Foi apenas o primeiro dos quatro duelos que Barcelona e Real Madrid vão ter nos próximos dias. O que valia menos (já que mesmo se vencesse, o Real ainda continuaria apenas com chances remotas no Campeonato Espanhol). Mas já tivemos um bom aperitivo do que pode acontecer nas próximas semanas quando os dois melhores times do planeta medirão forças pela Copa do Rei e Champions League.

Mourinho e Guardiola mandaram a campo o que tinham de melhor. Sabiam que precisavam de força máxima e que o primeiro jogo poderia definir o rumo das partidas seguintes de maneira indireta.
O Barcelona manteve o 4-3-3 que encanta o planeta há três temporadas. Puyol voltou ao time e foi fundamental enquanto esteve em campo para comandar o sistema defensivo. Novamente a equipe catalã apostou no jogo ofensivo e de paciência com a posse de bola (alcançado incríveis 83% de posse de bola em determinado momento do jogo).
Mourinho mudou a estratégia e a formação para tentar surpreender (e impedir o jogo eficiente do rival). Adiantou Pepe para jogar como primeiro volante, fazendo o primeiro cerco à Messi, com Albiol na zaga. E adiantou Alonso e Khedira para bater de frente com Iniesta e Xavi. A estratégia era marcar forte o Barcelona, mantendo a intensidade ofensiva com Cristiano Ronaldo e Dí Maria invertidos (com o argentino correndo atrás de Daniel Alves e Cristiano Ronaldo com mais liberdade).
O jogo foi equilibrado e muito bem disputado. O Real Madrid diminuía os espaços e não se viu um passeio como nos 5 a 0 do primeiro turno. Muito pelo contrário. O Barcelona também teve que se cuidar na defesa e não conseguia sair para o jogo com a mesma desenvoltura de outras partidas. Pepe fez ótima partida (apesar dos exageros na violência em alguns lances) e conseguiu marcar Messi da melhor forma possível.

Partida tão disputada, com times tão qualificados, só poderia ter sido decidida em detalhes ou falhas individuais. Foi o que aconteceu quando Albiol se atrapalhou e fez penalti claro em Villa. Expulsão e gol de Messi (o primeiro sobre times comandados por José Mourinho).
Com um jogador a mais e vantagem no placar, o Barcelona poderia ter matado o jogo. Mas tocou a bola em excesso, em alguns momentos de forma indolente. Perdeu a chance de matar o jogo e viu Mourinho armar o bote para pressionar o adversário mesmo com um a menos. De forma desordenada, o Real tentava surpreender, embora Adebayor tenha entrado muito mal no jogo. Até que a arbitragem deu penalti de Daniel Alves em Marcelo (duvidoso e absolutamente discutível) para que Cristiano Ronaldo empatasse no fim (primeiro gol do português sobre o Barcelona).
1 a 1 justo. Um bom começo e uma prévia interessante do que está por vir. Que serviu para o Barcelona garantir de vez o título espanhol. E serviu para o Real Madrid ver que é possível bater o grande rival com marcação forte e um pouco mais de capricho ofensivo.
Foi apenas o primeiro round. De um confronto que encantará e surpreenderá ainda mais.
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Os próximos 20 dias serão históricos. Históricos e inesquecíveis para todos que gostam de futebol. Barcelona e Real Madrid vão se enfrentar quatro vezes no período. Os dois melhores times do planeta na atualidade terão pela frente encontros decisivos e fundamentais. Vão escrever a história.

Neste sábado, o jogo valerá pelo Campeonato Espanhol. Oito pontos atrás faltando 7 rodadas, o Real precisa vencer a todo custo para seguir sonhando com o título. Na próxima quarta, dia 20, a disputa valerá o título da Copa do Rei. Na sequência, os dois brigarão por uma vaga na final da Champions League.
Ontem o Real Madrid confirmou a vaga nas semifinais (o Barcelona já havia se classificado um dia antes, ao vencer o Shaktar por 6 a 1 no placar agregado). O time madrilenho voltou a vencer o Tottenham, desta vez por 1 a 0 e também não teve dificuldades para passar de fase (5 a 0 no agregado).
Mourinho poupou Dí Maria (pendurado) mas mandou a campo força máxima mesmo com a classificação já encaminhada. Assim como Guardiola, não quis saber de descansar seus principais jogadores para o primeiro superclássico. Marcelo foi deslocado para a meia esquerda, com Arbeloa ganhando a vaga do argentino. Já o Tottenham, manteve o 4-4-1-1 padrão para tentar uma goleada improvável contra um adversário mais forte.
Os donos da casa começaram a partida atacando. Principalmente pelo lado esquerdo, onde o ótimo Bale não dava paz para Sérgio Ramos. O Tottenham jogava e deixava jogar, mas o Real não parecia interessado em jogar e se confundia no setor ofensivo com Ozil e Cristiano Ronaldo muito próximos um do outro.
Sempre pela esquerda, o Tottenham criou nos minutos iniciais. Teve algumas boas chances, preferiu tentar cavar o penalti em outras. Mas o tempo passou sem gols e o time se desanimou até o jogo ficar monótono e com poucas chances.
Na etapa final, a tendência era a mesma. E o jogo com cara de zero a zero só terminou com vitória do Real porque Gomes falhou feio em chute despretensioso de Cristiano Ronaldo da entrada da área. Gol que melhorou os números do português e apimentou ainda mais o duelo particular com o craque Messi.
Barcelona e Real Madrid farão grandes jogos. É impossível prever o que pode acontecer. Sinceramente, espero que os dois possam ficar com alguma fatia do bolo. A hora de escrever a história chegou. E seria injusto demais que dois baita times não consigam escrever seu nome com títulos.
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Muita gente pediu, a CBF finalmente enxergou que precisava agir e assim o fez. A última rodada do Brasileirão 2011 (que começa no dia 21 de maio e termina no dia 04 de dezembro) será marcada pelos principais clássicos do país. Atitude correta e corajosa. E apesar dos problemas que já rondam esta rodada, temos tudo para ter o final de Campeonato Brasileiro mais empolgante de todos os tempos.
A atitude visa evitar que times mandem equipes reservas para jogos decisivos. Afinal, o Corinthians não colocará reservas em campo num jogo que pode dar um título nacional ao Palmeiras, por exemplo. A medida diminui o risco mas não impede que ele exista. Vale lembrar que em outras edições, times reservas e jogos "entregues" foram polêmicas até mesmo com quatro rodadas para o fim da competição.
De toda forma, fica a impressão que teremos uma última rodada empolgante, emocionante e repleta de grandes jogos independente de qualquer outro aspecto. São jogos que valem por si só. E que ganham muito quando tem importância para a tabela. E com 16, dos 20 times, envolvidos em clássico, fica a certeza que muita coisa será decidida nestes jogos.
Mas nem tudo são flores. As obras para a Copa do Mundo são o principal problema da "rodada especial". Sem o Maracanã, por exemplo, o Rio tem apenas o Engenhão e dois clássicos para a rodada final. Vasco e Flamengo dificilmente jogarão em São Januário e o jogo pode acabar indo para o interior. Em Minas, sem o Mineirão, o Cruzeiro deverá ter torcida única na última rodada em Sete Lagoas, em um jogo que pode ser fundamental para o Atlético-MG. Isto sem contar na segurança, já que no Rio e em São Paulo serão dois clássicos no mesmo dia e horário, com torcidas enormes envolvidas.
Problema que a CBF tem tempo suficiente para pensar em medidas paliativas e que possam diminuir os riscos e também as perdas de quem for obrigado a jogar em estádios com condições precárias para jogos de tal magnitude.
De toda forma, eu aprovo a idéia. Dará brilho especial à rodada final e diminui as brechas para reclamações e jogos sem graça.
Não dá para achar que tudo será resolvido desta forma. Outras medidas podem ser adotadas para aumentar a competitividade dos times, como dividir os direitos de transmissão de acordo com a colocação final ou fazer da posição em anos anteriores, critério de desempate, por exemplo. Mas esta tabela, ao meu ver, foi bola dentro da CBF.
Confira a última rodada do Brasileirão 2011:
Corinthians x Palmeiras
São Paulo x Santos
Internacional x Grêmio
Cruzeiro x Atlético-MG
Atlético-GO x América-MG
Atlético-PR x Coritiba
Bahia x Ceará
Avaí x Figueirense
Botafogo x Fluminense
Vasco x Flamengo
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Os discursos nos vestiários da Arena do Jacaré e do Beira-Rio após os clássicos mineiro e gaúcho neste fim-de-semana se justificam: Atlético-MG e Grêmio vivem situação igualmente desconfortável no Brasileirão. Como alento, esperam usar a Sul-Americana, antes desprezada, para recuperar a auto-estima e quem sabe conseguir pelo caminho mais curto, uma vaga para a Libertadores. Injustificável, para o time de ambos.

Em Minas Gerais, depois de 15 clássicos de completa soberania do Cruzeiro, era natural imaginar uma situação diferente desta vez. O Atlético-MG precisava demais da vitória, jogava diante apenas de seus torcedores e ainda enfrentava um rival com problemas para escalar o time e com quatro importantes desfalques.
Cuca agiu com perfeição. Reconheceu as limitações do que tinha a sua disposição e montou o time para se defender e surpreender o adversário no contra-ataque. Luxemburgo acertou na estratégia e na tática, errando apenas nas peças. Diego Souza no meio-campo, é fora-de-série. Como atacante, é um jogador comum.
Apesar disso, o primeiro tempo onde o Cruzeiro trocava passes com tranquilidade mas não conseguia criar absolutamente nada e onde o Galo jogava na direção do gol e levava vantagem pela esquerda com Tardelli e pela direita com Diego Macedo, terminou com vitória dos cruzeirenses. 1 a 0, no único chute a gol azul. Wellington Paulista, um golaço. Os alvinegros pressionaram, criaram chances, mas esbarraram na trave, nos erros de finalização e em mais uma atuação destacável de Fábio.
Na etapa final, quando o natural fosse que os mandantes pressionassem, o time não conseguiu criar mais. A entrada de Obina, que seria solução para colocar para as redes as bolas que teimavam em passar na frente do gol celeste não funcionou porque o time atleticano deixou de jogar pelos lados. Afunilando demais o jogo, o Atlético-MG facilitou o trabalho do Cruzeiro, que adiantou Fabinho para o meio-campo e não teve maiores sustos. Aliás, poderia ter matado o jogo, nos contra-ataques puxados por Diego Renan e Thiago Ribeiro. No fim, mesmo após a expulsão de Gil, o Galo tinha a bola mas criou poucas chances reais de gol.

Em três anos foram 16 clássicos, com 13 vitórias do Cruzeiro e apenas uma do Atlético, que jogou toda a partida com um homem a mais contra os reservas do rival. A supremacia em Minas é muito grande para ser comparada a um pão com manteiga. O trabalho de Luxemburgo demora para surtir efeito e a zona de rebaixamento após quase um terço do Campeonato após tanto investimento é inaceitável. Resta saber até quando vai a paciência da diretoria com o treinador. Já o Cruzeiro, de gastos mais modestos desta vez, encosta no G-4, conciente de suas limitações.
Sobre o Gre-Nal, citado no início do texto, não tenho tanto para dizer, pois não acompanhei a partida. Vi apenas os melhores momentos (com destaque para a boa atuação de Renan) e a entrevista de Silas, parecidíssima com a do técnico do Atlético-MG. Depois de ótima campanha no primeiro semestre, o também ótimo time tricolor precisa justificar-se no Brasileirão. E não apenas na Sul-Americana.
Depois de pensar tão grande quando montaram seus times para 2010, é inaceitável que Atlético-MG e Grêmio estejam se preparando para contentar-se com tão pouco. Adiar a reação pode custar mais caro do que a encomenda.
Não tive tempo para assistir o superclássico argentino. Me preparei no fim-de-semana para o duelo adiado e o horário do novo confronto me impediu de prestar atenção como este histórico jogo merece. De toda forma, brindo os leitores do Marcação Cerrada com este ótimo texto do amigo
Filipe Araújo, do Gambetas que fala mais do que simplesmente o que aconteceu ontem na Bombonera.
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Quanto pode valer um Clássico?
Título? Classificação? Hegemonia?
Nesta quinta-feira, o futebol deu mais uma mostra de que oferece revanche. Por situações de campo ou de fora dele.
Dia 27 de Fevereiro de 2010. Um terremoto devastador assola o Chile. Dentre as vítimas, um bebê, prima de Gary Medel, chileno, jogador do Boca Juniors. Sem falar do drama vivido pelo atleta com a pequena filha e não poder regressar ao país imediatamente após o sismo. O alívio (ou algo semelhante) só veio mesmo alguns dias - que pareceram anos - depois da tragédia.

Dia 25 de Março de 2010.
Um jogo de futebol pode servir para devolver uma vida? Não, não pode.
Mas é útil para que dias de drama, transformem-se, ao menos, em uma noite de êxtase.
Uma ou duas gerações que virão por aí, podem nem bem lembrar quem foi Medel, de passagem, até então, discreta pelos Xeneizes. Mas a história dirá que o futebol, mais uma vez, deu revanche.
Riquelme é o indiscutido. Palermo, à beira do recorde.
Mas quem decidiu o Superclásico, com dois gols - o segundo, um golaço - foi Gary Medel. Um chileno. Mais um que se levanta após grandes tragédias. Um chileno que sofreu como vários outros transandinos. Um chileno que, mantendo o silêncio que o acompanha desde aquele dia 27, sorriu, deu alegria a milhares.
Milhares de argentinos...e de chilenos.
Muitos dizem que o futebol é o que há de mais importante entre aquilo que existe de mais desimportante. Mas não poderão dizer, nunca, que é o esporte mais fascinante de todos.
E que, definitivamente, dá revanche!
Foi na Vila Belmiro o grande jogo do fim-de-semana no futebol brasileiro. Santos e Corinthians fizeram um clássico com quase todos os ingredientes. Na verdade, faltou um. Apenas nove mil torcedores compareceram ao estádio graças ao abusivo preço cobrado pelos ingressos.

Em campo, o que se viu foi mais uma partida empolgante do travesso time santista. Venceu por 2 a 1, foi superior e poderia ter goleado o rival. Perdeu uma ótima oportunidade para o feito.
Mais uma vez, o Santos encantou. Com um time leve e altamente ofensivo (marca registrada de Dorival Júnior, o melhor técnico da nova geração) não deixou o Corinthians ver a cor da bola. Toques rápidos, envolventes, movimentação constante. Mesmo sem o apoio dos laterais (que ficam plantados para que os volantes, meias e atacantes possam se movimentar) é incrível a facilidade do Santos em criar jogadas. Além disso, é impossível não destacar mais uma atuação decisiva de Neymar, de apenas 18 anos. Um futuro craque de alto gabarito.
Enquanto isto, o Corinthians que investiu em experiência, pareceu um time de garotos. Perdido e nervoso, o time do Parque São Jorge teve mais uma atuação confusa. Que culminou com a derrota e com mais duas expulsões. Moacir e Roberto Carlos (pela segunda vez na temporada - esta injusta, diga-se de passagem).
Ao contrário do que diz Mano Menezes quando acusa a arbitragem de ter definido o jogo, foi no meio-campo que as coisas foram resolvidas. Enquanto os volantes do Santos faziam boa partida e os meias (Marquinhos e Ganso) jogavam soltos, o Corinthians tinha dificuldades. Elias não podia sair para o jogo e ajudar o ataque como fez no meio da semana. E Tcheco não parece ter se encaixado bem no esquema de Mano. Falta velocidade ao Corinthians. Assim, Ronaldo acaba sendo obrigado a buscar a bola no meio-campo (e ali faz jogadas geniais, mesmo fora de forma), tirando do craque seu instinto definidor.
Ao meu ver, o árbitro errou apenas na desnecessária expulsão de Roberto Carlos. O jogador não tentou simular o penalti e rapidamente se levantou para disputar a bola. De resto, todas as decisões foram perfeitas por parte do árbitro.
Enquanto Mano Menezes tem um grande problema para resolver, se quiser acertar a equipe a tempo de disputar o título paulista e de brigar também pela Libertadores, Dorival tem um problema bem menor: manter o que vem jogando o melhor time do país no momento. E evitar que firulas desnecessárias e pressão dos adversários interfiram no ótimo time que ele tem nas mãos. Com ou sem Robinho.
Este seria meu grito, se estivesse no lugar de Adilson Batista, ontem, no comando do Cruzeiro. Direcionaria os gritos para a torcida, que voltou a pegar no pé do treinador, no clássico contra o Atlético-MG. Antes de chegar aos motivos, é preciso contar a história do jogo.
O Cruzeiro começou com ritmo alucinante. Sufocou o rival, que não conseguia passar do meio-campo. Foram 5 escanteios nos primeiros minutos de jogo. E o Atlético não conseguia trocar mais do que 3 passes seguidos.
Porém, não era possível manter este ritmo durante 90 minutos. O Cruzeiro afrouxou a marcação na saída de bola e o Galo conseguiu ganhar terreno. Mas não conseguia chegar. Os dois laterais eram improdutivos ofensivamente e as principais armas, Danilinho e Petkovic, estavam muito bem marcados por Marquinhos Paraná e Fabricio.
No Cruzeiro, a principal arma era Jadílson. O lateral deixou sem rumo o lateral direito atleticano Mariano. Com a ajuda de Wágner, fazia o Cruzeiro chegar constantemente à área atleticana. Mas faltava um bom finalizador. Aos poucos, também, ficou mais difícil chegar por ali. O Cruzeiro era previsível. Não tinha lateral direito, já que Marquinhos Paraná fora deslocado para o setor esquerdo da defesa, já que Danilinho jogada por ali.
Quando parecia que o gol do Cruzeiro era questão de tempo o Atlético chegou. Falha de Charles e Espinoza (apenas uma das inúmeras do zagueiro), Danilinho aproveitou e abriu o placar. Festa atleticana, que durou pouco. Apenas 3 minutos depois o Cruzeiro empatou com Thiago Martinelli, o melhor em campo. E poderia ter virado, não fosse o chute fraco de Fabinho, que Édson defendeu fácil. Foi a gota d´água para a torcida, que pediu Jajá.
As duas equipes voltaram iguais para o segundo tempo. Mas o jogo voltou diferente. Moroso. Chato. Sem emoção. Alexandre Gallo resolveu tentar o gol. Sacou um lateral, um meia e um atacante e colocou três homens de frente. Almir seria um armador que chegava ao ataque, Castillo o centro-avante e Marques o ponta, pela esquerda. E assim, o time do Atlético-MG tentava explorar o lado direito do Cruzeiro, que não tinha ninguém. Adilson também mexeu. Sacou Fabinho e colocou Gérson Magrão, que entrou muito mal na partida. Sobrou vontade e passes errados. Depois, tirou o ótimo Jadílson para colocar o lateral direito Jonathan. Gritos de "burro" foi o que mais amistoso ouviu da torcida.
Torcida que não conseguiu enxergar o jogo. O lado esquerdo do Cruzeiro estava muito bem marcado. Jadilson estava cansado. E o Atlético tinha muito espaço pelo lado direito celeste, com Marques e Renan. Com Jonathan no time, o Cruzeiro dominou as ações. Não deixava o adversário chegar ao ataque, e mantinha a posse. Mas não conseguia levar perigo, principalmente porque faltava um homem de frente. Gérson Magrão era um meia pela esquerda e Wéldon abria pelo lado direito. O Cruzeiro chegava pelos lados mas a bola passava pela área. Aí, Adilson optou por colocar o grandalhão Rômulo, na vaga de Wéldon. Mais uma vez, foi criticado pela torcida, que queria o velocista Jajá.
Rômulo teve pouco tempo. Pouco produziu. Acabou perdendo uma ótima chance, chutando por cima. Logo depois, lançamento de Fabricio e a bola sobrou para Ramires, o pior jogador em campo, que deu apenas um toque, na saída de Edson e definiu, nos acréscimos, o placar final. Vitória do Cruzeiro por 2 a 1. A terceira, em quatro jogos contra o rival em 2008. Um belo presente de centenário.
No Atlético-MG, mais uma vez, a sombra da zona do rebaixamento incomoda. Alexandre Gallo vem fazendo um bom trabalho, mas o elenco é fraco. Os volantes são fracos, não há lateral esquerdo e Mariano é peça nula pela direita. Além disso, os atacantes não empolgam e o time não tem velocidade com Petkovic no meio. Vai ter muito trabalho para lutar pela permanência na Série A do ano que vem.
Já o Cruzeiro, volta à segunda posição. Apesar da hostilidade da torcida, Adilson segue tranquilo, fazendo seu trabalho, que é ótimo. Todos os treinadores estão sujeitos a errar. Por isso, é importante não apenas olhar as peças que estão sendo trocadas ou colocadas, mas sim a intenção. E nisso, Batista tem sido perfeito e importante para colocar a Raposa na briga pelo título. Os resultados provam que ele está certo e a torcida, errada.
O clássico também foi quente. Teve três penaltis, e goleada do Palmeiras sobre o São Paulo. 4 a 1. Vitória muito importante, que mostra como vem crescendo o time de Luxemburgo. Ao contrário do esperado, Denílson vem jogando bem e sendo um dos mais importantes jogadores do time. Divide agora, a responsabilidade com Valdívia, que acaba ficando mais solto. Já o São Paulo, continua sem convencer na temporada. Mais uma vez Muricy Ramalho teve que improvisar, sentiu a falta de um elenco maior e vê seu time sair derrotado.
Jogando debaixo de muita chuva, o nível técnico não foi dos melhores. Mas não faltou emoção. Destaque para o atacante palmeirense Kléber. Depois de acertar uma cotovelada em André Dias, o jogador deveria ter sido expulso. Fez que "foi sem querer", mas a imagem não mente. Foi maldoso. Depois, acabou marcando um belíssimo gol, depois de deixar o zagueiro Juninho completamente a ver navios.
O Corinthians perdeu a chance de chegar próximo dos líderes. Apenas empatou por 2 a 2 com a Juventus, e não conseguiu repetir o rendimento, principalmente defensivo, das últimas partidas. Mas é um time que promete uma temporada assim, sofrida. Quem também sofreu foi o Santos. Venceu por 1 a 0, manteve o sonho praticamente impossível de se classificar. Tudo isto graças ao gol genitália, de Kléber Pereira. Resultados bons para o Guaratinguetá, que abre vantagem na liderança e é nome praticamente certo na próxima fase.
O clássico teve polêmica outra vez. Os reservas do Flamengo deram trabalho ao Botafogo, mas acabaram perdendo a cabeça no momento decisivo, e deixaram para trás a chance de levar um ponto para casa. O time da estrela solitária venceu e conseguiu dar uma pequena volta por cima depois da derrota na Taça Guanabara. Mais uma vez, o jogo foi tenso, com duas confusões (uma praticamente idêntica à da final passada) e duas expulsões para o Flamengo. A de Obina, inclusive, merece punição exemplar.
Em campo, o Bota foi melhor, mas decepcionou. Esperava-se que o time dominasse completamente o time reserva do Fla, mas não foi o que aconteceu. No entanto, importante são os três pontos, que deixam o time bem próximo de uma das vagas na semifinal. Já são 5 pontos de vantagem sobre o quinto colocado.
O Vasco manteve a boa fase. Goleou o Cardoso Moreira por 4 a 1, e está praticamente classificado para as semifinais. Destaque para Edmundo, que conseguiu marcar de penalti, e também para Tiago, goleiro que também deixou sua marca cobrando penalti com estilo. Mas bonito mesmo, foi o quarto gol, uma pintura de Beto.
Não há outro par de palavras para descrever o clássico mineiro de ontem. Não resta dúvidas, de que os pouco mais de 54 mil torcedores que compareceram ao Mineirão, mereciam um pouco mais de futebol. Pobre dos programas esportivos, que terão que se desdobrar para tirar dos 90 minutos de pouco futebol, os "melhores momentos".
Quando entraram em campo, a expectativa era que Cruzeiro e Atlético fizessem um dos melhores clássicos dos últimos anos. Fizeram o pior. Geninho surpreendeu a todos, menos aos jogadores do galo, e agiu certo. Escalou o time com três volantes, e quatro homens no meio-campo. Não fizesse assim, provavelmente perderia o meio para o rival, que tem sua força baseada neste setor. Acabou ganhando força.
Nos primeiros minutos, a impressão era de que o Cruzeiro não teria dificuldades para furar a defesa atleticana. Xaves demorou para encontrar Wágner, que jogava solto. Porém, o volante atleticano o encontrou antes dos 10 minutos, e o meia celeste não foi mais o mesmo. Daí, o galo cresceu. Contava com um lado esquerdo celeste que não marcava, e utilizava Danilinho, que tinha muitos espaços para atacar. E o baixinho atacante deu trabalho, correu, driblou. Mas não foi efetivo. Para o Cruzeiro, a primeira baixa. O artilheiro dos clássicos, Guilherme, saiu machucado. Perda irreparável. Outra vez, o Atlético viu, no Campeonato Mineiro, um adversário dominado, mas não teve força nem qualidade para marcar os gols. Isto até os 34 minutos. Quando Charles saiu lesionado, parte da torcida do Cruzeiro imaginou que a coisa pudesse piorar. Ledo engano. Sandro entrou para ficar fixo na lateral esquerda, marcando Danilinho, e bloqueou as jogadas do adversário. O jogo voltou a ficar equilibrado, disputado no meio, e sem emoções.
Quando voltou para o segundo tempo, o Cruzeiro novamente deu a impressão de que não daria chances. Com Ramires mais solto, o time celeste partiu para cima. O jogo ficou aberto e teve raros momentos de emoção. Vendo que poderia ganhar o jogo, Adílson resolveu mexer. Colocou o estreante Elicarlos, para jogar como lateral, e fechar mais pelo meio. Última e infeliz mexida. Depois disso, o time cruzeirense passou pelos piores momentos na partida. O primeiro a sentir uma lesão foi Marcelo Moreno. Depois dele, foi a vez de Sandro passar a atuar mancando. Quando perdeu este jogador, o Cruzeiro perdeu novamente o domínio territorial. Jadílson voltou a atuar como lateral, e voltou a ser presa fácil para Danilinho. Depois deles, o Cruzeiro ainda viu Thiago Heleno e o próprio Jadílson sentirem lesões musculares, e ficarem praticamente sem condições de jogar. Coube ao Cruzeiro se defender, e esperar o apito final, já que não tinha pernas para chegar ao gol. O Atlético dominou, teve chances, mas mais uma vez não conseguiu concluir em gols as jogadas. Tocava a bola na intermediária cruzeirense, mas não incomodava o goleiro Fábio.
Conclusão: o Atlético tem um time limitado. Sabe marcar no meio, mas não tem qualidade com a bola nos pés. O Cruzeiro não foi o primeiro adversário que se viu dominado, mas que não teve problemas para suster a pressão. Marques fez falta, mas um centro-avante com mais qualidade fez mais. Um meia capaz de fazer o que ninguém espera também. Os laterais não conseguem chegar ao fundo com qualidade. Já o Cruzeiro, começa a mostrar sinais de cansaço, o que é motivo de preocupação. Fez a pior partida na temporada, e mostrou que é preciso planejar antes que seja tarde demais. Dos males o menor, já que permanece invicto, na liderança do Mineiro, e praticamente classificado à próxima fase.
Conclusão 2: A maioria dos leitores do Marcação Cerrada se enganaram quanto ao resultado da partida. Confira o "placar final" da nossa enquete:
Qual será o resultado do clássico mineiro este fim-de-semana?
| Vitória do Atlético-MG | | 19,23% (5 votos) |
| Empate | | 19,23% (5 votos) |
| Vitória do Cruzeiro | | 61,54% (16 votos) |
Total: 26 votos
Atuações - Atlético-MG:
Juninho - 6 - Nas poucas vezes que foi exigido, não comprometeu, pelo contrário. Salvou um gol de Marcinho.
Coelho - 5 - Presente no ataque, porém pouco contundente. Poderia ter sido um parceiro mais efetivo para Danilinho.
Leandro Almeida - 7 - Seguro. É um jogador que erra muito pouco.
Marcos - 6 - Pouco apareceu. Bom sinal para um zagueiro.
Thiago Feltri - 4 - Um dos piores em campo. Poucas vezes foi notado na partida.
Xaves - 7 - Anulou Wágner. Fez seu papel em campo.
Renan - 8 - O melhor do galo. Marca o tempo inteiro (mesmo apelando para a violência em alguns momentos) e se apresenta muito bem no ataque.
Márcio Araújo - 7 - Ocupou um espaço fundamental no meio-campo alvinegro.
Sidnei - 6 - Foi bem na primeira etapa, mas acabou cansando. É um jogador que pode crescer. / Gérson - 5 - Não funciona como armador. Falta criatividade, velocidade e inteligência nos passes.
Danilinho - 7 - A pedra no sapato da defesa cruzeirense. Porém, precisa ser mais produtivo, e finalizar melhor.
Marinho - 5 - Foi notado apenas quando estava em impedimento./ Marcelo Nicácio - 5 - Buscou mais o jogo, mas perdeu um gol feito.
Geninho - 6 - Escalou muito bem no início. Pecou guardando uma substituição quando poderia dar mais ofensividade ao seu time. Ficou satisfeito com o empate quando não deveria.
Atuações - Cruzeiro:
Fábio - 6 - Seguro nas vezes em que foi exigido. Errou mais que o normal nas saídas de bola.
Jonathan - 6 - Vinha bem na partida até ser substituído. / Elicarlos - 6 - Entrou disperso, mas melhorou na partida. Deixou Marcinho na cara do gol.
Espinoza - 7 - Começou meio perdido na marcação à Danilinho. Depois não perdeu nenhuma.
Thiago Heleno - 7 - Bem pelo chão e pelo alto. Jogou os últimos 20 minutos na raça.
Jadílson - 4 - Péssimo na marcação e pouco produtivo no ataque.
Marquinhos Paraná - 8 - O melhor do Cruzeiro. Marca bem, ganhou na corrida todas as disputas, e sabe distribuir o jogo, apesar de ter errado passes.
Charles - 6 - Vinha bem até sair machucado. É um jogador fundamental na marcação. / Sandro - 7 - Ótimo jogador. Pena que a parte física seja sempre comprometida. Era a chave do jogo.
Ramires - 5 - Muito abaixo do que se esperava. Conseguiu puxar alguns contra-ataques mas não produziu principalmente na marcação.
Wágner - 6 - Alguns bons passes. Foi muito bem marcado.
Guilherme - 5 - Jogou pouco tempo. Parecia disposto à surpreender. / Marcinho - 5 - Teve duas chances claras de gol e não soube aproveitar. Lento.
Marcelo Moreno - 5 - A bola não chegou em boas condições. Quando sai da área para buscar, tem raça, mas não tem qualidade.
Adílson Baptista - 6 - Mexeu bem quando foi obrigado. Pecou pelo excesso de confiança quando fez a última mexida. Era cedo.
Cruzeiro e Atlético já tem pelo menos mais dois compromissos marcados este ano. Ambos pelo Campeonato Brasileiro. Porém, se der a lógica, os dois times devem se enfrentar também mais duas vezes pelo Campeonato Mineiro, na fase decisiva.
No jogo de amanhã, o primeiro do ano, a expectativa é grande em Belo Horizonte. Tanto é que mais de 51 mil ingressos já foram vendidos. Restam entradas apenas de geral, setor mais barato do estádio. Provavelmente, cerca de 60 mil torcedores devem dividir o Mineirão em dois amanhã.
Os dois times estão bem próximos de serem definidos pelos técnicos. No entanto, Geninho resolveu fazer como o adversário, Adílson Baptista e adotou o mistério para a partida. Ambos comandaram treinos secretos e só vão revelar as escalações no vestiário.
Na cabeça do cruzeirense, menos dúvidas. A única delas, o volante Charles, que sentiu dores em um treino, mas não deve ser problema. A tendência é de que o time seja o mesmo que enfrentou o Caracas. Novidades, provavelmente no banco. Thiago Gosling pode reestrear no time e o volante Elicarlos foi relacionado pela primeira vez. Os dois, no entanto, estão entre os mais cotados para serem um dos três cortados pelo treinador.
Muita dor de cabeça quem tem é o técnico do galo. O zagueiro Vinicius, que deveria ser titular, foi cortado, assim como o meia Souza que tendia a ficar no banco. Rafael Miranda tornou-se outro problema de última hora, mas deve entrar em campo. Não se sabe nem o esquema do time alvinegro, mas deve mesmo entrar em campo no 3-5-2. Se não for, Márcio Araújo ganhará vaga no meio e ajudará a cobrir os espaços deixados pelo Coelho.
O Mineirão vai tremer. Amanhã, há não ser que haja alguma notícia quente sobre o jogo, não haverá postagens neste blog. Retorno no domingo à noite ou segunda-feira, com a análise completa da partida.
Atlético-MG x Cruzeiro - Campeonato Mineiro
09/03/2008 - Mineirão
Atlético: Juninho, Marcos, Leandro Almeida, Ricardo Martínez (Márcio Araújo); Coelho, Rafael Miranda (Xaves), Gérson, Sidnei, Thiago Feltri; Danilinho e Marinho. Técnico: Geninho
Cruzeiro: Fábio, Jonathan, Thiago Heleno, Espinoza, Jadilson; Marquinhos Paraná, Charles (Zé Eduardo), Ramires, Wágner; Guilherme e Marcelo Moreno. Técnico: Adílson Baptista
O maior clássico de Minas Gerais é cercado de mistérios. Certeza, apenas uma. A de casa cheia. Até a noite de ontem, mais de 42 mil ingressos já haviam sido vendidos. A expectativa é de que praticamente todas as entradas se esgotem ainda hoje. Serão mais de 60 mil pessoas no estádio.
No Atlético, Geninho ainda esconde o time. Provavelmente, sem Marques, o treinador deve colocar mais um zagueiro no time. Será a segunda partida do galo no 3-5-2. As dúvidas estão principalmente no meio-campo. O único nome certo é Rafael Miranda. Márcio Araújo e Renan disputam uma vaga como volantes, com maiores possibilidades para o segundo. Gérson, Sidnei e Souza disputam a vaga de armador. Provavelmente Sidnei deve ter a primeira oportunidade. Geninho deve utilizar Souza como arma para o segundo tempo. É um dos poucos jogadores diferenciados do elenco. No ataque, é fato. Danilinho vai jogar à frente, para dar velocidade ao time. Vai precisar melhorar, e muito, a pontaria para agradar o torcedor. Ao lado dele, Marinho, outro que anda em jejum, mas que costuma jogar bem nos clássicos, e é a grande esperança do torcedor alvinegro.
No Cruzeiro, uma contusão assustou o volante Charles, o técnico Adílson Baptista e a torcida. Porém, tudo indica que o jogador não deve ser problema para o confronto de domingo. Será a primeira vez na temporada que o treinador celeste repete a escalação de uma partida para a outra. Se não jogar Charles, Sandro e o jovem Zé Eduardo, de apenas 16 anos vão disputar a vaga. Apostaria no primeiro, apesar de a imprensa colocar o garoto como favorito à vaga. O restante do time é o mesmo que venceu o Caracas, com destaque para o atacante Guilherme. A revelação cruzeirense vem fazendo história nos clássicos. Em 4 partidas, marcou 4 gols.
A enquete desta semana atrasou, e por isso, vai ficar menos tempo no ar. Fiquei matutando durante dois dias, qual seria um bom tema para recorrer aos leitores deste espaço cibernético.
Cheguei à conclusão, como blog mineiro que é, que o Marcação Cerrada deveria valorizar o maior clássico do Estado. Sendo assim, a partir de hoje, o blogueiro que vos escreve fará um acompanhamento personalizado do grande clássico, com direito à notícias dos dois times e também algumas curiosidades.
Sendo assim, deixo a pergunta desta semana: qual o resultado do clássico mineiro deste fim-de-semana?