Em Minas Gerais, virou costume. A rodada termina e a arbitragem é tema central de todas as discussões sobre o Estadual. Por ser o Campeonato que acompanho mais de perto, talvez note os erros por aqui mais do que nos outros. Mas é impressionante o quanto é fraca e erra a arbitragem mineira.
Os erros começaram no sábado. O Cruzeiro resolveu entrar com todos os titulares contra o América de Teófilo Otoni. Decisão acertada de Cuca, que tem tempo para recuperar o time para o importante confronto contra o Tolima, que pode deixar a vaga na próxima fase da Libertadores muito bem encaminhada.
Mesmo com seus melhores jogadores em campo, o Cruzeiro teve enorme dificuldades. Muito por causa do calor e do campo ruim, muito por causa da boa organização defensiva do América, atuando no 3-5-2. Mas depois de martelar com ataques pouco efetivos, o Cruzeiro abriu o placar com o iluminado Wallyson (quarto jogo seguido marcando) no fim do primeiro tempo.
Na etapa final, o América trocou um zagueiro por um atacante e abriu o jogo que melhorou. Não demorou e Obina empatou após vacilo da defesa celeste. Os donos da casa tendiam a crescer no jogo, mas o árbitro Émerson de Almeida Ferreira resolveu aparecer. Expulsou de forma exagerada Wellington Bruno, que não tinha cartão amarelo, por falta em Montillo. Cuca tentou deixar o Cruzeiro mais ofensivo, mas faltava qualidade na criação do meio-campo. E o time só não foi surpreendido pois a arbitragem errou novamente ao anular gol legal de Obina. Nos instantes finais do jogo, Rodrigo Sena marcou contra e deu a vitória à Raposa.
Para não dizer que o time da capital foi favorecido, houve também penalti claríssimo em Wellington Paulista, ainda no primeiro tempo, ignorado pelo juiz.
No domingo, a farra dos erros continuou. Atlético e América fizeram um clássico de tempos opostos em Sete Lagoas.
A etapa inicial foi marcada por um caminhão de gols perdidos. Os dois times erravam demais na parte defensiva e deixavam muitos espaços. Galo e Coelho criaram bastante, mas não conseguiram converter em gols. Não havia meio-campo. Era literalmente um jogo de ataque contra defesa. Neto Berola marcou para o Atlético aos 13. Fábio Júnior empatou aos 20. Resultado justo no primeiro tempo, mas poderia ter sido 2 a 2, ou 3 a 3.
No segundo tempo, o jogo perdeu o ritmo. Jackson entrou para fechar o meio-campo no Galo e marcar o lado esquerdo do América. Funcionou. Mas a mexida fez o América parar de jogar e o Atlético também.
O panorama só mudou quando Joel Tolentino Damata inventou penalti do goleiro Flávio em Serginho. O quinto a favor do Atlético em cinco jogos no Campeonato Mineiro. Todos, no mínimo, discutíveis. Por sorte do juiz, do América e do jogo, Tardelli desperdiçou a cobrança.
O jogo seguiu morno. Dorival colocou novos atacantes em seu time mas sem Ricardinho, não tinha quem fizesse a bola chegar até eles. O América parecia cansado e sentia a falta de uma opção de velocidade para puxar os contra-ataques. Quando o empate parecia o resultado mais provável, Fábio Júnior acertou belo chute de fora da área e definiu o confronto a favor do Coelho.
Atlético, América e Cruzeiro vão chegar às semifinais. A primeira fase do Campeonato Mineiro só serve pare definir a posição dos times e quem será o "intruso" do interior. E também para perceber o quão fraca é a arbitragem do estado. Que certamente, vai reclamar quando vier um juiz de fora para apitar os jogos mais importantes...
Planejamento é o segredo do sucesso. Para não "fundir o motor" na reta final, a Pré-Temporada do Marcação é longa. Perto do fim, chegamos hoje ao Ceará.
O time de Dimas Filgueiras teve início incrível no Estadual e estreou com boa vitória na Copa do Brasil.
Destaque para o experiente trio ofensivo, formado por Geraldo, Iarley e Júnior.
Para saber o que esperar do Ceará em 2011, é só clicar aqui.
Aproveite para ver outros times que já passaram por nossa pré-temporada:
Dois jogos, duas goleadas. Nove gols marcados, nenhum sofrido. O início da caminhada cruzeirense na Libertadores 2011 não poderia ser melhor. Ontem, a vítima foi o Guarani, do Paraguai: inapeláveis 4 a 0 na Arena do Jacaré.
Apesar do resultado retumbante, o Cruzeiro não foi tão bem e nem o jogo tão fácil quanto o placar teima em demonstrar. Cuca manteve praticamente o mesmo time da goleada sobre o Estudiantes (exceção feita à entrada de Diego Renan na vaga do machucado Gilberto). Mas a estrutura tática e a postura do time mudaram bastante em relação ao confronto com os argentinos.
Contra os paraguaios, Cuca apostou novamente no 4-2-2-2. Wallyson desta vez foi atacante (mesmo que voltasse para ajudar na marcação pelo lado direito). Montillo armava pela direita e Roger pela esquerda, ambos com muita liberdade. A idéia era interessante, já que os paraguaios apesar de um 3-6-1 muito parecido com o do Estudiantes, saíam muito menos para o jogo (Benítez e Escobar eram os únicos com liberdade ofensiva e os alas pouco avançavam).
No entanto, faltou paciência ao Cruzeiro. O time tinha a bola, mas não rodava o jogo para abrir espaços. E acabava muito exposto nos contra-ataques perigosos e bem armados pelo Guarani, principalmente porque os homens de frente não demonstraram a mesma volúpia na marcação da saída de bola da partida da última semana (o que era de se esperar).
Por isto, os sustos do início da partida, em dois chutes de Benítez e em cabeçada de Escobar que acertou a trave de Fábio. O gol do Cruzeiro só saiu aos 30 minutos, com o iluminado Wallyson após escanteio e bola rebatida na área que sobrou para ele.
Veio o segundo tempo, vieram os mesmos problemas. O ritmo do jogo caiu com a chuva forte que caiu em Sete Lagoas e favoreceu os donos da casa que ficaram ainda mais com a bola. Ainda com pouca paciência, o segundo gol saiu novamente com Wallyson, em outra jogada de escanteio.
Cuca mexeu bem no time, voltando ao 4-2-3-1 após a entrada de Farías (com movimentação e participação muito superiores à Wellington Paulista). Thiago Ribeiro, outro "reserva", ocupava o lado esquerdo, Montillo o centro e Wallyson (depois Dudu) o lado direito. Graças ao grito de "olé" vindo das arquibancadas, o time passou a tocar a bola com inteligência e colocou o adversário na roda, como deveria ter feito desde o início da partida. Assim, saíram os dois gols trabalhados do Cruzeiro no confronto: primeiro com Farías, depois com Thiago Ribeiro em bom chute de fora da área.
Vale a goleada que dá a liderança e mostra a força do Cruzeiro em um grupo difícil. O desempenho não foi o mesmo da partida quase impecável diante do Estudiantes, mas nem sempre será possível jogar no limite. Fica a boa impressão pela forma como os resultados aparecem. E principalmente, pelas alternativas que aos poucos, Cuca começa a demonstrar com o ótimo elenco que tem em mãos.
Ninguém conquistou tanto quanto o Boca Júniors nos últimos 20 anos. O multicampeão argentino venceu tudo o que tinha direito: campeonatos nacionais, Libertadores, Sul-Americana, Mundial. Nas últimas duas temporadas, porém, o time caiu. Muito. Os títulos ficaram longe. E depois de longo tempo, o time ficou fora da competição mais importante do continente.
Para 2011, o Boca se mexeu. Contratou Júlio César Falcioni para o comando técnico. Reforçou o time com Somoza, Rivero e principalmente o promissor Erviti, destaque do Banfield na última temporada. O início foi animador, sem nenhuma derrota nos "Jogos de Verão", na pré-temporada.
A goleada para o Godoy Cruz, em casa na estreia, por 4 a 1 deixou o temor de mais uma temporada problemática. Na segunda rodada, porém, veio a recuperação: 1 a 0 sobre o Racing, em pleno Cilindro, lotado.
Apesar dos três pontos, porém, o desempenho foi abaixo da crítica. Tanto é que o único gol do jogo saiu em chutão de García (jovem goleiro vindo das categorias de base, que falhou feio na primeira partida mas se recuperou diante da Academia) para Mouché ficar de frente para o goleiro. Aliás, o atacante foi a única alternativa perigosa do time, sempre pelo lado direito. Sem Erviti e sem Riquelme (eternamente lesionado), o meio-campo com três volantes raramente conseguiu produzir boas trocas de passe ofensivas.
Depois de sofrer pela falta de renovação e pela aposta seguida em jogadores veteranos que já haviam conquistado muito pelo clube mas que não conseguiam render mais (processo semelhante ao que passa o Milan nos últimos anos), o Boca parece disposto a se reerguer. Do elenco atual, "apenas" Clemente Rodríguez, Riquelme e Palermo estavam na campanha do último grande título (a Libertadores de 2007). O caminho é este: aposta na base e na contratação de jovens promissores.
O sucesso não virá da noite para o dia. Mas com sangue novo, a camisa do Boca deverá levar o time a novas conquistas em breve.
Depois de uma pequena ausência, a Pré-Temporada do Marcação Cerrada está de volta (e perto do fim). E fomos comemorar o primeiro título do ano, com o Coritiba, que venceu o turno do estadual invicto e de maneira antecipada.
Com Marcelo Oliveira, a aposta é na manutenção da base que fez boa Série B com Ney Franco em 2010.
Como o time tem jogado e as alternativas de Marcelo Oliveira, você vê aqui.
Aproveite para ver outros times que já passaram por nossa pré-temporada:
A aposentadoria já havia sido anunciada, inclusive oficialmente. Mas só neste domingo, Ronaldo teve seu último ato como jogador do Corinthians. Volta olímpica, discurso e homenagens no Pacaembu. Merecidas. E importantes para que o clube paulista siga sua vida. Assim como foi importante o resultado: vitória por 3 a 1 sobre o Santos, terceira colocação no Paulista e único time ainda invicto na competição.
A homenagem para Ronaldo foi muito bacana. Mais uma bola dentro do marketing corinthiano. Jogador entrando em campo com camisa em homenagem ao clube. Jogadores entrando em campo com camisa em homenagem ao atacante. Todos com o número 9 na camiseta. Tudo muito legal.
E as coincidências não pararam por aí. Passaram pelo placar e pela forma como foi construído. 3 a 1 sobre o Santos. O mesmo placar de um dos melhores jogos do Fenômeno com a camisa do Corinthians, em seu melhor momento pelo clube. No jogo, na Vila Belmiro, Ronaldo fez um golaço por cobertura. Neste domingo, foi a vez de Liédson fazer o seu por cobertura, na última homenagem da tarde ao ex-jogador.
Mas houveram diferenças, principalmente com relação aos últimos momentos de Ronaldo no Corinthians. Tite finalmente viu um time veloz e leve em campo. A mobilidade, principalmente no ataque, é outra com Liédson. Aos poucos, os tempos de Ronaldo e Roberto Carlos ficam para trás e o Corinthians se reencontra com nova cara. Melhor e com potencial para melhorar, ainda que precise de reforços urgentes.
Quanto ao Santos, Adilson começa a ter o trabalho questionado. Acostumado a pressão, não deve demorar a dar a volta por cima. Ainda faltam peças importantes para entrar na equipe, mas esta "desculpa" não deve durar muito tempo. É preciso que o time se acerte com o que tem já que os grandes desafios da temporada devem começar em breve.
Um tempo de intensidade. 45 minutos de bom futebol. Bastou isto ao Atlético-MG para garantir a vitória sobre o Guarani e a liderança (invicta e com 100% de aproveitamento) no Campeonato Mineiro. 4 a 2 sem sustos, sem riscos.
A etapa inicial foi de um time só. Sem Diego Tardelli, Dorival apostou em Neto Berola e na velocidade pelos lados para abrir espaços no fechado Guarani. Funcionou. Não demorou um minuto para o alvinegro chegar pela primeira vez com perigo. Daí em diante, o que se viu foram seguidas oportunidades de gol. Um massacre.
O Guarani, tinha a proposta de se fechar na defesa e sair em velocidade, principalmente com Thiaguinho pelo lado esquerdo. Não conseguiu. Porque marcava de longe, dando muitos espaços principalmente na entrada da área. E porque não conseguia sair para o jogo, pois errava muitos passes no meio-campo.
Aproveitando-se disto, o Galo sufocou. Chegava com velocidade pelos lados, ora com Serginho, ora com Leandro. Ricardinho, em mais uma atuação ótima, fazia o jogo rodar com velocidade. Renan Oliveira, espetado quase como atacante, confundia a marcação do Guarani e abria espaços para as entradas de Magno Alves e Neto Berola em diagonal.
O primeiro gol, no entanto, saiu apenas aos 24 minutos. E contando com penalti muito mal marcado pela arbitragem (incrível como marcam penaltis os árbitros de Minas Gerais) em mergulho de Neto Berola. Ricardinho bateu, abriu o placar e a porteira. Os outros gols saíram em seguida: de novo com Ricardinho e depois com os atacantes Magno Alves e Neto Berola (golaço por cobertura após lindo lançamento de Serginho).
No segundo tempo, já no 3-5-2, o Guarani acertou a marcação e melhorou a saída de bola. Contou também com a queda na intensidade do Galo, natural após a goleada no primeiro tempo. As mexidas de Dorival, visaram dar ritmo a jogadores que precisam entrar em forma e diminuíram o rendimento da equipe. O jogo ficou morno e os donos da casa aproveitaram para marcar duas vezes (com Luiz Fernando e Juninho). Gols que em momento algum ameaçaram a justíssima vitória do Atlético.
Aos poucos, o time atleticano pega a cara de Dorival. Veloz, ofensivo, mortal. Foi assim no primeiro tempo, com toques rápidos, troca de posição e chegando com muita gente ao ataque. Até então, o excesso de gols sofridos (7, em 4 jogos) foram compensados pelo ataque arrasador, que marcou o dobro. A tendência, é que o time se acerte cada vez mais. E o treinador atleticano caminha para fazer mais um trabalho convincente na carreira. Simples, como deve ser.
Mesmo com time misto (decisão acertada de Cuca, visando os compromissos mais importantes pela Libertadores), o Cruzeiro foi soberano diante de um Ipatinga repleto de problemas e em situação delicadíssima no Campeonato Mineiro.
Ainda que com apenas quatro dos titulares que golearam o Estudiantes pela Libertadores, o Cruzeiro teve um time forte com Marquinhos Paraná e Leandro Guerreiro no meio, Dudu dando velocidade e a dupla de ataque "titular" com Thiago Ribeiro e Wellington Paulista. Fechado num 3-6-1 que isolava Alessandro no ataque sem dar velocidade e qualidade à saída de bola, o Ipatinga sofria porque não conseguia ter a bola.
O primeiro tempo foi assim: Cruzeiro no ataque, Ipatinga se defendendo como podia. Não fosse a grande atuação de Ranieri, o placar seria aberto ainda nos 45 minutos iniciais. Marquinhos Paraná, Dudu e Wellington Paulista perderam boas oportunidades.
Na etapa final, notando a falta de agressividade do adversário, Cuca abriu ainda mais o Cruzeiro. Wallyson, em grande fase, entrou na vaga de Éverton, abrindo pelo lado direito no 4-3-3 dos donos da casa. Farías, ganhou a posição do inócuo Wellington Paulista.
Mais rápido, ofensivo e incisivo o Cruzeiro não demorou a resolver o jogo. Antes dos 10 minutos do segundo tempo, o time teve pelo menos quatro boas oportunidades de gol. Duas, pararam nas redes de Ranieri: Thiago Ribeiro em bom chute de fora da área e Wallyson entrando bem em diagonal.
Daí em diante, o que se viu foi um Ipatinga sem nenhuma qualidade para ameaçar, já que não conseguia levar a bola para perto da área de Fábio e um Cruzeiro que claramente pisou no freio, muito graças ao calor e sol forte que fazia em Sete Lagoas.
2 a 0. Vitória fácil e sem sustos de quem tem desafio maior na terça-feira pela Libertadores. Derrota de quem deve se preocupar, e muito, com seu futuro. O Campeonato já vai chegar à quinta rodada e o Ipatinga está longe de dar motivos para ser respeitado. Mudar apenas o técnico, não me parece solução.
Já falei outras vezes. Nos Campeonatos Estaduais é assim: os clubes grandes são os menos interessados, mas o que tem a obrigação de vencer. Questão de tamanho, de hierarquia. Perder, deixa todos com o pé atrás. E a crise mais perto. Foi o que aconteceu ontem com Fluminense e Internacional.
Os gaúchos abriram mão do Gaúcho por vários motivos. O mundial fez os jogadores entrarem de férias mais tarde. E a prioridade (outra questão de hierarquia) é a Libertadores. Por isso, Enderson Moreira comandou o Inter B na competição. Ontem, depois de empate com o Cruzeiro-POA, nas quartas-de-final da Taça Piratini (primeiro turno do campeonato) o time foi derrotado nos penaltis. Eliminação precoce e princípio de crise.
Enderson Moreira foi demitido. Jogadores do Inter B, devem ser dispensados. A pressão sobre o time principal (que disputará o restante da competição) cresce bastante. O desespero só não é maior pois obviamente que com os titulares o Inter tem toda condição de fazer um belo papel. Mas fato é que, para quem tem a Libertadores para se preocupar, o aumento da pressão pode ser prejudicial.
O mesmo acontece com o Fluminense. Ontem, o tricolor foi eliminado nas semifinais da Taça Guanabara (também nos penaltis, também depois de empate por 2 a 2) pelo organizado Boavista. Muricy sonhava vencer o primeiro turno do Estadual para poder focar somente no difícil grupo da Libertadores (vale lembrar que o time já tropeçou na estreia). Não conseguiu e a pressão por resultados vai crescer daqui em diante.
Fluminense que tem em 2011 os gols de Rafael Moura que Washington não fez em 2010. Mas tem problemas defensivos que não tinha. E ainda não tem o Conca versão 2010. Após a cirurgia e a impensável sequência de jogos enfrentada pelo argentino no ano passado, é preciso cuidados especiais com o meia este ano. Ou ele pode fazer ainda mais falta no futuro.
A panela de pressão está no fogo. Mas há quem goste dos Estaduais. Para eles, deve fazer bem.
A primeira reação ao saber da notícia foi surpresa. Depois de digerida, a impressão me parece boa. O volante camaronês Geremi, com passagens por Real Madrid e Chelsea e atualmente sem clube, foi oferecido ao Cruzeiro e as negociações estão avançadas para o acerto.
O último clube de Geremi foi o Larissa, da Grécia. Por lá, jogou apenas 10 jogos e não marcou nenhum gol. Não se adaptou bem ao país e pediu o rompimento do contrato. Aos 32 anos, Geremi esteve nas Copas de 2002 e 2010. Na África do Sul, começou como reserva, mas foi titular nas duas últimas partidas de Camarões (contra Dinamarca e Holanda). O país perdeu os três jogos e foi eliminado da competição.
Em contato com a assessoria de imprensa do Cruzeiro, o blog foi informado que "se a diretoria está negociando com o jogador, nenhuma informação foi passada a eles". Porém, pelo que foi apurado, as negociações estão em estágio avançado para um contrato até o meio do ano (com opção de renovação até 2012). Geremi viria gratuitamente e receberia um dos maiores salários do clube.
Geremi é volante de origem, mas pode atuar também na lateral direita, posição carente no elenco do Cruzeiro. Zezé Perrella sempre falou que o clube não buscava mais reforços, mas que poderiam acontecer "negócios de ocasião". Este me parece um caso.
O camaronês pode ter dificuldades de adaptação, a língua deve ser uma barreira, mas pode ser um bom negócio. Apesar de ter visto muito pouco ou quase nada do jogador em campo nos últimos quatro anos, Geremi sempre teve boas condições físicas e tem experiência internacional que pode ajudar bastante o Cruzeiro na Libertadores. Vale o risco.
Vencer na estreia é fundamental. Dá moral, equilíbrio e tranquilidade para o seguimento da competição. Com goleada, jogando bem, é ainda melhor. E foi o que fez o Grêmio, ao golear o Oriente Petrolero ontem, no Olímpico: 3 a 0.
Com Rodolfo e Carlos Alberto estreando como titulares, a expectativa era grande. E levou mais de 35 mil torcedores ao Olímpico. Bom público e mais uma comprovação da empatia entre time e torcida, que ficou ainda mais clara desde a chegada de Renato Gaúcho.
No início, o Grêmio teve dificuldades. Muito pela postura avançada dos bolivianos, que surpreendeu e deixava os gaúchos distantes do gol. O Grêmio só conseguia ameaçar em chutes de longa distância e sofria com os contra-ataques do adversário, principalmente aproveitando os espaços deixados do lado direito da defesa gremista (onde Carlos Alberto encontrou óbvias dificuldades e Gabriel deixava um buraco).
Aos poucos, porém, o time se acertou e ainda no primeiro tempo conseguiu dominar o confronto. Que parecia ir para os vestiários empatados até que o árbitro viu penalti inexistente em jogada de Gabriel (a bola bate no rosto e não no braço de Terrazas). Douglas bateu e fez 1 a 0.
Com a vantagem no placar, o Grêmio voltou mais tranquilo e jogando melhor no segundo tempo. Fez logo o segundo, com Gílson e contribuição de Suárez. E o terceiro aos 24, outra vez com Douglas. Borges ainda teve um gol anulado. Vitória e goleada, com poucos sustos.
O Grêmio tem um bom time e o elenco melhorou bastante com as últimas contratações. Mas não pode se iludir com os resultados da primeira fase (que tendem a serem ótimos, pois o grupo é fraco). É preciso encontrar solução para a ausência de Jonas (Borges e André Lima são bons e podem jogar juntos, mas faltam opções para Renato no setor). E Carlos Alberto precisará de muito treinamento para poder ser o vértice-direito do losango no meio-campo.
De toda forma, a vitória dá tranquilidade e tempo. Que Renato Gaúcho precisa e terá.
Bastava sentir o clima na Arena do Jacaré pouco antes de o jogo começar para saber que para o cruzeirense havia um desejo enorme de vingança sobre o Estudiantes. A sofrida derrota da final da Libertadores de 2009 só se tornaria página virada com uma boa vitória sobre os argentinos. Na estreia dos times em 2011, a desejada vitória veio. Com placar acima de qualquer expectativa e atuação irretocável.
Cuca surpreendeu na escalação. Sacou Diego Renan, Leandro Guerreiro e Thiago Ribeiro do time, colocando Roger, Marquinhos Paraná e Wallyson. Ousada e arriscada, a escalação tinha cara de desespero. O Cruzeiro certamente teria qualidade com a bola nos pés, mas poderia sofrer defensivamente.
Poderia, não fosse o gol de Wallyson antes do primeiro minuto da partida. O atacante mostrou estrela e contou com a sorte, em chute prensado que encobriu o goleiro Orión. 1 a 0 e um jogo totalmente diferente.
O Estudiantes rapidamente avançou suas linhas. Ré, o zagueiro pela esquerda, virou lateral e liberou Nelson Benítez para jogar no campo ofensivo. O meia Enzo Pérez tornou-se praticamente atacante. Os argentinos foram para cima e tiveram o controle da partida durante alguns momentos.
Aos poucos, a salada tática do Cruzeiro encontrou seus espaços e se organizou melhor. No 4-2-3-1, Wallyson fazia papel fundamental: com a bola, abria em velocidade e complicava a vida de Ré; sem ela, era quase lateral direito, liberando Pablo para ser o homem da sobra. Mais organizado, o Cruzeiro deu liberdade para Montillo que decidiu o jogo ainda no primeiro tempo. Primeiro com roubada de bola e passe para Roger, no mano a mano com Verón (sacrificado pelo esquema e tendo que recuar demais para auxiliar Braña na marcação), marcar o segundo. Depois, em jogada muito bem trabalhada pela esquerda, driblando o goleiro e marcando o terceiro.
O 3 a 0 no intervalo era melhor do que qualquer sonho para o torcedor do Cruzeiro. Muito ofensivo, o Estudiantes tentava atacar mas sentia a falta do bom passe de Verón (como dito acima, muito sacrificado). Faltava aos argentinos a compactação e o jogo de posse de bola da época de Sabella.
Na etapa final, o Cruzeiro se fechou de vez. Pablo virou zagueiro pela direita e Wallyson se fixou como lateral num 3-6-1 que fechava bem o meio. Esquema perfeito para definir o jogo nos contra-ataques. Assim saíram os dois gols que fecharam a goleada, primeiro com Montillo de fora da área e depois com Wallyson. 5 a 0. Um massacre histórico e para lavar a alma.
Estrear vencendo é ótimo e importante. Para quem vinha de derrota no clássico estadual, enfrentando um adversário que estava entalado, nem se fala. O Cruzeiro funcionou e teve atuação irretocável por dois motivos: se entregou e batalhou por cada centímetro do gramado. Além disso, teve atuações individuais praticamente irretocáveis (Pablo, Victorino, Paraná, Henrique, Roger, Wallyson e Montillo estiveram muito bem). A Libertadores está apenas começando. Manter o alto nível será preciso. Se organizar melhor, fundamental. Nem sempre, a individualidade resolverá.
Mas o Cruzeiro tem todo o direito de preocupar-se com isto depois. Agora é hora de saborear o frio prato da vingança. Preparado ontem com grande colaboração do Mestre Cuca.
Se no mundo do futebol competitivo e de força física ainda existem times que dão valor ao espetáculo e à qualidade técnica, estes são Arsenal e Barcelona. Por sorte de quem ama o esporte e para o azar da competição, os dois se encontraram nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Cedo demais.
No confronto do Emirates Stadium, era de se imaginar um jogo de bom toque de bola, de qualidade e velocidade. Não foi diferente. Mesmo que ambos os times não tenham jogado tudo o que são capazes, o duelo foi de encher os olhos e de empolgar quem gosta de futebol.
Para bater o Barcelona atualmente só há uma alternativa: jogar. Mesmo assim, é preciso atenção a todos os detalhes. O time espanhol dificilmente erra. Mantém a posse de bola (69% na primeira etapa, ontem), recompõe a defesa com velocidade assustadora e é brilhante no ataque. Por isto, fechar-se na defesa é algo que dificilmente vai funcionar. Uma hora, o gol acaba saindo.
O Arsenal começou com a marcação adiantada, tentando surpreender. Foi melhor nos primeiros 15 minutos. Mas pecava por adiantar muito a defesa que jogava em linha. Lampejo de Messi, que novamente como "falso nove" abriu espaço para os pontas, passe para Villa entre os zagueiros e gol espanhol. O gol assustou os donos da casa. E o Barcelona fez o que sabe. Tocou a bola com maestria, controlando o jogo.
A partida mudou no segundo tempo graças às ótimas mexidas de Arsene Wenger. Arshavin entrou para diminuir os espaços e complicar as costas de Daniel Alves (em dia pouco inspirado). Fábregas, recuado para jogar ao lado de Wilshere, deu qualidade irretocável à saída de bola dos ingleses. O Arsenal martelou até empatar com Van Persie (em chute forte, mas com colaboração de Valdez).
Com Keita no lugar de Villa, o Barcelona tentou seguir buscando o jogo mas sentiu a ausência de seu atacante. Iniesta faz bem a função de ponta esquerda, mas não tem a mesma movimentação do atacante e busca pouco as diagonais. Esperto, o Arsenal soube esperar o momento exato para dar o bote. Contra-ataque perfeito, de manual. Nasri em velocidade pela direita, levantou a cabeça e enxergou Arshavin entrando do lado oposto. Gol e virada histórica.
O Barcelona não é invencível, óbvio. O Arsenal provou isto conseguindo um resultado brilhante e uma vitória que dá moral. Os espanhóis seguem favoritos no confronto. No Camp Nou, os ingleses vão precisar jogar também, e principalmente, acertar e matar o jogo quando tiver oportunidade.
Certeza, apenas que teremos mais um belo jogo de futebol. Tanto ao Barcelona quanto ao Arsenal, o mundo do futebol só deve agradecer.
A estreia do Santos na Libertadores contra um limitado Deportivo Táchira deixou a impressão de que o time poderia ter saído de campo com mais do que um ponto após o 0 a 0 chato, principalmente na etapa final.
Ainda sem jogadores que vão ser fundamentais ao longo da temporada dentro do esquema de Adilson e com Neymar cansado após longa maratona pelo Sul-Americano sub-20, o Santos fez uma partida correta taticamente mas com pouco brilho ofensivo.
Adilson armou a equipe numa variação entre o 4-3-1-2 e o 4-2-2-2, que lembrava muito o Cruzeiro, vice-campeão da Libertadores de 2009, comandado pelo técnico. O time e suas variações dependiam da movimentação de Danilo, que fazia papel semelhante ao de Ramires (com liberdade para atacar pelo lado direito, como meia, quando o time tinha a bola; mas com a obrigação de fechar a defesa, como um volante, sem ela).
Não funcionou por alguns motivos claros e simples: faltou que os laterais participassem mais do jogo e fossem à linha de fundo. Faltou inspiração a Elano, craque, mas que rende pouco como meia cerebral, função que caberá à Ganso (com Elano provavelmente fazendo a função que coube a Danilo). Faltou gás a Neymar. E faltou movimentação a Diogo, que precisava abrir espaço para a chegada de outros jogadores na área adversária.
Com o Santos pouco inspirado e ainda precisando de alguns ajustes e o Táchira sem qualidade para fazer a bola chegar ao ataque exceto em ligações diretas pouco efetivas, o jogo ficou morno e chato. No segundo tempo, com o cansaço e as substituições, o jogo ficou ainda pior. E o empate sem gols acabou sendo um resultado justo pelo que as equipes (não) fizeram em campo.
O resultado, em si, não é ruim. O Santos segue favoritíssimo no grupo e o ponto conquistado fora de casa não pode ser considerado tropeço. Mas o Peixe deixou na Venezuela a sensação de que com "algo mais" poderia ter saído vitorioso.
O Milan, que lidera a Série A na Itália com três pontos de vantagem para o segundo colocado (Napoli) é uma prova da decadência do futebol no país da bota. Por lá, mesmo que aos trancos e barrancos em grande parte da temporada, o time vai vencendo, somando pontos e é o principal candidato ao título (apesar da crescente da Inter desde que Leonardo assumiu o comando técnico).
Ontem, o time deu mais uma prova de que sonhar com mais do que conquistar a Itália é utópico com o que tem à disposição. Foi derrotado, em casa, pelo Tottenham por 1 a 0 e ficou distante da classificação para as quartas-de-final da Champions League. O retrospecto recente mostra não só a fraqueza do futebol italiano em relação à hoje principal liga européia como também o quão difícil será a missão do Milan em White Hart Lane: nas últimas cinco partidas contra equipes inglesas, foram quatro derrotas e um empate.
Em Milão, as duas equipes entraram em campo com desfalques importantes. Allegri mais uma vez teve que apostar em Thiago Silva como volante, por falta de opção. O meio-campo também era o principal problema do Tottenham, que não tinha Bale, o principal jogador da equipe na temporada.
No primeiro tempo, os ingleses foram melhores. Seedorf, apagado, foi engolido por Sandro que conseguia desarmar e ainda participar das ações ofensivas dos ingleses. Lennon e Pienaar levavam vantagem sobre os limitados e lentos laterais do Milan. E Thiago Silva encontrou dificuldades no posicionamento graças à boa movimentação de Van der Vaart, aparecendo ora como atacante, ora como meia.
No intervalo, com a entrada de Pato na vaga de Seedorf, o Milan reencontrou fôlego para atacar. Melhorou a movimentação ofensiva e obrigou os ingleses a recuarem. Esboçou pressão, principalmente nas bolas paradas com aproveitamento de Yepes, que parou em duas incríveis defesas de Gomes.
Depois de 15 minutos de pressão, o Milan seguiu tendo a bola mas não tinha qualidade para criar algo diferente. Com o Tottenham fechado, a equipe rossonera tocava na intermediária ofensiva sem alguém capaz de fazer algo diferente e colocar alguém na cara do gol. O nervosismo aumentava e o time se perdia na arbitragem passiva e péssima de Sthépane Lannoy (o mesmo de Brasil e Costa do Marfim na Copa), que deixou de expulsar Flamini por entrada criminosa em Corluka e ainda assistiu Gattuso distribuir pontapés e tapas se tomar atitude alguma.
A pressão pela necessidade da vitória crescia e o Milan se abria. Até que Ibrahimovic errou passe no ataque e Lennon puxou contra-ataque rápido e mortal, como no manual, passando por Yepes com facilidade e deixando o gol praticamente vazio para o gigante Crouch sacramentar a justa vitória do Tottenham.
Os ingleses, perto da vaga, fizeram partida corretíssima tática e tecnicamente. Não foi brilhante, mas soube vencer suas limitações e aproveitar os espaços que o jogo permitiu. Foi ofensivo quando tinha que ser, defensivo quando foi necessário e rápido para matar o jogo.
Já o Milan, escancara mais uma vez seus problemas: falta renovação no sistema defensivo, principalmente nas laterais. E principalmente, mais qualidade ao meio-campo, que tem bons volantes mas não tem nenhum meia capaz de ditar o ritmo e fazer a equipe jogar. Um bom trio ofensivo pode ser suficiente para a Itália. Mas é muito pouco para o continente.
O Marcação Cerrada sai do campo e vai para a cabine. A entrevista de hoje é com um dos comentaristas mais respeitados da televisão brasileira: Lédio Carmona, do SporTV.
Entre o trabalho, as corridas e claro, a novela, Lédio reservou um tempo para falar com exclusividade ao Marcação. Dono de um dos blogs esportivos mais acessados da rede (visita diária obrigatória e principal inspiração para este espaço), o carioca de Niterói falou sobre a carreira, redes sociais e claro, futebol.
Vejam:
Marcação Cerrada - Quando você decidiu que queria ser jornalista? Como foi o início da carreira?
Lédio Carmona - Na verdade, diz minha mãe que desde os 9 anos eu falei que ia ser jornalista esportivo. Comecei a acompanhar futebol em 74 e comecei a me encantar. Eu ouvia muito rádio, queria ser radialista. Comecei a me preparar. Lia a placar toda semana, não parava de ouvir rádio. Fui me interessando e ficando cada vez mais envolvido. Entrei na faculdade de jornalismo da PUC em 84 e continuava querendo ser radialista. Quando vi tinha arrumado um emprego no Jornal do Brasil, durante a copa de 86. Estavam lá João Saldanha, Sandro Moreira, Antônio Maria, muita gente boa. Aprendi muito lá. Fui pra Placar e quando eu achei que minha carreira era na mídia impressa, em 2000 fui convidado pela TV Globo. A vida foi mudando e quando eu vi, hoje sou comentarista do SporTV e estou feliz. Já até tentei não ser jornalista esportivo. Tentei ser assessor de imprensa mas não rolou. Eu gosto do que faço.
MC - Sente falta do dia-a-dia como repórter, da busca pela notícia?
LC - Eu não sinto muita falta de ficar correndo atrás da notícia não. Eu respeito cada um. Tem pessoas que tem a ânsia pela apuração e acho isso sensacional. Não é que eu tenha perdido. Eu já não sou viciado naquela coisa de ligar, apurar... Eu gosto de ser analista, de pesquisar, de buscar detalhes pra transmissão, acho que isso é muito legal. Confesso que eu não tenho muita paciência de ligar pra dirigente, pra treinador, ficar apurando. Tem pessoas que são completamente diferentes. São muito amigos meus, como o Paulo Vinicius Coelho (comentarista da ESPN), que é um cara que apura o tempo inteiro. Admiro ele, acho um cara espetacular. Já trabalhamos juntos, mas eu sempre fui um pouco diferente. Ele é muito apurador, ele é muito ansioso pela busca da informação. Eu sou um pouco mais light nesse caso. Eu gostaria de ter um pouco desse mosquitinho que move o PVC o tempo inteiro pela apuração. Mas eu sou feliz assim.
MC - E a transição até virar comentarista?
LC - A transição foi por acaso. Quando saí da Globo em 2000, era chefe de reportagem e pedi demissão porque estava um pouco cansado. Queria ter mais domingos de folga, mais tempo para a família. Fui trabalhar com minha esposa, numa assessoria de imprensa. Virei até assessor de imprensa do SporTV, mas não me adaptei muito, não curti. Como eu já estava dentro do SporTV, começaram a me convidar pra participar do Redação SporTV. E do Redação, comecei a comentar alguns jogos: campeonato francês, Libertadores... Quando vi, tinha virado comentarista. Fui ganhando espaço e estou lá, feliz. Gosto muito de fazer, gosto de ver futebol o tempo inteiro, conhecer novos times, acompanhar de perto, ir ao estádio. Pra mim está perfeito, estou gostando muito. Vejo meus amigos sempre que posso, amigos de outros estados, está muito legal. Gosto da minha vida como ela é hoje.
MC - Nos momentos de folga, procura relaxar ou assiste muitos jogos?
LC - A gente não folga muito não. Hoje é uma quinta-feira que teoricamente estou de folga (havia trabalhado em Fluminense x Argentino Jrs, no dia anterior). Mas tenho o blog para fazer, aproveitei pra fazer um monte de coisas: levar exame pra médico, já estou pesquisando para os jogos do fim-de-semana, você não pára totalmente. Amanhã estou de folga mas vou pesquisar o dia inteiro, tenho que escrever a coluna para o jornal Extra que sai no sábado... A gente não vai para a TV, mas tem que se preparar para os jogos do fim-de-semana. Eu levo muito tempo me preparando, pesquisando, fazendo súmula, levantando números. Esse início de temporada tem muita novidade. Folga mesmo só nas férias. Agora você não vai ao trabalho, mas trabalha o tempo inteiro. Eu pelo menos sou assim. E eu não consigo imaginar alguns amigos meus do SporTV e de outras televisões folgando. Existe essa necessidade de se informar, de estar por dentro de tudo. Não dá para desligar. Ainda mais com Iphone, com aparelho de celular que você fica conectado o dia inteiro. Eu estou no consultório médico, mas estou no twitter, apurando nos sites. Eu não paro nunca. Não consigo parar.
MC - Como surgiu a idéia do blog? Já acompanhava muitos blogs na época?
LC - Vou te confessar que eu não lia, não. Foi exatamente quando eu tinha deixado de ser assessor de imprensa, em 2005. Fui sair com uns amigos, num aniversário e minha esposa estava junto. Uma amiga dela, que trabalhava no Globo Online (Raquel) me convidou para ter um blog lá. Não sei exatamente qual foi o gancho. Blog não era uma coisa da moda no início de 2005. Estava doido pra voltar a trabalhar com futebol, meio carente... Comecei a fazer. Mas comecei a fazer, como tudo que eu faço, obsessivamente. Eu tinha tempo, não estava trabalhando em outro lugar. Então eu postava muito, respondia todo mundo, me envolvia muito nas discussões, conversava... fiz muito amigo em blog. Quando eu vi era um sucesso, tinha muito acesso. Foi bem natural. Não estabeleci nenhuma estratégia de ação para fazer o blog. Quando eu vi o Globo.com me convidou, fui para lá um pouco antes da Copa de 2006 e estou lá até hoje. Mas hoje já é diferente. Antes eu ligava muito para a audiência, queria saber quanto estava, se estava legal, número de comentários. Hoje não. Sou muito envolvido com meu trabalho na televisão. Eu mantenho, tenho minha política de colaboradores que me ajudam a manter o blog em dia, atualizado, mas eu meio que mudei a minha filosofia. Quando dá a gente faz, atualiza. Ele ainda tem uma boa audiência, mas não é tão estratosférica como era. Eu acho até que esta é uma tendência dos blogs, a audiência cair um pouco. Acho que tem outras ferramentas sociais, outros lugares para as pessoas debaterem. Isso vai se diluindo um pouco. Até o número de comentários hoje não é tão grande porque o cara lê o texto e vai comentar no Twitter, no F
acebook... Ainda acho uma ferramenta legal de interação. Podem até discordar de você, mas se for em alto nível acho que está valendo, acho que esta é a discussão. Eu sou meio viciado em blog. Não tanto quanto era. Já tentei parar de fazer, mas não consigo. Só remodelei minha forma de fazer. Acho que hoje consigo me adaptar bem. Hoje não sou um viciado como era, sou um viciado saudável.
MC - Além do blog, você é um grande usuário do Twitter. De que forma acha que ele acrescenta na sua carreira?
LC - O Twitter é uma coisa natural. Eu tenho muito seguidor no Twitter, mas não sei exatamente o motivo. Não sei se eu falo muita bobagem... Quando vi tinha muita gente. Também não estabeleci estratégia nenhuma para ter 125 mil seguidores. Eu até sigo umas pessoas que não são jornalistas e pessoas jurídicas. Algumas pedem, outras eu me identifico mais, não sendo jornalistas eu sigo também. Eu até sigo muita gente. Eu sigo meios de comunicação, clubes, jogadores... Apesar de brincar muito, convergir socialmente com as pessoas, eu uso o Twitter pra me informar, para pegar informação. Tava agora no consultório médico, mas estava lendo twitts, principalmente de veículos de comunicação. Você fica sabendo coisas do mundo inteiro. Se você clicar no link certo, até vai ler textos densos, de jornal. Basicamente, o que eu curto é que você faz boas amizades, assim como fez no blog, mas eu quero é informação e o Twitter me dá isto. É um veículo que você se diverte, agrega contato, conteúdo, você tem muita informação. Por isso que você acaba seguindo 1700 pessoas. Eu tento me informar através de 1700 fontes. Pode ser um exagero, mas eu sou naturalmente exagerado.
MC - Vamos mudar de assunto e falar de futebol. Qual é o time que mais te marcou até hoje?
LC - Vi o Milan do Gullit, vi o Manchester do início dos anos 90 com o Ferguson. Acho que a Inter do Mourinho foi um time sensacional. No Brasil teve o São Paulo do Telê, Flamengo do Zico, Palmeiras do Edmundo, Atlético do Reinaldo, o Inter do Falcão foi um belo time, o Grêmio de Ênio Andrade. Eu vi grandes times. Mas eu acho que a gente valoriza pouco a nossa época. Não só nós, formadores de opinião, mas torcedores em geral. Hoje em dia estamos em uma fase que podemos não ter um time empolgante assim no Brasil, mas o nosso futebol é até legal. Outro exemplo: o Barcelona do Messi é pouco valorizado por quem é apaixonado por futebol. Falo o Barcelona do Messi, do Xavi, do Iniesta, do Villa, Daniel Alves. É um dos melhores times da história. Sem comparar com A, B ou com C, mas se eu tivesse que falar os 5 melhores times da história, talvez colocasse ele na lista. Entre os 10, com certeza estaria. Acho que a gente tem que valorizar muito a chance de ver este time jogar. É sensacional. Uma forma lúdica, toque de bola. Então eu acho que eu vi grandes times mas hoje a gente vê um time que está aqui, vivo, que é o Barcelona e a gente valoriza pouco isto. Daqui a 20 anos, vou estar com os filhos do pequeno Bob, meus netos, e vou falar que vi o Barcelona jogar, fui ao Camp Nou, era um time sensacional, um dos maiores times de todos os tempos. A gente vai valorizar mais do que hoje. Mas já vi muitos times bons e acho que a gente vai ver muitos outros ainda.
MC - Por falar em valorizar o momento, como vê o retorno de jogadores consagrados como o Ronaldinho Gaúcho ao Brasil?
LC - Em termos de valorização do evento, do espetáculo do futebol brasileiro, é importante você trazer o Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo... Mas eu acho que a gente não pode se acomodar com isto. É um movimento importante, um investimento, tentar sair da mesmice, do marasmo. Acho legal isto. Acho que a gente tem que pensar também, que daqui a pouco temos que ter uma outra etapa. Talvez ir lá buscar um jogador de 25 anos, numa fase ainda mais profícua, que possa render ainda mais. Eu acho que esta é uma etapa importante. Os estádios esse ano devem encher mais, o público deve aparecer mais, está animado. O Rivaldo
no São Paulo está muito legal, Ronaldinho Gaúcho no Flamengo nem se fala. Acho que os times estão se reforçando, descobrindo o mercado argentino, sul-americano. Perto do que já tivemos, é muita coisa e já chama a atenção. O Brasil hoje já rivaliza com França e Portugal no mercado. Já temos condição de ir lá pegar um Liédson em Portugal, fazer um investimento. Acho que o Brasil ainda tem caixa para mais coisa, para ousar mais. Investir com responsabilidade fiscal, pensando bem. Pena que nem todos clubes grandes estão nesse pique, tem muito clube ainda em situação complicada. Mas o Brasil está se desenvolvendo em todas as áreas e o futebol é uma extensão disso, cresceu nos últimos anos. Podemos pensar ainda um pouco além disso. Não só em jogadores veteranos, dá pra pensar em algo mais. Tomara que sim.
MC - Dentro desta visão de reforços, quem fez as melhores contratações para esta temporada?
LC - Eu acho que o Santos está com um time muito forte. Depois que o Ganso voltar, o Neymar,
ele vai ficar com um time muito ajustado. Acho que o Flamengo tem condições, apesar de não ter a defesa pronta. A mesma coisa vale para o Fluminense. Acho que os times de Minas: o Cruzeiro continua com um bom elenco e o Atlético está mais encorpado este ano, com mais cara de time. Os gaúchos também...O Corinthians acho que ficou um pouco para trás neste início, o Vasco também. O Botafogo montou um time ainda melhor. Parece até uma tendência a ficar em cima do muro, mas você vê que quase todos os times estão evoluindo, conseguiram fazer um upgrade. O Coritiba manteve a base da Segunda Divisão, o Atlético está tentando se acertar. Mas se eu tivesse que falar um time neste início do ano eu diria o Santos, por mais que ele também esteja escorregando no Campeonato Paulista. Porque ele tem um equilíbrio maior entre defesa, meio-campo e ataque.
MC - Qual sua visão sobre os Campeonatos Estaduais e qual a solução para eles?
LC - Eu detesto Campeonato Estadual. Não tenho nenhum prazer em ver jogo de Campeonato Estadual. Comento porque sou profissional, meu canal transmite e eu faço com o maior carinho, como faço uma Taça Libertadores, me preparo do mesmo jeito. Mas eu acho o nível muito fraco, a motivação dos jogos muito devagar e mesmo alguns clássicos nem valem nada também. Me deprime um pouco quando vejo um clássico em São Paulo com pouca gente, um Gre-Nal em Porto Alegre com times reservas. Não consigo entender exatamente qual o espírito, que resgate da história é este. Não queria acabar com o Estadual. Queria fazer uma coisa menor, como os argentinos fazem: dois meses de pré-temporada, usa ali o Estadual, se elege o campeão no final, uma fórmula mais enxuta. Mas 20 times no Campeonato Paulista, 16 no Carioca, sei lá quantos no Gaúcho... É time demais, jogo demais. Enquanto isto você fica com o Campeonato Brasileiro apertado, Libertadores também toda acanhada, você não consegue fazer o calendário uniforme com a Europa. Mas respeito quem gosta, quem curte. Eu vejo qualquer jogo. Se estiver passando qualquer jogo de Campeonato Estadual eu vou ver, vou me informar, vou anotar, vou escrever. Mas não é a competição que me seduz. Eu vejo porque sou um viciado, mas não é o que eu gostaria de ver.
MC - E quais jogos mais te agradam? Mais te dão prazer em assistir?
LC - Eu gosto de tudo. Não é ficar em cima do muro. Eu gosto de jogos bem transmitidos. Por exemplo: eu adoraria ver o Campeonato Argentino que o SporTV transmite, mas me desagrada um pouco a transmissão. É muito ruim a geração de imagens lá da TV argentina. Isto atrapalha um pouco, mas vejo também. Depende do momento. Eu vejo tudo, desde que minha santa patroa permita quando eu estou de folga no fim-de-semana e o pequeno Bob também. Sempre que eu posso, eu vejo. Mas os que eu mais gosto de ver são os que eu trabalho. A concentração é maior, você está ali só pensando naquilo. Estes eu valorizo mais porque ali acaba unindo prazer com trabalho, com responsabilidade. Eu gosto de futebol de qualquer jeito. Se puder ter uma transmissão boa, melhor ainda.
MC - Só não pode ser no horário da novela...
LC - Eu sou noveleiro. Não vejo todas as novelas não, mas algumas eu vejo. Insensato Coração, eu estou vendo por vários motivos...
Depois do Bahia, foi a vez do Avaí começar a temporada mudando de treinador. Vágner Benazzi deixou o time ontem, pouco antes de receber a Pré-Temporada do Marcação.
Como o ex-treinador vinha armando o time e quais as alternativas para o próximo comandante, você pode conferir clicando aqui.
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Em qualquer texto para homenagear ou falar do fim da carreira de Ronaldo, confirmada oficialmente agora a pouco, será impossível fugir do lugar comum. Por isso, não pretendo me alongar ao falar da carreira, já conhecidíssima do Fenômeno. E antes de mais nada, recomendo os bons textos de Mauro Beting e do amigo Marcelo Bechler. Vale também o registro do sempre ótimo André Rocha, relembrando os melhores times da carreira do artilheiro.
Era o óbvio ululante que as condições físicas já não permitiam a Ronaldo atuar em alto nível. E foi ótimo (para ele e para o Corinthians) que tenha percebido isto antes de passar mais alguns meses se arrastando em campo em uma cena que fazia tão mal a quem aprendeu a admirar o atacante mortal capaz de arrancar em velocidade e só parar nas redes.
Ainda Ronaldinho, o atacante foi o meu primeiro grande ídolo no futebol. Certamente, está entre os três maiores que vi jogar. De longe, o melhor da posição. E fica a impressão de que a carreira recheada de vitórias, conquistas e voltas por cima poderia ser ainda mais fenomenal não fossem as lesões recorrentes.
Um craque dentro e fora de campo. Que apesar dos deslizes, passíveis para qualquer ser humano, teve humildade, caráter e soube desde o princípio a importância que tinha cada palavra sua. E por isto, o primeiro jogador de futebol a tornar-se embaixador da ONU, procurou sempre transmitir o bem.
Para mim, a imagem que fica não é do atacante com sobre-peso que joga com o nome pelo Corinthians. Ronaldo, será eternamente o atacante de arrancadas fenomenais e gols improváveis. E para ser justo com isto, termino este texto com um dos jogos que marcou o início da minha idolatria pelo atacante (e um dos gols mais bonitos de sua carreira). Apreciem sem moderação.
Mesmo jogando menos do que podia e decepcionando em alguns momentos, não restam dúvidas: ninguém jogou mais do que a Seleção Brasileira no Sul-Americano sub-20. Campanha fechada com chave de ouro. Goleada sobre o Uruguai, vaga no Mundial, nos Jogos Olímpicos e o título que fica em boas mãos.
No duelo derradeiro da competição, o Brasil encarou um Uruguai fechado e disposto a segurar o empate que lhe garantiria o título. Mais solto, provavelmente por estar muito perto da vaga nas Olimpíadas, o Brasil não teve dificuldades para superar a defesa adversária. Como nos melhores momentos no campeonato, na individualidade e no talento.
Com Oscar novamente muito tímido (para este que vos escreve, a grande decepção do time de Ney Franco), coube a Lucas juntar-se a Neymar novamente como principal jogador da equipe. E dos pés do meia do São Paulo saíram as principais jogadas do Brasil. Além de marcar três gols (um deles muito belo), participou de outros dois diretamente.
No fim, o acachapante placar de 6 a 0 fez justiça a um time que se mostrou muito superior não só ao Uruguai, vice-líder da competição, como a todos os outros adversários.
O Brasil de Ney Franco que decepcionou taticamente, mostrou bons talentos individuais. Como de costume, uma minoria vingará na seleção principal. Bruno Uvini, o zagueiro e capitão que se lesionou gravemente na reta final, pode virar. Casemiro mostrou evolução ao longo da competição e provavelmente será peça fundamental no São Paulo. Lucas, seguirá o mesmo caminho. E Neymar...bem, Neymar é um capítulo a parte. Já é realidade e provou isto com o recorde de gols brasileiros na competição.
Depois de um bom tempo longe da elite nacional, o América é outro que comemora o retorno à Série A em 2011.
Até agora, porém, o técnico Mauro Fernandes ganhou poucos reforços (na quantidade e qualidade). O time é praticamente o mesmo, que fez campanha regular na Série B 2010.
Opções, alternativas e o que precisa o América? Confira na Pré-Temporada do Marcação, clicando aqui.
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Sem o principal jogador (do time e da competição), sem a dupla de zaga titular e vindo de derrota para a Argentina, é difícil cobrar mais do que uma vitória da Seleção Brasileira Sub-20. Ela veio. 1 a 0 com pouco brilho sobre o Equador, resultado que deixou o time classificado para o Mundial da categoria no meio do ano e muito perto das Olimpíadas de 2012.
Com Diego Maurício na vaga de Neymar, o Brasil manteve a estrutura tática (4-2-3-1) e começou em ritmo alucinante. Nos primeiros 10 minutos teve duas boas chances de gol (com Lucas e Diego Maurício) e abriu o placar com Casemiro.
Daí em diante, salvo raros lapsos (principalmente de Lucas), o time foi inofensivo, lento e pouco preocupado em definir o jogo. E mais uma vez, correu riscos desnecessários, como no chute de Montaño, aos 34 da etapa final, defendido por Gabriel. O goleiro, aliás, fez sua partida mais segura na competição até aqui, e foi importante para garantir a vitória.
Apesar do desempenho decepcionante, principalmente no hexagonal final, o Brasil deve ficar com a vaga nas Olimpíadas. Só uma impensável combinação de resultados tira o time da competição, meta única antes do início do Sul-Americano. Uma vitória sobre o Uruguai, na rodada final, dará ainda ao time o título, coroando uma geração que tem qualidade, mas que jogou abaixo e à longo prazo, deve oferecer poucos nomes à seleção principal.
A estreia do Fluminense na Libertadores acabou muito mais complicada do que imaginava-se. E por incrível que pareça, terminou melhor do que poderia, tendo em vista o que aconteceu no Engenhão.
Sem Deco, Fred e Émerson, Muricy mandou a campo um Fluminense forte, capaz de vencer os argentinos. Postado novamente no 4-2-2-2 o time começou melhor no jogo. Tinha a bola, conseguia jogar no campo de ataque e controlava a partida. Falso domínio. Bem postado num ofensivo 3-4-2-1, o Argentino Júniors bloqueava os lados do campo e congestionava a entrada da área, tirando do Flu a possibilidade de ameaçar.
O tempo passava, e o nervosismo crescia. O Fluminense queria quebrar logo a barreira argentina mas não conseguia encontrar o caminho. Willians, perdido, corria muito mas errava demais. Diguinho passou a abandonar a defesa e tentou virar mais um meia. Os laterais escancaravam as costas.
O jogo ficou como os argentinos queriam. O contra-ataque ficou fácil. E o primeiro gol viria com Niell, em bola que André Luis tirou de dentro do gol mas o árbitro e os comentaristas da Globo preferiram ignorar. O susto deveria servir de exemplo, mas os cariocas seguiram deixando espaços. Até que o baixinho Niell, de 1,62m, subiu sozinho na área para marcar de cabeça para os argentinos. Incrível.
Veio o segundo tempo e o Fluminense melhorou. A entrada de Marquinhos povoou o meio-campo e aproximou meias dos laterais. Faltava chegar mais ao fundo do campo. Mariano afunilava demais o jogo e teimava em jogar pelo meio. A alternativa passou a ser Carlinhos, pelo lado esquerdo. Participativo, o lateral fez ótima partida. Faltou apenas um pouco mais de capricho nos cruzamentos. No único que acertou, Rafael Moura, o He-Man, empatou o jogo.
Havia tempo para virar o jogo. O Flu precisava de tranquilidade. Novamente não teve. André Luís foi indolente no bote. Diego Cavalieri errou no posicionamento (jogar faz falta para os goleiros e assim como Renan em 2010, Diego deve sofrer este ano). E Niell, com o gol vazio, marcou mais um de cabeça.
Para sorte do Flu, em meio a um time ainda desorganizado e com problemas físicos evidentes, havia um super-herói. Rafael Moura re-empatou a partida e garantiu ao menos um ponto para o Fluminense.
O grupo é difícil e o início de temporada não é dos mais animadores. Apesar da ótima fase de He-Man e do grande início de Fred, o tricolor precisará de mais. Principalmente, acertar o sistema defensivo, uma lástima até aqui. Este nunca foi trabalho dos mais impossíveis para Muricy Ramalho. Portanto, é hora de trabalhar. E não esperar que os heróis salvem sempre.
Antes de a bola rolar em Saint Denis o que chamava a atenção não era o futebol. Eram as novas camisas de Brasil e França. Um açoite. Um desrespeito. Ambas de um mal gosto tremendo (principalmente a brasileira).
Mas foi só o jogo começar para os uniformes ficarem em segundo plano, deixando a atenção para o que realmente importava: Brasil e França, em processo de renovação, e com um teste importante e altamente útil pela frente.
Mano Menezes alterou a maneira de jogar do Brasil, muito pelas peças que tinha à disposição para o confronto. Elias alternava o papel de segundo volante com o de meia. Robinho foi mais atacante, próximo de Pato. Assim, o time variava entre o 4-1-3-2 e o 4-2-3-1 tradicional da maioria das partidas até aqui.
E apesar de alguma dificuldade de entrosamento, o Brasil era superior à França. Marcação adiantada, bom toque de bola e movimentação interessante. Faltava capricho no último passe e na conclusão.
Foram 38 minutos de um bom teste, que deixou boa impressão da seleção brasileira apesar do 0 a 0. Só 38. Hernanes errou, em lance muito distante de suas características. Não combina com o "Profeta" o chute estilo Anderson Silva que acertou o peito de Benzema, causando o justíssimo cartão vermelho.
Daí em diante, não houve teste. Afinal, não há como experimentar um time com 10 jogadores. Só coube ao Brasil recuar as linhas e se defender. A França se soltou no jogo e achou espaços, principalmente pelo lado direito onde Ménez e Gourcuff se aproveitavam do pouco poder de marcação de André Santos. Por ali saiu o gol, marcado por Benzema. Que ainda perdeu outros dois no segundo tempo, atrapalhado pelo seguro retorno de Júlio César ao gol do Brasil. Até o fim do jogo, ficou o fantasma da "freguesia" para os franceses, exceto em um lance ofensivo, desperdiçado por Hulk.
Ficam boas impressões. Elias jogou muito bem enquanto o Brasil teve 11 jogadores. David Luiz e Thiago Silva formam uma das melhores duplas de zaga do planeta (se não a melhor). Júlio César ainda merece vida longa debaixo das traves.
Experimentar um período sem jogos "oficiais" será uma novidade difícil para os brasileiros. A avaliação do time fica comprometida. Mas é preciso seguir enfrentando adversários fortes e tradicionais sempre que possíveis. E que isto não mine o trabalho de Mano Menezes. Caso contrário, enfrentaremos adversários fracos e chegaremos à 2014 sem o real conhecimento do nosso "poder de fogo".
Novo treinador, reforços de peso e a manutenção da dupla que encantou o país em 2010. Não há como não considerar o Santos um dos mais fortes times do Brasil em 2011.
E é o que constatamos na Pré-Temporada da Baixada Santista. O Marcação Cerrada desvenda como deve jogar o Santos este ano para brigar por ainda mais títulos.
Para conferir as opções de Adilson, é só clicar aqui.
Aproveite para ver outros times que já passaram por nossa pré-temporada:
No principal clássico do torneio, a seleção brasileira sub-20 comandada por Ney Franco experimentou situações que ainda não havia vivido no Sul-Americano até aqui. Saiu atrás no placar pela primeira vez e viu também a primeira derrota na competição.
Mas nem só de novidades viveu o time canarinho na derrota por 2 a 1 para os argentinos. Assim como na estreia, diante do Paraguai, os jogadores do Brasil mostraram nervosismo excessivo. Desta vez, porém, Neymar não esteve tão inspirado como no primeiro jogo para resolver a partida.
Os primeiros 10 minutos de jogo foram decisivos e definiram os rumos do jogo. Primeiro, porque o Brasil perdeu o capitão e referência da defesa Bruno Uvini, machucado (o jogador quebrou a perna e já voltou ao Brasil para fazer cirurgia, ficando de fora do resto da competição). Pouco depois, Juan agrediu o atacante Funes Morí, sem razão e sem sentido dentro da área. Expulsão, penalti e gol da Argentina.
Com um a menos, e nervoso em campo, o Brasil demorou para se encontrar em campo. Neymar chamou a responsabilidade, mas pecava pelo excesso de individualismo, querendo provocar os argentinos e gerar cartões para o adversário. E neste aspecto, pecava o árbitro, que pouco fez para coibir o excesso de faltas no atacante brasileiro.
Aos poucos, porém, por ser melhor tecnicamente, o Brasil se encontrou no jogo e passou a jogar melhor. Principalmente com Danilo (que fez sua melhor partida na competição) pelo lado direito, o time de Ney Franco criava boas oportunidades, mas não conseguia concluir em gol. Pressionada, a Argentina parou de buscar o jogo. Tentava segurar a bola e catimbar a partida.
O gol de empate saiu apenas no início do segundo tempo. Willian José, que não vinha bem na partida, conseguiu achar espaço na entrada da área para soltar uma bomba indefensável.
O jogo voltou a ficar truncado e equilibrado, com poucas chances. Até que Iturbe, o melhor da partida, arrancou com a bola aproveitando erro de Casemiro e fez o segundo gol dos argentinos. Daí em diante, pressão desorganizada do Brasil com poucas chances de empatar novamente a partida (excessão feita a falta muito bem cobrada por Casemiro, que por capricho acertou o travessão).
O Brasil perde pela primeira vez no torneio num momento onde vencer daria tranquilidade e praticamente garantiria a classificação aos Jogos Olímpicos. Mas não há motivos para se desesperar. Aliás, o momento é de buscar controle emocional para um time que parece sofrer com o nervosismo em excesso e com a responsabilidade de ser de longe a melhor equipe do torneio.
A próxima partida, promete uma "novidade" que pode complicar ainda mais a vida do time: Neymar, suspenso, fica fora. Sem ele, o Brasil já venceu o Equador (1 a 0, na primeira fase, quando Ney Franco usou time praticamente reserva). Agora, porém, as circunstâncias serão outras e um vacilo poderá ser fatal.
O Campeonato Carioca é um dos mais animados e cheios de histórias deste início de 2011. Aliás, isto não é novidade. Pela fórmula interessante, normalmente é o Estadual que mais chama (e prende) a atenção dos torcedores.
Ontem, mais um capítulo marcante do "Cariocão 2011". O ótimo clássico entre Fluminense e Botafogo, vencido pelo alvinegro por 3 a 2. Jogo corrido, disputado, de alto nível técnico. Que só não foi perfeito graças ao quinteto de arbitragem (no Rio, além do trio tradicional, mais dois juízes atrás dos gols erram e dividem as notas negativas). Sob o comando de Guttemberg de Paula Fonseca (cada dia pior), os árbitros erraram além da conta, complicaram um jogo ótimo e conseguiram irritar os dois times após o apito final.
Erros básicos, que mostram mais uma vez a necessidade urgente de mudanças no cenário da arbitragem (não é mérito do Rio, nem do Brasil). A profissionalização é o caminho óbvio, mas FIFA, CBF e cia preferem ignorar.
Entre os erros, vamos aos mais importantes: a expulsão de Marcelo Mattos foi ridícula. Falta boba, no campo de ataque, passível de cartão amarelo e só. O típico cartão vermelho de quem queria compensar a expulsão de Valência pouco antes (justa, por sinal). Renato Cajá (o melhor em campo) marcou um belo gol de fora da área, que os árbitros preferiram ignorar. Teve ainda o ridículo penalti de Edinho, marcado pelo juiz.
Estes foram o mais importante. Houveram outros erros, não tão capitais. Mas que ajudaram para deixar o jogo mais nervoso do que deveria. A atuação do juiz e sua turma foi tão ruim que ofuscou a grande partida que fizeram dois times que chegam fortes em 2011. Uma pena. Mas certamente, é só a primeira péssima arbitragem do ano. Outras, talvez piores, estão por vir.
O Campeonato Mineiro chegou à segunda rodada no último fim-de-semana até aqui sem nenhuma grande surpresa. Atlético e Cruzeiro seguem com 100% de aproveitamento. E o América, apesar do empate na estreia, segue com toda a pinta de que conseguirá uma classificação tranquila.
O início tranquilo dos dois principais candidatos ao título, deixa poucas conclusões e impressões. Afinal, vencer os clubes pequenos é obrigação para quem começou a temporada falando em títulos importantes. As primeiras respostas sobre o que esperar de Galo e Raposa serão dadas, porém, no próximo sábado quando farão o primeiro clássico do ano.
Até aqui, o time de Dorival Júnior mostrou que tem tudo para se encaixar no estilo ofensivo do treinador. Depois de começar o ano fazendo treinamentos seguidos com o time no 4-3-3, Dorival optou pela entrada de Ricardinho no meio na vaga de um dos atacantes, num 4-2-2-2 tradicional. O esquema, porém, não conseguiu funcionar bem nas primeiras duas partidas. Tanto é que em ambas, o Atlético saiu perdendo e foi obrigado a buscar o resultado.
Conseguiu, nos dois jogos, quando Dorival mudou a equipe colocando meias e atacantes (às vezes em excesso). Contra o Tupi, ontem, chegou a ter três meias e três atacantes em campo, com apenas um zagueiro de ofício. O time do interior vencia por 1 a 0, mas tinha um jogador a menos. Não resistiu e sofreu quatro tentos até o apito final (quando o jogo estava 2 a 1, Richarlyson foi expulso e Tardelli deu lugar a Zé Luís).
No Cruzeiro, o sofrimento para vencer o Villa Nova foi ainda maior. Lutando contra o campo (pequeno e em péssimo estado) e também contra a ótima atuação do goleiro Vágner, o time celeste só conseguiu marcar o único gol do jogo aos 40 minutos do segundo tempo, com o estreante André Dias.
Antes do gol, chegou a sofrer breve sufoco após Cuca abrir o time com a entrada do autor do gol na vaga do lateral Pablo. Não fosse a também boa atuação de Fábio, o time poderia ter sofrido uma derrota em péssima hora.
Apesar de o Cruzeiro ser um time mais seguro e mais pronto para os desafios da temporada, o clássico do próximo fim-de-semana não carrega um favorito. Fato é que o resultado de sábado poderá interferir no futuro da temporada das duas equipes. As primeiras respostas do ano podem mudar completamente as perguntas da sequência de 2011, tanto para Atlético quanto para o Cruzeiro.
No quadro "Pré-Temporada", que comecei em janeiro deste ano, escrevi que o Corinthians precisava de reforços e alternativas. Hoje, depois da trágica eliminação na Libertadores, é fácil notar os problemas e as carências do elenco. Tarde demais.
Os erros que levaram o Corinthians a um vexame semelhante ao do Inter contra o Mazembe (é o primeiro eliminado na chamada "Pré-Libertadores") começaram bem antes de 2011. Começaram quando a diretoria cedeu a pressão e demitiu Adilson Batista, que sofria com desfalques para escalar o time. Passaram pelo final de ano ruim, já sob comando de Tite. Também pela falta de vontade de um time que tropeçou no Goiás porque parecia acreditar ser impossível uma derrota do Fluminense para o Guarani na rodada final. Tropeço que custou a vice-liderança e obrigou o time a começar mais cedo a competição continental.
Para 2011, os erros continuaram. Erros de planejamento. De um time que confia demais em algo que já demonstrou não ser tão digno de confiança assim. De uma diretoria que acreditou que poderia contratar com calma, pensando "apenas" na fase de grupos.
Ontem, o Corinthians foi mais uma vez um arremedo de time. Dominado pelo Tolima durante quase toda a partida (exceção feita aos últimos 10 minutos do primeiro tempo e aos primeiros 10 do segundo, onde não foi melhor, mas equilibrou o jogo). Num 4-3-3, com três volantes, forçando Paulinho como meia enquanto três jogadores da posição estavam no banco, o time não tinha ligação ofensiva. Jorge Henrique e Dentinho não encontravam espaços para jogar em velocidade e Ronaldo mais uma vez teve atuação abaixo da crítica e acima do peso.
Enquanto isto, do outro lado havia um adversário fraco tecnicamente, mas muito organizado e consciente de suas limitações. Com o bom Bolívar, que recuava para buscar a bola e fugir dos volantes corinthianos, encontrando espaço de sobra para organizar o jogo. E com o trabalhoso Medina, que lutou o tempo inteiro. Movimentação e garra que fizeram falta ao ataque brasileiro.
Por todos estes motivos, os gols eram questão de tempo e a derrota não é assim tão imprevisível como alguns quiseram mostrar. A empáfia brasileira de achar que nossos times são sempre favoritos absolutos ao título da Libertadores e que só equipes argentinas podem fazer frente a nossas equipes fez mais uma vítima.
E o vitimado da vez, tem ainda problemas de sobra para resolver. Como por exemplo, o altíssimo investimento para ter Liédson, que disputará apenas o pobre Campeonato Paulista nos próximos meses. Isto se não for reserva de Ronaldo (que pode e deve, encerrar a carreira).
Mais do que isto, precisa repensar estratégias e alternativas. Lembrar, que mais do que um clube de marketing, é um time de futebol e isto deve estar sempre acima do resto. E aprender a respeitar, para que os outros possam continuar o respeitando.