampard e Gerrard – se enroscaram no meio e não conseguiram armar o jogo como deles se espera. Já os alemães voltaram a ter Klose fixo no ataque, com Podolski e Müller aberto nos flancos, enquanto Özil pensava o jogo (o que faltava aos ingleses) e dando jovialidade e dinâmica aos ataques. Pouco mais atrás, Khedira e Schweinsteiger mostraram a versatilidade que se espera de um meiocampista moderno. Valeram os talentos individuais da Alemanha em detrimento dos escondidos ingleses.
No início do jogo, ligações diretas entre defesa e ataque do English Team, enquanto a Alemanha lembrou o bom momento vivido contra a Austrália em sua estreia. Mas o gol de Klose começou em um chutão, que o camisa 11 ganhou na força de Upson e marcou o gol que o igualou a Pelé em tentos marcados na história das Copas: 12 gols. A Inglaterra continuou cochilando até tomar o segundo gol, marcado por Podolski. Então, uma história de quase 44 anos entraria em campo e penderia a balança a favor dos garotos.
O gol do zagueiro Upson colocou a Inglaterra na partida e a equipe de Capello despertou. Até um lance, familiar a ingleses e alemães, sacramentou a partida. Há 44 anos, em Wembley, Geoff Hurst chutava da pequena área, a bola tocava a trave de Tilkowski e tocava fora da meta: o juiz deu gol, a Inglaterra fez 3 a 2 e o gol irregular foi fundamental para o primeiro (e único) título dos criadores do futebol. No Free State, Lampard arrisca de fora da área e a bola pinga dentro do gol do alemão Neuer (33cm, segundo o tira-teima global). O árbitro Jorge Larrionda e seus assistentes não validam o gol e a Alemanha virou o invervalo com vantagem.
Apesar da ironia envolvida, não dá pra se ignorar o erro crasso de uma arbitragem muito mais modernizada que 40 anos atrás. Que assim como em solo britânico, decidiu a partida na África do Sul, mesmo com a partida impecável feita pelos garotos na segunda etapa. A Inglaterra se atirou ao ataque – talvez cedo demais, da forma como fez – e Müller detonou a equipe vermelha em dois contra-ataques fulminantes. Então, os germânicos – média de idade pouco menor que 25 anos – usaram da experiência e cozinharam os adversários, com autoridade. E ajudaram a manter uma tradição: desde 1938, a Alemanha fica pelo menos entre as oito melhores equipes da Copa.
A Inglaterra volta para casa sem ser sombra de ser a equipe que veio cotada como uma das favoritas. Capello acumulou erros, teve sua cota de azar e perdeu algum comando sobre seu elenco, como no caso Terry. Rooney, Gerrard e Lampard foram decepcionantes.
Já os jovens alemães se agigantam para o prosseguimento do Mundial. E mesmo não sendo constante no bom futebol, a equipe do técnico Joachim Löw soube a hora de jogar bem. E avança para fazer uma boa campanha. Uma Nationalelf cosmopolita, recheada de jovens talentos como Neuer, Khedira, Özil e Müller e assessorada pelos "veteranos" Klose, Schweinsteiger, Lahm e Podolski.
Na primeira Copa do Mundo realizada em solo africano, por pouco o continente não ficou fora da fase decisiva. Gana salvou a "pátria", conseguindo a classificação no grupo da Alemanha. E quando não esperava-se muita coisa da África no Mundial, ganeses voltaram a surpreender eliminando na prorrogação os Estados Unidos.

O jogo começou com os americanos tomando a iniciativa e melhores. Mas antes que pudessem tentar algo, Prince Boateng aproveitou os espaços deixados pelo setor direito da defesa americana para abrir o placar em jogada de força e velocidade. O gol assustou os Estados Unidos e Gana cresceu. Aproveitava-se da pouca combatividade do meio-campo adversário para marcar no campo de ataque e manter a posse de bola.
Aos 30 minutos, Bradley começou a acertar o time americano com a entrada de Edu, que melhorou a marcação. Acertaria de vez com a colocação de Feilharber, passando a equipe para o 4-2-3-1 e aproximando Dempsey e Donovan do gol. A pressão e o domínio dos Estados Unidos só foram convertidos em gol, porém, graças ao penalti de Jonathan em Dempsey.
Depois de um justo 1 a 1 na partida, a prorrogação parecia ser o momento para americanos matarem o adversário. Mas novamente, um gol no princípio mudou completamente o jogo e os planos. Gyan aproveitou lançamento longo e (novamente) na força e na velocidade os ganeses foram às redes.
Sem pernas e sem um atacante capaz de decidir, a pressão dos Estados Unidos raramente assustaram os ganeses. Franco atiradores daqui em diante no Mundial. Já foi suficiente para honrar o continente nesta Copa tão especial.
O eliminado time americano já está no Quadro Negro do Marcação. Erros de avaliação, fizeram com que a equipe tivesse dificuldades extras hoje, contra Gana.
De toda forma, é bom ficar atento com a constante evolução do time dos Estados Unidos.
Aproveite para ver a análise de outros times da Copa, clicando aqui:
Depois de ser um dos grandes times da primeira fase, o Uruguai seguiu sua ótima campanha na África do Sul. Bateu, com sofrimento desnecessário, a Coreia do Sul e chegou às quartas-de-final depois 40 anos. Mais do que isso, é favorito para conseguir uma das vagas da chave na semi, mostrando que a Celeste Olímpica está mesmo de volta.

A postura tática do Uruguai mudou um pouco no jogo de hoje. Forlán foi mais atacante do que meia, apesar de ter liberdade para recuar e buscar o jogo organizando a equipe. Para o time funcionar, Álvaro Pereira teve que ser mais volante. O time variava entre um 4-3-1-2 e o 4-3-3.
A Coreia do Sul manteve o 4-2-3-1. O craque do time, Park Ji Sung, porém, começou jogando pelo lado esquerdo. O time só fluiu bem quando o jogador passou para a meia central, recuando Chuyoung para o setor esquerdo.
Desde o início do jogo, o Uruguai teve o controle, apesar dos sustos iniciais. Os asiáticos tinham dificuldade na saída de bola e faziam seguidamente uso da ligação direta o que deixava os sul-americanos com o controle da bola e do jogo. A falha de Sungyong, aos 8 minutos, que resultou no gol do oportunista Suárez, deixou o jogo ainda mais à feição dos uruguaios.
Depois de jogar melhor na etapa inicial e de ter inclusive um penalti não marcado pela arbitragem, o Uruguai resolveu se defender. Recuou suas linhas e deu espaço para a Coreia, que voltou cheia de apetite ao segundo tempo. O time só foi se recuperar no jogo após a falha geral da defesa e do goleiro Muslera resultarem no primeiro gol sofrido pelo Uruguai na Copa.
Alguns minutos de pressão coreana e duas boas chances perdidas foram suficiente para o Uruguai voltar a assumir as rédeas. A entrada de Lodeiro acertou a marcação pelo lado esquerdo e o time cresceu. Até Suárez novamente, em bela finalização, dar números finais ao jogo.
A classificação fez justiça para o time que jogou melhor a maior parte do jogo. O Uruguai tem boa organização defensiva e muita qualidade técnica no ataque. É uma seleção forte, que conta com Forlán em grande fase, com Lugano experiente e controlado e com Pérez jogando como um leão no meio-campo. Chega como favorita às quartas de final e certamente dará muito trabalho para quem vier pela frente.
A Copa do Mundo chegou à fase decisiva. E após os 48 primeiros jogos, já dá para fazer um balanço do que aconteceu e do que ainda está por vir na África do Sul.
Para muitos, a fase inicial foi pouco empolgante. Um erro. Tivemos grandes jogos, partidas emocionantes e muitas equipes interessantes. Ficou a impressão ruim após a primeira rodada, com poucos gols. Mas aos poucos, as coisas entraram em seus lugares e é possível dizer que temos um grande Mundial.
Até agora, nenhuma equipe empolgou. A Argentina fez ótimas atuações, mas de fato, ainda precisa de um teste mais sério. O Chile impressionou pelo ímpeto ofensivo, numa Copa marcada por bons sistemas defensivos até aqui. Espanha e Brasil tiveram dificuldades, mas conseguiram se classificar bem. A Alemanha começou empolgando, mas não manteve o ritmo.
Entre as surpresas, vale destacar a ótima campanha do Uruguai além da força e a raça dos Estados Unidos.
Nos palpites, eu fui péssimo. Em 4 de dezembro de 2009, na época do sorteio dos grupos, apostei nos classificados. Errei 7, dos 16. Na verdade, só acertei os dois no grupo C, com Estados Unidos e Inglaterra. Por pouco!
De toda forma, não fugiremos dos palpites. Acho que Uruguai, Estados Unidos, Holanda, Brasil, Argentina, Alemanha, Paraguai e Espanha estarão nas quartas-de-final. Veremos.
Para terminar, a minha seleção com os melhores da Copa até aqui:
Enyeama (Nigéria), Lahm (Alemanha), Lúcio (Brasil), Tanaka (Japão) e Morel Rodríguez (Paraguai); Pérez (Uruguai), Honda (Japão) e Ozil (Alemanha); Messi (Argentina), Forlán (Uruguai) e Villa (Espanha).
Menção honrosa para Elano, Donovan, Maicon, Coentrão, Vera e Ricardo Carvalho.
Espanha e Chile fizeram mais um jogo ótimo na África do Sul. No fim, a vitória dos espanhóis fez muito bem ao Mundial. Ambas as equipes conseguiram a classificação para as oitavas-de-final. De fato, seria uma pena que uma delas ficasse de fora, pelo que demonstraram até aqui na primeira fase.

Pela primeira vez em muito tempo, a Espanha foi atacada. Obra de Bielsa, que quis ver seu time jogando de igual para igual com um dos favoritos ao título. Como o empate era perigoso para os europeus, o jogo ficou franco, técnico e interessantíssimo.
Aproveitando-se das falhas e lacunas da defesa chilena (que não são poucas) a Espanha fez 2 a 0 e definiu o jogo. Primeiro com o artilheiro Villa, após saída bizarra de Bravo. Toque por cobertura com muita categoria. Depois, com Iniesta, batendo forte da entrada da área. Estrada, que tropeçou em Fernando Torres sem ver, ainda foi mal expulso pelo árbitro da partida.
Com dois gols contra e um jogador a menos, contra uma equipe técnica e veloz, era impossível imaginar que os chilenos conseguiriam alguma coisa. Mas como o resultado era perigoso, já que com um gol contra a fraca Honduras, os suíços eliminariam os sul-americanos, coube ao Chile continuar querendo o jogo. Acabaram premiados com um belo gol de Millár, com desvio em Piqué. 2 a 1. Resultado bom para as duas equipes.
A Espanha fez o que dela esperava. Mostrou que a derrota contra a Suíça foi apenas um pequeno desvio de percurso. É fortíssima e grande favorita. Com Iniesta, Xavi, Villa e Torres, tem tudo para chegar longe. E de cara, terá um teste dificílimo, contra Portugal de Cristiano Ronaldo.
Assim como o Chile, que enfrentará o Brasil. Com o excesso de destaques defensivos e um time extremamente ofensivo, as coisas podem acabar ficando boas para a seleção brasileira. Mas que não se empolguem. A coragem e a qualidade do ataque chileno podem surpreender.
Eliminada e sem vencer. De fato, não dava para esperar muito de Honduras na Copa do Mundo.
De toda forma, para os hondurenhos o importante foi participar. E como fizeram para deixar o Mundial sem passar vergonha? Está no Quadro Negro do Marcação.
Clique aqui para ver.
Aproveite e confira a análise de outros times da Copa:
Escrevi na semana passada que seria curioso ver a postura da Suíça precisando atacar e vencer uma seleção inferior. Além de curioso, deu calo nas vistas. Sem saber o que fazer com a bola nos pés e precisando marcar dois gols para se classificar, a melhor defesa da Copa não saiu de um 0 a 0 contra a fraca Honduras.

Foi um dos piores jogos da Copa. Poucas chances de gol, equipes fracas tecnicamente e pouca empolgação. Olha que ambas poderiam se classificar com um resultado positivo (Honduras com uma goleada, dependeria ainda de vitória do Chile).
No fim das contas, a aparência foi de que as duas equipes estavam satisfeitas com o que conseguiram até ali e não lutaram para chegar mais longe.
Honduras conseguiu uma classificação histórica e importante. É um país pequeno, cheio de problemas e chegar ao Mundial foi um bom presente. O "ponto de consolação" serve para deixar ainda mais animado o país.
Já a Suíça, bateu o recorde defensivo que pertencia à Itália e derrotou uma das principais favoritas ao título. Estava, de fato, de ótimo tamanho, para um time que sabe como poucos se defender, mas que depende de golpes de sorte para atacar.
Bom para o futebol, que terá um ousado Chile nas semifinais. E claro, a Espanha. Seria uma pena a Fúria ficar de fora da festa.
Um time que fez uma boa campanha na primeira fase, mas acabou eliminada graças à ótima bola parada japonesa.
A Dinamarca e sua falta de alternativa, estão decifradas no Quadro Negro do Marcação Cerrada.
Aproveite para ver a análise dos outros times da Copa:
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África do Sul
Ser a Seleção Brasileira tem seus lados bons e ruins, como quase tudo nesta vida. Se por um lado a pressão e exigência por vitórias e futebol vistoso ocorre mesmo quando do lado oposto há um grande adversário, do outro temos um respeito por parte dos nossos rivais que ajuda muito. Hoje, estas características ficaram claras no 0 a 0 contra Portugal, que classificou o Brasil como primeiro em sua chave.

É preciso relativizar jogo e resultado. O Brasil não tinha seus dois melhores jogadores. Kaká e Robinho fazem falta para qualquer seleção do planeta. A Holanda ainda não brilhou sem Robben. A Espanha perdeu sem Fernando Torres. A Alemanha perdeu sem Podolski. É natural. Além disso, é preciso lembrar que o Brasil já estava classificado. E mais do que isto, que Portugal é um grande time, que não perde há 19 jogos (contando o de hoje) e que neste período sofreu apenas três gols.
O jogo teve dois tempos distintos. No primeiro, muita marcação e lances duros. O árbitro precisou ficar atento e distribuir muitos cartões. Poderia até ter pegado mais pesado, expulsando Juan e Pepe. O Brasil tinha muita dificuldade para penetrar na defesa portuguesa, que jogava com 9 jogadores atrás da linha da bola, deixando apenas Cristiano Ronaldo à frente. Mas não corria riscos. Tentava rodar a bola e era melhor no jogo.
Dunga foi obrigado a mexer no time aos 44 minutos. Felipe Melo, nervoso e machucado, deu lugar a Josué pouco depois de tomar cartão amarelo. Não por coincidência, o rendimento brasileiro caiu vertiginosamente após a substituição. Felipe Melo além de ocupar bem os espaços, dá mais velocidade e qualidade ao passe na saída de bola. Com Gilberto Silva e Josué, o Brasil ficou acuado no início do segundo tempo.
E Portugal passou a gostar do jogo. Não fosse o respeito excessivo pela camisa brasileira, a nossa pátria mãe poderia ter vencido. Cristiano Ronaldo chamou a responsabilidade e fez grande jogo (fazendo um duelo incrível com Lúcio) mas faltou quem dialogasse melhor com o astro, já que Tiago não repetiu a ótima atuação diante dos coreanos.
Dunga demorou para mexer e quando o fez errou. Mostrou que trouxe para a África um banco com poucas alternativas. E que não confia em alguns jogadores, como Kléberson. Grafite entrou num momento onde era óbvio que ele não tocaria nenhuma vez na bola.
No fim das contas, o empate acabou sendo um bom resultado. Num dia em que o Brasil não teve seus principais jogadores e não fez boa partida, não perder é fundamental. E é isto que faz do time de Dunga tão forte. A pressão é enorme e não tem nada a ver com Dunga. Seria, com qualquer outro técnico. De fato, acredito que o Brasil está entre os grandes favoritos da Copa e acho cedo para tanto desespero. Não temos brilho, mas temos uma seleção extremamente competitiva. Quem está acompanhando a Copa sabe que envolver por lá, é segundo plano, e quem não entra para vencer fica pelo caminho.
Por motivos óbvios, não assisti o jogo entre Costa do Mafim e Coreia do Norte. Vi pouco mais do que os melhores momentos. Por isto, o post ficará comprometido. Na verdade, este vai mais para constar, já que falamos por aqui de todos os jogos da Copa até então.

Com uma missão (quase) impossível pela frente, os africanos fizeram o que tinham que fazer. Atacaram, criaram oportunidades, e golearam a frágil e já desmotivada Coreia. Ao todo, foram 28 chutes a gol. 60% da posse de bola. Domínio total e absoluto.
No fim, conseguiram um 3 a 0 que serviu para a equipe sair de cabeça erguida, mas que não conseguiu se classificar à próxima fase. De toda forma, é um país que vem crescendo aos poucos e que certamente chegará ainda mais forte em Copas futuras.
A Coreia começou bem contra o Brasil e obviamente caiu de rendimento quando o calo apertou. Era de se imaginar que a equipe seria eliminada com três derrotas. Para muitos, a Costa do Marfim decepcionou. Drogba em plenas condições fez muita falta. A tabela também foi extremamente prejudicial aos Elefantes, pois enfrentaram a "carta-branca" do grupo quando praticamente não tinham chances. Acontece. Que tenham mais sorte na próxima Copa.
Deu gosto ver o time japonês diante da impotente Dinamarca. Com um time bem postado taticamente (como é característica dos asiáticos) mas com ótima fluência ofensiva graças às grandes atuações de Endo, Matsui e principalmente, Honda, o time encantou, envolveu e fez a melhor atuação coletiva da Copa do Mundo até aqui.

Como os dinamarqueses precisavam do resultado e já entraram em campo com uma postura mais ousada, foi fácil para o Japão tomar conta do meio-campo. Com toques rápidos e muita movimentação, o time encontrava facilidade para ficar próximo ao gol. E criava boas chances.
A Dinamarca no início também levava algum perigo, apesar de ter anulada sua principal peça: as subidas de Rommehdal pelo lado direito. O primeiro gol japonês em cobrança estranha de falta de Honda e falha do bom goleiro Sorensen, porém, deixou o jogo definitivamente ao feitio do time nipônico.
Não demorou para Endo, em outra bela cobrança de falta (aliás, como fazem gols de bola parada os asiáticos hein?! Não é coincidência) aumentar o placar e praticamente decretar o fim do adversário.
No segundo tempo, apesar do cansaço de alguns jogadores e de ter deixado Honda como meia pelo lado direito e mais longe do gol, o Japão seguiu melhor. E encantava. O gol em penalti inexistente marcado pelo péssimo Tommasson não mudou o jogo. Que ganhou o prêmio final com o lindo drible de Honda sobre Rommehdal e um passe de jogador diferenciado para deixar Okazaki com o gol vazio e definir o resultado.
O Japão chega à segunda fase mostrando evolução e disposto a oferecer riscos aos adversários. Não será presa fácil para o Paraguai, como poderia-se imaginar. Principalmente se o ótimo Honda seguir jogando o que vem jogando. Para mim, é um dos três melhores jogadores da Copa até aqui.
Com uma Holanda precisando apenas do empate para garantir o primeiro lugar do grupo e Camarões já eliminado, era de se esperar que o jogo fosse como foi: chato. As duas equipes começaram em marcha lenta, sem vontade e com isso foram raros os ataques no primeiro tempo. Em um desses poucos lances, a Holanda abriu o placar com Van Persie, que finalizou após boa tabela com Van der Vaart.

O segundo tempo continuou no mesmo ritmo do primeiro, devagar quase parando, dois times inertes em campo. Até que aos 20 minutos, Camarões assustou e chegou ao empate. Em falta da entrada da área, Geremi cobrou e Van der Vaart colocou a mão na bola. Penalti convertido por Eto’o. Sete minutos depois, o melhor momento do jogo, a entrada de Robben para sua estréia no Mundial. O atacante do Bayern entrou com fome de bola e enfim deu um pouco de velocidade ao jogo, e em bela jogada individual aos 38 minutos, arriscou o chute de fora da área, a bola carimbou a trave e no rebote, Huntelaar empurrou para as redes e deu números finais a partida.
A seleção de Camarões confirma a trágica participação dos países africanos na Copa. Já a Holanda, venceu seus três jogos, mas jogou pro gasto, o que não é suficiente e não agrada a seus torcedores. Da Laranja, sempre se cobra o espetáculo, e é o que se espera dela a partir da próxima fase, quando vai enfrentar a Eslováquia.
Nota do blog: Com Robben, a Holanda ganhará muito em qualidade. Tem um grande time, que certamente, lutará de igual para igual com os grandes times.
Os atuais campeões eliminados na primeira fase. Lanterna do grupo. A humilhação da tradicional Itália está no Quadro Negro. Tentei explicar, mas confesso que é difícil entender certas escolhas.
Para ver alguns dos ingredientes que fizeram da Itália uma equipe fraca e previsível
é só clicar aqui.
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África do Sul
Na Copa do Mundo, torço para os grandes. Acho muito mais bacana ver a Inglaterra do que a Austrália nas fases decisivas. O mesmo serve para Argentina, Holanda, e claro, para a Itália. A exceção nesta Copa foi a França, que teve a eliminação comemorada, principalmente pela forma injusta como conquistou a classificação.

Tenho certeza que não sou o único que torço pelos grandes. E confesso que preferia ver a Itália, fortíssima, classificada para a próxima fase. Este ano, porém, nem os italianos quiseram torcer pelos grandes. E acabaram deixando grandes jogadores de fora. Totti, Del Piero e Cassano teriam vaga, no mínimo, entre os 23 selecionados pela Azurra.
O vexame, estampado em italiano no título deste post, aconteceu por diversos fatores. E o principal deles, ao meu ver, a falta de ousadia na hora de convocar. E principalmente, a idéia de apostar em uma geração campeã, porém, envelhecida.
Contra a Eslováquia (pela primeira vez na Copa), os atuais campeões entraram em campo com a obrigação de vencer. Talvez o empate serviria, dependendo dos outros resultados. Por isto, Lippi fez algumas mudanças. A principal delas, a entrada de Di Natale no time titular. Aliás, não dá para entender porque a mexida demorou tanto.
Os primeiros 65 minutos do jogo não foram bons. A Itália tentava atacar mas não tinha qualidade no meio-campo. Era obrigada a tentar a ligação direta e seus atacantes raramente receberam bolas em boas condições. Neste meio-tempo, um erro grotesco de De Rossi na saída de bola culminou no gol de Vittek.
Sendo eliminada com o resultado, a Itália tentou partir para cima colocando mais um atacante: Quagliarela. De nada adiantou, já que o meio-campo continuava errando passes e incapaz de armar boas jogadas.
O jogo esquentou depois que Skrtel salvou um gol incrível, em cima da linha. A Itália se empolgou e tentou partir para o ataque mesmo de forma desordenada. Deixou muitos espaços atrás e o jogo ganhou tons de dramaticidade e emoção.
Depois de desperdiçar muitos contra-ataques, Vittek voltou a balançar as redes. Àquela altura, a Itália parecia mais morta do que nunca. Quando Di Natale aproveitou o rebote para diminuir aos 38 minutos, porém, a chama se reacendeu. O time precisava de mais um gol para se classificar. Ele veio, pouco depois. Mas Quagliarela foi pego em impedimento (bem marcado) pela arbitragem.
O golpe quase final veio com Kopunek que havia acabado de entrar. Por cobertura, ele fez o terceiro da Eslováquia. O time estava cansado e parecia não acreditar. A camisa italiana parecia jogar sozinha. E aos 47, Quagliarela marcou um golaço, recolocando fogo na partida. Foram mais 3 minutos de pressão italiana, sem efeito. 3 a 2 Eslováquia. E vexame italiano.
A Itália sai da Copa sem nenhuma vitória. Foi lanterna de um grupo teoricamente comum. Uma campanha ridícula. Se a maioria imaginava que o time não chegaria longe, certamente ninguém pensou que a atual campeã faria um papel tão ruim. A Itália decepcionou, mesmo com poucas expectativas a seu redor. Foi a pior campanha de um país tão tradicional.
A Eslováquia chega a próxima fase logo na sua primeira participação. Sinceramente? Sorte da Holanda.
Paraguai e Nova Zelândia entraram em campo para tentar confirmar a campanha positiva que faziam até aqui na Copa do Mundo. Os dois tinham chances de classificação, e esperava-se mais uma partida aberta e emocionante.

O que se viu, porém, foi bem diferente. As duas equipes privilegiaram a defesa e se mostraram dispostas a correr poucos riscos. De olho na outra partida, o Paraguai (bem melhor tecnicamente) soube que o empate lhe bastaria inclusive, para garantir a primeira posição, e acabou não se expondo. Já a Nova Zelândia até tentou em alguns momentos sair um pouco mais para o jogo, mas faltava aos All Whites (hoje todos de preto) qualidade para chegar ao gol.
Numa partida de pouquíssimas emoções e com o Paraguai perdendo as melhores chances, ficou estranho apenas a mudança proposta pelo técnico paraguaio Gerardo Martino, que optou por colocar Cardozo como titular deixando Lucas Barrios, um dos melhores na partida contra a Eslováquia de fora.
No fim, todos comemoraram. A Nova Zelândia pela campanha histórica e invicta. Depois de perder todos os jogos em sua primeira e única participação, o time deixa a África do Sul de cabeça erguida e deixando inclusive a atual campeã do mundo Itália para trás. Muito para um futebol quase semi-profissional.
Já o Paraguai, consegue uma importante classificação e pode chegar pela primeira vez na história às quartas-de-final. Contra o segundo colocado do grupo holandês, é bem provável que os sul-americanos façam, no mínimo, uma partida de igual para igual.
Depois de encantar na estréia e surpreender a todos com a derrota para Sérvia, a Alemanha entrou em campo na última rodada para mostrar a que veio. E teve pela frente, um adversário encardido, que liderava o grupo e tinha boas chances de classificação. Mais do que isto, Gana era a principal esperança da África de estar nas oitavas-de-final na Copa disputada pela primeira vez no continente. No fim, os alemães venceram, mas o resultado serviu para que os dois se classificassem.

Jogando contra um adversário mais veloz e que dava menos espaços pelos lados do campo, a Alemanha não encontrou a facilidade do jogo contra os australianos. Tinha mais posse de bola, e tocava de um lado para outro, sem porém conseguir se infiltrar na defesa adversária. O brasileiro Cacau, substituindo Podolski suspenso, mostrou boa movimentação. Mas a presença do artilheiro dentro da área fazia falta aos europeus.
Já Gana, entrou claramente cuidadosa em campo. Sabia que o empate lhe serviria. E mais do que isto: que tinha no ataque jogadores velozes para surpreender os alemães.
Aos poucos, o jogo foi se abrindo e o nervosismo aparecendo de ambos os lados. Todos em campo tinham um olho na partida e outra no duelo entre Austrália e Sérvia. O gol alemão, marcado por Ozil, mais uma vez o melhor em campo, fazia justiça àquela altura ao time que havia perdido as melhores chances. No entanto, Gana foi um adversário forte e perigoso, com Ayew e Gyan.
No fim, o resultado foi bom para as duas equipes, já que Sérvia acabou derrotada pela Austrália. A Alemanha, classificada em primeiro, já terá um duelo dificílimo pela frente. A poderosa Inglaterra. As duas farão um duelo estranho: ingleses chegaram ao Mundial cheio de expectativas e ainda não emplacaram. Alemães começaram encantando, mas deixaram o ritmo cair. Certo é que quem seguir adiante neste confronto, será um dos grandes favoritos ao título mundial.
Um time africano que era cotado como saco de pancadas acabou surpreendendo muita gente. Apesar de ter terminado a Copa com apenas um ponto conquistado, a Argélia não foi presa fácil para ninguém na África do Sul.
Resultado de um esquema tático interessante e repleto de mutações. Para entender
é só clicar aqui e ver a análise do time no Quadro Negro do Marcação Cerrada.
Aproveite para acompanhar a análise de outros times da Copa:
O roteiro foi perfeito para um filme sucesso de bilheteria. Uma história ideal para o cinema americano. Cheio de reviravoltas, de cenas emocionantes. E no fim, o final feliz. Neste caso, graças ao gol de Donovan, aos 46 minutos do segundo tempo, que classificou os Estados Unidos para as oitavas de final da Copa do Mundo.

Argélia e Estados Unidos fizeram um jogo franco e interessante. Mais uma vez, duas equipes tinham chance de chegar à próxima fase e lutaram por ela até o último minuto. Literalmente.
Depois de um início melhor dos argelinos, que levaram perigo principalmente nas subidas de Ziani, os Estados Unidos dominaram o meio-campo e fizeram uso de sua qualidade técnica superior. Souberam tocar a bola e buscar espaços. Aproveitaram, principalmente, as bolas paradas para assustar M'bolhi.
Aos 20 minutos, a primeira cena de filme. Dempsey abriu o placar para os americanos, após rebote do goleiro da Argélia. O lance, dificílimo foi anulado pela arbitragem. Foi o segundo erro contra os americanos, que tiveram outro gol legal anulado na partida anterior, contra a Eslovênia.
Depois disso, a equipe seguiu martelando. E dando espaço, nos contra-ataques para os africanos assustarem.
Na etapa final, a medida que se confirmava a vitória da Inglaterra por 1 a 0, as duas equipes foram se abrindo. Mais uma vez, Bob Bradley foi corajoso e mexeu bem no seu time. Primeiro, colocou Feilhaber, para deixar Donovan mais perto do gol. Depois abriu mão de volante e lateral para colocar mais dois atacantes.
O jogo franco e empolgante viu boas chances perdidas, principalmente pelos Estados Unidos. Até que aos 45 minutos, instantes depois de encerrado o outro jogo do grupo, Donovan aproveitou cruzamento de Altidore para fazer o único gol do jogo. Não podia ser outro. Donovan, o personagem principal. O melhor jogador do time e, porque não, da história dos Estados Unidos.
Os americanos chegam à próxima fase como primeiros do grupo. Desde o início, eu disse que se houvesse uma surpresa nesta Copa, seriam eles. E esta liderança, pode abrir caminho para eles chegarem até as semifinais. Eu não duvidaria de uma superprodução.
Se houve uma grande decepção até aqui nesta primeira fase da Copa do Mundo, não foi a eliminação da França e nem a campanha abaixo da crítica da Itália. Mas sim, o pouco futebol apresentado pela Inglaterra. Hoje, o time garantiu a classificação para as oitavas de final com a primeira vitória na competição. 1 a 0 sobre a Eslovênia. E só!

Mais uma vez postada no 4-4-2, que varia em alguns momentos para o 4-1-3-2, a Inglaterra fez pelo menos sua primeira boa partida na Copa. Se não foi brilhante (longe disso) pelo menos viu suas principais peças funcionarem bem. Rooney vai encontrando a melhor forma física e Gerrard e Lampard fizeram um bom jogo. Defoe, pela primeira vez como titular, também provou (marcando o gol da vitória) que era um erro mantê-lo no banco.
A Eslovênia entrou em campo para empatar o jogo e garantir sua vaga. Bem postada na defesa, tentava sair em velocidade com Birsa nos contra-ataques. E até começou conseguindo bloquear o meio-campo, fazendo com que os ingleses errassem muitos passes.
Aos poucos, no entanto, o English Team cresceu e encontrou seus espaços. Depois de alguns lances de perigo, abriu o placar aos 23 minutos com Defoe após jogada de Milner, outro que teve a primeira chance entre os titulares. A Eslovênia se perdeu e a Inglaterra passou a criar várias chances. Não fosse a atuação de Handanovic e a falta de capricho dos atacantes ingleses, a virada para o intervalo já poderia cravar um resultado definitivo.
No segundo tempo, o panorama se manteve. A Inglaterra seguia perdendo chances. Rooney acertou a trave. Handanovic fez mais duas ou três boas defesas. Sabendo que os Estados Unidos empatavam com a Argélia, o time da Eslovênia preferiu não se arriscar. E quando o juiz apitou o fim do jogo, estavam classificados. Não contavam, porém, com o gol de Donovan segundos depois. Uma justa eliminação para um time que fazia boa campanha, mas que não teve coragem para seguir em frente.
A Inglaterra acabou se classificando em segundo do grupo. Pode ter a pedreira Alemanha nas oitavas. E provavelmente a Argentina na sequência. Um dos favoritos ao título terá um caminho espinhoso se quiser comprovar sua condição. E principalmente: jogar bem mais do que fez até aqui no Mundial.
A Grécia precisava de um resultado positivo. E não saiu para o jogo um minuto sequer.

A Argentina não precisava de muita coisa. E não parou de atacar um minuto sequer.
Em um jogo de contradições do início ao fim, o time de Maradona conseguiu a terceira vitória na primeira fase.
É cativante a busca de Messi pelo gol. Nunca o 10 foi tão participativo e “agressivo” com a camiseta argentina. Mas apostando em um time misto diante dos gregos, o resultado de tanta procura foi um gol de Demichelis e mais um capítulo do “filme” Palermo.
Terceiro reserva para a posição, amuleto de Maradona, Martin precisou de dez minutos para tornar-se o primeiro jogador do Boca Juniors a marcar um gol em uma Copa do Mundo. Em 80 anos!!
Maradona e seus comandados perseguem a glória no Mundial. Messi persegue o gol na África do Sul. E a bola persegue Martín Palermo.
E mais capítulos estão por vir...
A Grécia está fora da Copa do Mundo. E ganhou deste que vos escreve, a alcunha de time mais chato da primeira fase.
Para entender porque era tão chato ver o time grego jogar, tornando suas partidas insuportáveis, é
só clicar aqui.
Ainda bem que eles se foram...
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Camarões
Coreia do Sul e Nigéria proporcionaram, ao meu ver, o melhor jogo da Copa até aqui. Enquanto a maioria estava ligada nos reservas da Argentina que enfrentavam a Grécia, duas equipes coadjuvantes faziam um confronto aberto onde só a vitória interessava aos dois lados. No fim, o empate de 2 a 2 acabou sendo justo, e classificou os asiáticos para a próxima fase do Mundial.

O início do jogo foi marcado por uma Coreia muito aplicada taticamente e que tinha velocidade para sair para o ataque, contra uma Nigéria mal posicionada, porém cheia de vontade e garra. O gol nigeriano, ainda aos 12 minutos, marcado por Uche, se deu quando os sul-coreanos eram superiores na partida e tinham as melhores chances.
O gol descontrolou os asiáticos, que viram o mesmo Uche acertar o travessão minutos depois e se assustaram de vez. Mas a bola parada, faria novamente a diferença para os mais organizados. Falha da defesa da Nigéria em cobrança de falta lateral e gol de Lee Jung Soo.
No segundo tempo, o gol logo aos 3 minutos premiou a equipe que jogava melhor. Chu-Young, também na bola parada, fez o gol da virada que àquela altura deixava a Coreia muito perto da classificação.
A Nigéria, porém, não se desanimou. E mostrou (pela primeira vez na Copa) um futebol com características africanas. Nenhuma preocupação defensiva, muita velocidade e todos para o ataque. Em um dos ataques, Yakubu perdeu (provavelmente) o gol mais feito da história das Copas. Ali, o mais difícil era chutar para fora. Por ironia do destino, o mesmo Yakubu, marcou de penalti 3 minutos depois o gol da igualdade. O que não servia para se redimir, servia para recolocar a Nigéria na briga.
Nos minutos finais, a Nigéria se fez valer de sua melhor condição física e técnica para pressionar. Martins também perdeu seu gol "feito". Obinna, de fora da área, quase marcou. E no fim, coube à Nigéria, lamentar as oportunidades desperdiçadas.
Apesar dos inúmeros gols feitos perdidos, o resultado foi justo. A Coreia foi até superior na partida. Chutou mais a gol, teve mais posse de bola e controlou o jogo até certo ponto. A classificação coreana pela segunda vez na história é justa, mas a equipe dificilmente terá forças para ir além do Uruguai daqui em diante.
Já os nigerianos, que tomaram um gol bobo contra a Argentina, sofreram uma virada da fraca Grécia e perderam gols incríveis hoje, tem motivos de sobra para lamentar. A classificação só dependia de mais concentração e um pouco mais de sorte.
Parreira bem que tentou. Mudou o esquema, mudou jogadores. Mas faltou o famoso "algo mais" para que os anfitriões se dessem bem na Copa do Mundo.
As múltiplas facetas da África do Sul, as mudanças táticas e de jogadores e o que faltou estão no Quadro Negro do Marcação Cerrada.
Para ver o que fez com que pela primeira vez os donos da casa fossem eliminados na primeira fase,
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