Com a corda no pescoço

Internacional e São Paulo. Dois dos maiores clubes do país. Grandes campeões. Estrutura invejável. Os dois melhores elencos. Hoje, ambos entram em campo pela Copa Libertadores em situações semlhantes: com a corda no pescoço. Na verdade, não os clubes. Mas seus comandantes.

No Inter, Jorge Fossati corre sério risco. Ainda não conseguiu fazer o time jogar. Tem boas peças, mas tem usado esquemas defensivos demais e irritado a torcida. Assim, não vence há seis jogos. Está mal no Campenato Gaúcho e deve ficar fora, depois de anos, da decisão.

O adversário desta noite não é dos mais tradicionais, pelo contrário. Em condições normais, o Cerro do Uruguai não assustaria o Colorado. Mas hoje, tudo é possível. Ainda invicto, o Inter precisa da vitória. Não apenas para retomar a liderança do grupo e deixar bem encaminhada a classificação. Mas para dar tranquilidade e sequência ao trabalho de Fossati. E acalmar um pouco seus torcedores.

Bem longe, está o São Paulo. Longe fisicamente falando. O time entra em campo no México, para encarar o Monterrey, de Val Baiano. A situação na Libertadores, assim como no Inter, é tranquila. Uma vitória sobre os mexicanos praticamente garante a primeira posição do grupo ao São Paulo. E de quebra, elimina um dos adversários.

Mas a crise também ronda o tricolor paulista. Também por causa do desimportante Estadual. Derrotas para Corinthians, Santos e Palmeiras pesaram contra Ricardo Gomes. O ótimo elenco ainda não conseguiu convencer em 2010. O técnico parece ainda longe de encontrar a maneira ideal de escalar o time. Some-se à isto, um insatisfeito Cicinho reclamando publicamente.

Pronto. É assim que os times brasileiros entram em campo hoje na Libertadores. Na tabela, tudo parece indo bem. Em campo, nem tanto assim. A corda esta no pescoço dos treinadores. Resta a eles tentar a volta por cima.

O último romântico

Poderia fazer um texto só com frases geniais (não minhas, claro) para prestar minha última homenagem à Armando Nogueira. Mas não seria justo. Definir Armando como um grande "frasista" é um pecado sem tamanho, apesar de não ser uma mentira. É diminuir demais alguém que revolucionou o modo de ver futebol na imprensa brasileira. E que criou padrões que até hoje são imitados e utilizados mundo afora.

Armando Nogueira foi um gênio, na mais pura acepção da palavra. Alguém que sempre pareceu estar à frente do seu tempo, ao mesmo tempo em que parecia pertencer à uma era passada. Foi o último romântico do jornalismo esportivo no Brasil. E certamente, fará muita falta.

Jornalista, comentarista, cronista. Armando foi completo. E suas frases, seus textos, suas palavras certamente ficarão na memória de quem, assim como ele, ama este fascinante esporte chamado futebol.

Irônico, sábio, apaixonado. Armando se foi e fará muita falta por aqui. Certamente, ele está feliz agora. Poderá reviver lá em cima ao lado de gênios da bola. E voltar a fazer o que sempre fez: definir com palavras o que parece indescritível. Sorte do céu.

“Se a bola soubesse o encanto que tem, não passaria a vida rolando de pé em pé.”

Ainda dá para ele?

Mais uma boa atuação e fica a impressão de que Roberto Carlos começa a se adaptar novamente ao futebol brasileiro. Percebeu que aqui é preciso dosar a energia e a força nas jogadas. E que assim, sobra mais espaço e fôlego para ele fazer o que sempre soube muito bem: jogar futebol.

O lateral voltou a atuar bem na lateral esquerda do Corinthians. Além da técnica que sempre lhe foi peculiar e da força física tradicional, Roberto mostra-se fundamental à equipe do Parque São Jorge pela experiência. Sabe comandar o time de dentro de campo e isto é importante. Não é o único no Corinthians que sabe fazê-lo. Mas está entre os que fazem melhor.

E nem digo isso pelo gol que fez no clássico contra o São Paulo (o segundo com a camisa corinthiana). Ali, ele contou mais com a ajuda de Rogério Ceni do que com seu potencial, na verdade.

Fato é que, com mais esta boa atuação, Roberto Carlos voltou a falar em Copa do Mundo e Seleção Brasileira. Do alto de seus 33 anos, um dos jogadores mais criticados do último mundial pretende dar a volta por cima. Aos poucos, ele conquistou o torcedor corinthiano. Agora, começa a conquistar os jornalistas. Difícil, será convencer Dunga.

Roberto Carlos é mais do que bom jogador. Foi um dos melhores laterais esquerdos do planeta. Tem experiência e maturidade. Na ausência de bons jogadores na posição (os últimos dois laterais convocados por Dunga, tem jogado no meio-campo em seus clubes), eu acredito que Roberto poderia ser uma boa. Na pior das hipóteses, como opção no banco de reservas. À distância, ele me parece fazer bem ao grupo e não seria problema para Dunga.

Mas, ainda não tendo convocado o jogador nenhuma vez, acho muito pouco provável que Dunga chame o jogador logo na lista final.

Fato é que, olhando as coisas de maneira generalista, ainda dá para acreditar em Roberto Carlos como boa opção na África do Sul.

50 e quer mais

Um ano passou e o Rio Grande do Sul vê uma situação completamente invertida em seus dois maiores clubes.

Em 2009, o Grêmio disputava a Libertadores. Viveu a crise quando via o rival Inter atropelando no Gauchão e na Copa do Brasil. Acabou eliminado da principal competição do continente.

Em 2010 é a vez do Inter na Libertadores. E hora de o Grêmio curtir o momento e fazer a festa do seu torcedor.

Ontem, mais um resultado importante. Não foi brilhante, mas bateu o Esportivo por 2 a 0. Caminha a passos largos para conquistar o Campeonato Gaúcho sem precisar sequer da final. Mais do que isso, atingiu marcas de causar inveja em qualquer torcedor.

O triunfo de ontem foi o 13º seguido. Com a vitória, o time chegou a 50 jogos sem perder no Estádio Olímpico. Marca fenomenal. E que não deve ser batida tão cedo. Porque ali, a química do Grêmio é impressionante.

Silas, que teve o trabalho criticado no início, vai implantando seu esquema de jogo. E mesmo com muitos problemas de ordem médica, dá resultado. Em campo, derruba todas as críticas. E mostra que está no caminho certo.

Além do Gaúcho, o Grêmio é um dos fortes favoritos ao título na Copa do Brasil. E o principal trunfo para isto, é o Olímpico. Onde o time está imbatível há 50 jogos. E pretende ficar por ainda mais tempo.

Enquanto isto, o Inter chega ao sexto jogo sem vencer. Fossati não deve durar muito no cargo. O jogo de quarta-feira é fundamental para decidir o futuro do Internacional na temporada. Por isso, toda calma é pouca. E todo apoio é bem-vindo.

Tem outra explicação?

Um time pálido, sem graça, abatido. Este era o Vasco, desde a derrota para o Botafogo na final da Taça Guanabara, para o Botafogo. Bastou a demissão de Vágner Mancini, para o time modificar completamente seu rosto e sua postura em campo.

Ontem, se o time não foi brilhante no clássico contra o Fluminense, deixou como alento para a torcida a vontade de jogar. Depois de algum tempo, era possível ver sangue no olho dos vascaínos. Dava para enxergar vontade de vencer nos jogadores do Vasco.

Está certo que o jogo valia muito mais para o Vasco, que jogava a classificação, do que para o Fluminense, que vive um momento de paz. Aliás, deu para sentir que o Flu não esperava um adversário tão preparado e motivado para o jogo.

No fim, 3 a 0 para o Vasco, placar que não reflete o que foi o jogo. O time vascaíno jogou melhor e mereceu vencer, mas certamente a distância não foi tão grande assim.

Ainda é cedo para se empolgar. Foi apenas o primeiro jogo sob o comando de Gaúcho. Aliás, já falei aqui no blog que acho precipitadissima a idéia de efetivá-lo. Mas, a forma de atuar do Vasco mostrou, no mínimo, que não havia outro caminho senão a demissão do antigo treinador. Os jogadores que o digam...dentro de campo.

Seguidos tropeços

E o Palmeiras vacilou de novo no Campeonato Paulista. Mais uma vez em casa, o time esteve à beira do abismo. E o que já era fato há algumas rodadas, tornou-se praticamente matemático depois do empate contra o fraco Mirassol.

Mais uma vez o time começou bem, com o gol de Robert. Mais uma vez se perdeu no caminho e passou a jogar como um pequeno visitante contra um gigante europeu. Os papéis se invertem com frequência quando o Palmeiras está em campo.

Depois de mais um empate, a pressão segue aumentando. Cleiton Xavier, machucado, pode deixar a situação ainda mais complicada. Diego Souza quer sair e não é de hoje. Se com eles o time é apenas mediano, sem eles...

Mas é preciso calma com Antônio Carlos. É bom treinador e já mostrou competência. Precisa de tempo e mais ainda de reforços para poder ser cobrado. Com este time, será difícil chegar à algum lugar.

A eliminação no Paulista, que parece uma tragédia, pode ser positiva. Dará tempo para o Palmeiras colocar a cabeça no lugar e tentar se acertar para o futuro, que é o que vale. Nas fases decisivas da Copa do Brasil e no Brasileirão é que o time terá que mostrar a que veio em 2010.

Revanche

Não tive tempo para assistir o superclássico argentino. Me preparei no fim-de-semana para o duelo adiado e o horário do novo confronto me impediu de prestar atenção como este histórico jogo merece. De toda forma, brindo os leitores do Marcação Cerrada com este ótimo texto do amigo Filipe Araújo, do Gambetas que fala mais do que simplesmente o que aconteceu ontem na Bombonera.
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Quanto pode valer um Clássico?

Título? Classificação? Hegemonia?

Nesta quinta-feira, o futebol deu mais uma mostra de que oferece revanche. Por situações de campo ou de fora dele.

Dia 27 de Fevereiro de 2010. Um terremoto devastador assola o Chile. Dentre as vítimas, um bebê, prima de Gary Medel, chileno, jogador do Boca Juniors. Sem falar do drama vivido pelo atleta com a pequena filha e não poder regressar ao país imediatamente após o sismo. O alívio (ou algo semelhante) só veio mesmo alguns dias - que pareceram anos - depois da tragédia.

Dia 25 de Março de 2010.

Um jogo de futebol pode servir para devolver uma vida? Não, não pode.

Mas é útil para que dias de drama, transformem-se, ao menos, em uma noite de êxtase.

Uma ou duas gerações que virão por aí, podem nem bem lembrar quem foi Medel, de passagem, até então, discreta pelos Xeneizes. Mas a história dirá que o futebol, mais uma vez, deu revanche.

Riquelme é o indiscutido. Palermo, à beira do recorde.

Mas quem decidiu o Superclásico, com dois gols - o segundo, um golaço - foi Gary Medel. Um chileno. Mais um que se levanta após grandes tragédias. Um chileno que sofreu como vários outros transandinos. Um chileno que, mantendo o silêncio que o acompanha desde aquele dia 27, sorriu, deu alegria a milhares.

Milhares de argentinos...e de chilenos.

Muitos dizem que o futebol é o que há de mais importante entre aquilo que existe de mais desimportante. Mas não poderão dizer, nunca, que é o esporte mais fascinante de todos.

E que, definitivamente, dá revanche!

Nada é tão ruim que...

Vágner Mancini foi degolado pelo Vasco. É o quarto técnico demitido de um clube grande até aqui em 2010, salvo engano. Antes, Antônio Lopes deixou o Atlético-PR, Hélio dos Anjos o Goiás e Muricy Ramalho o Palmeiras. Quatro! Em menos de três meses. Mas enfim...

Mancini repetiu o ciclo que segue repetindo-se em sua carreira. Começa muito bem, com o time jogando um belo futebol. Acha um pequeno problema, que vai crescendo aos poucos. Perde completamente o comando. E depois, o emprego.

No Vasco, tudo caminhava bem no início do Carioca. O time jogava um futebol interessante, tinha Dodô em ótima fase e a torcida estava junto. Até que veio a derrota, com goleada, na final da Taça Guanabara, para o Botafogo. Um pequeno problema, que poderia ser contornado com uma boa campanha na Taça Rio e Copa do Brasil. Que acabou tornando-se insustentável para o treinador.

Mancini mexeu demais quando não devia. E agiu de menos quando era preciso. Perdeu totalmente o controle e fez por merecer mais uma demissão. É bom técnico, mas precisa rever conceitos se quiser chegar à algum lugar na carreira.

Já o Vasco...bem, a situação é complicada. O elenco não é uma maravilha, mas tem qualidade. Bem trabalhado, o time pode jogar um futebol redondo, como fez ano passado e no início deste. Mas é preciso acertar na contratação do treinador. Um bom técnico pode fazer esse time jogar.

A escolha, começou errada. Gaúcho, interinamente, vai comandar a equipe. Já foi avisado que bons resultados podem mantê-lo. Um erro. Ele vai acabar caindo pois a pressão é grande. E o Vasco só vai perder tempo para colocar logo alguém para conhecer o time a tempo de não envergonhar novamente a torcida. Tite e Celso Roth são os mais cotados até o momento. Definitivamente, não empolgam.

E pensar que por 100 mil reais mensais a mais o Vasco preferiu dispensar Dorival Júnior...

Valeram os três pontos

Mais um jogo complicado para o Cruzeiro na Libertadores da América. O time teve dificuldades para bater o fraco e desconhecido Deportivo Itália, da Venezuela, por 2 a 0 no Mineirão. Apesar de ter ficado devendo novamente uma boa atuação, o resultado coloca o Cruzeiro provisoriamente na liderança do grupo. E mais: mantém o time em condições de brigar por uma vaga na próxima fase.

Antes de analisar o jogo, é preciso uma análise geral da Libertadores e dos times brasileiros. Até agora, tirando o Santos e seu futebol envolvente, ninguém convenceu. Aliás, todos andam tendo dificuldades, principalmente na Libertadores.

A cobrança sobre o Cruzeiro é grande. Manteve quase todo o elenco vice-campeão da última edição e terminou muito bem a temporada passada. Foi reforçado para este ano. Mas, até agora, não funcionou.

Ontem, mais uma vez, o time teve dificuldade no meio-campo. A marcação melhorou, principalmente do lado esquerdo onde Diego Renan ficou mais postado. Mas, a velocidade para chegar ao gol adversário e os toques envolventes, marca característica do time de Adilson Batista, não foram vistas ainda em 2010, salvo raros lapsos.

O primeiro gol, de Fabinho aos 5 minutos, deu a impressão de que a tarefa seria fácil. Mas o Cruzeiro só definiu o jogo as 24 do segundo tempo, com gol do criticado Pedro Ken. Até lá, teve o controle absoluto do jogo e finalizou mais vezes ao gol. Mas, de fato, foram poucas jogadas de perigo real.

Vale notar, no entanto, que Vélez e Colo-Colo, os outros dois times da chave, também tiveram dificuldades contra o Deportivo. Um time muito fraco tecnicamente. Mas muito disciplinado taticamente. Um adversário chato. Que deu trabalho para todos no grupo e seguirá dando para os concorrentes celestes.

Apesar de contar com seus principais jogadores em má fase técnica (Jonathan, Marquinhos Paraná e Gilberto), o Cruzeiro segue controlando a maioria de seus jogos e vencendo. É assim no Mineiro, onde é líder isolado. E é assim na Libertadores onde faz campanha de razoável para boa. Falta um pouco de paciência. O time pode, e tem tudo para, encaixar de vez na hora certa.

Finalmente

Foram 7 jogos sem vencer no Campeonato Italiano. Uma eternidade, que certamente não acontecia há anos com a Inter de Milão. O pentacampeonato que pareciam favas contadas na metade da competição, passou a correr risco justamente quando o time começou a acreditar que poderia sonhar com mais: a Europa.

Ontem, pressionada pela chegada do Milan, a Inter fez sua parte. Bateu o Livorno por 3 a 0, com tranquilidade e o principal, voltou a jogar bem. Eto'o, mais uma vez mostrou-se decisivo na carreira. É um jogador que resolve, quando o calo aperta. Às vezes, com louvor, como ontem. Autor de dois gols, o segundo de bicicleta.

Além de comemorar o ótimo resultado, a Inter viu o Milan vacilar de novo no momento errado. Jogou mal outra vez e acabou derrotado pelo Parma, por 1 a 0. A distância de 4 pontos para a líder, com estes resultados, torna difícil o sonho de Leonardo e cia. Aliás, o Milan já chegou longe demais para o elenco que tem, ao meu ver.

Tudo indica que o título mais uma vez deve ficar com a Inter. Parece previsível. E é. Mas o crescimento de Milan e Roma na segunda metade da competição dão um alento para a próxima temporada, onde o título deve voltar a se equilibrar.

Quanto ao time de José Mourinho, é hora de garantir o quanto antes o Italiano, para se concentrar no maior desafio. Provar que o time pode ser mesmo, Internacional.

Quem tem fama...

A Itália é um exemplo nos dois sentidos para o mundo da bola. Um péssimo exemplo no que diz respeito à organização dos campeonatos, já que os problemas relacionados às equipes que disputam o Campeonato Italiano são recorrentes. Um ótimo exemplo no que diz respeito à punição dos culpados pelas mazelas do futebol no país.

Este fim-de-semana, mais um capítulo da briga: Federação x Casas de Apostas.

Não vi o 1 a 1 entre Chievo e Catania para ser mais preciso no post. Só o que sei é o que li a respeito. O Catania chegou ao empate na partida graças à um penalti no mínimo estranho sobre o ex-gremista Máxi López, aos 28 minutos do segundo tempo (este eu vi, e realmente foi bizarro). Depois disso, pelo que li, a preocupação com o jogo parecia ser a menor possível para os dois times.

Uma casa de apostas suspendeu as apostas na partida pelos excessos financeiros que apareceram. Muita gente apostou no empate. Um deles apostou 217 mil libras que o jogo ficaria 1 a 1.

Se fosse em outro lugar, poderia ser coincidência. Na Itália? Duvido.

Culpa da fama, que eles mesmo criaram. E agora precisam conviver. Conviver e punir.

Transparência e desinteresse

Há pouco tempo, fiz um post para falar sobre Marcos e o provável fim de carreira do goleiro palmeirense. O título dizia que ele não merecia passar pelo que vem passando: seguidos vexames e times abaixo do que ele e a torcida se acostumaram.

No mesmo texto, elogiei a autenticidade quase infantil do goleiro do Palmeiras. É raro ver jogadores como Marcos, não só no Brasil.

Um dos maiores ídolos do Palmeiras. O grande goleiro da história do clube. Que parece cada dia mais cansado com o que vê.

Do outro lado, a imagem da despreocupação. Diego Souza não é o mesmo de outrora. Em campo, não mostra a mesma raça. Fora dele, mostra desinteresse. Já está com a cabeça fora do Palmeiras desde o final do ano passado, quando ficou preocupado com a pressão da torcida pela perda da vaga na Libertadores. Mas a Traffic precisa fazer dinheiro com ele.

Por isso, Marcos mais uma vez perdeu a cabeça. Tentou chamar a atenção do meia duas vezes e não foi atendido. Antes de abandonar o treino gritou: "Vamos treinar nessa porra! Não estamos todos fudidos?".

Infelizmente, o apelo de Marcos não surtiu efeito. E ele, inconformado, deixou o treinamento alegando falsas dores.

Os conformados e desinteressados seguiram treinando. E deverão seguir vestindo a camisa palmeirense nos próximos jogos.

Pobre Marcos!

E por falar em bom futebol...

Não é só este que vos escreve que anda repetitivo ultimamente. E aliás, me eximo de culpa neste caso. Afinal, não há como ignorar os seguidos shows de Messi no Barcelona. Assim como é impossível não falar sobre o irresistível e arrasador Santos. Não é o Santos de Robinho. Nem de Neymar. Nem de Ganso. É o Santos do futebol.

Ontem, mais um show. 9 a 1, fora o baile no Ituano. Isto tudo desfalcado de Robinho e Neymar. É mole?

Não, mas parece que é. O show particular da última rodada foi de André, autor de três gols. Destaque também para mais uma partida espetacular de Paulo Henrique Ganso.

Muitos vão justificar mais uma vez dizendo que o adversário era fraco. São os ranzinzas que sempre precisam buscar problemas e fechar os olhos para o que está óbvio à sua frente.

Mas, se serve de comparação, o São Paulo venceu o mesmo time apenas por 1 a 0. O Palmeiras, empatou em casa por 3 a 3. O Corinthians, ainda não enfrentou, mas dificilmente repetirá o resultado.

Porque o Santos consegue fazer o que ninguém consegue?

Se fosse fácil, todos fariam. Mas não é nenhuma fórmula da Coca-Cola. O Santos joga para frente. Busca o gol à todo instante. Dá liberdade para seus jogadores criarem, ousarem. E jogam com alegria, o que é mais importante.

O time tem problemas defensivos? Tem. Principalmente pela vocação dos jogadores pelo ataque. É algo que precisa ser resolvido. Mas que não inviabiliza os bons resultados do time. Aliás, times que fazem e sofrem muitos gols sempre foi característica de Dorival Júnior.

O time pode terminar a temporada sem ganhar nada? Pode. Como outros times espetaculares já ficaram. Futebol não é uma ciência exata e é aí que está a graça.

Ou melhor: hoje, a graça está em ver o Santos jogar e marcar gols. Como se tudo não passasse de uma brincadeira.

Será simples coincidência?

Neste fim-de-semana assisti mais um show de Messi. Parece repetitivo e chato ficar procurando palavras para descrever o monstro do Barcelona. E é. Afinal, uma hora faltam adjetivos.

A última vítima foi o Zaragoza. 4 a 2 para o melhor time do planeta. Uma festa particular do argentino. Marcou três vezes. E quando o adversário parecia incomodar marcando dois gols, ele sofreu o penalti e se deu ao luxo de deixar a cobrança para Ibrahimovic fechar o marcador.

O repertório segue grande e crescendo. Faz gol de cabeça, faz gol de fora da área, faz gol depois de driblar vários adversários. Vendo Messi jogar, o futebol parece muito mais fácil do que é.

Através do Twitter, porém, me veio algo que eu não havia pensado.

O Barcelona não é o grande campeão europeu apesar de ser um dos maiores clubes do planeta. Não é o maior vencedor da Champions League nem do Campeonato Espanhol. Mas, é recorrente, um dos times que mais jogam bonito e empolgam no planeta.

Prova disto: o prêmio FIFA de melhor jogador do planeta. Inaugurado em 1991, ou seja, foram 19 edições até aqui. Delas, o Barcelona é o maior vencedor: seis vezes. Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho duas vezes e o próprio Messi, ano passado.

Real Madrid e Juventus, quatro vezes cada, também se destacam na lista.

Mas ninguém teve mais vezes o craque do ano que o Barcelona.

Vale lembrar que nos anos de Copa do Mundo, o Barcelona venceu apenas uma vez: Romário em 1994. Neste ano, o desempenho nos clubes pouco importa. Normalmente é o melhor da Copa o eleito melhor do mundo no fim do ano.

2010 é ano de Mundial. E Messi é o principal protagonista de uma Argentina cercada de incertezas. Eu não duvidaria dele.

Que sucesso!

O título não passa de uma brincadeira, claro. É impossível ligar Campeonatos Estaduais ao sucesso. Em vários sentidos. E este ano, o público Brasil afora vai provando, definitivamente, que a competição não está nas graças do povo.

O maior exemplo disto aconteceu ontem, no Rio de Janeiro. Botafogo e Flamengo fizeram um dos poucos jogos que podem ser considerados interessantes no Campeonato Carioca. É um assim a cada 15 ou 20 que não interessam em absolutamente nada.

Mesmo assim, menos de 10 mil pessoas estiveram presentes. Pouco mais de 6 mil pagantes. Uma vergonha!

Talvez por isso, os jogadores não se empolgaram. E preferiram não mostrar quase nada de novo. E sim, um placar já tradicional no confronto entre as duas equipes. 2 a 2. Foi com este resultado que terminaram 7 dos últimos 20 jogos entre Flamengo e Botafogo.

Destaque para Adriano, autor de 2 gols. Destaque para a arbitragem que errou em dois gols, um de cada time. Destaque para o Botafogo, que mostrou que não depende tanto assim de "Loco" Abreu. Destaque para a torcida, que deu mais uma prova de que os Estaduais não valem nada.

A festa chamada Copa do Brasil

Com reta final de Champions League e Libertadores esquentando, confesso que tem me restado pouco tempo para a Copa do Brasil. Dos jogos da fase atual, pouco vi. Mas não deixarei passar sem um registro.

Pelo que vi, no entanto, não posso deixar de destacar uma coisa. Falem o que quiser, mas a Copa do Brasil é um sucesso. E uma oportunidade de ouro, principalmente para times do Norte e Nordeste do país. Basta ver o quanto estavam lotados os estádios de Santa Cruz, Remo e Paysandu. Uma festa!

Em campo, porém, quem continua festejando é o Santos. Festejando os gols. A cada bola na rede, uma nova coreografia. É empolgante ver o Peixe em campo. Ontem, mesmo sem Robinho, o time não teve dificuldades para carimbar seu passaporte para a próxima fase, fazendo 4 a 0 no Remo.

O único time que também conseguiu passaporte direto para a próxima fase foi o Fluminense. Não jogou bem, mas contou com noite inspirada de Alan para vencer o Uberaba por 2 a 0, eliminando o jogo da volta. Destaque negativo para a contusão que pode afastar Fred do time por algum tempo. Certamente fará muita falta.

Goiás, Botafogo e Grêmio também venceram a primeira, mesmo jogando fora de casa. Mas vão ter que cumprir tabela no jogo de volta. Certamente se classificarão.

Quem pode encontrar dificuldades são os times que não conseguiram sair na frente. O Vasco só empatou com o ASA. O Palmeiras acabou derrotado pelo Paysandu. E o Atlético-MG pela Chapecoense. É daí que pode sair a primeira grande surpresa da Copa do Brasil. Mesmo que eu duvide muito disso.

Pouco, mas valeu

Interessante o amistoso entre Cruzeiro e África do Sul no Mineirão. Não pelo jogo, definitivamente. Mas por tudo que cercou a partida internacional realizada em Belo Horizonte.

Primeiro pela importância de ter no Brasil o país que receberá a Copa do Mundo este ano. E mais: saber que os jogadores africanos vieram aqui para tentar aprender, evoluir. É sinal de moral. Moral que teve o Cruzeiro, muito elogiado por Carlos Alberto Parreira e certamente visto pelo mundo afora, já que a partida foi transmitida para quase 70 países.

Em campo, porém, um típico e fraco amistoso. Jogo de poucas emoções. O Cruzeiro teve a bola na maior parte do tempo mas criou pouquíssimas oportunidades. A África mostrou sua vocação defensiva. É um time que recompõe muito rápido a defesa e deixa poucos espaços. Com a bola nos pés, só o clone de Edgar Davids, Tshabalala mostrou alguma coisa.

No frigir dos ovos, foi justo o empate por 0 a 0 no Mineirão.

Para o Cruzeiro, valeu como um bom treino. Que aliás, a equipe anda precisando. É preciso se adaptar à forma de jogo do novo meio-campo, mais lento do que nos anos anteriores. E principalmente, acertar o esquema defensivo, que anda deixando muitos buracos, principalmente pelo lado esquerdo.

Já a África, é sempre boa a oportunidade de reunir os jogadores e se preparar. Vale lembrar que os grandes jogadores da Seleção não vieram ao Brasil pois jogam no futebol europeu. Com eles e com muito trabalho, Parreira pode sim conseguir um resultado interessante na Copa, conquistando uma vaga no difícil grupo. Mas certamente, será na base de muito sofrimento.

De que planeta ele veio?

O título do post vem dos comentários de um dos maiores e mais antigos fãs de Lionel Messi que eu conheço: o mais argentino dos brasileiros, Filipe Araújo. E mais uma vez é falando de Messi que se define mais um show do Barcelona na Champions League. A vítima da vez foi o Stuttgart.

Guardiola que não tinha Xavi optou ainda por colocar Ibrahimovic no banco. Reflexos da boa atuação de Henry contra o Valência e das últimas apagadas atuações do monstro sueco, que ainda não parece ter se encaixado muito bem à forma de jogar do Barça.

Forma de jogar que também vem sendo alterada aos poucos. Em detalhes, nunca na essência. Messi tem atuado mais pelo meio. Hora como atacante, hora como meia. Por isso a opção por Henry, que tem mais mobilidade. Por vezes, o francês jogou na ponta esquerda, onde gosta. Mas quando era necessário, aparecia entre os zagueiros para abrir espaços para Messi.

De resto, tudo igual. Futebol envolvente, toques rápidos, muita movimentação. E gols. Muitos gols. 4 ao todo. O primeiro de Messi, uma pintura. Depois de Pedro, em passe magistral de Messi para Touré. O terceiro e mais bonito, de Messi outra vez. E Bojan fechou a conta.

O pobre Stuttgart que até deu trabalho na Alemanha não foi mais do que um espectador. Assistiu a classificação do avassalador Barcelona. E sabe que não tinha chance alguma contra os espanhóis.

Cada vez mais o Barcelona parece decidido a disputar o título em Madrid. E o atual campeão é favoritíssimo e não tinha como ser diferente. Resta saber em quem o sorteio pregará uma peça agora.

Pobre daquele que tiver que enfrentar o Barcelona de Messi.

Dá para chamar de zebra?

Em cada 10 palpites para o jogo de hoje à tarde, certamente 9 apontavam para o Chelsea. Motivos não faltavam: o time precisava apenas de uma vitória simples, vinha em melhor fase, jogava em casa e ultimamente tem se saído melhor na Champions League. Não foi o que aconteceu.

Quando fiquei sabendo a escalação da Inter para o confronto, postei no Twitter a minha surpresa e disse: Mourinho sabe como poucos como vencer no Stamford Bridge. Afinal, os números comprovam. Em três temporadas no comando do Chelsea, ele foi derrotado ali apenas uma vez, para o Barcelona, na Champions de 2006.

Hoje, apenas uma diferença. A camisa. Mourinho defendia a Inter de Milão e não os donos da casa. E foi corajoso, para sair com a justa vitória.

De cara, apostou em uma equipe com três atacantes. Pandev ganhou a vaga de Stankovic. Assim, o treinador "espelhou" a sua equipe contra a do adversário. No meio-campo, os dois volantes da Inter marcavam os dois meias do Chelsea. E o meia da Inter, impediria o jogo do volante do Chelsea.

A estratégia funcionou. Marcando no campo de ataque, a Inter não deixava o Chelsea jogar e ainda conseguia segurar bem a bola. Não passava sustos. Durante todos os 90 minutos, foi pressionada apenas nos cinco minutos finais da primeira etapa. Uma pressão, no entanto, suportável.

No segundo tempo, enquanto a Inter tinha paciência e mantinha sua estratégia de marcar no campo ofensivo, o Chelsea foi se desesperando e se abrindo. Deu espaços, para que os italianos matassem o jogo. E assim foi feito: lançamento espetacular de Sneidjer, o melhor em campo, e gol de Eto'o. Inter, classificada, 1 a 0.

A Inter pode chegar longe na Champions. Tem time para isso. A defesa é muito segura. O meio tem Sneidjer em ótima fase (e o Real Madrid o liberou quase de graça...). E Eto'o, muito criticado, mostra mais uma vez que é um jogador decisivo.

Quanto ao Chelsea, deve se aproveitar do fato de ser o único entre os ingleses que ficou fora da Champions para brigar pelo título nacional. Arsenal e Manchester United terão que dividir atenção entre as duas competições enquanto os Blues tem time para mostrarem força ainda este ano.

PS: Não assisti ao jogo entre Sevilha e CSKA, mas este sim dá para chamar de zebra. Era impossível apostar nos russos. Aliás, pelo segundo ano seguido o Sevilha dá sorte no sorteio, mas cai nas oitavas-de-final da Champions.

Esvaziado, "pero no mucho"

Até alguns anos atrás, era impensável um Superclássico argentino sem tanta importância. Afinal, todos se acostumaram com Boca e River sempre brigando por títulos. Nos últimos tempos, porém, não tem sido assim.

O River foi o primeiro a cair em desgraça. Após anos, ficou fora da Libertadores. Passou a ficar sempre entre os últimos no Campeonato Argentino. Lutou e sofreu contra o rebaixamento, mesmo com tosco regulamento existente no país, que faz um coeficiente dos últimos anos para definir os times que cairão.

Este ano, as coisas parecem ter ficado mais tranquilas pelo lado milionário. Apenas parecem. E muito disso, passa pelo rival.

Enquanto o River não encontrava o para-quedas, o Boca seguiu acumulando títulos. Seguia sendo um bicho-papão nas Américas. Até o ano passado. Como num passe de mágica, o time parou de jogar. O time envelheceu em processo semelhante ao que passa o Milan, atualmente. E o Boca demorou para perceber que não dava para apostar para sempre em uma geração vencedora.

A base seguia revelando bons jogadores. Mas eles não conseguiam encaixar no time e os problemas foram se acumulando. O Boca ficou fora da Libertadores deste ano, depois de muito tempo. E a crise apenas cresceu. Até levar o time, neste momento, à vice-lanterna do Campeonato Nacional.

Neste domingo, os dois times entram em campo na Bombonera. Um jogo que pode parecer esvaziado, já que ninguém briga pelo título nesta temporada.

Mas não é. E nunca será. Boca x River é sempre Boca x River. É tradição, empolgação, emoção. E se não vale título, vale muito para as equipes. Para o River, a chance de se afastar de vez dos últimos colocados e ainda a chance de empurrar o rival ladeira abaixo. Para o Boca...bem, nem preciso dizer.

Dançou na hora certa

Não existe "hora boa para perder". Ganhar é sempre bom. E é sempre melhor do que perder ou empatar. Mas é bom quando uma derrota pode trazer ensinamentos e lições. E quando os pontos perdidos não farão muita falta. Foi o que aconteceu com o Santos, ontem, em um dos melhores jogos do ano na Vila Belmiro.


E logo que a partida começou, o encantador e envolvente ataque santista mostrou a que veio. Aproveitou-se de falhas da defesa palmeirense para com a tradicional velocidade e técnica fazer 2 a 0, com Pará e Neymar. O Palmeiras, sufocado, parecia entregue para uma goleada.

Mas o mundo do futebol dá voltas rápido demais. Ainda no primeiro tempo, a defesa do Santos parou para ver Robert empatar. E ainda baqueada pelo primeiro gol, levou o segundo três minutos depois. Neste momento, as danças à cada tento marcado, já tinham virado provocação. Provocação sadia, diga-se de passagem. E divertidíssima.

Empolgado com o empate, o Palmeiras se acertou na etapa final. Melhorou a marcação no meio-campo e passou a controlar a partida. O Santos seguia envolvente no ataque. Mas continuava mostrando que precisa melhorar muito a defesa para as grandes partidas. Em outro erro, Diego Souza colocou o Palmeiras na frente.

Em um jogo repleto de reviravoltas, o Santos conseguiu reempatar a partida com Mádson em outro passe magistral de Ganso. O time se empolgou além da conta para buscar a virada. Neymar exagerou na dose e foi expulso. E Robert acabou acertando um lindo chute para dar a vitória ao Palmeiras.

4 a 3. Um jogão. E um placar digno dos grandes jogos. Um resultado interessante, mas que precisa ser analisado com calma.

Primeiro o do vencedor. O Palmeiras conseguiu uma vitória muito importante. Mas ainda tem problemas demais, principalmente na defesa. Venceu mais na base da raça e da vontade de provar que é um time incomparável ao Naviraiense do que por um futebol correto taticamente. Mas conseguiu um passo importante para ter paz para trabalhar.

Segundo o perdedor. No jogo das danças, o Santos dançou na hora certa. Segue líder do Paulistão, mas percebeu que é preciso respeitar o adversário seja qual for. E que, apesar da fase brilhante, principalmente dos meias e atacantes, a defesa ainda tem muito a se acertar para poder brilhar na valsa final.

Na marca do penalti

O momento mais importante e decisivo do futebol. É ali, quando a bola está na marca do penalti, que todas as atenções se voltam para apenas dois jogadores: o batedor e o goleiro. E foi dali, à 11 metros de distância do gol, que o clássico entre Flamengo e Vasco foi decidido.

Antes, porém, é importante lembrar que o jogo não foi feito somente por três penalidades. Pressionado pelos resultados recentes, o Vasco entrou em campo com uma postura interessante. Foi melhor do que o Flamengo em grande parte do jogo. Soube dominar a bola e o confronto. Mas não conseguia ameaçar o gol de Bruno. Já o rubro-negro, fazia uma partida perigosa, exposto demais nas laterais. Mas conseguia chegar mais à meta vascaína, na base dos contra-ataques.

Numa partida de arbitragem fraca, no entanto, não cabe o choro vascaíno. Se não houve o penalti marcado em Léo Moura, é importante lembrar que uma penalidade clara sobre o mesmo Léo Moura foi ignorada no primeiro tempo. E dois jogadores do cruzmaltino poderiam ter sido expulsos. O árbitro errou como erram todos, porque são fracos e não tem critério. Não houve maldade.

Numa partida com tantas histórias, foram os penaltis que decidiram. O Vasco teve dois. Dodô bateu os dois e perdeu. Bruno mais uma vez brilhou e salvou o Flamengo. O Flamengo teve apenas um. Convertido, pelo apagado Imperador. E decisivo no 1 a 0.

O Flamengo tem mais time e está mais pronto que o Vasco. Mas ainda tem problemas demais, escondidos sob os bons resultados conquistados até aqui. Falta a Andrade encontrar a melhor forma de jogar com os dois atacantes, saindo do 4-2-3-1 utilizado no ano passado. Com o "Império do Amor" na frente, fica um buraco no meio-campo e falta companhia para os laterais.

Já o Vasco, perdeu uma ótima oportunidade de encontrar a paz. Paz que ficou pelo caminho desde a derrota na final da Taça Guanabara. E que começa a refletir no grupo. Dodô parece definitivamente queimado. E Mancini será cobrado pelos resultados, mesmo que não seja o principal culpado pelo momento delicado da equipe.

O artilheiro, o descontrole e a retranca

Como foi ruim a noite dos brasileiros na quinta-feira pela Copa Libertadores. Se contarmos que os três times jogaram fora de casa e que trouxeram uma vitória e dois empates, não parece tão ruim. Mas em campo, ambos simplesmente não aconteceram.

Tudo começou com o São Paulo. Com um time fantástico e um banco quase europeu, o time entrou em campo para enfrentar o Nacional, do Paraguai, diante de ridículos 700 torcedores. Mas o jogo não fluiu. O time errou passes demais. Os jogadores pareciam não saber qual função cumprir em campo.

No fim, veio o resultado de 2 a 0, com gols do sempre criticado e decisivo Washington. Mais por demérito do adversário, fraquíssimo. A vitória, no entanto, deve ser celebrada. Deixa o São Paulo em posição confortável no grupo para a sequência da competição. E dará a Ricardo Gomes tempo para encaixar o time, algo que ele ainda está longe de conseguir. Aliás, parece perdido com tantas opções e acaba não usando nenhuma delas e fazendo apenas o básico.

Logo depois, foi a vez do Cruzeiro entrar em campo. Na Venezuela, contra o desconhecido e também fraco Deportivo Itália. Que, diga-se de passagem, surpreendeu pela postura corajosa em campo. Jogando com velocidade e explorando o lado esquerdo da defesa do Cruzeiro, os venezuelanos eram incisivos e mostravam que queriam a classificação.

Mas isso só aconteceu porque o Cruzeiro deu brechas. Foi frouxo na marcação. Parecia desinteressado. Mais uma vez deu muitos espaços, principalmente pelo setor esquerdo, nas costas de Diego Renan. Salvou-se apenas Kléber, autor dos dois gols no empate por 2 a 2. Mas, para variar, acabou expulso no fim. Aliás, a quarta expulsão em três jogos fora de casa na Libertadores. Preocupante. Assim como o pouco futebol que o Cruzeiro tem jogado no grupo mais difícil da competição. Faltam 9 pontos. E o Cruzeiro vai precisar de pelo menos 7 para chegar sem sustos à classificação.

A noite acabou no Equador, onde o Inter enfrentou o Deportivo Quito. Mais uma vez, Fossati ignorou o bom time que tem em mãos. Resolveu escalar a equipe mais uma vez com uma postura extremamente defensiva. Deu espaços para o adversário jogar. E nos contra-ataques, com Alecsandro isolado, tentava alguma coisa.

Definitivamente não funcionou. Não é o perfil do time Colorado. Que tem potencial para mais. Por isso, passou sufoco contra um adversário que é lanterna no campeonato local. E não conseguiu mais do que o empate, injusto, por 1 a 1. Marcou no jogo o penalti bizarro marcado e depois desmarcado pela arbitragem. Ali, Abondanzzieri mostrou como a experiência pode fazer a diferença na competição.

No frigir dos ovos, ninguém jogou absolutamente nada. Se os resultados não foram péssimos, foi por falta de qualidade dos adversários. E fica uma certeza: é preciso respeitar menos e jogar mais para chegar longe na Libertadores.

Objetivos alcançados

Noite perfeita para os brasileiros na Libertadores. Não adianta corinthianos aparecerem no blog para falar que a noite não foi perfeita, já que o time não venceu. Os dois brasileiros entraram em campo com objetivos claros na noite de ontem. E ambos foram alcançados.

O Flamengo foi a Venezuela enfrentar o Caracas. Adversário fraco, mas que deu trabalho. Principalmente na etapa final, quando ficou com um homem a mais após a expulsão de Toró. Mas o clube carioca, que não tem nada com a fraqueza alheia, se aproveitou e conseguiu uma vitória excepcional: 3 a 1.

Muito se fala sobre uma crise no Flamengo. Em campo, o time mostra o contrário. Depois do episódio "Morro da Chatuba" foram dois jogos. Duas vitórias. Duas boas atuações. Adriano não fez falta. E Vágner Love continuou ótimo.

Ontem, o time teve um mérito especial na vitória. Além de ter lutado como nunca, brigado por cada centímetro do campo, quis vencer. Procurou o gol da vitória mesmo quando o empate poderia parecer um bom resultado. E acabou premiado no fim. O Flamengo mostra força. E mostra que pode chegar. Depois do último Brasileirão, não é bom duvidar de Andrade e sua turma.

No outro jogo, o Corinthians entrou com três volantes. Prática pouco usual com Mano Menezes. Mas que fazia sentido. Afinal, o time não vinha sendo seguro na defesa e precisava segurar a altitude, principal jogador do Independiente de Medellín. Mas, faltou ousadia, principalmente, para conquistar um resultado melhor. Com o elenco que tem, o Corinthians podia ter vencido, mesmo que o empate não seja um mal resultado.

Ainda falta muito para o Corinthians ser um time. O problema me parece próximo do que acontece com o Real Madrid, guardadas as devidas proporções. O clube investiu em jogadores experientes e vencedores. Mas não se preocupou se eles se encaixariam na forma de jogar que o time já tinha.

E por isso, o Corinthians demora tanto para encaixar. Claro que colabora também a forma de Ronaldo, irreconhecível. Ontem, não conseguiu dominar uma bola sequer. E deveria ter sido substituído antes. Roberto Carlos ontem até fez uma boa partida. Mas espera-se muito mais da estrela. Danilo e Tcheco não combinam com a forma de jogar do time. E talvez por isso, seja Dentinho quem brilhe nos momentos de aperto.

Falta ao Corinthians jogar mais. Deixar os titulares se entenderem e o time se encaixar. Boas peças e muitas opções não faltam para Mano Menezes. Mas a hora de ter o "time ideal" no ponto está quase chegando. E se não melhorar muito, o sonho das conquistas no centenário pode acabar ficando para trás.

Comprometimento

Não há outra palavra para descrever o futebol do Santos ontem à noite. Ou melhor. Há varias outras, como show, espetáculo, maravilha. Mas nenhuma mostra tão bem como o Santos conseguiu construir a fácil goleada por 10 a 0 sobre o Naviraiense como comprometimento.


Os motivos são claros. Antes de mais nada, há quem diga que o time goleou porque o adversário era fraco. E de fato, era. Quase amador. Mas, assim como o Santos, outros times grandes enfrentaram adversários deste nível na primeira fase. E não atropelaram como fez o time da baixada (exceção feita ao Atlético-MG, que fez 7 a 0 jogando fora de casa).

Em campo, porém, o Santos fez o que tinha que fazer. Levou o jogo a sério. Como a competição merece. Como a torcida merece. E também como o adversário merece. Não há maneira melhor de se respeitar o adversário do que jogar e fazer gols.

E isto, o Santos de Dorival Júnior sabe fazer. Marcando bem, saindo em velocidade e alternando jogadas comuns e eficientes com lances maravilhosamente efetivos, os gols foram saindo. Show de Neymar, Robinho e André. Mais uma atuação brilhante de um Ganso cada vez mais impressionante.

No segundo tempo, com 6 a 0 e um a mais no placar, o time poderia pisar no freio. Mas Dorival, ótimo, prestigiou o torcedor. Tirou um zagueiro, colocou mais um atacante. Fez seu time seguir jogando. Objetivo como sempre. Lúdico como de costume. Fez mais 4 gols. E poderia até ter feito mais, mas ficou de bom tamanho.

Ainda não sei até onde pode chegar este maravilhoso Santos. É um time fantástico, mas que ainda se expõe demais. Dorival Júnior é um baita técnico. Todos os seus times privilegiam o ataque e jogam um belo futebol. Mas costumam ter problemas defensivos.

De toda forma, ninguém no Brasil joga mais do que o Santos no momento. E isto já é motivo de sobra para animar o torcedor em um ano que parecia perdido antes mesmo de começar.

Abissal diferença

Mais um dia incrível na Champions League. Pela primeira vez nas oitavas-de-final, a zebra passeou em campo. Esteve em Madrid, justamente no palco da decisão. Por motivos óbvios, acabou vendo de perto o Real Madrid ficar apenas entre os 16 melhores pelo sexto ano consecutivo. Já na Inglaterra, um esperado passeio do Manchester sobre um pobre Milan.

No Old Trafford é covardia fazer qualquer comparação. Assim como é covardia criticar Leonardo, obrigado a escalar Bonera e Huntelaar como titulares nos lugares de Nesta e Pato. Além disso, no banco a prova de um envelhecido elenco: o mais jovem era Gattuso, de 32 anos.

Assim, com o pragmatismo que estagnou há anos um dos maiores times do planeta, ficou fácil para o Manchester e para o empolgante estilo inglês de se jogar futebol. Força, técnica, velocidade. O United atropelou, pois tem um time milhões de vezes superior. E como se não bastasse, tem Wayne Rooney, autor de dois gols hoje de trinta na temporada. É o melhor jogador do mundo no momento. Decisivo e soberano.

Os 4 a 0 refletem exatamente esta diferença, como disse no título, abissal entre os times. Ronaldinho bem que tentou, mas sem companhia, acabou tornando-se presa fácil. Com velocidade, principalmente no segundo tempo, o Manchester esperou o momento certo para matar o jogo. E mostrar porque é um dos grandes favoritos ao título.

Já na Espanha, o Real bem que começou bem. Abriu o placar logo aos 9 minutos com Cristiano Ronaldo, até aqui, artilheiro da competição. Mas, outra vez, o plano galático sucumbiu. Na etapa final, ousado, o Lyon partiu para o jogo. Conseguiu um empate que deixou no chão os donos da casa. Sentiam o peso da responsabilidade galática. E acabaram sucumbindo diante de um Lyon que certamente não irá longe na competição.

Não é a primeira vez que Florentino Pérez prefere investir em marketing do que num time. Não é a primeira vez que as estrelas que ele contratou não conseguem formar uma equipe. E é a sexta vez seguida, que o Real Madrid fica nas oitavas-de-final da Champions League. Pouco. Muito pouco.

Principalmente porque este ano a final será justamente ali, no Santiago Bernabeu. E o Real corre o risco de ver seu grande rival, fazer uma grande festa em seu palco. Mesmo com investimentos menores.

Quanto à Kaká, foi um absurdo o que Pellegrini fez. Jogou para a torcida e tentou jogar sob os ombros do jogador a responsabilidade da eliminação. Merece e deve ser demitido. Foi inseguro, assim como sua defesa. E acabou tirando de campo um jogador que se não fazia uma partida brilhante, pelo menos era dos poucos que tentava alguma coisa.

Real Madrid e Milan seguem apostando em velhas formas. E a diferença, principalmente para os grandes ingleses, torna-se maior a cada temporada. Não é atoa.

Na base do desespero

Quando é fase é ruim, bate aquele sentimento desesperador. É preciso fazer alguma coisa. Dar satisfação. E é isto que está fazendo a diretoria do Palmeiras, para tentar melhorar a fase crítica da equipe, que deve ficar fora das semifinais do Paulistão.

Faltam detalhes para o anúncio oficial da contratação de Vítor, lateral direito do Goiás. Ótimo jogador. Aliás, um dos melhores da posição no país. Não é atoa que foi o melhor do Brasileirão 2008 e esteve entre os candidatos em 2009 mesmo ficando grande parte da competição machucado.

Até aí tudo bem. O problema é a forma como tudo foi feito na negociação.

O jogador ficaria sem contrato no fim do ano no Goiás. No clube goiano, já não havia esperança de conseguir alguma coisa por ele. Vítor é bom jogador. Mas não tem mercado fora do país, principalmente por já ter 28 anos. Quando soube do interesse palmeirense, a diretoria procurou Jorginho, ex-auxiliar do alvi-verde. Que confirmou que era um sonho antigo.

Por isso, a diretoria goiana fez jogo duro. Até conseguir que o Palmeiras entregasse de mão beijada não só os 600 mil reais pelo empréstimo. Mandará também três jogadores: Wendel, Deyvid Saconni e Daniel Lovinho.

Não é nada que vá fazer muita falta em campo. Mas é importante lembrar o quão reduzido é o elenco do Palmeiras. Deyvid Saconni, principalmente, poderia ser muito útil ao longo da temporada.

Mas é o preço que se paga por ficar numa posição desesperadora. Com o pires na mão. E necessitando com urgência de reforços.

Vítor é uma ótima contratação. Mas a forma como foi feita...O Palmeiras pode acabar pagando caro por isso.

Re-adiado

Faltava bem pouco para completar a esculhambação na qual se transformou o Campeonato Mineiro de 2010. Em meio a um regulamento estranho, onde de 12 times se classificam 8 e dois são rebaixados, os jogos são fracos. O nível técnico e a presença do público são baixos. A arbitragem é uma vergonha.

Tudo ficou pior graças ao "Caso Wellington Paulista". O jogador, expulso na última partida do último campeonato entrou em campo na estréia este ano. O Cruzeiro se justificou numa decisão de um dos juízes do TJD, que trocou a suspensão pela doação de cestas básicas. Inicialmente o Cruzeiro perdeu os pontos. Depois, recuperou. Agora, o caso foi parar no STJD, com direito à muita reclamação do Atlético-MG. Não sou jurista e não conheço a lei. Na minha cabeça, porém, se o juiz liberou o jogador, liberado ele está. Se houve um erro, quem deve ser punido é o juiz e não o clube.

O Atlético-MG também reclama da arbitragem no clássico, vencido pelo Cruzeiro por 3 a 1. Aliás, Luxemburgo reclama da arbitragem após cada apito final até aqui na competição. Diz que os juizes resolveram controlar o jogo com excesso de cartões. O que não aconteceu no clássico mineiro, onde o árbitro deixou de expulsar Werley e Jonílson, do Atlético e Kléber, do Cruzeiro. Além disso, confirmou um gol ilegal do Galo e anulou outro, legítimo.

A última polêmica foi devido às chuvas. Atlético-MG e América de Teófilo Otoni jogavam no interior. O jogo estava 2 a 2 quando a chuva impedia a continuidade. O assunto já foi tratado aqui no blog. Os 25 minutos finais da partida estavam marcados para hoje. Não aconteceram graças à uma liminar conseguida pelo Galo no TJD.

A esculhambação total. As medidas da Federação Mineira de Futebol não valem nada. Está mais desprestigiada que técnico prestes a ser rebaixado. E assim, segue um campeonato onde a tendência é que Atlético e Cruzeiro cheguem à decisão. Novidade, só a diversidade de confusões. Viva os Estaduais!

Beleza e resultados

Depois de longos e tenebrosos anos, Arsene Wénger parece ter voltado a encontrar a liga na Inglaterra. Fez do Arsenal um time altamente competitivo, sem fugir do seu padrão tradicional. Times leves, toques rápidos, jogo ofensivo.

Foi assim que os Gunners chegaram às quartas-de-final da Champions League. Depois de perder a primeira partida para um regular time do Porto, por 2 a 1, os ingleses atropelaram. 5 a 0 fora o baile. Um massacre.

Desde o início, o Arsenal se postou no campo de ataque. Marcando forte no meio, com jogadores rápidos e inteligentes, o time nem sentia falta do ótimo Fábregas. Nasri e Arshavin comandavam as ações onfensivas, partindo para cima e infernizando os adversários. Na frente, o grandalhão desengonçado Brendtner se mostrou mais uma vez fundamental. Segurou os zagueiros, brigou por todas as bolas e ainda terminou a partida com três gols.

O Porto não tem um time ruim. Mas precisa de muito mais, principalmente na defesa, se quiser brigar por títulos. Tanto é que depois do tetracampeonato este ano deve ficar longe da disputa pelo título nacional.

Já o Arsenal...bem, é um caso complicado. É um grande time, que dá gosto de ver. Mas pode não chegar às conquistas pelo mesmo velho problema. Falta maturidade no momento da decisão. Porém, o time parece ganhar corpo na hora certa e está disposto a surpreender.

Na outra partida, a Fiorentina venceu mas não levou. Outro grande jogo contra o Bayern de Munique. Os italianos venceram por 3 a 2 mas não ficaram com a vaga. Injusto, diga-se de passagem. Vale lembrar que o gol da vitória dos alemães no jogo de ida foi ilegal. Mas, o futebol tem destas coisas. Que a Fiorentina siga jogando no Italiano o que jogou na Champions onde fez ótima campanha. Assim afastará de vez qualquer temor de ficar distante das competições européias no ano que vem.

Apenas uma caricatura

Mais um jogo e o Palmeiras segue mostrando que está muito longe de ser um time de futebol. Recentemente falei sobre a pena que me dá ver Marcos sofrendo com este time, que certamente não está à altura do Palmeiras.

Ontem, mais uma prova. Mal no Campeonato Paulista o time precisava a todo custo da vitória. Pela frente, nada melhor do que o lanterna da competição. O Sertãozinho é fraco. Não havia ameaçado ninguém.

Mas deu um susto. E muito trabalho. No fim das contas, a vitória veio. 3 a 2, graças ao "espírita" Cleiton Xavier, autor de dois gols nos minutos finais. Resultado justo pelo que o Palmeiras fez em campo. Mas que escancarou mais uma vez a pouca qualidade e as deficiências do time.

Não há laterais. A zaga tem problemas. Tantos que estão deixando o pentacampeão e experiente Marcos absolutamente inseguro no gol. No meio, só Cleiton Xavier joga. Pierre continua sendo um leão e ótimo ladrão de bolas, mas não é solução. De resto, é uma caricatura. O meio erra passes demais. E o ataque não emplaca.

No fim-de-semana, o alviverde encara o clássico contra o Santos. É forte a tendência de uma vitória fácil dos santistas. Salvo uma grande mudança de espírito, devido ao "clássico". O mais provável, porém, é uma vitória do líder da competição. E a eliminação precoce de um Palmeiras que vai precisar de muito mais se não quiser seguir sofrendo em 2010.

Pena que vai durar pouco

A história do futebol brasileiro é escrita por muitas vezes por linhas tortas. Esta é mais uma delas. E que por muito pouco, não saiu ainda pior do que a encomenda.

Wellington Silva. O meia atacante de 17 anos, destaque das categorias de base do Fluminense. Por um capricho do destino, quase passou despercebido no Brasil. Quando estreou entre os profissionais do Flu, seu passe já não pertencia ao tricolor carioca. Foi vendido ao Arsenal, da Inglaterra. Ficará no Brasil até completar 18 anos, ou seja, até janeiro de 2011.

Em um ano, a torcida do Flu vai ter a sorte de conhecer mais um talento criado na base do clube. Que, diga-se de passagem, está entre as que mais tem revelado bons nomes no futebol brasileiro. Pena que vários deles nem chegam ao profissional, como os irmãos Rafael e Fábio, hoje no Manchester United. Pelo menos neste caso, o Flu poderá usufruir de seu investimento por uma temporada.

E ele vem sendo pra lá de útil. Ontem, mais uma vez foi decisivo. O Fluminense venceu o clássico carioca sobre o Botafogo por 2 a 1. O resultado não reflete o vareio que o tricolor deu no campeão da Taça Guanabara. Aliás, é impressionante a duração da ressaca botafoguense pelo título. Ninguém parece estar preocupado com o que vai acontecer no segundo turno.

E ontem, o time escapou de uma goleada. Fred perdeu gol que não costuma perder, antes de marcar um golaço de voleio. Além deste gol, o Fluminense perdeu vários outros. Marcando no ataque, melhor fisicamente e com mais qualidade. Os alas chegavam bem ao fundo e conseguiam ajudar Conca no meio-campo. Fred tinha facilidade com a companhia de Maicon depois de Wellington Silva. Só que sabe que não vai durar muito, já que ambos já foram vendidos.

Com mais esta vitória, o Fluminense se candidata como favorito no Rio. O Botafogo desinteressado, o Vasco em queda livre e o Flamengo e seus problemas extra-campo podem atrapalhar os planos. Mas não me parecem capazes de segurar o Flu e sua jóia que o Brasil terá tão pouco tempo para conhecer.

Império da Confusão

A poucos meses da Copa do Mundo, o atacante Adriano se envolveu em mais uma confusão. Desta vez em um baile funk carioca, cercado de outros vários jogadores do Flamengo. Brigou com a ex-namorada e quase chegou às vias de fato depois de vê-la atirar pedras em seu carro e no de seus companheiros.

Depois do episódio, que certamente pararia na capa dos jornais, o mais certo seria Adriano voltar a treinar, jogar e marcar gols. Não há forma melhor de apagar as notícias negativas. Mas o Imperador tomou o caminho inverso. Mais uma vez se deixou abalar. E falou até em parar com o futebol novamente.

O Flamengo, demonstrando uma dependência e falta de profissionalismo incrível, mais uma vez fechou os olhos e ignorou a situação. Dispensou o jogador de treinos e jogos. Por isso, Adriano não esteve em campo ontem na fácil goleada por 4 a 0 sobre o Resende. E não estará na quarta-feira, em Caracas, pela Libertadores. Tudo isso como se não fosse um jogo importante.

Quando está em campo, Adriano é craque e decisivo. Sempre foi assim. O problema é que não dá para contar com o jogador. Nunca se sabe quando a mente do Imperador ficará abalada a ponto de não deixá-lo ir treinar ou entrar em campo.

Por enquanto os resultados são positivos. Mesmo com todos os problemas extra-campo, o Flamengo foi campeão do Brasileirão. Mas uma série de derrotas, pode acabar com a paciência que já passou dos limites.

Paciência que deve estar no fim também é a de Dunga. Certamente o treinador não está gostando nada do que está vendo. E Grafite, que entrou bem na única chance que teve, cresce em proporção geométrica na lista de possibilidades para um ataque que parecia definida para o Mundial.

PS: O que estava fazendo a Assessoria de Imprensa do Flamengo quando deixou Bruno e Andrade darem as declarações que deram a respeito do assunto? Lamentável!

Ele não merece passar por isso

Um sonho de verão que durou pouco. Antônio Carlos Zago chegou ao Palmeiras e os bons resultados vieram juntos. Em tempo recorde, o técnico parecia ter encontrado a fórmula para transformar um time perdido em vencedor. Doce ilusão.

Os resultados sumiram. O futebol pouco vistoso reapareceu. Os problemas vieram à tona novamente. E a torcida, voltou a jogar contra.

O último capítulo foi na quinta-feira. O algoz, mais uma vez foi o Santo André, assim como no último Brasileirão. Os 3 a 1 para o time interiorano em pleno Palestra Itália voltaram a acabar com a paciência da torcida e estremeceram a relação clube x torcida mais uma vez.

Em meio aos protestos pela falta de títulos, aos gritos de burro para o novo treinador e xingamentos para alguns jogadores (principalmente Diego Souza) estava Marcos. O goleiro pentacampeão mundial. Símbolo do Palmeiras. E que, definitivamente, não precisava passar por isso no fim da carreira.

E por isso, em mais um dos milhares de momentos de sinceridade na carreira, Marcão admitiu pela primeira vez que pode encerrar a carreira no fim do ano. Ele sabe que falhou no primeiro gol do Santo André e mais do que isso, sabe que tem problemas físicos, devido à idade. E tem respeito pelo clube que lhe paga o salário. Mais do que isso, pelo clube que o transformou no que é.

Por isso, Marcos já disse que encerra a carreira ou vai aceitar o banco de reservas para ajudar os mais jovens no momento de transição. Mas, para isto, abaixaria o seu salário, por respeito. Marcos é um exemplo. Polêmico pela sinceridade. Autêntico. Escutá-lo falar é sempre certeza de boas frases.

Por isso, merece o respeito eterno dos palmeirenses. E não merecia passar pelo que vem passando junto com o clube.

E quando ele parar, fica a certeza de que um jogador como Marcos não fará falta apenas ao Palmeiras. Fará muita falta ao futebol.

Confusão de Estado

Mais uma polêmica envolvendo os Campeonatos Estaduais. E quando ela chega, voltam todas as antigas discussões. Vale a pena manter os Estaduais no já apertado calendário brasileiro?
Tudo começou graças ao jogo entre América de Teófilo Otoni e Atlético-MG, na quarta-feira, pelo Campeonato Mineiro. A partida, disputada em uma chuva fora do comum, foi interrompida aos 20 minutos do segundo tempo, pois o campo não oferecia condição alguma para um jogo de futebol.

A situação já era péssima no fim do primeiro tempo. Pela TV, eu não autorizaria sequer o reinício do jogo no segundo tempo. No primeiro tempo, um movimentado e interessante jogo que ficou 2 a 2. No segundo, não houve futebol. Só chutão e água para todo lado.


O árbitro, no entanto, resolveu tentar. Precisou de nove minutos no segundo tempo até interromper o jogo. Converou com os jogadores e disse que esperaria vinte minutos. A chuva diminuiu o ritmo e ele logo fez com que os times voltassem à campo. O gramado continuava péssimo e pouco depois a chuva voltou a apertar. Resultado: encerramento definitivo do jogo.
Em meio à muito disse-me-disse, a Federação remarcou os 25 minutos finais para a próxima semana. Antes disso, especulava-se até que o Galo poderia perder os pontos, pois não compareceu ao estádio no dia seguinte, quando uma inspeção comprovou que havia condições para o jogo. O fato, porém, é que o time da capital joga hoje, mais uma partida pelo Estadual.

O campo de Teófilo Otoni, que não é bom, ficou ainda pior. Corrêa e Diego Tardelli saíram lesionados da partida e vão desfalcar o Atlético-MG por algum tempo. Perdas complicadas.

Fato é que os Estaduais são fundamentais para o futebol brasileiro, por mais que pareça o oposto completo ser o mais correto. Um país com dimensões continentais como o Brasil não pode simplesmente excluir a chance dos pequenos times de disputar competições. E não há condições financeiras para fazê-los viajar de uma ponta a outra do país em semanas.

No entanto, é preciso rever a participação dos grandes times. Não faz sentido eles serem obrigados a jogar contra times péssimos em campos ainda piores. Excluí-los completamente, desvalorizaria a competição a ponto de torná-la inviável. Mas diminuir o desgaste e os riscos é fundamental.

Como fazer? Tarefa difícil, mas não impossível. Boas idéias estão aí. Basta ter paciência e boa vontade.

PS: a melhor sugestão, ao meu ver, foi a do amigo Henrique Comini, pelo Twitter. A volta dos Campeonatos Regionais (Sul-Minas, Rio-São Paulo, etc). Os piores nos regionais seriam rebaixados aos estaduais. E os campeões estaduais, vão para os regionais. Pode dar certo.

Quadro Negro

Quadro Negro
O 4-2-3-1 do Fluminense. Pouca mobilidade do setor ofensivo é compensada com "tesão".

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