Sustos desnecessários, classificação antecipada

Muitos foram os fatores que contribuíram para o jogo em ritmo de treino e a vitória "fácil" do Cruzeiro sobre o Guarani, no Paraguai, que garantiu aos mineiros o primeiro lugar do grupo (não dá para imaginar os mineiros perdendo para o Estudiantes por 8 gols de diferença na última rodada) e confirmou a ótima campanha na Libertadores até aqui. O principal deles, o fato de os paraguaios já estarem eliminados e deixarem a competição absolutamente de lado.

O estádio auxiliava no clima amistoso. Vazio, tinha maioria cruzeirense, por mais incrível que possa parecer. Em campo, o Guarani poupou cinco titulares visando o campeonato paraguaio. Já o Cruzeiro, teve força máxima e com o empate entre Estudiantes e Tolima precisava vencer para garantir a primeira posição.

Os primeiros 20 minutos mostraram um Cruzeiro como vinha atuando em 2011: rápido, envolvente e ofensivo. Com Thiago Ribeiro e Wallyson na frente, as variações entre o 4-2-2-2 e o 4-2-3-1 ficaram ainda mais atraentes. Assim, criou várias oportunidades, a maioria com a bola longa, em diagonal, no meio da inexperiente defesa paraguaia. Thiago Ribeiro, Walyson e Victorino já haviam perdido ótimas chances de gol quando Thiago Ribeiro abriu o placar após linda linha de passe do quarteto ofensivo.

Bastou fazer o gol, para o Cruzeiro entrar no "clima" do jogo. Displicente e acomodado, os mineiros diminuíram o ritmo ofensivo e afrouxaram a marcação no meio-campo. Pareciam não acreditar que o Guarani fosse capaz de reverter a situação. E viram Fábio, mais uma vez, confirmar a ótima fase em pelo menos duas ótimas defesas.

Mesmo sem muito esforço, o Cruzeiro conseguia criar boas chances. A maioria delas com Montillo, que tornou-se um "falso-nove", após a saída de Roger para a entrada de Éverton, que reconfigurou a equipe no 4-3-3. Já no fim, Ortigoza que entrou para reoxigenar o setor ofensivo, decretou o 2 a 0 e confirmou a campanha fantástica do Cruzeiro até aqui (4 vitórias e 1 empate, com 16 gols marcados e apenas um sofrido).

Classificado, o Cruzeiro terá ainda um desafio contra o Estudiantes. Vencer na Argentina não será tarefa fácil, mas pode fazer o time escapar de um confronto difícil já na próxima fase (contra Santos, LDU ou Nacional do Uruguai, por exemplo). O time de Cuca vence e convence. Tem ótimo desempenho defensivo (principalmente pois quando falha, conta com a segurança de Fábio) e um ataque com nomes capazes de decidir uma partida. Com Brandão no lugar de Wallyson, que começa a cair de rendimento, o time tende a encorpar ainda mais nas fases decisivas. Evitando sustos desnecessários, não há como encarar o Cruzeiro de outra forma, senão entre os favoritos.

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Ralo abaixo

Quem nunca sonhou em ser jogador de futebol? Vida interessante, fama, altos salários. Se não é perfeito, é bem melhor do que a grande maioria do povo brasileiro. Mas ainda há quem desperdice o talento e a chance que a vida lhe deu, jogando tudo isto pela janela.

E é o que está fazendo o atacante Jóbson. Que assim como em outros casos, parecia conseguir uma reviravolta na carreira quando resolve abrir mão novamente.

O bom atacante atingiu o sucesso de forma rápida. Em menos de um ano, brilhou no Botafogo e foi contratado pelo Cruzeiro. Pouco depois, porém, veio a notícia do doping, que fez o time mineiro cancelar o negócio e o jogador ser suspenso por 2 anos. Ali, uma promissora carreira parecia ter chegado ao fim. Mas veio a virada.

A punição caiu para 6 meses. Jóbson voltou a jogar pelo Botafogo e voltou a jogar bem. Mas seguia se envolvendo com as pessoas erradas e com problemas extra-campo. O Atlético-MG que montava um time forte, resolveu dar uma chance e tentar recuperar o jogador.

Jóbson chegou a Minas e impressionava nos treinamentos da pré-temporada. Começou a temporada como titular. Após uma longa noitada no Alambique (boate da capital mineira), chegou atrasado ao treino e foi afastado por Dorival. Parecendo arrependido, foi recuperando seu espaço aos poucos. Titular do time novamente nos últimos dois jogos, parecia começar a engrenar. E alegando falta de adaptação e saudades do Rio de Janeiro, o jogador pediu para voltar ao Botafogo.

Ainda não se sabe se o Botafogo irá aceitar o retorno do jogador. O Galo, que pegou 300 mil pelo empréstimo, corre o risco de ter que arcar com os salários (ou parte dele) do atacante até o fim do ano. Teve dor de cabeça, nenhum retorno dentro de campo (apenas 6 jogos e dois gols marcados) e pode ficar com um problema e o prejuízo.

Péssimo, para quem já perdeu Diego Souza, Obina e Diego Tardelli e ainda parece distante de se encontrar na temporada.

Por estes motivos, eu não apostaria em Adriano (veja post abaixo). E também, não acredito em Jóbson.

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Risco Imperial

Eu não gastaria um real com Adriano. Não investiria um centavo em um jogador que além das recentes lesões, não parece interessado com sua carreira. Eu não apostaria em alguém que não parece disposto a se recuperar. Eu não acredito em Adriano.

Mas o Corinthians acreditou. Aproveitando-se da falta de interesse do Flamengo, o clube paulista (através de Ronaldo) fechou contrato com o Imperador até o fim do ano que vem.

Adriano é um craque. Ou tem potencial para ser. É técnico, forte, bate bem na bola e tem presença. Em forma e interessado, será decisivo onde quer que esteja. Foi assim na Inter e no Flamengo, em seus melhores momentos. Nem precisou jogar tanto para ser um dos principais nomes do rubro-negro carioca campeão brasileiro em 2009.

Mas o jogador já mostrou desprezo com a carreira outras vezes. Abandonou a Inter de Milão pensando no fim da carreira. Voltou ao Flamengo e se envolveu em uma série de confusões, além de muitas ausências no treino. Foi novamente para a Itália, mas na Roma quase não jogou, com rendimento muito abaixo do esperado.

O Corinthians resolveu se arriscar. Se der certo, será ótimo negócio para o clube e até para a seleção brasileira, onde Adriano ainda pode ser útil. Como já disse acima: eu não acredito em Adriano.

PS: Impressionante a falta de caráter e jogo de cintura do Imperador com o ex-agente Gilmar Rinaldi. Se o empresário não é santo, sempre esteve ao lado do atacante inclusive o apoiando nos momentos mais difíceis e de forma alguma poderia ser desprezado da forma como foi.

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Como tudo deve ser

Nenhuma renovação, por mais necessária que seja, se dá do dia para a noite com eficácia. E Mano Menezes parece ter percebido isto, depois de dois resultados negativos que começaram a colocar pressão sobre seu trabalho e antes do primeiro grande desafio no comando da seleção brasileira.

O 2 a 0 sobre a Escócia não foi grandioso. Esteve longe de ser um espetáculo capaz de encher os olhos. Mas dá um pouco mais de tranquilidade para o treinador e indica um caminho para a transição que fará bem tanto ao time quanto aos jovens que estão chegando agora ao elenco canarinho.

Antes de mais nada, é preciso lembrar que a Escócia, apesar da carência técnica não é uma baba como alguns quiseram colocar. É um time organizado taticamente e forte na defesa, que recentemente deu muito trabalho à atual campeã do mundo, Espanha (3 a 2, com gol da vitória marcado por David Villa nos minutos finais).

Na teoria, Mano Menezes desejava manter o 4-2-3-1, base de seu trabalho até aqui. No entanto, em campo, o que se viu foi um time organizado numa espécie de 4-3-2-1, graças ao confuso posicionamento do tímido Jádson e ao avanço da dupla de volantes que não tinha a quem marcar no meio-campo, alinhando com Elano na linha inicial.

O Brasil conseguia ter a bola e fazia um jogo de grande movimentação, principalmente devido à liberdade já citada para Lucas Leiva e Ramires. Faltava, no entanto, brilho e capricho no toque final. O time criava boas jogadas, envolvia o adversário, mas não conseguia finalizar. Talvez por isto, em alguns momentos tenha ficado refém das bolas alçadas para Leandro Damião, estreante que mostrou presença de área e que pode ser útil tanto nas Olimpíadas quanto num futuro breve no time principal.

O tal "lance diferente" só aconteceu quando a bola caiu nos pés de Neymar. Mesmo bem marcada, a jóia santista conseguiu achar espaço saindo da faixa esquerda em diagonal abrindo espaço para as subidas de André Santos e Ramires. Assim, fez o primeiro em toque de quem sabe, e sofreu o penalti convertido por ele mesmo.

De bom ainda, a entrada de Lucas (do São Paulo), que mesmo atuando pouco tempo mostrou desenvoltura e qualidade para atuar tanto com velocidade pelos lados quanto como articulador central apesar da característica de carregar em excesso a bola.

A Copa América será o primeiro torneio de Mano. A primeira obrigação em dar respostas. E por isto, é bom contar com a experiência de jogadores como Júlio César, Maicon, Lúcio, Elano entre outros, inicialmente deixados de lado na tal "renovação" mas que aos poucos vão recuperando espaço. Num time onde o único grande protagonista é um ainda garoto, é bom contar com a experiência de quem pode conduzir o time ao caminho da tranquilidade.

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Estigma que faz mal

A campanha heróica e de recuperação no Campeonato Brasileiro ficou na história. Dificilmente sairá da cabeça de um tricolor que acompanhou a epopéia que livrou o Fluminense de um rebaixamento que parecia definido. Bonito, histórico, inesquecível. Ficou o estigma do "Time de Guerreiros". Que nem sempre faz bem ao clube.

Com o time que tem, o Fluminense não precisava sofrer tanto na Libertadores. Não precisava de mais um capítulo na história de viradas impossíveis para chegar ao mata-mata da competição. Mesmo em um grupo forte, o natural era que o tricolor carioca passasse com certa tranquilidade.

Mas o sofrimento parece ter passado a fazer parte da vida do Fluminense. Foi assim também no Campeonato Brasileiro do ano passado, conquistado com uma boa dose de desgaste desnecessário.

Ontem, em meio à saída de Muricy Ramalho e a saga para contratar um novo técnico, só a vitória interessava ao time. Enderson Moreira, jovem e cheio de potencial, assumiu o time e precisava agir, mudar. O fez.

No 4-2-3-1, com Émerson, Conca e Souza em constante troca de posições, o Fluminense tentou pressionar o América do México desde o início. Linhas avançadas, volantes jogando no campo ofensivo. Laterais apoiando o tempo inteiro (inclusive ao mesmo tempo). Era um risco necessário.

Risco que o Fluminense correu e sofreu com ele. Mesmo com apenas três jogadores ofensivos e muito fechado na defesa, o América conseguia levar perigo no contra-ataque. É um time não tão forte como em outras temporadas, mas bem organizado e experiente. Soube aproveitar a falha de Digão e Ricardo Berna para abrir o placar. O nervosismo aumentou e só não chegou a um nível impraticável pois Gum (impressionante como faz gols decisivos) empatou pouco depois (também com falha do goleiro mexicano).

O jogo seguia com o mesmo panorama. O Flu atacava, tinha a bola, mas tinha dificuldade de penetração. Se expunha e era ameaçado nos contra-ataques. Em um deles, o tiro que parecia de misericórdia. Sanchez tentou cruzar e a bola encobriu Berna, mal posicionado. 2 a 1 aos 30 minutos. O Flu parecia eliminado.

Mas o "Time de Guerreiros" não se dá por vencido. Enderson foi corajoso, com Deco na vaga de Mariano (machucado). Araújo e Rafael Moura também estavam em campo. A bola aérea era a única alternativa para um time nervoso que enfrentava um adversário esperto e recuado. E nas bolas levantadas, o Flu encontrou o "milagre". Passe de Deco e gol de Araújo. Bola espirrada e gol de Deco. O meia, finalmente mostrou a que veio. Na hora certa, o craque foi decisivo.

A festa ao fim da partida ainda não se justifica. Apesar da vitória heróica, que enche o torcedor de esperança, a classificação ainda é difícil. São dois jogos fora de casa, contra adversários mais fortes que o América. E o Fluminense precisa, no mínimo, de 4 pontos.

A guerra é difícil, mas ainda não chegou ao fim. E o Fluminense sonha vencer mais uma. Mas poderia voltar a sentir o gosto de vencer, sem tornar o sofrimento algo necessário.

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Longe do ideal

Mostrar-se insatisfeito com os resultados é um primeiro passo importante para quem não anda bem. E Dorival Júnior não pode ser acusado de não estar tentando. Ontem, fez outras três mudanças no time titular do Galo para o jogo contra Uberaba. Mas seguiu muito longe de encontrar o time ideal após o empate por 1 a 1.

Com o retorno de Ricardinho, Dorival manteve o 4-2-2-2. Esperava dar mais qualidade ao passe no meio-campo também com a volta de Serginho. Mudou as duas laterais, problemas crônicos desde o ano passado: o jovem Bernard, meia de origem, estreou improvisado pela direita e Richarlyson passou para o lado esquerdo.

Mudanças que não alteraram as dificuldades do Galo. Com Jóbson bem marcado e Renan Oliveira apagado, o jogo só fluia quando passava pelos pés de Ricardinho. Os volantes erravam passes demais, os laterais não mostravam desenvoltura para chegar à linha de fundo (já que nenhum dos dois jogava em sua posição original) e Ricardo Bueno não conseguia prender a bola no campo ofensivo.

Assim, novamente o time passou o primeiro tempo tendo a posse de bola (60%) mas sem conseguir agredir. Travado, não parecia nem de longe os times de Dorival Júnior. A velocidade, que o técnico disse que seria a principal arma do elenco que estava montando, não apareceu.

Novamente, no intervalo, o técnico foi obrigado a abrir seu time. Mancini ganhou o lugar de um tímido e fraco Toró e o Galo voltou ao 4-3-3 com triangulo invertido no meio-campo (1 volante e 2 armadores). Já que o jogo não acontecia naturalmente, outra vez o Galo teve que buscar o abafa.

E até funcionou, em outra bola cruzada que Ricardo Bueno subiu muito para aproveitar. O problema é que a história de todos os outros jogos da temporada se repetiu: falha na saída de bola, defesa mal posicionada e gol de Bruno Campos, apenas 5 minutos depois.

Pouco depois, Dorival colocou Berola e Magno Alves no lugar de Jóbson e Mancini (machucado). Tentava apostar na velocidade pelos lados contra um time fechado, que não dava espaço para os contra-ataques. Não funcionou e o time seguiu travado. Com Ricardinho cansado, principalmente por ter que recompor mais o meio-campo no segundo tempo após a saída de Toró, o jogo do Galo acabou. Restaram bolas levantadas na área, normalmente da intermediária, já que os dois laterais seguiam sem chegar à linha de fundo.

No fim, o 1 a 1 acabou sendo o resultado justo para um Atlético que não conseguiu ameaçar e ainda viu Cristiano acertar o travessão em cabeçada. Pouco. Muito pouco para quem começou o ano investindo alto e falando em títulos.

Apesar das constantes reclamações quanto ao setor ofensivo, não me parece este o único problema do Galo. Um time que sofreu gol em todas as partidas do ano, tendo jogado apenas duas vezes contra times da Série A, tem mais com o que se preocupar. Dorival mexe muito, tenta muito, mas ainda está longe de encontrar o seu time. O tal "laboratório" está perto do fim e a hora de dar provas concretas chegará logo. Pelo jeito, antes de o time estar pronto.

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Craque sem esforço

Em meio à indefinição quanto a chegada de Muricy Ramalho (que ao que tudo indica será o próximo treinador), o Santos ainda passa longe do brilho de temporadas passadas. Mas vai vencendo, mesmo sem encanto, no Campeonato Paulista. Ontem foi assim: 3 a 1, num jogo chato contra o Mogi Mirim.

Mais uma vez a qualidade só apareceu quando a bola passou pelos pés de Paulo Henrique Ganso. E com o Santos muito desfalcado, inclusive sem os selecionáveis Elano e Neymar, a diferença do meia para os demais companheiros fica ainda mais evidente.

E olha que o camisa 10 não estava em seus dias mais inspirados. Em determinados momentos, inclusive, pareceu desinteressado. Errou muitos passes. Mas acertou tantos outros, decisivos. E assim, sem muito esforço, colocou Zé Eduardo na cara do gol logo no início do jogo. Já no segundo tempo, foi dele o passe para Pará que terminou com gol de Keirrison (finalmente!). E quando o Mogi ameaçou, marcando com Cristiano na insegura defesa santista, outro passe para Edu Dracena ampliar de cabeça.

Assim, o Santos venceu. Na qualidade do jogador que pode fazer a diferença. Mesmo sem muito esforço.

Fica claro que o Santos precisa de definições. Comando é fundamental para um time jovem, cheio de potencial, que ainda está longe de jogar o que pode. Além disso, definir a situação de Ganso pode trazer diversos benefícios. O que não quer dizer que mesmo parecendo desinteressado, o craque não seja capaz de decidir.

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Santa ingratidão

Colocar fim na sina de perder decisões para o Flamengo. Tirar o Botafogo da fila de títulos estaduais. Recolocar o alvinegro carioca na briga de elite no futebol nacional, sendo considerado inclusive candidato a uma vaga na Libertadores. Tudo isto com um time repleto de limitações.

Nem tudo isto bastou para Joel Santana seguir tranquilo no seu ótimo trabalho no comando do time da Estrela Solitária. E hoje, cansado das críticas, Joel deu por encerrada sua passagem no Botafogo.

Foram 14 meses de um trabalho positivo. Joel é competente, vitorioso, trabalhador e fala a língua dos jogadores. Mas é simples, não faz marketing. Talvez por isto, muita gente ainda tenha tantos preconceitos com o técnico.

Longe de mim dizer que Joel Santana fez um trabalho perfeito no Botafogo e é o melhor técnico do planeta e o mais injustiçado do Brasil. Este ano, inclusive, pecou demais por ter deixado de lado a ousadia, marca do time do ano passado que chegou a jogar com cinco atacantes em alguns momentos.

Mas "seu Natalino" já conhecia o elenco, se dava bem com a diretoria, tinha (ou parecia ter) identificação com a torcida e com o clube. Faltou gratidão, respeito e principalmente sabedoria.

Agora, o Botafogo vai ao escasso mercado atrás de um treinador. Adilson Batista é o melhor disponível, mas já mostrou interesse em voltar ao exterior para não se queimar por aqui. Qualquer outro nome, será retrocesso para um clube que vinha em crescimento desde que Joel assumiu, 14 meses atrás.

Em tempo: Joel Santana é falado no Fluminense, mas acho pouco provável que acerte por lá, pelos motivos citados no post abaixo. Seria um bom nome para o Flu.

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Vergonha alheia ilimitada

Perder um técnico reclamando da estrutura do clube e dizendo entre várias outras coisas, que jogadores precisam dividir espaço com ratos no vestiário. Parece distante, coisa de time de várzea. Mas aconteceu no atual campeão brasileiro, com Muricy Ramalho.

Mas a série de vexames que parece não ter fim no Fluminense não para por aí. Campanha pífia e classificação quase impossível na Libertadores, derrotas para pequenos no Estadual.

Como se não bastasse, a saga do clube na busca pelo novo treinador é de envergonhar até mesmo quem pouco se importa com o clube carioca.

O primeiro a rejeitar o emprego foi Levir Culpi. Demonstrou interesse, mas declarou que não poderia sair do Japão no momento, em respeito ao seu clube e também ao povo do país que passa por momento delicado.

Depois veio Cuca. Demitido de maneira tosca pela diretoria do Flu após campanha de recuperação no Brasileirão de 2009 para abrir a vaga de Muricy Ramalho, preferiu permanecer no Cruzeiro onde tem estrutura e faz bela campanha na Libertadores.

Adilson Batista, desempregado, foi mais um a não aceitar proposta do tricolor. Pesou para o ex-treinador do Santos a situação complicada do time tanto na Libertadores quanto no Carioca. Adilson que teve passagens rápidas por Corinthians e Santos, gosta de trabalhos longos. E sabe que provavelmente entraria o Brasileirão já pressionado, principalmente com Abel Braga (o preferido da diretoria do Flu) finalmente disponível no mercado.

O golpe final foi ainda mais humilhante. O emergente Gilson Kleina, que faz ótima campanha com a Ponte Preta no Campeonato Paulista recebeu proposta. A assessoria do Flu (outra que recentemente esteve no centro das atenções) chegou a divulgar o acerto com o treinador. Que após reunião com a diretoria da Ponte, resolveu permanecer em Campinas.

Quatro nomes. Todos publicamente rejeitaram a proposta do Fluminense. A diretoria, perdida, ofereceu rios de dinheiro e atirou para todos os lados. Conseguiu desgastar ainda mais a imagem do clube, já prejudicada pelas declarações de Muricy Ramalho.

Sabe-se que Abel Braga tem interesse em treinar o Fluminense e que o clube deseja o treinador. Pesa contra o acordo, o fato de Abel só poder chegar em julho, já que cumprirá o contrato nos Emirados Árabes. E qualquer outro técnico que chegar ao Flu agora, caso não consiga a quase impossível recuperação na Libertadores, estará pressionado depois de apenas três meses no cargo. Por isso, a tendência é que o bom Enderson Moreira, contratado recentemente como auxiliar permanente, acabe permanecendo até a chegada de Abel. Até porque, esta parece a única opção para um clube queimado no mercado.

O mundo do futebol dá voltar. As vezes, rápidas demais. Aconteceu com o Fluminense, mas pode acontecer com vários outros. Falta de estrutura, planejamento e paciência não é coisa das Laranjeiras.

Que fique a lição.

PS: Muitos leitores provavelmente não conhecem a figura que aparece na imagem deste post. Este é Gilson Kleina, o técnico da Ponte Preta que não aceitou treinar o atual campeão nacional.

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Nem Riquelme salva

Quando nem mesmo o retorno de um craque e ídolo resolve, é hora de pensar em soluções. E é este o momento do Boca Júniors, que ontem teve Riquelme de volta ao time titular, mas mesmo jogando em casa foi derrotado pela quarta vez em seis rodadas no Campeonato Argentino: 2 a 0 para o agora líder Olimpo.

O eterno camisa 10 xeneíze voltou ao time após quatro jogos fora. E apesar do bom desempenho de Riquelme (em que pese sua cada dia pior condição física), o meia sozinho não foi capaz de fazer o time jogar melhor.

A onda de azar também colaborou. O bom jovem Erviti, principal contratação do time na temporada, saiu de campo ainda no primeiro tempo, desmaiado, após choque com Bareiro (o jogador foi para o hospital e passa bem). Um pouco antes, Diego Rivero também se machucou após tropeçar em Mouché, também do Boca (o jogador fraturou o maxilar e foi substituído no intervalo).

Em campo, o que se viu foi um Boca que teve a bola durante quase todo o confronto, mas pouco ameaçava o gol do Olimpo. O time errava passes demais no meio-campo e só tinha brilho quando a bola passava por Riquelme, que mesmo bem marcado conseguiu produzir algumas jogadas. Faltava no entanto, sintonia com os homens de frente. O artilheiro Palermo praticamente não foi notado.

Já o Olimpo, conseguia sair em velocidade nos contra-ataques e aproveitar-se da desatenção constante da defesa do Boca. Em uma delas, Maggiolo abriu o placar em gol mal anulado pela arbitragem. Mas ainda no primeiro tempo, o jovem Rolle, melhor jogador do Olimpo, abriu o placar.

Na etapa final, os donos casa se organizaram melhor, tiveram mais aproximação e foram mais efetivos na frente. Mas a partida pouco inspirada da dupla de frente impediu que o time levasse perigo, de fato, ao gol do Olimpo. Que ainda providenciou o castigo final no fim do jogo, com Furch marcando o segundo dos visitantes.

O Olimpo conseguiu uma vitória fundamental. Deixou a zona de rebaixamento e de quebra assumiu a liderança do Campeonato Argentino. Não me parece equipe para brigar pelo título. Mas os pontos somados neste início são fundamentais para afastar a equipe da zona perigosa.

Quanto ao Boca, depois de contratar bons reforços e fazer uma boa pré-temporada, sem derrotas, o time vai de mal a pior no Argentino. Quatro derrotas em seis jogos, apenas quatro pontos e a 17ª colocação. A torcida, que deu mais um show ontem, já perdeu a paciência. Falcioni, que chegou para esta temporada, muda demais o time e não consegue dar padrão de jogo. Parece que não vai durar. O Boca precisa e merece uma sacudida. Antes que seja tarde demais.

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Galo marca dentro e fora de campo, mas sofre na defesa

O gol contra de Uchoa, aos 48 minutos do segundo tempo, recolocou o Atlético no caminho das vitórias no Campeonato Mineiro após dois jogos sem vencer. Importante, mas pouco para um dos times que mais investiu na temporada e que prometia brigar por títulos em 2011.

Contra o organizado Villa Nova, Dorival Júnior fez seis mudanças no time. Mostrou que não está satisfeito e mais do que isto, que ainda está longe de encontrar o time ideal. Na defesa, Jackson e Eron entraram nas laterais (e assim como os antigos titulares, foram muito mal). Leonardo Silva ganhou a posição do sempre criticado Werley na zaga, mas não conseguiu melhorar o desempenho defensivo. No meio-campo, Toró deu mais qualidade no passe, mas não teve o mesmo poder de marcação de Zé Luís. Wesley jogou no lugar do regular e suspenso Ricardinho, mas bem marcado não conseguiu aparecer no jogo. E Jóbson foi titular no ataque, com muita velocidade mas pouco efetivo.

As mudanças foram feitas e não surtiram efeito. O gol do Villa logo aos 10 minutos (em tiro de meta batido pelo goleiro e falha grotesca de marcação da defesa atleticana) piorou a situação. O Galo tinha a bola, mas nervoso não conseguia ameaçar o gol adversário. Tocava a bola no campo ofensivo até um erro de passe deixar o time exposto ao contra-ataque. Em um deles, Marinho perdeu chance clara de marcar o segundo.

Na etapa final, Dorival abriu o time com Neto Berola e três atacantes. Mas só conseguiu ser efetivo após a entrada de Mancini, que voltava para dar qualidade ao jogo no meio-campo na mesma medida em que aparecia bem nos dois lados do ataque. A virada passou também pelo recuo excessivo do Villa, muito por não ter mais pernas para contra-atacar o dono da casa. Criticado, Ricardo Bueno marcou o gol do empate de cabeça. E já nos acréscimos, Uchoa levou azar no lance em que marcou contra, após boa jogada de Magno Alves pelo lado esquerdo.

No geral, os times de Dorival Júnior sempre foram assim: levam muitos gols, marcam muitos gols. Graças ao DNA ofensivo, o time tem o melhor ataque do Campeonato Mineiro, em média (19 gols em 7 jogos, média de 2,7). O poder ofensivo, vai melhorar graças à ótima contratação de Guilherme, mais um ex-jogador do Cruzeiro que "troca de lado". Guilherme é jovem, técnico, inteligente e tem ótimo poder de decisão. Foi lançado no Cruzeiro por Dorival, que o conhece como poucos. Ao meu ver, é upgrade em relação a Diego Tardelli (apesar de características absolutamente diferentes), se conseguir se adaptar e jogar o que sabe.

O grande problema do Galo, porém, está na defesa. Renan Ribeiro já recebe algumas críticas. Os laterais não conseguem se firmar. E mesmo com os ótimos Réver e Leonardo Silva, a zaga não consegue passar segurança (muito pelo fato de o meio-campo desarmar muito pouco). O segundo colocado do Mineiro, tem apenas a sexta melhor defesa. Sofreu gols em todos os jogos na competição (12 ao todo). Desempenho preocupante, principalmente se levarmos em conta o nível dos adversários. Para quem sonha com vôos mais altos, o Atlético parece estar se preocupando com o setor errado.

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De olhos nas semis

Dificilmente o sorteio das quartas-de-final da Champions League poderia ser melhor. Se teremos confrontos interessantes nesta fase, o melhor ficou para o final. Na Europa, ficou a certeza de semifinais eletrizantes. Vamos aos confrontos e palpites (jogos de ida 05 e 06 de abril, de volta 12 e 13 de abril):

Atual campeã, a Inter de Milão tem o confronto mais fácil. Das grandes equipes, é a mais desajustada e dificilmente bateria um rival forte nesta fase. Leonardo e sua equipe tiveram sorte no sorteio, que os colocou frente a frente com o Schalke 04, o mais fraco dos times do sorteio. Aliás, é surpreendente como chegaram longe os alemães, repletos de problemas e com dificuldades no Campeonato Alemão. Só uma zebra enorme tira os italianos da semifinal.

Quem passar deste confronto enfrentará um inglês. Chelsea e Manchester United fazem o melhor duelo das quartas-de-final. O único jogo sem favorito óbvio e com resultado extremamente imprevisível. Se o Manchester sobra no Campeonato Inglês, o Chelsea tem um time forte e copeiro, com ótimo poder de decisão. É difícil apostar num favorito no duelo, embora algo me diga que os Blues seguirão em frente (vale lembrar que o Manchester anda sofrendo com uma enorme onda de lesões).

Do outro lado da chave, estão os dois gigantes espanhóis. Por sorte, ambos só ficarão a frente nas semifinais (claro, se passarem de fase).

O Barcelona enfrenta o Shaktar Donetsk. Apesar do bom futebol desenvolvido pelos ucranianos e pelo fato de poderem decidir em casa (onde são muito fortes), é impossível imaginá-los fazendo frente ao time de Guardiola - apesar do recente sufoco do Barça para vencê-los na Supercopa da Europa. O espírito ofensivo do Shaktar pode surpreender e assim como contra o Arsenal, a tendência é um jogo aberto e bonito. Mas não dá para imaginar o Barcelona fora da próxima fase.

Já o Real Madrid, encara o forte Tottenham, que eliminou o Milan. Com a chance de decidir em casa e com o retorno de Bale, é impossível não considerar as chances do time inglês neste que deve ser o segundo confronto mais equilibrado das quartas. Ainda assim, o time de José Mourinho é favorito, pelo ótimo desempenho ofensivo sem perder qualidade na defesa.

Desenha-se uma "overdose" de superclássicos espanhóis para os próximos meses. Serão quatro, caso a lógica aconteça na Champions. Dois pelas semifinais continentais, a final da Copa do Rei e o segundo confronto no Espanhol. Ótimo para quem gosta de futebol. Emoção de sobra.

E há quem goste de Campeonato Estadual...

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Nenhuma fórmula é para sempre

Novamente o Grêmio mostrou-se preso e repleto de dificuldades na Libertadores. Por isto, não conseguiu mais do que um empate contra o modesto León de Huánuco, fora de casa, por 1 a 1. Ainda favoritíssimo à classificação, os gaúchos provavelmente terão que se contentar com o segundo lugar da chave e podem acabar encarando um adversário forte já na próxima fase da Libertadores.

Com desfalques importantes, Renato Gaúcho foi obrigado a mexer no time. Mudou as peças, mas não o estilo. O 4-3-1-2 com meio-campo em losango foi mantido pelo menos nos primeiros 30 minutos de jogo. Fernando ganhou a vaga de Adilson, sem a mesma desenvoltura para auxiliar nas subidas de Gabriel pelo lado direito. No ataque, Carlos Alberto caía pelos lados fazendo companhia à Borges.

O panorama do jogo era de um León que tentava pressionar mas não conseguia levar perigo ao gol de Victor. E de um Grêmio que queria controlar o jogo mas não conseguia prender a bola no campo de ataque.

Aos poucos, assim como na primeira partida no Olímpico, os peruanos perceberam o "mapa da mina" da defesa gremista. Sempre com o bom Orejuela, o time atacava pelo lado direito, onde Gilson tinha enormes dificuldades na marcação.

Ainda na etapa inicial, Renato Gaúcho resolveu mexer no time. Colocou Júnior Viçosa na vaga de Fernando, passando a equipe para o 4-2-2-2. Assim, o técnico atenuou o problema de marcação do lado esquerdo, diminuindo o apoio de Lúcio a Gilson. Seguiu sem conseguir ter a bola no ataque e acabou pressionado até o fim do primeiro tempo, quando Carlos Elias abriu o placar de cabeça.

O segundo tempo seguiu com poucas emoções, exceto pelo gol de Carlos Alberto aos 9 minutos, com direito a comemoração estilo Kidiaba, em clara resposta à provocação de Leandro Damião uma semana antes. Faltava ao Grêmio posse de bola ofensiva e velocidade nos contra-ataques e aos peruanos qualidade para ameaçar o gol de Victor. No fim, o empate foi o resultado justo para um jogo de pouquíssimas emoções.

O Grêmio vai se classificar. Mas precisa trabalhar e achar alternativas. O 4-3-1-2 em losango serviu na arrancada do ano passado no Brasileirão. Agora, porém, o time é outro. Voltar com Lúcio para dar segurança na lateral, fortalecer a pegada no meio e acertar o ataque, podem dar ao time condições de brigar forte na competição. Com o que tem mostrado até agora, é pouco provável que Renato Gaúcho e sua turma cheguem longe.

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A goleada caiu na normalidade. Erros não podem seguir o caminho.

Nem sempre um 0 a 0 é um jogo chato. Assim como uma partida cheia de gols não necessariamente é sinônimo de um grande jogo. Ao meu ver, o que aconteceu na goleada (mais uma) do Cruzeiro por 6 a 1 sobre o Tolima, ontem, pela Libertadores.

É preciso separar o que aconteceu em campo do placar da partida, enganoso. O Cruzeiro venceu, convenceu, garantiu vaga na próxima fase e faz belíssima campanha na competição. Mas foi um time repleto de problemas.

Novamente no 4-2-3-1, com Wallyson fechando a linha de meias pelo lado direito, o Cruzeiro não demorou para abrir o placar. A jogada individual de Montillo, com finalização perfeita de fora da área, mudou a história do jogo. Primeiro porque assustou os colombianos. Segundo, porque fez com que o Cruzeiro pudesse diminuir o ritmo e esperar o adversário.

Organizado num 4-3-2-1 que chega com muita gente ao ataque, o Tolima se mostrou mais uma vez um bom time. Tem equilíbrio, ofensividade, recomposição rápida, bom toque de bola e algumas referências técnicas interessantes. Falta porém maldade, cancha.

Em um dos vacilos do colombianos, Wallyson tomou a frente do zagueiro, driblou o goleiro e fez o segundo, ainda no primeiro tempo. Foram as duas chegadas do Cruzeiro ao ataque no primeiro tempo. Depois disto, o Tolima se soltou um pouco mais no jogo, mas também não conseguiu ameaçar Fábio.

O segundo tempo começou no mesmo ritmo. Lento. O Cruzeiro não tinha pressa para definir o jogo. O Tolima esbarrava em seu nervosismo para criar. As chances só apareceram quando os times erraram (e como erraram).

O Cruzeiro dava espaços demais na entrada da área. Marquinhos Paraná e Henrique saíam para fazer a cobertura dos laterais e deixavam um buraco no meio. Que o Tolima aproveitou para criar algumas oportunidades salvas por Fábio e também seu gol, marcado por Marrugo.

O Tolima era infantil nos contra-ataques, marcando a bola e deixando adversários livres. Assim o Cruzeiro fez o terceiro e o quarto, ambos com Roger (o último após cobrança de penalti). No fim, já com o Tolima cansado, abatido e com um jogador a menos, Gilberto e Thiago Ribeiro que entraram no segundo tempo definiram a goleada.

Apesar dos três resultados perfeitos dentro de casa, com 15 gols marcados e apenas um sofrido, o Cruzeiro ainda tem problemas. É um time extremamente dependente da individualidade de seus jogadores (principalmente Roger e Montillo) e com problemas de cobertura na defesa. O ponto positivo, é que parece que Cuca não está satisfeito. É um ótimo começo, para que o Cruzeiro consiga confirmar nas fases mais agudas, os ótimos resultados conquistados até aqui.

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Fim do trauma e goleada imponente

Seis eliminações consecutivas nas oitavas-de-final da Champions League. Suficiente para causar tensão no Santiago Bernabeu, onde o Real Madrid enfrentou o Lyon ontem. Pouco para parar o time de José Mourinho, que deu mais uma demonstração de força, batendo os franceses por 3 a 0 e finalmente voltando às quartas-de-final do torneio mais importante do continente.

Com os dois times espelhados no 4-2-3-1, o jogo começou corrido e franco. Os times encontravam espaço pelos lados e forçavam o jogo pela esquerda. No Real Madrid, Ozil encostava em Cristiano Ronaldo. No Lyon, Lisandro López tirava Pepe da área e jogava perto de Delgado.

Destas combinações saíam as melhores jogadas dos dois times nos primeiros 30 minutos. Aos poucos porém, as marcações encaixaram. No Real, com Khedira ajudando Sérgio Ramos. No Lyon com Toulalan engolindo Ozil.

Era preciso um algo mais, um movimento diferente. E o Real Madrid foi quem percebeu primeiro. Marcelo se soltou no ataque e não era seguido por Briand. Com um homem a mais no setor, os espanhóis encontraram espaço. Até que o lateral esquerdo fez boa tabela com Cristiano Ronaldo, driblou dois zagueiros e abriu o placar.

Depois do intervalo, com Gomis na vaga de Briand, o Lyon tentava aumentar o ímpeto ofensivo. Mas acabou agravando o problema de marcação pelo setor direito de sua defesa. Se Briand raramente acompanhava Marcelo, Lisandro López (que passou a jogar aberto no setor, com Gomis enfiado) o fazia menos ainda.

E foi pelo lado esquerdo que o Real seguiu atacando, controlando o jogo e posteriormente, definiu a classificação. Primeiro com passe de Marcelo para o iluminado Benzema. Depois com arrancada de Ozil que deixou Di Maria livre. 3 a 0, sem traumas e classificação garantida.

O Real tem um baita time. Tem equilíbrio e força ofensiva. Vários jogadores em condições de decidir. Um banco de reservas que parece mais encorpado a cada rodada. É candidatíssimo ao título da Champions, que Mourinho sabe conquistar como poucos. E se este time não entrar de vez para a história, haverá apenas um culpado. E ele atende pelo nome de Barcelona.

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Quadro Negro - Inter de Milão

Com dificuldades, mudanças de postura e o brilho de Samuel Eto'o, a Inter conseguiu uma classificação heróica diante do Bayern, na Alemanha.

As mudanças táticas e a análise do time italiano estão no Quadro Negro do Marcação Cerrada.

Clique aqui e confira.

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Uma rodada para a história

Muita gente pediu, a CBF finalmente enxergou que precisava agir e assim o fez. A última rodada do Brasileirão 2011 (que começa no dia 21 de maio e termina no dia 04 de dezembro) será marcada pelos principais clássicos do país. Atitude correta e corajosa. E apesar dos problemas que já rondam esta rodada, temos tudo para ter o final de Campeonato Brasileiro mais empolgante de todos os tempos.

A atitude visa evitar que times mandem equipes reservas para jogos decisivos. Afinal, o Corinthians não colocará reservas em campo num jogo que pode dar um título nacional ao Palmeiras, por exemplo. A medida diminui o risco mas não impede que ele exista. Vale lembrar que em outras edições, times reservas e jogos "entregues" foram polêmicas até mesmo com quatro rodadas para o fim da competição.

De toda forma, fica a impressão que teremos uma última rodada empolgante, emocionante e repleta de grandes jogos independente de qualquer outro aspecto. São jogos que valem por si só. E que ganham muito quando tem importância para a tabela. E com 16, dos 20 times, envolvidos em clássico, fica a certeza que muita coisa será decidida nestes jogos.

Mas nem tudo são flores. As obras para a Copa do Mundo são o principal problema da "rodada especial". Sem o Maracanã, por exemplo, o Rio tem apenas o Engenhão e dois clássicos para a rodada final. Vasco e Flamengo dificilmente jogarão em São Januário e o jogo pode acabar indo para o interior. Em Minas, sem o Mineirão, o Cruzeiro deverá ter torcida única na última rodada em Sete Lagoas, em um jogo que pode ser fundamental para o Atlético-MG. Isto sem contar na segurança, já que no Rio e em São Paulo serão dois clássicos no mesmo dia e horário, com torcidas enormes envolvidas.

Problema que a CBF tem tempo suficiente para pensar em medidas paliativas e que possam diminuir os riscos e também as perdas de quem for obrigado a jogar em estádios com condições precárias para jogos de tal magnitude.

De toda forma, eu aprovo a idéia. Dará brilho especial à rodada final e diminui as brechas para reclamações e jogos sem graça.

Não dá para achar que tudo será resolvido desta forma. Outras medidas podem ser adotadas para aumentar a competitividade dos times, como dividir os direitos de transmissão de acordo com a colocação final ou fazer da posição em anos anteriores, critério de desempate, por exemplo. Mas esta tabela, ao meu ver, foi bola dentro da CBF.

Confira a última rodada do Brasileirão 2011:

Corinthians x Palmeiras
São Paulo x Santos
Internacional x Grêmio
Cruzeiro x Atlético-MG
Atlético-GO x América-MG
Atlético-PR x Coritiba
Bahia x Ceará
Avaí x Figueirense
Botafogo x Fluminense
Vasco x Flamengo

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O estranho mundo de Muricy Ramalho

A vida do técnico campeão brasileiro 4 vezes nos últimos cinco anos é cercada de mistérios. Como pode um treinador deixar de lado o grande sonho da carreira, de comandar o Brasil numa Copa por aqui, para manter um compromisso e 10 meses depois romper o contrato pela "falta de estrutura" que ele já conhecia quando assumiu o clube?

Perguntas sem resposta, histórias do futebol. A estranha saída de Muricy Ramalho do Fluminense parece não fazer sentido algum e as desculpas definitivamente não se encaixam. Vão passar os anos e só quem saberá o que realmente aconteceu é o treinador.

Certamente, a desculpa alegada pode ter pesado, mas não foi o que levou Muricy a deixar o tricolor carioca. Mesmo sem estrutura, ele foi campeão brasileiro em 2010 e não apareceu na época para reclamar de coisa alguma.

O desgaste de Muricy no Fluminense era evidente. Passou pelas mudanças na assessoria de imprensa, que não agradaram ao técnico. Também pela saída iminente de Alcides Antunes, amigo pessoal do treinador, confirmada enfim no sábado.

Mais do que isto, porém, Muricy tinha dificuldades para encontrar alternativas em campo. Time eliminado na semifinal da Taça Guanabara, em situação praticamente irreversível na Libertadores...

A carreira de Muricy Ramalho é praticamente inquestionável. Os títulos estão aí para combater qualquer coisa que se fale contra o treinador. Em outras oportunidades, já declarei neste espaço que não sou fã do estilo do técnico, pelo contrário. Mas fica claro que nesta saída, perdem os dois.

O Fluminense fica sem técnico em momento determinante na temporada. A decisão do Carioca está próxima e a missão na Libertadores é ingrata. O mercado é escasso. O novo presidente Peter Siemsen precisará de ousadia e criatividade para encontrar um bom nome. E precisa agir rápido o que complica a situação.

Pressa que não faz parte do cotidiano de Muricy. Certamente, seguirá sua vida com um ótimo contrato em um grande clube. Santos e Inter aparecem como principais candidatos. É um técnico competente e trabalhador. Como de costume, diz que pretende ficar 30 dias descansando. Me parece receio em assumir um Santos que também está em situação difícil na Libertadores e corre o risco de acabar eliminado.

No fundo, espero mesmo que o acerto entre o técnico e o Santos não aconteça. O time mais lúdico do país tem potencial para mais. E não combina em nada com o trabalho do multi-campeão.

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Coisa boa é tê-lo de volta

Pouco a se dizer da vitória do Santos sobre o Botafogo por 2 a 0. Mais um jogo fraco do Peixe. Pouca inspiração e o time ainda travado, sem conseguir jogar o futebol que dele se espera. Fica óbvio a cada rodada, que a culpa não era de Adilson Batista.

Martellotte é jovem e tem futuro. Mas não vai nada além dos desejos da torcida. Coloca os preferidos das arquibancadas e afasta a pressão de seu cargo interino. Com três homens na frente e Diogo voltando para a armação, o Santos não funcionou. O atacante não sabe fazer o "falso-nove". Acaba não conseguindo voltar para criar e não mostra presença de área quando o time precisa.

Assim, o Santos voltou a encontrar enormes dificuldades. Bem armado pelo ex-zagueiro Argel, o Botafogo chegou a ser melhor em alguns momentos do jogo e ameaçar nos contra-ataques. E tudo caminhava para mais um jogo de muito sofrimento para o torcedor santista.

Caminharia, não fosse Paulo Henrique Ganso. No banco do Santos, estava o que de melhor apareceu no futebol brasileiro nos últimos cinco anos. Depois de ficar afastado algum tempo por conta de uma lesão no joelho, o meia tinha retorno marcado para o segundo tempo.

Entrou em campo e mudou o jogo. Primeiro com a cabeça em pé e o passe preciso para Zé Eduardo encontrar Elano na área e abrir o placar. Depois, com o bom posicionamento e a finalização firme e precisa, que marcou seu retorno com bola na rede.

Mais do que isto, Ganso mostrou que falta de ritmo é para quem não tem bola. Tocou, organizou, comandou como de costume. Sofreu faltas, levantou, seguiu em frente. Deu caneta. Jogou demais! Apenas um aperitivo, de pouco mais de 25 minutos.

Com Ganso, o Santos ainda longe do ideal pode tornar-se mortal novamente. O camisa 10 da Vila é diferenciado e não precisa provar coisa alguma. Já é uma realidade. Um craque. Neymar agradece. O Santos também.

E todos que gostam de futebol, devem fazer o mesmo. Seja bem-vindo novamente, Ganso.

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Sinal dos tempos

Quando entrevistei Lédio Carmona para o Marcação Entrevista ele disse que esperava o momento que o Brasil pudesse repatriar jogadores ainda em alta na carreira. E me parece, que este momento está chegando bem antes do que ele poderia imaginar.

Quando o São Paulo investe 7,5 mi de euros para contratar Luís Fabiano, ele dá uma grande demonstração de força econômica e de visão de futuro. Prova o crescimento do poderio dos clubes brasileiros no mercado europeu, já em condições de competir com mercados menores como França e Portugal.

Luís Fabiano não é craque, nem nunca foi. Mas é ótimo jogador. Dentro da área, está entre os melhores do mundo. É completo, sabe se posicionar e é raçudo. Tem problemas, principalmente psicológicos. Facilmente administráveis.

Depois de seis anos no Sevilla, muitos gols, convocações para a Seleção, uma Copa do Mundo como titular, ser cobiçado por times como Milan, Inter e Real Madrid, Luís Fabiano está de volta para onde começou a carreira. E a identificação o ajudará ainda mais neste retorno.

Dentro de 40 dias o atacante deve estar disponível para entrar em campo (ainda se recupera de lesão). É a peça que faltava para tornar o São Paulo novamente um dos melhores times do país. Ao lado de Rogério Ceni, o Fabuloso comandará um time repleto de garotos cheios de potencial.

Um time, que tem tudo para dar o que falar. E que pode ser o primeiro sinal de novos tempos no futebol brasileiro.

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Quadro Negro - Real Madrid

O jogo foi contra o vice-lanterna. O Real Madrid teve alguns reservas e algumas dificuldades. Mas venceu e mostrou uma novidade interessante: Karim Benzema parece definitivamente recuperado.

Os detalhes da vitória do Real sobre o Hércules e a "ressurreição" de Benzema você confere no Quadro Negro do Marcação Cerrada, clicando aqui.

Atacantes x Ofensividade

Nem sempre um maior número de atacantes indica um time mais ofensivo. Pode funcionar e render gols, na base do abafa principalmente, mas é pouco funcional. Não adianta encher a área adversária de jogadores se não consegue fazer a bola chegar até lá. Prova disto, foi o empate do Cruzeiro ontem contra o Tupi, por 0 a 0, quando o time da capital terminou o jogo com 4 atacantes e um meia em campo.

Com algumas mudanças no time (por suspensão, lesão ou escolha técnica), Cuca mandou o que tinha de melhor a campo em Juiz de Fora. Leandro Guerreiro foi terceiro zagueiro, raramente passando da intermediária, dando liberdade para Rômulo pela direita e Éverton pela esquerda. Montillo era outro com liberdade para se aproximar da nova dupla titular de ataque, com dois velocistas.

Também postado no 3-5-2, o Tupi dentro de suas limitações conseguiu equilibrar o jogo e fazer uma bela primeira etapa. O jogo foi franco e teve boas oportunidades. O Cruzeiro, sempre com Rômulo pela direita ou com Wallyson pela esquerda (quando este invertia o posicionamento com Thiago Ribeiro e confundia a marcação adversária). Já o Tupi, chegava quase sempre com Michel, nas costas de Éverton, provando que o problema da marcação ruim pelo lado esquerdo da defesa do Cruzeiro não está em Diego Renan, e sim no sistema. Se pela direita Marquinhos Paraná trabalhava como cão-de-guarda do ala, pelo lado oposto Gil era obrigado a deixar a área (completamente perdido) e deixar um buraco no meio da defesa.

Com os times achando espaços, os goleiros brilharam. Fábio apareceu com perfeição duas vezes (numa delas em chute cara a cara de Michel). Rodrigo fez pelo menos três grandes defesas (apesar de quase ter se atrapalhado e marcado contra em cruzamento de Wallyson). E a noite era mesmo do goleiro do Tupi, que ainda viu Montillo acertar o travessão em mais um penalti tosco marcado pela arbitragem mineira.

Na etapa final, incomodado com a falta de gols, Cuca resolveu encher o time de atacantes. No intervalo, trocou Montillo (machucado) por André Dias. Depois, tirou o ala Rômulo para a entrada do meia-atacante Dudu. Já no fim do jogo, substituiu Marquinhos Paraná por outro centro-avante (Farías).

Mexidas que não aumentaram o poder de fogo da equipe, pelo contrário. No primeiro tempo, com menos atacantes e mais organização, o Cruzeiro criou mais e foi mais perigoso. Na etapa final, cheio de atacantes, o time pouco incomodou Rodrigo, que só trabalhou após bate-rebate dentro da área ainda no início do segundo tempo.

Pelas característica do time e de seus jogadores, o Cruzeiro será ofensivo mesmo com três volantes (como foi na etapa inicial). O excesso de atacantes pode funcionar em ocasiões esporádicas, mas não pode ser regra e Cuca precisa entender isto para criar outras alternativas quando o gol não sair.

Curto e longo prazo. Os acertos de Mano Menezes

Talvez tenham sido os últimos resultados, decepcionantes. Talvez fosse mesmo questão de tempo. Certo é que Mano Menezes fez a convocação com mais mudanças até aqui desde que assumiu a seleção. E observando o momento dos jogadores e a ausência por questões óbvias e físicas de outros, as escolhas de Mano fazem muito sentido e apontam para um caminho muito interessante.

A começar pelo retorno de jogadores importantes. O que comprova que o trabalho de Dunga não foi tão ruim como alguns teimam em querer mostrar. E que a reformulação não pode e não deve ser total e de forma repentina. Júlio César já havia reassumido o posto que lhe é de direito. Maicon e Lúcio, apesar da idade avançada, ainda podem ser muito úteis, inclusive passando experiência para os mais jovens. Hoje, não dá para abrir mão de jogadores deste nível. A volta de Elano também é justa. Desde que voltou ao Brasil, o meia tem sido um dos destaques do Santos. É outro que agrega experiência e qualidade além de ser ótimo para o grupo.

Quanto às novidades, também ótimas. Henrique é ótimo volante e já fazia por merecer oportunidade. É o maior ladrão de bolas do futebol brasileiro e tem qualidade técnica para sair jogando, como deseja Mano. Lucas é um meia raro, e apesar de ainda não estar maduro o suficiente para ser titular do time principal, deve permanecer no grupo, ganhando experiência. Já Jonas, merece pelo que fez ano passado. Ainda que persista o preconceito quanto ao jogador, o atacante já mostrou que pode ser opção interessante para Mano.

A maior surpresa no entanto é a ausência de Robinho. Titular absoluto e capitão de Mano desde que o técnico assumiu o time, o jogador foi "poupado" desta vez. Ainda que não seja titular absoluto do Milan em todas as partidas, tem sido peça fundamental do time italiano e certamente, será importante também na seleção.

Mano reforça o time para impedir que seu trabalho comece a ser questionado. É prudente e inteligente. E já se mostra preocupado com um time capaz de vencer a Copa América.

Outra situação que fica perceptível na convocação, é que Mano já se prepara para buscar uma alternativa ao 4-2-3-1. Com os convocados desta vez, é possível imaginar boas opções para um 4-2-2-2 ou 4-3-1-2, ambos com times muito fortes.

Por fim, a eterna polêmica do goleiro Fábio, mais uma vez ignorado na lista. Victor é o goleiro que Mano pretende preparar para 2014 e só isto deve bastar para que Mano o mantenha na lista. E apesar do enorme preconceito, Jéfferson tem feito partidas incríveis e quem critica sua convocação certamente não tem visto o Botafogo jogar.

Fábio é ótimo. Do mesmo nível ou melhor que os dois reservas. Mas aos 30 anos, não teria espaço para jogar. Júlio César é inquestionável. Ser convocado apenas para dar satisfação, para fazer parte do grupo, acrescentaria muito pouco ao goleiro. E também ao trabalho de Mano. Por isto, e apenas por isto, a ausência me parece fazer sentido.

99,9%

Depois de mais um resultado ruim na Libertadores, o Fluminense se apega ao passado para seguir sonhando. Dizem nas Laranjeiras que, assim como em 2009, o time pode se reencontrar na base da vontade e conquistar algo que parece improvável. Muito pouco, para o atual campeão brasileiro.

Depois de três jogos, ou metade da primeira fase do torneio, o Flu conquistou apenas 2 pontos. Dois empates, nos dois jogos que fez em casa. Ontem, a primeira derrota: 1 a 0 para o América, no México. Resultado justo. Por mais que os mexicanos não tenham feito uma grande partida, buscaram mais o resultado e foram superiores durante quase todo o confronto.

Muricy foi pouco ousado. Escalou três zagueiros, Conca sozinho na marcação e Tartá perdido no ataque, deixando Rafael Moura absolutamente isolado. Nas poucas vezes que o atacante viu a bola, não tinha com quem dialogar, ficava sem opções.

Apesar de bem postado na defesa, estava claro que o Fluminense jogava no limite. Não podia errar e estava pressionado. Bastou um vacilo de Digão para Daniel Marques marcar o único gol do confronto.

Depois do gol, o Fluminense teve 20 minutos para tentar algo. Faltou força. Faltou ousadia. Muricy manteve os três zagueiros, seguiu com um meio-campo sem criatividade (graças à pouca inspiração de Conca) e pouco ameaçou o gol do bom goleiro Ochoa.

O Fluminense ainda pode se classificar? Sim. A missão é difícil? Quase impossível. O grupo não é fácil. O Argentino Júniors é um dos melhores times da Libertadores até aqui. E o América, apesar do jogo pouco empolgante de ontem, também tem um bom time. Por fim, o Nacional apesar da campanha também pífea, é tradicional e em casa tem força.

Para chegar o tricolor precisará se reencontrar. Precisará que Conca reencontre a melhor forma (o meia ainda paga a conta da última temporada, quando esteve em campo em todos os jogos). Precisará dos eternos lesionados Deco, Émerson e Fred. E principalmente, que Muricy não faça mais uma campanha decepcionante na Libertadores. É hora de trabalho, em cima do 0,01%.

À altura do jogo

O momento mais bacana do futebol é o do gol. E por isto, nada mais justo que ele não aparecesse no duelo entre Tolima e Cruzeiro. O zero a zero foi mais que um retrato da partida. Foi o resultado justo para um jogo com pouquíssimas emoções.

Cuca manteve o Cruzeiro com a formação que havia conquistado duas goleadas em dois jogos até aqui na Libertadores. O 4-2-2-2 desta vez, porém, teve mudança de postura, fundamental para o resultado. Apesar de uma escalação aparentemente ofensiva, o Cruzeiro pecou (principalmente no primeiro tempo) pelo excesso de cautela. Pablo foi quase um zagueiro pelo lado direito, raramente passou do meio-campo. Marquinhos Paraná era líbero, jogando entre os dois zagueiros. Henrique raramente apareceu no ataque como vinha fazendo.

Desta forma, sobrava para os quatro homens de frente a missão de levar o Cruzeiro ao ataque. Mas com Montillo e Roger pouco inspirados e Wallyson muito bem marcado, o time mineiro foi anulado. Wellington Paulista nem precisou de muita marcação. Fez mais uma partida abaixo da crítica. Como pivô, no ataque, não consegue segurar uma bola sequer e raramente consegue bons passes de primeira.

Sem posse de bola, o Cruzeiro correu atrás do Tolima. E não teve muitas dificuldades para marcar o pouco inspirado time colombiano. Com o gramado horrível como agravante, o jogo foi chato e sem emoção.

O panorama mudou um pouco no segundo tempo. Marrugo e Santoya descobriram o enorme buraco que havia nas costas de Diego Renan (já que Marquinhos Paraná centralizava e deixava o jogador, limitado na defesa, sozinho na marcação). Por ali, o Tolima conseguia criar alguma coisa, enquanto o Cruzeiro seguia sem ter posse de bola.

Cuca tentou dar velocidade ao Cruzeiro com Thiago Ribeiro e Dudu. Não mudou quase nada e não melhorou nem um pouco. O técnico ainda foi o último a perceber a avenida pelo lado esquerdo. Só colocou Leandro Guerreiro em campo depois do penalti feito por Pablo em Medina, que bateu e Fábio defendeu. Para a sorte do técnico, embaixo das traves do Cruzeiro há um goleiro enorme e que parece melhor a cada dia.

O jogo decepcionante tecnicamente, acaba trazendo bons frutos ao Cruzeiro. Com 7 pontos em três jogos, o time tem a classificação encaminhada na Libertadores. Mas a partida serviu para mostrar o que venho dizendo desde o primeiro jogo na competição: o time de Cuca vive de lampejos de seus craques (Montillo e Roger) e da ótima fase de Wallyson, mas é desorganizado taticamente e mostra poucas alternativas. Para chegar longe, vai precisar de mais. E tem potencial para isto.

Eu vou lhe ensinar como é que se faz

Quem acompanha os jogadores do Santos no Twitter, viu assuntos variados na noite de ontem: o tradicional #sonoexalando de Neymar, comentários gerais sobre novelas e BBB, pagodes e resenhas com os "parças". Nenhum comentário sobre a vitória do Colo-Colo sobre o Deportivo Táchira, na Venezuela. Uma aula, sobre o que o Santos deveria ter feito no mesmo local, uma semana atrás.

Na lanterna do grupo, pressionado e de técnico novo, o Colo-Colo teve 15 minutos de dificuldade jogando fora de casa. O Táchira começou em cima e sufocou o adversário nos minutos iniciais. Na primeira vez que encaixou o contra-ataque, porém, os chilenos abriram o placar e mudaram o panorama. O ótimo atacante argentino Miralles (que já fez ótima Libertadores em 2010) abriu o placar após bom passe de Paredes.

Os chilenos não tinham a bola, mas tinham o controle do jogo. Muito bem fechados na defesa num 4-4-1-1, não davam chances aos venezuelanos, que rodavam a bola de um lado para o outro sem conseguir ameaçar. Graças à boa qualidade técnica de Jorquera (que ocupava o lado direito na linha de quatro) e Paredes (o enganche e jogador mais próximo de Miralles), o Colo-Colo conseguia acertar os contra-ataques e jogava na vertical, ficando sempre muito perto do gol. O segundo, saiu ainda no primeiro tempo, de novo com Miralles após cobrança de escanteio.

Na etapa final o jogo seguiu o mesmo. O Táchira passou a arriscar mais, principalmente em chutes de fora da área. Adiantou a marcação e tentou exercer pressão. Mas com a defesa adiantada e em linha, deu o caminho para a goleada. E o Colo-Colo não desperdiçou, marcando duas vezes de maneira idêntica: passe no meio dos zagueiros e atacante na cara do gol. Primeiro com Paredes, depois com Wilchez. 4 a 0 e jogo mais do que definido. O time ainda teve tempo para relaxar e sofrer dois gols (um deles em falha de Castilho, ex-Botafogo, que fazia ótima partida).

A vitória dos chilenos aumenta a pressão sobre o Santos, que entra em campo hoje. Vencer em casa é fundamental, principalmente em um grupo que tende a ser definido justamente pelo pior time. Quem perder mais pontos para o Deportivo Táchira tende a ficar fora da próxima fase. O Santos já deixou dois para trás, na Venezuela. E ao que parece, os jogadores santistas tinham coisas mais importantes para fazer do que assistir a aula ontem a noite.

Pré-Temporada: Internacional

Chegou março e a Pré-Temporada do Marcação Cerrada chegou ao fim. Desde janeiro, tentamos passar o que mudou e o que é possível esperar nos 20 times da Série A do Brasil.

O último, mas não menos importante, foi o Internacional. O clube gaúcho que vive momento de pressão, terá que fazer um belo segundo turno no Campeonato Gaúcho sem se esquecer, claro, da Libertadores.

Para ver como vem montando o time e as opções de Celso Roth, é só clicar aqui.

Confira também os outros times que passaram pela Pré-Temporada:

Onde foi parar a paciência?

Dois meses de planejamento. Ótimas contratações e promessa de um time forte. Apenas 11 jogos, uma derrota, e o trabalho foi dado como finalizado. A passagem de Adilson Batista pelo Santos durou muito menos do que se imaginava. E muito menos do que deveria.

Os motivos que levaram à demissão de Adilson nos Santos são os mesmos que o fizeram viver em constante pressão nas passagens por Cruzeiro e Corinthians. Estudioso, trabalhador e sério, o técnico tem suas convicções e não se afeta por pressões externas. Abraça suas certezas e é capaz de morrer com elas. E acabou "morrendo", mais uma vez.

Empates contra Deportivo Táchira e São Bernardo e a derrota para o Corinthians acabaram com a curta paciência da torcida santista. A diretoria, não deu respaldo, e preferiu transferir toda a responsabilidade para o técnico. Alivia a pressão agora, mas não pensa no futuro que está por vir.

Fica, de fato, a impressão de que o time poderia ter jogado mais. Com um ótimo time à disposição, Adilson conseguiu apenas cinco vitórias em 11 jogos. Mas ainda não tinha o time pronto. Jonathan praticamente não jogou, assim como Arouca. Charles e Ganso ainda se recuperam de problemas físicos. Com eles, o time ganharia corpo. E tinha tudo para encaixar.

O Santos erra por não ter paciência. E mais do que isto, por não ter um plano. Depois de perder o ótimo Dorival Júnior em uma crise que poderia ser resolvida, dispensa Adilson sem que aja no mercado opções viáveis. Os investimentos foram ótimos e deixaram o time em condições de brigar pelo título da Libertadores. Cortar o planejamento no meio, não me parece uma opção sensata.

Adilson Batista para mim está entre os três melhores técnicos do Brasil. Mas o desgaste na carreira nos últimos 12 meses é evidente. É hora de colocar a cabeça no lugar e repensar algumas questões. Deixar um pouco a "teimosia" de lado, pode permitir que ele consiga novamente mostrar como são corretas suas convicções. No impaciente mundo do futebol, é preciso ser um pouco mais maleável. Infelizmente, esta é a realidade.

Enquete

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O Palmeiras manteve a base mas não conseguiu os camarões que Felipão pediu. Deve manter o 4-2-3-1 em 2012.

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